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sábado, 29 de novembro de 2014

São Tiago da Marca

A grande marca de Tiago foi o zelo e a dedicação ao Evangelho que o levaram à honra dos altares.


Horizonte, 28 de Novembro de 2014 (Zenit.org) Fabiano Farias de Medeiros


“Jesus, Maria, bendita Paixão de Jesus”, repetia antes de falecer São Tiago da Marca, nascido no dia 1º de setembro do ano 1391 em Monteprandone na região das Marcas na Itália. Foi baptizado com o nome de Domingos Gangali. Seus pais faleceram logo cedo e o jovem foi criado e educado por um tio que o levou a estudar em Perugia onde diplomou-se em direito civil e passou a exercer funções administrativas. Na cidade de Florência, foi eleito prefeito e depois de algum tempo retornou para Marcas.

Atraído pela vida monástica, abandonou a profissão e buscou encontrar-se na Ordem dos Cartuxos mas após uma viagem à Babiena na Toscana conheceu os franciscanos e decidiu ingressar na Ordem dos Franciscanos. Estudou teologia e no dia 1º de Agosto de 1416 professou os primeiros votos no Convento de Nossa Senhora dos Anjos próximo a Assis, adoptando o nome de Tiago e a ele acrescentando “das Marcas” devido a sua cidade de origem. Nutria em seu coração o imenso desejo de pregar a Palavra, e para isso dedicava longas horas de oração, jejum e sacrifícios até que durante a consagração na Santa Missa recebeu da Virgem a confirmação de sua missão. Logo foi destacado para a pregação do Evangelho a qual dedicou-se sem reservas e veio a tornar-se o maior pregador de sua época.

No seu discipulado contou com a ajuda de Bernardino de Sena e percorreu toda a Europa pregando e anunciando o Evangelho, promovendo muitas conversões e milagres, fundando mosteiros e restabelecendo a observância à Regra da Ordem Franciscana. Foi enviado juntamente com São João Capistrano para pregar na Cruzada contra os turcos em 1437 a qual deve-se grande sucesso à sua intervenção. Atendeu diversos chamados dos Papas Eugénio IV, Nicolau V e Calisto III.

Após longos anos de pregação e vivência do Evangelho, instalou-se na cidade de Nápoles, onde veio a falecer no dia 28 de Novembro de 1476 e seu corpo foi sepultado na igreja de Santa Maria Nova. Foi canonizado em 1726 pelo Papa Bento XIII e é considerado com João de Capistrano, Bernardino de Sena e Alberto de Sarteano, as colunas da Observância Franciscana. Sua festa litúrgica foi fixada no dia 28 de Novembro.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Beja: Novas gerações garantem «futuro» do cante alentejano

Padre e compositor António Cartageno destaca o facto desta arte musical estar a ser ensinada nas escolas

Beja, 28 Nov 2014 (Ecclesia) – O padre e compositor António Cartageno, que trabalha há muitos anos na Diocese de Beja, considera a distinção de património imaterial da Humanidade atribuída ao cante alentejano mais um passo para garantir o futuro desta arte popular.

Em entrevista concedida à Agência ECCLESIA, o sacerdote destaca o facto do cante alentejano estar actualmente a atrair “cada vez mais jovens” e inclusivamente a ser “ensinado às crianças nas escolas”.

“Um dado novo dos últimos anos é que têm surgido jovens que cantam o canto alentejano, que o estudam, o ensaiam, e cantam muito bem”, destaca o pároco das comunidades de Santa Maria da Feira, Santiago Maior e São João Baptista.

Por outro lado, a aposta também tem passado por esta tradição alentejana ser transmitida aos mais novos, nas escolas, “com a ajuda de alguns monitores e dos professores”.

“Aliás, essa era uma das razões para sensibilizar a UNESCO na atribuição desta classificação ao cante, para que ele seja preservado, que tenha futuro. E tem, porque os jovens e as crianças estão a agarrá-lo”, complementa o padre António Cartageno.

Um dos aspectos que levou a UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – a considerar o cante alentejano património imaterial da Humanidade foi sublinhar o seu contributo para a solidariedade e fraternidade entre as pessoas.

Para o padre António Cartageno, trata-se um ponto importante a relevar, na medida em que “não conhece em Portugal, ao nível do canto popular, outro que aproxime tanto as pessoas”.

Os homens e as mulheres “cantam abraçados uns aos outros, reforçam o sentido de grupo, de solidariedade”, salienta o sacerdote.

Nas terras onde o cante alentejano está mais implantado, sobretudo no Baixo Alentejo e numa faixa do Alto Alentejo, a maioria das comunidades “têm um ou mesmo dois grupos corais”.

“As pessoas reúnem para ensaiar, para criarem novas modas, e isto cria de facto laços, molda a relação entre as pessoas, faz com que elas fiquem mais entrosadas umas com as outras”, complementa o pároco e compositor.

Ainda quanto ao futuro, o padre António Cartageno realça que a atribuição desta distinção vem aumentar a responsabilidade “do povo alentejano, dos grupos corais, das autarquias”, em trabalharem na preservação e divulgação do cante.

“Se ele é agora património imaterial da Humanidade é preciso mostrá-lo e mostrá-lo com qualidade às pessoas que cá vêm. E isso naturalmente vai exigir muito mais daqui para a frente”, conclui.

CB/JCP
 
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Publicado o calendário das celebrações do Papa em Dezembro e Janeiro

Os compromissos para a Imaculada, Natal e Epifania, mas também a visita à paróquia de São José e a viagem ao Sri Lanka e Filipinas


Roma, 27 de Novembro de 2014 (Zenit.org)


O Natal está chegando e a agenda do Papa Francisco está cheia de compromissos, como evidencia o calendário das celebrações presididas pelo Papa em Dezembro e Janeiro, divulgado hoje pelo cerimoniário pontifício Mons. Guido Marini.

O primeiro evento é, naturalmente, aquele do 8 de Dezembro, Solenidade da Imaculada Conceição, quando o Papa irá à tarde para a Praça de Espanha para o tradicional Ato de veneração à Virgem Maria. Sexta-feira, 12, Francisco celebrará a Santa Missa para a América Latina na Basílica Vaticana, às 18h, por ocasião da Festa de Nossa Senhora de Guadalupe.

No dia 14 de Dezembro, terceiro domingo do Advento, o Papa voltará a visitar uma paróquia romana. Trata-se de São José all'Aurelio, na via Boccea. Durante a visita, que será realizada no período da tarde, Bergoglio encontrará as crianças do catecismo, os jovens, os pais das crianças baptizadas do último ano, os agentes pastorais, os enfermos. Um momento significativo será o encontro com um grupo de ciganos. Depois confessará algumas pessoas e no final da visita celebrará a Missa.

No dia 24 de Dezembro, às 21h30, o Santo Padre presidirá a Missa da Noite de Natal. Então, no dia seguinte, 25 de Dezembro, às 12h, dará a Bênção “Urbi et Orbi” da Janela central da Basílica de São Pedro. Sempre na Basílica petrina, quarta-feira, 31 de Dezembro, serão realizados as Primeiras Vésperas e o Te Deum de acção de graças pelo ano passado.

No dia 1 de Janeiro de 2015, Solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus e 48º Dia Mundial da Paz, o Papa Francisco celebrará a Santa Missa na Basílica de São Pedro, às 10h. O mesmo fará no dia 6 de Janeiro, Solenidade da Epifania do Senhor.

Domingo, 11 de Janeiro, então, no dia da Festa do Baptismo do Senhor, o Pontífice presidirá a Missa na Capela Sistina, durante a qual baptizará algumas crianças. Finalmente do 12 ao 19 de Janeiro, haverá a viagem apostólica ao Sri Lanka e às Filipinas, a sétima internacional do seu pontificado.

Último compromisso de Janeiro: domingo, 25, Solenidade da Conversão de São Paulo, o Papa presidirá a celebração das Vésperas na Basílica de São Paulo Fora dos Muros.

Turquia: é cada vez mais necessário encontrar formas de convivência

Entrevista com o sacerdote Claudio Monge, o.p., residente em Istambul e consultor do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso


Roma, 27 de Novembro de 2014 (Zenit.org) Rocio Lancho García


Turquia se prepara para receber a visita do Santo Padre neste fim de semana. E lá se encontra Claudio Monge o.p., um dominicano que mora em Istambul e é residente na Turquia há mais de 10 anos, mas frequenta o país desde 1997. Além da vida da comunidade, da qual foi superior durante 7 anos, é responsável do DOST-I, um centro cultural que permite acolher estudantes, em grande parte turcos, para ajuda-los nas suas pesquisas e estudos. Por outro lado, criou uma pequena biblioteca que lida com questões de teologia ocidental e teologia do diálogo inter-religioso, mística comparada, e outro pequeno sector de história da presença das ordens religiosas nesta região do Oriente Médio. Também, há vários anos, se ocupa da animação de uma oração ecuménica com um grupo de jovens. Além do trabalho pastoral, é também professor de teologia das religiões e o diálogo inter-religioso na Universidade de Fribourg (Suíça). Em Abril, foi nomeado pelo Papa Francisco como consultor do Pontifício Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso.

ZENIT conversou com ele para aprofundar alguns aspectos sobre a viagem do Papa a um país predominantemente muçulmano, que também recebeu a visita de Bento XVI em 2006. Por outro lado, o padre Claudio explicou como é a situação dos cristãos neste país, e o que significa ser uma minoria. Um grande trabalho o do ecumenismo e do diálogo inter-religioso é o que se deve realizar na nação turca que, embora ainda haja muito trabalho pela frente "temos esperança porque o Espírito Santo continua soprando”.

ZENIT: Menos de 1 por cento da população turca é cristão. Como é que esta pequena comunidade está se preparando para a viagem do Santo Padre?
- Pe. Monge: Esta premissa é muito importante. Não é possível imaginar algo muito visível. É uma pequena comunidade que tenta prepara as coisas. Não somente somos uma ínfima minoria, é preciso ter em conta a variedade de igrejas e de ritos. Na origem desta viagem papal está o convite do patriarca ortodoxo Bartolomeu, dentro de uma relação muito fraterna que há entre eles e de uma tradição que inclui a presença de representantes das duas igrejas nas festividades patronais. Obviamente, o Papa vem como chefe da Igreja Católica e como católicos tentamos preparar-nos da melhor forma possível e viver plenamente o encontro com Francisco na eucaristia do sábado, 29. Uma preparação muito complicada, porque só os católicos nos expressamos em quatro ritos diferentes – latino, arménio, siríaco, caldeu – porque a diversidade linguística e cultural é muito importante. O fato de estar juntos em uma única celebração eucarística é já uma prova.

ZENIT: Quais lembranças você traz da visita do Papa Bento XVI à Turquia em 2006? Que frutos teve?
- Pe. Monge: A primeira lembrança que tenho é que essa visita se contextualizava em um momento muito especial, onde a figura do Papa na Turquia não tinha "boa publicidade". Estávamos há algumas semanas do famoso discurso em Regensburg. Estávamos em plena crise internacional por causa das caricaturas de Maomé. Havia uma tensão enorme e certo mundo islâmico não considerava o chefe da Igreja Católica como amigo. Hoje, Francisco chega com outro tipo de "publicidade", embora agora também não estejamos em uma situação ideal. Por vários motivos, as duas viagens se situam em momentos delicados. Da viagem de Bento XVI lembro que, apesar deste ponto de partida difícil, foi realmente uma recuperação quase milagrosa da relação do Papa com o mundo turco. Em poucas horas, da página 15 passou à primeira página dos jornais, também graças a gestos surpreendentes que não imaginavam de Bento Bento XVI.

Sobre os frutos é difícil responder. Uma viagem, por si só, ainda que seja importante, não pode fazer primavera. Pode ser um momento importante de impulso, convite à reflexão, mas o problema é a capacidade de concretizar no dia a dia estes estímulos e entusiasmo. Neste sentido, é importante destacar o Sínodo sobre o Oriente Médio que nos deu premissas importantes, se insistiu que a unidade e colaboração fossem o primeiro testemunho e não apenas alternativas ao testemunho.

ZENIT: Qual é o ambiente na Turquia antes da viagem apostólica? Qual é a opinião sobre o Papa?
- Pe. Monge: É preciso compreender que da viagem não se sabe muito. Um papa católico não pode ter na Turquia, um país 99 por cento muçulmano, o mesmo impacto que tem no Ocidente. Para as pessoas, o Papa Francisco é um líder religioso... tem o mesmo efeito que se um líder islâmico de um grupo particular fosse ao Ocidente. Certamente, nos dias da visita, do ponto de vista mediático, será suficiente uma palavra ou um encontro para aumentar a atenção.

Outra coisa é a nível de autoridades religiosas ou do mundo político. Cada um o vê da sua óptica ou dos seus interesses. Mas, certamente, acontecerá como em 2006, que nos dias da visita estará nas primeiras páginas dos jornais.

ZENIT: Em um país como a Turquia, onde os cristãos são uma minoria, como é trabalhado o diálogo inter-religioso?
- Pe. Monge: É preciso entender o que compreendemos por diálogo inter-religioso. Mais e mais estou convencido de que o diálogo islâmico cristão como tal não existe, porque não existe um diálogo de sistemas. O que sim existe, e sou testemunha, é um diálogo quotidiano entre os crentes, entre pessoas. E antes de tudo se expressa com uma necessidade de cidadania compartilhada, morar juntos. Cada vez é mais necessário encontrar modos de convivência. Depois, obviamente, existem iniciativas que são mais a nível dos crentes. Existem indivíduos, mais do que instituições, e certos grupos que fazem deste intercâmbio espiritual teológico a sua principal vocação.

Nos últimos anos, na Turquia, houve um crescimento da importância simbólica desta terra, terra de Abraão, pai comum na fé. E há também existem cursos, seminários ... em que se aborda este tema.

ZENIT: E nesta realidade, os cristãos se sentem discriminados como uma minoria?
- Pe. Monge:  Certamente, o fato de que ainda existem grupos minoritários que não se beneficiam de reconhecimento legal levou a discriminações. Discriminações que, ao longo dos anos, se têm acentuado porque há a obrigação de se colocar no documento de identidade a pertença religiosa. Nesse sentido, sim. A discriminação ainda está presente hoje. Além disso, neste momento, se multiplicam as dificuldades que vão além da discriminação religiosa e afectam especialmente os estrangeiros. Estamos em um momento em que conseguir um visto de residência ficou muito difícil.

ZENIT: Como se deve trabalhar no ecumenismo, tão importante em um país onde há variedades de ritos?
- Pe. Monge: Devemos observar que as relações no vértice, entre os responsáveis das Igrejas, não correspondem necessariamente com as relações na base. Estou convencido de que a primeira coisa urgente é o encontro recíproco. O facto de encontrar momentos para rezar juntos como cristãos, não rezar ao lado cada um fazendo a sua oração, mas rezar juntos; é o primeiro. Além do mais, para avançar no processo ecuménico seria preciso fazer um projecto mais estruturado de formação. Creio que isso é um problema geral: ter uma verdadeira formação. Outro tema a se ter em conta é a fratura entre as gerações. Esta é causada por uma histórica tendência das Igrejas orientais a identificar fé e identidade étnico-culturais: a história das Millet otomanas, as Igrejas-nações que reivindicavam uma autonomia com relação ao mundo turco identificado com o Islão. O fervor religioso que se torna em operador identitário contribui à firmeza dos ritos e das crenças que dizem pouco ou nada às jovens gerações. Este romper com as Igrejas identitárias tem a romper com a fé em breve.

É um caminho longo e difícil, mas temos esperança porque o Espírito Santo continua soprando e ele trabalha, mas também temos que deixa-lo trabalhar.

ZENIT: Oriente Médio está passando por uma situação muito delicada e dolorosa, como isso é vivido na Turquia?
- Pe. Monge: Na Turquia se vive muito fortemente a crise palestina-israelense.  Sabemos que nos últimos anos houve uma nova posição oficial das autoridades turcas que, historicamente, sempre estiveram perto do governo de Israel. O problema é que, no momento, não parece que este assunto avance. E estamos convencidos de que a solução de muitos problemas da região depende muito da solução do problema palestino-israelita porque se torna numa espécie de símbolo que justifica muitas violências.

Depois, nós também vivemos o drama humanitário dos imigrantes. Turquia hospeda mais de um milhão de refugiados sírios, alguns também do norte do Iraque... não é possível fechar os olhos com relação a esta situação. E há uma sensação de impotência, e o que impressiona é a tragédia humanitária, que não é só dos cristãos. Não é possível ver o drama só do ponto de vista confessional. Não há um futuro sem o reconhecimento de uma humanidade comum de todas as vítimas destas tragédias e na ausência de uma condenação sem desprezo da sacralidade da vida feito, muitas vezes, em nome de Deus, que afirmamos como Criador.

Israel: polémica lei de Estado da Nação judaica

O Parlamento vai discutir o assunto. Os cidadãos árabes de Israel temem sentir-se estranhos em sua própria casa


Roma, 27 de Novembro de 2014 (Zenit.org) Sergio Mora


O rascunho de uma norma destinada a estabelecer a Lei Básica, que proclama Israel “Estado-nação judaica” foi aprovada neste domingo, 24, em primeira instância. A proposta colocaria Israel por acima da natureza e tratados pró-democráticos deste país, que conta com uma população de quase um milhão de pessoas que são árabes e quase dois milhões de pessoas que não professam o judaísmo.

O custódio da Terra Santa, o padre franciscano Pierbattista Pizzaballa, em declarações à agência de notícias italiana SIR, manifestou o seu desejo de que o Parlamento de Israel não aprove a lei que transforma o país em “Estado da Nação Judaica” porque isso distanciaria os judeus, muçulmanos e cristãos.

A notícia "está sendo acompanhada de perto pelas igrejas locais, preocupadas pelo respeito dos direitos das minorias”, disse.

"Que Israel seja um Estado judeu - explica o Custodio - não é novidade. Se a lei for aprovada, de um ponto de vista técnico, as coisas mudam pouco".

"A aprovação da lei em questão, corroeria ainda mais a relação entre árabes e judeus porque – acrescenta o padre Pizzaballa – faria que os cidadãos árabes de Israel se sentissem cada vez mais como hóspedes na própria casa. É como dizer-lhes que têm direitos, mas não são iguais aos outros”.

"A consequência mais directa, no entanto, seria uma distanciamento cada vez maior das comunidades judaicas, muçulmanas e cristãs, e aprofundaria o sentimento de desconfiança em relação ao Estado e o componente judeu”, disse.

De acordo com o religioso franciscano, "trata-se de qualquer forma de uma lei muito controversa também no interior do mundo judaico, e existem fortes pressões para muda-la. Esta proposta é parte das dinâmicas que estamos assistindo neste período marcado por grandes lacerações e divisões internas em Israel”.

"Como Igrejas locais – conclui o Custódio – acompanhamos de perto a evolução disso tudo. Não queremos intervir muito para não criar polémicas, das quais não temos necessidade, mas estamos preocupados pelos direitos das minorias”.

O Papa Francisco viaja nesta sexta-feira para a Turquia

Uma visita de três dias marcada pelos compromissos ecuménicos e o diálogo inter-religioso


Roma, 27 de Novembro de 2014 (Zenit.org) Ivan de Vargas


O papa Francisco viajará para Ancara e Istambul do 28 ao 30 de Novembro, com uma intensa programação que inclui cerimónias oficiais, um encontro com o Patriarca Ecuménico Bartolomeu I no Fanar, a visita à Mesquita do Sultão Ahmed e um encontro com o Grande rabino da Turquia, Isak Haleva, entre outras actividades.

Em Outubro passado, o Santo Padre explicou que a sua visita à Turquia, onde se reunirá com o Patriarca Ecuménico e assinarão uma declaração conjunta, é "um sinal da profunda ligação entre a Sé de Roma e a de Constantinopla e do desejo de superar, no amor e na verdade, os obstáculos que ainda nos dividem".

Ambos se encontraram várias vezes, já desde a missa do começo do pontificado do Papa no dia 19 de Março de 2013, a primeira vez que um patriarca ortodoxo participava dessa celebração desde o Grande Cisma de 1054.

Francisco e Bartolomeu I se reuniram de novo no passado mês de maio, durante a viagem a Israel, Palestina e Jordânia do Santo Padre, e posteriormente em Junho no encontro pela paz na Terra Santa marcado no Vaticano e que convidou também os presidentes da Palestina e de Israel.

A viagem, a sexta internacional do Pontífice, começará com a recepção que o Santo Padre dará às autoridades turcas, e em primeiro lugar ao presidente Recep Tayyip Erdogan, em seu novo palácio em Ancara. Não faltará a visita ao Mausoléu de Ataturk, o pai da Turquia moderna.

Depois de ser recebidos na sexta-feira por Erdogan e de reunir-se com o primeiro ministro turco, Ahmet Davutoglu, o Papa se reunirá com o presidente da Diyanet, o Departamento de Assuntos Religiosos, a maior autoridade religiosa islâmica e estatal.

O segundo dia será em Istambul, onde estão previstos os eventos de caráter religioso e ecuménico, e que começarão com a visita ao Museu de Santa Sofia, a antiga basílica, e posterior mesquita, construída pelo imperador Justiniano.

Na vizinha Mesquita do Sultão Ahmet (conhecida como a Mesquita Azul, por causa da cor dos azulejos que revestem as paredes), o Pontífice será recebido pelo Grão-Mufti e um imã, com quem deve se reunir em um ato de recolhimento.

Também haverá uma missa na Catedral do Espírito Santo, à qual participará a pequena comunidade católica do país, e, posteriormente, uma oração ecuménica na Igreja Patriarcal de São Jorge, com discursos do Papa Francisco e do Patriarca Bartolomeu I. Em seguida, ambos terão uma reunião privada no Fanar.

No último dia da viagem, a jornada do Santo Padre começará com uma missa privada na Delegação Apostólica em Istambul. Logo em seguida um encontro com o Grão-rabino da Turquia, Isak Haleva.

No programa oficial está agendado a celebração da divina liturgia na Igreja Patriarcal de São Jorge, na qual, depois, o Pontífice e o Patriarca Ecuménico assinarão uma declaração conjunta. Não se deve esquecer que a visita do Santo Padre se realiza por ocasião da festa de Santo André, padroeiro da Igreja ortodoxa, no dia 30 de Novembro.

Antes de terminar sua viagem, o Papa se reunirá com uns cinquenta alunos do Oratório Salesiano da Turquia e de vários países do Oriente Médio e África na representação pontifícia em Istambul.

Francisco é o quarto pontífice que realiza uma visita oficial à Turquia, depois de Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI.

Entre Ortodoxos e Evangélicos avança o diálogo ecuménico

Cardeal Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, explica a viagem do Papa à Turquia


Roma, 27 de Novembro de 2014 (Zenit.org) Deborah Castellano Lubov


Perto da visita do Papa Francisco à Turquia, Zenit entrevistou o cardeal Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

Zenit: O primeiro objectivo da visita do Papa parece ser o do diálogo ecuménico. Qual é a situação actual?
Existe uma situação muito boa nas relações ecumênicas entre a Igreja de Constantinopla e a Igreja de Roma, desde o primeiro encontro entre o Beato Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras em 1964. Temos uma longa tradição de visitas recíprocas por ocasião da festa de Santo André, que terá lugar dia 30 de Novembro. Neste segundo ano de seu pontificado, o Papa Francisco estará pessoalmente em Constantinopla, renovando as visitas de São João Paulo II e do Papa Emérito Bento XVI, respectivamente em 1979 e 2006. É uma bela oportunidade que se acrescenta à festa de São Pedro e São Paulo, em 29 de Junho, quando chega a Roma uma delegação de Constantinopla.

Zenit: Quais são as expectativas sobre a relação entre cristãos e ortodoxos?
O encontro é muito importante para melhorar as relações entre Roma e Constantinopla. O Patriarca Ecuménico de Constantinopla tem um primado no mundo da ortodoxia e, nesse sentido, expressa todas as Igrejas Ortodoxas. Trata-se de um aprofundamento do diálogo na amizade e na fraternidade entre o Papa de Roma e Patriarca Ecuménico. Espero que o encontro seja uma boa oportunidade para reforçar estas boas relações e preparar novas iniciativas para o futuro.

Zenit: Como é o diálogo entre a Igreja de Roma e a Patriarcado ortodoxo russo?
A situação é diferente, porque não temos um diálogo particular entre Roma e Moscovo. O Papa nunca se encontrou com o Patriarca de Moscovo. O Metropolita Hilarion que é de Moscovo vem a Roma para encontrar o Santo Padre e, recentemente, eu fui duas vezes a Moscovo para aprofundar esse diálogo. A Comissão mista internacional entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas é composta por 14 denominações diferentes, incluindo a Igreja Ortodoxa Russa. Uma melhor cooperação está sendo desenvolvida no âmbito cultural e social.

Zenit: O que pode ser feito para melhorar o relacionamento com o Patriarcado da Rússia?
Hoje a situação está complicada. O que aconteceu na Ucrânia e as acusações do Patriarca ortodoxo russo contra a Igreja greco-católica do país, pioraram as relações ecuménicas. Espero que possamos encontrar um caminho para a reconciliação na Ucrânia. Espero que as várias igrejas cristãs possam oferecer soluções para a conciliação da sociedade na Ucrânia.

Zenit: O que pensam em Moscovo sobre a visita do Papa Francisco à Turquia?
Eu não sei. Deveríamos perguntar em Moscovo. É claro que o Patriarca Ecuménico de Constantinopla deveria representar um pouco 'todas as Igrejas ortodoxas’. Mas quais serão as reacções e as consequências nas Igrejas Ortodoxas deste encontro com o Papa, eu não sei.

Zenit: Como vai a relação com os cristãos evangélicos? Há um progresso no diálogo ecuménico?
Sim. Criou-se uma nova situação, porque o Santo Padre é muito aberto e apreciado no mundo dos evangélicos e pentecostais. Esta é uma nova oportunidade, porque até agora, a porta estava entreaberta. Entre os pentecostais e evangélicos existia muitos preconceitos contra a Igreja Católica e contra o Papa. A partir do momento em que os líderes dessas igrejas se encontraram pessoalmente com o Papa, a situação melhorou e abriram-se as portas para um diálogo melhor.

Nesse sentido, eu sou muito grato ao Santo Padre por tudo o que está fazendo para melhorar as relações com o mundo dos evangélicos e pentecostais.

Zenit: Alguns jornais relataram que com o pontificado do Papa Francisco um número crescente de evangélicos está se convertendo ao catolicismo. O que o senhor pode nos dizer sobre isso?
Eu não acho que o objectivo do diálogo é converter os outros. Ambos Bento XVI e o Papa Francisco afirmaram que o proselitismo não é a maneira que a Igreja busca para promover o ecumenismo. No entanto, se uma pessoa tem a intenção de se converter à Igreja Católica, devemos garantir o direito à liberdade religiosa, que é um direito humano fundamental. Em qualquer caso, o objectivo dos encontros ecuménicos é aprofundar a relação de fraternidade, amizade, entre o Papa e os evangélicos, para oferecer um testemunho comum de Cristo, para manifestar a presença de Deus no mundo e desenvolver a dimensão missionária da Igreja.

Zenit: O senhor gostaria de acrescentar alguma coisa sobre as actividades do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos?
Sim. Antes da visita pastoral a Constantinopla, celebramos o 50º aniversário da promulgação do decreto do Concílio Vaticano II para o Ecumenismo, Unitatis Redintegratio (21 Novembro 1964).

Durante a plenária comemoramos este belo evento, com a celebração das Vésperas na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, em seguida, com três conferências sobre o decreto ecuménico, que teve lugar na Pontifícia Universidade Gregoriana.

Somos "corruptos" como Babilónia ou "distraídos" como Jerusalém?

Durante a Missa em Santa Marta, o Papa exorta os cristãos a não se deixarem levar pela depressão e a não se assustarem com os pagãos


Roma, 27 de Novembro de 2014 (Zenit.org) Luca Marcolivio


Entregar-se à depressão não condiz com o cristão, disse o Papa Francisco nesta manhã durante a celebração da Missa na Casa Santa Marta. Ele também mencionou a "corrupção" e a "distracção" como fenómenos que afastam de Deus.

O Santo Padre foi inspirado pelas leituras de hoje (Ap 18,1-2.21-23.19,1-3.9ª e Lc 21,20-28) que se referem, respectivamente, à Babilónia e à Jerusalém, culminando no fim dos tempos.

Ambas as cidades estão destinadas à ruína, por que não "aceitaram o Senhor". A queda é por razões diferentes: Babilónia é "o símbolo do mal, do pecado",  se acha "dona do mundo e de si mesma", portanto é vítima da sua própria corrupção, que tira a "força para reagir".

A corrupção, explicou o Papa, “dá um pouco de felicidade, dá poder e também faz você se sentir satisfeito com si mesmo: não deixa espaço para o Senhor, para a conversão".

E hoje a corrupção aparece em todos os níveis: não só a corrupção "económica", mas também a corrupção do "espírito pagão" e do "espírito mundano". A forma mais grave de corrupção, acrescentou o Papa, é "o espírito da mundanidade."

A "cultura corrupta" do nosso tempo "faz com que sintamos aqui como se estivéssemos no Paraíso: plenos, abundantes". A Babilónia, portanto, é o símbolo de toda "sociedade, toda cultura, toda pessoa distante de Deus, distante também do amor ao próximo, que acaba por apodrecer”.

Diferentemente de Jerusalém, que não caiu na  corrupção, mas na "distracção". É "a esposa do Senhor, mas não percebe a visita do Esposo", não se dá conta de que o Senhor está vindo para salvá-la e o faz chorar.

Jerusalém não sentia a "necessidade da salvação", pois tinha o suficiente: "as escrituras dos profetas" e de “Moisés”. "O Senhor batia à porta, mas não havia disponibilidade para recebê-lo, ouvi-lo, para deixar-se salvar por Ele."

Cada um de nós deve questionar-se para saber de onde é cidadão: da "Babilónia corrupta e auto-suficiente" ou da Jerusalém "distraída". No entanto, disse o Papa, "a mensagem da Igreja nestes dias não acaba na destruição: em ambos os textos, há uma promessa de esperança."

Jesus exorta a não deixar-se "assustar pelos pagãos", que "têm o seu tempo. Devemos “ampará-los com paciência, como fez o Senhor com a sua paixão”.

No final, mesmo com todos os " nossos pecados" e "nossa história", pensamos "no banquete que gratuitamente nos será dado" e "levantamos a cabeça".

Mesmo diante de "muitos povos, cidades e pessoas que sofrem, muitas guerras, tanto ódio, tanta inveja, mundanismo espiritual e corrupção ", a palavra de ordem do Papa Francisco é:" Nada de depressão: esperança!"

Mas o reino da corrupção, da distracção ruirá. Peçamos ao Senhor "a graça de estarmos preparados para o banquete que nos espera, sempre com a cabeça erguida”.

São Virgílio

São Virgílio manteve-se fiel e obediente à doutrina dando vigoroso testemunho de fé e condução da Igreja


Horizonte, 27 de Novembro de 2014 (Zenit.org) Fabiano Farias de Medeiros


São Virgílio nasceu na Irlanda por volta do ano 700. A tradição não nos apresenta muitos fatos de sua infância, mas sabe-se que sua juventude foi centrada na fé cristã que inflamou um profundo desejo de Virgílio abraçar a vida religiosa. De fato seu desejo o levou a abraçar a vida monástica. Conforme a narrativa dos “Anais dos Quatro Mestres”, que são as crónicas da história medieval irlandesa, Virgílio tornou-se abade no Mosteiro de Aghaboe, uma aldeia no condado de Laois.

Virgílio desenvolveu um vigoroso trabalho de evangelização e também científico visto que era um homem de profundo conhecimento nas ciências matemáticas e geográficas. Por este motivo ficou celebremente conhecido como “Geómetra”. Por volta do ano 745 ele partiu da Irlanda em peregrinação rumo à Terra Santa. Estabeleceu-se na França a pedido do Rei Pepino o Breve, pai de Carlos Magno. Pepino tinha o desejo de infundir em seu povo a fé cristã e com isso alicerçar seu reinado e confiou a Virgílio esta missão. Fundou o mosteiro de Chiemsee na região da Baviera a convite do Conde Odilon que posteriormente o enviou para ser abade da Abadia de São Pedro de Salzburg e encarregado da diocese de Salzburg.

Virgílio teve alguns conflitos com São Bonifácio por conta da fórmula do baptismo. A questão chegou ao conhecimento do Papa Zacarias que aprovou a questão a favor de Virgílio. Bonifácio ainda refutou a teoria de Virgílio acerca da circunferência da terra que na época foi tratada como heresia. Após aberta a investigação pelo Papa Zacarias, Virgílio obteve sucesso em sua defesa sendo orientado a abandonar sua ciência e dedicar-se somente ao apostolado. Após a morte de Bonifácio, Virgílio foi sagrado Bispo de Salzburg por volta do ano 767. Evangelizou a região de norte a sul e conseguiu o grande feito de baptizar os duques eslavos da Caríntia e reformou e construiu diversos mosteiros e igrejas. Enviou missionários para as regiões mais longínquas e participou também destas missões.

Adoeceu e veio a falecer no dia 27 de Novembro do ano 784. Foi sepultado na Abadia de Salzburg e após um incêndio ocorrido no ano 1181 suas relíquias foram descobertas e transladadas para a Catedral de Salzburg.

Foi canonizado em 1233 pelo Papa Gregório IX.

Concerto: Vozes ao Alto » Homenagem ao Cante Alentejano » 30 de Novembro, 15H30 » Cine Granadeiro


Audição da classe de clarinete da Escola de Música da SMFOG » 29 de Novembro, 21H30 » CineTeatro Grandolense


Lutou em 3 exércitos, com nazis e comunistas, escondeu-se com judeus, a sua voz proibida ainda ressoa!




quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Informação do Núcleo Distrital de Beja da EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza 110-2014












Beja: Diocese aplaude distinção da UNESCO ao cante alentejano

Um «património que apela aos grandes valores da humanidade, da solidariedade, da partilha, do apego à terra, à família e amigos»




Beja, 27 nov 2014 (Ecclesia) – O director do Departamento do Património Histórico de Artístico (DPHA) da Diocese de Beja considera a distinção de património imaterial da humanidade, hoje atribuída pela UNESCO ao cante alentejano, “um reconhecimento muito especial para Portugal e o Alentejo”.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, José António Falcão salienta que este “galardão vem reconhecer um dos traços mais significativos da região alentejana” e representa o culminar de um processo para o qual “trabalharam muitas pessoas e organizações ao longo de diversos anos”.

O professor e historiador lembra que o cante alentejano, na sua génese, é um património que “apela aos grandes valores da humanidade, da solidariedade, da partilha, do apego à terra, à família e aos amigos”.

Realça ainda a sua estreita ligação ao culto religioso, por exemplo “na celebração de tradições religiosas muito importantes como as do Menino Jesus, de Nossa Senhora, e de muitos outros aspectos da fé cristã”.

A Diocese de Beja olha para este reconhecimento internacional dado ao cante alentejano como uma oportunidade para continuar a contribuir para a sua divulgação e promoção.

“Hoje temos um Alentejo diferente, um Alentejo que se modernizou, que está a conseguir vencer em diversas frentes a sua crise mais importante, que é uma crise demográfica e portanto isto pode ser também uma maneira de mostrar a verdadeira realidade da região”, acredita o presidente do DPHA da Diocese de Beja.

Por outro lado, abre também uma janela de oportunidade para o “desenvolvimento de um turismo cultural bem sustentado, porque naturalmente serão muitas mais as pessoas que quererão conhecer de perto esta realidade do cante alentejano”.

José António Falcão conclui recordando “alguns padres e leigos que tiveram um papel importantíssimo na recolha, na inventariação, na salvaguarda e até na valorização” desta tradição musical

Em especial o padre António Cartageno, músico e pároco em Beja “que, juntamente com o cónego António Aparício, teve um papel fundamental” nesta área.

Também “o padre António Marvão, uma figura um pouco esquecida hoje mas que foi um importante musicólogo e deu um contributo muito relevante para esta causa, através de “um trabalho muito aturado, com vários livros e conferências”.

“Mas não foram só sacerdotes, foram etnógrafos, investigadores, professores das mais diversas capacidades que deram um importante contributo para a promoção do cante, dentro e fora do Alentejo, e que nós temos de recordar hoje”, conclui o investigador.

A candidatura do cante alentejano a Património Cultural Imaterial da Humanidade foi formalmente apresentada no comité internacional da UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura a 28 de Março de 2013.

Depois de considerar a candidatura “exemplar”, a organização deu-lhe provimento esta quinta-feira em Paris.

JCP
 



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Francisco sobre abusos em Granada: Não devemos esconder a verdade

O Santo Padre respondeu as perguntas dos repórteres no voo de volta de Estrasburgo


Roma, 26 de Novembro de 2014 (Zenit.org)


A carta de denúncia “eu a recebi pessoalmente. Li e liguei para a pessoa e disse: você, amanhã, vai ao bispo. E escrevi ao bispo para que começasse o trabalho, que fizesse a investigação e seguisse adiante. Como recebi a notícia? Com grande dor. Grandíssima dor. Mas, a verdade é a verdade e não devemos escondê-la”.

Com estas palavras o Papa Francisco explicou durante a conferência de imprensa no avião voltando de Estrasburgo, como ele recebeu a denúncia de abusos sexuais em Granada, como informou a rede espanhola de rádio COPE.

O caso chamou a atenção do público quando na segunda-feira passada alguns meios de comunicação espanhóis publicaram a notícia de um jovem espanhol, que tinha escrito ao Santo Padre para contar-lhe os abusos que sofreu quando era menor. Esta pessoa recebeu a ligação do Papa que lhe pediu perdão em nome da Igreja e lhe incentivou a denunciar os factos.

Posteriormente, o jovem formalizou uma denúncia por abusos, na Procuradoria Superior de Andaluzia, contra todos os implicados, pelo menos uma dúzia, entre sacerdotes e leigos, de diferentes residências da província.

Nesta segunda-feira foram detidos três sacerdotes e um leigo, para dar declarações. Além do mais, outra pessoa apresentou em um tribunal uma nova denúncia de abusos sexuais.

O Tribunal Superior de Justiça de Andaluzia (TSJA) informou em um comunicado que os detidos vão à justiça no prazo máximo de 72 horas, quando as forças e corpos de segurança do estado concluam as suas investigações.

A primeira fase da investigação deste caso culminou com a tomada de depoimentos de mais de uma dúzia de indivíduos e a prisão dessas quatro pessoas que são consideradas as “principais” nesta matéria.

A Polícia Judiciária está realizando um trabalho “minucioso”, também no que diz respeito à origem das propriedades das pessoas que supostamente estão envolvidas nos abusos.

O caso, que está marcado como segredo sumário, está em curso no âmbito da investigação.

"Uma nova criação já está em vigor, com a morte e ressurreição de Cristo"

Durante a audiência geral, o Papa Francisco reflecte sobre a Igreja a caminho do Reino dos Céus


Roma, 26 de Novembro de 2014 (Zenit.org) Luca Marcolivio


No meio de uma manhã “um pouco feinha” por causa das constantes gotas de chuva, o Papa Francisco teve a Audiência Geral da quarta-feira sobre um tema muito querido por ele: a Igreja a caminho.

Depois de ter chamado de “corajosos” os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, apesar do mau tempo, o Papa recordou uma das pedras angulares do Concílio Vaticano II: "A Igreja não é uma realidade estática, parada, fim em si mesma, mas está continuamente a caminho na história, rumo à meta última e maravilhosa que é o Reino dos céus, cuja Igreja na terra é a semente e o começo”.

São conceitos, observou o Papa, que quase sugam a nossa imaginação, “capazes apenas de intuir o esplendor do mistério que supera os nossos sentidos".

Isto levanta questões em nós: "quando vai acontecer esta etapa final? Como será a nova dimensão na qual a Igreja entrará? O que será, então, da humanidade? E da criação que nos circunda?".

O Santo Padre citou a Gaudium et Spes que reafirma a impossibilidade de conhecer o momento do Juízo e, ao mesmo tempo, a certeza que da “Revelação que Deus prepara uma nova habitação e uma terra nova, na qual habita a justiça, e cuja felicidade saciará superabundantemente todos os desejos de paz que surgem no coração dos homens" (GS n° 39).

O Paraíso ou a “nova Jerusalém” – como a Bíblia define – mais do que um “lugar” é um “estado” cujas “nossas expectativas mais profundas serão cumpridas de forma superabundante e o nosso ser, como criaturas e como filhos de Deus, alcançará o pleno amadurecimento” e no qual estaremos “face a face” com Deus, revestidos do Seu amor, da Sua “paz” e da Sua “alegria”, de forma completa, “sem nenhum limite”.

O pensamento do Céu, que um dia, "todos nós nos encontraremos lá”, comentou Francisco, “é bonito” e “dá força à alma”.

Existem depois “uma continuidade e uma comunhão de fundo entre a Igreja celestial e aquela ainda a caminho sobre a terra”. Quem já está na presença de Deus pode “apoiar-nos e interceder por nós, rezar por nós”, enquanto que nós, aqui na Terra, “somos sempre convidados a oferecer obrar boas, orações e a mesma Eucaristia para aliviar a tribulação das almas que ainda estão à espera da bem-aventurança sem fim”.

Na perspectiva cristã, explicou o Papa, “a distinção não é mais entre quem já morreu e quem não morreu ainda, mas entre quem está em Cristo e quem não”: isso determina “a nossa salvação” e “a nossa felicidades”.

O cumprimento do "projecto maravilhoso" indicado pela Sagrada Escritura "não pode não afectar também tudo o que nos circunda e que saiu do pensamento e do coração de Deus”. Como afirma São Paulo, toda a criação “será libertada da escravidão da corrupção, para entrar na liberdade da glória dos filhos de Deus” (Rm 8, 21).

Uma "nova criação", então, "já está em vigor a partir da morte e ressurreição de Cristo", não para levar “uma aniquilação do cosmos e de tudo o que nos circunda”, mas para que cada coisa alcance “a sua plenitude de ser, de verdade, de beleza”.

Em conclusão, o Papa Francisco recordou como as “estupendas realidades que nos esperam”, nos fazem compreender “o quanto pertencer à Igreja seja realmente um dom maravilhoso, que traz em si uma vocação altíssima”.

África Central: libertado o missionário polaco sequestrado em Outubro

Pe. Mateusz Dziedzic, da Diocese de Tarnow, foi sequestrado em Baboua, no dia 12-13 de Outubro, durante um ataque dos rebeldes ligados a Abdoulaye Miskine


Roma, 26 de Novembro de 2014 (Zenit.org)


Padre Mateusz Dziedzic, o sacerdote "fidei donum" polaco da diocese de Tarnow, sequestrado em meados de Outubro, na parte ocidental da África Central, foi liberado hoje, quarta-feira, 26 de Novembro. Acaba, portanto, o calvário do jovem missionário que durou por volta de dois meses, desde que, na noite do 12-13 de Outubro oito homens armados ligados ao líder rebelde Abdoulaye Miskine, o tinham sequestrado durante uma incursão a Baboua, na República Centro-Africano.

Pe. Dziedzic - relata o site Jeune Afrique - foi recebido hoje primeiro no carro para depois ser transferido por terra a Yaoundé, onde vai voar para Brazzaville nesta noite. Lá será recebido pelo mediador da crise na África Central, Denis Sassou Nguesso.

O mandante do seu sequestro, Miskine, ex-aliado da rebelião do Seleka, foi preso no ano passado na fronteira entre Camarões e a República Centro Africano, e desde então está preso nos Camarões. O seu grupo, a Frente Democrática do Povo Centro Africano (FDPC) já esteve envolvido em vários sequestros. E para garantir a libertação do seu líder tem realizado vários sequestros para pedir depois uma troca. Miskine, embora na prisão, no entanto, havia permanecido em constante contacto com seus homens.

O ex-ministro da República Centro-Africana, Karim Meckassoua, da capital dos Camarões, desempenhou um papel fundamental na libertação do missionário. As negociações foram realizadas pelas autoridades da Polónia (uma unidade de crise foi imediatamente estabelecida), Camarões (especialmente pelo Secretário-Geral da Presidência, Ferdinand Ngoh Ngoh) e Congo.

Durante o sequestro, padre Mateusz conseguiu contactar a Missão Católica da Diocese de Bouar e receber comida e remédios.