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sábado, 5 de outubro de 2013

Encontro com os jovens encerra visita do Papa a Assis

Jovens fizeram perguntas ao pontífice sobre matrimónio, celibato, empenho social e evangelização


Assis, 04 de Outubro de 2013


No encontro que encerrou a visita do Papa Francisco a Assis, o pontífice respondeu à quatro perguntas. A primeira foi sobre o matrimónio. Outra pergunta dos jovens dizia respeito à chamada ao celibato e à virgindade pelo Reino dos Céus. As outras duas questões diziam respeito: uma ao empenho social, neste tempo de crise que ameaça a esperança; e a outra sobre a evangelização – levar o anúncio de Cristo aos outros. Conforme informações da Rádio Vaticana. Publicamos, a seguir, as respostas do Papa às perguntas dos jovens. 

Queridos jovens da Úmbria,
Boa tarde!

Obrigado por terem vindo, obrigado por esta festa! E obrigado pelas perguntas, muito importantes.

Fico contente que a primeira pergunta tenha sido de um casal jovem. Um belo testemunho! Dois jovens que escolheram, decidiram, com alegria e coragem formar uma família. Sim, porque é verdade mesmo, é preciso coragem para formar uma família!

Sim, é preciso ter coragem, é preciso ter coragem para formar uma família!

E a pergunta de vocês, jovens casados, se une à pergunta sobre a vocação. O que é o matrimónio? É uma verdadeira e própria vocação, como o são o sacerdócio e a vida religiosa. Dois cristãos que se casam reconheceram na própria história de amor o chamado do Senhor, a vocação a formar a partir dos dois, homem e mulher, uma só carne, uma só vida. E o Sacramento do matrimónio envolve este amor com a graça de Deus, o enraíza no próprio Deus. Com este dom, com a certeza deste chamado, é possível partir seguros, não se tem medo de nada, pode se enfrentar tudo, juntos!

Pensemos em nossos pais, nossos avós ou bisavós: se casaram em condições muito mais pobres do que as nossas, alguns em tempo de guerra, ou de pós-guerra; alguns são emigrados, como os meus pais. Onde encontravam a força? A encontravam na certeza de que o Senhor estava com eles, que a família é abençoada por Deus com o Sacramento do matrimónio, e que abençoada é a missão de colocar no mundo os filhos e educá-los. Com estas certezas superaram também as provações mais duras. Eram certezas simples, mas verdadeiras, formavam colunas que sustentavam o amor deles.

Não foi fácil a vida deles. Eles tinham problemas, tantos problemas, mas estas certezas simples os ajudavam a seguir adiante. E conseguiram formar uma bela família, a dar vida, conseguiram criar os filhos.

Queridos amigos, é preciso esta base moral e espiritual para construir bem, de maneira sólida! Hoje, esta base não é mais garantida pelas famílias e pela tradição social. Ao contrário, a sociedade em que vocês nasceram privilegia os direitos individuais mais do que a família, estes direitos individuais, as relações que duram para que não surjam dificuldades, e por isso às vezes fala de relações do casal, da família e do matrimónio de modo superficial e equívoco. Bastaria olhar certos programas televisivos!

E podemos ver estes valores… Quantas vezes os párocos – eu também ouvi isso algumas vezes-, quando chega um casal que quer se casar e diz “nos amamos muito mas ficaremos juntos até que o amor acabe”. Isso é egoísmo. Quando não sinto, corto o matrimónio, e esqueço daquilo que é uma só carne, que não pode separar-se, é arriscado casar-se. O egoísmo nos ameaça. Dentro de nós temos a possibilidade de uma dupla personalidade: uma que diz o outro e outra que diz eu, meu, comigo… é egoísmo sempre, que não sabe se abrir aos outros.

A outra dificuldade é esta cultura do provisório, de não buscar nada que seja definitivo, mas o provisório, o amor enquanto dura.

Uma vez eu ouvi um seminarista muito bom que dizia: “quero ser padre por dez anos, depois vejamos”. Essa é a cultura do provisório. Mas Jesus não nos salvou de maneira provisória, nos salvou definitivamente.

Mas, o Espírito Santo suscita sempre respostas novas às novas exigências! E assim, se multiplicaram na Igreja os caminhos para os noivos, os cursos de preparação para o Matrimónio, os grupos de jovens casais nas paróquias, os movimentos familiares… São uma riqueza imensa! São pontos de referência para todos: jovens em busca, casais em crise, pais em dificuldade com os filhos e vice-versa. Mas nos ajudam todos. E há ainda as diferentes formas de acolhimento como: adopção temporária, adopção, abrigos para menores de vários tipos… A fantasia [me permita a palavra] do Espírito Santo é infinita, mas é também muito concreta! Então, gostaria de dizer para vocês não terem medo de dar passos definitivos. Não tenham medo.

Quantas vezes ouço mães que me dizem “tenho um filho de 30 anos anos que não se decide, não se casa. Ele namora, mas não casa”. Então eu digo, “senhora, não passe mais as camisas dele”. Não tenham medo de dar passos definitivos como o é o matrimónio: aprofundem o amor de vocês, respeitando o tempo e as expressões de cada um, rezem, se preparem bem, mas tenham também confiança de que o Senhor não deixa vocês sozinhos! Façam com que Ele entre na casa de vocês como alguém da família, Ele sempre sustentará vocês.

A família é a vocação que Deus escreveu na natureza do homem e da mulher, mas há uma outra vocação complementar ao matrimónio: o chamado ao celibato e à virgindade pelo Reino dos céus. É a vocação que o próprio Jesus viveu. Como reconhecê-la? Como segui-la? É a terceira pergunta que vocês me fizeram.

Alguns de vocês pode perguntar: “como esse bispo é bom, acabaram de perguntar e já tem as respostas escritas”. É que eu já respondi uns dias atrás…

E respondo para vocês com dois elementos essenciais: rezar e caminhar na Igreja. Estas duas coisas devem seguir juntas, são interligadas. Na origem de cada vocação à vida consagrada existe sempre uma experiência forte de Deus, uma experiência que não se esquece, que se recorda por toda a vida! Foi o que aconteceu com Francisco. E isso nós não podemos calcular ou programar. Deus nos surpreende sempre! É Deus que chama; porém é importante ter uma relação quotidiana com Ele, escutá-Lo em silêncio diante do Tabernáculo e no íntimo de nós mesmos, falar com Ele, aproximar-se dos Sacramentos. Ter esta relação familiar com o Senhor é como ter aberta a janela da nossa vida para que Ele nos faça ouvir sua voz, o que Ele quer de nós. Seria belo ouvir vocês, ouvir os padres aqui presentes, as freiras… Seria belíssimo, porque cada história é única, mas todas partem de um encontro que ilumina no profundo, que toca o coração e envolve toda a pessoa: afecto, intelecto, sentidos, tudo.

A relação com Deus não diz respeito somente a uma parte de nós mesmos, diz respeito a tudo. É um amor tão grande, tão belo, tão verdadeiro, que merece tudo e merece toda a nossa confiança. E uma coisa gostaria de dizer com força, especialmente hoje: a virgindade pelo Reino de Deus não é um “não”, é um “sim”! Certo, comporta a renúncia a um elo conjugal e uma própria família, mas na base está o “sim”, como resposta ao “sim” total de Cristo para connosco, e este “sim” os torna fecundos.

Mas, aqui em Assis não há necessidade de palavras! Aqui tem Francisco, tem Clara, eles falam! O carisma deles continua a falar a tantos jovens no mundo inteiro: rapazes e moças que deixam tudo para seguir Jesus no caminho do Evangelho.

E isso, Evangelho. Gostaria de tomar a palavra “Evangelho” para responder outras duas perguntas que vocês me fizeram, a segunda e a quarta. Uma diz respeito ao compromisso social, neste período de crise que ameaça a esperança; e a outra diz respeito à evangelização, o levar o anúncio de Jesus aos outros. Vocês me perguntaram: o que podemos fazer? Qual pode ser nossa contribuição?

Aqui em Assis, aqui perto da Porciúncula, parece que podemos ouvir a voz de são Francisco que nos repete: “Evangelho, Evangelho!”. O diz também a mim, melhor, primeiro a mim: Papa Francisco, seja servidor do Evangelho!

Se eu não consigo ser um servidor do Evangelho, a minha vida não vale nada. Mas, o Evangelho, queridos amigos, não diz respeito somente à religião, diz respeito ao homem, todo o homem, e diz respeito ao mundo, à sociedade, à civilização humana. O Evangelho é a mensagem de salvação de Deus pela humanidade. Mas quando dizemos “mensagem de esperança”, não é um modo de dizer, não são simples palavras ou palavras vazias como existem tantas hoje! A humanidade precisa ser salva verdadeiramente! O vemos todos os dias quando folheamos o jornal, o ouvimos nas notícias na televisão; mas o vemos também ao nosso redor, nas pessoas, nas situações…; nós o vemos em nós mesmos! Cada um de nós precisa da salvação! Sozinhos não conseguimos. Salvação do que? Do mal. O mal opera, faz seu trabalho. Mas o mal não é invencível e o cristão não se rende diante do mal. E vocês jovens, querem se render ao mal, às injustiças, às dificuldades?

Querem ou não?

O nosso segredo é que Deus é maior que o mal: E isso é verdade: Deus é maior que o mal. Deus é amor infinito, misericórdia sem limites, e este Amor venceu o amor pela raiz na morte e a ressurreição de Cristo. Este é o Evangelho, a Boa Notícia: o amor de Deus venceu! Cristo morreu na cruz pelos nossos pecados e ressuscitou. Com Ele nós podemos lutar contra o mal e vencê-lo todos os dias. Cremos nisto ou não?  SIM!

Mas este sim deve ser levado na vida. Se eu creio que Jesus venceu o mal e me salva, devo seguir o caminho de Jesus durante toda a vida.

Então, o Evangelho, esta mensagem de salvação, tem duas destinações que estão ligadas: a primeira, suscitar a fé, e esta é a evangelização; a segunda, transformar o mundo de acordo com o desígnio de Deus, e esta é a animação cristã da sociedade. Mas não são duas coisas separadas, são uma única missão: levar o Evangelho com o testemunho da nossa vida transforma o mundo! Este é o caminho! Levar o Evangelho com o testemunho da nossa vida.

Olhemos para Francisco: ele fez todas estas duas coisas, com a força do único Evangelho. Francisco fez crescer a fé, renovou a Igreja; e ao mesmo tempo renovou a sociedade, a tornou mais fraterna, mas sempre com o Evangelho.

Sabem o que uma vez Francisco disse aos seus irmãos. Preguem sempre o Evangelho e se for necessário, também com palavras. Mas, como é possível pregar o Evangelho sem palavras: sim com o testemunho, primeiro o testemunho.

Jovens da Úmbria: façam assim vocês também! Hoje, em nome de são Francisco, digo para vocês: ouro e prata não tenho para lhes dar, mas algo muito mais precioso, o Evangelho de Jesus. Vão com coragem! Com o Evangelho no coração e nas mãos, sejam testemunhas da fé com a vida de vocês.

Levem Cristo à casa de vocês. Acolham e testemunhem nos pobres. Jovens dêem à Úmbria uma mensagem de paz e esperança. Vocês podem fazer isso.


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A Boa Notícia é que Deus venceu o mal

Papa Francisco explicou aos jovens reunidos em Assis que Deus é maior do que o mal: "Deus é amor infinito, misericórdia sem limites"


Roma, 04 de Outubro de 2013


"Deus triunfou sobre o mal. Deus é amor infinito, misericórdia sem limites. (...) Isso é o Evangelho, a Boa Nova” que é preciso comunicar e testemunhar.

Assim falou o Papa Francisco nessa tarde na praça da Basílica de Santa Maria degli Angeli, em Assis, diante de milhares de jovens reunidos ali de toda a região da Umbria.

Os jovens fizeram quatro perguntas ao Papa sobre o significado da vocação, sobre o porquê e o como da família, sobre o trabalho e a missão.

O Bispo de Roma não podia esperar outra coisa.  Agradeceu ao jovem casal que lhe fez a primeira pergunta sobre a vocação e explicou "é preciso coragem para começar uma família!" E o casamento "é uma verdadeira vocação".

"Dois cristãos que se casam – acrescentou – reconheceram na sua história de amor a chamada do Senhor, a vocação para formar de dois, homem e mulher, uma só carne, uma só vida”.

Para os cristãos, "o Sacramento do matrimónio – disse o Papa – envolve este amor com a graça de Deus, o radica em Deus mesmo”, por este motivo ”com este dom, com a certeza desta chamada, é possível partir com segurança, sem medo de nada, é possível enfrentar tudo, juntos!"

Para tornar mais claro o conceito, o Papa convidou-nos a reflectir onde os nossos pais, avós, bisavós encontraram a força e a coragem, já que se casaram em condições muito mais pobres e difíceis do que hoje.

De acordo com o Papa, essas pessoas encontraram a força "na certeza de que o Senhor estava com eles", de que a família "é abençoada por Deus com o sacramento do matrimónio", e que bendita é “a missão de colocar filhos no mundo e educá-los".

"Com estas certezas - disse ele - já superaram também as provas mais duras. Eram certezas simples, mas verdadeiras, formavam colunas que sustentavam o seu amor”.

Para o Papa estes exemplos são fundamentais para não ter medo de casar-se e fomentar a confiança de que o Senhor não nos deixa sozinhos!

"Façam-no entrar na vossa casa como sendo da família, Ele vos sustentará sempre”, destacou.

O Pontífice, então, explicou a vocação complementar ao matrimónio, ou seja, a vida consagrada.

Neste contexto convidou todos a manter um relacionamento aberto com o Senhor.

"Deus sempre nos surpreende! - disse: - É Deus que chama; mas é importante ter um relacionamento diário com Ele, escutá-lo em silêncio diante do Tabernáculo e no íntimo de nós mesmos, falar com ele, aproximar-se dos Sacramentos”.

Em relação às perguntas sobre o compromisso social e sobre a evangelização, o Papa Francisco disse que em Assis, perto da Porciúncula, “parece que escuto a voz de São Francisco que nos repete: ‘Evangelho, evangelho!’. Diz isso também a mim, mais ainda, diz antes a mim: Papa Francisco, seja um servo do Evangelho!”.

E afirmou: "o Evangelho, queridos amigos, não diz respeito só à religião, diz respeito ao homem, todo o homem, e concerne ao mundo, à sociedade, à civilização humana. (...) O Evangelho é a mensagem de salvação de Deus para a humanidade” porque “cada um de nós tem necessidade da salvação do mal”.

"O nosso segredo - afirmou - é que Deus é maior do que o mal: Deus é amor infinito, misericórdia infinita, e esse Amor venceu o mal na sua raiz na morte e ressurreição de Cristo”.

"Com Cristo – repetiu – nós podemos lutar contra o mal e vencê-lo todos os dias. Acreditamos nisso ou não?".

Para o Papa Francisco por meio do Evangelho é possível suscitar a Fé e transformar o mundo de acordo com o projecto de Deus.

Não se trata de duas missões separadas, “levar o Evangelho com o testemunho da nossa vida – disse o Papa – transforma o mundo! Esse é o caminho!”

Em conclusão, o Bispo de Roma indicou que São Francisco com o Evangelho "fez crescer a fé, renovou a Igreja; e ao mesmo tempo renovou a sociedade, a tornou mais fraterna”.


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«Aparecer-te-á uma pantera»: Félix compactuou com o demónio, mas hoje é católico evangelizador

A sua vida mudou quando deu o passo de falar com Deus 

Félix Pimentel é um cantor e pregador católico que
partilha a sua experiência de salvação
Actualizado 30 de Setembro de 2013

Equipo Portaluz / Televida (Colômbia)

A República Dominicana, como outros países das Caraíbas, tem na sua história cultural uma significativa presença de emigrantes africanos escravizados. As raízes musicais do continente africano marcam não só o Merengue, nascido naquele país, mas sim também os ritos e crenças de uma religiosidade tida pelo vudu, altares familiares a divindades diversas, o culto aos mortos e feitiçarias entre outros.

Félix Pimentel era filho desta cultura e como muitos dos seus irmãos mulatos do país supôs desde pequeno que as possibilidades de alcançar o bem-estar na vida estavam limitadas para ele numa sociedade que ainda segrega.

“Como filhos, crescemos formados pelos nossos pais nesse mundo de rituais e invocações de espíritos e assumimos que isso não era mau. Então, cada vez que pedíamos algo, não o pedíamos a Deus, mas sim a esse mundo oculto”.


Os diversos rostos do tentador
Os pais de Félix queriam uma melhor vida para eles e seus filhos e assim foi como com 12 anos, este menino encontrou-se vivendo com a sua família em Nova Iorque, Estados Unidos.

Novos ritos, novas crenças e a certeza cultural de que tudo estava disponível para ser tomado e disfrutado marcaram a adolescência e primeira juventude do emigrante dominicano.

Tinha uma boa presença, voz, ritmo e candela (espírito alegre), mas essencialmente fome de fama e dinheiro.

“Nessa época – reconhece - era um farandulero, essa cidade apanhou-me com coisas muito atractivas como o êxito. Queria ser um artista internacional e para isso, participava em diferentes festivais da voz. Não sei se era por lástima, mas sempre ganhava os primeiros lugares”.

No vudu substâncias, líquidos, sons e movimentos colaboram com o objectivo do devoto e também as licenças no sexo. Talvez por isso para Félix não houve questionamentos… “Pensava que para estar feliz, tinha que estar com uma mulher por cada dia da semana. Meti-me no mundo perverso e acreditava que a única coisa que valia a pena era beber álcool, o sexo e a discoteca”.


Pactuando com o demónio
Sobreviver e cumprir os sonhos de dinheiro e fama não era uma fruta que se desse nas árvores de Central Park.

Félix tinha-o claro, mas não estava disposto a esperar… “Sabia que muitos grandes artistas e em especial aqueles que por código simbólico se vestiam de negro, tinham pactos diabólicos. Não teve temor. Embrutecido, falei ao diabo. Fiz com ele um pacto… Eu vestia-me de negro permanente por ele durante três anos para que me oferecesse a fama”

Nada sucedeu. O Senhor da Mentira não ofereceu a Félix o que ansiava, mas sim fez-se presença quase tangível no seu corpo, perseguindo-o, pedindo-lhe que oferecesse mais…

“Algo no meu coração disse-me que a seguir em frente devia pelo menos fazer algo bom com tudo isto e propus-me ajudar as crianças pobres do meu povo se conseguia o que ansiava. Com este ânimo visitei um bruxo. Recolheram-me três pontos de sangue do dedo da minha mão esquerda e os depositaram num amuleto. Disseram-me que o dia em que rompesse esse pacto de sangue que estava fazendo com eles, me iam matar”. 

"Aparecer-te-á uma pantera negra"
Os escabrosos detalhes daquela sessão não terminam. “Disseram-me «vem tal dia, ao meio dia, ao quintal da tua casa, na República Dominicana. Ali aparecer-te-á uma pantera negra e vais-lhe dizer o pacto que tu queres. Se está de acordo fechará os olhos e se não o estiver, moverá a cabeça. É o demónio que se te vai apresentar». Segui a pé de letra todas as indicações, e vi o animal que descia de entre as árvores de café e cacau. Levantaram-se as folhas secas do piso e armou-se um redemoinho. Fecho os meus olhos e quando os volto a abrir, vejo uma águia grande que voa sobre mim, e se foi”.

Passava o tempo, e nada ocorria assim é que não duvidou em ir reclamar aos bruxos essa falta de efectividade… “Fiquei paralisado quando me disseram algo que só eu conhecia… «o animal se deu conta que tu querias ajudar os meninos pobres do teu povo, enganou-te, a ele não lhe interessou o pacto». Respondi-lhes que com eles não me interessava então nenhum tracto mais”.

Cansado e abatido Félix deixou de sonhar em ser um famoso e adinheirado artista e mudou-se para Miami. Instalou uma tinturaria, queria fazer bem as coisas!, mas o negócio não prosperava. As raízes culturais da sua amada terra retornaram e sucumbiu de novo…

“Acreditava que só um feiticeiro podia dar-me uma «luz» de esperança. Sem dúvida depois de todas as sessões e incensos, o meu empreendimento piorou”.

Falando com Deus... Ele responde
Derrotado, arruinado economicamente uma tarde chorando pela primeira vez em anos começou a dialogar com Deus.

“Do nada disse «Senhor, porque as coisas saem mal?». E logo escutei uma voz no meu interior que me disse: «põe o que tens na tua casa e segue-me para que te cures». Encontrei o que me indicava no armário da casa… um boneco cravado com alfinetes e frutas”.

Depois disto, “sendo o Jubileu do ano 2000”, recorda que foi à Paróquia San Isidro para inscrever-se na catequese e ali Deus mostrou-lhe o seu rosto de Pai uma vez mais...

Libertação com Servos de Cristo Vivo
“Falaram-me da escola de evangelização do padre Emiliano Tardif, em Miami, chamada Servos de Cristo Vivo. Uma força como brisa fresca, boa levou-me a participar nessa comunidade e nada mais iniciar o curso naquele primeiro dia, quando deu início a oração de libertação… o meu coração rebentou e não recordo o que se passou em seguida. Mas depois não podia parar de falar dizendo aos presentes que pedia perdão a Deus. Sentia-me perturbado e senti que algo tinha entrado pela boca e que me tinha tomado o coração.
Senti que me removeram todo o lixo!”.

Félix hoje é um católico que prega e canta o seu testemunho; erigiu projectos sociais para os mais desvalidos e lançou sete discos com diversos géneros musicais. “Sou um homem eucarístico e do Santo Rosário. A minha vida deu uma volta total, separei-me de todas as coisas que o mundo me oferece. No princípio foi difícil, mas Deus chamou-me e tenho um coração agradecido, porque sei de onde me tirou. Apesar de que eu não era nada, ele quis fazer algo comigo”.

A partir da sua experiência e testemunho, Félix pode animar muitos a deixar-se mudar por Deus, como faz no seguinte vídeo.




E Félix Pimentel continua cantando e bailando com os ritmos alegres e quentes das Caraíbas, mas agora o faz para evangelizar e proclamar o amor e a alegria que dá Deus.
 



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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A libertação que vem do Evangelho

Dom Filippo Santoro, arcebispo de Taranto, actualiza o Documento de Aparecida na linha do Concílio Vaticano II. O arcebispo foi colaborador do então cardeal Jorge Mario Bergoglio que guiou a comissão encarregada de escrever o documento final de Aparecida


Roma, 03 de Outubro de 2013


O Magistério e a acção pastoral do papa Francisco são o fruto maduro da Conferência Geral do episcopado latino americano, realizada no Brasil, no santuário mariano nacional de Aparecida em maio de 2007 da qual o cardeal Jorge Mario Bergoglio foi protagonista e figura de destaque. A Conferência de Aparecida indicou no "discípulo missionário" o sujeito da presença da Igreja na sociedade para que os povos latino-americanos tenham vida plena. O sujeito é quem tem consciência de si mesmo, de sua originalidade e  missão. O novo sujeito que está na origem da libertação cristã nasce de algo diferente do puro dinamismo natural, não é fruto do esforço humano e nem mesmo do planeamento pastoral. A originalidade é dada pela irrupção do Espírito na história. Daqui procede a força profética da Igreja na América Latina, que assume  a missão proclamada por Jesus na sinagoga de Nazaré: "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu e me enviou para levar aos pobres a boa notícia" (Lc 4, 18). Daí a vigorosa afirmação da evangélica opção preferencial pelos pobres. Trata-se exactamente e simplesmente da pobreza evangélica e do testemunho de vida em meio às pessoas como vemos no ser e no agir do Papa Francisco.

A disputa aberta na teologia latino-americana não era tanto sobre o uso da análise marxista (amplamente admitida em certos pontos da galáxia da Teologia da Libertação) e menos ainda sobre a necessidade de mediação das ciências sociais, mas sobre a origem da novidade cristã e sobre o seu impacto específico na sociedade dominada pela injustiça, pela exploração do capitalismo neo-liberal e pela pobreza escandalosa do continente latino-americano. O longo iter que levou às duas instruções da Congregação para a Doutrina da Fé, em 1984 (Libertatis Nuntius) e em 1986 (Libertatis conscientia), e que seguiu-se a elas, resultou no maravilhoso evento de graça que foi a Conferência de Aparecida, da qual pude participar.

O seu ponto de partida não foi a análise social, mas a fé de um povo feito na sua grande maioria de pobres, fazendo uso do método ver, julgar e agir, “a partir dos olhos e do coração dos discípulos missionários”. Diz o n. 19 do Documento final: “Em continuidade com as Conferências Gerais anteriores do Episcopado Latino-americano, este documento faz uso do método “ver, julgar e agir”. Este método implica em contemplar a Deus com os olhos da fé através de sua Palavra revelada e o contacto vivificador dos Sacramentos, a fim de que, na vida quotidiana, vejamos a realidade que nos circunda à luz de sua providência e a julguemos segundo Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, e actuemos a partir da Igreja, Corpo Místico de Cristo e Sacramento universal de salvação, na propagação do Reino de Deus, que se semeia nesta terra e que frutifica plenamente no Céu”.

O documento começa com uma solene "acção de graças a Deus", e tem como perspectiva, "a alegria de ser discípulos e missionários de Jesus Cristo". A introdução e o primeiro capítulo indicam a perspectiva de fé em que se move o texto no seu olhar analítico da realidade, no desenvolvimento dos critérios de juízo e nas perspectivas de acção. Sabe-se que o Presidente da Comissão para a elaboração do documento final de Aparecida era o arcebispo de Buenos Aires, cardeal Bergoglio. Com um estilo sapiencial, o Documento de Aparecida na introdução afirma: “O que nos define não são as circunstâncias dramáticas da vida, nem os desafios da sociedade ou as tarefas que devemos empreender, mas todo o amor recebido do Pai, graças a Jesus Cristo pela unção do Espírito Santo” (n. 14). Esta referência inicial à Santíssima Trindade foi positivamente solicitada por causa de uma intervenção decisiva do Cardeal Bergoglio, da qual também fala,  com um certo pesar, um comunicado da agência Adista (no n. 46 de 23-06-2007, escrito por Marcello Barros). “Um dos delegados brasileiros, o bispo de Jales, dom Demétrio Valentini, comentou que a Conferência ‘concretizou um dos seus maiores objectivos, o de retomar o caminho da Igreja na América Latina, fortalecendo a identidade e superando perplexidades que impediam a sua acção’. Pena que, uma vez estabelecido, o método não foi depois aplicado com rigor, pois a análise da realidade - o "ver" – foi precedida por um capítulo introdutório sobre “os discípulos missionários”. Como conta o teólogo argentino de Ameríndia, Eduardo de la Serna, o pedido para colocar este capítulo no início da segunda parte foi rejeitado na votação, apesar de ter sido apresentado por 16 presidentes de Conferências Episcopais. Quem se manifestou contrariamente, antes da votação, foi o cardeal Jorge Mario Bergoglio, presidente da Conferência Episcopal da Argentina e da Comissão de Redacção, argumentando que com relação à dureza da realidade, era melhor começar com uma espécie de doxologia (hino de louvor a Deus )”.

Assim, o esquema do documento valoriza a tradição da teologia e da pastoral latino-americana, mas, ao mesmo tempo, coloca em evidência a perspectiva da fé. Certamente ela não estava ausente, mas em certos desenvolvimentos tinha sido dada como descontado, devendo preocupar-se, sobretudo, com a gravidade de uma situação social cheia de conflitos e, especialmente, com o “clamor dos pobres”. Neste sentido, ajuda a entender toda a problemática a posição de Clodovis Boff a partir de um artigo da Revista Eclesiástica Brasileira sobre a questão do pobre como princípio epistemológico da Teologia da Libertação. “Quando se questiona o pobre como princípio e se pergunta se não è antes o Deus de Jesus Cristo, a TdL costuma recuar e não nega. E nem poderia, pois Deus está em primeiro lugar, por definição. […] O que faz problema é a sua indefinição sobre uma questão que é capital na esfera do método” . O dado da fé “representa um dado pressuposto, que ficou para atrás, e não um princípio operante que continua sempre activo. […] Pois o primado da fé, como não pode ser dado por descontado do ponto de vista existencial, também não pode sê-lo do ponto de vista epistemológico”. (Teologia da Libertação e volta ao fundamento, in: REB, fasc. 268, out/2007, passim pp. 1002-1004).

Esta ambiguidade é superada pela Conferência de Aparecida, tanto na estrutura geral do documento quanto na presença viva da fé em cada momento de seu desenvolvimento, desde o olhar para a dura realidade até o seu julgamento e a prática consequente. Trata-se, porém, de uma ambiguidade sempre presente. Por isso, o Papa Francisco, em sua recente viagem ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude, no encontro com o presidência do CELAM, voltava sobre o assunto no ponto 4, quando, ao apresentar algumas tentações contra o discipulado missionário, falou da “ideologização da mensagem evangélica”, e afirmou: “É uma tentação que se verificou na Igreja desde o início: procurar uma hermenêutica de interpretação evangélica fora da própria mensagem do Evangelho e fora da Igreja. Um exemplo: a dado momento, Aparecida sofreu essa tentação sob a forma de “assepsia”. Foi usado, e está bem, o método de “ver, julgar, agir” (cf. n.º 19). A tentação se encontraria em optar por um "ver" totalmente asséptico, um “ver” neutro, o que não é viável. O ver é sempre influenciado pelo olhar. Não há uma hermenêutica asséptica. Então a pergunta era: Com que olhar vamos ver a realidade? Aparecida respondeu: Com o olhar de discípulo. Assim se entendem os números 20 a 32. Existem outras maneiras de ideologização da mensagem e, actualmente, aparecem na América Latina e no Caribe propostas desta índole. Menciono apenas algumas: a) O reducionismo socializante. É a ideologização mais fácil de descobrir. Em alguns momentos, foi muito forte. Trata-se de uma pretensão interpretativa com base em uma hermenêutica de acordo com as ciências sociais. Engloba os campos mais variados, desde o liberalismo de mercado até às categorizações marxistas...”

Se o Papa fala disso significa que ainda podem subsistir as tentações e as ambiguidades. Certamente Aparecida deu uma contribuição significativa e marcou uma mudança de posição que é válida não só para a América Latina, mas para toda a Igreja. Isso se tornou possível graças ao magistério e ao testemunho do Papa Francisco que quer "uma Igreja pobre para os pobres".

Antes de sua eleição, Aparecida foi praticamente ignorada na Itália e na Europa e em outras partes do mundo, apesar das várias intervenções dos bispos latino-americanos nos últimos dois sínodos. Aparecida, numa fase não mais eurocêntrica, coloca-se hoje como um magistério não só regional, mas oferecido a toda a Igreja em suas escolhas específicas, que constituem o desenvolvimento do Concílio Vaticano II. A começar pela opção pelos pobres à inculturação da fé, Ao protagonismo dos leigos na luta pela justiça contra as estruturas sociais e económicas injustas, passando pelas comunidades eclesiais de base até chegar às pequenas comunidades, etc. Tudo é valorizado: a vida, a família, o renascimento vigoroso da religiosidade popular, a liturgia, a arte, a cultura, as vocações, os jovens, os movimentos e as novas comunidades, etc. O tema dominante, no entanto, continua sendo a missão, especialmente na terceira parte do documento com o título sugestivo "A vida de Jesus Cristo para nossos povos".

Da experiência latino-americana e de Aparecida deriva esse contacto directo com as pessoas, esse assumir os problemas das pessoas levando a esperança de Cristo. Tudo é abraçado a partir da fé. Esta clara posição evangélica é um dom do Espírito e do seu poder que age no povo fiel e que culmina na Conferência de Aparecida. Agora papa Francisco a estende para toda a Igreja. Não se trata de uma teologia particular (como também se pode notar na entrevista concedida pelo Papa à "Civiltà Cattolica"), mas do coração evangélico da libertação cristã. Assim se projecta não apenas uma "Missão Continental", como está acontecendo na América Latina, mas uma verdadeira "Conversão Pastoral" e uma "Missão Permanente", em diálogo com as várias religiões e com as expectativas mais verdadeiras do mundo contemporâneo.

Por Dom Filippo Santoro
D. Filippo Santoro foi nomeado arcebispo de Taranto por Bento XVI a 21 de Novembro de 2011. Originário de Bari-Carbonara, 65 anos, é um profundo conhecedor da América Latina e das suas problemáticas eclesiais, inclusive da teologia da libertação. Depois de ter obtido o doutorado em teologia dogmática na Gregoriana e em filosofia na Católica de Milão e ser ordenado padre em 1972, no ano de 1984 foi enviado como padre fidei donum da arquidiocese de Bari para o Rio de Janeiro, no Brasil. De 1988 a 1996 foi responsável por Comunhão e Libertação na América Latina e em 1992 participou como teólogo-perito na IV Conferência Geral do CELAM de Santo Domingo. João Paulo II o nomeou, em 1996, bispo auxiliar da arquidiocese do Rio de Janeiro e em 2004, bispo de Petrópolis. Participou em 2007 na V Conferência Geral do episcopado latino-americano celebrada em Aparecida, no Brasil, onde foi colaborador do então cardeal Jorge Mario Bergoglio que guiou a comissão encarregada de escrever o documento final de Aparecida.



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As vítimas do genocídio arménio podem ser canonizadas

Sínodo dos Bispos da Igreja Apostólica Arménia reflecte sobre os processos de canonização das pessoas que sofreram o martírio


Roma, 03 de Outubro de 2013


Cerca de cem anos após o genocídio arménio - que será em 2015 - o Sínodo dos Bispos da Igreja Apostólica Arménia colocou no centro da reflexão comum a proposta de canonização por martírio de todas as vítimas do "Grande Mal" perpetrado nos territórios da actual Turquia, em 1915.

Conforme relatado à Agência Fides, o Sínodo, realizado de 24 de Setembro a 27 na Sé Patriarcal de Echmiadzin (localizada a 20 quilómetros da capital arménia, Yerevan) reuniu pela primeira vez depois de seis séculos, todos os bispos arménios apostólicos, aqueles que fazem parte directamente do catholicate de Echmiadzin (governado pelo Patriarca Karekin II, autoridade máxima do cristianismo arménio apostólico) bem como aqueles relacionados ao catholicate da grande Casa da Cilícia (governado pelo Catholicos Aram I, com base no Líbano).

"A possível canonização das vítimas do genocídio arménio está sendo estudada, mas certamente foi um dos pontos mais interessantes abordados no recente Sínodo", confirmou à Agência Fides o padre Georges Dankaye, reitor do Colégio Arménio de Roma e o procurador da Igreja Católica Arménia junto à Santa Sé. "Leve em conta", acrescenta pe. Dankaye "que na Igreja Apostólica Arménia, os últimos santos foram proclamados no século VI". Nesse sentido, entre as questões a serem aprofundadas, há também a de uma definição precisa dos processos de canonização das pessoas que sofreram o martírio.


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Conselho das Conferências Episcopais da Europa acolhe a Estónia

A nação báltica torna-se o mais novo membro do CCEE


Roma, 03 de Outubro de 2013


A Assembleia Plenária da Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) aceitou o pedido do Bispo Philippe Jourdan, Administrador Apostólico da Estônia, para se tornar membro do Conselho das Conferências Episcopais da Europa, na sequência do parecer favorável da Congregação para os Bispos (Santa Sé). Portanto, o CCEE é agora composto pelos presidentes das 33 Conferências Episcopais da Europa e os pelos arcebispos de Luxemburgo, do Principado do Mónaco, Chipre dos Maronitas, o bispo de Chisinau (República da Moldávia), o bispo eparquial de Mukachevo e pelo administrador apostólico da Estónia. Também participam o presidente da Conferência Episcopal do Cazaquistão e o patriarca de Jerusalém dos Latinos que têm a função de convidados permanentes.

"Estou particularmente satisfeito pelo fato de que a Igreja da Estónia, na figura do seu administrador apostólico, se torne parte da grande família do Conselho das Conferências Episcopais da Europa. Desta forma, a pequena, mas viva Igreja da Estónia será capaz de trazer a sua contribuição específica para as actividades deste Conselho, criado para promover a colegialidade entre os bispos e a colegialidade da Igreja do continente e, ao mesmo tempo, receber muito desta sinfonia de línguas, culturas e povos que testemunham bem a universalidade da Igreja de Cristo na Europa", foram as palavras pronunciadas pelo bispo Philippe Jourdan imediatamente após a aprovação. A votação, que ocorreu no início dos trabalhos, foi unânime.


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Dom Zimowski: "A Igreja ao lado dos doentes"

O Pontifício Conselho para os Agentes de Saúde organiza peregrinação à terra natal de São Camilo


Roma, 03 de Outubro de 2013


Uma celebração da eucaristia com os doentes e com as suas famílias, para testemunhar a dedicação e o carinho da Igreja em favor dos mais fracos, foi o momento mais emocionante da peregrinação realizada na manhã de hoje pelo Conselho Pontifício para os Agentes de Saúde até Bucchianico, povoado de nascimento de São Camilo de Lellis, cujos 400 anos de falecimento são recordados este ano.

Guiados pelo presidente do conselho pontifício, dom Zygmunt Zimowski, os representantes do dicastério foram recebidos pelo prefeito Mario Antonio Di Paolo, com a presença, entre outros, do vigário geral da diocese de Chieti-Vasto, dom Camillo Cibotti. Durante a reunião, o prefeito destacou a grande tradição de fé de Bucchianico, terra de trabalhadores e indissoluvelmente ligada a São Camilo, padroeiro dos doentes, dos profissionais da saúde e dos locais de atendimento médico. Logo depois, o santuário de Bucchianico organizou uma solene celebração eucarística, que contou com a presença de enfermos e seus familiares.


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Próxima reunião do Conselho dos Cardeais acontecerá de 3 a 5 de Dezembro

O anúncio foi feito pela Sala de Imprensa do Vaticano, no final da primeira sessão do grupo de trabalho sobre a reforma da Igreja


Roma, 03 de Outubro de 2013


Terminou nesta noite, 03 de Outubro, no Vaticano, a primeira reunião do "Conselho dos Cardeais” constituído pelo Santo Padre para aconselhá-lo sobre o governo da Igreja e a reforma da Cúria Romana. O anúncio foi feito por um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé.

"A próxima reunião do Conselho, refere a nota, foi estabelecido para os dias 03-05 de Dezembro e é esperado outra subsequente no mês de Fevereiro do próximo ano. Desta forma, o trabalho do Conselho - especialmente nesta fase inicial – prosseguirá rapidamente”.


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O papa e o conselho de cardeais: reforma da cúria pode ser maior que o esperado

Porta-voz vaticano: Não serão mudanças pequenas, mas algo mais consistente, uma nova Pastor Bonus


Roma, 03 de Outubro de 2013


O director da assessoria de imprensa da Santa Sé, pe. Federico Lombardi, expôs hoje aos jornalistas o trabalho que o conselho de cardeais e o papa realizaram ontem e durante a manhã desta quinta-feira.

“O papa esteve ontem na reunião da tarde até as 19 horas. Hoje ele permaneceu até o início da audiência do congresso de três dias pelo cinquentenário da Pacem in Terris. Ontem ele trabalhou na questão da reforma da cúria romana, o que indica que não será somente uma atualização da Pastor Bonus, mas algo mais consistente”.

“Devemos esperar uma nova Pastor Bonus, não apenas retoques das suas partes nem de adequações de pequenas coisas”, avisou Lombardi, acrescentando que “a questão é ressaltar a natureza de serviço [da cúria] à Igreja universal e às Igrejas locais, respeitando a subsidiariedade”.

Particularmente importante, considerou Lombardi, será o papel “da Secretaria de Estado, que tem que ser uma secretaria do papa. O nome ‘de Estado’ não transmite bem a ideia e pode criar confusão. A especificação do papel da secretaria deverá ser feita antes que o novo secretário de Estado assuma”.

“Também foram tratadas as relações do papa com os chefes dos dicastérios, com os dicastérios em si e com os escritórios da cúria, assim como as suas funções. Falou-se de tudo isto, mas não há decisões tomadas ainda. São as hipóteses que o papa levantou com o conselho de cardeais”.

Sobre a tarefa de reordenar as administrações temporais, o porta-voz afirmou “que não é o objetivo desta reunião, mas é um tema que entra no conjunto”.

Outro assunto tratado com notável atenção é o dos leigos. “Os membros do conselho puseram na mesa os anseios de diversas partes do mundo. E, ao se pensar na reforma da cúria, do governo da Igreja e do seu futuro, haverá uma atenção específica aos leigos”.

Sobre o próximo sínodo e o modo de realizá-lo, “esse tema foi abordado e há uma certa urgência do papa e da secretaria do sínodo, em vista do próximo que deve acontecer”.

Quanto à próxima reunião do conselho de oito cardeais, que a media tem chamado de C8, Lombardi afirmou que “até ontem não foi marcada a próxima data de encontro de todo o grupo, mas deverá ser nos primeiros meses de 2014, em Janeiro ou Fevereiro. É uma orientação informal, não é uma indicação do santo padre”.

O porta-voz, porém, observa: “Não se deve pensar que entre uma reunião e outra não aconteça nada, porque o trabalho é levado adiante com vários instrumentos de comunicação, mesmo sem que haja reunião plenária”.


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O papa sobre o naufrágio em Lampedusa: Me vem à mente a palavra vergonha. É uma vergonha!

Santo Padre pede orações pelas vítimas da nova tragédia envolvendo refugiados no sul da Itália. Há pelo menos 300 entre mortos e desaparecidos.


Roma, 03 de Outubro de 2013


“Ao falar de paz, da crise económica mundial, da falta de respeito do homem, não posso deixar de citar o trágico naufrágio de hoje na ilha de Lampedusa. Me vem à mente a palavra vergonha. É uma vergonha!”.

“Rezemos juntos a Deus por quem perdeu a vida, pelos seus familiares, por todos os refugiados, para que não se repitam mais tragédias como esta. Só uma decidida colaboração de todos pode evitá-las”, disse hoje o papa Francisco na audiência de encerramento do encontro promovido pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz, no 50º aniversário da encíclica Pacem in Terris, organizado em Roma de 2 a 4 de Outubro.

O papa falou do naufrágio acontecido na madrugada de hoje, quando uma barcaça com cerca de 500 imigrantes naufragou diante da costa da ilha italiana de Lampedusa, situada a meio caminho entre a África e a Sicília.

Entre os cadáveres, o de uma mulher grávida e os de várias crianças. Os desaparecidos são cerca de 250. O naufrágio de mais uma das chamadas “carretas do mar” foi causado por um incêndio na parte posterior da embarcação. Há suspeitas de que o incêndio tenha sido doloso.

Dois dias atrás, outra tragédia foi registada durante um desembarque na praia de Ragusa, também na Itália, com 14 imigrantes morrendo afogados. De acordo com a Fortess Europe, desde 1994 até hoje morreram pelo menos 6.200 imigrantes ilegais no canal da Sicília. As pessoas desaparecidas são 4.790. O ano mais trágico foi 2011, com pelo menos 1.800 pessoas afogadas.

O papa Francisco realizou a sua primeira viagem apostólica dentro da Itália precisamente para a ilha de Lampedusa, onde celebrou uma missa, lançou uma coroa de flores ao mar e rezou pelos milhares de migrantes mortos nas travessias em busca de um futuro mais próspero.


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A Eucaristia é uma festa, não uma mera lembrança

Casa Santa Marta: o papa Francisco destaca que a missa não é um evento "social" ou "habitual", mas a "memória da Paixão do Senhor", a sua presença real no meio de nós


Roma, 03 de Outubro de 2013


A missa não é um "evento social", e sim a presença real do Senhor em meio a nós. A celebração eucarística não deve ser transformada num "evento normal", porque é sempre uma "festa", disse o papa Francisco na homilia desta manhã na Casa Santa Marta, celebrando na presença do conselho de oito cardeais criado para ajudar na reforma da Igreja.

A primeira leitura (Nm 8,1-4a.5-6.7b-12) se concentrou na “memória de Deus”: a este respeito, o Santo Padre observou que o povo de Deus experimenta a "proximidade da salvação" e começa chorar "de alegria, não de tristeza"; antes disso, o povo "tinha lembrança da Lei, mas era uma lembrança distante".

Mesmo hoje em dia, todos nós "temos a memória da salvação", mas às vezes essa memória está "domesticada", "um pouco distante", quase "como coisa de museu".

Quando a lembrança se torna mais próxima, porém, ela se transforma em "alegria do povo", que "aquece o coração" e que é "um princípio da nossa vida cristã".

O encontro com a memória é "um acontecimento de salvação, é um encontro com o amor de Deus que fez história e nos salvou". É por isso que "precisamos fazer festa".

No entanto, muitas vezes, "nós, cristãos, temos medo da festa" que nasce da "proximidade do Senhor" e perdemos a "memória da Paixão do Senhor", reduzindo-a toda a uma "lembrança" ou a um "evento rotineiro".

Frequentemente, vamos à igreja como se fôssemos a um "funeral". A missa nos entedia, porque não é algo próximo. Ela “vira um evento social e não estamos perto da memória da Igreja, que é a presença do Senhor na nossa frente”, disse o papa.

Devemos, portanto, tomar o exemplo do povo de Israel (cfr. Nm 8,1-4a.5-6.7b-12), que se reaproxima da sua memória e chora, com o coração aquecido, alegre, sentindo que a alegria do Senhor é a sua força. “E faz festa, sem medo, com simplicidade”.

No final da homilia, o papa convidou: "Peçamos ao Senhor a graça de manter sempre a sua memória viva, próxima, e não domesticada pela rotina, por tantas coisas, e distante, reduzida a mera lembrança".

"A igreja tem um amor especial por aqueles que sofrem", disse dom Zimowski, lembrando a figura do papa João Paulo II, fundador do Pontifício Conselho para os Agentes de Saúde e inspirador da Jornada Mundial dos Enfermos, que se celebra todo dia 11 de Fevereiro.

“São Camilo pode ser considerado o fundador de uma nova schola caritatis para os profissionais de saúde e para todos aqueles que se inclinam para ajudar o próximo que sofre", disse Zimowski. "Podemos obter do exemplo dele uma nova força para espalhar a mensagem de misericórdia e de partilha que Cristo confiou à sua Igreja".

À tarde, a peregrinação do Pontifício Conselho para os Agentes de Saúde continuou com uma visita ao Santuário do Santo Rosto de Manoppello, onde os peregrinos receberam a saudação do arcebispo de Chieti-Vasto, dom Bruno Forte.


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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Centenas de benfeitores, amigos e colaboradores da Fundação AIS em peregrinação a Roma

Papa Francisco dirige umas palavras aos membros da Fundação no final da audiência


Roma, 02 de Outubro de 2013


Assinalando o centésimo aniversário do nascimento do fundador da “Ajuda à Igreja que Sofre”, o Padre Werenfried van Straaten, a Fundação AIS está em peregrinação a Roma, até ao próximo dia 5 de Outubro.

Cerca de 600 benfeitores, amigos e colaboradores, provenientes dos diversos escritórios da Fundação AIS em todo o mundo, viajaram para a Cidade Eterna estando prevista uma audiência geral amanhã com o Papa Francisco.

Na quarta-feira haverá um Encontro Internacional de Oração na Basílica de São Paulo, que incluirá a consagração da Obra a Nossa Senhora.

Também o cardeal Kurt Koch, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, e D. Savio Hon Tai-Fai, Secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos, deverão encontrar-se com a comitiva da Fundação AIS.

Portugal está representado nesta peregrinação por cerca de meia centena de benfeitores e amigos da instituição, assim como pela directora, Catarina Martins, e pelo Padre David Sampaio, Presidente da Assembleia de Curadores da Fundação AIS no nosso país.

Recorde-se que, há dois anos, o Papa Bento XVI elevou a Ajuda à Igreja que Sofre a fundação de direito pontifício.

No final da audiência dessa quarta-feira, o Santo Padre dirigiu algumas palavras aos membros, amigos e benfeitores da Fundação AIS, reunidos em Roma na Peregrinação Internacional.

Aqui estão as palavras:
"Para os peregrinos da Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre: Que o Senhor escute sempre as vossas orações e o vosso compromisso em apoiar a missão da Igreja por todo o mundo. Especialmente nos lugares onde é 

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A Igreja oferece critérios para eleger o futuro Presidente de Costa Rica: um documento em preparação

Em 2 de Outubro, de facto, tem início a campanha eleitoral para escolher o Presidente da República


Roma, 02 de Outubro de 2013


A Conferência Episcopal da Costa Rica está preparando um documento para “iluminar o eleitorado na campanha política, à luz da Doutrina Social da Igreja católica”: foi o que anunciou o Bispo de Cartago, Dom José Francisco Ulloa, que na nota enviada à Agência Fides acrescenta que o texto será apresentado daqui a cerca 15 dias. Em 2 de Outubro, de fato, tem início a campanha eleitoral para escolher o Presidente da República, o Vice-presidente e os deputados da Assembleia Legislativa nas eleições de 2 de Fevereiro de 2014. Será a primeira vez que os costa-riquenhos poderão votar também do exterior.

Para redigir este texto, continua a nota, se reuniram todos os Bispos que compõem a Conferência Episcopal, "para compartilhar as ideias gerais ". Depois, enviaram essas reflexões a uma comissão de especialistas, composta por sacerdotes, sociológicos, especialistas em política e economia, que elaborarão um documento final. Depois da revisão e, eventualmente, a modificação do texto por parte dos Bispos, o documento será publicado com a assinatura de toda a Conferência Episcopal.

“Queremos dar uma orientação ao eleitorado – precisou Dom Ulloa -. Os candidatos não são mencionados, se trata de um critério geral. Os eleitores têm a liberdade de consciência, e nós jamais diremos para votar num determinado partido. Queremos iluminar o eleitorado para que tenha juízos claros no momento de escolher o candidato ou o partido que melhor responde aos interesses da Costa Rica". Segundo a imprensa nacional, os vários candidatos e os respectivos partidos acolheram de modo positivo esta iniciativa da Igreja. (CE) (Fonte: Agência Fides, 01/10/2013).


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Jornadas Nacionais de Catequistas em Fátima do 4 a 6 de Outubro

Fátima, 02 de Outubro de 2013


Nesta  Semana Nacional da Educação Cristã em Portugal, o departamento de Catequese do Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC) organiza mais uma edição das Jornadas Nacionais de Catequistas (JNC). As JNC decorrem em Fátima, entre 4 a 6 de Outubro. O tema deste ano - "Chamados à salvação pela fé em Jesus Cristo" - remete para o conteúdo da carta encíclica de João Paulo II " Veritatis Esplendor".

Programa das Jornadas: 

4 de Outubro, 6ª feira
21:00 - Acolhimento.
21:15 – Abertura: Presidida por D. António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro, Presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé.
21:45 – Visionamento da Catequese do Papa Francisco no Congresso Internacional da Catequese «O catequista, testemunha da fé», Roma, 27 de Setembro.
22:30 – «Rezar com os Catequistas e a Catequese».

5 de Outubro, sábado
09:15 – Oração.
09:45 - «As Catequeses da Fé: como a catequese conduz à conversão», Padre José Henrique Pedrosa. Orientações para o trabalho da tarde.
11:30 – Intervalo
12:15 – Missa privada na Capela da Morte de Jesus.
13:15 – Intervalo para almoço
15:30 – Ateliers e conferências temáticas
Ateliers:
- Como orientar as «Catequeses da Fé» (salas no Colégio do Sagrado Coração de Maria);
Conferências Temáticas:
- Despertar religioso – auditório do Colégio do Sagrado Coração de Maria;
- Catequese Familiar – auditório João Paulo II, Centro Paulo VI ou Casa de Retiros de Nossa Senhora das Dores.
21:00 – Serão cultural.

6 de Outubro, Domingo
09:30 – Oração.
09:45 – «Viver, testemunhar e celebrar a fé», Padre Carlos Cabecinhas, Padre Vítor Coutinho.
11:00 – «Creio», Reinterpretar o Símbolo da fé em chave de Arte e Nova Evangelização.
11:45 – Intervalo.
12:30 – Eucaristia e envio, na Basílica da Santíssima Trindade: Presidida por D. Manuel Pelino Domingues, Bispo de Santarém.
Durante todas as Jornadas se passará a cada minuto e online o essencial de cada intervenção. Para acompanhar aceda a www.facebook.com/educris.pt, curta a página e vá acompanhando todas as Jornadas com textos e imagens do interior do Centro de Pastoral Paulo VI.


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Panamá: encerrado o Encontro Inter-Religioso Ibero-Americano, da associação Religiões pela Paz

Foi analisado o papel das comunidades de fé na sociedade actual. O arcebispo do Panamá foi um dos principais conferencistas.


Roma, 02 de Outubro de 2013


Terminou nesta quarta-feira, 2 de Outubro, na Cidade do Panamá, o III Encontro Inter-Religioso Ibero-Americano, cujo tema foi “O papel das comunidades de fé na sociedade e na cultura dentro do âmbito ibero-americano no novo contexto mundial: contribuindo para uma sociedade mais justa e harmoniosa e para a uma cultura de valores e diversidade”.

O evento, organizado como preparação para a XXIII Cúpula Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo, é organizado pela associação Religiões pela Paz-América Latina e Caribe, em parceria com o Grupo de Trabalho Estável das Religiões da Catalunha (GTER), com o apoio da Secretaria Geral Ibero-Americana (SEGIB) e com a cooperação do Comitê Inter-Religioso do Panamá (COIPA), do Ministério de Relações Exteriores do Panamá e do Parlamento Latino-Americano (Parlatino).

De acordo com os organizadores, o III Encontro Inter-Religioso Ibero-Americano "deseja trazer reflexões, experiências e recomendações, a partir das comunidades religiosas e das organizações baseadas na fé, em torno aos valores que cooperam para a configuração de sociedades mais justas e harmoniosas e de culturas com valores e diversidade".

Deste modo, pretendem-se "ressaltar os elementos fundamentais que agem nas mudanças políticas, sociais e económicas do espaço ibero-americano".

O evento, iniciado nesta terça-feira, 1º de Outubro, contou com a participação do deputado Elias Castillo, do organismo anfitrião; do rabino Gustavo Kraselnik, do COIPA; de Tomás Guardia, do Ministério de Relações Exteriores do Panamá; de Elias Szczytnicki, da Religiões pela Paz-América Latina e Caribe; do arcipreste Stravophor Joan García, do GTER, e de Doris Osterlof, da SEGIB.

A dissertação inaugural esteve a cargo de dom José Domingo Ulloa, arcebispo da Cidade do Panamá e presidente da Conferência Episcopal Panamenha, com o título “O papel das comunidades de fé na sociedade e na cultura dentro do âmbito ibero-americano no novo contexto mundial”.

A Religiões pela Paz-América Latina e Caribe reúne os representantes das principais comunidades religiosas da região, através do Conselho Latino-Americano e Caribenho de Líderes Religiosos, que é um dos cinco conselhos inter-religiosos regionais da rede mundial da Religiões pela Paz, cuja missão é promover ações comuns pela paz.

O GTER é a rede de confissões religiosas nascida na Catalunha, Espanha, com interacção e âmbito estatal espanhol, que promove a paz e a harmonia entre as religiões, sendo um ponto de referência para o diálogo prático e para o trabalho conjunto.


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Segundo dia de reunião do Conselho de Cardeais

Eles não são delegados continentais, mas pessoas de confiança do papa. Devido à audiência geral desta manhã, Francisco participou somente à tarde.


Roma, 02 de Outubro de 2013


A reunião do Conselho de Cardeais que acontece no Vaticano de 1º a 3 de Outubro teve hoje a sua segunda sessão.

O director da Assessoria de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, informou que, "antes de começar a reunião, os membros do conselho concelebraram a santa missa junto com o papa na capela da residência de Santa Marta".

O porta-voz acrescentou que o primeiro encontro, na manhã de ontem, se realizou na terceira loggia do apartamento papal, mas "hoje eles decidiram realizá-lo na Casa Santa Marta, onde todos estão hospedados".

"As reuniões acontecem numa pequena sala, não longe da capela, para facilitar logisticamente os trabalhos e para os participantes não terem que ir e vir do palácio apostólico. O horário é intenso: de manhã, das 9h às 12h30 e, à tarde, das 16h às 19h". O papa Francisco participou da sessão matutina e vespertina da terça-feira. Hoje ele não esteve presente de manhã por causa da audiência geral, mas participou à tarde e volta a participar amanhã.

Lombardi informou que, nesta quarta-feira, o conselho retomou os trabalhos tocando em temas como a reforma da cúria em seus vários aspectos, a função da Secretaria de Estado e a relação dos dicastérios entre si e com o santo padre. Houve muitas sugestões e contribuições. "É um trabalho de longo prazo. Não devemos esperar conclusões imediatas no curso destas jornadas”, enfatizou o porta-voz vaticano.

A importância de se instituir o Conselho de Cardeais com um texto manuscrito
O padre Lombardi comentou a ênfase do santo padre no significado do manuscrito com que ele instituiu na última segunda-feira o Conselho de Cardeais, porque é “um documento oficial que institucionaliza o conselho dotando-o de status jurídico e garantindo a estabilidade para continuar trabalhando também depois desta reunião”.

Não são delegados continentais
Lombardi enfatizou que os membros do conselho não são “delegados continentais”, mas componentes do colégio episcopal que são também cardeais e possuem uma rica experiência pastoral, já que procedem de grandes dioceses do planeta. O papa os escolheu por isso, não por serem supostos delegados dos episcopados das diversas partes do mundo. “Todos eles são pessoas que gozam de grande confiança e apreço por parte do papa. São pessoas com quem ele está em sintonia. O papa sente que os seus conselhos podem ajudá-lo a avançar na linha que ele considera justa para o governo da Igreja. Este não é um fato indiferente, porque a confiança e o apreço facilitam o clima de serenidade e a natureza do diálogo”.

Primeira reunião aconteceu ontem
A primeira reunião, na manhã de ontem, terça-feira, foi aberta com uma introdução feita pelo papa e seguida por uma reflexão sobre a eclesiologia a partir do concílio Vaticano II, ressaltando-se o carácter dos encontros: eles não miram apenas a organização e a eficiência de uma instituição, mas se contextualizam "numa visão teológica e espiritual da Igreja, inspirada na eclesiologia do Vaticano II e na sua aplicação".

“Naturalmente”, prossegue o padre Lombardi, “não se consegue isto numa mesa redonda de uma manhã. Mas fica indicada a perspectiva em que os membros do conselho se situam. Eles reflectiram sobre alguns temas que o concílio já colocava: como reavivar e revigorar a relação entre a Igreja universal e local; falaram de comunhão e colegialidade, de uma Igreja dos pobres, do papel dos leigos... São todos pontos do concílio, presentes como pano de fundo. Eles raciocinam a essa luz e depois sobre as estruturas de governo”.

Cada participantes apresentou uma síntese das sugestões recebidas e trouxe materiais e anotações que fazem parte da documentação comum de trabalho do conselho. Foi realizada uma classificação dos grandes temas que devem ser encarados, não apenas nesta sessão, mas nas próximas também. A sessão vespertina foi dedicada ao sínodo dos bispos e contou com a participação do novo secretário da instituição, dom Baldisseri.

“É um tema prioritário, seja pela participação do episcopado através do sínodo na vida da Igreja, seja pela urgência de especificar qual será o próximo sínodo e iniciar a sua preparação. Provavelmente, dentro de poucos dias saberemos. O que não sabemos é se vai ser um sínodo ordinário ou extraordinário”, observa Lombardi, acrescentando que “o papa fez referência a um tema de carácter antropológico: a família à luz do evangelho, mas ainda não está definido”.

O papa Francisco disse ainda que temas de relevância como a pastoral familiar e matrimonial estarão na ordem do dia das actividades da Igreja nos próximos tempos.


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