Quer queiramos quer não, O
EstudoEmCasa parece incluir a disciplina Cidadania e desenvolvimento. Por
isso, resolvi comentar um pouco este tema tão controverso, socorrendo-me de uma
conferência proferida pela filósofo Benigno Blanco.
A ideologia de género (IG) é uma
ideologia actual com uma nova terminologia ao abordar o ser humano, em
particular a sexualidade.humana, e que faz parte da agenda politica em alguns
partidos, aprovando leis que pretendem mudar a antropologia no que se refere ao
matrimónio, à sexualidade e à educação. Ao abordar este tema temos de o ver sob
o ponto de vista filosófico, Surgiu em meados do século passado; época da comercialização da pilula, do existencialismo francês, de uma visão pessimista do ser humano que se vai
propagando nas sociedades ocidentais. Freud e Marx criam uma antropologia
alternativa à antropologia cristã. Nesta época defende-se que o feminismo
clássico fracassou porque tentou igualar a mulher (classe oprimida) ao homem (classe
dominante) utilizando a concepção marxista. Segundo esta visão o problema da
opressão do homem sobre a mulher advém de admitirmos a existência da dualidade homem - mulher. Assim, há que acabar com os conceitos clássicos de sexualidade, defendendo
que a sexualidade não faz parte da
natureza humana sendo apenas uma criação cultural. O poder politico passa a
legislar no sentido de mudar a
linguagem, para excluir toda a referência ao feminino e ao masculino, não se
referem mais ao sexo mas sim, ao género. Segundo esta teoria, o corpo humano
não fornece qualquer informação de quem somos. O mundo material – incluindo o corpo
humano, não é se não o fruto cego da evolução casual. Assim, sexualmente somos aquilo que muito bem
quisermos! Não se fala de sexo mas de relações afectivas - sexuais como decisão
subjectivas que cada um toma. Já não somos meras criaturas, não somos como
algo dado mas sim, o que decidimos ser, isto é, tornamo-nos deuses, não há
nada que seja mau ou bom, melhor ou pior mas sim, o que a pessoa decide. Assim,
esta teoria é absolutamente contrária ao humanismo clássico e em particular ao
humanismo cristão pois para um cristão, nós somos quem somos, possuímos inteligência para discernir o que somos e através da nossa liberdade não podemos
decidir a nossa natureza, mas sim, agir em conformidade com a mesma para
alcançarmos a felicidade para que fomos criados.
A questão de ser sexo ou género é
o tema da nossa época ou seguimos a matiz cristã que defende a natureza humana
sexo feminino ou masculino ou a ideologia do género defensora do sexo como algo
a definir pelo próprio. Este tema, segundo, Blanco, vai ser a questão do nosso
tempo da mesma forma que no século passado foi a escolha entre o marxismo/liberalismo entidade pública/entidade privada que orientavam a organização da
sociedade. Agora, o problema não é um problema do modelo de Estado que se deve seguir
mas sim, o modelo de pessoa, Claro que, para alcançar este modelo os seus
defensores de um modo muito eficaz utilizam o Estado para elaborar as leis que
melhor servem esta ideologia, e influir sobretudo na Educação, entrando com
conceitos como afectivo-social. Podemos observar este fenómeno, por exemplo em
Portugal deixou de estar inscrito no Cartão de Cidadão se o cidadão é do sexo
feminino ou masculino bem, como o conceito de casado que já não é entendido
como apenas como uma união heterossexual.
Mas, muito mais grave é pretender
em alguns países como no nosso, criminalizar as pessoas que negam a ideologia
de género, como um crime de ódio , como um ataque aos elementos da LGTB .Os
defensores da Ideologia de Género, usando a terminologia marxista, apresentam o
problema como se tratasse de uma luta contra as pessoas homossexuais, lésbicas,
transexuais, etc. este método tem-se demonstrado extremamente eficaz. Mas que
não possui qualquer fundo de verdade pois esta teoria não pretende a luta contra
a descriminação Histórica dos homossexuais mas sim, uma mudança no conceito de
natureza humana. Esta nova ideologia confunde opinião com o atentado às pessoas
que defendem a I.G. O que não é verdade, quem não concorda com a I.G. não está
contra as pessoas que a defendem mas, tem outro modo de pensar. Nos países onde
esta ideologia começa a ter bastante aceitação, vai-se mirrando a liberdade de
pensamento em matéria sexual, em matéria afectivo-sexual e mesmo em matéria
moral/religiosa quando a doutrina dessa religião, como é o caso da cristã e em
particular, a Católica, vai contra a I.G. e portanto transforma-se numa ameaça
para todos. Esta ideologia está a penetrar as suas ideias na educação. Vão
formatando as crianças desde muito
novos, nesta nova ideologia. Em Portugal
este tema faz parte do ensino obrigatório na disciplina de Cidadania. Se temos
30, 40 ou mais anos já temos as nossas escolhas feitas, não as iremos mudar.
Contudo, às gerações mais jovens é fácil “doutriná-las” porque se vai dando outra percepção
acerca da sexualidade. Estas leis são eficazes na Educação porque o Estado é o
detentor de 80% dos estabelecimentos de ensino e caso os outros estabelecimentos
não lecionem estes temas podem ser-lhes retirada a autonomia.
Ao doutrinar as crianças e os
jovens sob ponto de vista da I.G., estamos a permitir que eles sejam enganados
sobre quem são como pessoas e sobretudo, sobre a matéria da sexualidade. Deste
modo urge dar às novas gerações ideias correctas sobre a sexualidade. A I.G.
implementou-se com muita facilidade porque, segundo Blanco, houve durante dois
milénios um silêncio sobre este tema. Quando
se falava era como algo menos bom e portanto havia que não o mencionar. Temos de
falar muito e bem da sexualidade, segundo o mesmo filósofo afirmando que somos a
nossa sexualidade, não temos apenas sexualidade, eu sou mulher 24h/dia, 365/366 dias/ano, o meu irmão é homem da mesma forma. A mim define-me a
feminidade e ao meu irmão a masculinidade. Uns são XX, outros XY. Há um
profunda amor à liberdade. E todos podemos “meter a pata” e não agir de acordo
com o que somos mas, temos a liberdade de rectificar. Pelo, contrário a I.G.
tem uma visão determinista se fazes isso tu és isso e não sairás desse ambiente.
O masculino e feminino são transversais a toda a condição humana. Bento XVI
afirma que o ser humano moderno, com o
seu ateísmo, quis excluir Deus. Sem Deus, sem alma e sem corpo o Homem
transforma-se num deus que se cria a si mesmo e deixa de ser uma criatura.
Temos duas hipóteses ou temos uma natureza que descobrimos com o uso da razão
ou somos alguém que se cria a si mesmo e somos a fonte do bem e do mal. Podemos
usar a nossa inteligência para conhecer a sexualidade. Olhamos para o Homem e
vemos menino e menina. Graças a este carácter binário podemos ser pai ou
mãe. Podemos não vir a ser porque tomamos outras opções mas, potencialmente um
rapaz é potencialmente um pai e uma menina uma mãe. Um rapaz por mais que
queira nunca vai poder ser mãe. Este sentido de ser pai e mãe é uma maravilha
que, segundo Blanco temos de voltar a redescobrir, o sentido de gerar novas
vidas. A mulher quando engravida não se torna escrava do homem, como preconiza
a ideologia do género mas, muito pelo contrário, é uma enorme graça poder gerar
uma nova vida. Pelo que, o casamento é entre um homem e uma mulher e isto nada tem de discriminatório. Faz parte
da nossa natureza, somos assim. Se alguém tem uma ideia distinta desta, é
livre de pensar de outro modo mas, tem de aceitar que haja outros pontos de
vista e que é através da família e desta dualidade homem-mulher que se consegue
garantir o futuro da sociedade com a construção de novas gerações. O corpo é
algo maravilhoso, aproveitemos para redescobrir o valor da sexualidade,
sobretudo os pais deverão abordar este assunto com os seus filhos e desde pequeninos pois depressa têm um
telemóvel e acedem a outras formas de pensar que os podem arrastar se não foram
atempadamente ensinados a quem compete. Assim, desde muito cedo, os pais devem dar-lhes critério, para que mais
tarde possam dizer bom, mau, quero ou não quero.
Maria Guimarães
Professora