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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Igreja/Portugal: Faleceu D. António Vitalino, bispo emérito de Beja

As exéquias estão marcadas para este sábado, com Missa pelas 16h, na igreja Matriz de Parada de Gatim (Vila Verde, Braga), presidida por D. Fernando Paiva

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Lisboa, 09 out 2026 (Ecclesia) – D. António Vitalino, bispo emérito de Beja, faleceu hoje aos 84 anos, no Hospital de Braga, confirmou o secretário da Conferência Episcopal Portuguesa à Agência ECCLESIA.

As exéquias vão realizar-se este sábado, com a Missa a ser presidida por D. Fernando Paiva, bispo de Beja, às 16h, na igreja Matriz de Parada de Gatim (Vila Verde, Braga); o funeral segue depois para o Cemitério de Parada de Gatim, informa a diocese.

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) emitiu “uma nota de pesar” pelo falecimento de D. António Vitalino, recordando o percurso à frente da Diocese de Beja e o trabalho pastoral desenvolvido ao serviço da Igreja.

“Neste momento de luto, a CEP expressa aos seus familiares, amigos e à Ordem do Carmo a sua comunhão na dor e na esperança da ressurreição, e assegura a sua oração por todos quantos sofrem com a sua partida, pedindo a Deus que os conforte”, pode ler-se na mensagem enviada à Agência ECCLESIA.

A estrutura dá “graças a Deus pelo seu ministério episcopal e pelo serviço pastoral que prestou à Igreja, nomeadamente enquanto Bispo de Beja, durante mais de 17 anos”.

A nota lembra que D. António Vitorino foi “presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana entre 2005 e 2011” e que, neste âmbito, “dedicou-se de forma próxima aos migrantes, refugiados e pessoas em situação de maior vulnerabilidade, contribuindo para a reflexão e para a concretização de respostas pastorais assentes no acolhimento e na defesa da dignidade humana”.

“Foi ainda membro das Comissões Episcopais da Doutrina da Fé, das Comunicações Sociais e da Pastoral Social e Mobilidade Humana, integrando esta comissão até 2020”, acrescentou o texto, assinada pelo secretariado geral da CEP.

“Imploramos ao Deus de Misericórdia que receba D. António Vitalino nos seus braços e lhe conceda o eterno descanso”, conclui.

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Nascido a 3 de novembro de 1941, em Oleiros, Vila Verde (Braga), D. António Vitalino teve como primeiras experiências as Ordens Franciscanas – os Frades Menores e os Capuchinhos -, seguindo-se o seminário Carmelita da Falperra, em Braga, onde entrou em 1957.

O bispo fez o noviciado em Longra-Douro (Felgueiras), em 1960-61, a profissão simples em 8 de setembro de 1961 e a solene em 10 de julho de 1965, segundo a diocese de Beja, tendo realizado estudos de Filosofia/Teologia no Instituto “Sedes Sapientiae” dos Padres Dominicanos, em Fátima, de 1961 a 1966.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, em 2018, a propósito de 50 anos de sacerdócio, o religioso da Ordem do Carmo lembrou que, depois do noviciado, pediu para ir para a Alemanha, explicando que “no Concílio Vaticano II os teólogos alemães se tinham distinguido muito”.

Foi neste país que terminou os estudos nas Universidades de Mogúncia e de Friburgo da Brisgóvia, que frequentou a partir de 1966.

Enquanto estudava Teologia, descobriu os emigrantes, assistiu “às primeiras grandes levas” de portugueses para as “grandes fábricas alemãs”, e isso foi “providencial” para descobrir que a sua vocação “era mais entre o povo, era pastoral”.

D. António Vitalino foi ordenado sacerdote a 3 de agosto de 1968, no Santuário do Sameiro (Braga), por D. António Ribeiro, então Bispo Auxiliar de Braga.

O trabalho na pastoral dos migrantes na Alemanha, onde esteve 10 anos, levou-o a fundar e depois exercer o cargo de diretor e chefe de redação do jornal ‘Diálogo do Emigrante’, que ainda hoje se publica com o título ‘Diálogo Europeu’, indica a Diocese de Beja.

O bispo exerceu vários cargos na Ordem do Carmo, a que pertencia, e por três vezes foi eleito Comissário da Ordem em Portugal.

D. António Vitalino regressou a Portugal em 1976 e foi para a Paróquia de Santo António dos Cavaleiros, em Loures; passados 20 anos foi nomeado bispo auxiliar de Lisboa, a 3 de julho de 1996, tendo a ordenação episcopal acontecido quando tinha 54 anos, a 29 de setembro de 1996, na igreja do Mosteiro dos Jerónimos.

A 25 de janeiro de 1999, o então Papa João Paulo II nomeou-o bispo de Beja; a entrada solene realizou-se dia 11 de abril de 1999, uma região onde a Ordem Carmelita está desde o século XIII.

A 10 de outubro de 2014, o Papa Francisco nomeou D. João Marcos como bispo coadjutor da Diocese de Beja, a pedido de D. António Vitalino que manifestou necessidade de um bispo coadjutor a quem confiar essa missão quando atingisse os 75 anos, deixando este papel em novembro de 2016.

Segundo a Diocese de Beja, após a resignação residiu alguns anos na Casa de São Nuno em Fátima, em comunidade com os seus Irmãos Carmelitas, estando nestes últimos anos com a sua família em Parada de Gatim, concelho de Vila Verde.

LJ

Notícia atualizada às 12h53





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