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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Beja: Bispo pede mais humanidade nos serviços públicos em contexto de crise

D. António Vitalino defende promoção das pessoas que vá para lá do «assistencialismo»

Beja, 05 dez 2014 (Ecclesia) – O bispo de Beja identifica um Alentejo desertificado, num Portugal em crise onde as instituições da Igreja são um garante da população, pedindo respostas para quem vive essencialmente a interioridade e mais humanidade aos serviços públicos.

“Espero que os poderes públicos, embora sabendo que também têm de satisfazer os seus compromissos, sejam mais humanos porque a pessoa é que é o centro de todo o nosso compromisso, quer da Igreja, do Estado e de qualquer outra instituição”, alertou D. António Vitalino, em entrevista à Agência ECCLESIA.

O bispo de Beja frisou que quando se “ofende a dignidade” da pessoa humana e da família não se cumpre a “missão” política.

No Alentejo, como por todo o território nacional, as instituições sociais ligadas à Igreja têm sido uma ‘almofada’ para muitas pessoas na actual crise económico-financeira: “Preocupa-nos a promoção das pessoas, não o simples assistencialismo”.

Nesse sentido, o entrevistado explica que têm equipas de reinserção, sobretudo ligadas à Cáritas diocesana, onde procuram “autonomizar” quem precisa da sua ajuda “através da realização pessoal e social”.

Para o bispo de Beja, a Igreja “deve ser profeta” que denuncia mas que também ajuda.

“Este tipo de sociedade sempre existiu mas por isso é que temos o poder judicial que tem de ser dotado de meios necessários para que se as pessoas actuem por ética, amor, princípios de cidadania”, alertou mais uma vez para que a população “sinta confiança em todos aqueles que escolhe”.

Bispo na diocese alentejana de Beja há 16 anos, o prelado indica o que considera que deve ser desenvolvido para que esta região seja mais apreciada, como na agricultura, que “tem muitas potencialidades” ou o turismo que “podia ser muito mais desenvolvido, apostando na qualidade” e menos em massas.

“Poderiam estabelecer-se mais empresas, a nível de matéria-prima, criar indústria de transformação que não temos; Na formação e educação há muito a fazer”, acrescentou.

A Igreja diocesana tem acompanhado este desenvolvimento, por exemplo, na área da conservação e inventariação/catalogação do património: “Esta conservação e manutenção custa muito dinheiro, entre as autarquias e o departamento tem-se conseguido alguns recursos”.

D. António Vitalino destaca que tanto os autarcas, como a população respeitam “muito a hierarquia e a Igreja”, uma instituição que “merece confiança” e tem o ambiente propício para evangelizar.

O interlocutor destacou ainda como positivo a barragem do Alqueva, que vai irrigar 110 mil hectares – “agora os agricultores podem semear com confiança” – e critica o Aeroporto de Beja que está praticamente parado – “uma estrutura que custou uns milhões”.

“Queremos e fazemos as coisas, investimos em betão e infraestruturas, mas depois não delineamos o seu funcionamento e a sua manutenção”, comentou.

O Cante Alentejano foi declarado Património Imaterial da Humanidade da UNESCO, a 27 de Novembro, e o prelado de Beja considera que “tudo o que tem valor cultural deve ser reconhecido ou corre o risco de desaparecer”.

“Este reconhecimento é importante, é expressão de uma cultura que não existe noutro lado, vi este reconhecimento com muita alegria” acrescentou destacando também a acção do padre António Cartageno, que integrou a comissão científica, do padre Marvão, ou do cónego Aparício.

A entrevista ao bispo de Beja, publicada na última edição do Semanário digital ECCLESIA, que dedica um dossier à diocese alentejana.

LS/CB/OC
 
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Beja: Igreja Católica apostada em reforçar dinamismo cristão e social das comunidades

M. Conceição Lopes

Teresa Chaves e José Quirino falam sobre como está a decorrer o Sínodo Diocesano

Lisboa, 05 dez 2014 (Ecclesia) – A Igreja Católica de Beja está apostada em reforçar nos alentejanos o dinamismo cristão e social necessário para que eles possam ser agentes de mudança num território pobre, desertificado mas com muito potencial.

Sobre esta matéria, a Agência ECCLESIA falou com os dois leigos que integram a Comissão do Sínodo Diocesano de Beja, Teresa Chaves e José Quirino.

Em declarações que podem ser lidas na edição mais recente do Semanário ECCLESIA, os dois responsáveis partilham a esperança de que aquela iniciativa, em marcha desde 2012, contribua para fomentar nas populações um sentido de maior “corresponsabilidade” para com o destino da região e da própria Igreja.

Para o antigo autarca José Quirino, os cristãos do Alentejo devem olhar para a sua região como “uma terra de missão” e emprestar a sua voz em defesa do seu “desenvolvimento”.

No que toca ao seu papel dentro da Igreja Católica, aquele responsável defende a importância de “leigos formados” que com uma “fé esclarecida” respondam à escassez de sacerdotes.

“Há padres que têm concelhos sozinhos, estão a fazer todas as paróquias, é um bocado desgastante”, frisa José Quirino.

Teresa Chaves, actualmente à frente da Cáritas Diocesana de Beja, aponta agulhas para a mobilização de “todas as paróquias” para a prática de uma “caridade organizada”, que possa fazer face à crise que ainda atinge o Alentejo e o país.

Um prioridade que é mesmo tema em destaque na caminhada sinodal deste ano, na Diocese de Beja.

Apoiar as pessoas em situação de desemprego e pobreza é um passo, mas o ponto fulcral da acção sociocaritativa deve ser fomentar a “autonomia”.

“As pessoas têm de ser acompanhadas e ajudadas a encontrar um caminho para que sejam autónomas e não necessitem mais dos apoios”, frisa Teresa Chaves.

LS/JCP
 
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Campanha de Natal por Belém



Apresentação dos trabalhos discográficos A VOZ DAS MÃOS Cristina Maria e REBENTO Guilherme Frazão



Votos de um feliz natal!



Boletim de Espiritualidade Nº4 - Dezembro de 2014



APRESENTAÇÃO DO LIVRO » A CUF NO BARREIRO, REALIDADES, MITOS E CONTRADIÇÕES » 6 DE DEZEMBRO, 16H30



 

Caminhar sem destino?

Becos sem saída
Na semana passada assistimos, a nível do país e internacionalmente, a alguns acontecimentos inesperados e que nos devem fazer pensar, se todos terão alguma saída ou serão becos sem sentido e sem saída. Muitos jogam na lotaria, mas nem todos têm sorte. Apenas alguns. Outros sem jogarem, conseguem o mesmo objectivo, mas prejudicando outros, que se recusam enveredar pelos caminhos da corrupção. Admiro as pessoas que, escolhidas democraticamente para assumir responsabilidades públicas, não se deixam corromper, resistindo à tentação de enriquecer rapidamente. Nem todos são iguais, dizia um político esta semana. Ainda bem, digo eu. Mas será que o nosso povo vê a diferença e continua a acreditar na boa fé das pessoas que estão à frente dos destinos do país e do mundo?

Um caminho de esperança percorreu na semana passada o nosso Papa Francisco, indo à Turquia, país de maioria islâmica, mas onde os cristãos são tolerados e sobretudo indo a Constantinopola, hoje Istambul, outrora capital oriental do império romano, onde reside o Patriarca ecuménico da Igreja Ortodoxa, agora Bartolomeu I, a qual no século XI se separou do Papa de Roma. Com o Patriarca Bartolomeu I o Papa Francisco celebrou a festa do apóstolo Santo André, irmão de S. Pedro, o qual foi o primeiro a seguir Jesus, apontado por João Baptista como o Messias esperado.

Foram muitos os sinais e as palavras do Papa apelando à reconciliação de todos os cristãos, que acreditam em Jesus Cristo e de todos os que acreditam em Deus, como é o caso dos islamitas. Num dos seus discursos o Papa disse que ninguém pode invocar a Deus para justificar atos de violência e muito menos a Jesus Cristo, que não resistiu com meios ou atitudes agressivas à violência que os malfeitores usaram para com Ele e até pediu perdão para quem O crucificou. Infelizmente, muitos ainda não ouviram ou não seguem estas palavras e este testemunho. Diariamente muitos são mortos, violentados, expatriados, expropriados dos seus bens por causa da sua fé, como está a acontecer no autoproclamado estado islâmico e em muitas outras partes do mundo.

Apesar de tudo isto os cristãos não desistem de proclamar e testemunhar a sua fé. No domingo, dia 30 de Novembro e festa de Santo André, demos início ao ano da Igreja com o tempo do Advento, que significa vinda e chegada. Vinda d’Aquele que há-de vir para julgar os vivos e os mortos segundo a justiça de Deus e chegada d’Aquele que já veio na pessoa de Jesus Cristo, o Filho de Deus, que assumiu a nossa condição humana, com todas as suas fraquezas e debilidades, nascendo em Belém e dando a vida por nós na Cruz. Os cristãos são chamados a caminhar na esperança, sofrendo e penando como todos os outros, sobretudo os oprimidos e marginalizados, mas na confiança de que o seu caminho tem sentido e por isso não desistem de continuar a sua peregrinação até à Jerusalém celeste, como se expressa o último livro da Bíblia, o Apocalipse.

Chamados a ser samaritanos no caminho
No dia 8 de Dezembro, às 16,00 horas, em Beja, vão ser ordenados três diáconos, ou seja, três jovens vindos de longe e que há vários anos estão a fazer o seu discernimento vocacional na nossa diocese. Vão receber o primeiro grau do sacramento da ordem, o diaconado, instituído pelos Apóstolos em Jerusalém, para atender os mais frágeis da comunidade, os órfãos, as viúvas, os doentes. Por este sacramento eles são escolhidos e capacitados para esse serviço, mas também toda a Igreja e a diocese é chamada a ter presente este caminho seguido por Jesus e os Apóstolos. Não basta anunciar a todos a boa nova de Jesus, morto e ressuscitado, e celebrar em comunidade a nossa fé. É preciso estar atentos aos mais débeis, em primeiro lugar nas nossas comunidades, de modo que ninguém seja esquecido ou passe necessidade. Temos de ir até às periferias geográficas e existenciais, como se exprime o Papa Francisco, e pelos caminhos proceder como o bom samaritano, que socorre a pessoa ferida na berma do caminho, apesar de pertencer a uma tribo historicamente inimiga.

Vivemos numa sociedade democrática e com instituições e serviços para socorrer os cidadãos nas suas fragilidades. Mas isto não dispensa a nossa atenção às pessoas, cujas necessidades são de vária ordem, e nem sempre as instituições dão resposta. Respeitando a autonomia das respostas civis, sociais e culturais e também a liberdade das pessoas, temos de estar atentos a quem vive no nosso meio ou se cruza nos nossos caminhos, indo ao seu encontro, saudando-os e escutando-os, mesmo quando não entendemos a sua linguagem, para sermos outros bons samaritanos e ajudarmos as pessoas a caminhar, sempre na esperança de alcançar a meta, a realização plena das suas vidas.

Para os cristãos já começou a realização dessa esperança no Natal de Jesus, que celebraremos daqui a quatro semanas. Neste tempo do Advento e no Natal somos desafiados a caminhar, procurando fazer das nossas vidas um encontro com Deus, com os outros e com a natureza, num diálogo contínuo de amor, construindo assim uma história de amizade, até que Deus seja tudo em todos.

† António Vitalino, Bispo de Beja

Nota semanal em áudio:



Informação do Núcleo Distrital de Beja da EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza 111-2014











 
 

     

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Recém-chegado da Turquia, o papa reza na basílica de Santa Maria Maior

No voo de volta, Francisco deu uma conferência de imprensa de quarenta e cinco minutos


Cidade do Vaticano, 01 de Dezembro de 2014 (Zenit.org)


O avião que trouxe o papa Francisco de volta da Turquia aterrou pontualmente no aeroporto romano de Ciampino às 18h40 do horário italiano (15h40 em Brasília). Durante o voo, que durou duas horas e quarenta minutos, o Santo Padre saudou os sessenta jornalistas que estavam a bordo e concedeu uma conferência de imprensa de 45 minutos.

No Ford Focus que o esperava no aeroporto, o papa se dirigiu, como já é costume antes e depois das suas viagens, até a basílica de Santa Maria Maior, em Roma, antes mesmo de ir para o Vaticano. Ele se recolheu em oração e deu graças a Maria, “Salus Populi Romani”, pela sexta viagem internacional do seu pontificado.

Foi a 15ª visita de Francisco a esta basílica mariana em Roma.

Francisco encerra a viagem à Turquia

De 28 a 30 de Novembro, o Santo Padre realizou a sua sexta viagem internacional, focada no ecumenismo e no diálogo inter-religioso


Cidade do Vaticano, 01 de Dezembro de 2014 (Zenit.org)


Na tarde de ontem, 30 de Novembro, o papa Francisco encerrou a sua viagem apostólica de três dias à Turquia. Foi uma visita breve, mas intensa.

Às 16h30 do horário turco (12h30 em Brasília), ele chegou ao aeroporto de Ataturk, em Istambul, de onde partiu para Roma após receber os cumprimentos das autoridades civis e militares, do patriarca ecuménico Bartolomeu I e dos membros da Conferência Episcopal da Turquia.

Carregando a sua maleta de bordo, como já virou costume, Francisco embarcou no A320 da Alitalia que decolou às 17h (13h em Brasília), finalizando a visita apostólica.

No voo de volta, o papa concedeu uma conferência de imprensa aos jornalistas que o acompanharam. Também como é tradição, ao sobrevoar a Grécia, a Albânia e a Itália, Francisco enviou a cada um dos chefes de Estado desses países um telegrama de saudação.

A próxima viagem internacional do papa argentino, sua sétima, acontecerá em Janeiro: do dia 12 ao dia 15, ele visitará o Sri Lanka; de 15 a 19, as Filipinas.

Papa: "os líderes muçulmanos deveriam condenar o terrorismo"

O Santo Padre respondeu as perguntas dos jornalistas durante 45 minutos no voo de volta de Istambul e falou sobre o terrorismo, o ecumenismo, o diálogo inter-religioso e o Sínodo


Roma, 01 de Dezembro de 2014 (Zenit.org)


Não se pode dizer que todos os muçulmanos sejam fundamentalistas. E Francisco disse ao presidente turco, Erdogan, “que seria muito bom condená-los (aos terroristas) claramente; deveriam fazê-lo através dos líderes académicos, religiosos, intelectuais e políticos. Dessa forma escutariam da boca dos seus líderes”. O Papa afirmou que é necessário que haja uma condenação mundial de parte dos muçulmanos que digam “não, o Alcorão não é isso". Estas são palavras do Papa no avião com destino a Roma, respondendo aos jornalistas que lhe acompanhavam nesse voo de volta da sua viagem apostólica à Turquia do 28 ao 30 de Novembro.

Abordando o tema do diálogo inter-religioso, o Santo Padre disse que teve a conversa mais bela neste sentido com o Presidente de Assuntos Religiosos, o professor Mehmet Görmez, e a sua equipe. Também disse que “quando veio o novo embaixador da Turquia para entregar as suas credenciais, vi um homem notável, um homem de profunda religiosidade. Eles disseram: ‘Agora parece que o diálogo inter-religioso chegou ao final. Temos que dar um salto qualitativo. Temos que fazer o diálogo entre pessoas religiosas de diferentes pertenças’. Isso é bonito: homens e mulheres que se encontram com outros homens e com outras mulheres para compartilhar experiências; não se fala de teologia, mas de experiência”, explicou.

Por outro lado, Francisco esclareceu como foi a sua oração na mesquita, que tantas manchetes ocupou nos meios de comunicação de todo o mundo. “Eu fui para a Turquia como um peregrino, não como um turista" e "quando eu fui à mesquita não podia dizer: "Agora sou um turista!”. E explica “vi aquela maravilha, o grande Mufti me explicava muito bem as coisas, com muita mansidão, me citava o Alcorão, quando falava de Maria e de João Baptista. Nesse momento senti a necessidade de rezar. Perguntei-lhe: “Vamos rezar um pouco?" E ele me respondeu: "Sim, sim". Eu orei por toda a Turquia, pela paz, pelo mufti, por todos e para mim... Disse: “Senhor, acabemos com estas guerras!” Foi um momento de oração sincera”.

Também falaram de ecumenismo no avião. Francisco disse que no mês passado, por causa do Sínodo, veio como delegado o metropolita russo Hilarion e quis falar com ele “não como delegado do Sínodo”, mas como “presidente da Comissão do diálogo ortodoxo-católico”. “Eu acredito que com a ortodoxia estamos a caminho”, afirmou o Papa no avião, mas também exclamou que “se tivermos que esperar que os teólogos se coloquem de acordo... Nunca chegará esse dia!”

Sobre o Patriarca de Moscovo, Kirril, o Papa disse que quer vê-lo, e já lhe enviou essa mensagem “onde você quiser, nos encontramos; se me ligar, vou”. Mas, explicou que com a guerra na Ucrânia agora o patriarca tem muitos problemas. “Ambos queremos encontrar-nos e seguir em frente. Hilarion propôs uma reunião de estudo da Comissão sobre a questão do primado. É necessário continuar com o pedido de João Paulo II: “me ajudem a encontrar uma fórmula de primado aceitável para as Igrejas ortodoxas”, disse.

E sobre o primado da Igreja, Francisco disse aos jornalistas que para encontrar uma fórmula aceitável devemos ir para o primeiro milénio. “Não quero dizer que a Igreja errou (no segundo milénio), não! Percorreu o seu caminho histórico. Mas agora o caminho é seguir em frente com o pedido de João Paulo II”.

Assim como fez no voo de volta da Coreia, o Santo Padre expressou sua vontade de ir ao Iraque por causa da dramática situação que milhares de pessoas estão vivendo lá. "Eu queria ir a um campo de refugiados, mas precisava de mais um dia e não foi possível, por muitas razões, não só pessoais", disse. Por isso pediu em Istambul para se encontrar com as crianças refugiadas que os salesianos cuidam. “Eu quero ir ao Iraque”, afirmou o Papa no avião, mas explicou que falou com o Patriarca Sako e no momento não é possível.

Sobre esta "terceira guerra mundial por partes" da qual o Papa já falou em outras ocasiões, retomou o problema do tráfico de armas. Aliás, disse: "No ano passado, em setembro, se dizia que a Síria tinha armas químicas: eu acho que a Síria não era capaz de produzir armas químicas. Quem foi que as vendeu? Quem sabe alguns dos que depois a acusavam de tê-las? Sobre este assunto das armas existem muitos mistérios".

Outro tema tocado no avião foi o do genocídio dos arménios. A este respeito Francisco lembrou que Erdogan escreveu uma carta na data do aniversário do genocídio, que alguns consideraram muito fraco. “Mas foi um estender a mão, e isso é sempre positivo. Posso estender a mão muito ou pouco, mas isso sempre é positivo”, destacou. E acrescentou que se fosse possível abrir a fronteira turco-arménia seria algo bonito. Por isso, o Papa pediu orações por esta reconciliação entre os povos.

Por fim, o Papa fez algumas observações sobre o Sínodo da Família, celebrado recentemente em Roma. "Não é um parlamento, é espaço protegido para que seja possível falar sobre o Espírito Santo”, afirmou. Além do mais destacou que ele não está de acordo com que se diga publicamente: ‘Tal pessoa falou isso’, mas que se faça público somente o que foi dito. 

Indulgência Plenária por ocasião do Ano da Vida Consagrada

O Ano da Vida Consagrada começou neste domingo, 30 de Novembro, e termina no dia 2 de Fevereiro


Roma, 01 de Dezembro de 2014 (Zenit.org)


O Santo Padre, por ocasião do Ano da Vida Consagrada, concederá indulgência plenária, com as condições habituais (confissão sacramental, comunhão eucarística e oração pelas intenções do Santo Padre) “a todos os membros das instituições de vida consagrada e aos demais fieis verdadeiramente arrependidos e movidos por um espírito de caridade, a partir do primeiro domingo do Advento deste ano até o dia 2 de Fevereiro de 2016, dia do encerramento do Ano da Vida consagrada”. A indulgência também pode ser aplicada em sufrágio das almas do Purgatório. Assim foi determinado por um decreto assinado pelo cardeal Mauro Piacenza, penitenciário maior, publicado no último dia 28 de Novembro.

Conforme previsto no presente decreto, a indulgência será obtida em Roma, "cada vez que participem nas reuniões internacionais e celebrações internacionais estabelecidas no calendário da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, e por um período de tempo apropriado meditem com piedade, concluindo com o Pai nosso, a Profissão de fé em qualquer forma legítima aprovada e invocações à Virgem Maria”.

Também em todas as Igrejas particulares, cada vez que nos dias diocesanos dedicados à vida consagrada e nas celebrações diocesanas organizadas para o Ano da Vida Consagrada, "visitem a catedral ou outro lugar sagrado escolhido com o consentimento do Ordinário do lugar, ou uma igreja conventual ou o oratório de um mosteiro de clausura e rezem publicamente ali a Liturgia das Horas, ou um período de tempo apropriado meditarão com piedade concluindo com o Pai Nosso, a Profissão de fé em qualquer forma legítima aprovada e invocações à Virgem Maria”.

Os membros dos Institutos de vida consagrada que, por doença ou outra causa grave não possam visitar os lugares sagrados – explica o decreto – poderão obter a indulgência plenária se, com total desapego de qualquer pecado e com a intenção de poder cumprir o quanto antes as três condições habituais, efectuem a visita espiritual com profundo desejo e ofereçam as doenças e dores de sua vida a Deus misericordioso por meio de Maria, acrescentando as orações acima mencionadas.

Para facilitar a consecução da graça divina por meio da caridade pastoral, a Penitenciaria Apostólica, pede aos canónicos, aos membros do capítulo, aos sacerdotes dos Institutos de Vida Consagrada e todos os que têm a faculdade de ouvir as confissões que administrem com frequência o sacramento da Penitência e da Sagrada Comunhão aos doentes.

Turquia: a situação dos cristãos de ontem e de hoje

O papa encontrou-se com uma Igreja pequena, mas que sofreu uma longa perseguição


Madrid, 01 de Dezembro de 2014 (Zenit.org)


Reproduzimos este artigo do escritor francês Sébastien de Courtois, publicado originalmente no site da organização Ajuda à Igreja que Sofre. O texto foi assinado em Istambul.

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A população turca é maioritariamente muçulmana, com quase 65% de sunitas e uma importante minoria alevita (um ramo do islamismo xiita) de 25% a quase 35% da população total. Os alevitas turcos se situam à margem do mundo muçulmano: eles não frequentam as mesquitas, e sim as chamadas casas de oração; não respeitam o jejum do ramadão nem praticam as cinco orações diárias. Embora sejam oficialmente considerados pela administração turca como muçulmanos, é evidente, à luz destes fatos, que eles estão fora do islão tal como entendido regularmente. Por isso, é preciso prestar atenção na hora de falar das religiões na Turquia, pois, com frequência, os próprios alevitas se consideram um grupo minoritário semelhante ao dos judeus ou dos cristãos. Politicamente, eles não comungam com o governo islâmico-conservador do Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP, Adalet ve Kalkinma Partisi), que está no poder desde 2002, mas professam ideias republicanas, progressistas e laicas.
Tendo sido vítimas de discriminação, os alevitas turcos reivindicam um reconhecimento oficial da sua especificidade pela Diyanet (Administração Geral de Assuntos Religiosos da Turquia). Desde 2009, não mais é obrigatório declarar na carteira de identidade a afiliação religiosa.

Na Turquia, os cristãos não passam de 100.000 pessoas, o que é bem pouco numa população total que já supera os 75 milhões de habitantes. Entre eles estão os arménios (quase 80.000), os siríacos (quase 20.000) e os greco-ortodoxos (menos de 2.000), chamados de “rum” em turco, ou seja, “romanos”; além deles, há algumas centenas de famílias católicas de rito latino que vivem nas grandes cidades (Esmirna e, principalmente, Istambul).

Istambul, que não é a capital da Turquia, é um autêntico mosaico do cristianismo, pois ali estão presentes todas as Igrejas orientais e ocidentais, além de grandes correntes como os caldeus do sudeste (originários de Hakkâri), os siro-ortodoxos de Tur Abdin, os búlgaros, os russos (com suas igrejas construídas sob os telhados de Karaköy), os polacoes, os ucranianos, as Igrejas protestantes e a anglicana, e uma série de instituições católicas que operam no sistema educativo e social como, por exemplo, a escola Dom Bosco, dirigida pelos salesianos, e o hospital de Bomonti, gerido pelas Irmãzinhas dos Pobres, presentes na Turquia desde 1892.

Devido à explosão do número de refugiados provenientes do mundo inteiro, mas, principalmente, da África Negra, da Síria e do Iraque, as igrejas de Istambul voltaram a ficar cheias.

No geral e de forma continuada, as Igrejas sempre se viram, no melhor dos casos, em situação de minoria, e, no pior, em situação de gueto. Mas a presença cristã na Turquia tem enorme relevância histórica. Penso na figura do patriarca ecuménico, Bartolomeu, que encarna o legado do antigo Império Bizantino e governa os destinos do mundo ortodoxo a partir do bairro de Fener, no Chifre de Ouro. A comunidade rum se reduz a algumas centenas de pessoas, mas a importância da sua sé patriarcal é um símbolo que ultrapassa as fronteiras. O passado bizantino de Istambul e da Anatólia não deve ser subestimado: milhares de igrejas e mosteiros se espalham pela paisagem, ainda que muitos estejam em ruínas e abandonados. A península histórica de Istambul não seria a mesma sem a imponente silhueta de Santa Sofia, que remonta à primeira metade do século VI, construída durante o reinado do imperador Justiniano.

Este monumento recorda ao visitante que a sociedade turca também foi construída sobre um passado cristão e que é preciso não esquecer esta continuidade invisível entre a grande história e o presente. Igualmente, no sudeste do país, na região de Mardin, encontram-se os últimos mosteiros activos na Turquia: são cinco e pertencem à Igreja siro-ortodoxa (em total, uma vintena de religiosos). Alguns mosteiros produzem pistache, uva e azeite de oliva. Esta região se chama Tur Abdin (“montanha dos servos de Deus”) e é um antigo lugar de presença e espiritualidade siríacas. Os cristãos da região utilizam uma língua de origem aramaica chamada turoyo. Em torno destes mosteiros, há cerca de vinte povoados cristãos, o que volta a nos mostrar a especificidade desta região.

Desde 1915, e com a destruição causada pela Primeira Guerra Mundial, a população arménia do leste da Anatólia foi removida e massacrada pelos Jovens Turcos daquela época. O fato de que a Turquia sempre tenha se negado a reconhecer o genocídio dos arménios gera um mal-estar que constitui um dos principais problemas da Turquia no cenário internacional. A normalização das relações entre a Grécia e a Turquia, iniciada pela ajuda recíproca que cada país prestou ao vizinho depois do terremoto de 1999, se viu reforçada graças ao empenho conjunto para solucionar o problema cipriota.

Mas ainda não é suficiente, pois os cristãos turcos dependem demais das relações internacionais entre países (Arménia e Grécia, principalmente), ao mesmo tempo em que são cidadãos turcos de pleno direito. Sua presença no território da República Turca, além disso, é mais antiga do que a da população que comumente é considerada hoje como “turca”. Este paradoxo permanece. Assim, os cristãos turcos são frequentemente considerados como “estrangeiros”, o que é lamentável. Apesar da liberdade de culto, eles sempre têm que justificar o seu lugar na sociedade. Nos últimos anos, foram registados assassinatos muito inquietantes de religiosos católicos e protestantes, sem falar da morte de Hrant Dink, o jornalista turco de origem arménia. Uma parte considerável da população turca, incitada pelo nacionalismo, acusa os cristãos de quererem desestabilizar a nação turca e de serem agentes estrangeiros, o que é sinal de uma paranóia aguda.

Por fim, muitas das grandes cidades mencionadas no Novo Testamento devido à passagem dos apóstolos Pedro e Paulo estão no território da actual Turquia: Antioquia, Éfeso, Cesareia ou Sardes e a região dos Gálatas, que é a Ancara dos dias actuais. Os judeus, principalmente os sefarditas, constituem, com seus 25.000 fiéis, a terceira maior comunidade religiosa do país. Todas essas minorias esperaram com alegria a visita do papa Francisco no final deste mês de Novembro.

O massacre dos arménios e dos siríacos turcos
As comunidades arménias e siríacas presentes nas províncias orientais do Império Otomano foram, entre 1895 e 1915, vítimas de uma série de massacres. A sorte das comunidades siríacas esteve ligada à sorte mais geral dos arménios. As seguintes províncias orientais, fortemente cristianizadas, foram bastante afectadas: Cilícia, Anatólia Oriental, Erzurum, Van, Bitlis e Hakkâri, assim como a província de Diyarbakir. Istambul não ficou atrás: mesmo lá os arménios foram perseguidos, em especial os personagens mais importantes.

As Igrejas siríacas
O mundo siríaco é o menos conhecido e constitui um ecumenismo oriental em si mesmo. Este legado remonta a Antioquia, a cidade em que os cristãos foram chamados de cristãos pela primeira vez. Esta família se compõe de cinco Igrejas diferentes que compartilham a língua siríaca: a Igreja siro-ortodoxa, a Igreja siro-católica, a Igreja do Oriente, a Igreja caldeia e a Igreja maronita do Líbano.
Embora a população cristã na Turquia mal chegue a 0,3%, a organização Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) financiou 100 projectos na Turquia nos últimos vinte anos. Uma quantidade significativa dessa ajuda foi destinada aos refugiados iraquianos e sírios na parte oriental do país. Desde 2010, a AIS doou um total de 130.000 euros aos refugiados iraquianos, principalmente através da Igreja caldeia e dos padres salesianos de Istambul. Os salesianos atendem as famílias e dedicam especial interesse à educação escolar infantil. Desde que começou a crise na Síria, a AIS também vem ajudando os refugiados sírios no leste da Turquia. De 2013 a 2014, a AIS doou um total de 47.000 euros para cobrir as suas necessidades básicas.

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Sébastien de Courtois escreve para a Ajuda à Igreja que Sofre, fundação da Santa Sé que ajuda pastoralmente a Igreja necessitada ou perseguida em qualquer parte do mundo.

As condolências do episcopado mexicano ao "Chespirito", o "Cháves"

O actor Gómez Bolaños conhecido como 'Chaves' e 'Chapolin Colorado' morreu aos 85 anos. Promotor da família, da amizade, da solidariedade e da vida desde a concepção


Roma, 01 de Dezembro de 2014 (Zenit.org)


O cardeal Norberto Rivera Carrera, arcebispo Primaz do México, e da Arquidiocese da cidade do México, expressou suas mais sentidas condolências pelo falecimento do actor e roteirista Roberto Gómez Bolaños, "Chespirito", (apelido carinhoso que os mexicanos lhe deram e que relembra o escritor Shakespeare), especialmente conhecido pelos seus personagens “Chaves”  e “Chapolin Colorado”. O actor mexicano faleceu sexta-feira passada aos 85 anos em Cancun.

"Ao longo de sua carreira, foi a alegria de muitas gerações de mexicanos e do público em geral, para além das nossas fronteiras", disse o comunicado publicado pelo sistema de informação da Arquidiocese do México.

Também indicam que Roberto Gómez Bolaños foi "um grande promotor da vida familiar, e através de seus personagens, soube mostrar com simplicidade valores como a amizade e a solidariedade, além de que foi um incansável defensor da vida humana desde o momento da concepção”.

Por fim, asseguram as suas orações “pelo eterno descanso da sua alma”, se juntam à dor sentida pelos seus familiares, amigos, companheiros de trabalho e seu público no geral.

Durante este fim de semana foram muitas as pessoas, públicas e anónimas, que agradeceram ao actor pela sua vida e obra, por alegrar a infância de mais de uma geração em muitos países de língua espanhola.

Vida que poderia não ter chegado a ver a luz já que o mesmo Bolaños disse uma vez que aconselharam sua mãe a abortar quando estava grávida dele”. “Oi, sou seu amigo Chespirito. Quando estava no ventre da minha mãe, ela sofreu um acidente que a deixou à beira da morte. O médico lhe disse: ‘Vai ter que abortar’. E ela respondeu: ‘Abortar? Eu? Jamais’. Ou seja, defendeu a vida, minha vida. E graças a isso estou aqui”. O spot formava parte de uma campanha pró-vida no México, por ocasião da lei de descriminalização do aborto em 2007.

"Não podemos nos resignar a um Oriente Médio sem cristãos"

Bartolomeu e Francisco, como já fizeram em Jerusalém, assinaram uma declaração conjunta


Roma, 01 de Dezembro de 2014 (Zenit.org) Rocio Lancho García


Sábado passado, (29), após a celebração da Divina Liturgia na Igreja Ortodoxa de São Jorge, em Istambul, o Patriarca Bartolomeu e o Papa Francisco apareceram na varanda do patriarcado ecuménico e abençoaram simultaneamente os fiéis que estavam no pátio. O Papa deu a bênção em latim, o patriarca em grego. Depois foram à Sala do trono para ler e assinar uma Declaração Conjunta, assim como fizeram em seu encontro em Jerusalém, em maio passado. Dessa forma “reafirmaram juntos nossas comuns intenções e preocupações”.

E assim, expressaram a sua sincera e firme intenção "de intensificar os nossos esforços para a promoção da plena unidade entre todos os cristãos e especialmente entre católicos e ortodoxos”. É possível ler no texto que querem “manter o diálogo teológico promovido pela Comissão Mista Internacional” que “está tratando actualmente as questões mais difíceis que marcaram a história da nossa divisão e que requerem um estudo atencioso e profundo”.

Também expressaram preocupação "com a situação no Iraque, na Síria e em todo o Oriente Médio". Estamos unidos no desejo – afirmam – de paz e de estabilidade e na vontade de promover a resolução de conflitos através do diálogo e da reconciliação. A este respeito fizeram um apelo aos que têm a responsabilidade do destino dos povos “para que intensifiquem o seu compromisso pelas comunidades que sofrem e lhes permitam, incluindo as cristãs, permanecer em sua terra natal”. Não podemos resignar-nos a um Oriente Médio sem cristãos, dizem.

E também falaram de um "ecumenismo do sofrimento." A terrível situação dos cristãos no Oriente Médio exige não apenas oração, mas a resposta adequada da comunidade internacional, indicam Bartolomeu e Francisco. Além disso, reconheceram também a importância da promoção de um diálogo construtivo com o Islão, “baseado no respeito e na amizade”.

Portanto, "como líderes cristãos, exortamos todos os líderes religiosos a continuar e reforçar o diálogo inter-religioso e a cumprir todo esforço para construir uma cultura de paz e de solidariedade entre as pessoas e entre os povos".

Finalmente, recordaram todos os povos que sofrem por causa da guerra. Em particular, "rezamos pela paz na Ucrânia, país com uma antiga tradição cristã", e pediram para as partes em conflito buscar o caminho do diálogo e do respeito do direito internacional para acabar com o conflito.

Francisco e Bartolomeu rezaram juntos pela unidade das igrejas

O Santo Padre, na Igreja Patriarcal de São Jorge em Istambul, pede que o patriarca abençoe a ele e a Igreja de Roma


Roma, 01 de Dezembro de 2014 (Zenit.org) Rocio Lancho García


O papa Francisco pediu ao patriarca um favor: abençoá-lo e à Igreja de Roma. Em seguida, Francisco se aproximou de Bartolomeu e se curvou-se ante ele. Uma imagem que provavelmente seja das mais lembradas dessa viagem apostólica à Turquia. Aconteceu no sábado à tarde, na visita que o Papa realizou ao Fanar, sede do Patriarcado Ecuménico de Istambul, para a oração ecuménica e um encontro privado com o patriarca Bartolomeu I.

Francisco e Bartolomeu I, sucessores de Pedro e André, se reuniram na Igreja Patriarcal de São Jorge, acolhidos com as canções de entrada. Depois de uma oração pelo Papa, pelo Patriarca e pela unidade das santas igrejas de Deus, os dois juntos recitaram o Pai Nosso em latim antes de concederem a bênção. O Santo Padre o fez em latim e o patriarca em grego.

Em seguida falou o patriarca, que, em seu discurso fez notar que a visita de Francisco é uma continuação às visitas dos seus predecessores Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI, “testemunhando vossa vontade como também a da Santíssima Igreja de Roma, de continuar o firme caminho fraternal com nossa Igreja Ortodoxa”. Da mesma forma, pediu para encontrar “novamente a plena comunhão entre as nossas Igrejas”, cumprindo assim a vontade de Deus “em tempos cruciais para a humanidade e o mundo”.

Francisco, por sua vez, começou seu discurso falando sobre o pôr do sol, que sempre traz um sentimento duplo, "o de gratidão pelo dia vivido e o da desejada confiança ante o cair da noite”. Nesta tarde – afirmou – meu coração está  cheio de gratidão a Deus, “que me concedeu estar aqui para rezar junto com Vossa Santidade e com esta Igreja irmã, no final de uma intensa jornada de visita apostólica”. Ao mesmo tempo, o Papa indicou que o seu coração está à espera do dia em que liturgicamente começamos: a festa de Santo André Apóstolo, que é o patrono desta igreja.

Por outro lado, o Papa expressou sua gratidão ao patriarca por sua acolhida fraterna, ao mesmo tempo que observou que “sinto que nossa alegria é maior porque a fonte está além”, “não em nós”, “nosso compromisso” ou “nossos esforços” – que também devem ser feitos – “mas na comum confiança na fidelidade de Deus”. A Igreja, lugar onde está “essa paz e essa alegria que o mundo não pode dar, mas que o Senhor Jesus prometeu aos seus discípulos, e a entregou como Ressuscitado, no poder do Espírito Santo”.

Assim como lembrou o Pontífice durante o seu breve discurso, “Andrés e Pedro escutaram esta promessa, receberam este dom”. Eram irmãos de sangue, - continuou – mas o encontro com Cristo os transformou em irmãos na fé e na caridade. E acrescentou Francisco “irmãos na esperança”. Dessa forma, o Santo Padre fez alusão à graça e à responsabilidade de poder ser irmãos na esperança do Senhor Ressuscitado, poder caminhar juntos nessa esperança. Finalmente recordou que “esta esperança comum não defrauda, porque não se fundamenta em nós e nossas pobres forças, mas na fidelidade de Deus”. Neste momento é que o Santo Padre pediu ao patriarca para abençoá-lo e também a Igreja de Roma.

Depois da oração, houve a reunião privada, onde se procedeu à tradicional troca de presentes e a apresentação das delegações.

Massacre em Mesquita na Nigéria. Tauran: "Denunciemos essas iniquidades"

Sexta-feira passada um ataque do Boko Haram matou cerca de 120 pessoas que rezavam na Grande Mesquita de Kano


Roma, 01 de Dezembro de 2014 (Zenit.org)


Durante sua viagem à Turquia, Francisco recordou o massacre que ocorreu sexta-feira passada na Nigéria. O ataque à Grande Mesquita de Kano, reivindicado pelo Boko Haram, matou cerca de 120 pessoas, ferindo 270. Um verdadeiro massacre que causou a morte de fiéis que estavam reunidos em oração.

Foram dois homens-bomba, apoiados por quinze homens armados. Depois que os dois homens explodiram entre os fiéis, do lado de fora da mesquita, os cúmplices esperavam as pessoas que fugiam para atirar. A multidão deteve quatro homens, que foram linchados; os outros conseguiram fugir.

Na Mesquita Central, o emir Sanusi Lamido Sanusi havia condenado, nas últimas semanas, os crimes cometidos pelo grupo fundamentalista islâmico. O emir declarou guerra contra o Boko Haram, exortando todo o nordeste da Nigéria - fortaleza do grupo – a pegar as armas contra os chamados "Talibãs da África". O massacre parece ser uma vingança por parte dos militantes.

A história da Grande Mesquita é apenas mais uma brutalidade perpetrada pelo Boko Haram no país. "Não podemos permanecer em silêncio ou indiferentes", disse o cardeal Jean Louis Tauran, presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, à Rádio Vaticano.

"Estamos chocados com essa violência que continua a atingir e a matar também fiéis pacificamente reunidos para rezar", disse o cardeal, questionando: "Onde está a inteligência, onde está a razão, onde está o coração? Devemos denunciar este mistério de iniquidade".

O Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso espera "que a comunidade internacional reaja de maneira unânime e muito rápido". Além disso - acrescentou - "é preciso dizer que os mais afectados são precisamente os moderados porque são aqueles que sabem fazer os outros raciocinarem”.

A situação "é muito triste", disse o cardeal, exortando a "continuar no caminho do diálogo". "Quanto mais dramática a situação, mais diálogo é necessário", destacou. “Não há alternativa: só o diálogo, diálogo, diálogo! Nossa esperança é que, se o mal é contagioso, que o bem também seja!". 

A moda veste équo-solidário

Princípios éticos, respeito pelos direitos humanos, desenvolvimento económico das populações pobres, são alvos do mundo das passarelas


Roma, 01 de Dezembro de 2014 (Zenit.org) Maria Anastasia Leorato


Cada vez mais a criatividade, a habilidade, o profissionalismo dos estilistas na criação de roupas e acessórios se unem a fins de solidariedade, visando favorecer a justiça social e a economia das populações que vivem em condições desfavorecidas e em extrema pobreza.

O conceito de moda se renova, inaugurando perspectivas importantes focadas no comércio équo-solidário. Uma nova frente apoia a defesa dos direitos humanos fundamentais e o respeito pelo meio ambiente, sem desprezar o desenvolvimento formativo e cultural dos países economicamente mais fracos.
Após a chegada ao mercado, inicialmente promovido pela indústria de alimentos, o comércio justo ganha forças graças à participação do mundo da moda.

Entre os famosos Ateliers que frequentemente se comprometem a promover projectos com fins caritativos, há também marcas cujo objectivo principal é ajudar os pobres.

Começando com a linha Auteurs du monde, assinado por Marina Spadafora, ao Ethical Fashion da loja Trame di Storie e PortenierRoth.

A experiência e os conhecimentos desenvolvidos no mundo da moda por Maria Spadafora assumem traços e características únicas, através da criação de roupas artesanais, realizadas com princípios éticos, a fim de ajudar as pessoas e de respeitar o meio ambiente.

Depois de anos trabalhando na indústria da moda para importantes maison como Prada, Miu Miu e Ferragamo, Spadafora sentiu a necessidade de combinar habilidade profissional com princípios e valores humanos.

E assim, graças a uma colaboração com Altromercato, ela fundou sua própria linha, Auteurs du monde, chamando-a de "antropológica", porque cada peça conta a história do artesão que a criou. A maioria das roupas confeccionada por mulheres de países da Ásia, América Latina e África.

As colecções apresentadas pela Altromercato têm em si uma preciosidade que não deriva apenas da singularidade dos tecidos e das costuradas à mão, mas também do desejo de contribuir para o desenvolvimento económico dos países em dificuldade: na educação, na cultura, e de respeitar os princípios éticos fundamentais.

Perspectivas inovadoras ecoam também da marca Trame di Storie, que tem como objectivo a solidariedade, traduzida em ajuda para melhorar a vida do povo de Bangladesh, Índia, Colômbia, Guatemala, Vietname e até mesmo Itália (neste último caso, para ajudar jovens com problemas psiquiátricos a ingressar no mundo do trabalho).

É uma nova maneira de fazer moda onde o termo "consumo" é substituído por termos como "apoio", "colaboração" e "bondade".

A marca Trame di Storie combina a habilidade manual e artística das costureiras e artesãos com suas histórias e memórias, para que cada acessório, cada roupa, possa ser portador da mensagem de esperança e de ajuda que surge ao adquirir cada peça.

A relação indissolúvel entre moda e ética, é também assunto da marca jovem PortenierRoth, nascida em 2007 em Berna, fundada por duas estilistas: Sabrine Portenier e Eveline Roth. Outra linha de roupas caracterizada pela ética, que visa ajudar as mulheres no Quénia e em Gana. Objectivo équo-solidário que teve um resultado importante através da Iniciativa internacional Ethical Fashion Initiative em colaboração com o Centro de Comércio Internacional.

Beato Charles de Foucauld

Padre Charles de Foucauld une-se a nós através do acto mais memorável da sua existência e da melhor parte da sua vida


Horizonte, 01 de Dezembro de 2014 (Zenit.org) Fabiano Farias de Medeiros


“Cada cristão tem de ser apóstolo: não é um conselho, mas um mandamento, o mandamento da caridade” dizia Charles de Foucauld, nascido em 15 de setembro de 1858 em Strasburg na França.  Filho dos nobres franceses Edward de Foucauld e Elizabeth de Morlet, aos nove anos ficou órfão vindo a ser criado por seu avô Charles de Morlet. Durante o período que esteve com os avós, recebeu primorosa educação e orientação cristã. Fez sua primeira comunhão em 28 de Abril de 1872 e decidiu seguir a carreira militar.

Frequentou diversas escolas militares e afastou-se totalmente da vida cristã optando por uma vida dissoluta e imersa nos prazeres e vícios mundanos. A este tempo ele mesmo narra como: “Eu estava menos um homem do que um porco”. Em Outubro de 1879 é nomeado subtenente do exército e após ser enviado para a Argélia, por conta de sua insubordinação abandonou a carreira militar e viajou para o Marrocos no ano de 1883. Lá Charles disfarçou-se de rabino e adoptou o nome de Joseph Aleman para desenvolver um projecto geográfico de mapeamento de toda aquela região, o que lhe conferiu uma medalha de ouro no ano de 1885. Retornou para a França e a partir daí iniciou um caminho de retorno à sua fé. Peregrinações, escritos dos santos e a Palavra de Deus sedimentaram sua decisão em consagrar-se a Deus e no dia 16 de Janeiro de 1890 ingressou no mosteiro trapista de Nossa Senhora das Neves. Não se identificou com as regras de vida por julgar muito maleáveis e no ano de 1897 abandonou o mosteiro indo para a Terra Santa onde viveu como eremita.

Foi ordenado padre no dia 09 de Junho de 1901 e retornou á África para anunciar a Palavra de Deus. Em 1905 chega em Tamanrasset, onde empreendeu a evangelização dos muçulmanos contando com a ajuda dos nómadas tuaregues. Estudou a língua nativa e traduziu os evangelhos. Construiu um eremitério e após o início da guerra entre a Turquia e a Itália, foi brutalmente morto com um tiro na cabeça no dia 1º de Dezembro de 1916.

Inúmeras congregações nasceram fruto do seu vigoroso testemunho. Em 24 de Abril de 2001 o Papa João Paulo II o declarou venerável e no dia 13 de Novembro de 2005 o Papa Bento XVI o beatificou.

Um templo de Paris reúne 1.200 pessoas para orar pelos que sofrem… E sucedem grandes milagres