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| Su papel como B´Elanna Torres en Star Trek Voyager es el más conocido que ha realizado como actriz |

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| Su papel como B´Elanna Torres en Star Trek Voyager es el más conocido que ha realizado como actriz |
7M/Agência Ecclesia | 12 Set 19
Três volumes com Roteiros dos Caminhos de Fátima foram apresentados nesta quinta-feira, 12 de setembro, no santuário mariano. A iniciativa da publicação foi do Centro Nacional de Cultura e contém indicações sobre o património cultural e religioso nos três caminhos mais frequentados pelos peregrinos, até ao santuário, como refere a Ecclesia.
Os roteiros com os três caminhos – Caminho do Tejo (de Lisboa a Fátima), Caminho da Nazaré (entre Nazaré e o santuário) e Caminho do Norte (desde Valença) – têm por finalidade “disponibilizar, de forma sistemática, ampla e gratuita, informação completa sobre estes percursos, com destaque para a paisagem, o património, a cultura e as ambiências locais”, refere uma nota sobre a edição.
Os Roteiros dos Caminhos de Fátima estão disponíveis em três línguas – português, inglês e espanhol – e apresentam a cartografia associada a cada um dos caminhos bem como conteúdos descritivos sobre cada um deles. A edição é feita no contexto do Programa Valorizar (Linha de Apoio à Valorização Turística do Interior), apoiado pelo Turismo de Portugal.
A comunicação social vem acompanhando com todo o interesse, quase como se de uma novela se tratasse, a história de uma criança abandonada num caixote de lixo, logo após o parto, e providencialmente salva por um homem “sem abrigo” (ou vários, ainda não se sabe bem). A história teve, apesar de todo o dramatismo da situação, um final feliz: a criança sobreviveu, não foi privada do dom supremo que é a vida, ficará aos cuidados de uma família de acolhimento e um futuro de amor e felicidade para ela certamente se abre, com o que toda a opinião pública rejubila. Já alguém quis chamar à criança “Salvador” e já alguém associou a história à quadra natalícia que se avizinha.
Neste
contexto, questiona-se o que possa ter levado a mãe a tão insólito
comportamento, de extrema crueldade ou de todo incompreensível (conforme as
diferentes perspetivas). Na minha experiência profissional, já fui confrontado
com situações semelhantes, que, malogradamente, não tiveram um final feliz e
terminaram em infanticídio consumado. Em todas essas situações, era nítido o
contraste entre a extrema gravidade objetiva da conduta e condicionalismos de
também extrema dramaticidade existencial que podem atenuar a responsabilidade subjetiva
da mãe. Com frequência, há até quadros patológicos de anomalia psíquica,
eventualmente transitória, que podem conduzir a uma inimputabilidade, ou a uma
imputabilidade diminuída.
Mais
importante do que discutir a responsabilidade da mãe, importa – penso –
sublinhar o final feliz da história e lembrar que nos contextos mais dramáticos
a adoção da criança pode ser sempre uma solução que permite dar uma vida de
amor e felicidade a outros “Salvadores”. Uma solução que em tudo deve ser
facilitada e devidamente apoiada.
Não posso,
porém, deixar de refletir sobre o seguinte.
Nos
comentários a esta história, também se ouviu dizer, mais ou menos
explicitamente, que a mãe poderia, e deveria, ter abortado, com o que se teria
evitado o repugnante ato do abandono.
É verdade que
se assim fosse, se a mãe tivesse abortado, como sucede em milhares de outras
situações, já ninguém se impressionaria, já não se ouviria falar da situação
dramática da mãe, já ninguém se preocuparia com a sorte da criança e esta
ficaria irremediavelmente privada daquele futuro de amor e felicidade de que,
apesar de tudo, não foi privado o “Salvador”
E seria assim
tão diferente? Que a vida da criança terminasse um pouco mais cedo, numa fase
ainda mais precoce, seria assim tão diferente? Se assim fosse, e se tudo se
passasse numa clínica com cobertura legal, já o “Salvador” não teria direito à
compaixão da opinião pública?
Precisamente
porque nem sequer conseguiria comover outras pessoas com a imagem do seu
abandono e da sua morte, seria ainda mais vulnerável e indefeso (a expressão
máxima da vulnerabilidade, ou o “mais pobre dos pobres”, como dizia Santa
Teresa de Calcutá). Também acabaria, muito provavelmente, num caixote do lixo:
seria tratado como “lixo hospitalar”. E ninguém (ou quase ninguém!) se preocuparia
com ele. Nem sequer saberiam que ele chegou a existir. E, sobretudo, ela não
poderia vir a gozar de toda a beleza que é sempre a vida humana e de que virá a
gozar o “Salvador”.
Mas também há
quem salve alguns desses outros “Salvadores”. Poucos conhecem a ação das várias
associações que apoiam mulheres grávidas em dificuldade e com esse apoio evitam
que elas abortem. Essas associações não estão à espera de receber os aplausos
que justificadamente recebeu o homem “sem abrigo” que salvou o “Salvador”. Mas
também os mereciam. Mereciam, sobretudo, muitos mais apoios do Governo. Porque
elas salvam muitos “Salvadores”. E todos devem rejubilar sempre que uma vida
humana é salva, como todos rejubilam por ter sido salvo o “Salvador”.
Pedro Vaz Patto
|
Olá bom dia! É com muito gosto que
regressamos a esta partilha, através destas mensagens matinais, com as
notícias que marcam cada jornada e os projetos que nos entusiasmam! Após
semanas de descanso, com prioridades voltadas para a informação sobre o que
foi acontecendo durante o mês de agosto, retomamos iniciativas e queremos
lançarmo-nos na procura de novas formas de estar mais perto de quem tem
interesse nos factos e acontecimentos que resultam da afirmação da dimensão
religiosa na pessoa e na sociedade. E despertar, pelo menos, essa curiosidade
em quem a não tem.
Durante o mês de
férias por excelência, partilhámos “Conversas
aGosto” em cada semana. Primeiro com o padre Adelino Ascenso,
missionário, depois com José Manuel Rodrigues, presidente da Assembleia
Legislativa Regional da Madeira, a Irmã Amélia Costa, franciscana, e o
luso-canadiano D. José Bettencourt, núncio apostólico na Geórgia e na
Arménia. Foi mais uma série das “Conversas na Ecclesia” que mantemos
desde a Páscoa, nos formatos vídeo, áudio e em notícias publicadas no portal
da Agência Ecclesia, e que vão continuar..
E agora? O padre Nuno Santos,
reitor do Seminário Maior de Coimbra, publicou um artigo no jornal “As
Beiras” que intitulou “Precisamos de semeadores de futuro”. Uma opinião sobre
o tempo presente e sobre a convocatória dirigida a todos os que revelam
competência para “plantar” o futuro, com esperança, qualidade, caminhos
novos, que olhem para além dos números e de possíveis retornos, pessoais ou
institucionais. “Precisamos de homens e mulheres que plantem árvores… mesmo
que não cheguem a usufruir da sua sombra”, afirma. No livro, “O que é
amar um país”, o cardeal D. José Tolentino Mendonça pensa Portugal e os
portugueses no contexto da pandemia e desafia a atitudes generativas, a
predisposições que possam gerar novas formas de dizer o sentido da vida, de
criar proximidade com o quotidiano e de provocar inquietações suficientes
para que a resignação diante de um vírus não seja a palavra de ordem. “Nós
não temos apenas âncoras, também temos asas”, afirma o poeta madeirense num
livro todo ele inspirador para o que fazer e como fazer, neste tempo. Duas referências que
indicam os projetos no mês de setembro: o padre Nuno santos é o próximo
convidado nas Conversas na Ecclesia, durante esta semana (no portal da
Agência Ecclesia, às 17h00, no programa Ecclesia na Antena 1 às 22h45
e, na terça-feira, programa Ecclesia na RTP2, que nestes dias é
emitido excecionalmente às 07h00, mas pode depois ser revisto na internet); o
cardeal D. José Tolentino Mendonça faz a conferência de abertura das Jornadas
de Comunicação Social, no dia 24, inaugurando um debate decisivo sobre
este tempo, que acontece no ambiente mediático e digital. Projetos para estes
dias que brotam de atitudes criativas, que olham para as circunstâncias deste
tempo na inquietação de encontrar as respostas às perguntas que pairam entre
estatísticas de uma pandemia! Por aqui, esperamos dar um contributo! Votos de bom trabalho
ou boas férias, consoante o caso! Muito entusiasmo! (E desculpem a extensão
desta partilha....) Paulo Rocha |
No Presépio nunca podem faltar o Menino, a Virgem Maria e S. José. Os Pastores e os Reis Magos são também figuras tradicionais, por virem mencionadas nos Evangelhos. Neste Natal de 2019, tenho a alegria de vos anunciar uma boa notícia. Os Pastores do dia 25 de Dezembro, aqueles que adoram o Menino, ainda existem no séc. XXI.
Há
cerca de quinze anos, chegou aos Açores um jovem casal de origem asiática.
Montaram a sua “Loja do Chinês” e foram sobrevivendo. Viviam bastante isolados,
pois o idioma parecia uma barreira intransponível que tinha a agravante de não
poder ser apoiada pela escrita, pois os caracteres chineses são muito
diferentes dos latinos. Felizmente, os vizinhos eram amigáveis nos gestos de
saudação.
Na casa ao lado vivia Camila com seu
marido e filhos. Possuíam uma pequena lavoura com vacas e, nas traseiras da
vivenda, tinham uma horta e pomar onde criavam coelhos, cabras, galinhas,
porcos e pombos. De vez em quando, partilharam com os recém-chegados hortaliças
e carnes, e eles retribuíam a amabilidade com algo da loja. Esta família foi de
grande apoio quando nasceu o primeiro filho. A novidade encantou todos e Camila
esforçava-se por não os deixar passar fome, cozinhando para eles enquanto a mãe
esteve impossibilitada de trabalhar. A tarefa foi difícil, pois não estavam
acostumados aos sabores da ilha. A sopa foi o prato que mais lhes agradou.
Logo
que a jovem mãe se recompôs, voltou ao trabalho, deixando o bebé ao cuidado de
Camila. Ao chegar o Natal, Camila percebeu que a “Loja do Chinês” não fechava.
Para aquela família não havia festa. De acordo com o marido e filhos, convidou
o casal para o jantar de Natal, dando-lhes oportunidade de ouvirem as canções
que todos cantavam diante do Presépio e de provarem uma ementa diferente. Os
estrangeiros ficaram encantados com a hospitalidade e com a novidade daquela
tradição. Entretanto, o bebé crescia e começava a falar; enquanto estava com
Camila aprendia palavras em português. Assim, tornou-se no intérprete de todos,
e os pais progrediram na sua capacidade de diálogo o que lhes facilitou o
atendimento a clientes.
A
família Chang tornou-se presença habitual nos jantares de Natal em casa de
Camila, mostrando interesse em conhecer que festa era aquela, e começando até a
assistir à Missa do galo. Com a passagem dos anos, nasceu-lhes outro filho e o
mais velho começou a frequentar a escola e a catequese. Foi assim que aprendeu
a rezar e pediu para ser batizado. Este facto levou os pais a indagarem junto
do casal açoriano o que era o Batismo e aquela religião.
Carlos,
o marido de Camila, também teve um lugar importante nesta história de Natal.
Gostava de crianças e costumava levar com ele o filho mais novo para os pastos.
Com quatro anos, o miúdo já era capaz de mudar uma vaca de local, enquanto o
pai se encarregava de espetar a estaca mais adiante. Bem cedo, os chinesitos
começaram a acompanhá-los ao pasto. Quando o pai deles os levava, demorava-se à
conversa com Carlos e a amizade parece ter surgido para ficar.
Foi
assim que esta família soube que Jesus nasceu e veio para nos salvar. Há já dois
anos que o casal foi batizado, se casou e fez a sua primeira comunhão. Li, o
filho mais velho foi batizado com seis anos, no mesmo dia que o irmão mais
novo. Os pais demoraram mais tempo, pois necessitavam de maior preparação e o
horário da loja era apertado. O deslumbramento face ao Presépio e a amizade com
Carlos e Camila preparou-os, e a ajuda dos filhos adolescentes, na loja,
permitiu-lhes serem mais assíduos às aulas de catequese.
Se os pastores de Belém foram os primeiros anunciadores da chegada do Messias, e os pastores açorianos continuam a dar exemplo de verdadeiros cristãos. Como não ter esperança no século XXI?
Isabel Vasco Costa
Após o Sínodo da Amazónia, deparei-me com o artigo de um sacerdote que me fez pensar. Voltava ao tema de pessoas divorciadas, numa segunda relação, poderem ou não comungar. Para dar força ao que pensava, apoiava-se no facto de Jesus não ter recusado a comunhão a Judas Iscariotes na Última Ceia. Não foi uma ideia feliz, pois o que esperamos dos sacerdotes é que nos ensinem e ajudem a ir para o Céu [1], não a sermos encaminhados por vias que podem levar ao inferno,
Segundos
os ensinamentos da Igreja, os pecados podem ser veniais, mortais ou sacrílegos.
Pode-se, e é aconselhável, comungar tendo cometido algum pecado venial porque esses
pecados ficam perdoados e a comunhão ajuda a resistir às tentações. Quem está
em pecado mortal - é o caso de quem vive em adultério - não deve comungar, pois
o pecado que comete é ainda maior que o pecado mortal (é o chamado sacrilégio):
“Assim, todo aquele que comer o pão ou
beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor.
Portanto, examine-se cada um a si próprio e só então coma deste pão e beba
deste vinho; pois aquele que come e bebe sem distinguir o corpo do Senhor come
e bebe a própria perdição” Coríntios 11, 27-29.
Os
cristãos devem esforçar-se por conhecer a lei de Deus para poderem salvar-se; e
os sacerdotes devem ensinar toda a lei de Deus com verdade, isto é, sem nada
omitir e sem a alterar.
Pelo
que atrás ficou dito, compreende-se que quem se quer salvar deve viver a
castidade de acordo com o seu estado de solteiro ou casado. Pecar nesta matéria
é grave e a pessoa não pode comungar enquanto não se arrepender, confessar e
estiver firmemente decidida a não voltar a pecar. No entanto, os sacerdotes não
devem recusar a comunhão aos fiéis, pois não conhecem o estado das suas almas.
Se uma pessoa é conhecida pela sua vida desonesta, os familiares e amigos devem
esclarecê-la explicando-lhe o perigo que corre se condenar para sempre. Feito
isto, resta-lhes rezar para que tal pessoa se venha a arrepender.
Concluindo: se a Igreja afirma que não se pode comungar em pecado mortal, isso significa que, se o fizer, vai ofender muito Nosso Senhor. Se morrer sem se confessar, certamente se condenará. Foi isto que Jesus ensinou e os sacerdotes, pais, catequistas e educadores devem ensinar, tal como os pais avisam os seus filhos dos perigos que correm, dizendo que “não podem fazer algo”. Deste modo, ajudarão muitas pessoas a salvar a sua alma e eles próprios se salvarão. Um santo nunca vai sozinho para o Céu.
[1] No seu livro “A Noite Vai Caindo e o Dia Já Está no Ocaso”, Lucerna, o Cardeal Robert Sarah escreve na pg. 149: “Penso que a verdadeira fonte da crise da teologia moral é o medo que invadiu os corações dos clérigos. Nós temos medo de que nos tomem por inquisidores cruéis. Não queremos ser impopulares aos olhos do mundo. Contudo, como lembra S. Paulo VI, que sentiu isso a propósito da contracepção, “não minimizar em nada a doutrina salutar de Cristo é forma de caridade eminente para com as almas” (Humamae Vitae, nº 29).
Logo no primeiro dia da nova legislatura, foi apresentado de um projeto de lei de legalização da eutanásia e do suicídio assistido, como se fosse esta a “prioridade das prioridades” da nova legislatura, o que de modo algum transpareceu da campanha eleitoral, em que os dois partidos mais votados nem sequer tomaram posição sobre o assunto.
Seja
como for, a discussão que será reaberta não pode ignorar as lições dos países
que já seguiram essa via, as que já de há muito são conhecidas e as que vão
sendo conhecidas continuamente. Quem acompanhe a situação desses países
regularmente poderá verificar como se sucedem notícias que invariavelmente
confirmam os alertas de quem se opõe a essa legalização.
Merece
destaque, a esse respeito, um estudo (https://ncd.gov/sites/default/files/
NCDAssisted_Suicide_Report_508.pdf) recentemente publicado pelo National Council of Disability, um
organismo independente de âmbito federal norte-americano dedicado à proteção e
promoção das pessoas com deficiência. Esse estudo afirma com veemência (e
indicando exemplos concretos) os malefícios que a legalização do suicídio
assistido provoca nessas pessoas, não só as que a ele recorrem, como todas elas
em geral. Afirma, por isso, a oposição clara a tal legalização. Em face da
multiplicação dos Estados federados que optaram por essa legalização (são hoje
em número de dez, sendo que em muitos outros Estados propostas no mesmo sentido
têm sido rejeitadas), esse estudo confirma e reforça as tomadas de posição
desse organismo já assumidas anteriormente por duas vezes, em 1997 e em 2005.
Nele se afirma também que essa legalização tem a oposição de todas as
associações de defesa das pessoas com deficiência que, nos Estados Unidos, se
pronunciaram sobre a questão.
De
acordo com esse estudo, o maior dos malefícios que a legalização do suicídio
assistido provoca nas pessoas com deficiência em geral, tem a ver com a
mensagem cultural que essa legalização veicula e o que essa mensagem provoca no
ambiente cultural da sociedade em geral e na mente de cada uma dessas pessoas,
em especial as que sofrem de alguma deficiência que, de uma ou de outra forma
(porque qualquer doente em fase terminal padecerá de algum tipo de deficiência),
possam estar abrangidas por essa legalização. Esse efeito é o da desmoralização
e do desencorajamento das pessoas com deficiência quando o Estado, a ordem
jurídica e os serviços de saúde dão a entender (e é isso que decorre da
legalização do auxílio ao suicídio) que as pessoas com certas doenças ou
deficiências (e, por isso, dependentes dos cuidados de outrem)) estariam melhor
se morressem («better off dead»), que
a sua vida nessas condições deixa de ser digna, que a doença e a deficiência
são incompatíveis com a qualidade de vida e que a morte provocada é resposta
para os seus problemas. É de esperar que essas pessoas se sintam
desmoralizadas, desencorajadas e, por outro lado, também como um peso para a
família e para a sociedade em geral. E é de esperar que todo o clima social e
cultural reflita isso mesmo.
Consequentemente,
as pressões, mais ou menos diretas e mais ou menos conscientes, a que essas
pessoas estão sujeitas vão no sentido da aceitação do suicídio assistido como
uma forma de evitar a suposta indignidade da sua situação, e também o peso que
representam para a família e para a sociedade. Há que salientar que o auxílio
ao suicídio não tem os custos de muitos tratamentos úteis e justificados para a
salvaguarda da vida e que, nos Estados Unidos, na sequência da legalização,
muitos contratos de seguro passaram a incluir o suicídio assistido de modo
preferencial em relação a esses tratamentos Por tudo isso, deve duvidar-se da
autenticidade dos pedidos de auxílio ao suicídio formulados por essas pessoas.
Outro
aspeto salientado por esse estudo diz respeito à repercussão da legalização do
suicídio assistido na prática do suicídio em geral. No Estado de Oregon, o
primeiro a legalizar o suicídio assistido, a taxa de suicídios em geral teve um
incremento de 41% desde essa legalização até hoje. Calcula-se que esse
incremento tenha sido de 6%, em média, nos Estados que mais recentemente
optaram por essa legalização.
Há uma
explicação lógica para que assim suceda. Desde há muito se fala no efeito
contagiante da publicidade da prática do suicídio (o chamado efeito Werther, que evoca a influência do
célebre romance de Goethe). É contraditório que se adote uma política de
prevenção do suicídio para algumas pessoas e se adote uma política de auxílio
ao suicídio para outras. Como é que o Estado e os serviços de saúde podem
pretender desencorajar o suicídio de algumas pessoas quando, ao mesmo tempo,
auxiliam o suicido de outras? Este duplo padrão é contraditório. O efeito de
contágio do auxílio ao suicídio legalizado sobre a prática do suicídio em geral
é, por isso, expectável.
Sendo certo
que aquelas pessoas em relação às quais o Estado e os serviços de saúde optam pelo
auxílio ao suicídio, e não a sua prevenção, são, precisamente, as mais
vulneráveis, porque atingidas pela doença e pela deficiência. O que também
contribui para agravar a situação destas.
O estudo em
apreço salienta, ainda, as dificuldades, ou mesmo a prática impossibilidade, de
controlo de erros e abusos de aplicação da lei, a começar pelos erros de
diagnóstico a respeito da irreversibilidade da doença e de prognóstico do tempo
de vida futura (que, de acordo com a legislação em vigor nos Estados em questão,
normalmente condiciona a legalidade do auxílio ao suicídio). Tudo está, em
grande medida e praticamente, nas mãos dos médicos que prestam auxílio ao
suicídio e não é de esperar que sejam eles próprios a denunciar os seus próprios
erros e abusos.
Não é demais relembrar a deputados que se preparam para debater de novo a legalização da eutanásia e do suicídio assistido: está em jogo um alicerce estruturante da civilização e da ordem jurídica; quando se derruba esse alicerce o edifício acabará por cair. Se se admite que a vida de pessoas com deficiência perde dignidade, que elas estariam melhor se morressem («better off dead»), que a morte provocada pode ser resposta para os seus problemas, é certo que assim se comprometem todos os esforços no sentido da sua defesa, inclusão e promoção.
Pedro Vaz Patto
Presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz
No início do ano lectivo, Guidinha chegou a casa muito indignada: “Não posso perdoar. Ela foi má, bateu-me, nunca, nunca lhe vou perdoar.”
Ao
ouvi-la, o irmão um pouco mais velho, de sete anos, animou-a: “Não sabes que
devemos perdoar até setenta vezes sete?”
Aqui, a mãe entrou na conversa, pedindo ao filho que lhe explicasse o que acabara de dizer. Ao que o pequeno respondeu: “Oh! Mãe. Eu explicar não sei porque ainda não dei a multiplicação.”
O episódio veio-me à memória na proximidade do mês de Novembro, o mês dos defuntos. Os nossos avós contaram-nos algumas histórias acerca do comportamento de familiares seus, quase sempre relacionadas com pedidos de perdão ou “fazer as pazes” no final da vida. Confesso que esta expressão me fez pensar várias vezes no seu significado. Que quereria isto dizer? Não se assina a paz, no singular, entre dois países que estiveram em guerra? Haveria várias “guerras” entre os protagonistas dos episódios narrados? Finalmente, surgiu na boca de um moribundo a serena expressão de alívio: “Já posso morrer. Agora estou em paz com o meu irmão e com Deus”.
Estas
recordações, que eram tão comuns nos momentos anteriores à agonia, levam-nos
novamente à questão da aritmética: “Perdoar até setenta vezes sete”. O seu
autor, Jesus Cristo, usou-a para responder à pergunta de S. Pedro que achava
que perdoar sete vezes ao seu irmão já era muito. Porém, o Mestre não usou esta
norma de “perdoar setenta vezes sete” para si. Era demasiado curta para o
Salvador. Demasiado curta e leve, pois aplicou o seu perdão às grandes,
demoradas e pesadas penas que lhe infligiram desde a casa de Pilatos até ao
monte Calvário. Prestes a expirar, já suspenso da Cruz há algumas horas, pediu:
“Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que
fazem.”
Não
sei se Jesus “já tinha dado a multiplicação” mas, pelas minhas contas e não só,
o seu perdão superou em muito as quatrocentas e noventa (70x7) vezes devidas ao
perdão. No caso de Jesus, o seu perdão é dispensado, primeiro a algumas pessoas
isoladas, para se oferecer, depois, a todos os pecadores arrependidos. Com a
sua Ascensão ao Céu, deu por finda a sua pregação e a explicação de quanto os
seus Apóstolos deviam fazer. Pelo envio do Espírito Santo sobre a Virgem Maria
e o grupo reduzido dos seus discípulos, deu a estes homens a sabedoria e a
coragem de ensinarem a Boa Nova do Reino dos Céus e o poder de perdoar todos os
pecados de todos nós, os que vamos pedindo perdão, até ao final dos tempos. E
muito mais do que “setenta vezes sete”.
É curioso reparar como, para ensinar a perdoar ou fazer apostolado, como o irmão da Guidinha, nem necessitamos “ter dado a multiplicação”.
Isabel Vasco Costa
O príncipe Harry e a esposa; Meghan Markle, declararam que não pretendem ter mais do que dois filhos, para dessa forma darem um exemplo de preservação do futuro ambiental do planeta. Atitudes como essa vão-se generalizando. Há mesmo quem, com essa motivação, recuse ter filhos. Há tempos, foram muitos os que, por isso, criticaram o irmão de Harry, o príncipe William, e a esposa, Kate Middleton, quando lhes nasceu o terceiro filho.
Logo
a seguir a tais declarações, foram muitas as vozes que criticaram o príncipe
Harry por usar tão frequentemente um jato privado nas suas deslocações (numa
ocasião, foram quatro vezes em onze dias). É evidente que essas deslocações
muito mais afetam o ambiente do que o fazem pessoas com hábitos mais modestos.
É claro que o crescimento demográfico poderá prejudicar o ambiente se não forem
alterados os hábitos de produção e consumo. Mas o que se tem verificado nos
países ricos é que a queda da natalidade coincide com a manutenção (e até o
incremento) desses hábitos Decisivo na perspetiva da preservação do ambiente,
não são o maior, ou menor, crescimento demográfico, mas, antes, esses hábitos
de produção e consumo. A redução da natalidade (que muitas vezes se propugna
para os países pobres) pode, até, servir de fácil pretexto para não alterar
esses hábitos (que são, sobretudo, os dos países ricos).
A
esta questão alude o Papa Francisco na encíclica Laudato Sì. Aí afirma (n. 50).
«Em
vez de resolver os problemas dos pobres e pensar num mundo diferente, alguns
limitam-se a propor uma redução da natalidade. Não faltam pressões
internacionais sobre os países em vias de desenvolvimento, que condicionam as
ajudas económicas a determinadas políticas de “saúde reprodutiva”. Mas, “se é
verdade que a desigual distribuição da população e dos recursos disponíveis
cria obstáculos ao desenvolvimento e ao uso sustentável do ambiente, deve-se
reconhecer que o crescimento demográfico é plenamente compatível com um desenvolvimento
integral e solidário”. Culpar o incremento demográfico em vez do consumismo
exacerbado e seletivo de alguns é uma forma de não enfrentar os problemas.
Pretende-se, assim, legitimar o modelo distributivo atual, no qual uma minoria
se julga com o direito de consumir numa proporção que seria impossível
generalizar, porque o planeta não poderia sequer conter os resíduos de tal
consumo.»
A queda da natalidade que impede a
renovação das gerações (renovação que não é assegurado quando os casais têm
menos do que dois filhos) origina graves problemas de sustentabilidade dos
sistemas de proteção social e de saúde.
Mas há que acentuar, sobretudo, que a
proteção da ambiente não deve ser encarada numa perspectiva anti-humanista,
como se a presença e atividades humanas fossem necessariamente nefastas nessa
pesrpetiva. A natureza deve ser vista como um dom de Deus à humanidade. O ser
humano é, na visão bíblica e cristã a coroa da criação, «criado à imagem e semelhança de Deus» (Gn 1, 26-27), «a única
criatura que Deus quis por si mesma» (Gaudium
et Spes, 24). Cada pessoa humana vale mais do que as árvores, os oceanos e
as estrelas. A sua especificidade reside na sua liberdade, Uma liberdade que
lhe permite destruir esse dom que recebeu, mas também que lhe permite
preservá-lo, dar-lhe sentido e valor, e, através da inteligência e
criatividade, aperfeiçoá-lo e completá-lo.
É por isso que não faz sentido contrapor a
natalidade e a proteção do ambiente.
Pedro Vaz Patto
Ao longo da vida temos muitas razões para dar parabéns: pelos casamentos, nascimentos, batizados, sucessos no trabalho, licenciaturas, doutoramentos... aniversários.
Neste
momento, convido-vos a acompanhar-me a viver a alegria do aniversário da nossa
Mãe, pois, desde o início da sua vida, ela foi, e continua a ser, uma fonte de
bens. Cada mãe, cada pai, é já de si um bem gerador de novos e inúmeros bens.
Mas a nossa Mãe, esta a que agora nos referimos, nasceu há mais de dois mil
anos e o seu aniversário, celebrado a 8 de setembro, convida-nos a meditar na
imensidade dos bens, em número e qualidade que nos chegaram através dela. Sim,
é na Virgem Maria que estamos a pensar. Porém, antes de entrar no tema, façamos
um breve desvio.
A
“Antropologia Linguística” é o ramo da antropologia que se propõe estudar o ser
humano a partir da linguagem com que se comunica. Segundo um professor desta
ciência, as palavras mais importantes são: “SIM” e “ALEGRIA”. O “SIM” manifesta
a abertura e disponibilidade para com o outro, e a “ALEGRIA” é o sentimento
que surge como consequência dessa
abertura, generosidade.
Estas
duas palavras estão patentes na vida de Nossa Senhora e por esta ordem.
Primeiro o “SIM”, no momento em que aceita ser a Mãe do Salvador, seguida da
“ALEGRIA” que manifestou no cântico do “Magnificat” quando foi ajudar a sua
idosa prima Isabel, prestes a dar à luz o futuro S. João Baptista.
O
primeiro e maior BEM que nos chegou através de Maria foi o seu filho Jesus, o
Salvador do mundo. Com Ele, também nos chegou a Verdade. A Verdade, com
maiúscula, é um enorme bem, pois podemos estar seguros de que não há engano. As
suas leis são imutáveis por serem verdadeiras e não sujeitas a erro. Se as leis
humanas não levarem em conta os ensinamentos de Cristo, serão causa de
muita infelicidade como já se verificou
nos governos nazis e comunistas. Em Fátima, Nossa Senhora chamou a atenção para
“o pecado da carne”, um pecado que começou por ameaçar a família, com o
divórcio; ataca a natalidade, por vários métodos que incluem a violência do
aborto; e, mais recentemente, incitam à perda de identidade com a ideologia do
género. Pecados que geram tristeza por nascerem da palavra “não”. Não querer
amar apesar da doença, da tristeza ou da pobreza. Não querer servir a sociedade
com mais filhos. Não querer ser como Deus nos criou. Estes modos de dizer “não”
levam necessariamente à tristeza, ao rancor, à revolta.
Apesar
destes males, a nossa Mãe continua a interceder para o bem, a oferecer-nos
conselhos para bens, múltiplos bens. Assim será para sempre. Ao ser coroada
Rainha, aumenta a glória dos Anjos e dos Santos, como proclamamos no quinto
mistério quando rezamos os mistérios gloriosos
do terço. Que imensidade de bens!
Decididamente, estamos de parabéns. A nossa Mãe só nasceu para bens.
Isabel Vasco Costa



La Iglesia se enfrenta a la difusión en el ámbito católico de "técnicas" de meditación y oración importadas de tradiciones religiosas y filosóficas orientales. El reciente documento de la Conferencia Episcopal Española sobre la oración cristiana lo expone sin rodeos: "Muchas personas, incluso habiendo crecido en un ámbito cristiano, recurren a técnicas y métodos de meditación y de oración que tienen su origen en tradiciones religiosas ajenas al cristianismo y al rico patrimonio espiritual de la Iglesia. En algunos casos esto va acompañado del abandono efectivo de la fe católica, incluso sin pretenderlo. Otras veces se intenta incorporar estos métodos como un 'complemento' de la propia fe para lograr una vivencia más intensa de la misma. Esta asimilación se hace frecuentemente sin un adecuado discernimiento sobre su compatibilidad con la fe cristiana, con la antropología que se deriva de ella y con el mensaje cristiano de la salvación".
Buscando ofrecer ese discernimiento, los obispos dedican un capítulo específico al budismo zen. Afirman que, en teoría, no habría problema en incorporar algunas técnicas procedentes de él para preparar el cuerpo y el espíritu a la oración. Sin embargo, en la práctica, esas técnicas son inseparables del método zen, el cual, a su vez, "como itinerario completo de meditación, es inseparable de la meta a la que se quiere llegar y de los supuestos antropológicos, religiosos y teológicos en los que nace y se sustenta". Y no es posible, añaden, una oración propiamente cristiana "que asuma globalmente un método que no esté originado o se aparte del contenido de la fe".
Es lo que sostiene también Carmen Castiella en su réplica (basada en un conocimiento personal de dichos métodos) a un artículo de Pablo d'Ors en ABC donde confesaba, desde el mismo título: El zen me ha devuelto a Cristo. D'Ors, nieto del gran ensayista y filósofo español Eugenio d'Ors (1881-1954), es sacerdote, novelista y poeta, y en 2014 fue nombrado por el Papa Francisco consejero del Pontificio Consejo de la Cultura. Reconoce su "fascinación" por "el simplemente sentarse en silencio y en la más estricta quietud". Explica por qué en algunos puntos. Y concluye que "el cristianismo puede y debe compartir con otras tradiciones de sabiduría su experiencia de Dios y de la vida, así como aprender de ellas".
Tanto del artículo citado como del pronunciamiento de los obispos españoles se deducen sin embargo algunos puntos de incompatibilidad.
1. La oración cristiana busca el encuentro con Dios, no el encuentro "con uno mismo"
"La meditación cristiana", dicen los obispos, "no consiste únicamente en analizar los movimientos del propio interior, ni termina en uno mismo, sino que nace de la confrontación de la propia vida con la voluntad de Dios que se intenta conocer a través de las obras de la creación y de su Palabra, plenamente revelada en Cristo".
2. La oración cristiana no busca solo el bienestar emocional
El simple recorrido por las secciones correspondientes en las grandes cadenas librerías muestra una creciente confusión entre la espiritualidad y la autoayuda. Pero la oración no es una respuesta a la demanda creciente "de bienestar emocional, equilibrio personal, disfrute de la vida o serenidad para encajar las contrariedades" subraya el documento de la conferencia episcopal denunciando una espiritualidad entendida como cultivo de la propia interioridad y no como cultivo de la amistad con Dios, que es, dice Castiella, la "fuente de la verdadera paz".
3. La oración cristiana no precisa de "maestros" tipo gurú
"Puestos a buscar maestros", añade, "sobran en nuestra tradición cristiana 'maestros' de vida contemplativa: San Benito, San Francisco, Santa Teresa de Jesús, Santa Catalina de Siena, Santa Teresita de Lisieux, Charles de Foucauld". Sin olvidar que el mismo Cristo dijo, en relación a Sí mismo: "No os dejéis llamar maestros porque uno solo es vuestro Maestro" (Mt 23, 8).
4. La oración cristiana es el camino para la meta
"Yo soy el Camino, la Verdad y la Vida. Nadie va al Padre sino por Mí" (Jn 14, 6). Las palabras de Jesús son taxativas y excluyentes ("el", "nadie", "sino por"), pero los nuevos modelos de espiritualidad oriental le presentan como un simple ejemplo o modelo entre otros para un itinerario "implícito en el interior de cada ser humano, aunque adormecido", consistente, dicen los obispos, en una "identificación con lo divino mediante un proceso de vaciamiento interior y de donación de sí mismo que conduce a un nuevo modo de ser". Como "confunden mundo y divinidad", subraya Castiella, toda trascendencia ha desaparecido y por tanto también todo camino real. El Yo no sale del Yo, en el propio Yo lo encuentra todo.
5. La oración cristiana no es sincretista
Como consecuencia de lo anterior, "Jesús no pasaría de ser un gran maestro que habría abierto un camino espiritual para que sus seguidores pudieran encontrar a Dios, igual que otros han iniciado tradiciones espirituales distintas. De ese modo, la humanidad de Cristo como camino concreto para llegar a Dios pierde su carácter único y su enseñanza no tiene más valor que la de otros maestros fundadores de religiones, con los que queda equiparado Jesús", dice el documento de la conferencia episcopal. Pero Jesucristo no es un gurú, es la Segunda Persona de la Santísima Trinidad, el Hijo de Dios encarnado, y toda consideración que lo equipare a otros "difumina el rostro concreto del Dios cristiano" y "vacía de contenido la fe cristiana" porque "la Revelación acontecida en Jesucristo no sería decisiva para conocer la verdad sobre Dios".
Pincha aquí para leer el análisis de ReL al documento de los obispos españoles sobre la oración cristiana, las espiritualidades orientales y otras técnicas espirituales.