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terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Reabertura da Notre-Dame de Paris ou de como ressuscitar do desastre

Cinco anos depois do incêndio

 | 2 Dez 2024

A catedral de Notre Dame antes do grande incêndio que obrigou à reconstrução liderada por Jean-Louis Georgelin. Foto © Ali Sabbagh / Wikimedia Commons

Notre-Dame antes do incêndio de 2019, que obrigou à reconstrução liderada por Jean-Louis Georgelin. Foto © Ali Sabbagh / Wikimedia Commons

A reabertura da catedral de Notre-Dame de Paris, reconstruída e remodelada, acontecerá já no próximo sábado, 7 de dezembro, ao fim da tarde, numa cerimónia presidida pelo arcebispo de Paris, Laurent Ulrich, e com a presença do Presidente da República, Emmanuel Macron. No ato participam ainda numerosos chefes de Estado e de governo, funcionários e mecenas, convidados conjuntamente pelo Estado francês e pela diocese, representantes de todas as paróquias de Paris, membros do cabido da catedral e do clero parisiense.

Os atos inaugurais de cunho religioso têm lugar no dia seguinte, domingo, 8 de dezembro, com uma missa solene que inclui a consagração do altar-mor, e serão presididos pelo arcebispo de Paris. São esperados cerca de 170 bispos de França e de dioceses do estrangeiro, bem como um presbítero e fiéis de cada uma das 106 paróquias da diocese local. Macron volta a marcar presença nos atos de culto.

Os interessados em visitar a “nova” catedral, reconstruída em cinco anos, depois do incêndio de 2019, poderão já tentar a sua sorte a partir do próximo domingo, 8 de dezembro, o próprio dia da inauguração. Na primeira semana, os horários são especiais (parte da tarde até às 22h), entrando no ritmo normal a partir de 16 de dezembro (das 7h45 às 19h).

A diocese de Paris divulgou, entretanto, na sua página digital, um calendário de conferências e colóquios que se estendem pelo ano de 2025, sobre temas tão diversos como o restauro de Notre-Dame – o estaleiro do século (14 de janeiro); rearranjo do interior da catedral (12 de fevereiro); as tapeçarias (26 de março); e pensar a catedral do século XXI (21 de maio).

 

Entre o passado e o futuro

notre dame paris FOTO FB

A reconstrução de Notre-Dame de Paris provocou várias polémicas sobre o que se deveria fazer. Foto: Direitos reservados. 

Com estes atos religiosos e civis de reabertura (de facto, o edifício da catedral, ‘les murs’, é da responsabilidade dos serviços do estado), concretiza-se o desejo do Presidente Macron de terminar os trabalhos de reconstrução em 2024. Mas o percurso feito implicou um esforço gigantesco em múltiplas frentes, importantes decisões a tomar e não poucas polémicas.

Uma das grandes questões que teve de ser gerida foi a de saber se a restauração deveria ser feita seguindo fielmente o que existia à data do incêndio ou se se deveria aproveitar a oportunidade para renovar as linguagens e deixar as marcas da contemporaneidade. À volta do órgão, das estátuas, das tapeçarias e até da disposição do mobiliário e do modo como deveria ser a circulação dos 15 milhões de visitantes anuais que se espera venham a entrar na catedral, levantaram-se polémicas e debates que saltaram para a opinião pública. Um dos terrenos em que essa polémica foi mais viva centrou-se nos vitrais que dão àquele icónico templo uma das suas marcas distintivas. Macron queria vitrais concebidos por artistas jovens e procurou ter o arcebispo de Paris do seu lado. Quando tudo parecia encaminhar-se bem eis que – as palavras foram publicadas no Le Monde –
“a aliança entre clericais tradicionalistas e anticlericais conservadores matou o projeto à nascença”, posição que foi reforçada pelo então ministro da Cultura.

A mudança de arcebispo, um novo governo e uma nova insistência do Presidente fizeram, a dado momento, reverter de novo a orientação. Foi o arcebispo em sintonia com Macron que, perante a Comissão Nacional para o Património e a Arquitetura, terá tido as palavras decisivas: “Não me parece apropriado que a reconstrução desta catedral danificada não traga a marca da época que a restaurou. Nos vitrais de Notre-Dame de Paris, há alguns do século XIII, há alguns do século XVII, há alguns dos séculos XIX e XX; porque não do século XXI?”.

Assim foi para seis dos painéis. O sétimo, alusivo à Árvore de Jessé, esse, manter-se-á como estava antes do incêndio.

 

O Papa não quis ir à festa

O Papa Francisco esteve largos minutos à conversa com os jornalistas no voo papal. Foto © Vatican Media

O Papa Francisco na viagem em que afirmou que não estaria em Paris para a reabertura da catedral. Foto © Vatican Media

Emanuel Macron empenhou-se, desde o primeiro dia, não apenas em assegurar que as obras se fariam no prazo pré-definido, mas intervindo também, direta ou indiretamente, em alguns aspetos. Quis também que o ato inaugural tivesse pompa e circunstância, pelo que terá feito tudo o que estava ao seu alcance para assegurar que o Papa Francisco viesse presidir à inauguração e reabertura da catedral, atendendo à projeção universal do monumento.

Porém, na entrevista com os jornalistas na viagem de regresso a vários países asiáticos, em 13 de setembro último, o Papa disse, de forma terminante, que não iria a Paris. Já no início de novembro, por alturas da assembleia dos bispos, o presidente da Conferência dos Bispos de França, Éric de Moulins-Beaufort, dizia aos jornalistas que “nunca se colocou verdadeiramente a questão” de o Papa se juntar às celebrações em Notre-Dame. “Por uma razão simples: a estrela da reabertura de Notre-Dame é Nossa Senhora” e não o Papa. Francisco “compreendeu isso desde o início”, acrescentou.

Quem não terá gostado nada desta decisão, segundo vários meios de comunicação social franceses, terá sido o Presidente da França, para quem a justificação oficial (de que, neste fim de semana de 7 e 8 de dezembro, se realizaria em Roma um consistório para a investidura de 21 novos cardeais) não era razoável, dado que a reabertura de Notre Dame se encontra definida há muitos meses.

A situação tornou-se ainda mais delicada quando Francisco anunciou a intenção de visitar a ilha da Córsega, território francês, uma semana depois. Isso supõe, protocolarmente, que seja o Presidente do Estado que recebe a dirigir o convite à Santa Sé e ser suposto que o próprio Presidente se desloque à Córsega para receber o Papa.

Algumas fontes, entre as quais The Times, de Londres, interpretam que o Papa não gostaria de se intrometer num mega-acontecimento que está politizado e em que o Presidente francês é o grande protagonista. No entanto, importa ter em conta que o atual Papa tomou como orientação não visitar grandes nações ocidentais, preferindo as periferias. É verdade que já esteve por duas vezes em França, desde que iniciou o seu pontificado, mas não em visita oficial ao país: em Estrasburgo, em 2024, para visitar o Conselho da Europa e o Parlamento Europeu e em Marselha, em 2023, para intervir nos Encontros do Mediterrâneo. Mas que há, nesta ida à Córsega, uma assertividade das opções deste Papa, isso dificilmente pode ser negado.



Redescobrir esperança numa sociedade marcada pela pobreza e solidão…

Olá Bom Dia

O patriarca de Lisboa dirigiu a sua primeira carta pastoral à diocese, por ocasião do próximo Ano Santo, convidando todos a redescobrir esperança numa sociedade marcada pela pobreza e a solidão. “O drama da solidão e da exclusão, da pobreza e da fome, já não [está] apenas em lugares distantes, mas cada vez mais próximo da porta de casa de cada um de nós”, escreve D. Rui Valério, num documento intitulado ‘Dai razões da vossa esperança’, sobre a esperança cristã.

A Igreja Católica prepara-se para celebrar, em 2025, o 27.º jubileu ordinário da história, por iniciativa do Papa Francisco, que o dedicou ao tema da esperança.

O Serviço Pastoral a Pessoas com Deficiência da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) escreveu uma carta aos responsáveis e voluntários do setor, convidando à mobilização para o Ano Santo 2025.

A celebração do jubileu vai ocupar “grande parte do trabalho pastoral deste ano, mas gostávamos também de lembrar a necessidade de manter o bom trabalho desenvolvido até agora, tendo consciência de que se trata de um caminho e que não o percorremos sós” lê-se no documento enviado à Agência ECCLESIA

A celebração do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência (03 de dezembro); os encontros diocesanos da pastoral da deficiência e o acompanhamento dos trabalhos de setores como a catequese, pastoral social e a juventude são “importantíssimos” para se promover “o bom acolhimento das pessoas com deficiência”.

Propostas para hoje… No entanto não esqueça de ver o programa ECCLESIA na RTP2, pouco depois das 15h00. Depois fica disponível no site desta agência da Igreja Católica.

Já sabe que pode acompanhar toda a atualidade religiosa, em Portugal e no mundo, no site www.agencia.ecclesia.pt/portal/

Cumprimentos

Luis Filipe Santos

 


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segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Informação Partilhada do Núcleo Distrital de Beja da EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza 115-2024


Campanha de sensibilização Reflete(-te) - EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza



La venta de Biblias se dispara un 22% en un año: son lectores nuevos en búsqueda de «esperanza»

Sorprendente dato en EE.UU.: los expertos lo atribuyen a la necesidad de «seguridad»

Hombre leyendo la Biblia mientras toma un café.
El auge en la venta de Biblias coincide con una caída de la religiosidad. Algo no tan paradójico como parece. Foto: Priscilla du Preez / Unsplash.


C.L.

TAGS: Biblia

"¡Acompáñame a comprar mi primera Biblia! ¡Estoy tan emocionada de leerla y estudiarla por fin a mis 28 años...!": así es como sorprendió a sus seguidores (más de un millón en TikTok) la influencer Cely Vázquez, ex concursante del reality Love Island USA: "Chicos, ¿os podéis creer que, literalmente, crecí en la iglesia?".

El caso de Cely no es único: es una tendencia comercial

Cely es de origen católico, a tenor de las imágenes que comparte de su adolescencia, cantando ante una imagen de la Virgen de Guadalupe: "Rezo todos los días y me considero una persona religiosa, pero nunca había comprado mi propia Biblia ni la había leído ni estudiado. Pero ahora, a mis 28 años, me encuentro con un deseo más profundo de comprender realmente lo que significa caminar con Dios. Y creo que eso empieza por leer y estudiar la Biblia. Ese será mi próximo paso. Por eso estoy tan feliz de estar aquí", confiesa antes de entrar, móvil en mano para grabar el momento y compartirlo, en una librería de la cadena Barnes & Noble.

Cely Vázquez, con su Biblia recién comprada en la mano.

Cely Vázquez, con su Biblia recién comprada en la mano.

El caso de Cely es bastante ilustrativo de la tendencia comercial que refleja un reciente artículo de Jeffrey A. Trachtenberg en el Wall Street Journal: la venta de Biblias se ha disparado en Estados Unidos en los últimos años en porcentajes realmente llamativos, que se sintetizan en dos datos:

-de 9,7 millones en 2019 a 14,2 millones en 2023, un crecimiento del 46% en cuatro años;

-una venta de 13,7 millones de Biblias en lo que va de 2024, lo que supone un crecimiento del 22% respecto al mismo periodo del año pasado.

Los datos proceden de Circana Bookscan, la principal herramienta del país en seguimiento estadístico de ventas del mercado editorial. E indican que el incremento de ventas general de libros a lo largo de los diez primeros meses del año es del 1%, es decir, el de Biblias multiplica por más de veinte ese crecimiento.

Causas políticas...

Y eso que Circana Bookscan no incluye en sus listados una edición que probablemente está recibiendo en sus ventas el impacto de ser publicitada por Donald Trump la primavera pasada. Se trata de la Biblia que patrocina su amigo el cantante Lee Greenwood, autor del tema God Bless the USA que da nombre a la God Bless the USA Bible, cuya edición King James (de origen anglicano y típica del ámbito protestante anglófono) añade al volumen la Constitución, la Declaración de Independencia y otros textos puramente civiles.

El respaldo de Trump a la Biblia patrocinada por Lee Greenwood.

Tras lamentar -en el vídeo con el que promocionó la Biblia de Greenwwod- que Estados Unidos se haya alejado del cristianismo como uno de los principales problemas del país, Trump añade: "Todos los estadounidenses necesitan una Biblia en su hogar. Yo tengo muchas, es mi libro favorito. Esta Biblia nos recuerda que lo fundamental que tenemos que devolver a Estados Unidos para Make America Great Again es nuestra religión. Debemos defender la presencia de Dios en la plaza pública. Debemos hacer que Estados Unidos rece de nuevo: Make America Pray Again".

...y causas más personales

Sin embargo, ni la tradicional identificación del sistema político estadounidense con el cristianismo protestante ni el contundente triunfo de Trump en las recientes elecciones presidenciales justifican por sí solos este éxito de la venta de Biblias. Influyen también el proceso de secularización y el proceso de desintegración social por desestructuración familiar, que causan ambos una pérdida de referencias que los afectados buscan subsanar de múltiples formas. 

Bethany Martin, gerente de la librería Faith & Life Bookstore en Newton (Kansas), que vende las Sagradas Escrituras en todo tipo de formatos y precios, señala que muchas de estas Biblias se están vendiendo a personas que la compran por primera vez y que  "buscan esperanza ante la situación del mundo, y la buscan en la Biblia".

Jeff Crosby, presidente de la Asociación de Editores Cristianos Evangélicos, abunda en esa línea de que "la gente siente ansiedad o preocupación por sus hijos y nietos" en unos tiempos caracterizados por la inestabilidad política y social y el riesgo de generalización bélica, "y todo eso alimenta el deseo de tener la seguridad de que todo va a estar bien". Acuden entonces a las certezas que ofrece la Palabra de Dios.

Las ventas se están produciendo, señala el Wall Street Journal, tanto en librerías religiosas como generalistas o en plataformas de venta on line, y no solo en formato papel sino digital y en audiolibro. J. Mark Bertrand, de Lectio (un portal sobre la propia lectura de la Biblia), señala que también influye en las ventas la mejora en los sistemas de márketing bíblico para responder mejor a un nicho de personas que "anhelan el conocimiento y estudio de las Escrituras".

Como resumía Cely Vázquez al diario económico neoyorquino: "Sentía la necesidad de empezar mi propio camino. Sentía que algo me faltaba, y que el sentido de las cosas y esa tranquilidad pueden encontrarse en la Biblia".



Coração leve

Bom dia e boa semana para si que nos acompanha, neste início do Advento. Em tempos difíceis, para milhões em todo o mundo, o Papa convidou a confiar no “projeto de Deus”, com “coração leve”, mesmo nas circunstâncias mais dramáticas da história.

Entre estas páginas de dor estão a guerra na Ucrânia, cuja evolução mantém a comunidade internacional em alerta, e no Médio Oriente, onde o Papa vê um “vislumbre de paz”, após o cessar-fogo no Líbano.

O caminho para o Natal é marcado pela solidariedade, na campanha dos Bancos Alimentares, cuja presidente foi a convidada da entrevista semanal Ecclesia/Renascença. Ainda este domingo, o programa ‘70x7’ foi até Cernache, a poucos quilómetros de Coimbra, onde chegaram os jesuítas em 1943. Ali existiu um colégio de referência para toda a região, tendo acolhido mais de 800 alunos, que desde 2019 procura uma nova vida. Uma casa que pretende propor uma pausa, ser tempo lento para acolher, escutar, dialogar, alargar horizontes.

Pelas 15h00, na RTP2, o Programa ECCLESIA volta à sua companhia, para analisar as consequências das alterações climáticas nos países e vias de desenvolvimento. Uma problemática que preocupa a Fundação Fé e Cooperação (FEC), desiludida com as conclusões da 29ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP29), que decorreu no Azerbaijão.

Despeço-me com votos de boas notícias,

Octávio Carmo


 


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domingo, 1 de dezembro de 2024

Surpresa de Natal

A avó Rosarinho ficava sempre muito entusiasmada com a aproximação do Natal. Duas semanas antes, mudava- se para a quinta do Sobral, nos arredores da capital, e para alegria de todos, ali recebia a numerosa família!

Desta vez, porém, no meio da azáfama da viagem, mudança e preparativos - presépio, árvore de Natal e decorações, comidas e presentes, mais a preparação do auto de Natal em que os miúdos participavam e cantavam… - havia uma razão ainda mais poderosa de alegria, mas simultaneamente de especial preocupação: a neta mais velha, Vera, há muito a viver em Londres, viria de novo a casa pelo Natal… ela que já não vinha há mais de dez anos! Só que, para espanto e maior preocupação da avó, a quem pedira para guardar segredo, telefonara à pressa, pedindo licença para trazer um amigo especial… um hindu!!!

- ‘Hindu???’,

- ‘Sim, avó, e vai gostar dele… de certeza!’

A avó ficou na expectativa, mas deveras apreensiva com a possível reação dos sete filhos e quinze netos… na verdade, sempre cada um trazia algum amigo ou amiga, gente solitária e geralmente de outro país, mas desta vez… soava-lhe um pouco estranho!!! E que pensariam os pais de Vera? Como reagiriam? Será que já sabiam alguma coisa…?

Infelizmente, toda a família sabia que eles pouco ou nenhum contacto mantinham com a filha, desde que ela lhes dissera pelo telefone, dois anos antes, que pensava casar com um rapaz que conhecera nas prisões de Inglaterra… nem chegara a dizer quem ele era, pois logo lhe tinham dito que havia tanto bom rapaz português fora das prisões… a troca de palavras tinha azedado… e a conversa telefónica com o pai acabara abruptamente…

Quem seria ele afinal? Seria pessoa de confiança e que se integrasse bem no ambiente familiar? Logo numa noite de Natal, em que a avó Rosarinho o que mais pedia e desejava era que houvesse sempre paz na sua família e amor entre todos…

A avó bem se lembrava que a Verinha fora sempre diferente… saíra cedo de casa, aos 19 anos interrompera os estudos, e depois de uma breve zanga com os pais, despedira-se e de mochila às costas, partira para fazer voluntariado na América do Sul… depois resolvera visitar o Tibete, a Índia… aí arranjara trabalho e demorara-se por lá… finalmente resolvera voltar a estudar e trabalhar em Londres e agora, como advogada, sempre atraída por tudo o que se relacionava com solidariedade e causas sociais, trabalhava nas prisões…

A avó Rosarinho, cautelosamente, telefonara a cada um dos filhos, tentando perceber se alguém sabia notícias da Verinha… mas ninguém parecia saber de nada, pelo que resolveu manter segredo até à chegada da neta, tal como ela pedira… contudo, o seu coração ia ficando cada vez mais pequenino de aflição, à medida que a noite de Natal se aproximava…

Dois dias antes do Natal, Vera telefonou à avó e disse que já estava em Portugal. Pediu-lhe de novo para guardar segredo, porque queria fazer uma surpresa a toda a família, mas insistiu muito para que não se afligisse, dizendo ‘… de certeza que tudo vai correr bem, avó!’

Chegada a noite de 24 de Dezembro, quando todos se vestiam já para representarem o teatro de Natal, de repente ouviu-se o som da velha sineta da porta… entreolhando-se, espantados, os filhos perguntaram à avó Rosarinho se esperava mais alguém… sem dizer palavra, a avó foi abrir a porta e Vera entrou, sorridente… de mão dada com um hindu, de turbante na cabeça e trazendo um bebé ao colo… todos se levantaram de imediato, como que catapultados por uma força comum… e não escondendo a sua surpresa e alegria, rodearam os recém-chegados. Um pouco mais atrás, o pai de Vera ficou a olhar, ainda estupefato e incrédulo…

Então Vera, com um rasgado sorriso e de olhos postos na avó e nos pais, disse-lhes com voz emocionada:

  • Que bom é estar aqui de novo com toda a família! Apesar de viver longe, eu sabia que este ano não havia bebé na família para pôr no nosso presépio e por isso quis trazer-vos este presente… o nosso filho Manu! Quis fazer-vos esta surpresa e partilhar com todos a nossa felicidade! Apresento-vos o meu marido, Manoj! Casámos há um ano, ele trabalha comigo nas prisões… como veem é indiano, natural de Bangalore, onde nos conhecemos! O nome dele significa ‘o que compreende os outros’ - e de facto ele é um homem de muito bom coração, é médico, e tenho a certeza de que todos vão gostar muito de o conhecer melhor, embora ele não fale português… e como veem, trouxe-o já preparado para fazer de Rei Mago do Oriente…

Com uma gargalhada geral, e passado o choque inicial, a avó Rosarinho, dando o exemplo, de imediato os abraçou e lhes deu as boas-vindas… e em seguida também os pais de Vera, comovidos e sem palavras, os abraçaram com ternura… e toda a família os rodeou e acarinhou.

Manoj sorria para todos. Não percebia o que Vera lhes dissera, mas sentiu-se acolhido naquela casa.

As crianças e jovens estavam excitadíssimos com a surpresa! Todos queriam pegar no bebé!

Aquela noite de Consoada acabou por ser uma Noite inesquecível, com toda a família unida a cantar, como era seu hábito, em volta do presépio.

O bebé - qual novo Menino Jesus - não parecia estranhar tanta cara desconhecida e sorrindo, ia passando de colo em colo, até que adormeceu a um canto da sala, ao colo do avô embevecido, o pai de Vera.

Ao fim da noite, visivelmente cansada e com os pés inchados, mas feliz, a avó Rosarinho veio sentar-se ao lado da nora e do filho, pais da Vera, e comentou para eles:

  • Já viram os lindos olhos deste bebé? E o cabelinho negro de azeviche? Que bebé tão querido! E sabem o que significa ‘Manu’? Fui perguntar-lhes… Imaginem só… ‘Manu’ é como o nosso Emanuel, significa ‘Deus conosco!’ Que coincidência maravilhosa termos aqui toda a família à volta d’Ele nesta Noite de Natal!

Fátima Fonseca











Dar a volta à nossa volta

       O Natal é uma boa ocasião para se “dar a volta à nossa volta”. Ver estandartes do Menino Jesus com os braços abertos pelas varandas do país, convida-nos a dar a uma volta para ir ter como Ele juntamente com os pastores e os reis magos. Só de olhar para essas varandas, os nossos pensamentos sobem para o Menino que veio ao mundo para nos salvar. Cada pessoa que pendura um estandarte está a dar a volta à sua rua.

       Natal é época de dar a volta à família: com visitas, telefonemas, bonitos postais... Talvez surja a oportunidade de dar uma volta mais profunda: fazer as pazes com um irmão, amigo, cônjuge, voltar a cantar ao Menino, introduzir a leitura de uma oração, conto ou poema de Natal, confessar-se e assistir à Missa em família.

       Os avós e os pais têm uma boa oportunidade de dar uma volta na educação de netos e filhos, recordando-lhes a verdadeira razão de se festejar o Natal. É bom lembrar-nos também de que cada sacerdote é Cristo, é Jesus, e o devemos amar, respeitar e, sobretudo, rezar por ele como quem oferece um presente especial.

       Bom, talvez estas ideias pareçam difíceis, mas... há uma volta a dar ainda mais difícil. Sim, porque dar a volta aos outros é bem mais fácil que dar a volta à própria vida. Se se é pai ou mãe, talvez tenha chegado a altura de ter “aquela” conversa com o filho ou a filha, antecipando-se aos professores e “amiguinhos”. Assumir que se gosta de alguém e estar disposto a ter um comportamento digno: falar com a namorada, dar uma satisfação aos seus pais, casar com ela... Aquele negócio que começou com o seu melhor amigo, e este se comportou como seu inimigo... e tudo acabou num corte de relações. Terão agora a oportunidade de fazer as pazes? Aquele abraço que está adiado desde...  e pelo qual o pai ou irmão tanto anseiam, pode ser dado agora?

       A volta que o Menino Jesus mais espera que dê, e espera-a de braços abertos há mais de dois mil anos, é aquele abraço de reconciliação plena com Ele, o de uma verdadeira confissão, clara, completa e contrita. O único modo eficaz de dar a volta à nossa volta, à nossa vida.

Isabel Vasco Costa

Aprender a perdoar

       É este o título de um ensaio da teóloga alemã Jutta Burggraf. Aí analisa as reações normais do homem perante a ofensa, esclarece-nos e aconselha-nos.

       O primeiro facto que aponta refere-se à nossa capacidade de perdoar com um sorriso a pisadela sofrida num autocarro. Isso deve-se à certeza de que não havia intenção de magoar e de o agressor ser um desconhecido: o episódio, provavelmente, não se repetirá. Por outras palavras, não há nestes casos uma ofensa real. Ela só existe se há intenção de ferir. Só perante uma verdadeira ofensa é lícito falar-se em perdão.

       As torturas, materiais ou espirituais, podem aparecer diariamente nas prisões, hospitais, trabalho e até na própria família. Muitas vezes, o sofrimento é ampliado por incompreensão, troça ou desprezo, porque os padecimentos alheios são fáceis de suportar. Ninguém nos consegue fazer sofrer mais do que aqueles que deviam amar-nos. Jutta cita um dito árabe: “A única dor que destrói mais do que o ferro é a injustiça que procede dos nossos familiares.”

       Pode reagir-se de modos diferentes face às injúrias recebidas. Uma consiste na vingança (dente por dente...), outra no endurecimento do coração para não sofrer mais e a terceira no perdão.

       A vingança pode comparar-se ao comportamento da pessoa que, mordida por uma víbora, corre atrás dela para a matar. Enquanto o faz, o veneno vai-se espalhando pelo seu corpo até lhe causar a morte. Vingou-se, evitou que essa víbora voltasse a ferir, mas sucumbiu ao veneno. A metáfora ainda fica aquém da realidade porque, consumada a vingança, fecha-se mais uma porta no caminho para a reconciliação e abrem-se muitas mais, de amigos e familiares do agressor, a novas vinganças. Assim começam as guerras.

       O endurecimento do coração impede a aproximação de pessoas generosas e amáveis. A desconfiança geral atinge todos sem discriminação. É, portanto, uma forma de injustiça, uma agressão a qualquer que tenta aproximar-se.

O perdão consiste em renunciar à vingança e em desejar, apesar de tudo, o melhor para o outro. Esta atitude, sim, é a única capaz de romper um elo na cadeia das vinganças e permitir que volte a paz. É um trabalho árduo e, talvez, moroso. Fundamenta-se na maior qualidade do homem, a de exercer a sua livre vontade, contrariando os seus sentimentos. Seguindo a metáfora anterior, pode comparar-se à pessoa que, picada pela víbora, chupa a ferida cuspindo o veneno. A boca poderá inchar e algum resto do veneno espalhar-se pelo organismo, mas como este tem defesas suficientes para o combater, ficará fortalecido e enriquecido como se tivesse recebido um antídoto.

No Natal, somos convidados a adorar o Deus que, para perdoar todos os homens, se fez homem também, e se dispôs a sofrer e morrer por eles. Como Deus, é impassível por não ter corpo; como é um espírito puríssimo, sofre como um pai que vê o filho encaminhar-se para uma vida de mentira, perigo e sofrimento.

Estão guerras a decorrer e teme-se que algumas delas arrastem países, e até continentes, para uma destruidora guerra mundial. Durante o Advento, estas quatro semanas anteriores ao Natal, devemos encorajar-nos a perdoar às pessoas que nos ofenderam e a pedir perdão a este Deus que todos nós temos ofendido e sempre nos tem perdoado em cada confissão. É um bom Professor na difícil disciplina do perdão.

A paz e união nas famílias leva à paz e união entre os povos. A confissão leva à paz com Deus.

Isabel Vasco Costa

El Papa propone que católicos y ortodoxos celebren juntos el 1.700 aniversario del Concilio de Nicea

Con motivo de la fiesta de San Andrés, patrón de Bartolomé I, el Papa propuso la celebración de este gran evento de manera conjunta.
Con motivo de la fiesta de San Andrés, patrón de Bartolomé I, el Papa propuso la celebración de este gran evento de manera conjunta.


ReL


El Papa Francisco ha escrito una carta al patriarca ortodoxo de Constantinopla, Bartolomé I, tal y como publicó este sábado la Santa Sede, en la que mostraba su deseo de que católicos y ortodoxos celebren juntos el 1.700 aniversario del concilio cristiano de Nicea, abriendo la puerta a un nuevo viaje apostólico a Turquía.

El Pontífice, cabeza de la iglesia romana, así lo ha declarado en esta carta al patriarca de Constantinopla con motivo de la fiesta de San Andrés, su patrón. En la misiva reconoce su voluntad de conmemorar juntos el 1.700 aniversario del concilio de Nicea, convocado en el año 325 en esa ciudad romana de Asia Menor (actual Turquía) por el emperador Constantino I para acercar posturas entre cristianos.

"He expresado varias veces mi deseo de poder celebrar este evento junto a usted y agradezco sinceramente a todos los que ya han comenzado a trabajar para hacerlo posible", afirma el papa. Y agregó: "El recuerdo de ese importante evento seguramente fortalecerá los lazos existentes y alentará a todas las Iglesias a dar un testimonio renovado en el mundo actual".

Francisco, que el próximo 17 de diciembre cumplirá 88 años, no ha especificado por el momento si esta voluntad se traducirá en un nuevo viaje apostólico a Turquía. Sin embargo, en la víspera ya había revelado sus intenciones de volar a dicho país en 2025, precisamente Año Santo: "Creo que iré ahí", confesó en una audiencia con los participantes en el pleno de la Comisión Teológica Internacional.

Se trataría del segundo viaje a Turquía de su pontificado ya que visitó Ankara y Estambul en noviembre de 2014, manifestando ya desde entonces su firme deseo de avanzar en la unidad con los cristianos, también con los ortodoxos casi un milenio después del Gran Cisma entre el cristianismo de occidente y oriente.

Francisco mantiene unas buenas relaciones con el patriarca Bartolomé y en 2014, en un encuentro en Jerusalén, renovaron su intención de seguir estrechando lazos, cincuenta años después del histórico abrazo con el que sus predecesores, San Pablo VI y Atenágoras I, pusieron coto a la animadversión entre católicos y ortodoxos.

Otra muestra del interés de Bergoglio por el mundo ortodoxo fue el encuentro que mantuvo en La Habana en 2016 con el patriarca ruso Cirilo, la primera vez desde el Gran Cisma.



O que é que eu posso fazer para que este Natal seja diferente, para não ser a mesma coisa

Foto: Albrecht Fietz – Pixabay

Começo estas linhas com um desafio: ao longo das próximas semanas, a cada domingo, o jornalista Octávio Carmo vai conversar com o padre Paulo Duarte, jesuíta, a partir da encíclica do Papa Francisco «Dilexit nos».

O primeiro encontro já é público, e os próximos pode ir acompanhando no programa de rádio da Ecclesia, a cada domingo, na antena 1.

“O que é que eu posso fazer para que este Natal seja diferente, para não ser a mesma coisa” – é a primeira pergunta formulada no início deste caminho.

Novembro chegou ao fim cheio de notícias:

O estudo sobre a prática dominical, na diocese de Setúbal, que indica uma diminuição dos fieis, o olhar do cardeal D. Américo sobre esta realidade, mas também sobre a aprovação do orçamento e a necessidade deste acompanhar «novos problemas sociais», o reconhecimento do infeciologista e investigador António Sarmento pela Associação dos Médicos Católicos Portugueses, o início do ano pastoral no Santuário de Fátima, dedicado à esperança, ou a inauguração da exposição «Servir — A Única Pregação», também em Fátima, são notícias que o convido a ler no portal de informação da agência Ecclesia.

E termino com o convite do Papa Francisco que diz:

«Católicos e ortodoxos não devem deixar de rezar e de trabalhar em conjunto para se disporem a aceitar o dom divino da unidade»

«A fraternidade vivida e o testemunho dado pelos cristãos serão também uma mensagem para o nosso mundo atormentado pela guerra e pela violência»

Desejo-lhe um excelente domingo e um bom início de semana!

Lígia Silveira

 

 


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