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domingo, 6 de outubro de 2013

Com 16 anos, fala 4 idiomas, toca violino, dá conferências, vai à missa: era abortável por Down

A história de superação de Emmanuel dá a volta ao mundo 

Emmanuel toca violino, uma das suas grandes paixões
Actualizado 3 de Outubro de 2013

Javier Lozano / ReL


Tem 16 anos. Fala inglês e espanhol na perfeição e orienta-se extraordinariamente bem em francês e em latim. Enquanto, se propõe estudar novos idiomas. Apesar de ser um adolescente a sua destreza com o violino é memorável e já protagonizou concertos com várias orquestras sinfónicas. Também dá conferências por Estados Unidos e o resto do mundo.

O seu nome é Emmanuel Joseph Bishop e deitando um olhar ao seu historial pode-se dizer sem medo de equivocar-nos que está um ou dois escalões acima do resto dos rapazes da sua idade. E este jovem talentoso tem síndroma de Down. Quer dizer, em muitos países a lei permite eliminá-lo antes do seu nascimento: abortável por Down.

A sua história e tão impactante que está dando a volta ao mundo através das redes sociais.

Um talento, em perigo de extinção
Na actualidade seria muito complicado encontrar um talento tão grande como o de Emmanuel pois não o teriam deixado nascer pelo facto de ter síndroma de Down. Simplesmente por não cumprir os requisitos que a sociedade ocidental diz que tem que ter para ser digno desta vida. E tudo isso amparado pela lei.

Sem dúvida, a história de Emmanuel aparece como um vendaval que destrói todas estas falácias que justificam o aborto de milhares e milhares de bebés que não são considerados aptos. Este adolescente estadunidense foi desmontando todos os argumentos e mostrou ao mundo de que é capaz.

Um católico devoto
Emmanuel é além disso um católico muito devoto, afirma-o orgulhoso e realiza as suas orações também em latim. De facto, dirigiu o rezar do Rosário em numerosas ocasiões assim como orações comunitárias.

Neste sentido, este jovem pretende utilizar o dom que Deus lhe ofereceu para um fim maior. Os seus esforços estão destinados a mostrar às pessoas com incapacidade que são iguais ao resto, que tem os seus próprios dons e habilidades que mostrar ao mundo. Definitivamente, convencê-los de que são úteis, logo o contrário do que o mundo lhes ensina diariamente. 


Um talento precoce
Emmanuel nasceu em 21 de Dezembro de 1996 na cidade estadunidense de Grafton. Logo surpreendeu todo o ambiente que o rodeava. Aos dois anos já lia e somente aos três já era capaz de ler cartões em francês num colégio de Illinois.

Com só seis anitos leu o discurso de boas-vindas do Congresso anual da Sociedade Nacional de Síndroma de Down. Fê-lo em três idiomas perante um auditório de mais de 600 pessoas. A essa mesma idade já aprendia a tocar violino, um dos seus maiores vícios.

A vida de Emmanuel continuava indo a esta velocidade de vertigem. Aos 8 anos montava em bicicleta e era medalhista nas Olimpíadas Especiais do Estado tanto em golfe como em natação onde ganhou nos 200 e 400 metros livres. Dois anos mais tarde marcava vários recordes na categoria júnior em diferentes provas de natação.

O violino, a sua arma e seu escudo

Aos 12 anos deu um recital com o violino no Décimo Congresso Mundial de Síndroma de Down que se celebrou na Irlanda em 2009. Ali além disso, fez uma apresentação numa das sessões de trabalho.

Um ano depois podia ser enfim acólito na sua paróquia e aos catorze recebia o ansiado sacramento da Confirmação. Em 2010 cumpria outro dos seus sonhos e para o Dia Mundial do Síndroma de Down foi convidado a tocar na Turquia com uma orquestra sinfónica.

O seu objectivo é ajudar outras crianças

Emmanuel foi educado em casa e os seus pais nunca duvidaram das suas capacidades. Com esforço e perseverança este menino poderia sobrepor-se à incapacidade. Por isso, a principal tarefa deste rapaz é precisamente isto, que o seu exemplo de superação valha o resto.


Nas suas apresentações fala ao fim e ao cabo da sua vida, de um adolescente com síndroma de Down que tem interesses, que gosta do desporto e da música, que nada, que anda em bicicleta.

Os seus objectivos com isto dividem-se principalmente em quatro pontos:

1. Destacar as habilidades, talentos, dons e o potencial das crianças com esta incapacidade.
2. Contrariar as baixas expectativas nos síndromas de Down.
3. Demonstrar que a alegria de viver não se opõe a estas pessoas.
4. Mitigar a prevalência de que tudo o dito ou escrito sobre o síndroma de Down provêm principalmente de pessoas sem esta incapacidade.

Um exemplo para todos

Mostra destas palestras foi a que se produziu em Dezembro de 2012 em Houston na reunião anual sobre a Trissomia 21. Ali Emmanuel encantou a todos relatando as suas aventuras e as suas viagens pelo mundo, sobre os seus estudos e também sobre o seu violino. Também falou uma parte em francês e falou sobre as obras de arte que tinha visitado durante a sua estadia em Paris. Logo respondeu a perguntas sobre a sua vida e a dúvidas que outras pessoas podem ter.

A sua educação em casa foi reveladora para muitos assim como a importância da alfabetização inicial. Exemplos concretos ajudam de sobremaneira numa luta contracorrente. O seu testemunho, mais pela sua capacidade de superação que pelas suas habilidades concretas, são um estímulo e um grande empurrão, para tantas crianças com síndrome de Down e as suas famílias. Não estão sós e por suposto que são úteis, mais do que possam chegar a imaginar.



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«A experiência que me convenceu de que a pornografia é a maior ameaça para as crianças de hoje»







sábado, 5 de outubro de 2013

«Os párocos e os bispos devem estar ao serviço do povo de Deus», disse Francisco

Numa extensa entrevista no La Repubblica 

O Papa Francisco fala com o jornalista ateu Scalfari
numa longa entrevista no La Repubblica
Actualizado 1 de Outubro de 2013

Efe

O Papa Francisco assegurou que o defeito da Curia romana, o governo da Igreja, é que se ocupa só dos problemas da Santa Sé esquecendo o mundo que a rodeia, numa entrevista publicada hoje 1 de Outubro no diário "La Repubblica".

A Curia "tem um defeito: é Vaticano-Centrica. Vê e se ocupa dos interesses do Vaticano e esquece o mundo que a rodeia. Não partilho esta visão e farei de tudo para mudá-la", explicou o papa na entrevista ao fundador do jornal, Eugenio Scalfari.

A entrevista publica-se hoje em concomitância com a primeira reunião que manterá o papa com o chamado G8 da Igreja, o Conselho de oito cardeais nomeados por Francisco para analisar a possível reforma da Cúria romana.

Voltar a ser uma comunidade

"A Igreja tem que voltar a ser uma comunidade do povo de Deus e os presbíteros, os párocos e os bispos devem estar ao serviço do povo de Deus", acrescentou o papa Jorge Bergoglio.

Para o ex-arcebispo de Buenos Aires, no passado "os chefes da Igreja foram com frequência narcisistas, adulados pelos seus cortesãos" e acrescentou que "a Corte é a lepra do papado".

Sobre a sua visão da Igreja, explicou que não se deve basear no "proselitismo" mas sim "em escutar as necessidades, as desilusões, a desesperação e dar esperança aos jovens e ajudar os velhos, abrir o futuro e difundir o amor. Ser pobres entre os pobres".

Abrir-se à cultura moderna
Bergoglio indicou nesta entrevista de três páginas que no Concilio Vaticano II se decidiu "olhar o futuro com espírito moderno e abrir à cultura moderna, que significava ecumenismo religioso e diálogo com os não crentes".

Mas o pontífice reconheceu que "até agora se fez pouco" e anunciou que ele tem a humildade e a ambição" de levar a cabo esse caminho da Igreja até à modernidade.

O Conselho dos oito sábios

A respeito das mudanças que tem previsto efectuar, recordou como nomeou o Conselho dos oito cardeais para que o aconselhem.

"Não são cortesãos mas sim pessoas sábias, animadas pelos meus mesmos sentimentos. Isto é o início de uma Igreja com uma organização não só vertical mas sim também horizontal", destacou.

Durante a conversação com Scalfari, Francisco brincou ao assegurar que quando tem à frente um "clerical" também ele se torna "anticlerical de repente" e é que, explicou, "o clericalismo nada tem que ver com o cristianismo" e que "São Paulo foi o primeiro que falou com os pagãos, os crentes de outras religiões".

Por outra parte, asseverou que a Igreja "não se ocupará de política", pois "as instituições políticas são laicas por definição e actuam em esferas diferentes".

"A Igreja não irá mais além do seu dever de expressar e difundir os seus valores, ao menos enquanto eu esteja aqui", confirmou.

Os desempregados, crianças e anciãos
Na entrevista também se tocam assuntos de actualidade e Bergoglio considerou que "os grandes males que afligem o mundo são o desemprego dos jovens e a solidão na qual deixaram os velhos".

"Os velhos necessitam cuidados e companhia. Os jovens trabalho e esperança", indicou.

O Papa também criticou o "liberalismo selvagem" que faz que "os fortes se façam mais fortes, os débeis mais débeis e os excluídos mais excluídos", e acrescentou que "se necessitam regras de comportamento e se fosse necessário também a intervenção do Estado para corrigir as desigualdades mais intoleráveis".

Na entrevista, o Papa fala dos santos da sua experiência religiosa e, ainda que acrescentou que não se pode fazer uma classificação de preferidos "como se fossem futebolistas argentinos", os "mais próximos à sua alma" são São Francisco e Santo Agostinho.

Uma experiência de luz
Sobre a "vocação mística" de alguns santos, Bergoglio explicou que não crê que tenha esta vocação, ainda que revelou como depois de ser eleito papa e enquanto esperava antes de assomar-se ao balcão da basílica de São Pedro fechou os olhos e deixou de sentir "a ânsia e a emotividade"

"Uma grande luz invadiu-me, durou só um momento ainda que me pareceu muitíssimo tempo. Logo a luz se dissipou, eu levantei-me de repente e dirigi-me à mesa onde estavam os cardeais para assinar o acto de aceitação. E assinei", relatou.

O papa termina a entrevista com Scalfari prometendo um novo diálogo com o jornalista, que se define ateu e a quem já dirigiu uma carta sobre os não crentes, na qual se afrontaram assuntos como o papel da mulher na Igreja.

A entrevista completa em PDF em italiano, AQUI


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Inclusive os demógrafos de El País o admitem: a popularidade de Francisco arrasa, também em Espanha

Acertam na corrente geral, não nos detalhes 

O Papa desperta um alto grau de simpatia,
também entre os pouco praticantes e não crentes
Actualizado 1 de Outubro de 2013

P. J. Ginés/ReL

Um dos blogues do diário pró-socialista "El País" é o dedicado a "Metroscopia", uma casa de estudos estatísticos ligada ao grupo empresarial do diário, PRISA, que no geral obtém sempre resultados suspeitosamente decantados à esquerda.

Apesar da sua militância ideológica, o blogue "Metroscopia", a partir de 600 entrevistas telefónicas, não pôde senão assombrar-se da popularidade do Papa Francisco entre os espanhóis.

"Em Espanha, Francisco também arrasa", admite numa entrada recente (com data de 30 de Setembro). "Aparece na cabeça do ranking de líderes mundiais, com uma chamativa pontuação média de 7.0 (que alcança um espectacular 8.6 entre aqueles que se definem como católicos praticantes). As pontuações conseguidas na nossa sociedade pelos seus antecessores flutuaram entre 3.9 e 4.5 no caso de Bento XVI, e entre 5.9 e 6.9 no caso de João Paulo II".

O blogue recorda os índices de aprovação de Francisco em outros países, "superiores inclusive aos que pode alcançar, segundo os dados existentes, João Paulo II no seu momento de maior apogeu mediático".

França: 82%
Estados Unidos: 79% (dos católicos)
Itália: 83% da população (e 95% de católicos).
Rússia: 71% de apoio cidadão! (num país de ortodoxos não praticantes onde os meios apenas cobrem a informação católica).

Domínio twiplomático!

Também assinalam que "segundo Twiplomacy (que mede o impacto à escala mundial no twitter de 505 contas de líderes e figuras públicas dos 193 países da ONU), em finais do passado mês de Julho o Papa Francisco converteu-se, por cima do próprio presidente Obama, no líder mundial mais influente na galáxia procelosa dos twitts".

O resto, fantasias metroscópicas
O resto do post da "Metroscopia" consiste em fazer números de pouca ou nula fiabilidade, ao dividir os 600 entrevistados em categorias de "praticantes", "pouco praticantes", "não praticantes" e "não crentes" e tirar conclusões incríveis como que 70% dos católicos praticantes querem que os padres se casem ou que 58% deles quer mulheres sacerdotisas.

Em estatística, uma mostra tem de ter mais de 1.000 pessoas para ser minimamente séria. Em Espanha 18% da população adulta vai à missa cada domingo (ou quase cada domingo), pelo que a mostra de "católicos praticantes" seria de apenas 100 pessoas, muito longe de qualquer mínimo para tirar conclusões, às que com correcções e pro-médias criativos se lhes pode fazer dizer qualquer coisa.


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O milagre de João Paulo II é um grande presente para a América Latina

Diretor da Rádio Maria da Costa Rica fala do encontro com Floribeth Mora


Roma, 04 de Outubro de 2013


No próximo dia 27 de Abril, uma solene cerimónia elevará o papa João Paulo II aos altares. Menos de uma década depois da morte de João Paulo II e dois anos após a beatificação, termina o processo para a santificação de Karol Wojtyla, acelerado pelo reconhecimento de um milagre que ocorreu no mesmo dia da beatificação, 1º de Maio de 2011.

O personagem principal é Floribeth Mora Díaz, da Costa Rica: depois de sofrer um acidente vascular cerebral hemorrágico, os médicos não lhe deram nenhuma esperança de recuperação. A impossibilidade do fechamento de uma artéria localizada em uma região inacessível do seu cérebro a fazia rezar constantemente ao papa polaco. A notícia do milagre causou alvoroço no pequeno país centro-americano, que rapidamente chegou às manchetes internacionais.

Tivemos a alegria de conversar com o pe. Emilio Garreaud, director da Rádio Maria e reitor da Universidade João Paulo II na Costa Rica, que conheceu a Sra. Mora Díaz pessoalmente.

Pe. Emilio, você pode nos contar um pouco do seu encontro com Floribeth Mora?
Pe. Emilio Garreaud: Eu tenho uma relação forte com a pessoa de João Paulo II. É muito importante, para nós, na Costa Rica, este milagre. Floribeth é uma pessoa que vive num povoado chamado Dulce Nombre de Jesús. Nós fizemos uma entrevista com ela, para a Rádio Maria, no consistório de segunda-feira passada, dia 30 de Setembro. Para mim foi uma coisa maravilhosa estar com ela e vê-la feliz, ela e o marido. É muito interessante, porque ela estava doente, no hospital, e os médicos chegaram a dizer que era melhor morrer em casa. Ela foi levada para casa, para o quarto dela, e todos os dias eram terríveis. Naquela época, justamente, foi celebrada a beatificação de João Paulo II. Floribeth tinha dores de cabeça fortíssimas, mas ela fez um esforço enorme e acompanhou a beatificação pela TV junto com a família. Na cama, ela pediu muito a graça de ser curada pela intercessão do papa. À noite ela adormeceu e foi naquele momento que aconteceu o milagre. Acabaram as dores de cabeça. Na manhã seguinte, ela começou a andar e disse para o marido: "Aconteceu alguma coisa". Ela conseguia andar, falar... era um milagre! O processo completo da cura durou oito meses. No hospital, os médicos a submeteram a uma radiografia e constataram que na cabeça dela não havia mais nenhum vestígio da doença. Cientificamente, era impossível. Este é o milagre de João Paulo II.

Como ela está hoje?
Pe. Emilio Garreaud: Ela está bem. Eu estive com ela na semana passada, numa escola onde ela deu o seu testemunho. É uma bela história, porque, depois do milagre, ela foi a uma igreja que tinha uma relíquia de João Paulo II e falou com o padre, contou o que tinha acontecido com ela. A história dela foi relatada num site da paróquia, e, três meses depois, o padre recebeu um telefonema do Vaticano. Aí começou o processo confidencial com um comité de quatro padres, que viajaram até a Costa Rica para entender o que realmente tinha acontecido. Meses depois, foi anunciado ao mundo o milagre.

Para ela, deve ter sido uma experiência muito poderosa, pois fortalece ainda mais a relação que ela já tinha com João Paulo II.
Pe. Emilio Garreaud: Claro. Eu fico extremamente emocionado, primeiro porque trabalho na paróquia vizinha à do milagre. Segundo, porque é na Costa Rica, que é um país tão pequeno, de quatro milhões e meio de habitantes. Uma excelente ocasião para rezar a Deus por intercessão de João Paulo II por este milagre e uma ocasião igualmente importante para a evangelização da Costa Rica.

Mais uma vez a América Latina é protagonista. Depois da eleição do papa argentino e da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, temos o milagre de João Paulo II numa mulher da América Central.
Pe. Emilio Garreaud: A América Latina é metade da Igreja e eu acho que é um sinal muito grande de Deus para nós. Eu acho que é um momento importante de conversão para o nosso continente, o momento de dar testemunho da nossa fé, particularmente da nossa maneira de vivê-la na América Latina. Todas as classificações dizem que a Costa Rica é o país mais feliz do mundo, porque é um país de reconciliação e de paz, que não tem exército. É um país de classe média. Eu acredito que, neste momento, a Costa Rica também seja o único país do mundo que é católico pela constituição, além de ser tremendamente mariano.


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Combinar a fé e a razão, a verdade e a liberdade, numa harmonia constante

Mensagem do papa Francisco para a plenária das conferências episcopais europeias


Roma, 04 de Outubro de 2013


A proximidade e o apreço do papa Francisco pelo trabalho das conferências episcopais da Europa, em especial pela sua contribuição à reflexão sobre a laicidade e pela promoção de uma cultura "que combine em constante harmonia a fé e a razão, a verdade e a liberdade": este é o conteúdo da primeira mensagem que o papa Francisco dirige aos presidentes das conferências episcopais do velho continente.

A mensagem do papa, enviada pelo Secretário de Estado, cardeal Tarcisio Bertone, e endereçada ao cardeal Peter Erdo, arcebispo de Esztergom-Budapeste e presidente do Conselho das Conferências Episcopais Europeias (CCEE), foi lida na abertura da Assembleia Plenária da CCEE, que está reunida neste ano em Bratislava, na Eslováquia, de 3 a 6 de Outubro. A presidência da CCEE já tinha sido recebida em audiência privada pelo papa Francisco no dia 9 de Maio.

A seguir, transcrevemos a mensagem do papa:

Secretaria de Estado
S.E.R. Card. Peter Erdő
Presidente
Conselho das Conferências Episcopais da Europa
Gallusstrasse 24, CH-9000 St. Gallen (Suíça)

Por ocasião da Assembleia Plenária da CCEE, convocada em Bratislava no 1150º aniversário da chegada de São Metódio àquelas terras, Sua Santidade, o papa Francisco, apresenta as suas cordiais saudações a todos os participantes, garantindo a sua proximidade espiritual. O Santo Padre manifesta o seu grato apreço pela contribuição, em termos de reflexão, que as conferências episcopais da Europa oferecem sobre a laicidade e, especialmente, pelo serviço que as igrejas prestam às populações do continente através da promoção de uma cultura que combine em harmonia constante a fé e a razão, a verdade e a liberdade. Enquanto invoca, por intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria e dos Santos Cirilo e Metódio, abundantes graças para os pastores das igrejas na Europa e para o seu ministério, com afecto fraterno envia a desejada bênção apostólica.

Card. Tarcisio Bertone, Secretário de Estado de Sua Santidade 


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"Bernadette foi escolhida por Maria porque era a mais pobre"

Declaração do pe. René Laurentin em Lourdes


Lourdes, 04 de Outubro de 2013


"Bernadette foi escolhida porque vivia na miséria e porque era filha da pobreza": assim começou a declaração do pe. René Laurentin, historiador e teólogo das aparições de Nossa Senhora, na noite desta quarta-feira, 2 de Outubro, na Cité Saint Pierre de Lourdes, em presença de cerca de 400 emocionadas pessoas reunidas no salão.

Laurentin renovou profundamente, através de pesquisas e escritos, a abordagem histórica e teológica da mensagem de Lourdes, uma cidade que, desde a sua fundação, é símbolo da devoção mariana e cujo nome etimologicamente significa "rosa" em árabe. O pe. Laurentin, aos 96 anos, depois de ser um dos peritos no Concílio Vaticano II e membro da Pontifícia Academia Mariana Internacional de Roma, continua compartilhando com intensidade os frutos do seu trabalho, através de conferências internacionais.

“A pobreza de Bernadette é semelhante à de nosso Senhor, que nasceu entre os últimos e encontrou a sua força na miséria”, disse o padre René. “Bernadette não tinha nada, e não ficava com nada para ela”.

Com a ajuda da atriz Jeanne Montaigu, os participantes reviveram as aparições de Maria através dos escritos de Bernardette, nos quais “transparece a sua grande humildade”, observa Laurentin. “Podemos ver como as aparições são enumeradas de maneira simples, com uma extrema simplicidade que desarma os historiadores”.

“É um privilégio, para todos nós, receber o pe. Laurentin”, declarou o director da Cité, Gonzague Amyot d'Inville. “A Cité sempre foi um lugar de partilha e de hospitalidade, porque acolhemos em Lourdes as Bernadettes de hoje”, destacou logo depois Jean-François Courtille, director de comunicação da Cité, completando: “Monsenhor Laurentin, que renovou totalmente a compreensão da mensagem de Lourdes, tinha que vir até a Cité para falar de Bernadette aos seus sucessores”.

Desde 1955, a Cité Saint Pierre, fundada por mons. Rodhain, permite que os mais necessitados cheguem a Lourdes em peregrinação, atendendo-se assim um desejo de Bernadette. Os peregrinos são recebidos em boas condições para "experimentar a Deus presente nas suas vidas e testemunhar o Evangelho", diz um comunicado.

Todos os anos, são recebidos cerca de 20 mil peregrinos de 50 países, 1.200 voluntários de 45 nacionalidades e 50 mil visitantes movidos pelo desejo de descobrir e compartilhar a vida cristã.


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Carmelo de Coimbra publica Biografia da Irmã Lúcia

Um caminho sob o olhar de Maria é o título do novo livro que apresenta a biografia completa da Irmã Lúcia. Com lançamento em Coimbra e em Fátima, a publicação estará nas livrarias a partir do próximo dia 7 de Outubro.


Fátima, 04 de Outubro de 2013


No dia 5 de Outubro em Coimbra, no Memorial da Irmã Lúcia, às 16h será apresentação do livro que apresenta a biografia completa da Ir. Lúcia. A apresentação será feita pelo P. Dr. Luciano Cristino, director do Serviço de Estudos e Difusão do santuário de Fátima, com a presença do Senhor Bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes.

A mesma apresentação será feita em Fátima no dia 12 de Outubro, em conferência de imprensa, na Casa de Retiros de Nossa Senhora do Carmo, no Santuário de Fátima, às 17h, pelo P. Dr. Luciano Cristino.

O livro, da autoria do Carmelo de Coimbra, mostra como se desenrolou a vida daquela que viu, falou e privou, de muito perto, com a Senhora mais brilhante que o sol, e revela vários aspectos e acontecimentos da sua vida, desconhecidos até ao presente, documentados pelos seus escritos pessoais, tendo como base aquilo que ela própria narrou da sua vida.

O livro "Um caminho sob o olhar de Maria" é prefaciado por D. Virgílio Antunes, Bispo de Coimbra, que se refere à Irmã Lúcia como “a criança abençoada e escolhida para difundir no mundo a mensagem de paz e salvação de Deus. Enquanto religiosa carmelita, é conhecida como pessoa privilegiada na dedicação a Deus e no serviço à Sua Igreja, em quem o povo deposita uma enorme confiança, ancorada no fato de ter sido a confidente de Nossa Senhora.

”O livro conta, ainda, com uma fotobiografia que acompanha o desenrolar dos capítulos que narram a sua vida. Será publicado pelas Edições Carmelo, com o apoio especial da Rádio Renascença. Refira-se, que esta obra, que se distingue por ser a primeira biografia completa da Irmã Lúcia, pretende ser uma ajuda à sua causa da beatificação, numa altura em que se conclui a fase Diocesana do Processo, um aprofundamento da mensagem de Fátima, tal como a entendeu e a viveu a Irmã Lúcia, e pretende, ainda, dar a conhecer, ao grande público, quem foi verdadeiramente esta mulher, cuja vida é hoje conhecida e admirada em todo o mundo. “A leitura da biografia, Um caminho sob o olhar de Maria, permite-nos ter uma perspectiva mais abrangente da personalidade da Irmã Lúcia, pois é fruto de um conhecimento relacional, de um convívio quotidiano, de escritos e testemunhos que espelham a profundidade de uma alma.” – Refere D. Virgílio Antunes.


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O caminho de Francisco para Cristo começa do olhar de Jesus na cruz

Palavras do Papa Francisco na homilia da missa celebrada nesta manhã em Assis


Assis, 04 de Outubro de 2013


Uma imensa multidão participou da Missa celebra pelo Papa Francisco, em Assis, junto das basílicas do Santo. Na homilia, o Papa evocou o exemplo concreto de São Francisco, com a sua “maneira radical de imitar a Cristo”.

Apresentamos o texto integral da homilia do Papa publicado pela Rádio Vaticana.

«Bendigo-Te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeninos» (Mt 11, 25).

A todos, paz e bem! Com esta saudação franciscana, agradeço-vos por terdes vindo a esta Praça, cheia de história e fé. Para rezarmos juntos.

Como tantos outros peregrinos, também eu vim hoje, para bendizer o Pai por tudo o que quis revelar a um destes «pequeninos» de que nos fala o Evangelho: Francisco, filho de um comerciante rico de Assis. O encontro com Jesus levou-o a despojar-se de uma vida cómoda e despreocupada, para desposar a «Senhora Pobreza» e viver como verdadeiro filho do Pai que está nos céus. Esta escolha, feita por São Francisco, constituía uma maneira radical de imitar a Cristo, de se revestir d’Aquele que, sendo rico, Se fez pobre para nos enriquecer por meio da sua pobreza (cf. 2 Cor 8, 9). Em toda a vida de Francisco, o amor pelos pobres e a imitação de Cristo pobre são dois elementos indivisivelmente unidos, as duas faces da mesma medalha.

De que nos dá hoje testemunho São Francisco? Que nos diz ele, não com as palavras – isso é fácil –, mas com a vida?

1. A primeira coisa, a realidade fundamental de que nos dá testemunho é esta: ser cristão é uma relação vital com a Pessoa de Jesus, é revestir-se d’Ele, é assimilação a Ele.

De onde começa o caminho de Francisco para Cristo? Começa do olhar de Jesus na cruz. Deixar-se olhar por Ele no momento em que dá a vida por nós e nos atrai para Ele. Francisco fez esta experiência, de um modo particular, na pequena igreja de São Damião, rezando diante do crucifixo, que poderei também eu venerar hoje. Naquele crucifixo, Jesus não se apresenta morto, mas vivo! O sangue escorre das feridas das mãos, dos pés e do peito, mas aquele sangue exprime vida. Jesus não tem os olhos fechados, mas abertos, bem abertos: um olhar que fala ao coração. E o Crucifixo não nos fala de derrota, de fracasso; paradoxalmente fala-nos de uma morte que é vida, que gera vida, porque nos fala de amor, porque é o Amor de Deus encarnado, e o Amor não morre, antes derrota o mal e a morte. Quem se deixa olhar por Jesus crucificado fica recriado, torna-se uma «nova criatura». E daqui tudo começa: é a experiência da Graça que transforma, de sermos amados sem mérito algum, até sendo pecadores. Por isso, Francisco pode dizer como São Paulo: «Quanto a mim, de nada me quero gloriar, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo» (Gal 6, 14).

Voltamo-nos para ti, Francisco, e te pedimos: ensina-nos a permanecer diante do Crucifixo, a deixar-nos olhar por Ele, a deixar-nos perdoar, recriar pelo seu amor.

2. No Evangelho, ouvimos estas palavras: «Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu hei-de aliviar-vos. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 28-29).

Esta é a segunda coisa de que Francisco nos dá testemunho: quem segue a Cristo, recebe a verdadeira paz, a paz que só Ele, e não o mundo, nos pode dar. Na ideia de muitos, São Francisco aparece associado com a paz; e está certo, mas poucos vão em profundidade. Qual é a paz que Francisco acolheu e viveu, e que nos transmite? A paz de Cristo, que passou através do maior amor, o da Cruz. É a paz que Jesus Ressuscitado deu aos discípulos, quando apareceu no meio deles e disse: «A paz esteja convosco!»; e disse-o, mostrando as mãos chagadas e o peito trespassado (cf. Jo 20, 19.20).

A paz franciscana não é um sentimento piegas. Por favor, este São Francisco não existe! E também não é uma espécie de harmonia panteísta com as energias do cosmos... Também isto não é franciscano, mas uma ideia que alguns se formaram. A paz de São Francisco é a de Cristo, e encontra-a quem «toma sobre si» o seu «jugo», isto é, o seu mandamento: Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei (cf. Jo 13, 34; 15, 12). E este jugo não se pode levar com arrogância, presunção, orgulho, mas apenas com mansidão e humildade de coração.

Voltamo-nos para ti, Francisco, e te pedimos: ensina-nos a ser «instrumentos da paz», da paz que tem a sua fonte em Deus, a paz que nos trouxe o Senhor Jesus.

3. «Altíssimo, omnipotente, bom Senhor, (...) louvado sejas (...) com todas as tuas criaturas» (FF, 1820). Assim começa o Cântico de São Francisco. O amor por toda a criação, pela sua harmonia. O Santo de Assis dá testemunho do respeito por tudo o que Deus criou e que o homem é chamado a guardar e proteger, mas sobretudo dá testemunho de respeito e amor por todo o ser humano. Deus criou o mundo, para que seja lugar de crescimento na harmonia e na paz. A harmonia e a paz! Francisco foi homem de harmonia e de paz. Daqui, desta Cidade da Paz, repito com a força e a mansidão do amor: respeitemos a criação, não sejamos instrumentos de destruição! Respeitemos todo o ser humano: cessem os conflitos armados que ensanguentam a terra, calem-se as armas e que, por toda a parte, o ódio dê lugar ao amor, a ofensa ao perdão e a discórdia à união. Ouçamos o grito dos que choram, sofrem e morrem por causa da violência, do terrorismo ou da guerra na Terra Santa, tão amada por São Francisco, na Síria, em todo o Médio Oriente, no mundo.

Voltamo-nos para ti, Francisco, e te pedimos: alcançai-nos de Deus o dom de haver, neste nosso mundo, harmonia e paz!

Não posso, enfim, esquecer que hoje a Itália celebra São Francisco como seu Padroeiro. Disso mesmo é expressão também o gesto tradicional da oferta do azeite para a lâmpada votiva, que este ano compete precisamente à Região da Úmbria. Rezemos pela Nação Italiana, para que cada um trabalhe sempre pelo bem comum, olhando mais para o que une do que para o que divide.

Faço minha a oração de São Francisco por Assis, pela Itália, pelo mundo: «Peço-Vos, pois, ó Senhor Jesus Cristo, pai das misericórdias, que Vos digneis não olhar à nossa ingratidão, mas recordai-Vos da superabundante compaixão que sempre mostrastes [por esta cidade], para que seja sempre o lugar e a morada de quantos verdadeiramente Vos conhecem e glorificam o vosso bendito e gloriosíssimo nome pelos séculos dos séculos. Amen» (Espelho de perfeição, 124: FF, 1824).


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A Igreja deve se despojar de um perigo gravíssimo: o perigo do mundanismo

Assis: Discurso do Papa aos pobres assistidos pela Cáritas


Assis, 04 de Outubro de 2013


Em Visita Pastoral a Assis, nesta Sexta-feira, 4 de Outubro, o Papa Francisco encontrou com pobres assistidos pela Cáritas. Apresentamos, a seguir, as palavras do Pontífice dirigidas aos presentes.

Disse-me meu irmão bispo que é a primeira vez em 800 anos que um Papa entra aqui. Nestes dias, nos jornais, na media, se fazia muita fantasia. “O Papa vai despojar a Igreja, lá”. “De que despojará a Igreja?”. ” Se despojará das vestes dos bispos, cardeais, se despojará de si mesmo.” Esta é uma boa oportunidade para fazer um convite à Igreja a se despojar. Mas a Igreja somos todos nós! Todos! Desde o primeiro baptizado, todos nós somos Igreja e todos nós temos que andar pela estrada de Jesus, que percorreu um caminho de despojamento, Ele mesmo. E se tornou servo, servidor, quis ser humilhado até a cruz . E se queremos ser cristãos , não há um outro caminho. Mas será que não podemos fazer um cristianismo um pouco mais humano – dizem – sem a cruz, sem Jesus, sem despojamento? Desta forma, nos tornamos cristãos de pastelaria, como as belas tortas , como os belos doces! Belíssimo, mas não realmente cristãos! Alguém vai dizer : “Mas de que deve se despojar a Igreja? “. Deve se despojar hoje de um perigo gravíssimo que ameaça a todos na Igreja, todos: o perigo do mundanismo. O cristão não pode conviver com o espírito do mundo. O mundanismo que leva à vaidade, arrogância, ao orgulho. E este é um ídolo, não é Deus, é um ídolo! E a idolatria é o pecado mais forte!

Quando nos meios de comunicação se fala da Igreja, acredita-se que a Igreja seja os padres, freiras, bispos, cardeais e o Papa, mas a Igreja somos todos nós, como eu disse. E todos nós devemos nos despojar deste mundanismo: o espírito contrário ao espírito das Bem-aventuranças, o espírito contrário ao Espírito de Jesus. O mundanismo nos faz mal. É tão triste ver um cristão mundano, seguro – segundo ele – da segurança que dá a fé e da segurança que dá o mundo. Não se pode trabalhar nas duas partes. A Igreja – todos nós – deve se despojar do mundanismo que leva à vaidade, ao orgulho, que é idolatria.

O próprio Jesus nos dizia: “Não se pode servir a dois senhores, ou se serve a Deus ou ao dinheiro” (cf. Mt 6:24) . No dinheiro estava todo este espírito mundano, vaidade, orgulho, este caminho… não podemos… é triste apagar com uma mão aquilo que escrevemos com a outra. O Evangelho é o Evangelho! Deus é um só! E Jesus se tornou um servo para nós e o espírito do mundo não cabe aqui. Hoje eu estou aqui com você. Quantos de vocês foram retirados deste mundo selvagem, que não oferece trabalho, que não ajuda, que não se importa se há crianças morrendo de fome no mundo, se muitas famílias não têm o que comer, não tem a dignidade de trazer o pão para casa, não se importa se tantas pessoas hoje precisam fugir da escravidão, da fome e fugir para buscar a liberdade. Com muita dor, tantas vezes, vemos que elas encontram a morte, como aconteceu ontem em Lampedusa: hoje é um dia de lágrimas! Quantas coisas hoje são provocadas por esse espírito do mundo. É ridículo que um cristão – um verdadeiro cristão – um padre, uma freira, um bispo, um cardeal, um papa, queira ir pela via deste mundanismo, que é uma atitude assassina. Mundanismo espiritual mata! Ele mata a alma! Mata a pessoa! Mata a Igreja!

Quando Francisco, aqui, fez aquele gesto de se despir, era um jovem menino, não tinha forças para isso. Foi o poder de Deus que o levou a fazer isso, o poder de Deus que quis nos lembrar do que Jesus disse sobre o espírito do mundo, aquilo que Jesus orou ao Pai, para que o Pai nos salvasse do espírito do mundo.
Hoje, aqui, peçamos essa graça a todos os cristãos. Que o Senhor conceda a nós a coragem de se despojar, mas não de 20 liras, mas do espírito do mundo, que é a lepra, o câncer da sociedade! É o câncer da revelação de Deus! O espírito do mundo é o inimigo de Jesus! Peço ao Senhor que a todos nós, nos dê a graça do despojamento. Obrigado!

Após a reunião, o Papa pronunciou as seguintes palavras:

Muito obrigado pelo acolhimento. Orem por mim, que eu preciso! Todos! Obrigado!

O discurso acima foi feito espontaneamente pelo Papa Francisco. Abaixo, segue o discurso que estava previamente preparado:

Queridos irmãos e irmãs,

Obrigado pela acolhida! Este lugar é um lugar especial e por isso eu quis fazer uma parada aqui, ainda que o dia fosse muito cheio. Aqui Francisco se despojou de tudo na frente de seu pai, o bispo, e o povo de Assis. Foi um gesto profético e também um acto de oração, um ato de amor e confiança no Pai, que está nos céus.

Com esse gesto Francisco fez sua escolha: a escolha de ser pobre. Não é uma escolha sociológica, ideológica, é a escolha de ser como Jesus, imitá-lo, segui-lo até o fim. Jesus é Deus, que se despoja de sua glória. Lemos em São Paulo: Cristo Jesus, que era Deus, despojou-se de si mesmo, esvaziou-se e se tornou como nós e esse “rebaixar” chegou até a morte de cruz (cf. Fl 2,6-8 ). Jesus é Deus, mas Ele nasceu nu, foi colocado em uma manjedoura e morreu nu e crucificado.

Francisco se despojou de tudo em sua vida mundana, de si mesmo, para seguir o seu Senhor, Jesus, para ser como Ele. O Bispo Guido, vendo seu gesto, imediatamente se levantou, abraçou Francisco e o cobriu com seu manto, e foi sua ajuda e auxílio (cf. Vita prima, FF, 344).

O despojamento de São Francisco nos diz exactamente o que o Evangelho nos ensina: seguir Jesus significa colocá-lo em primeiro lugar, se despojar das muitas coisas que temos e que sufocam o nosso coração, renunciar a nós mesmos, tomar a cruz e carregá-la com Jesus. Despir do nosso orgulho e refutar o desejo de ter, do dinheiro, que é um ídolo que aprisiona.

Todos nós somos chamados a ser pobres, despojarmos de nós mesmos, e para isso devemos aprender a estar com os pobres, compartilhar com aqueles que não tem o necessário, tocar a carne de Cristo! O cristão não é aquele que enche a boca com os pobres, não! É aquele que o encontra, que o olha nos olhos, que o toca. Estou aqui não para “fazer notícia”, mas para indicar que este é o caminho cristão, o caminho que percorreu São Francisco. São Boaventura , falando do despojamento de São Francisco, escreve: “Assim, pois, o servo do sumo Rei ficou nu, para que seguisse o Senhor nu e crucificado, objecto do seu amor.” E acrescenta que, assim, Francisco se salvou do “naufrágio do mundo” (FF 1043 ).

Mas gostaria, como pastor, de me perguntar: de que deve despir-se a Igreja?

Despir-se de todo mundanismo espiritual, que é uma tentação para todos; livrar-se de toda acção que não seja para Deus, de Deus, o medo de abrir a porta e ir ao encontro de todos, especialmente dos mais pobres, dos necessitados, distantes, sem esperar, certamente, se perderem no naufrágio do mundo, mas levar com coragem a luz de Cristo, a luz do Evangelho, mesmo no escuro, onde não se vê e isso pode levar ao tropeço, despojar da aparente tranquilidade que dão as estruturas, certamente necessárias e importantes, mas que não devem nunca ofuscar a única força real que carrega em si: a de Deus, Ele é a nossa força! Despir-se daquilo que não é essencial, porque a referência é Cristo, a Igreja é de Cristo! Muitos passos, especialmente nessa década, têm sido dados. Continuamos nesta estrada que é a de Cristo, a dos Santos.

Para todos, mesmo para a nossa sociedade que dá sinais de cansaço, se queremos nos salvar do naufrágio, é necessário seguir o caminho da pobreza, que não é a miséria – esta deve-se combater – mas é saber partilhar, ser mais solidário com os necessitados, confiar mais em Deus e menos na nossa força humana. Monsenhor Sorrentino lembrou o trabalho de solidariedade do Bispo Nicolini, que ajudou centenas de judeus, escondendo-os em conventos, e o centro de selecção secreta era aqui, no bispado. Também isso é se despojar, algo que começa sempre do amor, da misericórdia de Deus!

Neste lugar que nos questiona, quero rezar para que todos os cristãos, a Igreja, cada homem e mulher de boa vontade, saibam se despojar do que não é essencial para ir ao encontro daquele que é pobre e pede para ser amado. Obrigado a todos!


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Assis em ebulição: Francisco visita Francisco

O Custódio do Sacro Convento, pe. Mauro Gambetti, fala da fervorosa espera pela visita do papa aos lugares que marcaram a trajectória humana e espiritual do Poverello


Assis, 04 de Outubro de 2013


A um dia da visita histórica do Santo Padre, a atmosfera na cidade de Assis estava eléctrica. O desejo de ver o papa nos lugares que marcaram a história e a caminhada de fé do seu santo padroeiro é fervoroso, tanto nos mais de 100.000 peregrinos esperados quanto nos mais de 1.000 jornalistas credenciados. ZENIT conversou com o Custódio do Sacro Convento de Assis, pe. Mauro Gambetti.

ZENIT: Pe. Mauro, pela primeira vez, um papa que escolheu o nome de Francisco visita o local de nascimento de São Francisco de Assis!
Pe. Gambetti: É um encontro histórico, porque o Santo Padre Francisco começou a trilhar imediatamente os passos de São Francisco de Assis, assumindo alguns dos valores que caracterizaram a vida do santo: "Homem de pobreza, homem de paz. O homem que ama e protege a criação". Agora o papa está agitando a Igreja, como fez, de outro modo, o filho de Pietro di Bernardone.

ZENIT: Não por acaso, na recente entrevista com o fundador do jornal La Repubblica, Eugenio Scalfari, o Santo Padre declarou que o seu ideal de Igreja é precisamente o de Francisco de Assis: uma Igreja "pobre e missionária". Um ideal, segundo ele, hoje "mais do que válido". Qual é o efeito dessas palavras na comunidade franciscana? 
Pe. Gambetti: Um efeito naturalmente positivo.Estamos entusiasmados porque é como se víssemos o carisma de Francisco ampliado e destacado. Ampliado pelo eco da figura do papa e destacado justamente porque assim todos podem observá-lo cuidadosamente e vivê-lo na prática, nas opções concretas de cada dia.

ZENIT: A visita será uma visita pastoral, embora marcada por muitos momentos em que o papa ficará a sós na intimidade espiritual com o seu patrono, não é?
Pe. Gambetti: Sim, vai ser um dia intenso para todos, especialmente para o papa, que quer estar em todos os principais locais do franciscanismo. Além da Basílica e do túmulo de São Francisco, o papa visitará o Salão da Espoliação, o local em que Francisco renunciou aos bens materiais; a Catedral de São Rufino, que é a igreja-mãe de São Francisco; a Ermida dos Cárceres, que, segundo a tradição, é um lugar privilegiado de contemplação; o Santuário de Rivotorto; a Basílica de Santa Clara e a de Santa Maria degli Angeli, que preserva no seu interior a Porciúncula, a igrejinha que São Francisco restaurou com os companheiros e que é o local da sua morte.

ZENIT: Vamos falar da pobreza, um tema em que o papa Bergoglio insiste muitas vezes. Amanhã, aliás, ele vai visitar e almoçar com os pobres da Caritas diocesana, correto?
Pe. Gambetti: É verdade. O papa quis adicionar às etapas da visita, que já são numerosas, mais dois eventos de grande significado: o Instituto Seráfico, dedicado ao tratamento e à reabilitação das pessoas com deficiências, e o Centro Caritas diocesano. São etapas que atestam a atenção do papa pelos "últimos", que já foi demonstrada em outras ocasiões.

ZENIT: Você teve o privilégio de se encontrar com o Santo Padre no dia 2 de maio. Qual foi a sua impressão do bispo de Roma?
Pe. Gambetti: Uma pessoa amável, sempre pronta para acolher e para se abrir a novas ideias. Naquela ocasião, ele aceitou a proposta de usar um tablet para fazer uma visita virtual ao túmulo de São Francisco, por meio de uma câmara fixa colocada na cripta, e enviou uma das primeiras orações: "Francisco de Assis, intercede pela paz dos nossos corações". 


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Estas chagas precisam ser ouvidas!

Discurso do Papa Francisco pronunciado no encontro com crianças portadoras de deficiência e doentes do Instituto Seráfico de Assis


Assis, 04 de Outubro de 2013


Apresentamos, a seguir,  o discurso do Papa Francisco pronunciado no encontro com as crianças portadoras de deficiência e doentes do Instituto Seráfico de Assis.

Nós estamos entre as chagas de Jesus, disse a senhora. Disse também que estas chagas precisam ser ouvidas, ser reconhecidas. E me vem em mente quando o Senhor caminhava com aqueles dois discípulos tristes. O Senhor Jesus, no fim, fez ver as suas chagas e eles O reconheceram. Depois o pão, onde Ele estava ali. O meu irmão Domenico me dizia que aqui se faz a Adoração. Também aquele pão tem necessidade de ser ouvido, porque Jesus está presente e escondido dentro da simplicidade e da suavidade de um pão. E aqui Jesus está escondido estes rapazes, nestas crianças, nestas pessoas. No altar adoramos a Carne de Jesus; neles encontramos as chagas de Jesus. Jesus escondido na Eucaristia e Jesus escondido nestas chagas. Precisam ser escutados! Talvez não tanto nos jornais, como notícias; isso é uma escuta que dura um, dois, três dias, depois vem um outro, um outro… Devem ser ouvidos por aqueles que se dizem cristãos. O cristão adora Jesus, o cristão procura Jesus, o cristão sabe reconhecer as chagas de Jesus. E hoje, todos nós, aqui, temos a necessidade de dizer: “estas chagas precisam ser ouvidas!”. Mas há uma outra coisa que nos dá esperança. Jesus está presente na Eucaristia, aqui é a Carne de Jesus; Jesus está presente entre vocês, é a Carne de Jesus: são as chagas de Jesus nestas pessoas.

Mas é interessante: Jesus, quando ressuscitou estava belíssimo. Não tinha em seu corpo as contusões, as feridas…nada! Era mais belo! Somente quis conservar as chagas e as levou ao Céu. As chagas de Jesus estão aqui e estão no Céu diante do Pai. Nós cuidamos das chagas de Jesus aqui e Ele, do Céu, nos mostra as suas chagas e diz a todos nós: ‘estou te esperando’. Assim seja.

O Senhor abençoe todos vocês. Que o seu amor desça sobre nós, caminhe connosco; que Jesus nos diga que estas chagas são Dele e nos ajude a dar voz a elas, para que nós cristãos as escutemos.


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A chegada de Francisco a Assis agita os ânimos desde as primeiras horas da manhã

Durante o encontro com as crianças deficientes no Instituto Seráfico, o Papa deixa de lado seu discurso preparado e fala espontaneamente. Pela manhã, cerca de 150.000 peregrinos já enchiam as ruas da cidade.


Assis, 04 de Outubro de 2013


Assis despertou por volta das 07h15 (hora local) com o som do helicóptero que transportava o Papa Francisco. Mas, a cidade estava animada desde a primeira luz do amanhecer. A região da Úmbria que foi o berço do santo padroeiro da Itália, de quem hoje a Igreja celebra a memória, estava literalmente povoada pelos peregrinos: jornalistas, voluntários, freiras, religiosos, famílias.

Cerca de 150 mil pessoas já estavam reunidas para participar desta visita histórica do Papa ao seu homónimo, 50.000 a mais do que o esperado no dia anterior, estavam espalhadas entre o sagrado da Basílica de Santa Maria degli Angeli, onde o Papa se reuniu com os jovens no período da tarde, e a praça em frente a Basílica Inferior de São Francisco, onde o Papa celebrou a Santa Missa às 11 horas.

Enquanto Monsenhor Marini dava as últimas orientações para a preparação do palco, onde estava uma cópia gigante do Crucifixo de São Damião, mais alto, diante da Basílica superior, uma multidão de guarda-chuvas coloridos se posicionavam em frente ao telão que transmitia as imagens mais significativas dos 7 meses do pontificado de Bergoglio: desde a sua eleição em 13 de Março até a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro.

O dia estava nublado e chuviscava, mas isso não afectou de forma alguma os grupos de peregrinos posicionados em pontos estratégicos por onde passaria o Papa Francisco. Assis é pequena, as ruas são estreitas, as praças comportam no máximo de 8.000 pessoas. Então, todo mundo se alegrava apenas em pensar que conseguiria tocar e apertar a mão do pontífice. Ou, pelo menos, vê-lo de perto e respirar este carisma explosivo que está abalando a Igreja e o mundo.

A descrição foi confirmada a ZENIT, no domingo, por uma senhora idosa da província de Lecce que, juntamente ao seu grupo, viajou das 20hrs de ontem para chegar esta manhã às 6:30, e garantir a primeira fila por trás dos muitos obstáculos colocados em todos os cantos da cidade (cerca de 10 km no total). Um belo “sacrifício", especialmente para uma senhora de certa idade, mas "vale a pena" - disse Mimina - porque "o desejo de ver o Papa é muito forte”. “Desde que foi eleito - acrescenta – tenho em meu coração o desejo de conhecê-lo e agradecê-lo, porque este Papa inspira confiança, amor, este Papa é tudo”.

Da mesma opinião, um grupo de mulheres que vieram sozinhas de Nápoles, e estava no mesmo lugar desde as 4 da manhã, garantindo o espaço. “Este Papa é um “grande” e estamos esperando para vê-lo e ouvir ao vivo o que ele vai dizer”.

De acordo com um dos agentes de segurança, muitas pessoas estavam ali por devoção a São Francisco: seja o Santo ou o Papa, mas muitos – observa-se um leve traço de humor – estão aqui "por folclore", atraídos pelo status do evento.
Pode ser verdade, mas é difícil acreditar que tantas pessoas, provenientes da Itália e do exterior, estivessem ali apenas para ser capaz de dizer "eu estava lá". De qualquer forma, isso também é útil: atraídos por um gesto do Santo Padre ou pela curiosidade de ver ao vivo, e então encontrar-se no abraço da Igreja, ouvindo as palavras deste Pontífice que, no entanto, nunca deixa ninguém indiferente.

Como aconteceu no Instituto Seráfico, onde Francisco, acompanhado por "meu irmão Domenico”, Bispo Sorrentino, encontrou as crianças que sofrem de deficiências graves, cuidados pela instituição fundada em 1871 pelo Beato Ludovico de Casoria. Impressionado com as palavras de apresentação da Presidente Francesca Di Maolo, o Papa inesperadamente deixou de lado o discurso planeado e exortou a escutar as chagas do mundo: “todos nós, aqui, temos a necessidade de dizer: “estas chagas precisam ser ouvidas!”. Mas há uma outra coisa que nos dá esperança. Jesus está presente na Eucaristia, aqui é a Carne de Jesus; Jesus está presente entre vocês, é a Carne de Jesus: são as chagas de Jesus nestas pessoas”.

O apelo: “Precisam ser escutados!” Talvez não tanto nos jornais, como notícias – destacou o Papa - isso é uma escuta que dura um, dois, três dias, depois vem um outro, um outro… Devem ser ouvidos por aqueles que se dizem cristãos”.

A mensagem forte que todos esperavam do Santo Padre nesta memorável visita a Assis, portanto, já havia chegado, pronunciada em voz baixa, e comovida, no que parecia ser apenas o primeiro encontro da manhã. Logo depois, o Papa dirigiu-se para a Sala de Vestimenta do Bispado de Assis para ouvir os pobres da Caritas diocesana.  

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A igreja cresce não para fazer proselitismo. A igreja cresce por atração

Assis: Discurso do Papa no encontro com o clero, pessoas de vida consagrada e membros dos conselhos pastorais da diocese


Assis, 04 de Outubro de 2013


Durante sua Visita Pastoral a Assis, o Papa encontrou-se com o clero, pessoas de vida consagrada e membros dos conselhos pastorais da diocese, na Catedral de São Rufino. Apresentamos o discurso do Pontífice dirigido aos presentes. 

Queridos irmãos e irmãs da Comunidade Diocesana, boa tarde

Agradeço-vos pelo acolhimento, sacerdotes, religiosos e religiosas, leigos empenhados nos conselhos pastorais! Quão necessários são os conselhos pastorais, um bispo não pode guiar a igreja sem o conselho pastoral, um padre não pode… isso é fundamental. Estamos na Catedral! Aqui se conserva a fonte baptismal onde São Francisco e Santa Clara foram baptizados, que naquele tempo se encontrava na Igreja de Santa Maria. A memória do Baptismo é importante! O Baptismo é o nosso nascimento como filhos da Mãe Igreja. Eu gostaria de fazer uma pergunta: quem de vocês sabe o dia de seu Baptismo? Poucos hein! Agora o dever de casa: mamãe e pai, quando fui baptizado? Um só Espírito, um só Baptismo, na variedade dos carismas e dos ministérios. Que grande dom ser Igreja, fazer parte do Povo de Deus! Na harmonia, na comunhão das diversidades, que é obra do Espírito Santo, porque o Espírito Santo “ipse harmonia est”!

O Bispo é protector desta harmonia. O Bispo é protector desta harmonia. Por isto o Papa Bento quis que a actividade pastoral nas Basílicas papais franciscanas fossem integrada naquela diocesana. Porque ele deve fazer a harmonia, é seu dever e vocação e ele tem um dom especial para fazê-lo. Estou contente que estejam caminhando bem neste caminho, em benefício de todos, colaborando juntos com serenidade e vos encorajo a continuar. A visita pastoral que se concluiu daqui a pouco e o Sínodo diocesano que vocês estão para celebrar são momentos fortes de crescimento para esta Igreja, que Deus abençoou de modo particular. A igreja cresce não para fazer proselitismo. A igreja cresce por atracção. A atracção que cada um de nós dá ao povo de Deus.

Agora, brevemente, gostaria de destacar alguns aspectos da vossa vida de comunidade. Não quero dizer coisas novas para vocês, mas confirmar vocês naquelas mais importantes, que caracterizam o vosso caminho diocesano.

1. A primeira coisa é escutar a Palavra de Deus. A Igreja é isto: a comunidade, disse o bispo, que escuta com fé e com amor o Senhor que fala. O plano pastoral que vocês estão vivendo insiste propriamente nesta dimensão fundamental. É a Palavra de Deus que suscita a fé, que a alimenta, que a regenera. É a Palavra que toca os corações, que os converte a Deus e à sua lógica que é assim diferente da nossa; é a Palavra que renova continuamente as nossas comunidades…

Penso que todos podemos melhorar um pouco neste aspecto: transformar todos mais ouvintes da Palavra de Deus, para ser menos ricos de nossas palavras e mais ricos das suas Palavras. Penso no sacerdote, que tem a tarefa de pregar. Como pode pregar se primeiro não abriu o seu coração, se não escutou, no silêncio, com o coração? Fará uma homilia longa, a qual não se entende nada! Isso é pra vocês, hein! Penso nos pais e mães, que são os primeiros educadores: como podem educar se a sua consciência não estiver iluminada pela Palavra de Deus, se o seu modo de pensar e de agir não for guiado pela palavra, um  exemplo a dar para os filhos? Isso é importante, porque papai e mamãe lamentam, mas se não fizeram o seu dever… E penso nos catequistas, em todos os educadores: se o seu coração não estiver aquecido pela Palavra, como podem aquecer os corações dos outros, das crianças, dos jovens, dos adultos? Não basta ler as Sagradas Escrituras, é necessário escutar Jesus que fala nelas, é Jesus que fala na Escritura, é necessário ser antenas que recebem, sintonizadas na Palavra de Deus, para ser antenas que transmitem! Recebe-se e se transmite. É o Espírito de Deus que torna vivas as Sagradas Escrituras, que as faz compreender em profundidade, em seu sentido verdadeiro e pleno! Perguntemo-nos, uma pergunta para o Sínodo: que lugar tem a Palavra de Deus na minha vida, na vida de cada dia? Estou sintonizado com Deus ou com tantas palavras da moda ou comigo mesmo? Uma pergunta para cada um fazer.

2. O segundo aspecto é aquele do caminhar. É uma das palavras que prefiro quando penso no cristão e na Igreja. Mas para vocês há um sentido particular: vocês estão entrando no Sínodo diocesano, e fazer “sínodo” quer dizer caminhar junto. Penso que esta seja verdadeiramente a experiência mais bela que vivemos: fazer parte de um povo em caminho na história, junto com o seu Senhor, que caminha em meio a nós! Não somos isolados, não caminhamos sozinhos, mas somos parte do único rebanho de Cristo, que caminha junto.

Aqui penso ainda em vocês padres, e deixem-me que eu me coloque também junto com vocês. O que há de mais belo, para nós, se não caminhar com o nosso povo? É belo. Eu penso nestes padres que conhecem o nome das pessoas de sua paróquia, que vão encontrá-las. Como um que me dizia “eu conheço o cão de cada família”, que bonito, hein!  Eu o repito: caminhar com o nosso povo, às vezes adiante, às vezes em meio e às vezes atrás: adiante, para guiar a comunidade; em meio, para encorajá-la e apoiá-la; atrás, para tê-la unida para que ninguém fique atrás e também para que o povo tenha sucesso em encontrar novas vias pelo caminho, tenha o “sensus fidei”. O que há de mais belo? No Sínodo devemos saber também o que o Espírito diz aos leigos, ao povo, a todos.

Mas a coisa mais importante é caminhar junto, colaborando, ajudando-se; pedir desculpas, reconhecer os próprios erros e pedir perdão, mas também aceitar as desculpas dos outros, perdoando-os – quão importante é isto! Às vezes penso nos matrimónios, que depois de tantos anos terminam. A gente não se entende, nos distanciamos, talvez não souberam pedir desculpas a tempo, não souberam perdoar a tempo. Eu sempre, aos recém-casados, dou esse conselho: briguem quanto quiserem, se for necessário joguem os pratos, mas nunca terminem o dia sem fazer as pazes. Nunca! Se no matrimónio se aprende a dizer “desculpe, eu estava cansado”…. e retomar a vida no outro dia, esse é o segredo…Caminhar unidos, sem saltar para a frente, sem nostalgia do passado. E enquanto se caminha, se fala, nós nos conhecemos, contamos uns com os outros, se cresce no ser família. Aqui perguntamo-nos: como caminhamos? Como caminha a nossa realidade diocesana? Caminha junto? E o que faço eu para que essa caminhe verdadeiramente junto? Eu não gostaria de entrar aqui sobre os mexericos, mas vocês sabem que eles sempre dividem.

3. Então, escutar, caminhar e o terceiro aspecto é aquele missionário: anunciar até as periferias. Também isto tomei de vocês, dos vossos projectos pastorais. O bispo falou recentemente. Mas quero destacá-lo, também porque é um elemento que vivi muito tempo quando estava em Buenos Aires: a importância de sair para ir ao encontro do outro, nas periferias, que são lugares, mas, sobretudos, pessoas, situações de vida. Especialmente no caso da diocese que eu tinha antes de Buenos Aires, uma periferia que me fazia mal era encontrar em famílias de classe média crianças que não sabiam fazer sinal da cruz! Pergunto se nessa diocese tem alguma criança…essas são verdadeiras periferias, onde Deus não está.

Quais são as vossas periferias? Procuremos pensar. Perguntemo-nos quais são as periferias desta Diocese. Certamente, em um primeiro sentido, são as zonas da Diocese que são susceptíveis de estar no limite, fora dos feixes de luz dos holofotes. Mas são também pessoas, realidades humanas de fato marginalizadas, desprezadas. São pessoas que talvez se encontram fisicamente próximas ao “centro”, mas espiritualmente estão distantes.

Não tenham medo de sair e ir ao encontro destas pessoas, destas situações. Não se deixem bloquear pelos preconceitos, hábitos, rigidez mental ou pastoral, do famoso “se faz sempre assim!”. Mas se pode ir às periferias somente se se leva a Palavra de Deus no coração e se caminha com a Igreja, como São Francisco. Caso contrário, levamos a nós mesmos, e não a Palavra de Deus e isto não é bom, não serve para ninguém! Não somos nós que salvamos o mundo: é o Senhor que o salva!

Então, queridos amigos, eu não dei a vocês receitas novas. Não o fiz e não acreditem em quem diz que eu o fiz. Não existem. Mas encontrei no caminho da vossa Igreja aspectos belos e importantes que vão fazê-los crescer e quero confirmar vocês nestes. Escutar a Palavra, caminhar junto em fraternidade, anunciar o Evangelho nas periferias! O Senhor vos abençoe, Nossa Senhora vos proteja e São Francisco vos ajude todos a viver a alegria de ser discípulos do Senhor!


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