quarta-feira, 19 de julho de 2017

As Folhas Soltas do Livro

Os anos sucedem-se quase sem nos apercebermos, nesta corrida vertiginosa diária, no sentido de conciliarmos todos os afazeres, solicitações, preocupações, compromissos, e principalmente apoiarmos a Família, sendo que nos encaminhamos a passos largos para a porta estreita. Há alguns dias ouvi alguém referir que “um homem vale o que vale o seu coração, mudarão este mundo aqueles que possuem um coração grande”, acrescentando ainda que “nunca nada nem ninguém muda completamente o nosso coração inquieto, ou seja, não estamos criados para esta terra. A pessoa guarda o coração quando percebe a grandeza que existe em nós”.

Está então lançada a ideia para a narrativa que intitulei “As Folhas Soltas do Livro”. Na realidade, uma brisa que se fazia sentir espalhou as folhas soltas. Questionei-me, enquanto corria atrás delas, onde iriam parar os meus sonhos, as minhas ilusões, as alegrias, as tristezas, os bons momentos a par dos menos bons? Parecia que lhes queria solicitar interiormente que parassem de voar. Era o meu legado, as minhas vivências… A brisa deu lugar ao vento. Meu Deus, para onde me queres levar? Corro como se porventura fosse importante recolher as folhas soltas do livro. Por fim consegui recolher algumas na areia, outras, o vento levou-as até ao rio. Logo, logo, por analogia vieram-me à mente as seguintes frases: “A água da vida” e  “do pó vieste”. Recordei o Apocalipse que refere: ”Eu sou o Alfa e o Ómega, o princípio e o fim. Àquele que tem sede, eu darei a beber gratuitamente da água da vida… Mostrou-me um rio de água da vida, resplandecente como cristal, saindo do trono de Deus e do Cordeiro”. Também o apóstolo João transmitiu estas palavras de Jesus: “Se alguém tiver sede, venha a mim e beba… a água que eu lhe der, virá a ser nele uma fonte de água que mana para a vida eterna”. Relativamente ao Pó recordei: “Lembra-te que do pó vieste e ao pó voltarás”. Na realidade, precisamos de andar na terra com os olhos colocados no Céu, ou seja, na vida eterna. A esse propósito recordei: “As coisas que o olho não viu e o ouvido não ouviu e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam”.

Cheguei à conclusão que me sentia cansada. Aproxima-se o período de férias. Para quem tem família constitui mais uma preocupação. Que fazer neste tempo de férias com as crianças? Por acaso, deparei-me com um texto de Gloria Gratacós, mãe de vários filhos, perita em educação, que dava algumas ideias que passo a referir: Fazer atividades em Família. Embora cada um tenha os seus gostos e os seus planos, é importante encontrar tempo para fazer coisas juntos tão simples como cozinhar, passear, andar de bicicleta, fazer excursões, visitar a cidade… Desfrutar de pequenas coisas, como ver um pôr-do-sol, comer um gelado, etc. Participar em atividades culturais: Visitar museus, exposições, monumentos… Dedicar tempo à leitura… livros de aventuras, biografias, contos… Visitar familiares: Avós, tios, primos, com quem às vezes é difícil estar durante o ano, quer por falta de tempo, quer pelas distâncias.

Lamentei ter-me preocupado com umas folhas soltas quando existem coisas bem mais importantes a acontecer. Abri o tablet e verifiquei que tinha recebido uma informação de que iria decorrer, entre os dias 10 a 19 de Julho, 2017, o Fórum Político de Alto Nível sobre o Desenvolvimento Sustentável, na sede das Nações Unidas com o objetivo de realizar o follow-up e a revisão da Agenda 2030, com o tema: “Erradicar a Pobreza e Promover a Prosperidade num Mundo em Mudança”. Dava-se ênfase às mudanças significativas ocorridas, que fazem permanecer a erradicação da pobreza, nas suas formas mais extremas e nas múltiplas dimensões da pobreza na esfera económica, social e ambiental.

Concluo referindo que as minhas folhas soltas, esta minha narrativa, à luz da fé, levaram a fazer-me a sentir que devemos dar graças a Deus, pelo período de férias em que nos encontramos, por ser possível às famílias estarem juntas. Felizmente, bem longe, no outro lado do oceano decorrem trabalhos que poderão permitir no futuro alcançar-se uma sociedade mais justa, humana e solidária.

Maria Helena Paes



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