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terça-feira, 29 de março de 2022

As dolorosas histórias dos sobreviventes…

Olá Bom Dia

A palavra dor caminha com a humanidade. No leste europeu, a guerra entre dois países irmãos continua. Cada imagem mostra o lado mais negro e as cinzas que a história contém. Lamentável…

Mas o mundo também tem outras histórias… O Papa Francisco recebeu, esta segunda feira, no Vaticano, os primeiros dois grupos de representantes dos povos indígenas canadianos, uma dezena de delegados dos Métis e dos Inuit, respetivamente, acompanhados por bispos católicos.

“Cada encontro durou cerca de uma hora e foi caraterizado pelo desejo do Papa de ouvir e dar espaço às dolorosas histórias trazidas pelos sobreviventes”. As reuniões e a escuta vão continuar nos próximos dias. O programa prevê reuniões pessoais do Papa com cada um dos três grupos de delegados – Primeiras Nações, Métis e Inuit – e uma audiência final, além de visitas a instituições da Santa Sé.

A Congregação para o Culto Divino enviou uma nota aos bispos e às Conferências Episcopais de todo o mundo sobre as celebrações da Semana Santa, que começa a 10 de abril, com a celebração dos Ramos, confiando à cada Igreja local as indicações a dar, perante a evolução da pandemia.

“Tendo em vista o abrandamento da pandemia, mesmo com ritmos diferentes em cada país, não pretendemos oferecer novas disposições para as celebrações da Semana Santa: a experiência que as Conferências Episcopais adquiriram nos últimos anos permite, certamente, enfrentar as várias situações da forma mais adequada, vigiando sempre para que sejam observadas as normas rituais contidas nos livros litúrgicos”, pode ler-se na nota, divulgada pelo Vaticano.

O texto recorda a “difícil situação da pandemia” que marcou as celebrações pascais dos últimos dois anos, convidando bispos e conferências episcopais a manter “a prudência, evitando gestos e comportamentos que possam envolver riscos”.

Propostas para hoje… No entanto não esqueça de ver o programa ECCLESIA na RTP2, pelas 15h00 e também sabe que pode acompanhar toda a atualidade religiosa, em Portugal e no mundo, no site www.agencia.ecclesia.pt/portal/

Cumprimentos

Luis Filipe Santos

 


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segunda-feira, 28 de março de 2022

Inquietares-te? Nunca

O despertador toca. É dia 21 de Fevereiro e são 6:30h da manhã. Sinto uma pontada de desapontamento. Segunda-feira: mais um dia de estágio, mais um deadline de um trabalho que termina hoje. Tento corrigir esta linha de pensamento: segunda-feira! Uma nova semana! Mais um dia nesta Terra! Uma nova oportunidade de ajudar os meus doentes! Mais um trabalho para entregar, mais conhecimento que ganho! Sendo totalmente honesta, não funciona muito bem. Penso que com uma chávena de café talvez a coisa vá ao sítio. A casa está escura, a cozinha vazia. Está toda a gente a dormir, é segunda-feira e eu odeio comer sozinha. O café anima-me um pouco… até ao momento em que me lembro, não preparei o almoço! E o stress começa, porque tenho que sair em 20 minutos, se não perco o Metro, e depois perco o comboio e depois chego atrasada e, ai de mim, que o dia inteiro já foi por água abaixo. Ainda bem que sobrou arroz, ainda bem que há ovos em casa. Vinte minutos depois, fecho a porta de casa atrás de mim. Na rua, está frio. Porque é que só tenho camisas de manga curta? Um casaco por cima não é definitivamente suficiente. A caminho do metro, consigo ver o nascer do sol, uma das minhas coisas preferidas nesta vida. Mas não posso parar, se não atraso-me… o sol fica atrás de mim e o caminho à minha frente ainda está escuro. Que dia! No Metro, de repente, fica um calor que não se suporta. Porque é que trouxe este casaco? Olho à minha volta. Toda a gente no telemóvel. Caras de sono, caras inexpressivas, caras maldispostas… Honestamente, acho que as pessoas podiam sorrir um pouco mais! Ainda que seja segunda- feira e 7:10h da manhã. Ah, afinal há ali uma cara bem disposta. E agora sou eu que estou chateada… se aquela pessoa tivesse à frente o dia que eu tenho, já não sorriria assim. Agora, esperar 10 minutos pelo comboio. É uma boa oportunidade para estudar… mas não me apetece. Mas vá, tem que ser. O comboio vai cheio, como sempre. Não fazia ideia de que tanta gente ia para Sintra, às 7:30h da manhã. Não há lugares, como sempre. Só mais caras mal dispostas e ninguém da minha idade. Identifiquei uma contrariedade? Ofereço-a por quem precisa. Depois, passo os cinco minutos seguintes a queixar-me a Jesus: se não tiver cuidado tornar-se-á uma nova rotina. Saio do comboio e tenho que subir uma rua enorme para chegar ao Centro de Saúde (é realmente uma rua grande). E eu que odeio exercício físico! Não basta acordar cedo e correr para não chegar atrasada, tenho que escalar 800 metros de tijolos mal calcados! É segunda-feira, 7:50h e isto começa a parecer um complô contra mim. Chego ao Centro de Saúde e o carro do meu orientador já lá está. Ai Jesus, ai Nossa Senhora, é desta que ele me dá menos um ponto na avaliação. Começo a receber os doentes. Hoje estão mais agressivos que o habitual, ou é impressão minha? Os meus irmãos dizem que sou dramática, por isso, talvez seja de mim. Mas, bem, alguém tem que ser! Já passaram sete horas. Já não consigo ver doentes à frente. Posso ir para casa? Posso. Dramática, digo à minha colega que nunca me tinha sentido tão feliz na vida. E, ao chegar a casa, depois de comboio, metro e subida (outra?) a felicidade já se foi, porque tenho que terminar o tal trabalho. Lá se vai o episódio do “The Crown” que tinha antecipado. Num instante, são 18h da tarde. Tenho os olhos em bico de tanto olhar para o computador, mas lá terminei os meus diagnósticos. Releio o trabalho e penso que não aprendi nada, para além de que ressinto profundamente a senhora que inventou a NANDA, NIC e NOC. São 18:15h. São horas de ir à Missa e “Jesus, desculpa, não me apetece nada”. Mas Jesus leva a melhor, e lá corro até à Igreja. Tenho a impressão que corro para todo o lado hoje em dia.  Horas depois, já é de noite outra vez. Sento-me na cama. Mais um dia… acabou por nem ser assim tão mau. Jesus olha-me cepticamente lá de cima. Penso novamente. Na verdade, até foi bom! Calma, pára tudo! Mentira, afinal foi mesmo péssimo, porque acabei de me lembrar que tinha-me proposto escrever um artigo, e não o escrevi. Bem, a esta hora já não faço nada, não há maneira. Abro o Caminho. “Inquietares-te? Nunca… Porque é perder a paz.” (Ponto 705). Hoje inquietei-me? Jesus olha-me lá de cima. Pois… Amanhã farei melhor, Jesus. Amanhã serei melhor. Porque “Eu estarei convosco, até ao fim dos tempos”.  E, com esta certeza, que importa um 16 de nota final de estágio? Bem…Talvez deixe esta pergunta em aberto. Olho para Jesus lá em cima. Bem, afinal talvez responda à pergunta. A resposta é “nada”. Não importa nada.


Rosário Martins
estudante de Enfermagem




Papa doa ambulância à Ucrânia

Cardel Krajewski levará o veículo

 | 27 Mar 2022


O Papa Francisco vai doar uma ambulância à Ucrânia, que será entregue pelo seu esmoler pontifício, o cardeal Konrad Krajewski, nesta segunda viagem que o prelado irá fazer ao país.

Poucos dias depois de presidir em Fátima ao Ato de Consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria, o cadeal polaco prepara-se para partir de novo em missão para a Ucrânia. Desta vez, acompanhado de uma viatura de emergência médica que irá servir em Lviv no trabalho de apoio aos refugiados que chegam à cidade, “doada e abençoada pelo Papa Francisco”, refere uma nota do responsável da Sala de Imprensa do Vaticano, Mateo Bruni.

O cardeal Konrad Krajewski parte “reforçado” com a benção da Senhora de Fátima. “Diante da Virgem de Fátima, pedi proteção para a Ucrânia, provada pela guerra, mas também para a missão que me preparo para cumprir, a pedido do Papa, voltando ao país. Irei com o coração cheio de esperança”, referiu ao Vatican News, “depois de ter rezado com cerca de 15 mil fiéis no santuário mariano, em ligação direta com o Papa na Basílica de S. Pedro”.

O prelado mostrou-se impressionado pelo ambiente que encontrou no santuário. “Todas as pessoas rezaram comigo a oração do Papa”, enfatizou o esmoleiro do Papa. “Todos tinham o texto nas mãos”. De Fátima surgiu “um grito de paz”, explicou o purpurado, “para pedir o milagre do fim da guerra na Ucrânia”. “Com a fé se pára a guerra, e com toda a minha fé vou à Ucrânia para ver as consequências concretas do Ato de Entrega a Maria”, concluiu o cardeal Krajewski.




Da Praça deserta às ruínas da guerra

Bom dia e boa semana para si, neste recomeço com novo horário e esperança de mudança, para a humanidade. Do Vaticano chegou uma nova condenação do Papa à guerra, que ameaça a humanidade com a sua autodestruição, e vale a pena ouvir esta mensagem do ângelus: "Há necessidade de repudiar a guerra, lugar de morte, onde pais e mães sepultam os filhos, onde homens matam os seus irmãos, sem os ter sequer visto, onde os poderosos decidem e os pobres morrem”.

A 27 de março de 2020, em pleno confinamento, vivemos um dia particularmente emocionante, com o Papa a caminhar sozinho, pela Praça de São Pedro. Dois anos depois, 30 mil pessoas estavam com ele, para rezar, desta vez pela paz: "Há dois anos, precisamente desta praça, fizemos uma oração pelo fim da pandemia. Hoje, fizemo-la pelo fim da guerra na Ucrânia".

Em Vila Viçosa, o Papa associou-se ao dia de festa na conclusão do Ano Jubilar que assinalou os 375 anos da proclamação de Nossa Senhora da Conceição como padroeira de Portugal, pedindo que os católicos preservem a sua histórica ligação à figura de Maria.

“Porventura, não nasceu Portugal em territórios que então davam já pelo nome de Terra de Santa Maria? Pois bem, os filhos da Terra de Santa Maria hão de mostrar que nunca a esquecem”, referiu Francisco, numa mensagem lida no Santuário da Arquidiocese de Évora pelo núncio apostólico, D. Ivo Scapolo.

O programa ECCLESIA regressa hoje à RTP2, pelas 15h00: entrevistamos o padre Hugo Gonçalves, pároco do Campo Grande, Patriarcado de Lisboa, que fala da viagem solidária à Ucrânia, para resgatar 49 refugiados de guerra.

Despeço-me com votos de boas notícias, sempre.

Octávio Carmo

 


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domingo, 27 de março de 2022

Caminhar juntos com S. Óscar Romero

 | 26 Mar 2022

Fr. Rutilio Grande (right) served as master of ceremonies for the installation of St. Oscar Romero (center), as archbishop of San Salvador in 1977. (Creative Commons)

Óscar Romero (ao centro), já como arcebispo de San Salvador, em 1977, com Rutílio Grande a seu lado. Foto © Creative Commons.

A Igreja Católica fez, no passado dia 24, memória litúrgica de S. Óscar Romero. Não conheço algum lugar de culto, em Portugal, que tenha este santo mártir como patrono. Talvez muito poucos católicos saibam quem foi este santo arcebispo da Diocese de San Salvador, entre 1977 e 1980, capital do mais pequeno país da América Central, que é El Salvador. Os seus diocesanos eram gente pobre e oprimida, boa parte dela a viver em bairros com condições infra-humanas. Eram poucos os padres que se interessavam pela situação de miséria em que viviam essas famílias. Um desses padres, Rutílio Grande, foi assassinado pelo regime ditatorial, o que  

foi para Monsenhor Romero um problema. Era, por um lado, um sacerdote virtuoso, zeloso, verdadeiramente crente; e, por outro, a sua missão pastoral parecia-lhe incorreta e equivocada.  

Óscar Romero era um clérigo de pendor mais espiritualista e com uma visão assistencialista quanto à pobreza. Direitos humanos, caridade libertadora, justiça social e defesa dos “esquecidos” não eram vistos como assuntos que considerasse relevantes para o seu ministério sacerdotal e de bispo da Diocese de Santiago de Maria. Despertou para as suas responsabilidades como cristão-bispo, depois do assassínio do seu amigo Rutílio. A morte deste padre amigo dos pobres esteve na origem da significativa conversão de Romero. Há quem se refira a esta metanoia como “milagre de Rutílio”. Estou plenamente ciente de que a caminhada que está a ser feita no âmbito do Sínodo da Igreja Católica 2021-23 sem a concretização das orientações que dele surgirem poderão ser inúteis, se não houver primeiro uma conversão pessoal, pelo menos dos que têm maiores responsabilidades no cumprimento da missão primordial da Igreja. A referência para a transformação interior será, inequivocamente, o testemunho e os ensinamentos de Jesus. Ele não fez qualquer aceção de pessoas e foi perentório ao avisar que “os doutores da Lei e os fariseus instalaram-se na cátedra de Moisés” (Mateus 23, 2) e recomendou que não se procedesse como eles “pois, eles dizem e não fazem” (Mt 23,3); colocam fardos (digo eu, normas, práticas rigorosas, moralismos…) “mas eles não põem nem um dedo para os deslocar” (Mt 23, 4); querem-se fazer notar, por isso “alargam as filactérias e alongam as orlas dos seus mantos” (Mt 23, 5); que há um só Pai e somos todos irmãos (cfr. Mt 23, 8-9); que quem “se exaltar será humilhado” (Mt 23, 12); que são condenáveis as atitudes dos que fecham o Reino de Deus onde não entram nem deixam entrar (cfr. 23, 13). 

Tanto no caso de Romero, como no de Francisco ambos se afastam destes perfis. Antes de mais, são e sentem-se pastores e a sua espiritualidade transparece vida partilhada e percorrida entre as comunidades que serviram. São calcorreadores da fé e da vida no meio das pessoas sem se separarem delas. O próprio Romero resume esta semelhança com o seu sentimento: “Com este povo não custa ser bom pastor”. 

Esta é a opção clara por uma Igreja que se sente e vive como “Povo de Deus”. Esta tem de ser a grande conquista a esperar do Sínodo, que implica o passarmos a “caminhar juntos”. 

Outro fruto que desejaria que brotasse do Sínodo seria o de reconhecer a necessidade de a Igreja estar mais implicada com o mundo “em busca da verdade da realidade social”. Sem conhecer, com rigor, o que está a acontecer no Mundo, a Igreja corre o risco de responder a perguntas que já não se fazem ou a inquinar a sua missão. Como o Bom Samaritano que viu o fragilizado e aproximou-se dele, Romero passou a reconhecer:

Os pobres são quem nos diz o que é a pólis, a cidade, e o que significa para a Igreja viver realmente no mundo. Permitam-me que, a partir dos pobres do meu povo, a quem representa, explique a atuação da nossa Igreja no mundo em que vivemos. 

Que do Sínodo surjam indicações para que a Igreja seja a referência mais humanista a nível mundial, como Óscar Romero ansiou que dele surgisse um humanismo novo assente em quatro pilares: sólido apoio à causa dos direitos humanos; reconhecimento a todos os colaboradores desta causa; solidariedade, consolação e esperança para com todos os que sofrem o atropelo da sua liberdade e da sua dignidade; um eco da denúncia e da chamada à conversão.  É na intenção de demonstrar a viabilidade deste humanismo novo que Romero assume a sua missão pastoral. Assim, Evangelho e vida, vida e Evangelho dão as mãos com cordialidade e esta síntese de fé “historicizada” é especialmente compreendida pelo povo pobre. De facto, Romero declara:

não posso aceitar eu sozinho esta honra. Sinto que é de justiça partilhá-la em comunhão com toda a nossa Igreja particular. E também com quem, mesmo sem pertencer à Igreja, fez sua esta causa pela simpatia, apoio e colaboração.

Que do Sínodo surjam linhas mestras que balizem o exemplo dado pela Igreja no sentido da sua credibilidade em todas as suas ações, ritos e palavras com uma fidelidade ética. É com este modelo de Igreja que o arcebispo mártir se identifica ao afirmar:

Quero dar graças a Deus porque no meio de um mundo de mentiras, em que ninguém crê já em nada, ainda se crê na Igreja. Graças a Deus que se conserva o sentido da credibilidade, a capacidade de dialogar, porque sabem que a Igreja não engana. É dura, porque não sabe mentir.  

A todos os seres humanos é pedido o cuidado pela perseveração, respeito e conservação do mundo. Particularmente, os cristãos católicos estão convocados para este compromisso, desde várias recomendações da Sagrada Escritura, acentuadas e enquadradas nos tempos hodiernos com a publicação da magnífica carta encíclica do Papa Francisco, a Laudato Si’, extraordinariamente aceite por grande parte da população mundial. Todavia, 30 anos antes já Romero apelava a esta responsabilidade, ao escrever:

Vós sabeis que está contaminado o ar, as águas, tudo quando tocamos e vivemos; e, apesar de necessitarmos dessa natureza que vamos corrompendo cada vez mais, não nos damos conta de que há um compromisso com Deus: que essa natureza seja cuidada pelo homem. Abater uma árvore, desperdiçar água quando há tanta escassez de água, não ter cuidado com os escapes dos autocarros, envenenando o nosso ambiente com esses fundos pestilentos, não ter cuidado com os locais onde se queimam os lixos: tudo isso é parte da aliança com Deus. […] também por um sentido de religiosidade, procuremos que não continue a empobrecer-se e a morrer a nossa natureza. É compromisso de Deus que pede ao homem a colaboração.

Romero foi morto e ressuscitou no lugar de onde dimana a força do amor para que “fortalecidos com o Pão dos fortes”, se tenha a coragem de ir em defesa dos menos fortes. Foi morto no altar, no momento em que pronunciava as palavras da consagração. Essa graça de Deus, os seus algozes não tinham capacidade para a entender. Ele sabia que o seu modo de ser cristão, no limite, o levaria à morte. Por isso questionou:

Porque se mata? Mata-se porque se estorva. Para mim, porque são verdadeiros mártires no sentido popular. Não me estou obviamente a meter no sentido canónico, em que ser mártir supõe um processo da suprema autoridade da Igreja que o proclame mártir perante a Igreja Universal. Eu respeito essa lei e jamais direi que os nossos sacerdotes assassinados foram mártires ainda não canonizados. Porém, são mártires no sentido popular. São homens que pregaram precisamente esta incardinação da pobreza. São homens que verdadeiramente foram até aos limites do perigo, onde a UGB ameaça, onde se pode assassinar alguém e acabar por o matar, como mataram Cristo.”

Após longos anos de espera, o Papa Francisco canonizou-o no dia 14 de outubro de 2018, juntamente com outro “mártir”, apesar de com outra forma de martírio, que foi o grande Papa Paulo VI. Mesmo assim, foi tempo demais. Como está a ser o reconhecimento da santidade de D. Helder Câmara e como há-de ser a de D. Pedro Casaldáliga. Julgo que a maior dúvida nestas situações é a tensão que se gera entre motivações políticas e as de fé. No sentido verdadeiramente semântico da palavra política temos de a entender como um dever de cidadania e, muito mais quando esse cidadão é cristão. Já Pio XI o disse, e outros Papas o repetiram: a “política é a forma mais perfeita da caridade.” .

S. Romero vive e continua, noutra dimensão, a caminhar connosco na direção de uma Igreja mais Povo de Deus e anunciadora dos valores que podem transformar o Mundo. Que interceda junto de Deus-Libertador pelos bons frutos do Sínodo.

Eugénio Fonseca é presidente da Confederação Portuguesa do Voluntariado




Si María salvaba su vida, él y su familia serían bautizados: hoy es sacerdote en una «megaiglesia»

Enfrentaba una muerte segura con 9 años, hasta que su madre, no católica, rezó a la Virgen


El sacerdote vietnamita Bao Thai con el obispo Kevin Vann.
El vietnamita Bao Thai fue salvado por la Virgen a los 9 años y el y toda su familia prometieron devolvérselo: todos se bautizaron y el es hoy sacerdote.

J.M.C / Cari Filii

En verano de 1979, la ciudad vietnamita de Saigón fue devastada por un agresivo brote de dengue. Un niño de nueve años, Bao Thai, vio como gran parte de sus amigos fallecían en cuestión de días y cuando contrajo la enfermedad, los médicos y especialistas le auguraron el mismo futuro. Thai no aguantaría mucho y solo un milagro podía evitar el próximo desenlace.

Como recientemente relató el portal Orange County Catholic, ningún miembro de su familia estaba bautizado y todos estaban lejos de considerarse cercanos a la Iglesia. Sin embargo,  a la madre del joven, Kim-Anh Nguyen, se le agotaban todos los recursos. Ni el dinero ni la medicina podían hacer nada por su hijo.

Angustiada, solo pensó en rezar a la Virgen y prometió que si curaba a su hijo, ella y sus hijos pasarían a formar parte de la Iglesia.

Siete bautismos a cambio de un milagro

Los médicos y especialistas constataron una mejoría inmediata y en cuestión de días, el niño estaba en casa, completamente recuperado. Su madre no tardó en cumplir su promesa, y el 15 de agosto del mismo año recibió el bautismo junto a sus cinco hijos.

La familia, ya bautizada, se trasladó a un barrio católico a las afueras de Saigón. "Podíamos escuchar a nuestros vecinos rezando las avemarías de sus rosarios", recuerda Thai en OCRegister.

Mientras, el país afrontaba la dura posguerra que durante 20 años asoló Vietnam y al concluir el conflicto, su padre, soldado paracaidista, fue encarcelado en un "campo de reeducación" comunista al ser apresado dos días antes de que concluyese la guerra, el 30 de abril de 1975.

La curación milagrosa de su hijo, sus nuevos vecinos y el acercamiento a la fe operado en su familia provocó que, tras su puesta en libertad seis años después, también el recibiese el bautismo.

"Llamado" a seguir los pasos de los santos

Bao, que terminó de acercarse por sí mismo a la Iglesia a los 18 años comenzó sus estudios en informática en la Universidad de Saigón y después ejerció como profesor de matemáticas en la escuela secundaria durante un año.

Fue entonces, en 1988, cuando sintió "la llamada" para convertirse en sacerdote, tras la canonización por Juan Pablo II de 117 vietnamitas asesinados por su fe entre 1773 y 1862, 11 de ellos españoles, todos dominicos y seis obispos. "Quería seguir sus pasos", expresó.

Cinco años después su familia pudo ser reubicada en Estados Unidos y se asentaron en el condado de Orange (California) en 1993. "Nos instalamos en Westminster, y mis padres y tres de mis hermanos nunca se fueron", relata.

Pronto, Bao pudo cumplir su sueño e ingresó en el seminario, donde se licenció en filosofía y poco después amplió su formación con posgrados en Filosofía y en Divinidad. Fue entonces cuando conoció al sacerdote Cristopher Smith, párroco de la Iglesia de San José, a quien recuerda como un elemento clave en su formación sacerdotal.

Thai fue ordenado el 7 de junio de 2003, y durante los siguientes años se desempeñó como párroco en multitud de templos de la diócesis, entrando en contacto con el obispo de la diócesis de Orange en California, Kevin Vann.  “Mi tiempo allí me ayudó no solo a conocer a Bao, sino ver su amor por sus feligreses como su pastor”, relató el obispo, especialmente con los de origen vietnamita, hispano, filipino y coreano, muy presentes en la diócesis.

La catedral de Cristo, una megaiglesia antiterremotos

Mientras, la Catedral de Cristal, famosa por ser el "edificio de vidrio más grande del mundo" comenzaba a atraer la admiración y curiosidad de todo el mundo. La megaiglesia edificada en 1980 albergó el culto protestante durante 33 años, fue diseñada para resistir devastadores terremotos de 8 grados, puede albergar más de 2.200 personas y los más de 10.000 paneles rectangulares vítreos que lo componen no tienen más ensamblaje que un pegamento similar a la silicona.

Perteneciente originariamente al culto protestante bajo Crystal Cathedral Ministries, la compañía se declaró en banca rota en 2010 y la diócesis adquirió el edificio por 57 millones y medio de dólares, a lo que hubo que añadir 72 millones más para su rehabilitación y adaptación sísmica. Tras su reasignación en 2019, la catedral pasó a denominarse Catedral de Cristo. 

Así fue la inauguración de la Catedral de Cristo en la diócesis de Orange (California). 

Ante la inminente jubilación del rector de la Catedral, el obispo de la diócesis necesitaba un perfil muy concreto para sustituirle: el nuevo rector no solo debería tener facilidades para relacionarse con otras culturas, sino también para hablar y celebrar misa en multitud de idiomas y encontró en Bao el candidato perfecto.

Especialmente por encontrarse en la misma catedral el Santuario de Nuestra Señora de La Vang, dedicado a las apariciones de esta advocación que tuvieron lugar en Vietnam en 1798.  El santuario mariano, al aire libre, dispone de una estatua de más de 4 metros de altura, representada con vestimentas vietnamitas en recuerdo a las apariciones a los católicos perseguidos en la selva vietnamita. 

El santuario de Nuestra Señora de La Vang.

El santuario erigido a la Virgen en Orange (California) recuerda las apariciones sucedidas en 1798 para socorrer a un grupo de católicos perseguidos. En la estatua de más de 4 metros, la Virgen María lleva un vestido tradicional áo dài y sostiene al niño Jesús. 

Nuevo rector de la catedral de Cristo

Por ello, el sacerdote nunca olvidará el 14 de enero de 2022, cuando el obispo le invitó a una comida en la que le propondría un "gran favor", en referencia a su nuevo puesto al frente del templo. "Me quedé sin palabras, sabía que iba a suceder algo pero no esperaba esto", recuerda.

Al aceptar su nombramiento, Bao es el cuarto rector vietnamita en una catedral de Estados Unidos y el segundo en California.

“Utilizaré humildemente mis dones para llevar a cabo la visión del obispo Vann para la Catedral de Cristo con la ayuda de Dios. No veo mi nuevo rol como un honor para mí, sino para toda la comunidad vietnamita que reside en los Estados Unidos y en todo el mundo”, añade.

El sacerdote vietnamita Bao Thai.

El sacerdote vietnamita Bao Thai, tras su nombramiento como rector de la catedral de Cristo en Orange (California).

Publicado originalmente en el portal mariano Cari Filii.




A guerra é «vergonhosa para todos»

Bom dia e paz e bem!!

O Papa Francisco reafirmou que guerra na Ucrânia é “vergonhosa para toda a humanidade”, destacou a importância da ajuda aos refugiados mas alertou que este apoio não pode ser esquecido no futuro.

“É inaceitável: A cada dia acrescenta mais mortes e destruição”, disse Francisco, na audiência à Federação Italiana de Radiodifusão Citizen’s Band.

[Guerra] «Vergonhosa para todos, para toda a humanidade»

O cardeal Konrad Krejwski fez uma paragem no Vaticano, depois do ato de consagração da humanidade no Santuário de Fátima, e já regressou à Ucrânia.

O esmoler pontifício foi encarregado de levar uma ambulância, doada por Francisco, para a cidade de Lviv.

Hoje temos um novo Programa Ecclesia na rádio Antena 1, que começou pelas 06h00, e vai ficar disponível em www.agencia.ecclesia.pt: O tema foi a próxima edição internacional da Jornada Mundial da Juventude – Lisboa 2023 – e a peregrinação dos símbolos na Diocese da Guarda.

Este sábado, este programa radiofónico teve como mote “Voltar à Vida”. Três entrevistas ajudaram a refletir sobre este tema: A presidente do Movimento de Vida Ascendente, o assistente espiritual e religioso do Estabelecimento Prisional de Bragança, e o vigário de culto na igreja de Nossa Senhora da Consolação e Santos Passos, em Guimarães. Pode ler e ouvir.

E aos domingos temos a entrevista conjunta Ecclesia/Renascença, hoje com o padre Fernando Sampaio, coordenador nacional das capelanias hospitalares, e também o Programa ‘70X7’, a partir das 17h30, na RTP2. Uma entrevista com o diretor do Serviço Jesuíta aos Refugiados-Portugal, André Costa Jorge, no contexto do acolhimento de pessoas da Ucrânia.

Um bom domingo e bom “horário de verão”.
Carlos Borges

 


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sábado, 26 de março de 2022

Francisco pede: Que cesse “esta guerra cruel e insensata que ameaça o mundo”

Em celebração com mais de 5 mil pessoas


 | 25 Mar 2022

papa francisco durante a celebracao penitencial com ato de consagracao ao imaculado coracao de maria, na basilica de sao pedro, a 26 de marco de 2022, foto vatican media

“Se quisermos que mude o mundo, tem de mudar primeiro o nosso coração. Para o conseguirmos, deixemos hoje que Nossa Senhora nos leve pela mão”, afirmou Francisco na Basílica de São Pedro. Foto © Vatican Media.

Na homilia da celebração penitencial à qual presidiu na tarde desta sexta-feira, 26 de março, Francisco denunciou, uma vez mais, a “guerra cruel” e “brutal” na Ucrânia, e explicou que o “ato de consagração” da Igreja e da humanidade ao Imaculado Coração de Maria “não se trata de uma fórmula mágica, mas de um ato espiritual”.

Perante as cerca de três mil pessoas que se encontravam no interior da Basílica de São Pedro (Vaticano), as duas mil que assistiram na Praça de São Pedro, e ao mesmo tempo que milhares participavam nas cerimónias a decorrer em simultâneo no Santuário de Fátima e um pouco por todo o mundo, o Papa Francisco afirmou desejar “solenemente levar ao Imaculado Coração de Maria tudo o que estamos a viver”.

“Se quisermos que mude o mundo, tem de mudar primeiro o nosso coração. Para o conseguirmos, deixemos hoje que Nossa Senhora nos leve pela mão”, afirmou Francisco. “Que Ela tome pela mão o nosso caminho e o guie, através das veredas íngremes e cansativas da fraternidade e do diálogo, pela senda da paz”, continuou o Papa.

Face às “notícias e imagens de morte que continuam e entrar dentro das nossas casas, enquanto as bombas destroem as casas de muitos dos nossos irmãos e irmãs ucranianos”, “notamos dentro de nós uma sensação de impotência e inadequação. Precisamos ouvir dizer-nos: «não temas». Mas não bastam as garantias humanas, é necessária a presença de Deus”, sublinhou ainda.

“É necessária a presença de Deus, a certeza do perdão divino, o único que apaga o mal, desativa o rancor, restitui a paz ao coração. Voltemos a Deus, ao seu perdão”, insistiu.

No final desta cerimónia, decorreu então o “ato de consagração” ao Imaculado Coração de Maria, com ligação ao Santuário de Fátima, onde a celebração foi presidida pelo cardeal polaco Konrad Krajewski, esmoler pontifício, que rezou a mesma oração que Francisco em Roma, já divulgada na passada quarta-feira.




Roma, Fátima, Leópolis... y mil lugares más, unidos en la consagración de Rusia y Ucrania

Rosario en Fátima, confesión en Roma, himnos a la Virgen en Ucrania... una misma fe


El Papa se inclina ante la imagen de la Virgen de Fátima antes de leer la consagración de Rusia y Ucrania al Inmaculado Corazón
El Papa se inclina ante la imagen de la Virgen de Fátima antes de leer la consagración de Rusia y Ucrania al Inmaculado Corazón

Pablo J. Ginés

La consagración de Rusia y Ucrania al Inmaculado Corazón de María este viernes de la Anunciación, por la tarde, podía seguirse a la vez desde varios lugares y en numerosos idiomas.

Un ordenador podía conectar a la vez con:

- el Papa en San Pedro del Vaticano, acompañado de obispos y sacerdotes vestidos de morado, el color penitencial;
- con la capelinha del santuario de Fátima, donde presidía su enviado el cardenal Krajewski, Limosnero papal, junto con numerosos obispos portugueses;
- y con Leópolis, en Ucrania, donde rezaban el himno akathistos a la Virgen los obispos grecocatólicos ucranianos con el arzobispo mayor Sviateslav Shevchuk al frente, revestidos del azul de las fiestas marianas.

Si se activan las distintas emisiones a la vez, sonaban juntos los cánticos y plegarias en latín, portugués, ucraniano y ruso. Muchos otros santuarios e iglesias se sumaban en todo el mundo. Quizá Dios recibe continuamente un clamor similar.

Al canal de YouTube de la Iglesia grecocatólica ucraniana -que combinaba los rezos de Leópolis con los del Papa en Roma- se conectaron 15.000 personas al inicio, que al final del acto, una hora y media después, eran 30.000. El acto de Fátima lo seguían unas 8.000 personas por el Youtube del santuario.

El acto en Roma lo siguieron por el YouTube de VaticanNews unas 37.000 personas en español, unas 28.000 en portugués, unas 20.000 en inglés, unas 4.200 en ucraniano (la transmisión del canal grecocatólico ofrecía dos escenarios, la vaticana solo una). Unas 2.000 personas lo siguieron en ruso por VaticanNews: no está claro si desde Rusia se puede seguir el YouTube vaticano con las sanciones y cierres, pero muchos ucranianos y rusohablantes de otros países pueden preferir el ruso y nadie más que VaticanNews lo emitía en ese idioma. La versión en inglés de EWTN en YouTube contabilizaba unas 25.000 personas en directo.

En Fátima, con el presidente Marcelo de Sousa

Al acto de Fátima acudió el presidente de la República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa. Ya lo había anunciado el jueves en un acto en la Universidad de Lisboa: “Mañana iré a la consagración en Fátima, que se realizará simultáneamente con la consagración del Papa Francisco, a media tarde. Es, en esencia, una consagración por la paz y un llamamiento a la paz universal”, declaró. Y así se le ha visto.

El presidente portugués, Rebelo de Sousa, en la consagración en el santuario de Fátima

El presidente portugués, Rebelo de Sousa, en la consagración en el santuario de Fátima.

El encuentro en Fátima se centró en el rezo del Rosario. El primer misterio se rezó en portugués. El segundo, en ucraniano y en ruso. El tercero en inglés y alemán... Así se visibilizaba la dimensión internacional de esta devoción y la paz en el mundo.

El cardenal Krajewski ante la imagen de Fátima en la capelinha del santuario portugués

El cardenal Krajewski ante la imagen de Fátima en la capelinha del santuario portugués.

Una multitud de fieles de distintos idiomas acudió a la capelinha del santuario de Fátima para la consagración de Rusia y Ucrania

Una multitud de fieles de distintos idiomas acudió a la capelinha del santuario de Fátima para la consagración de Rusia y Ucrania.

La lectora de los misterios del rosario en ruso en la capelinha de Fátima

La lectora de los misterios del rosario en ruso en la capelinha de Fátima.

Acabadas las letanías marianas, se leyeron algunos textos de la Hermana Lucia, intercalados con el estribillo: "Inmaculado Corazón de María, sois nuestro refugio y un camino para Dios". Después, de rodillas ante la imagen de la Virgen, el cardenal Krajewski leyó en italiano el texto de la consagración escrito por el Papa Francisco.

Obispos ucranianos y fieles en Leópolis

En Leópolis, los obispos ucranianos seguían el acto de Roma por una pantalla. El canal de YouTube de la televisión de la iglesia grecocatólica recordaba algunos antecedentes históricos.

"Desde el comienzo de la agresión rusa en 2014, los católicos ucranianos han pedido al Papa Francisco que lleve a cabo este acto como condición necesaria para evitar el estallido de la guerra y todos los peligros provenientes de Rusia. La dedicación de Ucrania a la Madre de Dios es una antigua tradición cristiana. Ya en su momento, el Príncipe Yaroslav el Sabio [siglo XI] puso a la gente de la Rus de Kiev bajo el cuidado de la Santísima Virgen. El cardenal Lyubachivsky renovó esta dedicación en Zarvanytsia en 1995. Otro acto de consagración de Ucrania a la protección de la Santísima Virgen tuvo lugar el domingo 6 de abril de 2014 en todas las iglesias de la Iglesia Grecocatólica de Ucrania, en el país y en el extranjero. El 23 de octubre de 2016, Su Beatitud [el Arzobispo mayor grecocatólico] Sviatoslav dedicó Ucrania al Inmaculado Corazón de María en Fátima".

En el momento en que el Papa Francisco se retiró a confesarse y a confesar a otras personas en el marco del acto penitencial en el Vaticano, los obispos ucranianos cantaron el largo himno Akathistos, una enumeración de alabanzas a la Virgen María propia del rito bizantino.

Mientras tanto, en los comentarios por YouTube, numerosos ucranianos escribían sus peticiones a la Virgen. Muchos pedían por la victoria o liberación: "María, Madre nuestra, libera a nuestra Ucrania de los invasores"; "por la liberación frente a los invasores, por la protección de todas las personas en Ucrania y especialmente de aquellos que sufren en la zona de guerra"; "Madre de Dios, toma bajo tu cuidado Nuestra Ucrania, nuestros defensores de la Patria, voluntarios, médicos, capellanes, civiles..."

Otros mencionaban Rusia y la conversión: "Por la conversión de Rusia, para que el Señor les abra los ojos"; "Señor, convierte a nuestros pecadores y enemigos"; "por la reconciliación y el cese de la guerra, Dios los perdone, porque no saben lo que hacen"; "Por la conversión de Ucrania y Rusia a Dios"; "por la paz en Ucrania y nuestra victoria común. Por la conversión de los rusos al Señor".

Otros muchos pedían con nombres y apellidos por sus seres queridos, no solo golpeados por la guerra, sino por adicciones, enfermedades o la increencia.

Obispos grecocatólicos ucranianos en la consagración de Rusia y Ucrania al Inmaculado Corazón de María

Shevchuk y obispos grecocatólicos ucranianos en la consagración de Rusia y Ucrania al Inmaculado Corazón de María

Fieles en Leópolis y obispos ucranianos en la consagración de Rusia y Ucrania al Inmaculado Corazón de María

Fieles y obispos grecocatólicos se arrodillan en Leópolis en la consagración de Rusia y Ucrania al Inmaculado Corazón de María

Fieles y obispos católicos de rito bizantino se arrodillan en Leópolis en la consagración de Rusia y Ucrania al Inmaculado Corazón de María.

Los obispos ucranianos, encabezados por Shevchuk, se sumaron a la lectura de la consagración, en ucraniano, sincronizados con Roma y Fátima.

Al final, Shevchuk improvisó un mensaje ante todos los asistentes, sonriendo y tratando de transmitir confianza. "Hemos puesto a Ucrania en las manos de María; ella lleva a Ucrania y a Rusia en su corazón inmaculado", explicó. Señaló además el hecho de que personas de toda Ucrania y de todo el mundo, con el Papa, se habían unido en ese momento a la oración.

El Papa Francisco contempló y oró en silencio ante la imagen de Fátima en la basílica de San Pedro

El acto del Papa, en un contexto penitencial

El acto en el Vaticano convocado hace mucho era un encuentro penitencial a mitad de Cuaresma, al que cada año suelen acudir sacerdotes que están profundizando en el sacramento de la reconciliación, y que el Papa aprovecha para predicar acerca de la confesión.

Este año, con motivo de la guerra de Ucrania, ha querido incorporarle la oración de consagración de Rusia y Ucrania, pidiendo que se le unan todos los obispos del mundo. La Curia y muchos obispos italianos y misioneros acudieron a esta cita en San Pedro del Vaticano.

El Papa se confesó, ilustrando su predicación que exhortaba al sacramento de la reconciliación y volver a Dios

El Papa se confesó, ilustrando su predicación que exhortaba al sacramento de la reconciliación y volver a Dios.

"En el centro de la Confesión está Dios: Él nos libera y nos pone en pie", predicó Francisco. "La reconciliación es, más que un paso que damos, su abrazo que nos envuelve, asombra y conmueve. Lo necesitamos porque cada renacimiento espiritual empieza con el perdón de Dios. No descuidemos la reconciliación, descubrámoslo como sacramento de la alegría", exhortó.

"Volvamos a Dios, volvamos a su perdón. Solos no resolveremos las contradicciones de la Historia, ni siquiera las de nuestro corazón. Necesitamos el Espíritu Santo, que apaga la violencia y nos despierta de la indiferencia", predicó Francisco.

Comentando el anuncio del Ángel a María (que en griego es "alégrate, el Señor está contigo") animó a los sacerdotes a difundir esta alegría del confesarse "sin ser rígidos, sin poner obstáculos o incomodidades". El ángel también dijo: "No temas". Así, el Papa anima a confesarse sin miedo: "Dios conoce tus debilidades y es más grande que tus errores. Te pide una sola cosa: que tus fragilidades, tus miserias, no las guardes dentro de ti; sino que las lleves a Él".

Después comentó "las noticias e imágenes de muerte que nos llegan desde Ucrania en medio de la atroz guerra y las bombas que destruyen las vidas de tantas personas indefensas". También ante esas "experiencias de miedo, impotencia y aflicción" los cristianos necesitamos escuchar que nos digan “no temas”.

Francisco bendice los lectores del Evangelio en el acto de oración del Día de la Anunciación

Después, explicó el Papa que “en unión con los obispos y los fieles del mundo, deseo solemnemente llevar al Corazón inmaculado de María todo lo que estamos viviendo; renovar a Ella la consagración de la Iglesia y de la humanidad entera y consagrarle, de modo particular, el pueblo ucraniano y el pueblo ruso, que con afecto filial la veneran como Madre”.

Vídeo de la ceremonia de consagración de Rusia y Ucrania al Inmaculado Corazón; en español lo vieron en directo por VaticanNews unas 37.000 personas

Especificó que estas palabras "no son una fórmula mágica", sino un acto espiritual, un gesto "de la plena confianza de los hijos que, en la tribulación de esta guerra cruel e insensata que amenaza al mundo, recurren a la Madre, depositando en su Corazón el miedo y el dolor, y entregándose totalmente a ella".

En el Salmo se cantó "El Señor ha hecho conocer su salvación". Tras la homilía, el Papa Francisco se dirigió a un confesionario, donde se confesó. Después cambió de confesionario y durante más de 20 minutos estuvo él mismo confesando a varias personas (religiosas, laicos, sacerdotes...). Muchas más personas se confesaron en ese momento en distintos puntos de la basílica. Como acto de agradecimiento, el coro cantó "Misericordias Domini, in aeternum cantabo".

Llegó la consagración en sí. El Papa se acercó a una imagen de la Virgen de Fátima con el báculo plateado que Juan Pablo II llevó a muchos de sus viajes, rezó inclinado un momento y ofreció incienso. Luego se sentó y leyó la consagración en italiano. Al final, salieron un niño y una niña para rezar con él de pie, en silencio, ante la Virgen.

El acto terminó con el Papa rezando con un niño y una niña ante la imagen de Fátima

[El texto completo de la consagración de Rusia y Ucrania al Inmaculado Corazón está aquí y una explicación de sus alusiones y simbolismos, aquí].

Antecedentes: 1917, 1929... tras 1984, la perestroika 

El 13 de julio de 1917 en Fátima la Virgen mencionó a los tres niños videntes su deseo de que Rusia fuera consagrada a su Inmaculado Corazón, aunque la petición detallada en sí la hizo en 1929 a Lucia, cuando era una religiosa en Tuy (España) y los otros dos niños ya habían fallecido.

Pidió que el Papa, unido a todos los obispos del mundo, realizara la Consagración de Rusia a su Corazón Inmaculado para poner fin a la persecución religiosa y a la expansión del comunismo ateo. Cuando esto se pusiese en práctica, prometió que “Rusia se convertirá y mi Inmaculado Corazón triunfará, al mundo le será concedido un tiempo de paz”.

Pío XII consagró la Iglesia y el mundo en 1942. Sor Lucia, contesto que no era lo pedido, pero aseguró que la Virgen “en recompensa, promete que la guerra terminará en breve” (Carta 28 de Febrero de 1943). En 1952, Pío XII volvió a hacer la Consagración, ahora nombrando expresamente a Rusia, pero tampoco fue suficiente, porque no se había invitado a unirse al episcopado mundial.

Juan Pablo II el 25 de Marzo de 1984 pronunció otra consagración, que Lucia aseguró que cumplía lo pedido por la Virgen (la defendió en su texto “Cómo veo el Mensaje a través de los tiempos y de los acontecimientos”.

Un año después de esa consagración, en 1985, empezaba la perestroika; en 1989 se hundía el comunismo en Europa del Este y en 1991 se hundía la URSS. Son Lucia defendía que la palabra "conversión" se refería a un cambio importante, como fue la caída del comunismo y la posibilidad de poder predicar y vivir la fe católica y el cristianismo en Rusia. Lucia murió en 2005 con 97 años.

En el vídeo, el sentido de la consagración y su historia, explicado en portugués (16 min.)