Páginas

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Beja: Bispo reflete sobre o «recomeço sem desvarios» de setembro

Programas televisivos dão «quase a impressão que a crise e os problemas» terminaram

Beja, 03 Set 2014 (Ecclesia) – O bispo de Beja assinala na sua mais recente reflexão semanal que em Setembro “tudo” recomeça, “para não hipotecar o futuro do país e das instituições”, e a Igreja também retoma a sua missão.

“Todos os anos, depois das férias escolares e das empresas, recomeçamos o exercício da nossa missão. Não apenas clero mas todos os baptizados que querem viver de acordo com a sua dignidade e esta desenvolve-se quando procuramos partilhar o que somos com outras pessoas”, escreve o bispo de Beja na nota enviada à Agência ECCLESIA.

“Não somos macacos de imitação ou papagaios”, assinala D. António Vitalino que explica que esta missão da Igreja e dos baptizados realiza-se de acordo com “algum plano definido e proposto pelos responsáveis de cada diocese e comunidade” mas que cada um tem as suas “convicções profundas, a fé proveniente do amor que o Espírito de Deus derramou”.

Sobre a Igreja em Beja, que está a realizar um sínodo diocesano, o prelado revela que pretende “envolver todos os baptizados na responsabilidade missionária”.

“Neste novo ano pastoral queremos reavivar a nossa adesão a Jesus Cristo e reanimar as nossas relações interpessoais e intercomunitárias”, desenvolve D. António Vitalino.

O bispo relembra que o clero tem o seu encontro no dia 22 de Setembro e que o Dia Diocesano é celebrado no dia 27.

Na nota semanal, o prelado de Beja, destaca também o “verão sem calor” destas férias que motivou regressos a casa mais cedo: “As nossas aldeias puderam celebrar as suas festas com maior participação das suas gentes”.

Esta “maior participação” de pessoas que enchem as aldeias também é preocupante porque depois de Agosto ficam quase desertas, “sem a alegria das crianças e dos jovens”, uma vez que “muitos casais novos e jovens emigraram para países com economias mais florescentes e carentes de mão-de-obra”.

A nível político o bispo de Beja considera que “os políticos e comentadores deram algum descanso mental” e observa que as televisões com os “múltiplos festivais e concursos” de terra em terra deram “quase a impressão que a crise e os problemas tinham chegado ao fim”.

“Na verdade, a confusão e o descalabro do nosso sistema económico e financeiro continuam a surpreender políticos e analistas”, comentou D. António Vitalino.

Outra realidade analisada pelo bispo de Beja e que recomeçou no final de Agosto é o futebol que “continua a investir ou gastar milhões em negócios de jogadores”, com “dérbis que enchem bancadas”.

“Outrora como hoje, o futebol parece fazer esquecer os reais problemas do país e das famílias”, alerta D. António Vitalino.

CB/OC


in


Assim nasceu a vocação dos jovens Koenigsknecht: gémeos, sacerdotes e agricultores do Michigan

São dez irmãos e um terceiro «está pensando» 

Actualizado 1 de Agosto de 2014

C.L. / ReL 

Não só entre cabides anda Deus,
como dizia Santa Teresa: também
entre vitelos.
Fotos: Lansing State Journal.
Em 14 de Junho, muito pouco tempo depois da sua ordenação como diáconos, Todd e Gary Koenigsknecht, de 26 anos de idade, receberam a ordem sacerdotal. São irmãos gémeos (Todd é o mais velho por uns minutos) e, como não é um caso frequente, a sua vida saltou para os meios de comunicação, sobre todo o ambiente de East Lansing, uma cidade de menos de cinquenta mil habitantes no estado de Michigan (Estados Unidos) em cuja paróquia de Santo Tomás de Aquino receberam as suas mãos o poder de consagrar o Corpo e o Sangue de Cristo e de perdoar os pecados.

A quinta (também) imprime carácter
Umas mãos acostumadas ao duro trabalho da quinta. Os Koenigsnecht são uma família muito conhecida na zona, donde, entre outras coisas, criam uma centena de vacas. Brian e Agnes formaram um lar com dez filhos (os sacerdotes são o quarto e o quinto), e todos frequentavam a paróquia da Santíssima Trindade em Fowler, o seu povoado.

Essa forma de vida já imprime carácter. O padre John Linden, director de vocações da diocese de Lansing, confia em que os gémeos serão bons pastores "porque estão muito pegados ao terreno e te fazem sentir a gosto na sua presença. Não há ninguém que entabule conversa com eles que não se sinta bem-vindo e escutado", explica ao Lansing State Journal.

Os irmãos atribuem boa parte da sua formação à tarefa agro-pecuária diária que conforma o sustento familiar: arar a terra, plantá-la, cavar, ordenhar... Cresceram sem televisão em casa, trabalhando duro e num ambiente de oração, rematado com o rosário diário em família. Ao entrar no lar dos Koenigsknecht chama a atenção uma dezena de rosários pendurados de um cabide, de onde os tomam todos os dias para agradecer e honrar à Santíssima Virgem.
Todd e Gary, com os seus pais, que educaram
os seus filhos no trabalho duro e na devoção
à Virgem.
Além disso os Koenigsknecht tem outro sacerdote na família, William, irmão de Brian, que já passou por numerosas paróquias da diocese. Mas quase todas as quartas-feiras havia uma paragem nas suas obrigações para alimentar o gado ou ceifar o trigo na granja do seu irmão. O tio William animou a todos, e em particular aos gémeos, a envolver-se na vida paroquial.

Como o está fazendo Lee, o seu irmão mais novo, que acaba de cumprir 19 anos e está a ponto de tomar também a decisão de ingressar no seminário e formar-se para ser o terceiro sacerdote do clã.

Uma espiritualidade encarnada
"A granja é um bom contexto para a vida familiar", disse o recém-ordenado Todd. "Porque ambos os pais estão sempre próximos e disponíveis", completa a sua mãe, Agnes. E vai-se criando assim uma espiritualidade encarnada, acrescenta o seu pai, Brian: "Na granja dependes de Deus, para a subsistência e para tudo. É muito fácil imbuir os filhos do que é a Criação e de como funcionam as coisas".
Duas imagens cativantes: à direita, partilhando
o dia da sua ordenação com os sacerdotes que
os baptizou (esquerda).
Uma vez concluído o bacharelato, a formação sacerdotal dos gémeos Koenigsknecht durou oito anos, depois de passar pelo seminário San Juan María Vianney de St. Paul (Minnesota) e o do Sagrado Corazón no Detroit (Michigan), e viver um semestre em Roma.

Una vez ordenados fizeram um retiro espiritual, e já tem destino em duas paróquias diferentes (na sua Todd baptizou recentemente uns gémeos). Mas enquanto tem um momento livre... Há que deitar uma mão, e este Verão já estiveram em casa plantando milho e empilhando feno.

"Encanta-me a granja e sempre será assim", disse Gary. E Todd aponta o motivo: "Dá-te tempo para pensar e é um bonito parêntesis na atarefada vida de um sacerdote".


in

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Uma igreja só formada por leigos: assim nasceu a da Coreia, já preparada para receber Francisco

Baptizavam, missionavam e logo pediam sacerdotes 

O número de católicos coreanos multiplicou-se por dez nas últimas décadas.
Actualizado 31 de Julho de 2014

Aleteia

O Papa Francisco visitará a Coreia de 14 a 18 de Agosto para encontrar-se com a juventude católica da Ásia, reunida em torno do tema Juventude da Ásia, desperta! A glória dos mártires brilha sobre ti!, assim como para fortalecer na fé a Igreja da Coreia. Em 18 de Agosto celebrará uma missa em Seul para a beatificação de 124 mártires coreanos assassinados por ódio à fé entre 1791 e 1888.

A agência informativa das Missões Estrangeiras de Paris Églises d’Asie propõe aos seus leitores submergir-se na história do nascimento da Igreja na Coreia para entender como este país situado no coração do nordeste da Ásia se fez em parte cristão, e a Igreja católica conte hoje com algo mais de 10% dos 50 milhões de sul-coreanos, enquanto os protestantes alcançam quase o 20% da população do país.

Monsenhor René Dupont em 1982.
O autor do texto é monsenhor René Dupont, membro da Sociedade das Missões Estrangeiras de Paris desde 1953 e primeiro bispo de Andong, diocese erigida em 1969. Bispo aos 39 anos de idade, dirigiu esta diocese até Outubro de 1990, data a partir da qual as 16 dioceses da Igreja na Coreia do Sul (15 dioceses mais uma diocese no exército) se confiaram aos bispos locai. Missionário atento às realidades sociais e políticas do seu país de adopção, monsenhor Dupont vive em Andong.

Este é o seu escrito.

Monsenhor René Dupont, sobre a Igreja na Coreia
Pessoas valentes que acolhem a fé cristã espontaneamente por si mesma! Uma vez baptizados, baptizam comunidades, também por si mesmos, depois procuram sacerdotes para que se ocupem destas comunidades! Assim é a incrível e maravilhosa história do nascimento da Igreja na Coreia.

São Paulo não tinha previsto isto quando explicava, na sua epístola aos romanos, que para crer na Boa Nova primeiro era necessário tê-la escutado, e que não se a podia escutar se um missionário não tinha sido primeiro enviado a proclamá-la.

Na China: sábios... E sacerdotes

Todo começou há uns 220 anos, numa época próxima à da Revolução francesa. A Coreia era então vassala da China. Na corte do imperador, a China acolhia europeus, especialistas em ciências da época, quer dizer, em geografia, astronomia, matemáticas,… Que por sua vez eram especialistas em religião porque eram sacerdotes católicos.

Enquanto o governo coreano fechava hermeticamente todas as portas ao exterior, jovens intelectuais coreanos, entusiastas de ideias novas e desejosos de servir o seu país, passavam secretamente livros chineses, alguns deles cristãos, como os escritos dos séculos antes pelo padre Matteo Ricci e os seus companheiros jesuítas.

É certo que tinham algumas ideias políticas por detrás, mas como tampouco se tratava de falar publicamente deles, pensavam que em primeiro lugar tinham que formar-se.

Um tal Hong Yu-han, por exemplo, que nunca recebeu o baptismo, leu vários livros cristãos e desde o princípio o conquistaram! Até ao ponto de tomar, por sua conta, hábitos de oração; inclusive celebrava, à sua maneira, uma vez por semana um “dia do Senhor” e punha em prática a caridade partilhando generosamente os seus bens.

Santo André Kim (1821-1846)
Santo André Kim, o primeiro sacerdote coreano, morto mártir 70 anos mais tarde, disse-se dele que foi “o primeiro coreano que praticou a religião cristã”, o que não é de todo exacto, porque dois séculos antes, nas carroças de um exército japonês invasor, vários missionários estrangeiros tinham baptizado coreanos, mas… Ironias do destino – ou melhor sorriso do Bom Deus -, estes primeiros cristãos desapareceram sem deixar rasto!

A história de Lee Byeok
Outro, um tal Lee Byeok, vai mais longe. Fascinado de alguma maneira pelo cristianismo que vislumbrou nos livros, quis saber mais. Sem dúvida, para saber mais havia que ir à China, a Pequim, e encontrar-se ali com alguns destes “sábios” ocidentais.

Para isso era de todo necessário formar parte do grupo de embaixadores nomeados pelo rei que iam, no final de cada ano lunar, mostrar lealdade ao imperador da China e receber dele o calendário do ano seguinte.

Como não era possível fazer-se nomear ele mesmo, teve a ideia de dirigir-se a um jovem amigo da sua idade que devia acompanhar o seu pai nomeado secretário de embaixada. Esse amigo chamava-se Lee Seung-hun: tinha 27 anos.

Lee Byeok mostrou-lhe os livros que tinha e pediu-lhe que fosse procurar outros a Pequim. Inclusive aconselhou-o a fazer-se baptizar.

Lee Seung-hun, depois de um tempo de vacilação, acabou aceitando. E assim foi como em Pequim se encontrou com três jesuítas: um português, o padre D’Almeida, e dois franceses, os padres Grammont e De Ventavon.

Ele falava coreano, eles chinês; ele aprendeu alguns caracteres chineses, eles também: só se entendiam por escrito.

Ele pediu o baptismo e foi o padre Grammont quem empreendeu o ensinamento. Bom, um ensinamento rudimentar que não durou mais que três semanas! Finalmente os dois franceses fizeram-no passar um exame de catecismo… Que foi satisfatório.

Pediram-lhe então o consentimento do seu pai, que aceitou. Lee Seung-hun foi baptizado pelo padre Grammont, que lhe pôs o nome de Pedro para que fosse a pedra angular da Igreja coreana. Era um dos últimos dias de Janeiro de 1784.

Quando regressou à Coreia, levava os braços cheios de livros de astronomia, matemáticas, geometria… E religião.

Lee Byeok estava encantado. Ele e os seus amigos lançaram-se de cabeça ao estudo do cristianismo, até tal ponto que em princípios do Inverno desse mesmo ano 1784, Pedro Lee considerou que podia baptizar os três mais avançados, entre eles Lee Byeok.

Espírito missionário
Pouco depois, outro grupo recebeu o baptismo, e outros mais depois. Os primeiros baptizados davam o baptismo aos catecúmenos, quando os consideravam preparados, e os convidavam a formar o que agora se chamaria comunidades de base.

Em seguida, os livros mais importantes, muitos deles livros de oração, traduziram-se ao coreano e difundiram-se amplamente. Porque estes novos cristãos tinham espírito missionário: com melodias tradicionais faziam passar a mensagem, inventavam histórias alegóricas,… Para os pequenos!

E maravilha! As comunidades cresciam aqui e além como setas, sem a presença de nenhum missionário!

Começa a perseguição
Mas rapidamente também, se murmurou nos meios oficiais que elementos perigosos se reuniam secretamente e podiam alterar a ordem pública.

O assunto estalou um grande dia quando polícias entraram na casa de um tal Thomas Kim que reunia os cristãos, no centro de Seul, no lugar da catedral actual.

Tendo escutado ruídos desde o exterior, esses polícias acreditaram encontrar-se perante um bando de traficantes que jogava ilegalmente jogos de azar! O assunto fez muito ruído: a comunidade foi dispersada e Thomas Kim enviado para o exílio.

Pedro Lee (Lee Seung-hun) deu a conhecer estas notícias ao padre Grammont através de outro amigo que formava parte da embaixada seguinte. Este último voltou com todavia mais livros, que foram confiscados na fronteira pelas autoridades. Os cristãos já eram indesejáveis e começaram as perseguições…

Esta é a canção que preparou a Igreja coreana para receber o Papa


in


Campeões mundiais realizam partida inter-religiosa pela paz

Audiência dos atletas com o Papa aconteceu na Sala Paulo VI. Na ocasião, o Dicastério para a Cultura apresentou o Seminário Internacional "O desporto é para o homem"


Roma, 01 de Setembro de 2014 (Zenit.org)


As luzes do Estádio Olímpico de Roma se acenderam para o primeiro jogo inter-religioso pela paz. O evento internacional em favor da "Schola Occurrentes" e da Fundação P.U.P.I teve a participação de campeões mundiais como Lionel Messi, Gianluigi Buffon, Zinedine Zidane, Javier Zanetti, Roberto Baggio, Andrea Pirlo, Yuto Nagatomo e Samuel Eto'o, cada um representando diferentes religiões.

Hoje à tarde todos os desportistas e promotores do jogo (250) foram recebidos na Sala Paulo VI, pelo Santo Padre, para uma bênção especial antes de entrar em campo.

A iniciativa teve origem em Abril de 2013, durante audiência do Papa Francisco com as equipas da Itália e da Argentina, no final de uma partida beneficente. Na ocasião, o Papa quis compartilhar com o ex-futebolista argentino Javier Zanetti a ideia de organizar um jogo em que participassem pessoas de diferentes religiões para promover a fraternidade e a partilha através do desporto. Inspirado por seu ilustre compatriota, Zanetti colocou em acção a iniciativa.

Os bilhetes à venda desde 25 de Julho esgotaram rapidamente. O valor recolhido será destinado a actividades beneficentes, em especial, o projecto "vida alternativa", promovido pela ONG educacional "Schola Occurentes", fortemente apoiada pelo Papa e pela associação P.U.P.I fundada há mais de 10 anos por Zanetti e sua esposa Paula.

"Schola Occurrentes", com sede na Academia Pontifícia de Ciências, no Vaticano, é uma entidade de educação promovida por Bergoglio, que utiliza tecnologia, arte e desporto para promover a inclusão social e a cultura do encontro. P.U.P.I, organização sem fins lucrativos, promove e apoia programas de adopção a distancia e assistência para aliviar as várias situações de vulnerabilidade.

Durante o jogo, o Conselho Pontifício para a Cultura, em colaboração com o Escritório Nacional para a Pastoral do lazer, Turismo e Desporto da Conferência Episcopal Italiana e da Fundação João Paulo II para o Desporto, organizou um encontro com os líderes de associações desportivas católicas internacionais, para apresentar o dia de reflexão sobre o tema: "O desporto é para o homem. Da cultura do resultado à cultura do encontro."

O seminário internacional pretende reflectir sobre a "exaustão" cultural e o “modelo estrutural” de um sistema desportivo que esquece o homem e enaltece a vitória, o sucesso e o lucro, a todo custo. Portanto, uma oportunidade extraordinária para confrontar os valores educativos, culturais e espirituais da experiência desportiva e propor novos percursos formativos para educadores desportivos.

Entre os participantes estavam representantes de associações desportivas católicas dos Estados Unidos (Catholic Athletes for Christ, Varsity Catholic)), Inglaterra (Kairos Forum), Itália (Centro Sportivo Italiano, CdO Desporto), México (Sinaloa), Eslováquia (Orol) Malta (Kerygma). Entre os objetivos está a preparação do Vatican Global Conference on Sport and Faith, que será realizado no Vaticano em Setembro de 2015. Pela primeira vez acontecerá um encontro internacional no Vaticano, com os líderes do desporto mundial IOC,  Federações Mundiais e líderes religiosos, para enfrentar os desafios do mundo dos desportos.

O Seminário será realizado na sede do Pontifício Conselho para a Cultura, hoje e amanhã, terça-feira, 2 de Setembro. Estão previstas também algumas actividades, como uma visita ao "cubículo de Atletas", nas Catacumbas dos Santos Marcellino e Pedro, com a representação mais antiga de um atleta cristão do século IV e a participação na audiência geral de quarta-feira, 3 de Setembro.

Bento XVI reza pessoalmente diante da padroeira de Cuba

Na mesma noite da inauguração nos jardins do Vaticano, o Papa emérito quis rezar o terço diante da Virgen de la Caridad de El Cobre juntamente com os bispos


Roma, 01 de Setembro de 2014 (Zenit.org)


A proximidade espiritual não lhe foi suficiente, o Papa Emérito Bento XVI pessoalmente quis rezar diante da imagem da "Virgen de la Caridad de Cobre", padroeira de Cuba, colocada nos jardins do Vaticano, em 28 de Agosto.

O Papa, de fato, na mesma noite, após a cerimónia de bênção, presidida pelo cardeal Tarcisio Bertone, quis rezar o Santo Rosário na frente de imagem de bronze de Maria, juntamente com os bispos cubanos, que vieram a Roma para o evento. Um gesto de devoção a esta imagem mariana, a cujos pés o Papa rezou durante sua viagem "inesquecível" para Cuba em 2012.

Mons. Arturo González Amador, bispo de Santa Clara, disse à agência ACI Prensa: "Para nossa grande surpresa, no final da celebração recebemos o convite:" Hoje à noite, às 19h, Bento XVI espera por vocês para rezar o Terço junto nestes jardins para concluir a viagem juntos diante da Virgem da Caridade".

De acordo com a reconstrução do bispo, Bento XVI começou sua caminhada nos Jardins do Vaticano visitando as várias imagens marianas de Maria colocadas no caminho e parou diante da imagem da “Virgen”, coloca perto da Torre di San Giovanni. Então começou a recitação do Terço, continuado pelo seu secretário pessoal e prefeito da Casa Pontifícia, mons. Georg Gaenswein, e do Secretário de Estado emérito, o cardeal Bertone.

Com os bispos, o Papa Emérito recordou a sua visita a Cuba em 2012, na última viagem internacional antes das renúncias. "Uma recordação emocionada e afectuosa – disse mons. González Amador - O Papa emérito pediu depois informações sobre vida da Igreja e das pessoas e assegurou a sua oração".

"Unir-se em oração com Bento – acrescentou – foi uma graça imerecida, um sinal de uma delicadeza que é só o primeiro elo de uma corrente de graças que virá da Virgem para todos os cubanos". 

O Papa 'autografa' do livro de um jovem francês sobre as comunidades cristãs do Oriente.

Grande apreço do Papa pelo diário de viagem do jovem de 24 anos Vincent Gelot que recolhe testemunhos, mensagens e imagens dos cristãos da Ásia e África.


Roma, 01 de Setembro de 2014 (Zenit.org)


"Uma Igreja que tem dado tantos santos, e que hoje sofre". É a Igreja no Oriente, nas palavras do Papa Francisco, escritas de próprio punho, segunda-feira, 25 de Agosto, para o "Livro do Oriente", uma espécie de diário que recolhe testemunhos, imagens e mensagens das comunidades cristãs que vivem em mais de 20 países da Ásia e da África.

"Agradeço muito estes testemunhos da Igreja no Oriente, uma Igreja que tem dado tantos santos, e agora sofre. Oro por todos vocês. Estou perto. E, por favor, peço-vos que orem por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos proteja. Com a minha bênção”, escreve o Santo Padre.

O livro - refere L'Osservatore Romano - foi editado por Vincent Gelot, jovem francês de 24 anos, natural de Nantes, que, no final de uma viagem que durou dois anos, pediu para ver o Papa. Bergoglio, portanto, quis ‘autografa-lo' para expressar o seu apreço.

"Quando eu parti - diz Gelot - queria testemunhar, através de imagens, a situação das comunidades espalhadas pelo Oriente, mas queria também levar algo aqueles cristãos, especialmente a mensagem do Papa". Assim nasceu a ideia de um livro-documento onde se fundam as experiências vividas nos locais visitados.

De uma simples colecção de testemunhos, o diário’ do jovem francês tornou-se, portanto, um instrumento de comunicação entre as diferentes comunidades, também as mais isoladas, que não só descreveram as suas experiências, mas enviaram mensagens aos outros cristãos. 

Não odiar é uma necessidade, não uma escolha

O testemunho do enviado de guerra Domenico Quirico um ano depois de ter sido sequestrado na Síria


Roma, 01 de Setembro de 2014 (Zenit.org) Luca Marcolivio


O êxodo dos cristãos da Síria e do Iraque, infelizmente, é um fato definitivo, assegura Domenico Quirico, enviado pelo jornal italiano La Stampa, sequestrado por rebeldes sírios perto de Al Qusayr no dia 08 de Abril de 2013 e liberado no 08 de Setembro do mesmo ano. Cinco meses de terror, após o qual o repórter disse que “viu o inferno" e que várias vezes teve medo de ser assassinado.

Palestrante do encontro conclusivo de Rimini, acontecido no último sábado, 30, com o tema Testemunhas de liberdade, inteiramente dedicado ao drama do Oriente Médio, Quirico reiterou as suas opiniões radicais sobre, denunciando em particular os graves erros do Ocidente.

Em entrevista com ZENIT, o enviado especial da imprensa manifestou o seu desejo de voltar para a Síria, ainda que pessoalmente, confiando também como é difícil perdoar os próprios sequestradores. O caminho da renúncia ao ódio, porém, ressaltou ele, é o único caminho possível.

ZENIT: Você veio à Rimini para testemunhar a liberdade religiosa...
Domenico: ...ou melhor, a falta de liberdade religiosa! Eu trouxe o testemunho do fato de que no Oriente Médio, onde o cristianismo nasceu, em seis meses ou um ano, muito provavelmente, não haverá mais nem sequer um só cristão. No Iraque, dos cerca de quatro milhões do 2002, hoje os cristãos são 400 mil, embora todos refugiados: ninguém ficará lá. Certamente, não é a primeira vez que os cristãos estão sendo caçados, perseguidos, expulsos de suas casas, mas, anteriormente, sempre voltavam. Mas desta vez não votarão de novo, porque o fenómeno que está ocorrendo naquela região do mundo é uma nova entidade, muito mais complexa e perigosa do que até mesmo as coisas terríveis que aconteceram no passado, de modo que os cristãos não têm mais a coragem de fugir outra vez e retornar. Concluiu-se assim a história de uma parte essencial do cristianismo naquela região.

ZENIT: Após um ano, a experiência do sequestro ainda lhe incomoda? Conseguiu perdoar os seus algozes?
Domenico: A palavra "perdão" é uma palavra muito complicada e muito difícil de respeitar, por isso o perdão é algo que, de certa forma, requer a santidade e eu – infelizmente – não me sinto um santo mas um simplíssimo mortal. Se, no entanto, eu sentisse ódio por aqueles que me mantiveram na sua casa por um pouco de tempo, estaria forçosamente ligado àquelas pessoas e o meu sequestro continuaria indefinitivamente. A única maneira de fechar essa história é que eu não sinta hostilidade ou ódio em relação a essas pessoas. Só assim eu posso cortar os laços com essa história da minha vida. Mais do que uma escolha, portanto, não odiar é uma necessidade.

ZENIT: Depois do que aconteceu, planeia voltar à Síria?
Domenico: Voltaria à Síria amanhã mesmo se fosse enviado! O problema é que ninguém mais quer me mandar... Voltarei pessoalmente, como “turista”. Provavelmente os jornais não têm mais o interesse de enviar-me lá, por vários motivos. Eu, porém, gostaria de voltar á Síria: também de um ponto de vista pessoal, voltar é algo que preciso fazer. Isso significa que, em vez de uma reportagem jornalística, escreverei um cartão postal...

ZENIT: Nunca recomendaria a um jovem repórter na grama para fazer correspondente de guerra?
Domenico: A um jovem jornalista, eu recomendaria apenas fazer uma coisa básica: ir pessoalmente ver as coisas que conta, seja que aconteça na Síria ou na periferia de Bologna ou em Nova York. Para contar os problemas do homem não é necessário ir aos antípodas: pode-se ir à periferia ou ao centro de qualquer cidade. Antes de escrever, ir ver: esta é uma regra muito simples, se for respeitada faz-se um bom jornalismo, caso contrário, faz-se algo que não tem nada a ver com o jornalismo. Se então o que precisa ver aconteceu na Suíça, vai-se lá, se na Síria, em Nápoles ou em outro lugar. 

Dez anos do massacre em Beslan: o Papa escreve uma carta para os cidadãos

Num telefonema para o director do Instituto "Madonna della Neve" de Adro, o Papa pediu para levar o texto para a Ossezia do Norte, para a comemoração da tragédia do 1-3 de Setembro


Roma, 01 de Setembro de 2014 (Zenit.org)


Dez anos se passaram do terrível massacre de Beslan, cidade da Ossezia do Norte. Entre o 1 e o 3 de Setembro de 2004 a escola "Número 1" da cidadezinha osseta foi ocupada por um grupo de fundamentalistas islâmicos e separatistas chechenos que sequestraram cerca de 1.200 pessoas entre adultos e crianças. Três dias depois, as forças especiais russas invadiram. O prédio da escola foi então lavado pelo sangue de centenas e centenas de pessoas, incluindo 186 crianças. 700 ficaram feridas, muitas delas por causa do fogo que eclodiu no ginásio após o início da blitz.

Uma carrinha do corpo de bombeiros local chegou quase duas horas depois do início do incêndio e as poucas ambulâncias disponíveis no local para transportas as muitas vítimas não foram capazes de ajudar a todos a tempo. De fato, muitas crianças morriam antes de chegar ao hospital ou na calçada em frente à escola.

Uma terrível tragédia, portanto, daquelas que marcam para sempre a história de uma cidade, uma região, um país. Na época do massacre padre Paolo De Carli, carmelita, actualmente director do instituto paritário franciacortino "Madonna della Neve" do Adro, era prior do Convento Carmelita das Lastre, em Trento. O instituto, após o massacre, hospedou por meses um grupo de cerca de 60 cidadãos de Beslan.

A Província autónoma de Trento tornou-se, então, promotora da acolhida de um grupo de sobreviventes, dando vida, assim, à associação "Ajude-nos a salvar as crianças Onlus", que em Beslan organizou um evento plurienal se apoio psicológico, graças também ao suporte científico de uma equipe de especialistas da Universidade de Pádua.

Padre De Carli viu, portanto, em primeira pessoa aquela tragédia. E justo na vigília da terrível tragédia, o religioso recebeu sábado passado uma chamada muito particular: “Nossa Senhora da Neve de Adro. Bom dia”. “Bom dia. Busco o padre Paolo De Carli, sou o Papa Francisco”, foi a resposta do outro lado da linha. Seguiram-se os habituais minutos de silêncio, o medo de uma brincadeira, a emoção, então a conversa.

Desse lado fala o padre Paolo – que vazou a notícia só no domingo, 31, através do "Giornale di Brescia" - prefere não falar sobre isso. "Sobre os detalhes do telefonema - diz - deixe-me manter um pouco de privacidade, pelo menos por um momento. Nenhum mistério sobre o assunto: no começo de Setembro irei para Beslan, na Ossétia do Norte, por ocasião do décimo aniversário do massacre, que em 2004, custou a vida de muitas pessoas, incluindo muitas crianças. Ao meu regresso vou ser capaz de dizer mais...".

Naquela ocasião, o carmelita levará consigo, sob a ordem do Papa, uma carta escrita de próprio punho pelo Papa dirigida aos cidadãos de Berlan para comemorar a tragédia e as suas vítimas. Alem de De Carli estarão presentes para o aniversário também o cônsul honorário da Federação Russa de Bolzano, Bernhard Kiem, e o presidente de "Ajude-nos a salvar as crianças Onlus" Ennio Bordato.

Francisco aos jogadores de futebol: engrandeçam o coração como irmãos

O Santo Padre recebeu em audiência os participantes da Partida Inter-Religiosa pela Paz, no Estádio Olímpico de Roma


Cidade do Vaticano, 01 de Setembro de 2014 (Zenit.org) Rocio Lancho García


“Engrandecer os corações como irmãos” foi o pedido feito na tarde de hoje pelo papa Francisco aos jogadores, técnicos e treinadores da Partida Inter-Religiosa pela Paz, no Estádio Olímpico de Roma. A iniciativa nasceu de um desejo do pontífice e o jogador Javier Zanetti se encarregou de levar o projecto adiante. Estiveram presentes no encontro alguns jogadores veteranos, como o argentino Maradona e o colombiano Valderrama.

No encontro na Sala Paulo VI, o pontífice agradeceu a todos os que atenderam ao seu desejo de ver campeões e treinadores de vários países e religiões participando de uma competição desportiva para testemunhar a fraternidade e a amizade. O papa agradeceu também às pessoas e entidades que contribuíram para a realização do evento, em particular à Scholas Ocurrentes e à Fundação Pupi.

A partida visa levantar fundos para apoiar projetos de solidariedade, mas, acima de tudo, "quer reflectir sobre os valores universais que o futebol e o desporto em geral podem favorecer: lealdade, partilha, acolhimento, diálogo, confiança no outro".

São valores que unem todas as pessoas, prescindindo da raça, cultura e credo religioso. "O evento desportivo desta tarde é um gesto altamente simbólico para mostrar que é possível construir a cultura do encontro num mundo de paz, com crentes de religiões diferentes conservando a sua identidade, porque, quando eu disse ‘prescindir’, não quis dizer ‘deixar de lado’. Não. Crentes de religiões diferentes, conservando a sua identidade, podem conviver em harmonia no respeito recíproco".

O papa declarou ainda que “todos nós sabemos que o desporto, em especial o futebol, é um fenómeno humano e social que tem muita importância na mentalidade contemporânea. As pessoas, especialmente os jovens, olham para vocês com admiração, por causa das suas habilidades atléticas. É importante dar bom exemplo tanto no campo quanto fora dele (...) Nas competições desportivas, vocês são chamados a mostrar que o desporto é alegria de viver. E, como tal, tem que ser valorizado mediante a recuperação da sua gratuitidade, da capacidade de estreitar vínculos de amizade, de abertura de uns para com os outros”.

Nas atitudes quotidianas, prosseguiu o papa, "vocês podem dar testemunho dos ideários de convivência pacífica civil e social, para a edificação de uma civilização alicerçada no amor, na solidariedade e na paz".

Francisco fez um apelo contra todo tipo de discriminação por raça, língua e religião. "Vocês sabem que discriminar pode ser sinónimo de desprezar", advertiu. Por isso, "com esta partida, vocês dirão ‘não’ a toda discriminação".

O papa recordou que "as religiões devem ser vínculo de paz, nunca de ódio, porque, em nome de Deus, é necessário levar sempre e somente o amor".

"Religião e desporto, entendidos neste sentido autêntico, podem colaborar para oferecer a toda a sociedade os sinais eloquentes dessa nova era em que os povos não levantarão mais a espada uns contra os outros", desejou o Santo Padre, encerrando com esta mensagem: “engrandecer os seus corações como irmãos” é “um dos segredos da vida” e “a dimensão mais profunda e mais autêntica do deporte”.

O papa Francisco encontrar-se-á com Shimon Peres

Ex-presidente de Israel visitará o Santo Padre nesta quinta, quase três meses depois do histórico encontro pela paz com Mahmud Abbas nos Jardins Vaticanos


Cidade do Vaticano, 01 de Setembro de 2014 (Zenit.org) Rocio Lancho García


O papa Francisco recebe nesta quinta-feira o ex-presidente israelita Shimon Peres, quase três meses depois do histórico encontro pela paz nos Jardins do Vaticano, que reuniu o então presidente de Israel, o presidente palestino Mahmud Abbas, o patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, e o próprio Francisco.

Ao voltar da viagem à Coreia do Sul, o Santo Padre foi perguntado na conferência de imprensa durante o voo se aquele encontro pela paz podia ser considerado um fracasso. O pontífice declarou que "aquela oração pela paz não foi um fracasso em absoluto", em primeiro lugar “porque a iniciativa de rezar juntos surgiu dos dois presidentes, que me manifestaram este desejo”. Além disso, prosseguiu o papa, “queríamos realizar o encontro na Terra Santa, mas não encontrávamos o lugar adequado, porque o preço político para um ou para o outro era muito alto se ele fosse ao outro lado. Eles então propuseram: ‘Vamos fazer no Vaticano’”. Francisco afirmou que "os dois são homens de paz, homens que crêem em Deus, que viveram muitas coisas terríveis, que estão convencidos de que o único caminho para resolver esta situação é a negociação, o diálogo e a paz".

Depois de 50 dias de conflito na Faixa de Gaza, os dois lados chegaram no dia 26 de Agosto a uma trégua indefinida, com mediação egípcia. Durante as semanas de conflito, morreram 2.127 palestinianos e 70 israelitas.

O Santo Padre se mostrou preocupado e rezou com intensidade durante a crise. Nos últimos meses, foram muitos os apelos de Francisco pela paz no Oriente Médio. Ele telefonou pessoalmente para os presidentes Abbas e Peres no dia 18 de Julho e compartilhou com eles as suas "gravíssimas preocupações com situação actual do conflito, que afecta de forma particular a Faixa de Gaza e que, num clima de crescente hostilidade, ódio e sofrimento dos dois povos, está deixando numerosas vítimas e criando uma situação de grave emergência humanitária".

Imã Pallavicini: os extremistas manipulam a religião

Vice-director da Comunidade Religiosa Islâmica Italiana denuncia confusão entre quem é religioso e quem abusa da religião


Cidade do Vaticano, 01 de Setembro de 2014 (Zenit.org) Sergio Mora


A Partida Inter-Religiosa pela Paz, apoiada pelo papa Francisco, acontece hoje no Estádio Olímpico de Roma com jogadores de diversos países e religiões.

Pouco antes do encontro que o Santo Padre teve no Vaticano com os jogadores, organizadores e familiares, ZENIT entrevistou na Sala Paulo VI um líder muçulmano, o imã Yahya Sergio Pallavicini, vice-presidente da Comunidade Religiosa Islâmica Italiana. Pallavicini criticou os muçulmanos que instrumentalizam a religião para impor uma ideologia favorável à violência e que confunde os valores religiosos com o abuso da religião.

* * *

ZENIT: O que o senhor acha deste jogo, com atletas de várias religiões, inclusive muçulmanos?
Pallavicini: Foi uma óptima organização do Vaticano. Soube envolver campeões de várias religiões e de muitas regiões do mundo. É intercultural e inter-religioso. Esperemos que ajude os mais jovens a reconhecer esses valores universais.

ZENIT: Alguns extremistas fazem mais barulho do que os muitos muçulmanos que querem a paz, não é?
Pallavicini: Infelizmente, o barulho aturde, incomoda mais e cria uma sensação de mais eco. Mas é necessário promover, graças a órgãos como a ZENIT, aquela harmonia difundida, aquela voz da verdade, da paz e da irmandade que ainda vive de maneira profunda nos corações de tantos fiéis, sejam judeus, cristãos ou muçulmanos.

ZENIT: Diversos líderes muçulmanos disseram que esses extremos não estão de acordo com a sharia nem com o alcorão. O senhor pode nos falar sobre isso?
Pallavicini: Há uma minoria de indivíduos que se organizaram para legitimar uma interpretação ideológica que permite o abuso da religião para usar a violência. E esta é a situação que nós vemos no Oriente Médio e em outras partes do mundo, uma situação que cria o risco da confusão entre os verdadeiros religiosos e quem abusa da religião.

ZENIT: Como são os muçulmanos na Itália?
Pallavicini: Graças a Deus, há um cenário de mais maturidade. Há gerações que estão crescendo no conhecimento da cultura e da sociedade italiana e dos valores religiosos. Temos que construir, junto com as novas gerações, autóctones ou emigrantes, uma actividade de verdadeira cooperação e desenvolvimento, que aumente cada vez mais a coesão social.

É preciso humildade para anunciar o Evangelho, não palavras sábias!

Papa retorna a Santa Marta após a pausa do verão. Na homilia, Francisco recorda que Jesus está presente na Escritura, por isso, é importante ter o Evangelho no bolso e folheá-lo durante o dia


Roma, 01 de Setembro de 2014 (Zenit.org) Salvatore Cernuzio


Francisco retorna a Casa Santa Marta após a longa pausa de verão. Com sua profundidade simples, o Papa retomou o trabalho de limpeza e arrumação das consciências dos cristãos realizado diariamente desde o altar da capela.

Hoje, o centro de sua reflexão foi o anuncio do Evangelho: acção essencial para quem se diz cristão que, no entanto, oferece algumas especificidades. Antes de qualquer coisa, o Santo Padre, comentando as leituras do dia, disse que “não se anuncia o Evangelho para convencer com palavras sábias, mas com humildade”.
Explica muito bem São Paulo aos Coríntios que o "estilo" da proclamação da Palavra de Deus não se baseia em palavras persuasivas ditadas pela sabedoria ou inteligência. O Apóstolo, recorda Francisco, diz: “Eu não fui até vocês para convencê-los com argumentos, palavras, figuras bonitas... Não, eu fui de outro modo, com outro estilo; fui na manifestação do Espírito e na sua força, para que sua fé não se baseasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus”.

A Palavra de Deus “é uma coisa diferente, comenta o Santo Padre, que não é igual à palavra humana, sábia, científica ou filosófica... Não! É outra coisa: vem de outra forma”. Vem de Jesus e somente quem tem um coração aberto pode acolhe-la.

Impressionante exemplo dessa reflexão é o episódio narrado no Evangelho de Lucas hoje, onde Jesus comenta as Escrituras na sinagoga de Nazaré. Seus conterrâneos inicialmente o admiraram por suas palavras, mas depois se enfureceram e tentaram matá-lo. Passando “de uma parte para outra”, porque a “Palavra de Deus é diferente da palavra humana”.

Então, porque “a Palavra de Deus é Jesus, o próprio Jesus”, Jesus é motivo de escândalo. A Cruz de Cristo escandaliza. Mas é exactamente "a força da Palavra de Deus", diz Bergoglio, "Jesus Cristo, o Senhor."

Assim, parafraseando, se queremos receber Jesus Cristo, devemos busca-Lo no Evangelho. “A Igreja nos diz que Jesus está presente na Escritura, em sua Palavra”, destaca o Papa. Por isso “é tão importante ler, durante o dia, um trecho do Evangelho”; não para "aprender" uma lição, mas "para encontrar Jesus, porque Jesus está em Sua Palavra, no Seu Evangelho. Cada vez que lemos o Evangelho, encontramos Jesus”.

No entanto, diz o Santo Padre, não basta folhear quatro páginas para receber o Senhor: é preciso colocar-se diante da Palavra “com o coração aberto, humilde, com o espírito das Bem-aventuranças, porque Jesus veio assim, em humildade; veio em pobreza, veio com a unção do Espírito Santo”.

"Ele é a força - acrescenta o Papa - é Palavra de Deus, porque é ungido pelo Espírito Santo. Nós também, se quisermos ouvir e receber a Palavra de Deus, devemos rezar ao Espírito Santo e pedir a unção do coração, que é a unção das Bem-aventuranças”.

Hoje nos fará bem, conclui o Papa, questionarmo-nos sobre como recebemos a Palavra de Deus: como uma coisa interessante? Há, o padre fez uma homilia interessante! Ou recebo simplesmente porque é Jesus vivo?

E ainda: Eu seria capaz de comprar um pequeno Evangelho (é barato!), levá-lo comigo no bolso e quando puder, durante o dia, ler uma passagem, para encontrar Jesus?”. 

Santo Egídio

Venerado como um dos quatorze santos auxiliares do povo.


Horizonte, 01 de Setembro de 2014 (Zenit.org) Fabiano Farias de Medeiros


A Tradição nos traz poucos fatos acerca da vida de São Egídio, mas sabe-se que era filho de Theodore e Pelagia, nobres atenienses. Após o falecimento de seus pais por volta do ano 640, distribuiu todos os bens com os pobres e necessitados e decidiu dedicar-se inteiramente a Deus e viver como eremita. Isolado do mundo e em profunda oração, Egídio habitava em uma clareira na rocha cercada por carvalhos na floresta de Nimes ao sul da França e - narra a história - tinha por companheira uma corsa que por vezes o serviu de sustento através do leite.

A solidão de Egídio foi aplacada pela presença de caçadores e do rei visigodo Wamba que empreendia caçadas naquela região. Ao tentar abater um cervo, a flecha disparada atingiu a mão de Egídio que tentava proteger o animal. O rei então ocupou-se em acolher o eremita e oferecer-lhe o necessário para sua cura física. Este fato fez de Egídio um predilecto da atenção do rei Wamba que por vezes o visitou e ofereceu o conforto e regalias do reino, mas contudo o eremita não pretendia abandonar sua vida de reclusão e oração. O rei então ofertou-lhe terras para a construção de um mosteiro e uma igreja. Egídio aceitou e foi eleito abade e escreveu a regra para a vida monástica. A tradição nos apresenta também Egídio como devotado confessor e um fato que constata isso foi quando o imperador Carlos Martello o procurou para confessar-se e não lhe falou o pecado. Durante a missa um anjo apresentou um livro com a culpa do imperador escrita e esta foi se dissolvendo enquanto Egídio celebrava.

Com reconhecida vida de santidade, a tradição através do “Livro dos Milagres de Santo Egídio” relata o fluxo de peregrinos, pobres e doentes para a abadia. Com a morte de Egídio, aproximadamente no dia 1º de Setembro de 720 o local tornou-se local de peregrinação e em torno do mosteiro foi construída a cidade que levou seu nome: Santo Egídio. O vigoroso testemunho de Santo Egídio percorreu toda a Europa na Idade Média, tendo inúmeras igrejas e mosteiros dedicados a ele na França, Espanha, Alemanha, Polónia, Hungria, Eslováquia e Grã-Bretanha.

Santo Egídio é venerado como um dos quatorze santos auxiliares do povo.

Carta de gratidão de uma microbióloga nigeriana a Meriam Ibrahim, modelo de «autêntica feminidade»

Obianuju Ekeocha fundou a Cultura Africana da Vida 

Testemunho de vida, de maternidade, de matrimónio,
de amor e de fé, disse a doutora Ekeocha.
Actualizado 30 de Julho de 2014

C.L./ ReL

Obianuju Ekeocha é licenciada em Microbiologia pela Universidade da Nigéria e doutora em Ciências Biomédicas pela Universidade de East London. Nigeriana e católica, reside em Inglaterra, onde trabalha em Canterbury no âmbito da Biomedicina.

Faz parte da African Culture of Life [Cultura Africana da Vida], que procura "defender a santidade e a dignidade da vida em África mediante a informação, a sensibilização e a informação", o que a levou a denunciar publicamente Melinda Gates, a esposa de Bill Gates, cuja Fundação comum promove princípios exactamente opostos.

Na última entrada do seu blogue, publicada em 24 de Julho, a doutora Ekeocha dirige uma formosa carta a Meriam Ibrahim, a jovem sudanesa de 27 anos condenada à morte por ser cristã e casar-se com um cristão, e que deu à luz a sua filha com as pernas acorrentadas pelos seus carcereiros, depois de negar-se a renunciar à sua fé e a aceitar o islão. Depois da sua libertação, foi recebida pelo Papa Francisco.

De seguida traduzimos as interessantes reflexões desta jovem microbióloga na sua missiva de agradecimento a Meriam como testemunho... Não só da fé.

"Carta de agradecimento de uma mulher africana a Meriam Ibrahim"

A grande notícia da chegada de Meriam Ibrahim a Itália encheu-me de tanta alegria como entusiasmo. As imagens desta mulher africana tão graciosa e bela saindo do avião com o seu bebé nos braços atraía a atenção depois da sua inconcebível dor e sofrimento na prisão sudanesa.

Assim pensei que devia, numa carta muito simples, deixar por escrito as minhas reflexões e pensamentos de gratidão a esta intrépida filha de África cuja liberdade se celebra hoje no mundo inteiro.

Em nome de todas as mulheres de África, agradeço-te, Meriam Ibrahim, por mostrares ao mundo a coragem indómita que constitui o coração da autêntica feminidade. Digo isto porque a tua dor e a tua perseguição estiveram intimamente ligadas à tua feminidade. E por isso o teu triunfo foi o mais potente testemunho de vida, de maternidade, de matrimónio, de amor e de fé.

Tu és realmente a imagem viva da fé e da virtude, um verdadeiro símbolo de força e valentia. És, na minha humilde opinião, uma autêntica mulher com substância, uma mulher africana com substância, e a tua história enche o meu coração de coragem e audácia na minha própria vocação de defender a nossa cultura africana da vida, do matrimónio, da maternidade, da fé e da família, não importa o difícil, vergonhoso ou doloroso que possa resultar para mim.

Porque debaixo de uma intensa perseguição, negaste-te a rejeitar a tua fé cristã. Debaixo a ameaça de extremistas, permaneceste em pé como testemunha e mártir. Debaixo pena de ser encarcerada, não renegaste o teu marido nem renunciaste ao teu matrimónio. Debaixo as pesadas grilhetas da prisão, mostraste energia e resistência para dar vida, para dar à luz. Debaixo da certeza de uma sentença de morte, tiveste a determinação de alimentar a tu preciosa pequenita.

Graças ao teu poderoso exemplo, o mundo foi testemunha da força de uma jovem mulher africana que, nas piores condições, ofereceu um testemunho heróico das virtudes de fé, matrimónio e maternidade. As tuas incalculáveis provas dos últimos meses foram o mais brilhante raio de luz que atravessou as nuvens mais negras para contradizer um mundo moderno que nos diz que a fé não importa nada, que a liberdade religiosa não tem nenhuma importância, que o matrimónio é o que queiramos nós que seja, que a maternidade deve ser uma escolha que façamos só nas condições mais propícias, que as nossas crianças só devem nascer se chegam no momento mais conveniente.

Tu, minha irmã africana, converteste-te num pára-raios das feministas radicais do nosso tempo, que repudiam e denegam todas as virtudes que tu encarnas.

No teu corpo levaste as marcas e as cicatrizes de uma verdadeira cristã, esposa, mãe e mártir, e assim nos mostraste o que é ser uma mulher libertada e com autoridade, encanta-me dizer que não é o que os ideólogos radicais ocidentais nos estão dizendo. Eles tentam dizer-nos que às mulheres africanas há que dar-lhes poder, que tem que ser "sexualmente libertadas", egoístas, individualistas e orgulhosamente autónomas. Mas tu, Meriam, com o teu exemplo, nos ensinaste que a mulher africana libertada é a mulher que é livre para viver e praticar a sua fé, amar o seu marido e proteger os seus filhos, os nascidos e os não nascidos. Uma mulher libertada é uma mulher de fé e de família. Esta é a verdade que deve ser pregada em toda a África.

Hoje o mundo olhava-te quando respiravas o ar fresco da liberdade e quando fazias a tua primeira paragem, não na Casa Branca, mas sim na Casa Santa Marta, que é também a casa do Santo Padre, o Papa Francisco. Em vez de dar-lhe a mão ao presidente, como muitas outras teriam ansiado, escolheste a mão papal. E em vez de uma recepção política escolheste a bênção apostólica para ti e a tua família. Escolheste o Papa antes que o presidente dos Estados Unidos! És uma mulher de grande sabedoria e força e realmente África cultiva-te, louva-te e celebra-te.

Regozijamo-nos contigo e por ti. Regozijamo-nos porque no fim estás livre. E além do nosso regozijo, rezo para que mais mulheres (da nossa África e de todos os cantos do mundo) se olhem tão profundamente na tua experiência como para emular-te.

Rezo para que as mulheres de fé levem o seu valente testemunho até ao extremo do martírio. Rezo para que as mulheres grávidas escolham a todo o custo a vida para os seus filhos. Rezo para que as mulheres sejam esposas e mães sejam fiéis ao seu compromisso e à sua vocação.

Rezo para que, mais além da nossa alegria global, nos adorne somente uma porção da virtude heróica do autêntico feminismo de Meriam Ibrahim, purificado e forjado na intensa prova da perseguição religiosa.


in