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sexta-feira, 3 de maio de 2013

"Sociedade que não oferece trabalho ou explora os trabalhadores é injusta"

Homilia do Papa Francisco na Domus Sanctae Marthae, 1° de maio de 2013


Cidade do Vaticano, 02 de Maio de 2013


“A sociedade não é justa se não oferece a todos um trabalho ou explora os trabalhadores”. Foi o que afirmou o Papa Francisco na manhã de ontem, 1º de maio, na missa celebrada na Capela da Casa Santa Marta, por ocasião da Festa de São José Operário. Estavam presentes alguns menores e jovens mães, hóspedes do Centro de Solidariedade “Il Ponte", criado em Civitavecchia em 1979, acompanhados pelo Presidente da associação, Padre Egidio Smacchia.

No Evangelho proposto pela Liturgia, Jesus é chamado ‘filho do carpinteiro’. José era um trabalhador e Jesus aprendeu a trabalhar com ele. Na primeira leitura lê-se que Deus trabalha para criar o mundo. Este “ícone de Deus trabalhador – afirma o Papa – nos diz que o trabalho é algo que vai além de simplesmente ganhar o pão”:

O trabalho nos dá dignidade. Quem trabalha é digno, tem uma dignidade especial, uma dignidade de pessoa: o homem e a mulher que trabalham são dignos. Ao invés disto, aqueles que não trabalham não têm esta dignidade. Mas muitos são aqueles que querem trabalhar e não podem. Isto é um peso na nossa consciência, porque quando a sociedade é organizada desta maneira, onde nem todos têm a possibilidade de trabalhar, de serem elevados pela dignidade do trabalho, esta sociedade não está bem, não é justa. Vai contra o próprio Deus, que quis que a nossa dignidade começasse daqui”.

“A dignidade – prosseguiu o Papa – não é o poder, o dinheiro, a cultura que nos dá. Não! .... A dignidade nos dá o trabalho!” e um trabalho digno, porque hoje muitos “sistemas sociais, políticos e económicos fizeram uma escolha que significa explorar a pessoa”:

“Não pagar aquilo que é justo, não dar trabalho, porque somente se olha aos balanços, aos balanços da empresa; somente se olha para o quanto eu posso aproveitar. Isto vai contra Deus. Quantas vezes – tantas vezes -, lemos isto no ‘L’Osservatore Romano’…. Uma manchete que me tocou muito, o dia da tragédia de Bangladesh, ‘Viver com 38 euros ao mês’: este era o pagamento destas pessoas que morreram....E isto se chama ‘trabalho escravo!’. E hoje no mundo existe esta escravidão que se faz com o que Deus deu ao homem de mais belo: a capacidade de criar, de trabalhar, de construir com isto a própria dignidade. Quantos irmãos e irmãs no mundo estão nesta situação por culpa destes comportamentos económicos, sociais, políticos e assim por diante...”

O Papa cita um rabino da Idade Média que contava à sua comunidade hebraica sobre os acontecimentos da Torre de Babel: naquele tempo, os tijolos eram muito importantes:

Quando um tijolo, por algum erro caía, era um grande problema, um escândalo: ‘Mas olha o que você fez!’. Mas se um daqueles que construía a torre caía: ‘Requiescat in pace!’ e o deixavam ali na maior tranquilidade.....Era mais importante o tijolo que a pessoa. Isto contava aquele rabino medieval e isto acontece hoje. As pessoas são menos importantes que as coisas que dão vantagens àqueles que tem o poder políticos, social, económico. A que ponto chegamos? Ao ponto que não estamos conscientes desta dignidade da pessoa; esta dignidade do trabalho. Mas hoje a figura de São José, de Jesus, de Deus, que trabalham – este é o nosso modelo – nos ensinam o caminho para andar em direcção à dignidade”.

(Fonte: Radio Vaticano)



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A Igreja do sim, a Igreja do não, e a harmonia do Espirito Santo

Na homilia de hoje, Papa Francisco destaca que quando nós não deixamos o Espírito Santo trabalhar, começam as divisões na Igreja


Roma, 02 de Maio de 2013


Houve num determinado período uma "Igreja do não" que discutia com a "Igreja do sim". Interveio então o Espírito Santo e trouxe harmonia entre as duas posições ... Papa Francisco é eficaz e original ao narrar, com seu estilo catequético, a disputa no interior da antiga igreja de Jerusalém ao anunciar o evangelho entre os pagãos.

Mais uma vez, o Santo Padre celebrou a santa missa para os funcionários do Vaticano, hoje, um grupo de funcionários dos museus, na Capela de Santa Marta. Na homilia da missa, concelebrada pelo Cardeal Albert Malcolm Ranjith Patabendige, o Papa centrou-se na acção da terceira pessoa da Trindade, o Espírito Santo, que, "por trás das cenas", faz o trabalho "pesado".

O Papa, para explicá-lo, voltou no tempo, para a Igreja que depois de Pentecostes deu seus primeiros passos para fora, para as "periferias da fé", para anunciar o Evangelho. Os discípulos de Jerusalém não tinham todos os objectivos claros, sobretudo, no que diz respeito ao acolhimento dos pagãos na Igreja.

Começaram a surgir, então, "muitas opiniões". O Papa explicou: diante de «uma Igreja do “Não, não se pode; não, não, deve-se, deve-se, deve-se”», contraposta à «Igreja do “Sim: mas... pensemos nisto, abramo-nos, há o Espírito que nos abre a porta”».

Portanto, «o Espírito Santo devia desempenhar a sua segunda função: realizar a harmonia destas posições, a harmonia da Igreja, entre eles em Jerusalém e entre eles e os pagãos.

“É um grande trabalho, que o Espírito Santo realiza desde sempre na história – comentou o Santo Padre - e quando não o deixamos trabalhar, começam as divisões na Igreja, as seitas, todas estas coisas, porque nos fechamos à verdade do Espírito».

Recordando as palavras de Tiago, o Justo, primeiro bispo de Jerusalém, Papa Francisco, em seguida, apontou a base da polémica da Igreja primitiva. “Quando o serviço ao Senhor se torna um jugo muito pesado, as portas das comunidades cristãs fecham-se: ninguém quer vir ter com o Senhor”.

"Nós, no entanto, - continuou Francisco - acreditamos que através da graça do Senhor Jesus somos salvos. Primeiro, a alegria do carisma de proclamar a graça, depois, vemos o que fazer. Esta palavra, jugo, entra no meu coração, na minha mente ".

Levar hoje o jugo – destacou – significa permanecer no amor de Cristo, como Ele nos pede. Amor que " nos leva a ser fiéis ao Senhor" e a observar seus mandamentos: "porque eu amo o Senhor, não faço isso", disse o Papa.

Surge, portanto, uma "comunidade do sim," comunidade "de portas abertas", de amor. E “quando uma comunidade cristã vive no amor, confessa os seus pecados, adora o Senhor, perdoa as ofensas, pratica a caridade com os outros e é manifestação do amor, depois sente a obrigação da fidelidade ao Senhor de seguir os mandamentos. É uma comunidade do “sim” e os “nãos” são consequência deste “sim””.

Portanto - concluiu o Papa - precisamos pedir a Deus que “o Espírito Santo nos assista sempre para que nos tornemos uma comunidade do amor. Do amor a Jesus que nos amou muito”. Comunidade “do “sim” que leva a cumprir os mandamentos (…) E que nos livre da tentação de nos tornarmos talvez puritanos, no sentido etimológico do termo, de procurar uma pureza para-evangélica, uma comunidade do “não”. 


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quarta-feira, 1 de maio de 2013

"Alegria e sofrimento na positividade do real"

III Conferência Provincial de Bioética em Cremona, Itália, neste sábado, 4 de Maio


Roma, 29 de Abril de 2013


O tema da III Conferência Provincial de Bioética organizada pelo Centro Cultural Diocesano Gabriele Lucchi, de Crema, em Cremona, Itália, é "Alegria e sofrimento na positividade do real".

Participa da noite especial o colunista e editor-chefe do jornal Avvenire, Francesco Ognibene, no papel de moderador. Será um evento de estudo e de reflexão. Após a introdução musical, a ser feita pelo coral juvenil do Instituto Musical Folcioni, as saudações iniciais serão pronunciadas pelo bispo dom Oscar Cantoni.

Em seguida, o cardiologista-chefe do Hospital San Gerardo de Monza, Felice Achilli, abordará a "experiência da cruz na vida quotidiana" através de um testemunho apaixonado de seu drama familiar.

De Trento vem o carismático pe. Renato Tisot, fundador da Aliança Dives in Misericordia. Ele compartilhará a experiência de Domenica Maria Lazzeri, mística que carregou a cruz imersa em uma experiência extraordinária e sobrenatural de íntima união com o Cristo sofredor.

O evento promove uma iniciativa de angariação de fundos para financiar as acções da Associação Gianni Lorenzo Leidi para Pesquisa e Formação em Urologia, fundada pelo próprio Leidi e apoiada pelos médicos da Urologia para Assistência ao Paciente em Domicílio.

ONDE
Igreja de San Bernardino
Auditório Manenti
Sábado, 4 de Maio, 20h30



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Relativismo absoluto ou absolutismo relativista?

Por que o ateísmo e o relativismo são contraditórios


Roma, 29 de Abril de 2013


O absolutismo relativista exige que toleremos as mentiras como se fossem verdades, e que não “toleremos” as verdades, como se fossem mentiras.

Vimos anteriormente que o ateísmo e o relativismo modernos são profundamente contraditórios[i]. O ateísmo porque pretende ser verdadeiro e relativista, “desconstruindo” todas as verdades e normas morais, a partir de uma verdade absoluta: a inexistência de Deus; dessa verdade “divina” o ateísmo deduz uma regra moral absoluta: é proibido ter regras. O ateísmo relativista pretende assim negar o valor de todos os dogmas e certezas morais a partir de um novo dogma, que cria uma nova moralidade, na qual os valores absolutos são relativizados ou transformados.

O relativismo, por sua vez, é contraditório porque pretende afirmar que todas as afirmações, inclusive as contraditórias, são sempre verdadeiras (ou sempre falsas). Mas quem diz que duas afirmações contraditórias podem ser verdadeiras, deve aceitar que duas contraditórias não podem ser verdadeiras. Essa evidente contradição levaria a renúncia a uma vida humana, na qual se julga, dialoga e se vive em sociedade. Em outras palavras, quem não aceita o princípio de não-contradição, torna-se semelhante a um vegetal. As consequências disso é que o relativismo e o ateísmo absolutos são reciprocamente excludentes; e o relativismo só pode ser verdadeiro quando é relativo, ou seja, parcial, aplicado ao modo de expressar ou de conhecer uma verdade, e não à verdade mesma.

Isso nos faz reconhecer o justo relativismo da verdade, pois essa é sempre relativa à inteligência de quem conhece. E a verdade é única na inteligência divina, pois Deus, ao conhecer a si mesmo, conhece todas as coisas. A verdade humana, porém, é múltipla, pois cada coisa tem sua verdade intrínseca, mas a conhecemos parcialmente, através de muitos juízos verdadeiros. De fato, o conhecimento humano é discursivo e progressivo e até hoje nenhuma ciência pode dizer que conhece totalmente o objecto estudado. A realidade que está diante de nós é sempre mais rica do que conhecemos. Por isso ela é como uma janela pela qual nos chega a luz da verdade e da bondade divinas e infinitas.

Entretanto, não podemos deixar de constatar que vivemos num ambiente cultural impregnado de relativismo. Não de um relativismo absoluto, que é essencialmente contrário à razão humana, mas sim de um absolutismo relativista. De fato, as filosofias relativistas ainda não conseguiram destruir a racionalidade humana e continuamos pensando a partir da convicção de que é possível conhecer a verdade e de que afirmações contraditórias não podem ser ao mesmo tempo verdadeiras. Mesmo assim o relativismo se expande na cultura actual, não através da Lógica, mas pela força da repetição superficial de afirmações “dogmáticas”. Desse modo, não há dúvidas de que vivemos em um ambiente onde reina não um relativismo absoluto, mas sim um absolutismo relativista.

Absolutismo relativista significa, pois, os esforços para se impor uma cultura mundial relativista, que tenta destruir os valores tradicionais. Pretende-se assim convencer aos povos de que tudo é relativo, pois a verdade não existe (ou tudo é verdade, o que dá no mesmo) e todos os comportamentos morais são igualmente bons (ou igualmente maus). Tudo o que é contraditório parece ser hoje válido e tolerável. A única coisa que não se tolera é que se mostre as contradições e a irracionalidade do mesmo relativismo. O absolutismo relativista exige que toleremos as mentiras como se fossem verdades, e que não “toleremos” as verdades, como se fossem mentiras.

Na Ética o absolutismo relativista se manifesta principalmente em dois modos. No Positivismo e no chamado “pensamento débil”. Ambos dizem que a Ética só pode ser descritiva. Embora esses sistemas sejam opostos, as conclusões a que chegam são semelhantes.

O Positivismo diz que o método das ciências experimentais deve ser aplicado a todas as ciências. Ora, as ciências só descrevem a realidade, sem prescrever nada. Por isso a Ética deve apenas dizer como as pessoas se comportam. O argumento dado é logicamente válido, mas há uma premissa que deve ser discutida: por que a Ética deve ter o mesmo método das ciências experimentais? Essa é uma afirmação filosófica, que só pode ser imposta pela força, uma vez que não se sustenta racionalmente. De fato, a dita afirmação não pode ser justificada por métodos experimentais e a conclusão do raciocínio é autocontraditória: diz que as ciências não devem ser normativas, mas essa afirmação é já uma norma no âmbito científico.

Outro sistema importante é o chamado “pensamento débil”. Diz que o filósofo moral deve descrever os modelos de comportamento para facilitar o diálogo entre as culturas. Forma-se assim uma mesa redonda, semelhante à de um jogo de cartas, na qual não se chega a nenhuma conclusão. E isso se apresenta como uma exigência da “democracia”. E o argumento dado diz: os homens são todos iguais; quando dois homens possuem opiniões diversas, ambas devem ser aceitas, pois é antidemocrático ou politicamente incorrecto dizer que uns homens tem razão e outros se equivocam[ii].

Quem pensa assim deveria antes de tudo esclarecer o que significa a afirmação de que “todos os homens são todos iguais”. Se significasse que possuem uma mesma dignidade, estamos de acordo. Mas se quer dizer que tudo o que os homens afirmam, em razão da dignidade comum, seja sempre verdadeiro, isso é um absurdo. Da dignidade da natureza humana não se deduz que o conhecimento de todos os seres humanos seja sempre verdadeiro. E tampouco se deduz que sempre dizemos a verdade. De fato, o homem pode, não só se equivocar, mas também mentir, manipular, tentar dominar a quem parece ser mais fraco. E não se entende como o erro ou a mentira pode sustentar uma “democracia”. Dito de outro modo: o principal equívoco do “pensamento débil” está em estabelecer como critério de verdade não a relação do juízo intelectual com a coisa conhecida, mas sim o juízo com a dignidade de quem o profere. Da dignidade do ser humano, de fato, não se deduz a verdade de todos os seus conhecimentos, nem a bondade moral de todos os seus actos.

Portanto, o Positivismo e o “pensamento débil” expressam bem o actual absolutismo relativista: a tentativa de impor pela força de repetições afirmações contraditórias, como se fossem verdades absolutas, negando o que realmente é verdadeiro e bom. O dito absolutismo, última forma de pensamento universal, desrespeita as culturas verdadeiramente humanas. Pois se a Ética fosse somente descritiva, os filósofos poderiam falar sobre as diversas culturas, mas não falar com elas. E isso ofende a dignidade e a racionalidade humana, que como tal está aberta ao diálogo sincero em busca de uma verdade condivisível por todos os homens[iii].

Pe. Anderson Alves, sacerdote da diocese de Petrópolis – Brasil. Doutorando em Filosofia na Pontificia Università della Santa Croce em Roma.


[ii] Cfr. A. Vendemiati, In prima persona. Lineamenti di etica generale, 3ª ed., UUP, Città del Vaticano 2008, cap. 1.

[iii] Cfr. R. Spaemann, ¿Qué es la ética filosófica? Em Limites, acerca de la dimensión ética del actuar, Ediciones Internacionales Universitarias, Madrid 2003, pp. 19-20.



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As consequências da Primavera Árabe

Os cristãos estão cada vez mais sendo alvo no Oriente Médio


Roma, 29 de Abril de 2013


O conflito continua na Síria e em outros países, que experimentaram uma mudança de regime, como o Egipto, o destino dos cristãos continua a ser motivo de grande preocupação.

Semana passada, dois arcebispos, o sírio-ortodoxo Yohanna Ibrahim e o greco-ortodoxo Paul Yazigi, foram sequestrados no vilarejo de Kfar Dael, por aqueles que a Reuters, no dia 22 de Abril, chamou de "grupo terrorista".

Em Setembro do ano passado, o Arcebispo Ibrahim disse à Reuters que "os cristãos foram atacados e sequestrados de forma monstruosa e as suas famílias pagaram grandes somas para a sua libertação".

Inicialmente as agências afirmaram que os dois arcebispos tinham sido liberados. Mais tarde, porém, Jean-Clement Jeanbart, o arcebispo greco-melquita de Aleppo, negou esta notícia (ver Asia News, 24 de Abril).

No dia do sequestro, 22 de Abril, a Comissão dos EUA sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF) publicou um dossier especial intitulado Proteger e promover a liberdade religiosa na Síria.

Tradicionalmente, no campo religioso, a Síria é um país heterogéneo, com cerca de 22 milhões de pessoas. Os muçulmanos sunitas são cerca de 75% da população, mas subsiste uma minoria substancial de Alauítas, cristãos e Drusos.
O conflito em curso "ameaça a diversidade religiosa da Síria, porque os membros das menores comunidades minoritárias fogem do país, também em face de um futuro incerto no pós-Assad”, está escrito no dossier.

O dossier da comissão exorta tanto os Estados Unidos como os outros países a implementarem políticas de apoio aos direitos das minorias e à liberdade religiosa.

A agência norte-americana admitiu que as condições não eram certamente idílicas nem mesmo antes do levante actual, observando que "a Síria oferecia um mínimo de liberdade religiosa, incluindo a liberdade de culto, especialmente para as minorias religiosas no país, incluindo os cristãos".

"No entanto, o governo controlava a selecção dos imãs sunitas e limitava a sua liberdade religiosa", diz o dossier.

Além disso, o documento atribui ao regime a responsabilidade por uma política de repressão da maioria sunita, que durou décadas, e a intensificação das hostilidades entre as minorias religiosas.

Ao mesmo tempo, as comunidades religiosas que se mantiveram neutras durante as revoltas violentas, foram vistas pelas forças de oposição, como cúmplices do governo.

"Na medida em que essas fracturas sectárias se aprofundam, torna-se cada vez mais provável que as comunidades religiosas estejam na mira, não por suas alianças políticas, mas apenas por sua filiação religiosa", adverte o USCIRF.

É claro, diz o dossier USCIRF, que "este sectarismo está em ascensão e as agressões com motivo religiosos têm sido perpetradas pelo regime de Assad e pelos seus delegados, bem como, às vezes, pelas forças de oposição que apontam para sua queda, causando graves violações da liberdade religiosa".

"Essas violações também ameaçam a diversidade religiosa da Síria com a crescente probabilidade de violência com motivo religioso e constantes retaliações numa Síria pós-Assad, onde as minorias religiosas são particularmente vulneráveis", diz o dossier.

O Egipto é outro país onde os cristãos são ameaçados. Há um temor de que a Constituição apenas aprovada não seja capaz de proteger os direitos dos cristãos, como destaca um serviço da BBC do dia 3 de Janeiro.

Uma mãe egípcia e seus sete filhos foram condenados a penas de prisão pesadas por terem  alterado ilegalmente os seus documentos oficiais (cfr. Russia Today, 16 de Janeiro de 2013). A família queria restaurar seus nomes cristãos, após a morte de seu pai, um muçulmano.

Nadia Ali Mohamed nasceu cristã, mas tinha se convertido ao islamismo, depois de se casar com Mustafa Abdel-Wahab. Com a morte de seu marido em 1991, ela queria voltar para o cristianismo.

Em 2004, depois de ter voltado a ser cristã, a família substituiu os nomes muçulmanos na própria carteira de identidade por nomes cristãos. Toda a família foi condenada a 15 anos de prisão por ter violado as leis de mudança de nome.

Enquanto isso, os grupos islâmicos continuam a atacar edifícios cristãos, sem que a polícia ou as forças de ordem se comprometam demais para prevenir estes atentados. No passado 16 de caneiro a Assyrian International News Agency disse que centenas de muçulmanos destruíram a sede dos serviços sociais, que pertencem à Igreja Copta, entoando slogans islâmicos. O edifício estava localizado na aldeia de Fanous, no distrito de Tamia, na província de Fayoum, 130 km a sudoeste do Cairo.

No início deste mês, um grupo atacou a Catedral Copta de São Marcos, atirando pedras e bombas incendiárias (cfr. New York Times, 8 de Abril de 2013).

"A polícia não está fazendo nada para nos proteger ou parar a violência", disse Wael Eskandar, activista cristão-copto. "Pelo contrário, estão ajudando activamente os civis", a atacarem os cristãos, disse Eskandar, de acordo com o citado artigo do New York Times.

O ataque continua com vários dias de conflito, culminados em um tiroteio que matou quatro muçulmanos e um cristão.

O Papa dos coptos Tawadros II acusou o presidente Mohammed Mursi, um membro da Irmandade Muçulmana, de não protegido a catedral: o Washington Post, em um artigo do 18 de Abril, o chamou de "uma crítica directa sem precedentes".

As tensões continuam, com dez pessoas mortas nas últimas semanas durante os confrontos entre Muçulmanos e Cristãos Cóptas no Egito (cfr. Al-Jazeera, 22 de Abril).

Nos países do Oriente Médio as perspectivas para os cristãos continuam a ser muito problemáticas, no entanto, nem os governos ocidentais nem instituições internacionais parecem dar muita atenção para o assunto.



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A fé não esmorece diante das provações

Homilia de Dom Augusto César no Santuário de Fátima


Fátima, 29 de Abril de 2013


Na manhã de ontem, 28 de Abril, um total de 22 grupos de peregrinos vindos de nove países participou nas celebrações dominicais celebradas no Santuário de Fátima, presididas por D. Augusto César, bispo emérito de Portalegre-Castelo Branco.

Depois de um desfile pelo centro do recinto em direcção à escadaria que ladeia o altar, o Recinto de Oração revestiu-se de um colorido e de um ambiente especial, que foi de festa, de tradição, de história e de fé. Isto devido à numerosa presença de grupos de folclore e etnográficos de todo o Portugal a participarem em Fátima na peregrinação promovida, pelo 11º ano consecutivo, pela Federação de Folclore Português.

De forma também bastante expressiva encontravam-se outros três grupos em peregrinação nacional: os grupos portugueses do Movimento Esperança e Vida e da Obra de Santa Zita, e o grupo espanhol da Adoración Nocturna.

A todos os peregrinos presentes no Santuário, D. Augusto César deixou uma exortação: “A fé não esmorece diante das provações, antes fica purificada, e Deus, como diz o livro do Apocalipse, enxugará as lágrimas dos que sofrem, quer dizer, Deus continua a proteger os pequeninos e aqueles que são os últimos da sociedade”.

D. Augusto César reflectiu também sobre a importância da família e do apostolado feito em grupo, como meios para viver e propagar a fé: “daí o interesse das associações familiares e dos movimentos juvenis, pois, se por um lado há muito quem procure seduzir em nome da banalidade, por outro é preciso saber discernir o essencial e acreditar em quem mostra Jesus Cristo”.

“Pais, acompanhai os vossos filhos de perto e com carinho e dai-lhes a saborear a força do amor sacramental; filhos, levai para a escola e demais actividades o testemunho responsável dos vossos pais que são os primeiros educadores e também os mais empenhados no vosso futuro”, apelou D. Augusto César, “em nome da fé”.

Ainda na homilia da missa dominical, o bispo emérito de Portalegre-Castelo Branco dirigiu-se directamente aos grupos mais numerosos.

Aos grupos de folclore pediu “que ajudem o país a cantar as tradições, a cantar a alegria do nosso povo que agora anda muito esmorecido”.

Do Movimento Esperança e Vida evidenciou “que é preciso olhar para a família e este movimento traz uma petição a fazer a Nossa Senhora, que abençoe as famílias não só do nosso país, mas do mundo inteiro”.

Sobre a presença no Santuário da Obra de Santa Zita no Quinto Domingo da Páscoa, o bispo disse que esta Obra “deu o tom a esta peregrinação, na medida em que faz um apelo à fé mediante a prática das boas obras e de obras feitas à luz da fé”.

D. Augusto César mencionou também o movimento espanhol da Adoração Nocturna: “passam muitas horas diante do Santíssimo Sacramento, diante de ‘Jesus Escondido’ como diziam o Pastorinhos, porque se sentem atraídos pelo convívio da ceia, pelo partir e repartir do pão e pelo gesto do lava-pés; e tudo isto como expressão do amor fraterno que torna presente o amor de Deus e o Deus do amor”.

Por LeopolDina Simões



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Encontro dos bispos europeus para discutir as relações entre cristãos e muçulmanos

Reúne-se em Londres o Conselho das Conferências Episcopais da Europa


Roma, 29 de Abril de 2013


Do 1 ao 3 de Maio, o Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) se reunirá em Londres para discutir as relações entre cristãos e muçulmanos. O encontro, presidido pelo cardeal Jean-Pierre Ricard, arcebispo de Bordeaux (França) terá como relator principal o cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso.

No segundo dia da conferência está previsto a intervenção do Arcebispo Vincent Nichols, presidente da Conferência Episcopal da Inglaterra e do País de Gales que celebrará a missa para os delegados na catedral de Westminster.

Os 32 participantes representam vinte Conferência Episcopais, as organizações europeias culturais e eclesiásticas e reúne especialistas do diálogo entre cristãos e muçulmanos. No primeiro dia, o padre Andrea Pacini, coordenador do CCEE da rede entre cristãos e muçulmanos e secretário para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da conferência Episcopal do Piemonte e do Valle d'Aosta (Itália) apresentará o tema da conferência: " Diálogo e anúncio".

Para o segundo dia está programado uma reflexão, diálogo e partilha de experiências sobre a identidade religiosa dos jovens cristãos e muçulmanos na Europa. A professora Brigitte Maréchal da Universidade de Lovaina (Bélgica) e o Dr. Erwin Tanner, secretário-geral da Conferência dos Bispos da Suíça serão os relatores principais.

No último dia, os delegados descreverão a situação nos respectivos países. O cardeal Tauran falará sobre o tema: O que há de novo nas relações entre os muçulmanos e a Igreja Católica?



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Savar: uma tragédia anunciada

A instrumentalização anti-ocidental da tragédia na fábrica de Bangladesh


Roma, 29 de Abril de 2013


O que aconteceu em Savar, Bangladesh, é uma história já vista, que se repete periodicamente sem nenhuma perspectiva de mudança. A penúltima desgraça tinha acontecido em 16 de Novembro de 2012, na Tazreen Fashion, uma fábrica destruída pelo fogo: nove andares, uma única saída de emergência (bloqueada), fuga impossível dos trabalhadores, saldo de 112 trabalhadores mortos.

Agora, em Savar, a trinta quilómetros de Daca, a capital de Bangladesh, um prédio de oito andares declarado impróprio para uso estava sendo usado, apesar de tudo, como cenário para que centenas de homens e mulheres fossem obrigados pelos seus empregadores a trabalhar por menos de um dólar ao dia.

Em 24 de Abril, os oito andares do Rana Plaza colapsaram sobre si próprios.

Até o momento, 2.348 pessoas foram retiradas da montanha de entulho: pelo menos 304 morreram e 2.044 ficaram feridas, mas ainda há 372 desaparecidos. Entre os trabalhadores ainda ausentes há três meninas cristãs, que tinham estudado na Novara Technical School, uma escola técnica fundada em Dinaipur pelos missionários do Pontifício Instituto para as Missões Exteriores (PIME). Missionários e voluntários cristãos chegaram ao local para ajudar nas operações de resgate. Eles continuam a procurá-las entre os escombros e nos hospitais que receberam os feridos.

O Rana Plaza alojava cinco fábricas têxteis com cerca de 3 mil funcionários; em sua grande maioria, moças. Nas fábricas, eram produzidas peças de roupa para grandes marcas internacionais, como a inglesa Primark, a espanhola Mango, a alemã KIK e a gigante norte-americana Wal-Mart.

A italiana Benetton também foi acusada de produzir roupas naquele moedor humano, mas emitiu um comunicado oficial negando envolvimento.

Em 23 de Abril, um dia antes do desabamento, inspectores tinham declarado a construção insegura e imprópria para uso, por causa de rachaduras profundas que eram visíveis em todas as paredes. A grande estrutura tinha sido construída sobre um lago submerso, de forma ilegal, por um jovem empreendedor. Apesar da declaração de inabitabilidade, os donos das fábricas forçaram seus funcionários a continuar trabalhando, mediante frases ameaçadoras como "Se você não vier, não pago os atrasados" ou "Se você perder um dia, perde três do pagamento".

Além da tragédia humana e da loucura da ganância humana, o desabamento do edifício significa mais um fósforo aceso em um barril de pólvora pronto para explodir: o clima de tensão política e social que existe no país.

Os partidos da oposição e os partidos islâmicos aproveitaram a oportunidade para instrumentalizar a tragédia contra o Ocidente, imputando a responsabilidade ao governo do partido Liga Awami, do qual exigem a renúncia. O proprietário do edifício, de fato, é um homem que tem ligações com o partido. A frente de oposição ao governo inclui o tradicional Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP), mas também muitos partidos fundamentalistas islâmicos, como o antigo Jamaat-Islam e novas formações e movimentos como o Hefajat-Islam (“Protector do Islão”) e o Ahle Sunnah Wal Jamaat, que pregam a islamização do país.



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Respondam ao mal com o bem

O ataque do grupo Femen contra o arcebispo de Bruxelas


Roma, 29 de Abril de 2013


Elas invadem a sala com os seios à mostra, exibindo neles palavras obscenas e ofensivas em defesa do amor lésbico e gay. São intolerantes, violentas com as palavras e com as acções. Jogam em cima do bispo uma imagem de Nossa Senhora de Lourdes e o molham com água benta, antes de serem paradas pela segurança.

Elas se denominam Femen e arremeteram contra o prelado por acusá-lo de ser “um dos pregadores da homofobia na Europa”. Tudo aconteceu no mesmo dia em que foi aprovada na França a lei de aprovação das uniões e adopções homossexuais.

O arcebispo Léonard dava uma palestra sobre a blasfémia na Universidade Livre de Bruxelas quando foi interrompido e agredido pelo grupo de mulheres. Tudo foi gravado pela televisão belga.

O que surpreendeu a todos, porém, não foi a invasão repentina das feministas, mas a reacção do bispo dom Léonard. Ele continuou sentado em silêncio, rezando, concentrado na oração, recebendo os insultos, a água, a violência e o ódio. Seu rosto estava sereno. Ele recolheu a estatueta de Nossa Senhora de Lourdes e a beijou.

O público em geral, inclusive os mais hostis a Léonard, ficou impressionado com a calma imperturbável do pastor, que despertou muitas reacções de apreço e lembrou a todos um grande ensinamento do evangelho: "Não resistais ao mal, mas respondei ao mal com o bem".



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Tudo pronto para a chegada de Shimon Peres em Assis

Presidente é o nono prémio Nobel a visitar a Basílica de São Francisco


Assis,


Tudo pronto para a chegada do presidente israelita Shimon Peres na Basílica de São Francisco de Assis. Quarta feira, 1 de maio, será conferido ao presidente o título de cidadão honorário da cidade de Assis pela paz. A cerimónia acontecerá no salão do Sacro Convento às 10:15 (hora local). O presidente será recebido pelo custode do convento, padre Mauro Gambetti, da comunidade franciscana conventual, pelo bispo de Assis, Dom Domenico Sorrentino, pela presidente da região da Umbria, Catiusca Marini, e pelo prefeito da cidade, Claudio Ricci.

“Shimon Peres é o nono prémio Nobel da paz que visita a Basílica de São Francisco”, declarou padre Enzo Fortunato, director de comunicação do Sacro Convento de Assis. Seus predecessores foram Lech Walesa (18 Janeiro1981), Dalai Lama (26 Outubro 1986),Madre Teresa di Calcutta (26 Outubro 1986), Yasser Arafat (6 Abril 1990), Betty Williams (24 Setembro 1995), Carlos Felipe Ximenes Belo (15 Junho 1997), Mikhail Gorbaciov (15 Março 2008) e Mohamed ElBaradei (17 Novembro 2009)".

O evento será transmitido em streaming pelo site sanfrancesco.org.



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Não a qualquer forma de intolerância religiosa

Presidência da CCEE condena ataque contra monsenhor Léonard


Roma, 29 de Abril de 2013


Em carta enviada ao arcebispo de Malines-Bruxelas, mons. André-Joseph Léonard, vítima de um ato de intolerância religiosa, terça-feira 23 de Abril, por ocasião de uma conferência na Universidade pública de Bruxelas, a presidência do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) quis expressar ao arcebispo sua “sincera proximidade e solidariedade” e condenar qualquer forma agressiva de intolerância religiosa.

Ao mesmo tempo reitera a posição da Conferência episcopal da Bélgica segundo a qual “uma discussão democrática sobre questões da sociedade não é possível se não for permitido a todos expor as próprias ideias com respeito mútuo e liberdade de expressão”.



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Recomeçar do trabalho, salvaguardar a coesão

Mensagem dos bispos do nordeste da Itália para este 1º de Maio


Roma, 29 de Abril de 2013


"É hora de mudar de marcha, renovando o compromisso e a disponibilidade de todos para o trabalho: bancos, empresas, sindicatos, sociedade civil, comunidade política". É o que afirmam os bispos da região italiana do Trivêneto em sua mensagem de 1º de maio, publicada ontem nos semanários diocesanos do nordeste da Itália. Temos que "recomeçar a partir do trabalho, no âmbito da economia e no âmbito da iniciativa política e social", destacam os bispos no texto que foi desenvolvido em Roma, durante a sua recente visita ad limina.

A mensagem transmite "proximidade humana e cristã àqueles que sofrem pela falta desse bem necessário à realização na vida, que é o trabalho. O trabalho sempre foi e é considerado pela Igreja como um direito humano fundamental; de certa forma, a ferramenta indispensável para se abordarem e solucionarem as várias questões sociais".

“A crise é muito grave”, continuam os bispos, “e nós, como realidade eclesial, também estamos envolvidos nela com íntima e dolorosa participação. Uma participação que cresce mais a cada dia e que, juntamente com as nossas dioceses, nos leva a compartilhar o drama diário de pessoas, especialmente de trabalhadores e empreendedores, que estão sem trabalho e sem futuro; de famílias perturbadas pela incerteza paralisante e pelo sentir-se no meio de uma estrada que não leva a lugar nenhum; de jovens rejeitados pelo mercado de trabalho e que têm negada a oportunidade de começar uma família e de realizar a própria personalidade".

Além do trabalho, prosseguem, "é de salvaguardar-se o bem imensurável da coesão social e, acima de tudo, da coesão espiritual e cultural dos nossos povos, que, enriquecidos pelo dom da fé e pelo trabalho exemplar e inteligente, têm sido capazes de realizar obras memoráveis​ de desenvolvimento humano ao longo dos anos. Uma visão renovada e compartilhada do valor do trabalho, do direito a ele e dos direitos que acompanham o seu exercício: é isto o que permitirá a prática das exigências éticas fundamentais, muito urgentes, que traçam o perfil integral, comunitário e solidário dos processos do nosso desenvolvimento e da nossa convivência".



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O papa a dom Rino Fisichella: "Diga aos membros da Renovação Carismática que eu os amo muito"

Mensagem pessoal do papa Francisco ao presidente do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, que participa na convenção nacional italiana do movimento


Roma, 29 de Abril de 2013


Dom Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, presidiu ontem a missa que encerrou o segundo dia da 36ª Assembleia Nacional italiana da Renovação Carismática, em Rimini.

Antes da missa, Fisichella transmitiu uma mensagem inesperada, que, literalmente, fez explodir de alegria os quinze mil presentes. Após o sinal da cruz, ele dirigiu a todos a saudação afectuosa do papa Francisco. "Antes de começar esta celebração, eu trago a vocês uma saudação. Esta manhã, antes de sair, eu encontrei o papa Francisco e lhe disse: Santo Padre, vou a Rimini, onde estão reunidos milhares e milhares de fiéis da Renovação Carismática, homens, mulheres, jovens. O papa, com um grande sorriso, me disse: Diga a eles que eu os amo muito. E como se não bastasse, antes de se despedir ele acrescentou: Escute, diga a eles que eu os amo muito porque na Argentina eu era o responsável. E por isso eu os amo muito".

Em sua homilia, Fisichella dedicou palavras de afecto aos participantes do grande encontro, agradecendo-lhes "pela grande obra de nova evangelização que já estão realizando há um longo tempo", mas que "se abre diante do esforço de todos através do Plano Nacional para a Nova Evangelização, que passa a ser a bússola para trabalhar e agir no coração da Igreja".

Em sua pregação breve e concreta, dom Rino focou em seguida no "trabalho" da nova evangelização e na figura de Jesus como "o mestre que nos acompanha e que não nos abandona, num mundo em que tantas vezes o cristão tem que andar na contra-mão".

Ele também lembrou que Jesus é a "revelação que indica o caminho que Deus sempre planeou para nós". E acrescentou: “A pergunta de Tomás é a nossa pergunta: Senhor, Tu és o caminho, mas como podemos conhecê-lo?".

"O segredo da nossa existência, a realização plena da felicidade, vem quando aceitamos o plano de Deus para nós e o colocamos em prática. Mas nem sempre o que o coração entende chega a uma realização plena e concreta".

Uma "realização", enfatizou o bispo, que só se encontra em Cristo, que nunca nos deixa sozinhos: "Ele é a via para sabermos quem somos, de onde viemos e para onde vamos. Ele nos mostra o objectivo". A nova evangelização, portanto, "nos chama a fazer da fé a nossa certeza, a construir a vida em Jesus Cristo".

O testemunho, por isso, disse o presidente do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, "não pode negligenciar a proclamação da esperança da ressurreição, que contrasta com a tendência da cultura da morte, na qual a falta de Deus remove toda perspectiva e direcção futura. Temos que nos tornar peregrinos: o objectivo é Ele, Jesus. É com este objectivo que temos que nos reunir".



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Bendita vergonha

Consoladora homilia na missa diária do papa Francisco


Cidade do Vaticano, 29 de Abril de 2013


“Vergonha” foi a palavra-chave da homilia do papa Francisco na missa celebrada hoje na Domus Santa Marta. Palavra, a princípio, de conotação negativa, mas que, segundo o Papa, na visão cristã, se torna uma virtude.

O confessionário não é nem uma «lavandaria» que lava os pecados, nem um «momento de tortura» onde se infligem pauladas. A confissão é um encontro com Jesus e sentimos de perto sua ternura. Mas é preciso aproximar-se do sacramento sem truques ou meias-verdades, com mansidão e alegria, confiantes e armados com essa "bendita vergonha", "a virtude da humildade" que nos faz reconhecer como pecadores.

Entre os concelebrantes, o cardeal Domenico Calcagno, presidente da Administração do Património da Sé Apostólica (Apsa), com o secretário D. Luigi Mistò, o arcebispo Francesco Gioia, presidente da Peregrinatio ad Petri Sedem, o arcebispo nigeriano de Owerri, D. Anthony Obinna, e o procurador-geral dos verbitas, Gianfranco Girardi. Concelebrou também D. Eduardo Horacio García, Bispo auxiliar e pró-vigário-geral de Buenos Aires. Entre os presentes, as irmãs Pias Discípulas do Mestre Divino que prestam serviço no Vaticano e um grupo de empregados da Apsa.

O Pontífice iniciou sua homilia com uma reflexão sobre a primeira carta de São João (1, 5-2, 2), em que o apóstolo afirma: "Deus é luz, e Nele não há trevas". Mas, se dissermos “que estamos em comunhão com Ele” e “andarmos nas trevas, somos mentirosos e não praticamos a verdade”.

O papa Francisco destacou que “todos nós temos obscuridades na nossa vida”, momentos “em que há escuridão em tudo, inclusive na própria consciência,mas “caminhar nas trevas significa estar satisfeito de si mesmo; estar convencido de que não precisa de salvação. Essas são as trevas!”.

Olhem seus pecados, os nossos pecados: todos somos pecadores –e continuou - “se confessamos nosso pecados, Ele é fiel, é justo a ponto de nos perdoar.” 

Como recorda o Salmo 102: "Assim como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem”. Ele sabe de tudo. "Não se preocupe, vá em paz", a paz que só Ele dá”.

Isto é o que "acontece no sacramento da reconciliação”. Muitas vezes – disse o Papa - pensamos que confessar é como ir a lavandaria. No entanto, Jesus no confessionário não é um serviço de lavandaria”.

A confissão "é um encontro com Jesus, que nos espera como somos”. Muitas vezes, temos vergonha de dizer a verdade: eu fiz isso, eu pensei aquilo. Mas a vergonha é uma verdadeira virtude cristã, e até mesmo humana. A capacidade de envergonhar-se é uma virtude do humilde”.

"Jesus espera por cada um de nós, reiterou o papa Francisco citando o Evangelho de Mateus (11, 25-30): Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.

Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.Esta é a virtude que Jesus nos pede: humildade e mansidão”.

“Humildade e mansidão - continuou o Papa - são como a marca de uma vida cristã. “E Jesus nos espera para nos perdoar. Confessar não é como ir a uma “sessão de tortura”. “Não! Confessar-se é louvar a Deus, porque eu pecador fui salvo por Ele. E ele me espera para me repreender? Não, com ternura para me perdoar. E se amanhã fizer a mesma? Confesse-se mais uma vez... Ele sempre nos espera”. 

Francisco concluiu: "Isso nos alenta, é belo, não é? E se sentirmos vergonha? Bendita vergonha porque isso é uma virtude.Que o Senhor nos dê esta graça, esta coragem de procurá-lo sempre com a verdade, porque a verdade é luz e não com as trevas das meias-verdades ou das mentiras diante de Deus”. 


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Acolher a novidade de Deus em nossas vidas

As palavras do papa Francisco durante o Regina Coeli


Cidade do Vaticano, 28 de Abril de 2013


Depois de celebrar a missa do V Domingo de Páscoa e crismar 44 jovens,o Papa Francisco rezou o Regina Coeli. Apresentamos a seguir as palavras pronunciadas pelo pontífice antes da tradicional oração mariana.

Antes de concluir esta celebração, quero confiar a Nossa Senhora a crisma e todos vocês. A Virgem Maria nos ensina o que significa viver no Espírito Santo, o que significa acolher a novidade de Deus em nossas vidas. Ela concebeu Jesus pelo poder do Espírito,e cada cristão, cada um de nós é chamado a acolher a Palavra de Deus, a acolher Jesus em si e, em seguida, levá-lo a todos. Maria invocou o Espírito com os Apóstolos no Cenáculo: também nós, cada vez que nos reunimos em oração, somos sustentados pela presença espiritual da Mãe de Jesus, para recebermos o dom do Espírito e termos a força para testemunhar Jesus ressuscitado. Digo isso especialmente para vocês que hoje receberam o Crisma: Maria vos ajude a estar atentos ao que o Senhor vos pede, e a sempre viver e caminhar de acordo com o Espírito Santo!

Gostaria de estender minhas calorosas saudações a todos os peregrinos que vieram de tantos países. Saúdo em particular os jovens que estão se preparando para o Crisma, o grande grupo guiado pelas Irmãs da Caridade, os fiéis de algumas paróquias polacas e de Bisignano, bem como o Katholische Akademische Verbindung Capitolina.

Neste momento, um momento especial, gostaria de oferecer uma oração pelas vítimas do trágico colapso de uma fábrica em Bangladesh. Exprimo minha solidariedade e sinceras condolências às famílias que choram pelos seus entes queridos e elevo do fundo do meu coração um forte apelo para que seja sempre tutelada a dignidade e segurança do trabalhador.

Agora, à luz da Páscoa, fruto do Espírito, dirijamo-nos juntos à Mãe do Senhor.



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A novidade de Deus não é como as inovações do mundo

Homilia do Papa Francisco pronunciada na Santa Missa e Crisma neste V Domingo de Páscoa


Cidade do Vaticano, 28 de Abril de 2013


Apresentamos a homilia do Papa Francisco pronunciada na Santa Missa e Crisma neste V Domingo de Páscoa, na Praça de São Pedro

Amados irmãos e irmãs!
Queridos crismandos! Bem-vindos!

Gostaria de vos propor três pensamentos, simples e breves, para a vossa reflexão.

1.Na Segunda Leitura, ouvimos a estupenda visão de São João: um novo céu e uma nova terra e, em seguida, a Cidade Santa que desce de junto de Deus. Tudo é novo, transformado em bondade, em beleza, em verdade; não há mais lamento, nem luto... Tal é a acção do Espírito Santo: Ele traz-nos a novidade de Deus; vem a nós e faz novas todas as coisas, transforma-nos. O Espírito transforma-nos! E a visão de São João lembra-nos que todos nós estamos a caminho para a Jerusalém celeste, a novidade definitiva para nós e para toda a realidade, o dia feliz em que poderemos ver o rosto do Senhor – aquele rosto maravilhoso, tão belo do Senhor Jesus –, poderemos estar para sempre com Ele, no seu amor.

Olhai! A novidade de Deus não é como as inovações do mundo, que são todas provisórias, passam e procuram-se outras sem cessar. A novidade que Deus dá à nossa vida é definitiva; e não apenas no futuro quando estivermos com Ele, mas já hoje: Deus está a fazer novas todas as coisas, o Espírito Santo transforma-nos verdadeiramente e, através de nós, quer transformar também o mundo onde vivemos. Abramos a porta ao Espírito, façamo-nos guiar por Ele, deixemos que a acção contínua de Deus nos torne homens e mulheres novos, animados pelo amor de Deus, que o Espírito Santo nos dá. Como seria belo se cada um de vós pudesse, ao fim do dia, dizer: Hoje na escola, em casa, no trabalho, guiado por Deus, realizei um gesto de amor por um colega meu, pelos meus pais, por um idoso. Como seria belo!

2. O segundo pensamento: na Primeira Leitura, Paulo e Barnabé afirmam que «temos de sofrer muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus» (Act 14, 22). O caminho da Igreja e também o nosso caminho pessoal de cristãos não são sempre fáceis, encontramos dificuldades, tribulações. Seguir o Senhor, deixar que o seu Espírito transforme as nossas zonas sombrias, os nossos comportamentos em desacordo com Deus e lave os nossos pecados, é um caminho que encontra muitos obstáculos fora de nós, no mundo, e dentro de nós, no coração. Mas, as dificuldades, as tribulações fazem parte da estrada para chegar à glória de Deus, como sucedeu com Jesus que foi glorificado na Cruz; aquelas sempre as encontraremos na vida. Não desanimeis! Para vencer estas tribulações, temos a força do Espírito Santo.

3. E passo ao último ponto. É um convite que dirijo a todos, mas especialmente a vós, crismandos e crismandas: permanecei firmes no caminho da fé, com segura esperança no Senhor. Aqui está o segredo do nosso caminho. Ele dá-nos a coragem de ir contra a corrente. Sim, jovens; ouvistes bem: ir contra a corrente. Isto fortalece o coração, já que ir contra a corrente requer coragem e Ele dá-nos esta coragem. Não há dificuldades, tribulações, incompreensões que possam meter-nos medo, se permanecermos unidos a Deus como os ramos estão unidos à videira, se não perdermos a amizade com Ele, se lhe dermos cada vez mais espaço na nossa vida. Isto é verdade mesmo, e sobretudo, quando nos sentimos pobres, fracos, pecadores, porque Deus proporciona força à nossa fraqueza, riqueza à nossa pobreza, conversão e perdão ao nosso pecado. O Senhor é tão misericordioso! Se vamos ter com Ele, sempre nos perdoa. Tenhamos confiança na acção de Deus! Com Ele, podemos fazer coisas grandes; Ele nos fará sentir a alegria de sermos seus discípulos, suas testemunhas. Apostai sobre os grandes ideais, sobre as coisas grandes. Nós, cristãos, não fomos escolhidos pelo Senhor para coisinhas pequenas, ide sempre mais além, rumo às coisas grandes. Jovens, jogai a vida por grandes ideais!

Novidade de Deus, tribulação na vida, firmes no Senhor. Queridos amigos, abramos de par em par a porta da nossa vida à novidade de Deus que nos dá o Espírito Santo, para que nos transforme, nos torne fortes nas tribulações, reforce a nossa união com o Senhor, o nosso permanecer firmes n'Ele: aqui está a verdadeira alegria. Assim seja.



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