terça-feira, 9 de maio de 2017

Os Milagres Vão Acontecendo…

Porventura, não no momento e no modo que nós tínhamos idealizado, mas sim, quando Deus acha oportuno. É preciso nunca perder a esperança. E rezar, rezar sempre, mesmo quando parece que Deus não nos ouve e que parece desabar sobre nós.

Lamentava imenso que a minha neta não tivesse recebido o batismo, apesar de, nos primeiros dias da sua vida, ter recebido uma bênção especial concedida por um sacerdote amigo. Várias vezes fui recordando essa necessidade mas por razões de vária ordem não se conseguiu concretizar. Decidi, para não sofrer mais, que seria quando os seus pais o entendessem. E fui rezando por essa intenção, pedindo a intercessão de várias pessoas entre elas a do sacerdote que lhe tinha ministrado a bênção. A minha neta, agora com cinco anos, também ajudava pedindo para receber o batismo. Falava com a “Sinhora” quando me acompanhava à Igreja. Era comovente e enternecedor ouvir as suas orações, que, apesar da sua tenra idade, manifestavam já uma enorme fé, pedindo ajuda para diferentes situações que, de algum modo, a preocupavam de momento. Pedia por todos, em particular pelos pais. Muitas vezes me vieram as lágrimas aos olhos ao ver tanta devoção.

A certa altura, aproveitando a vinda da avó materna do Brasil para um curto período de férias, sugeri aproveitar-se a oportunidade para se batizar finalmente a minha neta. O pedido foi bem acolhido, graças a Deus. E assim iniciaram-se os preparativos. Como já em tempo tinha referido, gostaria que fosse batizada na Igreja paroquial de Nossa Senhora da Porta do Céu. Novamente a sugestão foi bem aceite. A minha neta estava tão feliz que num ápice interiorizou várias orações, entre elas a Ave-Maria, o Pai Nosso, a oração ao Anjo da Guarda, e não se cansava de as repetir para não as esquecer. Quis visitar a Igreja e saber a sua história. E de nada se esquecia. Um dia fui confrontada com uma pergunta que me surpreendeu. Queria saber em que ano o Príncipe de Cândia tinha mandado edificar a Igreja. Confesso que apanhada de surpresa, não me recordava da data precisa! Noutra ocasião em que houve uma reunião com o sacerdote no sentido de agendar a data e tomarmos conhecimento das formalidades, a minha neta questionou o sacerdote, no sentido de saber quem tinha a chave do Céu, já que a Igreja era da Porta do Céu. O sacerdote admirado com a pergunta, sorriu, dizendo que era ele. Foi extremamente afável e acolhedor. Mostrou-lhe seguidamente a Pia Batismal e explicou-lhe como iria decorrer a cerimónia. Feliz, a minha neta ouviu a explicação com a maior atenção interiorizando tudo o que lhe explicava. Na realidade memorizava tudo o que se lhe contava. A sua dualidade tinha um certo encanto: tão depressa parecia mais crescida, como logo no momento a seguir, fazia as “birras” e as graças habituais numa criança da sua idade.

Na preparação do Batismo quis sempre dar o seu parecer, quer em relação ao vestido, à cerimónia, ao lanche, que teria lugar seguidamente num local lisboeta de eleição, muito simples como convinha, “Casa de Santa Isabel”, no sentido de, entre família e amigos, celebrarmos de um modo simples e digno, a sua entrada na Igreja por meio do Batismo. Sempre muito afável e atenta escolheu comigo as pagelas para oferecer como recordação da cerimónia. Na capa uma fotografia enternecedora do Menino Jesus, no verso, outra da imagem de Nossa Senhora da Porta do Céu. No interior, duas muito esbatidas, uma do Ano da Guarda, outra com a Pia Batismal, sobre elas estava escrito conforme escolheu: “Meu Jesus, adoro-vos com muito carinho e amor”. “Anjo da Guarda minha doce companhia, guardai a minha alma de noite e de dia”. Depois o habitual, o nome, a data e o local da realização do Batismo.

Na véspera acordei algo ansiosa. Será que tudo iria correr bem? Quisera viver o dia do seu batizado como se fosse o último dia da minha vida. A alegria de saber que a minha neta iria receber este sacramento enchia-me o coração de júbilo, sobretudo, porque sabia, que também era essa a sua vontade. As flores desabrochavam, os pássaros chilreavam, o sol brilhava. A minha neta parecia um anjinho na cerimónia. Estava radiante de felicidade. Todos os convidados compareceram. Também tinha o dom de reunir a família e os amigos. A cerimónia foi linda tendo a Maria Luísa, como é natural, como figura central. Emocionada e um pouco envergonhada viveu todos os momentos ao pormenor. No final da cerimónia, o sacerdote deu-lhe a mão e juntos, em frente à Imagem da Nossa Senhora da Porta do Céu, rezaram uma Ave-Maria. A minha neta referiu feliz que nunca mais iria esquecer este dia. E depois tornou-se novamente numa criança de cinco anos, ou seja, com muita alegria e brincadeira com os primos e amiguinhos.

Recordei o tema da mensagem do Papa Francisco para o 51º Dia Mundial das Comunicações Sociais com o tema: “Não tenhais medo, Eu estou convosco”. Comunicar esperança e confiança no nosso tempo. Dito isto, resolvi partilhar este momento de felicidade. É preciso dar tempo ao tempo através da oração.
Termino citando ainda um trecho dessa mesma mensagem: “Gostaria que esta mensagem pudesse chegar como um encorajamento a todos aqueles que diariamente, seja no âmbito profissional seja nas relações pessoais, “moem” tantas informações para oferecer um pão fragrante e bom a quantos se alimentam dos frutos da sua comunicação construtiva, que, rejeitando os preconceitos contra o outro, promove uma cultura do encontro, por meio da qual se possa aprender a olhar com convicta confiança, a realidade… A esperança é a mais humilde das virtudes, porque permanece escondida nas pregas da vida, mas é semelhante ao fermento que faz levedar toda a massa… tornando-se como faróis na escuridão deste mundo, que iluminam a rota e abrem novas sendas de confiança e de esperança”.

Maria Helena Paes



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