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terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Escutar, escutar, escutar…. E ir além da rama!

O presidente da Comissão Episcopal responsável pelos Media lamentou hoje a falta de atenção aos “problemas mais cruciais” da sociedade portuguesa, durante a campanha para as legislativas do próximo domingo.

“Foi com muita pena que, até à data, não vi, a nível dos candidatos a estarem à frente das nossas instituições públicas, de maior relevo, como o Governo, a Assembleia e outras instâncias, terem debatido os problemas mais cruciais da nossa sociedade”, referiu D. João Lavrador aos jornalistas.

O responsável católico deu como exemplo as questões da família, da natalidade, da violência doméstica e das desigualdades sociais no que “elas têm de mais profundo”: “Passou tudo pela rama, a estes níveis, focou-se muito no problema de uma economia mais assente neste ou naquele aspeto”, indicou.

O bispo de Viana do Castelo aludiu ainda a temas como a educação, a saúde e “problemas cruciais de civilização” que são colocados na agenda política “à socapa”, em particular a intenção de legalizar a eutanásia.

As declarações aconteceram à margem da apresentação da mensagem do Papa para o 56.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que decorreu no edifício da Reitoria do Santuário de Cristo Rei, Almada, que foi hoje divulgada pelo Vaticano, assinada pelo Papa Francisco o dia de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas.

O Papa alertou para uma “infodemia” que desvaloriza o papel da imprensa, apelando à valorização da “escuta”, que acrescenta “credibilidade e seriedade” à informação.

“A capacidade de escutar a sociedade é ainda mais preciosa neste tempo ferido pela longa pandemia. A grande desconfiança que anteriormente se foi acumulando relativamente à ‘informação oficial’, causou também uma espécie de ‘infodemia’ dentro da qual é cada vez mais difícil tornar credível e transparente o mundo da informação”, refere, na mensagem, divulgada pelo Vaticano, com o título ‘Escutar com o ouvido do coração’.

“É preciso inclinar o ouvido e escutar em profundidade, sobretudo o mal-estar social agravado pelo abrandamento ou cessação de muitas atividades económicas”, acrescenta.

Francisco destacou, a este respeito, o papel da escuta na superação dos preconceitos contra os migrantes, convidando todos a “ouvir as suas histórias” de pessoas concretas.

“Dar um nome e uma história a cada um deles. Há muitos bons jornalistas que já o fazem; e muitos outros gostariam de o fazer, se pudessem. Encorajemo-los! Escutemos estas histórias”, apela.

O presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, disse hoje que o jornalismo deve promover a “escuta da realidade” e a “história” de cada pessoa, rejeitando o sensacionalismo.

“O tema deste ano, convidando à escuta, inscreve-se nas preocupações do Papa Francisco, para que a comunicação social se torne próxima da pessoa e junto dela apreenda as suas preocupações, sem ceder à tentação de uma comunicação de gabinete, de sensacionalismo, de opinião ou de redes sociais”, disse D. João Lavrador.

Se não teve ocasião de ver a entrevista ao diretor do Centro de Estudos Aplicados da Universidade Católica Portuguesa (UCP), vale a pena deter-se uns minutos sobre o olhar de Ricardo Reis sobre o impacto da pandemia nas eleições legislativas, a análise sobre a participação cívica dos portugueses e o seu “desencanto, não com os programas, mas com as personalidades que têm à sua frente como opção”.

Deixo-lhe ainda notícia sobre a declaração conjunta dos bispos católicos da Polónia e da Ucrânia a respeito da crise deste último país com a Rússia, pedindo a intervenção da comunidade internacional para travar um conflito militar.

As conferências episcopais assumem a sua “preocupação” com o falhanço das negociações entre a Rússia e o Ocidente, denunciando a “crescente pressão”de Moscovo contra a Ucrânia”.

“A busca de métodos alternativos à guerra para resolver conflitos internacionais tornou-se hoje uma necessidade urgente, pois o poder aterrador dos instrumentos de destruição disponíveis, até mesmo para as médias e pequenas potências, e os laços cada vez mais fortes existentes entre nações do mundo inteiro tornam difícil ou até praticamente impossível limitar os efeitos do conflito”, advertem os bispos, numa posição divulgada pelo portal de notícias do Vaticano.

O Papa convocou para quarta-feira uma jornada de oração pela paz, face ao agravamento da crise na Ucrânia, iniciativa a que se associou hoje a Conferência Episcopal Portuguesa.

Mas há mais para ver, ler e ouvir em agencia.ecclesia.pt

Encontramo-nos lá?

Tenha um excelente dia!

Lígia Silveira

 

 


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