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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Moinhos de vento

Há anos que a família passa férias na Ericeira. Habituaram-se a ver os moinhos de vento estrategicamente construídos no cimo dos montes com as velas mais ou menos abertas, conforme a força do vento. Recentemente, os moinhos multiplicaram-se e mudaram de configuração: tornaram-se mais altos e as velas foram substituídas por longas pás. Os primeiros aproveitavam o vento para moer grão transformando-o em farinha; os segundos aproveitam o vento para produzir energia elétrica.

Como mudaram os moinhos! As tecnologias de aproveitamento de energia eólica evoluíram muito, mas a sua fonte é a mesma: o sopro do vento. A que se deve então essa mudança? Não se deve à inteligência e à vontade humana? Cada modelo de moinho traz sempre na sua história episódios de curiosidade de alguma pessoa que fazia perguntas inteligentes e ia encontrando novas dificuldades sempre que conseguia responder a essas perguntas. Traz também histórias de trabalho árduo, de experiências práticas, de investigações bibliográficas, de conversas com colegas de profissão ou companheiros de curiosidade e colaboração em novas empresas. Sim, o sopro da inteligência e da vontade humana está presente em cada forma de aproveitamento do sopro do vento.

E qual é o sopro que faz agir a inteligência e vontade humana? Que mistérios se escondem em cada pessoa! Porquê umas são inteligentes, diligentes, curiosas, laboriosas, empreendedoras... e até generosas, a ponto de oferecerem os seus conhecimentos às novas gerações; porquê outras têm alguma limitação – de visão, ouvido, locomoção... - que as impedem de exercer algumas das actividades que são comuns entre os homens; e porquê, outras ainda, empregam os seus dotes e capacidades  não em construir os úteis moinhos de vento, mas em destruí-los com armas, intrigas..., ódios que geram guerras, mortes, corrupções, miséria?

Felizmente, descobrimos nos moinhos de vento o seguimento de uma “vocação”. Os primeiros que surgiram no caminho da Ericeira eram toscos e com uma finalidade diferente dos segundos, mas cumpriram com a sua vocação de produzir farinha e a experiência aproveitada nos segundos. Estes, seguem também a sua “vocação”: a de produzir energia eléctrica que, por sua vez, tem a “vocação” de iluminar, aquecer, aspirar, lavar..., segundo o aparelho a que for aplicada. O vento não mudou, mas mudou a utilização dos moinhos. Os modernos já não são meros receptores de energia; são transformadores de energia, mas seguem a sua vocação de dar:  primeiro oferecem pão; depois já são capazes de oferecer energia para novos projetos capazes de confortar os homens.

E nós, seres pensantes e com vontade, somos capazes de oferecer algo? De produzir novas energias não poluentes, pacíficas e reconfortantes?

Isabel Vasco Costa



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