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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Três jornadas de estudo da encíclica Pacem in terris

Organização do evento é do Pontifício Conselho Justiça e Paz


Cidade do Vaticano, 26 de Setembro de 2013


Celebra-se este ano o 50º aniversário da encíclica Pacem in terris, do beato João XXIII, e, para a ocasião, o Conselho Pontifício Justiça e Paz organizou três jornadas que “não pretendem ser uma simples comemoração do documento”. O que se pretende entre os dias 2 e 4 de Outubro é promover uma reflexão sobre a actualidade e sobre a actualização de conteúdos da encíclica, com referência à res novae.

O cardeal Turkson, durante a apresentação do evento aos jornalistas, afirmou que o objectivo é "verificar a aplicação prática dos seus ensinamentos fundamentais no âmbito dos direitos humanos, do bem comum, do bem comum global e da política, campos em que entra em jogo a convivência pacífica entre os povos e entre as nações".

O purpurado explicou também que, durante a reflexão nessas três jornadas, convergirão vários pontos particularmente significativos. Em primeiro lugar, a questão das instituições políticas e das políticas globais, "indispensáveis para encararmos as questões globais". Esse tipo de problemática exige a consideração de reforma da maior instituição global: a Organização das Nações Unidas.

Em segundo lugar, as novas fronteiras da paz. "A actualização dos conteúdos da Pacem in terris, em referência à res novae, nasce da observação de que a partida é jogada hoje em campos notavelmente diferentes de cinquenta anos atrás, época em que o conflito, não apenas latente, se encarnava essencialmente na contraposição dos dois blocos envolvidos na guerra fria", explicou o cardeal.

O último ponto será o aspecto educativo, "particularmente presente no coração da Igreja e que tem, entre as suas missões principais, a formação das consciências". Cerca de 60 reitores e docentes, representando muitas universidades pontificas e católicas dos cinco continentes, se encontrarão nas jornadas para aprofundar uma das questões cruciais: "a formação de novas gerações de católicos comprometidos na política".

O encontro será encerrado em uma audiência com o papa Francisco, que falará do mesmo tema das jornadas de estudo, informou o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.


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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Colóquio (internacional) dos 25 Anos do Centro de Estudos de Bioética



Dia Nacional dos Bens Culturais da Igreja



Newletter "Um de Nós", 25 Setembro



A outra grande vitória de Gino Bartali: as suas perigosas corridas em bicicleta para salvar 800 judeus






A formação integral: um recurso para os estudantes do século XXI

O novo reitor da Universidade Europeia de Roma, o Padre Luca Gallizia, fala sobre a missão do seu ateneu


Roma, 25 de Setembro de 2013


Atingido o seu nono ano lectivo de actividade, a Universidade Europeia de Roma viu a mudança de seu reitor. Padre Paolo Scarafoni LC, que dirigiu o ateneu fundado pelos Legionários de Cristo desde a sua fundação em 2005, cedeu o seu lugar ao padre Luca Gallizia LC.

Conforme relatado a ZENIT pelo padre Gallizia, os próximos anos lectivos serão a oportunidade da UER desenvolver a própria vocação plenamente: uma universidade moderna e dinâmica na abordagem da realidade e da cultura, mas firmemente enraizada em uma multisecular tradição cristã e aberta não apenas à erudição técnico-científica, mas à formação humana integral dos profissionais do futuro.

ZENIT: Padre Luca, qual é, em síntese, o programa da sua reitoria?
Padre Luca Gallizia: Na verdade, para este ano lectivo, a minha intenção é focar na continuidade em relação ao trabalho desenvolvido antes de mim, especialmente em tantos elementos positivos que a universidade já possui e que devem ser desenvolvidos e levados à sua plenitude. A minha intenção, portanto, é a de consolidar com a ajuda de todo o corpo docente e do pessoal administrativo, este projecto educativo que tem uma grande potencialidade, que precisa ser levado adiante e apoiado. Naturalmente toda novidade deve ser apoiada: temos em projecto a abertura de uma nova área científica, a da engenharia civil/arquitectura, que não foi possível realizar este ano mas que permanece no projecto. Continuaremos depois a valorizar as colaborações com as outras universidade e o diálogo aberto com as instituições.

ZENIT: Por causa da crise económica, em todas as universidade italianas, especialmente ateneus privados, continua um declínio no número de inscritos. Também a UER está sofrendo esse fenómeno?
Padre Luca Gallizia: Nós não sofremos uma queda, mas pelo contrário, observamos um leve crescimento, embora não muito significativo, dos inscritos. Para este ano académico – ainda que não tenhamos dados definitivos – houve um aumento entre os estudantes que participaram das provas de admissão. São elementos que nos incentivam e que podem ser causados por muitos factores, a partir da atenção que uma universidade como esta - privada, de pequeno porte, inspirada nos valores do cristianismo – dá ao valor da pessoa. Nosso lema é: Formamos pessoas, preparamos profissionais. A nossa finalidade, portanto, não é somente técnico-científica, mas temos uma inspiração formativa integral. Eu acredito que os jovens percebam esta atenção personalizada, este espírito de acolhida, este esforço a mais de ir a eles de de dar-lhes as ocasiões de formação extra-curricular, que são facultativas mas que criam também um ambiente de estímulo e de acolhida no qual o jovem se sente acompanhado e incentivado a fazer frutificar todos os próprios talentos. Talvez seja por esta razão que vários estudantes fizeram a escolha de uma universidade deste tipo. Também as famílias têm um desejo de oferecer aos filhos um ambiente formativo que os acompanhe e saiba ajudar-lhes em problemáticas específicas que podem surgir em seu caminho.

ZENIT: O senhor é um sacerdote Legionário de Cristo, que dirige uma universidade laica. Quais são os aspectos de catolicismo que desenvolvem o valor laico da educação?
Padre Luca Gallizia: Eu acho que existe uma vocação específica da universidade católica com relação à federal. Em comum têm a missão de transmitir uma bagagem de formação e informação também com a finalidade da inclusão do jovem no mundo do trabalho. Além desta finalidade, os mesmos sumo pontífices quiseram sublinhar uma especificidade: especialmente Bento XVI explicou melhor a vocação à uma dimensão técnico-científica que se abre a uma dimensão mais alta, integral da pessoa. É aquilo que o Papa Ratzinger chamou de “expansão da racionalidade", uma racionalidade que não se fecha em si mesma, que não cai no utilitarismo mas que está aberta aos valores que respondem às perguntas mais profundas do coração do homem e que estes estudantes depois estarão servindo na sociedade. Os anos de formação, portanto, também devem ser anos de crescimento do aluno. Temos excelentes testemunhos de jovens que concluíram o seu percurso académico e que narram como para eles a universidade tenha sido uma ocasião de crescimento pessoal: estes estudantes acreditam ter experimentado um amadurecimento não só intelectual, mas também pessoal, relacional, de responsabilidade com a sociedade. São elementos que nos encorajam a seguir adiante com a nossa missão.

ZENIT: No mundo de hoje, tão decadente e secularizado, qual papel pode ter uma universidade tão firmemente ancorada aos valores cristãos ?
Padre Luca Gallizia: A proposta cristã oferece algumas certezas fundamentais sobre as quais construir a própria vida. O cristianismo é sempre uma proposta aberta, nunca se impõe; ao mesmo tempo é uma proposta que tem raízes sólidas, que se insere em uma tradição de pensamento acompanhada por uma cadeia de testemunhos de adesão pessoal, muitas vezes heróica, aos valores da fé cristã. O cristianismo, portanto, nos oferece um caminho de continuidade com o nosso passado e com a nossa história que toca todas as dimensões da pessoa. Nesta cadeia de testemunhos, estou convencido de que um papel muito importante o tem os jovens como modelo e como testemunho.

ZENIT: O Papa Francisco exorta muitas vezes os católicos a “ir às periferias”. Quais são as periferias que a UER faz com que os seus estudantes explore?
Padre Luca Gallizia: Oferecemos aos jovens uma série de programas de responsabilidade social que estão inseridos na grade académica, por isso não se trata de mero voluntariado, mas de uma proposta que está inserida no seu percurso, ao qual os estudantes, ao longo de um ano académico, devem dedicar diversas horas, comprometendo-se em um dos projectos de responsabilidade que são oferecidos ao logo do tempo. Estes projectos permitem aos jovens – em alguns casos pela primeira vez na vida – entrar em contacto com realidades de marginalização, de pobreza, de emergência, de contacto com o sofrimento das pessoas e das famílias, como nos hospitais ou casas familiares. Em alguns casos estas experiências são feitas no exterior, como as missões no México e na Etiópia. São ocasiões importantes não somente académicas: não se trata de lições abstractas mas de experiências nas quais o jovem é convidado e incentivado a entrar em contacto com estas periferias de modo não teórico: não é um estudo, nem uma tese, mas é a experiência. Observemos como esse elemento característico da nossa formação seja extremamente importante e de acordo com a vocação que falamos. O projecto humanitário da Etiópia foi adoptado como um projecto internacional da universidade. Há muitos anos que se organizam as missões de Verão. Padre Paolo Scarafoni, meu predecessor, que tem permitido seja estudantes que professores a fazerem esta experiência e de ajudar na prática esta realidade de marginalização. Entre as actividades de responsabilidade social, uma novidade deste ano é o laboratório teórico e prático de comunicação, dirigido pelo jornalista Carlo Climati. Irá explorar as diferentes formas de comunicação no mundo de hoje: do jornalismo às redes sociais, da música ao rádio, da televisão ao diálogo na vida quotidiana. Os jovens serão incentivados a ver os outros com um olhar novo, a criar linguagens que possam representar uma ponte para todos, contribuindo para a destruição dos muros, obstáculos, desconfianças e suspeitas.


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O Santo Padre incentiva o bispo de Lérida a continuar o projecto em favor das famílias despejadas na Espanha

Dom Piris concelebrou a eucaristia com o papa Francisco na Casa Santa Marta


Roma, 25 de Setembro de 2013


O papa Francisco incentivou o bispo de Lérida, Espanha, dom Joan Piris, a continuar trabalhando no Projecto de Moradias Sociais do Seminário para famílias despejadas e em risco de exclusão social no país. No último sábado, 21 de Setembro, o santo padre ouviu no Vaticano, directamente do bispo, a apresentação desta iniciativa que está sendo realizada com um grupo de voluntários.

Adelante, adelante! É dessas coisas que precisamos hoje em dia”, animou-os o Santo Padre, de acordo com as palavras do próprio bispo divulgadas no site da diocese espanhola.

Dom Piris aproveitou o encontro com o papa, logo depois da missa na Casa Santa Marta, para lhe entregar um documento preparado pelos voluntários que trabalham no projecto, explicando a história e a evolução desta iniciativa social. “Foram eles que me sugeriram aproveitar o encontro para falar disso, porque o papa Francisco pediu, há poucos dias, que os conventos e edifícios da Igreja actualmente desocupados fossem usados pelos mais necessitados. Nós já estamos fazendo isso há oito meses”, explica o bispo.

“Entreguei a pasta e ele se interessou muito, fez perguntas para conhecer detalhes do projecto e se alegrou. E quando ele viu a foto dos quarenta voluntários que se comprometeram desde o início, me disse o seguinte: ‘Estou vendo que vocês são uns quantos, mas quanto mais gente você envolver, muito melhor”, conta o prelado.

Foi então que o papa Francisco o animou a continuar trabalhando no projecto. “Adelante, adelante! É dessas coisas que precisamos hoje em dia. Os pobres são a carne de Cristo. Vamos ajudá-los! Vamos lá!”.

Piris acredita que o projecto das moradias sociais do seminário não é apenas uma casualidade. “Eu acredito que Deus está nos chamando e que nós estamos dando uma resposta. Por isso, eu peço e incentivo os voluntários a continuarem colaborando, a tocarem o projecto adiante. São eles que o dirigem. Eu os incentivo a divulgá-lo e a procurar mais gente para materializá-lo”, comenta.

A viagem do bispo de Lérida ao Vaticano aconteceu na semana passada por ocasião da Assembleia Plenária do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, que abordou a acção evangelizadora através da rede mundial de computadores.


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Os desafios dos maronitas na diáspora (Parte I)

Entrevista com dom Habib Chamieh, bispo da comunidade maronita de Buenos Aires


Roma, 25 de Setembro de 2013


Realizou-se em Roma, de 10 a 19 de Setembro, um programa formativo para os novos bispos, organizado pela Congregação para os Bispos e pela Congregação para as Igrejas Orientais. O encontro deste ano foi marcado por uma significativa presença de novos bispos maronitas.

Nesta entrevista, dom Habib Chamieh, bispo da eparquia de São Charbel dos Maronitas, em Buenos Aires, comenta os principais acontecimentos do encontro e fala da situação dos maronitas em diáspora na América Latina.

Dom Habib Chamieh, da Ordem Maronita da Bem-Aventurada Virgem Maria, nasceu em Beirute, Líbano, em 7 de Outubro de 1966 e entrou na ordem aos 15 anos. Foi ordenado sacerdote em 14 de Agosto de 1992. Ocupou vários cargos, como o de formador dos postulantes, secretário geral da ordem (1999-2005), mestre dos professos em Roma (2006-2007), superior da missão maronita no Uruguai (2008-2011) e mestre de noviços (desde 2011). Trabalhou nas paróquias de Zouk Mosbeh e Achkout, no Líbano, e na de Notre-Dame du Liban, em Montevideu, Uruguai, durante três anos (2008-2011).

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ZENIT: Há vários anos, a Congregação para os Bispos promove um encontro anual para a formação dos novos bispos. Qual é a importância deste encontro para o início do serviço episcopal?
Dom Chamieh: Depois da minha ordenação, eu fui procurar uma formação especializada, que permitisse aos novos bispos conhecer claramente os seus deveres pastorais e especialmente canónicos, e fiquei feliz em saber que existe este serviço, prestado nada menos que pela Congregação dos Bispos, em parceria com a Congregação para as Igrejas Orientais. É relativamente novo, mas vem acontecendo há 12 anos no Ateneu Regina Apostolorum, dos Legionários de Cristo. É útil, ou melhor, é essencial para um começo mais consciente do ministério episcopal.

ZENIT: Quais são os pontos chave discutidos e abordados no encontro?
Dom Chamieh: As reuniões têm se concentrado em várias questões pastorais do ministério episcopal. Falamos de questões centrais sobre a identidade do bispo. Os conferencistas nos ajudaram a reflectir sobre várias questões ligadas à relação do bispo com o clero, especialmente com os sacerdotes que enfrentam problemas e crises vocacionais. Também falamos da relação e da ajuda mútua entre o bispo e as ordens religiosas presentes no território, e dos importantes e delicados aspectos canónicos do ministério episcopal.

ZENIT: Como foi a atmosfera da reunião deste ano?
Dom Chamieh: Tivemos uma grande participação dos bispos maronitas. De cerca de 110 bispos, os maronitas eram 14. Essa presença oriental deu um rosto mais rico, deu mais colegialidade à reunião. Por isso, nós falamos com mais aprofundamento sobre a colaboração entre os bispos católicos dos diversos ritos. Nós consideramos a colegialidade como uma realidade pastoral. Além disso, com esse número de maronitas presentes, celebramos uma missa no rito maronita com a participação dos outros bispos, e foi uma bela experiência, porque muitos bispos não sabiam nada dos maronitas e da riqueza do seu rito. Aliás, existe no geral uma grande ignorância sobre os católicos orientais. Alguns os associam aos ortodoxos, outros até mesmo aos muçulmanos, porque eles falam árabe...

ZENIT: Quais foram as questões inter-rituais que vocês trataram?
Dom Chamieh: Como a multiplicidade de ritos não é mais uma questão ligada a territórios específicos, devido à migração em massa de cristãos do Oriente para outros territórios, nós discutimos a necessidade dos bispos latinos de ajudar esses cristãos do Oriente a preservar a sua herança cultural e espiritual. Onde houver cristãos de rito oriental, é importante que haja um ministro que atenda às suas necessidades. Essas directrizes são importantes porque, na situação actual, muitos orientais na diáspora se identificam totalmente com as igrejas que os acolhem e, infelizmente, perdem a sua herança ritual oriental. Durante os encontros de integração, nós sugerimos que os bispos latinos desempenhem um papel ativo na orientação dos fiéis orientais, para eles participarem de forma mais viva nos seus ritos de origem, pelo menos no caso da prática sacramental do batismo, do casamento, etc.


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Livraria Editora Vaticana entre os vencedores do Prêmio Capri-San Michele 2013

Editora consolida tradição de mais de vinte anos participando no prestigioso prémio


Roma, 25 de Setembro de 2013


A Libreria Editrice Vaticana (LEV) está entre os vencedores da XXX edição do Prémio Capri-San Michele, com o volume “Na Turquia, seguindo os passos de Paulo”, de Giovanni Uggeri, que ganhou o prémio na secção Paisagem. A cerimónia de anúncio dos vencedores e de entrega dos prémios será realizada neste sábado, 28 de Setembro, no Auditório Municipal de Anacapri.

A LEV consolida uma relação de mais de vinte anos com este prestigioso prémio e com a ilha de Capri. Em 1991, a editora foi agraciada com o Prémio Capri-San Michele pelo volume “João Paulo II pela Paz no Golfo”. Ernesto Preziosi recebeu o Prémio Especial de 2007 por seu livro “Quase um Eremita no Atormentado Século XX”. Em 2008, o livro “Eclipse da Educação: o Desafio Educacional no Pensamento de Rosmini”, de Piero Sapienza, venceu na categoria Actualidade. Mons. Georg Gänswein, curador da obra “Bento XVI, Urbi et Orbi: com o Papa em Roma e nas Ruas do Mundo”, ganhou o prémio de 2010 na categoria Imagens. Finalmente, no ano passado, o professor Antonio Paolucci, director dos Museus do Vaticano, foi homenageado com o prémio Gruta Azul pela obra “Pensamentos de Arte”.


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O Papa Francisco está muito além de qualquer cliché ideológico

Entrevista com o cardeal Cipriani: o Santo Padre está fazendo um grande esforço, para elevar, para unir na Igreja e deixar de lado discussões anacrónicas


Roma, 25 de Setembro de 2013


O cardeal-arcebispo do Peru, Juan Luis Cipriani foi recebido nesta segunda-feira, 23, pelo Papa Francisco no Palácio Apostólico localizado no Vaticano. Uma conversa de uma hora, na qual trataram temas pastorais do Peru e não somente.

O arcebispo de Lima presenteou duas relíquias, uma de santa Rosa e outra de São Marinho de Porres, porque logo depois de ser eleito papa, Francisco disse a Cipriani: ‘Não se esqueça de orar por mim à Santa Rosa' e depois, ‘encomende-me ao mulatinho da vassoura’.

Recordou a importância dos movimentos, porque fazem muito bem para a Igreja, e disse que o Santo Padre está fazendo um grande esforço, por elevação, para unir a igreja e deixar para trás discussões anacrónicas. Porque considerou que Francisco está fora clichés ideológicos, e isso encontra certa resistência na dinâmica das informações.

ZENIT: Eminência, como nasce a ideia desta viagem para encontrar o Santo Padre?
- Cardeal Cipriani : No Rio de Janeiro quando estive na Jornada Mundial da Juventude, o Papa, ao cumprimentar-me de modo coloquial me disse: "Finalmente te vejo". Por ordem de antiguidade nos correspondia sentar perto do Papa, estava o cardeal Humes e depois eu.

ZENIT: Como é a sua relação com o papa?
- Cardeal Cipriani: Com o papa Francisco existe uma relação normal de confiança. Depois do conclave o tempo passou muito rápido porque no dia 3 de Julho eu comemorava 25 anos de ordenação como bispo e tive celebrações e coisas que me mantiveram ocupado. Duas semanas atrás, conversando com o cardeal Francisco Errazuríz, comentei que eu iria visitar o Papa e lhe perguntei se tinha os telefones. E ele me deu os números, fax e e-mail, eu escrevi e em dois dias me responderam dizendo que hoje, 22, me receberia. Foi uma resposta imediata.

ZENIT: Como foi a reunião e como você foi recebido?
- Cardeal Cipriani: Me recebeu hoje, com o carinho de sempre, um longo abraço porque sempre nos cumprimentamos assim, a audiência no Palácio Apostólico durou uma hora, falamos em uma atmosfera de amizade e confiança, como sempre o fizemos.

ZENIT: Como você o encontrou ?
- Cardeal Cipriani: Com uma alegria e um entusiasmo contagiante. Entramos em muitas questões, eu lhe trouxe uma relíquia de Santa Rosa de Lima e outra de São Martinho de Porres. E também a fotografia de ambos. ‘Gosto muito de ler a vida dos santos, te agradeço’, me disse. E eu trouxe isso porque recém-eleito papa, Francisco me pediu: ‘Não se esqueça de rezar por mim à Santa Rosa de Lima’ e no dia seguinte quando o cumprimentei pela segunda vez me recomendou: ‘Encomende-me ao mulatinho da vassoura’, porque São Martinho é chamado assim. Estas relíquias em um pequeno quadro.

ZENIT: Vocês dois entraram no sacerdócio com idade mais adulta não é?
- Cardeal Cipriani: Sim, Bergoglio era químico e eu engenheiro, e os dois temos confiança para falar de forma espontânea. Eu acho que é parte dessa graça de Deus, pela qual Francisco tem uma facilidade para comunicar-se e essa centelha portenha, que diz rapidamente muitas coisas. Passamos um momento muito agradável. Perguntou-me sobre o seminário, sobre as vocações sacerdotais. Comentei-lhe que temos umas 70 capelas do Santíssimo Sacramento ao lado das paróquias, dessa forma pode estar exposto e evitamos o perigo de roubo. E o Papa me insistiu: “É que Jesus sempre nos espera, nos olha sempre com carinho” e acrescenta “é que isso funciona”. Comentei-lhe sobre o aumento das confissões e que muita gente se sente como se estivesse em um ambiente novo, eu o vejo. E me disse: “Isso é de Deus, não é meu, é do Espírito Santo”. E também que vejo mais assistência à missa, ou a facilidade para conversar, com um taxista, ou no bar. O papa é um tema que no ambiente popular tem sido acolhido com enorme simpatia e como um ‘vale a pena’.

ZENIT: Em algum momento falaram do Opus Dei?
- Cardeal Cipriani: Ao comentar as novidades, em voz alta o Papa comentou: ‘Você pode imaginar uma Igreja sem todos esses movimentos, sem o Opus Deis, sem Comunhão e Libertação e todos os outros. Não consigo imaginar, porque fazem muito bem à Igreja”.

ZENIT: Às vezes, porém, as palavras do Papa são tomadas fora de contexto, certo?
- Cardeal Cipriani: O Santo Padre tem um frescor e facilidade para explicar as coisas que está muito distante de poder ser classificado por grupo de esquerda ou de direita, ou de centro, de conservadores ou de progressistas. Existe sim um interesse em certos grupos de querer classificar e apropriar-se e orientar o que ele fala, mas não vão silenciar o Papa com esta ameaça, e isso é o que está acontecendo com as suas entrevistas e opiniões.

Se lermos as suas palavras e homilias, como aos jovens na JMJ no Rio de Janeiro, vemos que o Santo Padre tem uma profundíssima intimidade com Cristo, de onde nasce este vulcão de entusiasmo que às vezes ao expressar-se pode levar as pessoas a pensar ‘olha, o papa não tem interesse por tal coisa’ ou ‘atacou não sei quem’. Nada disso está nessa bondade ou simplicidade do Papa Francisco. E o santo padre está fazendo um esforço muito grande, por elevação, para unir na Igreja e deixar discussões anacrônicas sobre o concílio, sobre o progressismo ou o conservadorismo. Um esforço que encontra certa resistência na dinâmica normal das notícias.

ZENIT: Muito por acima ?
- Cardeal Cipriani: Como podemos falar de um papa progressista e discutido, quando a força de seus ensinamentos está nas longas horas que passa em oração diante do Santíssimo Sacramento. E como podemos falar de um conservador quando é um homem austero e simples nas suas formas e as manteve. Está além dos clichês ideológicos.


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Santo Padre: "É triste ver uma Igreja «privatizada» por pequenos grupos'

Chamadas de atenção na catequese semanal. Convida a rezar pelos cristãos perseguidos. Texto completo


Roma, 25 de Setembro de 2013


Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

No “Credo” nós dizemos “Creio na Igreja, una”, professamos, isso é, que a Igreja é única e esta Igreja é em si mesma unidade. Mas se olhamos para a Igreja Católica no mundo descobrimos que essa compreende quase 3000 dioceses espalhadas em todos os Continentes: tantas línguas, tantas culturas! Aqui há tantos bispos de tantas culturas diferentes, de tantos países. Há o bispo de Sri Lanka, o bispo do Sul da África, um bispo da Índia, há tantos aqui… Bispos da América Latina. A Igreja está espalhada em todo o mundo! No entanto, as milhares de comunidades católicas formam uma unidade. Como pode acontecer isto?

1. Uma resposta sintética encontramos no Catecismo da Igreja Católica, que afirma: a Igreja Católica espalhada no mundo “tem uma só fé, uma só vida sacramental, uma única sucessão apostólica, uma comum esperança, a própria caridade” (n. 161). É uma bela definição, clara, orienta-nos bem. Unidade na fé, na esperança, na caridade, na unidade nos Sacramentos, no Ministério: são como pilastras que sustentam e têm juntos o único grande edifício da Igreja. Aonde quer que vamos, mesmo na menor paróquia, na esquina mais perdida desta terra, há a única Igreja; nós estamos em casa, estamos em família, estamos entre irmãos e irmãs. E este é um grande dom de Deus! A Igreja é uma só para todos. Não há uma Igreja para os europeus, uma para os africanos, uma para os americanos, uma para os asiáticos, uma para os que vivem na Oceania, não, é a mesma em qualquer lugar. É como em uma família: se pode estar distante, espalhado pelo mundo, mas as ligações profundas que unem todos os membros da família permanecem firmes qualquer que seja a distância. Penso, por exemplo, na experiência da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro: naquela vasta multidão de jovens na praia de Copacabana, ouvia-se falar tantas línguas, viam-se traços da face muito diversificada deles, encontravam-se culturas diferentes, no entanto havia uma profunda unidade, se formava a única Igreja, estava-se unido e se sentia isso. Perguntemo-nos todos: eu, como católico, sinto esta unidade? Eu como católico vivo esta unidade da Igreja? Ou não me interessa, porque estou fechado no meu pequeno grupo ou em mim mesmo? Sou daqueles que “privatizam” a Igreja pelo próprio grupo, a própria nação, os próprios amigos? É triste encontrar uma Igreja “privatizada” pelo egoísmo e pela falta de fé. É triste! Quando ouço que tantos cristãos no mundo sofrem, sou indiferente ou é como se sofresse um da minha família? Quando penso ou ouço dizer que tantos cristãos são perseguidos e dão mesmo a própria vida pela própria fé, isto toca o meu coração ou não chega até mim? Sou aberto àquele irmão ou àquela irmã da minha família que está dando a vida por Jesus Cristo? Rezamos uns pelos outros? Faço uma pergunta a vocês, mas não respondam em voz alta, somente no coração: quantos de vocês rezam pelos cristãos que são perseguidos? Quantos? Cada um responda no coração. Eu rezo por aquele irmão, por aquela irmã que está em dificuldade, para confessar ou defender a sua fé? É importante olhar para fora do próprio recinto, sentir-se Igreja, única família de Deus!

2. Demos um outro passo e perguntemo-nos: há feridas a esta unidade? Podemos ferir esta unidade? Infelizmente, nós vemos que no caminho da história, mesmo agora, nem sempre vivemos a unidade. Às vezes surgem incompreensões, conflitos, tensões, divisões, que a ferem, e então a Igreja não tem a face que queremos, não manifesta a caridade, aquilo que Deus quer. Somos nós que criamos lacerações! E se olhamos para as divisões que ainda existem entre os cristãos, católicos, ortodoxos, protestantes… sentimos o esforço de tornar plenamente visível esta unidade. Deus nos doa a unidade, mas nós mesmos façamos esforço para vivê-la. É preciso procurar, construir a comunhão, educar-nos à comunhão, a superar incompreensões e divisões, começando pela família, pela realidade eclesial, no diálogo ecuménico também. O nosso mundo precisa de unidade, está em uma época na qual todos temos necessidade de unidade, precisamos de reconciliação, de comunhão e a Igreja é Casa de comunhão. São Paulo dizia aos cristãos de Éfeso: “Exorto-vos, pois – prisioneiro que sou pela causa do Senhor – que leveis uma vida digna da vocação à qual fostes chamados, com toda a humildade e amabilidade, com grandeza de alma, suportando-vos mutuamente com caridade. Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (4, 1-3). Humildade, doçura, magnanimidade, amor para conservar a unidade! Estes, estes são os caminhos, os verdadeiros caminhos da Igreja. Ouçamos uma vez mais. Humildade contra a vaidade, contra a soberba, humildade, doçura, magnanimidade, amor para conservar a unidade. E continuava Paulo: um só corpo, aquele de Cristo que recebemos na Eucaristia; um só Espírito, o Espírito Santo que anima e continuamente recria a Igreja; uma só esperança, a vida eterna; uma só fé, um só Baptismo, um só Deus, Pai de todos (cfr vv. 4-6). A riqueza daquilo que nos une! E esta é uma verdadeira riqueza: aquilo que nos une, não aquilo que nos divide. Esta é a riqueza da Igreja! Cada um se pergunte: faço crescer a unidade em família, na paróquia, na comunidade, ou sou um mexeriqueiro, uma mexeriqueira. Sou motivo de divisão, de desconforto? Mas vocês não sabem o mal que fazem à Igreja, às paróquias, às comunidades, os mexericos! Fazem mal! Os mexericos ferem. Um cristão antes de mexericar deve morder a língua! Sim ou não? Morder a língua: isto nos fará bem, para que a língua inche e não possa falar e não possa mexericar.  Tenho a humildade de reconstruir com paciência, com sacrifício, as feridas da comunhão?

3. Enfim, o último passo mais em profundidade. E esta é uma bela pergunta: quem é o motor desta unidade da Igreja? É o Espírito Santo que todos nós recebemos no Baptismo e também no Sacramento da Crisma. É o Espírito Santo. A nossa unidade não é primeiramente fruto do nosso consenso, ou da democracia dentro da Igreja, ou do nosso esforço de concordar, mas vem Dele que faz a unidade na diversidade, porque o Espírito Santo é harmonia, sempre faz a harmonia na Igreja. É uma unidade harmónica em tanta diversidade de culturas, de línguas e de pensamentos. É o Espírito Santo o motor. Por isto é importante a oração, que é a alma do nosso compromisso de homens e mulheres de comunhão, de unidade. A oração ao Espírito Santo, para que venha e faça a unidade na Igreja.

Peçamos ao Senhor: Senhor, dai-nos sermos sempre mais unidos, não sermos nunca instrumentos de divisão; faz com que nos empenhemos, como diz uma bela oração franciscana, a levar o amor onde há o ódio, a levar o perdão onde há ofensa, a levar a união onde há a discórdia. Assim seja.


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A Igreja não deve ser "privatizada": temos que rezar pela sua unidade

Audiência geral: papa Francisco nos convida a superar as divisões entre as comunidades cristãs


Roma, 25 de Setembro de 2013


A Igreja Católica é verdadeiramente una. Com base neste conceito, expresso pelo credo e pelo catecismo, o papa Francisco articulou a sua catequese na audiência geral desta manhã, na Praça de São Pedro.

Embora a Igreja seja composta por 3.000 dioceses espalhadas pelo mundo inteiro e por "muitas línguas" e "muitas culturas", a sua unidade é uma grande certeza. Referindo-se ao catecismo (nº 161), o Santo Padre recordou que "a unidade na fé, na esperança, na caridade, a unidade nos sacramentos, no ministério, é como os pilares que sustentam e mantêm unido o único grande edifício da Igreja".

Mesmo "na menor paróquia do canto mais distante da Terra, a Igreja é una", é "uma só para todos". A Igreja é uma família cujos membros “podem estar dispersos por todo mundo”, mas "fortes laços" os mantêm "firmes, seja qual for a distância".

Um exemplo desses laços universais foi a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro: "Naquela vasta multidão de jovens na praia de Copacabana, ouviam-se falar muitas línguas, viam-se traços muito diferentes uns dos outros, encontravam-se culturas diversas, mas havia uma profunda unidade", recordou o papa.

Diante de uma situação como esta, o católico pode viver plenamente a unidade ou ser indiferente, fechado em si mesmo ou no seu "pequeno grupo": é a atitude daqueles que "privatizam" a Igreja para o seu próprio grupo ou para os "seus amigos".

Mesmo havendo no mundo cristãos que estão sofrendo, ainda há quem fique indiferente. Deveria ser, porém, "como se alguém da família estivesse sofrendo". Por isso, é importante orar "pelos outros", "olhar para fora da própria redoma, sentir-se Igreja, uma família de Deus".

Infelizmente, até mesmo dentro da família eclesial surgem "incompreensões, conflitos, tensões, divisões que a ferem. A Igreja não tem, assim, o rosto que gostaríamos, não mostra o amor que Deus quer", disse o papa.

As "dilacerações" no seio da Igreja são sempre obra do homem, e envolvem, por exemplo, as divisões entre "católicos, protestantes, ortodoxos".

Essas incompreensões devem ser superadas, porque "Deus nos dá a unidade", mesmo que "achemos difícil vivê-la". É essencial viver a unidade da Igreja na comunhão, "começando pela família, pelas realidades eclesiais, no diálogo ecuménico", sugeriu o papa.

Francisco citou São Paulo: "um só corpo, o de Cristo, que recebemos na Eucaristia; um só Espírito, o Espírito Santo, que anima e recria continuamente a Igreja; uma só esperança, a vida eterna; e uma só fé, um só baptismo, um só Deus e Pai de todos" (Ef 4-6).

Todo cristão deve perguntar a si mesmo: "Eu faço crescer a unidade na família, na paróquia, na comunidade? Ou sou motivo de divisão, de desconforto? [...] Eu tenho a humildade de cuidar com paciência, com sacrifício, das feridas na comunhão?".

O verdadeiro "motor" da unidade da Igreja é, no entanto, o Espírito Santo. "A nossa unidade não é primariamente resultado do nosso consenso", nem do "nosso esforço para estar de acordo com os outros, mas vem dele, que faz a unidade na diversidade, porque o Espírito Santo é harmonia".

Francisco terminou a catequese recomendando aos fiéis ser "homens e mulheres de comunhão" e de "unidade na oração”. E levantou ao céu a seguinte oração: "Peçamos ao Senhor que nos conceda ser cada vez mais unidos, para nunca mais sermos instrumentos de divisão; que nos esforcemos, como diz a bela oração franciscana, para levar o amor onde houver ódio, o perdão onde houver ofensa, a união onde houver discórdia".


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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Já há 100 seminários Redemptoris Mater em todo o mundo ligados ao Caminho Neocatecumenal

Actualizado 24 de Setembro de 2013

ReL 

O Redemptoris Mater de Manágua,
com os seus seminaristas
O Caminho Neocatecumenal acaba de finalizar na Itália um encontro internacional de seminaristas no qual participaram 357 jovens que se sentem chamados ao sacerdócio. Nestes dias de convivência constatou-se a criação de 7 novos seminários diocesanos missionários Redemptoris Mater. No total, são já 100 os seminários destas características que estão presentes nos cinco continentes.

Os novos seminários correspondem a Filadélfia (USA), Vancouver (Canadá), Belém (Brasil), Carúpano (Venezuela), Kampala (Uganda), Úzhgorod (Ucrânia) e Campobasso (Itália).

No transcorrer da convivência, estes 357 jovens foram distribuídos nos cem seminários nos quais a partir de agora começaram a formar-se e a estudar para o ministério presbiteral ao serviço da Nova Evangelização.

Na jornada participaram o cardeal de Viena, Christoph Schönborn; o arcebispo de Filadélfia, Charles Chaput; o bispo de Carúpano, Jaime Villarroel e o bispo greco-católico de Úzhgorod, Milan Shashik.

Formar candidatos ao presbiterado
Os estatutos do Caminho, aprovados pela Santa Sé em 2008, assinalam que “o Caminho Neocatecumenal, como todo o verdadeiro itinerário de catequese, é também um meio para suscitar vocações sacerdotais e de especial consagração a Deus nas diferentes formas de vida religiosa e apostólica, e para suscitar no coração de cada um a específica vocação missionária”. Por isso, “é também um instrumento que se oferece ao serviço dos bispos para a formação cristã dos candidatos ao presbiterado”.

Os Seminários diocesanos e missionários Redemptoris Mater são erigidos pelos bispos diocesanos, de acordo com a Equipa Responsável internacional do Caminho, e regem-se segundo as normas vigentes para a formação e incorporação dos clérigos diocesanos e segundo estatutos próprios, de conformidade com a Ratio fundamentalis institutionis sacerdotalis.

Seminaristas no Caminho Neocatecumenal
Neles, os candidatos ao sacerdócio encontram na participação no Caminho Neocatecumenal um elemento específico e básico do iter formativo e, ao mesmo tempo, são preparados à “genuína opção presbiteral de serviço ao inteiro Povo de Deus, na comunhão fraterna do presbitério”.

Num momento de crise vocacional em todo o mundo, esta realidade do Caminho Neocatecumenal faz presente as palavras de João Paulo II no VI Simpósio do Conselho das Conferências Episcopais da Europa em 1985, no qual afirmou que “se deve começar a evangelização invocando o Espírito e procurando ali onde está soprando. Alguns sintomas deste sopro do Espírito estão hoje certamente presentes na Europa. Para encontrá-los, sustentá-los e desenvolvê-los é necessário deixar esquemas atrofiados para ir ali onde se inicia a vida, onde vemos que se produzem frutos de vida segundo o Espírito”.


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Era missionário anglicano; a sua viagem ao catolicismo começou com um sinal da cruz perante uns budistas







Peshawar: Comunidade de Santo Egídio condena o atentado

A Comunidade está presente em várias cidades do Paquistão


Roma, 24 de Setembro de 2013


"A notícia dramática de um atentado sangrento, um verdadeiro massacre, contra a minoria anglicana em Peshawar, no Paquistão, abala a Comunidade de Santo Egídio, presente em várias cidades do país, neste momento em que preparamos o XXVII Encontro Internacional pela Paz", declara em comunicado o presidente da Comunidade de Santo Egídio, Marco Impagliazzo.

O XXVII Encontro Internacional pela Paz, no final deste mês em Roma, “quer ser a resposta mais clara e sólida aos propósitos lamentáveis ​​de explorar as diferenças religiosas para alimentar conflitos de outro tipo. Com particular compromisso, aprofundaremos a reflexão sobre o terrorismo de carácter religioso".

"Enquanto condenamos com a máxima força esses episódios e instamos as autoridades do governo paquistanês a se envolverem de modo mais eficaz na protecção das minorias religiosas, participamos, com a oração e com a solidariedade, na dor que atingiu as famílias de muitos dos nossos irmãos, certos de que o martírio dos cristãos, infelizmente uma realidade actual do nosso tempo, não será um sacrifício estéril, mas poderá desencadear um processo virtuoso de conversão dos corações".

"Do diálogo entre mais de quatrocentos representantes de diferentes culturas e crenças, que vão participar dos encontros em Roma e apoiar o Apelo pela Paz 2013, surgirão de modo claro as razões para a convivência e para a cooperação entre as religiões, com a responsabilidade precisa de alimentar o compromisso comum com um futuro de paz para toda a humanidade", concluiu Impagliazzo.


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Bagnasco: a juventude e a família

Presidente do Movimento Cristão dos Trabalhadores da Itália comenta as palavras do presidente do episcopado italiano


Roma, 24 de Setembro de 2013


"Acolhamos as palavras do cardeal Bagnasco com grande atenção e apreço", convida Carlo Costalli, presidente do Movimento Cristão dos Trabalhadores (MCL) italianos, a propósito do pronunciamento do cardeal Angelo Bagnasco na reunião do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), que está acontecendo em Roma.

Costalli reitera a importância da atenção que o discurso do cardeal “deu aos jovens, lembrando a Jornada Mundial da Juventude do Rio de Janeiro, bem como às famílias, que foram o tema central da recente Semana Social dos católicos italianos em Turim”.

Quanto aos jovens, o presidente do MCL destacou que "a participação de tantos deles no Rio de Janeiro significou um grande incentivo para o renascimento de todos os jovens, o que representa um sinal claro também para os 'nossos' jovens no sentido de participar activamente na Igreja, de acreditar e espalhar os nossos valores. Temos que devolver à juventude de hoje a confiança e a esperança em um futuro melhor, pois elas estão ameaçadas neste período de grande dificuldade, inclusive pelo desemprego galopante que mina a confiança no futuro".

Sobre a família, Costalli recordou que "ela incorpora todos os princípios da Doutrina Social da Igreja: pessoa, solidariedade, subsidiariedade e bem comum". De acordo com o presidente do MCL, "a sociedade de hoje precisa da família mais do que a sociedade de ontem: mesmo sem receber qualquer reconhecimento ou apoio, a família é um dos pilares do nosso sistema de bem-estar. Mas agora é urgente superar o pessimismo e avançar rumo a propostas que representem uma política séria de apoio à família". Em suma, "precisamos de fortes recursos e escolhas, para fazer com que a família, que é a primeira rede de segurança social, deixe de ser a Gata Borralheira da sociedade italiana".

"Bem fez o cardeal Bagnasco ao chamar todo mundo, todo mundo mesmo, às suas responsabilidades, usando um tom até severo, como na hora em que ele disse que ‘todo ato irresponsável receberá o julgamento da história’: são palavras que pesam e esperamos que elas levem todos, principalmente os católicos, a reflectir", concluiu Costalli.


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Ratzinger: "Querido Odifreddi, vou lhe contar quem é Jesus"

Papa emérito Bento XVI escreve uma carta ao matemático italiano Piergiorgio Odifreddi


Roma, 24 de Setembro de 2013


O matemático italiano Piergiorgio Odifreddi recebeu uma carta muito especial no último dia 3 de Setembro: no envelope selado, onze páginas com data de 30 de Agosto se encerravam com a assinatura de Bento XVI.

O papa emérito respondia ao livro “Caro papa, ti scrivo” [“Querido papa, escrevo a você”, ndr; Edições Mondadori, 2011], livro de Odifreddi que, tal como o próprio autor explica, se apresenta já na capa como uma “luciferina introdução ao ateísmo”. No artigo em que Odifreddi comenta as suas impressões ao receber a carta de Bento XVI, ele afirma que não foi uma coincidência o fato de ter escrito abertamente a Ratzinger. Depois de ler a sua “Introdução ao Cristianismo”, o matemático entendeu que a fé e a doutrina de Bento XVI, diferentemente da de outros, eram suficientemente coerentes e sólidas para que ele conseguisse encarar e rebater ataques frontais.

No fragmento da carta que foi publicado no jornal La Repubblica, o papa emérito relata ter lido algumas partes do livro, apreciando-as e beneficiando-se com o seu conteúdo, mas surpreendendo-se, em outras, com uma certa agressividade e com a superficialidade das argumentações.

No início da carta, Bento XVI escreve: “Você me diz que a teologia seria ‘ficção científica’”. A colocação, o papa emérito responde com quatro pontos.

Em primeiro lugar, Ratzinger observa que "é correto afirmar que 'ciência', no sentido mais estrito da palavra, são somente as ciências matemáticas, e você ensina que seria necessário distinguir ainda entre aritmética e geometria. Em todas as matérias específicas, a ciência tem uma forma própria, conforme a particularidade do seu objecto. O essencial é que ela aplique um método verificável, exclua a arbitrariedade e garanta a racionalidade nas respectivas modalidades".

Em segundo lugar, Bento XVI sustenta que "você deveria ao menos reconhecer que, no âmbito histórico e no do pensamento filosófico, a teologia produziu resultados duradouros".

Como terceiro aspecto, ele afirma que "uma função importante da teologia é a de manter a religião unida à razão e a razão à religião. Ambas as funções são de essencial importância para a humanidade". Neste ponto, o papa emérito recorda que, em seu diálogo com Habermas, "mostrei que existem patologias da religião e, não menos perigosas, patologias da razão. Ambas necessitam uma da outra, e mantê-las continuamente conectadas é uma tarefa importante da teologia".

No último ponto, muito mais extenso que os anteriores, Bento XVI avalia que "a 'ficção científica' existe também no seio de muitas ciências", e, a propósito, faz referência às teorias que Odifreddi expõe sobre o início e o fim do mundo em Heisenberg e Schrödinger, que "os desenharia como 'ficção científica' no bom sentido: visões e antecipações para se atingir um verdadeiro conhecimento, mas que são, de fato, apenas imaginações com as quais tentamos nos aproximar da realidade".

Depois de desenvolver estas ideias, o papa emérito se concentra no capítulo sobre o sacerdote e sobre a moral católica, bem como nos diversos capítulos sobre Jesus. "No tocante ao que você fala sobre o abuso moral de menores por parte de sacerdotes, eu posso, como você sabe, constatá-lo apenas com profunda consternação. Nunca procurei mascarar esses fatos. Que o poder do mal penetre a tal ponto no mundo interior da fé é para nós um sofrimento que, por um lado, temos de suportar, e, por outro, fazer todo o possível para que esses casos não se repitam”.

“Tampouco é motivo de tranquilidade saber, com base nas pesquisas dos sociólogos, que a percentagem de sacerdotes culpáveis desses crimes não é mais alta do que a percentagem existente em categorias profissionais similares. Em todo caso, este desvio não deveria ser apresentado ostentosamente como se fosse uma mancha específica do catolicismo. Se não é lícito silenciar o mal que existe na Igreja, não se deve, tampouco, silenciar o grande caminho luminoso de bondade e de pureza que a fé cristã traçou ao longo dos séculos". Bento XVI recorda nomes como São Bento e sua irmã Santa Escolástica, São Francisco e Santa Clara de Assis, Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz.

Quanto àquilo que o matemático diz sobre a figura histórica de Jesus, Ratzinger recomenda ao autor os quatro volumes que Martin Hengel publicou junto com Maria Schwemer, "um exemplo excelente de precisão histórica e de amplíssima informação histórica". Bento XVI recorda ainda, como já havia esclarecido no primeiro volume do seu livro sobre Jesus de Nazaré, que "a exegese histórico-crítica é necessária para uma fé que não propõe mitos com imagens históricas, mas que reclama uma historicidade verdadeira e, por isso, tem de apresentar a realidade histórica das suas afirmações também de forma científica".

Prossegue o papa emérito afirmando que "se você, porém, quer substituir Deus por ‘A Natureza’, resta a pergunta sobre quem ou que é essa natureza. Em nenhum momento você a define. Ela aparece, assim, como uma divindade irracional que não explica nada. Eu gostaria, por isso, de destacar em especial que na sua religião da matemática existem três temas fundamentais da existência humana que permanecem desconsiderados: a liberdade, o amor e o mal. (...) Qualquer coisa que a neurobiologia possa dizer sobre a liberdade no drama real da nossa história está presente como realidade determinante e deve ser levada em consideração".

Na última parte publicada da carta, Bento XVI ressalta: “A minha crítica sobre o seu livro, em parte, é dura. Mas do diálogo faz parte a franqueza; só assim pode crescer o conhecimento".


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Igreja ecológica: Galo Verde - selo de qualidade nascido na Alemanha

A ideia de igrejas ecologicamente sustentáveis ​nasceu em 2001, em Baden-Württemberg


Roma, 24 de Setembro de 2013


"Galo Verde” é um selo de qualidade nascido na Alemanha, dentro da Igreja Evangélica valdense, para igrejas ecologicamente sustentáveis.

A ideia nasceu em 2001, no sul do estado (Baden-Württemberg). É um sistema de gestão ambiental desenvolvido de acordo com os padrões europeus de EMAS, que é aplicado tanto nas igrejas e quantos nas áreas de influência religiosa, tais como escolas cristãs, asilos, hospitais, abrigos.

O objectivo é «certificar as boas práticas tanto na redução do consumo como na redução de desperdício bem como na produção de energia limpa. O projecto foi possível graças à colaboração entre a Igreja Evangélica em Württemberg, Gabinete de Desenvolvimento e Meio Ambiente (KATE e. V. de Stoccarda), e patrocinado pela Fundação estatal alemã para o meio ambiente.

Em 2002, o Sínodo da Igreja Evangélica em Württemberg considerou apropriado aplicar nas comunidades e agora pode "ser considerado como o primeiro selo ambiental no âmbito religioso.

(www.cesabricerche.it - chiesaecologica@cesabricerche.it)


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Portadores de necessidades especiais: a definição em 3 pontos

Nas operações de cada dia, todos nós temos algum tipo ou nível de deficiência


Roma, 24 de Setembro de 2013


Necessidades especiais: carência ou deficiência de uma ou mais capacidades; condição de todos os seres humanos, que, em alguns, causa uma sensação de fadiga e sofrimento particularmente intensa, a ponto de o corpo social promulgar leis para a sua integração, mas, ao mesmo tempo, preferir esconder ou favorecer o desaparecimento do sujeito difícil de integrar.
As necessidades especiais são incapacidades, do portador, de realizar as actividades próprias do seu nível de desenvolvimento. Podem ser deficiências físicas ou mentais, também conhecidas como atrasos de aprendizagem. Há uma crescente consciência sobre as dificuldades das pessoas portadoras de necessidades especiais, havendo cada vez mais ferramentas para ajudá-las a suprir numerosas carências; ao mesmo tempo, há também uma clara censura na media sobre as temáticas da deficiência: ela afecta milhões de pessoas, mas tem pouco espaço nos meios de comunicação. Esta censura está ligada à dificuldade de se conceber como totalmente "nossos" aqueles que têm uma clara dependência dos outros, na sociedade pós-moderna baseada no mito da autonomia e da independência. Esta censura também se reflecte no tratamento ruim de saúde que as pessoas com deficiência recebem, especialmente as pessoas com deficiência mental, mesmo nas nações auto-proclamadas civilizadas.

Que tipo de cultura discrimina o deficiente? Nas operações de cada dia, todos nós temos algum tipo ou nível de deficiência. O fato é que algumas pessoas conseguem escondê-la e outras não. Quem bem as esconde não quer "mostrar a sua fraqueza", o que facilita a obra de remoção social para a qual a deficiência simplesmente não deveria existir, porque as deficiências do outro nos fazem pensar nas nossas próprias e porque a visão fenomenológica das pessoas com deficiência nos lembra o que esta sociedade não dá aos doentes. Essa obra de remoção é uma forma de perseguição contra a pessoa deficiente e a sua família, que sentem o peso do preconceito quanto à existência em vida da pessoa doente, que chega a parecer um paradoxo dentro de uma sociedade que proclama a saúde como um direito e a perfeição como uma necessidade para quem pretende ser aceito. Por outro lado, não é uma verdade automática que a deficiência seja igual a sofrimento, embora, infelizmente, o seja com muita frequência. O sofrimento das pessoas com deficiência depende do ambiente, mais do que da doença: muitas vezes, o ambiente favorece o sofrimento do doente. A pessoa com deficiência tem o direito à saúde, como as outras: o direito à saúde é intrínseco à pessoa, e os portadores de deficiências podem ser saudáveis, isto é, ter a sua saúde satisfeita, desde que haja um compromisso social real e contínuo.

Deficiência e saúde: uma combinação impossível? Dado que a saúde não é apenas ausência de doença (muitas pessoas com deficiência sentem que têm, paradoxalmente, uma boa saúde apesar da sua deficiência), temos que definir a saúde, de maneira nova, como nível de "satisfação" da vida. Infelizmente, a ideia de que a pessoa com deficiência leva uma vida que "não vale a pena ser vivida" continua sendo difundida e flertando com a eugenia, cujo primeiro passo é presumir que aqueles que não têm capacidade de autonomia não devem ser definidos como "pessoas", seguindo-se o passo da ambiguidade que considera as pessoas doentes como “estranhas” ou “sobreviventes” do diagnóstico genético pré-natal.

Para dar um parecer sobre os cuidados e direitos das pessoas com deficiência, deve-se conversar com elas próprias. A pessoa com deficiência deve estar no centro do seu tratamento e as associações dos portadores de necessidades especiais devem sempre ser ouvidas pelos responsáveis das políticas sociais. Precisamente porque a pessoa com deficiência tem direito à saúde, a assistência aos deficientes doentes deve ser organizada de melhor maneira, especialmente quando se trata de pessoas que não podem expressar-se. É necessária uma forte aliança entre família, governo, mundo médico e pessoa com deficiência, a fim de se reconhecerem os sinais e sintomas e serem superadas as barreiras e discriminações ainda presentes na sociedade.


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Congresso de Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais no Cazaquistão

Cardeal Tauran presente no X aniversário do Congresso


Cidade do Vaticano, 24 de Setembro de 2013


O cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, viajou para o Cazaquistão, na sexta-feira (20), a convite do presidente do Senado da República do Cazaquistão, e Chefe do Secretariado do Congresso de Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais, Sr. Kairat Mami, para participar do X aniversário do Congresso. Haverá também um encontro com a Igreja local.

Uma delegação cazaque liderada pelo presidente do Senado, Sr. Kairat Mami, esteve no Vaticano, em Fevereiro, para comemorar o X aniversário da fundação do "Congresso de Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais", uma importante instituição de diálogo inter-religioso desejada pela presidência do Cazaquistão.

Devido ao apoio dado pela Santa Sé a essas iniciativas para o diálogo e a paz, na ocasião foram concedidas homenagens da República do Cazaquistão aos cardeais Tauran e Lajolo, e ao mons. Khaled Akasheh, oficial do Pontifício Conselho para o Diálogo inter-religioso.

Em 2009 a Igreja Católica foi representada no referido Congresso também pelo presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, Cardeal Jean-Louis Tauran. Além de representantes brasileiros da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).


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"Migrantes e Refugiados: rumo a um mundo melhor"

Mensagem do Santo Padre Francisco para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado 2014


Cidade do Vaticano, 24 de Setembro de 2013


Apresentamos a mensagem do Santo Padre Francisco para o dia mundial do migrante e do refugiado (2014).

Migrantes e Refugiados: rumo a um mundo melhor”

Queridos irmãos e irmãs!
As nossas sociedades estão enfrentando, como nunca antes na história, processos de interdependência mútua e interacção em um nível global, que, mesmo incluindo elementos problemáticos ou negativos, se destinam a melhorar as condições de vida da família humana, não só nos aspectos económicos, mas também nos aspectos políticos e culturais. Cada pessoa, afinal, pertence à humanidade e partilha a esperança de um futuro melhor com toda a família dos povos. A partir dessa constatação, nasce o tema que escolhi para o Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados deste ano: “Os migrantes e refugiados: rumo a um mundo melhor”.

Entre os resultados das mudanças modernas, o fenómeno crescente da mobilidade humana emerge como um “sinal dos tempos”, como o definiu o Papa Bento XVI (cf. Mensagem para o Dia Mundial do migrante e do refugiado de 2006). Se por um lado, as migrações muitas vezes denunciam fragilidades e lacunas nos Estados e na Comunidade internacional, por outro, revelam a aspiração da humanidade de viver a unidade, no respeito às diferenças; de viver o acolhimento e a hospitalidade, que permitem a partilha equitativa dos bens da terra; de viver a protecção e a promoção da dignidade humana e da centralidade de cada ser humano.

Do ponto de vista cristão, como em outras realidades humanas também nos fenómenos migratórios se observa a tensão entre a beleza da criação, marcada pela Graça e pela Redenção, e o mistério do pecado. A solidariedade e o acolhimento, os gestos fraternos e de compreensão, vêem-se contrapostos à rejeição, discriminação, aos tráficos de exploração, de dor e de morte. Um motivo de preocupação são, principalmente, as situações em que a migração não só é forçada, mas também realizada através de várias modalidades de tráfico humano e de escravidão. O “trabalho escravo” é hoje uma moeda corrente! No entanto, apesar dos problemas, dos riscos e das dificuldades que devem ser enfrentados, aquilo que anima muitos migrantes e refugiados é o binómio confiança e esperança: eles trazem em seus corações o desejo de um futuro melhor não só para si mesmos, mas também para as suas famílias e para os entes queridos.

O que significa a criação de um “mundo melhor”? Esta expressão não se refere ingenuamente a conceitos abstractos ou a realidades inatingíveis, mas se dirige à busca de um desenvolvimento autêntico e integral, para poder agir de tal modo que haja condições de vida digna para todos, para que se encontrem respostas justas às necessidades dos indivíduos e das famílias, para que seja respeitada, preservada e cultivada a criação que Deus nos deu. O Venerável Papa Paulo VI descrevia com estas palavras as aspirações dos homens de hoje: «ser liberado da pobreza, ter garantido de um modo seguro o próprio sustento, a saúde, o emprego estável, ter uma maior participação nas responsabilidades, fora de qualquer opressão e ao protegido de condições que ofendem a dignidade humana; poder desfrutar de uma educação melhor; em uma palavra, fazer conhecer e ter mais, para ser mais "(Encíclica Populorum Progressio, 26 de Março de 1967, n. 6).

O nosso coração quer um “mais” que não seja simplesmente conhecer mais ou ter mais, mas que seja essencialmente um ser mais. Não se pode reduzir o desenvolvimento a um mero crescimento económico, alcançado, muitas vezes, sem tem em conta os mais fracos e indefesos. O mundo só pode melhorar se a atenção é dirigida, em primeiro lugar, à pessoa; se a promoção da pessoa é integral, em todas as suas dimensões, inclusive a espiritual; se não se deixa ninguém de lado, incluindo os pobres, os doentes, os encarcerados, os necessitados, os estrangeiros (cf. Mt 25, 31-46); caso se passe de uma cultura do descartável para uma cultura do encontro e do acolhimento.

Os migrantes e refugiados não são peões no tabuleiro de xadrez da humanidade. Trata-se de crianças, mulheres e homens que deixam ou são forçados a abandonar suas casas por vários motivos, que compartilham o mesmo desejo legítimo de conhecer, de ter, mas, acima de tudo, de ser mais. É impressionante o número de pessoas que migram de um continente para outro, bem como aqueles que se deslocam dentro de seus próprios países e áreas geográficas. Os fluxos migratórios contemporâneos são o maior movimento de pessoas, se não de povos, de todos os tempos. No caminho, ao lado dos migrantes e refugiados, a Igreja se esforça para compreender as causas que estão na origem das migrações, mas também se esforça no trabalho para superar os efeitos negativos e aumentar os impactos positivos nas comunidades de origem, de trânsito e de destino dos fluxos migratórios.

Infelizmente, enquanto incentivamos o desenvolvimento em vista de um mundo melhor, não podemos silenciar o escândalo da pobreza nas suas várias dimensões. Violência, exploração, discriminação, marginalização, abordagens restritivas às liberdades fundamentais, tanto para o indivíduo quanto para grupos, são alguns dos principais elementos da pobreza que devem ser superados. Muitas vezes, são justamente esses aspectos que caracterizam os movimentos migratórios, ligando migração e pobreza. Fugindo de situações de miséria ou de perseguição em vista de melhores perspectivas ou para salvar a sua vida, milhões de pessoas embarcam no caminho da migração e, enquanto esperam encontrar a satisfação das expectativas, muitas vezes o que encontram é suspeita, fechamento e exclusão; quando não são golpeados por outros infortúnios, muitas vezes, mais graves e que ferem a sua dignidade humana.

A realidade das migrações, com as dimensões que assume na nossa época de globalização, precisa ser tratada e gerida de uma maneira nova, justa e eficaz, o que exige, acima de tudo, uma cooperação internacional e um espírito de profunda solidariedade e compaixão. É importante a colaboração em vários níveis, com a adopção unânime de instrumentos de regulamentação para proteger e promover a pessoa humana. O Papa Bento XVI nos traçou as coordenadas, afirmando que «esta política há de ser desenvolvida a partir de uma estreita colaboração entre os países donde partem os emigrantes e os países de chegada; há de ser acompanhada por adequadas normativas internacionais capazes de harmonizar os diversos sistemas legislativos, na perspectiva de salvaguardar as exigências e os direitos das pessoas e das famílias emigradas e, ao mesmo tempo, os das sociedades de chegada dos próprios emigrantes» (Carta Encíclica Caritas in veritate, 19 de Junho de 2009, 62). Trabalhar juntos por um mundo melhor requer a ajuda mútua entre os países, com abertura e confiança, sem levantar barreiras intransponíveis. Uma boa sinergia pode ser um incentivo para os governantes enfrentarem os desequilíbrios socioeconómicos e uma globalização sem regras, que se encontram entre as causas das migrações em que as pessoas são mais vítimas do que protagonistas. Nenhum país pode enfrentar sozinho as dificuldades associadas a esse fenómeno que, sendo tão amplo, já afecta todos os Continentes com o seu duplo movimento de imigração e emigração.

É também importante ressaltar como essa colaboração já começa com o esforço que cada país deveria fazer para criar melhores condições económicas e sociais no seu próprio território, para que a emigração não seja a única opção para aqueles que buscam a paz, a justiça, a segurança e o pleno respeito da dignidade humana. Criar oportunidades de emprego nas economias locais impediria, para além do mais, a separação das famílias e garantiria condições de estabilidade e de serenidade para os indivíduos e comunidades.

Finalmente, olhando para a realidade dos migrantes e refugiados, há um terceiro elemento que eu gostaria de destacar neste caminho de construção de um mundo melhor: a superação de preconceitos e de pré-compreensões, ao considerar a migração. De fato, não é raro que a chegada de migrantes, prófugos, requerentes de asilo e refugiados desperte desconfiança e hostilidade nas populações locais. Surge o medo que se produzam perturbações na segurança social, que se corra o risco de perder a identidade e a cultura, que se alimente a concorrência no mercado de trabalho ou, ainda, que se introduzam novos factores de criminalidade. Os meios de comunicação social, neste campo, têm um papel de grande responsabilidade: cabe a eles, de fato, desmascarar estereótipos e fornecer informações corretas, o que significará denunciar o erro de alguns, mas também descrever a honestidade, a rectidão e a magnanimidade da maioria. Para isso, é preciso que todos mudem a atitude em relação aos migrantes e refugiados; é necessário passar de uma atitude de defesa e de medo, de desinteresse ou de marginalização - que, no final, corresponde precisamente à “cultura do descartável” – para uma atitude que tem por base a “cultura do encontro”, a única capaz de construir um mundo mais justo e fraterno, um mundo melhor. Os meios de comunicação também são chamados a entrar nesta “conversão de atitudes” e a incentivar esta mudança de comportamento em relação aos imigrantes e refugiados.

Penso como também a Sagrada Família de Nazaré teve que viver a experiência de rejeição no início do seu caminho: Maria «deu à luz o seu filho primogénito, envolveu-o em faixas e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar na hospedaria» (Lc 2,7). Além disso, Jesus, Maria e José experimentaram o que significa deixar sua terra natal e ser migrantes: ameaçados pela sede de poder de Herodes, foram forçados a fugir e buscar refúgio no Egito (cf. Mt 2,13-14). Mas o coração materno de Maria e o coração zeloso de José, Protector da Sagrada Família, sempre mantiveram a confiança de que Deus nunca abandona. Pela intercessão deles possa ser sempre firme no coração do migrante e do refugiado esta mesma certeza.

A Igreja, respondendo ao mandato de Cristo: «Ide e fazei discípulos entre todos as nações», é chamada a ser o Povo de Deus que abraça todos os povos, e leva a todos os povos o anúncio do Evangelho, pois no rosto de cada pessoa está estampado o rosto de Cristo! Eis a raiz mais profunda da dignidade do ser humano que deve ser sempre respeitada e protegida. Não são os critérios de eficiência, produtividade, de classe social, de pertença étnica ou religiosa que fundamentam a dignidade da pessoa, mas sim o fato de ser criado à imagem e semelhança de Deus (cf.Gn 1,26-27), e, ainda mais, o fato de ser filhos de Deus; todo ser humano é um filho de Deus! Nele está impressa a imagem de Cristo! Trata-se, então, de o vermos, nós, em primeiro lugar, e de ajudar os outros a verem no migrante e no refugiado não só um problema para lidar, mas um irmão e uma irmã a serem acolhidos, respeitados e amados; trata-se de uma oportunidade que a Providência nos oferece para contribuir na construção de uma sociedade mais justa, de uma democracia mais completa, de um país mais inclusivo, de um mundo mais fraterno e de uma comunidade cristã mais aberta, de acordo com o Evangelho. As migrações podem criar possibilidades para a nova evangelização; abrir espaços para o crescimento de uma nova humanidade, preanunciada no mistério pascal: uma humanidade em que toda terra estrangeira é uma pátria, e em que toda pátria é uma terra estrangeira.

Queridos migrantes e refugiados! Não percais a esperança de que também a vós está reservado um futuro mais seguro; Que possais encontrar em vossos caminhos uma mão estendida; que vos seja permitido experimentar a solidariedade fraterna e o calor da amizade! Para todos vós e para aqueles que dedicam suas vidas e suas energias ao vosso lado eu prometo a minha oração e concedo de coração a minha Bênção Apostólica.


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