domingo, 10 de junho de 2018

Corpo, para quê? II


Num primeiro artigo, concluímos que o Homem está destinado a ser eternamente feliz e que o seu corpo lhe dá a possibilidade de comunicar com outras pessoas (as divinas também) e com toda a criação, manifestando, através dele, o seu amor, quer por palavras, quer por ações. Porém, parte da pergunta “Corpo, para quê?” ainda se mantém, pois falta saber usar o corpo de tal forma que cheguemos a alcançar esse objectivo de alcançar a felicidade eterna.

Constatamos a cada momento que corpo e alma estão profundamente unidos, mas com dificuldade de colaborar entre si. O pecado original introduziu o sofrimento e o cansaço nas principais obrigações humanas: “Crescei, multiplicai-vos e dominai a terra.” (Gén. 1,28); por outras palavras, a maternidade/paternidade e o trabalho passaram a vir acompanhados de dor, suor e lágrimas e também por alegrias profundas. Como vencer então a rebeldia do corpo em obedecer às leis que Deus deu ao Homem? Podemos aprender com Cristo. Como era verdadeiro Homem, tinha a natureza humana e viveu na terra seguindo em tudo a ideia do Criador. Como era verdadeiro Deus, manifestou (mediante milagres, profecias e pregações) o seu poder e a autoridade divinos.

Cristo sofreu e fez sofrer aqueles que mais amava e o amavam. Desde o seu nascimento até à morte, a sua vida esteve marcada pelas dificuldades, mas sempre em obediência ao Pai. Sua mãe, Maria, já no final da gravidez, viu-se na obrigação de ir de Nazaré a Belém para se recensear com José. Não encontrando pousada, abrigaram-se numa gruta onde nasceu o Jesus. Foi um momento de dor e alegria: pela pobreza do lugar; pela chegada do Salvador. Assim é a vida normal: alegrias e tristezas acarinham e magoam o coração dos homens. Aconteceu com o Messias, acontece com os homens.

Os pais do menino fizeram-no circuncidar ao oitavo dia, cumprindo assim a lei mosaica. A cerimónia significava que o Menino pertencia ao povo eleito por Deus com o qual fizera uma Aliança, a Antiga Aliança. Assim, todos os pais devem seguir o exemplo de S. José e de Nossa senhora, batizando os seus filhos logo que possível.

Quarenta dias após o nascimento, Jesus foi levado ao templo para ser apresentado e resgatado; apresentado como primogénito que devia ali ficar para o serviço do Senhor; resgatado para continuar ao cuidado dos pais, mediante a oferta de um par de rolas. Mais uma vez, Deus serve-se destes pais, santos e exemplares, para nos ensinar como devemos cuidar, desde muito cedo, da formação religiosa dos nossos filhos.

O Evangelho também relata a “crise de adolescência” de Jesus no episódio em que se escapou de seus pais para ficar no Templo entre os doutores. É exemplar a atitude desta Mãe que, sem ralhar, dá a conhecer a aflição com que ela e José O procuravam. É notável a resposta do jovem Jesus ao manifestar a sua responsabilidade por “ocupar-me das coisas de meu Pai” (Lc. 2, 49). Como é natural, os pais “não entenderam o que lhes disse” (Lc. 2, 50). Mas, como deve ser, o adolescente voltou com eles para Nazaré “e era-lhes submisso” (Lc. 2, 51). Eis, mais uma vez, o modo de nos comportarmos bem, pais e filhos: exercendo a autoridade com respeito pelo filho, sendo assim um meio de o ajudar a esperar pela “sua hora”. É curioso notar que essa “hora” veio a ser antecipada pela sua própria Mãe nas bodas de Caná”...

Há ainda muito que meditar sobre o nosso corpo. Haverá tempo para continuar ainda com o tema?

Isabel Vasco Costa




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