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terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Sintra acolheu nova reunião “secreta” de bispos promovida por organização dos EUA muito crítica do Papa

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 | 03/02/2025

Foi uma reunião quase “secreta” de pelo menos 80 cardeais e bispos católicos de todo o mundo. Vieram a Portugal convidados e com viagens e alojamento pagos num dos hotéis mais caros de Portugal, por uma instituição dos Estados Unidos muito crítica das ideias do Papa Francisco. O encontro teve lugar entre 14 e 18 de Janeiro – confirmou o 7MARGENS no local e junto de alguns dos participantes.

A reunião decorreu no Penha Longa Resort, de Sintra, onde um quarto individual para quatro noites nesta semana (de terça a sábado, os mesmos dias em que há três semanas se realizou a iniciativa) custa 1041 euros já com uma “promoção” – e admitindo que, num encontro como este, pode ter sido negociado um preço mais reduzido – mas sem contar com as refeições. A organização e o pagamento é do Acton Institute for the Study of Religion and Liberty (Instituto Acton para o Estudo da Religião e a Liberdade), dos Estados Unidos, que teve no padre Robert Sirico, muito ligado ao Partido Republicano dos EUA, um dos seus fundadores.

Na maior parte, os bispos são oriundos de países pobres e muitos deles não podem viajar senão quando é estritamente necessário ou por convite. Por isso, o Acton oferece-lhes as viagens, estadia e uma ida a Fátima, com a contrapartida de ouvirem intervenções por pessoas que integram todas a estrutura do instituto e que são normalmente muito cuidadosos na forma como falam do Papa, como confirmam bispos que participaram no encontro.

O padre Sirico é um dos que, desde a primeira hora, é muito crítico das ideias sociais do Papa Francisco. Antigo pastor evangélico e padre católico desde 1989, é conhecido por ser um defensor do mercado livre capitalista e da “opção preferencial pela liberdade”, em oposição à “opção preferencial pelos pobres”, defendida por muitos bispos da América Latina. Nisso, aliás, afasta-se do próprio João Paulo II, que defendia essa ideia, bem como a centralidade do trabalhador, perante o capital, nos conflitos laborais.

A iniciativa tornou-se já, nos últimos anos, uma espécie de ritual – no lugar e na data. Este ano, ela contou com um convidado “especial”: o bispo Rolando Alvarez, da Nicarágua, expulso do país pelo regime de Daniel Ortega, depois de meses de prisão, que deu um testemunho sobre a perseguição de que foi vítima, bem como sobre as perseguições que têm sido movidas à Igreja Católica, organizações de defesa dos direitos humanos e a outras instituições da sociedade civil. Um dos últimos episódios, de que o 7MARGENS deu conta, foi o desaparecimento, no dia 29 de Janeiro, de 30 monjas clarissas, cujo paradeiro continua desconhecido.

 O calvário do bispo

Rolando José Álvarez, numa foto de 2019, da Conferência Episcopal da Nicarágua. Foto © Ramírez 22 nic, CC BY-SA 4.0 , via Wikimedia Commons.

Rolando Álvarez, numa foto de 2019, da Conferência Episcopal da Nicarágua. Foto © Ramírez 22 nic, via Wikimedia Commons.

“[No] Congresso de Bispos, ouvimos comovidos o testemunho de Dom Rolando Alvarez, da Nicarágua: ficou 11 meses preso pelo regime de Ortega”, contava um dos participantes em mensagem enviada a alguns amigos e à qual o 7MARGENS teve acesso. “Mártir actual”, acrescentava. “Seis meses de prisão domiciliar, depois preso: desnudado, 21 dias preso no ‘inferninho’, directamente no chão, totalmente nu, (…) sempre fotografado, em estado de choque. Oferecia o seu sofrimento pela Igreja da Nicarágua.”

A mensagem resumia o calvário de Álvarez: “Onze meses sem dormir. Luzes. Gritos. Comida gelada, sem sal. Peixe cru. Calor sufocante. Sem remédios, sem óculos. Cantava a Deus e a Nossa Senhora. Pensava na morte. Pedia que, se ia morrer, aquilo servisse de purgatório. Perdoava os seus inimigos: difícil, mas perdoava. Três opções: a morte, a loucura ou uma doença degenerativa.” E o bispo citava depois os sentimentos referidos pelo colega nicaraguense: “Sou fiel e obediente ao Papa. Recitava o Credo. Cantava ‘A Treze de Maio’. Por fim: “Foi libertado. Agora não pode mais voltar. Mora em Roma, por ordem do Papa. Eu chorei ao ouvi-lo…”

A realização do encontro em Sintra, tem tido praticamente um ritmo anual desde pelo menos 2018: não se realizou durante a pandemia e em 2023 decorreu em Maio; mas já houve pelo menos seis edições na Penha Longa. A sua localização em Sintra e o seu carácter quase secreto foram revelados em Janeiro de 2020 pelo 7MARGENS. Não foi possível saber se nesta última edição houve bispos portugueses convidados.

Confidencialidade e silêncio absoluto

Nessa altura, depois de regressar a casa, o neerlandês Johannes Hendriks, bispo de Haarlem-Amesterdão, escreveu no seu blogue: “No início da conferência, foi indicado que o instituto organizador não publicaria informações sobre o encontro, devido ao seu carácter informal e para não dificultar o debate espontâneo, e porque entre os presentes se encontravam bispos com responsabilidades grandes e complexas (…) bem como bispos de países onde prevalece a perseguição, um regime ditatorial no poder ou a situação política é muito complexa. Por conseguinte, foi exigido um certo grau de confidencialidade também aos presentes”.

Este ano, um dos bispos presentes, oriundo da América Latina, admitia ao 7MARGENS que um dos pedidos veementes dos organizadores era o compromisso dos participantes pelo silêncio absoluto sobre o que ali se passou. E já há cinco anos, dois outros participantes – um do Paquistão, outro de Angola – também asseguravam que, logo no início, lhes era pedida confidencialidade sobre o que ali se passava, embora afirmassem que eram “conversas informais” sobre “temas normais”.

Alguns, no entanto, não resistem a contar o que lá se passa – ou simplesmente não “obedecem” ao que é sugerido. Em 2023, o encontro da Penha Longa foi em Maio, entre os dias 16 e 20. Também no seu blogue, o arcebispo nigeriano de Abuja, Ignatius Ayau Kaigama, dizia que o tema central do congresso foi: “A pessoa no centro da família, da cultura e da economia”.

Referia depois vários detalhes dos temas e das palestras escutadas: “Os fundamentos e a falsificação da personalidade; Cultura: colonização, evangelização e ideologia; A pessoa humana e a economia.” Além destas, houve ainda “três painéis de discussão sobre a família, a empresa como vocação, e o conflito religioso e ideológico”.

Kaigama foi um dos que, há dois anos, interveio no painel sobre este último tema, a par do cardeal Alvaro Ramazzini, da Guatemala, e dos arcebispos Salvatore Cordileone, de São Francisco (EUA) e Sebastian Shaw, do Paquistão.

O arcebispo Shaw esteve também na Penha Longa há cinco anos. Mas em Agosto de 2024 a sua diocese de Lahore foi confiada pelo Vaticano a um administrador apostólico, na sequência de acusações de abuso sexual e fraude financeira contra o arcebispo. O seu futuro, noticiava-se na altura, era incerto, devido à falta de informações oficiais sobre o seu afastamento e as razões que o motivaram. Pouco mais se soube sobre ele depois disso…

 

“Pouco lugar para um Estado que cuide dos pobres, dos fracos e dos necessitados”

Página do blogue do bispo Johannes Hendriks, de Haarlem-Amesterdão, com o texto que escreveu sobre o encontro, em 2020.

Embora sublinhando a importância do encontro “de bispos que enfrentam problemas muito diferentes” – oriundos “da Venezuela, do Chile e da Argentina, da Austrália e de vários países de África, dos Estados Unidos, da América Central e da Europa de Leste” –, Johannes Hendriks, bispo de Haarlem-Amesterdão, manifestava no seu texto de há cinco anos uma perspectiva crítica de algumas temáticas e da forma como foram abordadas: falou-se de temas relacionados “com a importância da fé e da razão para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa”, mas com uma “visão da sociedade um pouco americana, com uma forte preferência por um Estado pequeno”, escrevia.

“Isto reflectiu-se particularmente numa ênfase excessiva – na minha opinião – no princípio da subsidiariedade como justificação para um Estado assumir o menor número possível de tarefas. Embora não tenha sido dito de forma tão explícita, pareceu-me que, nesta visão, há pouco lugar para um Estado que cuide dos pobres, dos fracos e dos necessitados. Esses cuidados eram fortemente deixados à caridade; esta é uma visão com a qual não concordo.” E acrescentava Hendriks: “Uma sociedade ‘dura’ como a americana não é, de modo algum, o meu ideal. Ao mesmo tempo, as conferências tiveram sempre como ponto de partida os ensinamentos sociais da Igreja, com referências frequentes e sempre positivas às encíclicas sociais dos Papas Pio XI, Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI e Francisco. Foi interessante registar este ponto de vista, mesmo que não seja certamente o meu.”

A partir do que os participantes vão dizendo, é possível perceber a mensagem do Acton: propõe-se um olhar sobre a sociedade centrada sobretudo nas “ameaças” à família e numa moral restrita. Mesmo invocando o ensinamento dos papas, a conversa insinua perspectivas que vão ao arrepio do que eles afirmam, nomeadamente em matéria social. Isso é visível em vários dos textos de responsáveis do Acton que criticam, de forma mais implícita ou mais explícita, as ideias “anti-capitalistas” do Papa ou o seu “peronismo” – uma alusão ao visão do antigo Presidente Juan Perón.

 

Um texto do Papa “economicamente falhado”

Encontro do Papa com 40 indígenas da Amazónia, paralelo ao sínodo dos bispos, em 16 de Outubro de 2019: a Laudato Si’ é um texto “bem-intencionado”, mas “economicamente falhado”, consideram os responsáveis do Acton. Foto © Vatican Media


A encíclica Laudato Si’, de 2015, sobre o cuidado da Casa Comum, merece o menosprezo dos dirigentes do Acton: “Embora o Papa escreva e fale [sobre o tema], ele não é um especialista em biotecnologia – permitindo diferenças de opinião – [mas,] quando ele fala sobre temas políticos ou económicos, ele fá-lo com convicção e certeza”, escreveu Alex Chafuen, presidente da rede Atlas e administrador do Acton. Mas, apesar de admitir que em muitos temas concretos a hierarquia católica “não tem motivos para propor uma palavra final”, em questões económicas “a Laudato Si’ parece unilateral”, acrescenta o texto. O facto de o Papa ser oriundo da Argentina, um país de “capitalismo intervencionista e corrupto” também pode ajudar a uma visão tão “disfuncional” da economia e dos mercados, dizia Chafuen, num texto que, se fosse escrito hoje, talvez já fizesse muitos elogios ao ultraliberalismo do actual Presidente, Javier Milei. Num outro artigo, Samuel Gregg resumia a Laudato Si’ a um texto “bem-intencionado”, mas “economicamente falhado”.

Há cinco anos, era possível ler um texto em português, da autoria do director de pesquisa do Acton, Samuel Gregg, com o título “Papa Francisco: um homem de esquerda?”. Nesse artigo, entretanto inacessível no sítio digital do Acton, mas que foi citado em 2020 pelo 7MARGENS, criticava-se a limitação dos comentários económicos do Papa Francisco – fórmula que, com esta ou expressões semelhantes, tem sido usada pelos sectores mais críticos do Papa para desvalorizar as suas intervenções nesse campo.

 

Menos filhos e mais animais de estimação

"Vi-me como uma mãe, com a sua criança às costas, abrindo caminho pelo emaranhado de ruas desconhecidas, numa cidade já distante na memória." Reprodução de "Mãe africana a carregar o seu filho". © Arthckunskap, CC BY-SA 3.0 , via Wikimedia Commons.

“Mãe africana a carregar o seu filho”: nos encontros do Acton, já se perspectiva que daqui a 50 anos não haverá muitos nascimentos em África. © Arthckunskap, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.


O bispo angolano que, há cinco anos, falou com o 7MARGENS, dizia que uma das preocupações manifestadas nas conferências era a de que “é preciso formar as famílias, por causa da tendência para a diminuição no número de filhos”. E se é verdade que “no Ocidente, há cada vez mais famílias sem filhos e com animais de estimação e a família está a desaparecer” e “na Ásia, as famílias estão cada vez mais envelhecidas”, também em África, apesar da pobreza que ainda hoje atinge boa parte da população do continente, “a tendência também é para que se reduza o número de filhos”, de acordo com os estudos que antecipam o que acontecerá daqui a 50 anos, na perspectiva veiculada pelo Acton.

Esta mesma perspectiva era confirmada por aquilo que dizia o bispo neerlandês: “Foi também sublinhada a importância de conhecer os factos económicos antes de tomar posição sobre questões que afectam a doutrina social, como a pobreza” – um argumento muito semelhante às críticas aos textos do Papa Francisco na área social, como a Laudato Si’. E exemplificava: “Um problema conexo é o envelhecimento da população mundial, que conduz a uma estrutura populacional distorcida. A fecundidade (taxa de fecundidade) registou um declínio acentuado em todos os continentes desde 1950. Mais de metade dos países têm menos nascimentos do que mortes e – tendo em conta as tendências – espera-se que esta situação se verifique em todas as partes do mundo nas próximas décadas. O efeito das medidas governamentais para promover o crescimento demográfico parece ser muito limitado.”

O bispo notava que ter sido precisamente nos dias em que se realizava o encontro que Donald Trump, então no seu primeiro mandato, “proferiu o seu discurso ‘pró-vida’ na Marcha anual pela vida, em Washington, no qual afirmou a santidade e a protecção de todas as vidas humanas” – mesmo se os imigrantes e outros grupos pouco valham para o novo inquilino da Casa Branca. “Outros temas incluíram: a luta contra a corrupção, a liberdade religiosa, a liberdade económica e a filantropia”, concluía Johannes Hendriks.

 

“Gente muito poderosa”

Alguns participantes no encontro de 2023; à frente, Jorge Veja Velasco, de Valparaíso (Chile), o primeiro à esquerda; atrás, António Jaca (Benguela, Angola) e Zeferino Martins (Huambo) são os dois primeiros, também a contar da esquerda. Foto: Direitos reservados.


Outro bispo que esteve há quinze dias em Sintra foi o brasileiro Fernando Arêas Rifan, responsável da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, o organismo tradicionalista que o Vaticano aceitou depois de um longo processo negocial. O bispo Rifan foi ordenado pelo cardeal colombiano Darío Castrillón Hoyos, que morreu em 2018, e que foi um dos líderes da facção mais conservadora durante o pontificado do Papa João Paulo II. Na sua primeira posição pública no cargo, o bispo brasileiro preocupou-se sobretudo em condenar as heresias e elogiar a liturgia latina tradicional.

No ano passado, na página de Facebook de um dos participantes, foi possível encontrar a foto de vários bispos que também estiveram no encontro do Acton, feita posteriormente, já em Lisboa. Entre eles, o 7MARGENS identificou Jorge Veja Velasco, de Valparaíso (Chile), António Jaca, de Benguela, e Zeferino Martins, do Huambo, ambos de Angola.

Um dos padres da casa onde ficaram comenta ao 7MARGENS que se questionou sobre o facto de, enquanto bispos, estes terem aceitado ficar no Penha Longa Resort, tendo em conta os preços do alojamento. Mas também tem muitas dúvidas sobre a forma como o Acton “vai passando a sua mensagem profundamente conservadora”. E acrescentou: “É preocupante ver gente muito poderosa que pretende ir fidelizando os bispos e criando uma rede à volta deles.”

Os bispos em causa “não falavam muito”, mas ainda deram a entender que algumas das intervenções principais no encontro pretenderam “mostrar que, não seguindo a doutrina do Papa, é melhor para o povo” – a melhor forma de ajudar os pobres é o capitalismo liberal, dizia outro dos participantes, na linha do que defende o Acton. “Por exemplo, no caso da defesa dos povos indígenas e da preservação das terras contra o agronegócio”.

Apesar de predominarem participantes do Sul do mundo, não é apenas na África, Ásia ou América Latina que o Acton convida bispos. Também há europeus e norte-americanos que são incluídos na lista. Em 2018, por exemplo, três bispos ingleses divulgavam a sua presença no fórum do Acton Institute, nas notícias do The Catholic Herald, o jornal da Igreja Católica de Inglaterra e Gales: Robert Byrne (Birmingham) estaria entre terça e sábado no Fórum internacional de bispos; Mark Davies (Shrewsbury) iria nos mesmos dias a uma “conferência internacional e peregrinação a Fátima” e John Wilson (então bispo auxiliar de Westminster, nomeado em Junho de 2019 para bispo de  Southwark) estaria também, nos mesmos dias, no Fórum do Acton Institute, em Portugal.

 

Uma ida a Fátima

Aspecto da sala e dos participantes no encontro deste ano. Identificam-se à frente o equatoriano Eduardo Castillo Pino, arcebispo de  Portoviejo, e o mexicano Mauricio Urrea Carrllo, de Parral. Foto: Direitos reservados.


Em Maio de 2023, o arcebispo Kaigama confirmava ainda, no texto do seu blogue, esse outro ritual ligado ao encontro: em cada ano, o grupo vai a Fátima durante um dia. Mas também aqui quer passar discreto: ao contrário do que acontece com quase todos os grupos de peregrinos, que se fazem anunciar com antecedência e pedem ao Santuário espaços para alguma reunião ou celebração litúrgica, neste caso já houve vezes em que o grupo nem sequer disse nada aos serviços (foi o que se passou em 2020) ou disse apenas no próprio dia, como aconteceu este ano, em 15 de Janeiro.

Nessa data, o grupo contactou os responsáveis do Santuário e pediu um espaço para uma celebração privada. Isso já não era possível, foi-lhes comunicado, por não haver lugar disponível – habitualmente, esse tipo de celebração decorre nas capelas da Basílica da Santíssima Trindade. Por isso, os 80 bispos e cardeais acabaram por participar na oração do terço na Capelinha das Aparições ao meio-dia, informou o Gabinete de Comunicação do Santuário de Fátima ao 7MARGENS.

“Tive a alegria de estar entre os mais de 100 bispos de 38 países que chegaram a Lisboa, Portugal, no dia 16 de maio de 2023, para o Fórum Episcopal Internacional organizado pelo Acton Institute”, escreveu na ocasião, no seu blogue, o arcebispo de Abuja (Nigéria). “No dia seguinte, 17, fizemos uma peregrinação de um dia a Fátima, onde primeiro visitámos Aljustrel, o local de nascimento e casa dos pastores videntes, Lúcia, Francisco e Jacinta, e depois fomos de carro ao local das aparições da Virgem Maria em 1917.”

Fundador do Centro de Diálogo, Reconciliação e Paz, Kaigama foi presidente da Conferência Episcopal Regional da África Ocidental (2015-2022) e e da Conferência dos Bispos Católicos da Nigéria durante seis anos. Ocupou também cargos de presidente de organismos inter-confessionais no seu estado de Plateau e fez parte de um comité mandatado pelo Governo Federal para analisar as causas das crises etno-religiosas da região. “Viaja por todo o mundo para falar sobre a paz e partilhar a sua experiência de diálogo/colaboração inter-religiosa e de esforços de construção da paz”, acrescenta a sua apresentação no blogue. “Sua Graça tem um doutoramento em teologia espiritual pela Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma, Itália, e dois doutoramentos honorários”, lê-se ainda.

“Fátima fica a duas horas de autocarro de Sintra. Peregrinos de todas as partes do mundo deslocam-se a Fátima para rezar e beber o ar mariano”, descrevia o arcebispo Ignatius no seu texto. “Fátima tem uma atmosfera muito orante, pois as pessoas são vistas a rezar o terço, a fazer adoração eucarística, a dedicar-se a uma contemplação silenciosa e algumas rastejam de joelhos durante quase duzentos metros desde a Basílica da Santíssima Trindade até à Capela das Aparições como um ato de arrependimento. Há também quem circule de joelhos à volta da capela, rezando o terço.”

Depois da descrição do que vira, o arcebispo observava: “Isto é o que dá esperança de que, por mais que o ‘homem moderno’ tente suprimir as coisas sobre Deus, Deus continua a ser a esperança, o refúgio, a rocha e o escudo da maioria dos homens e mulheres, jovens e velhos, de todas as raças, culturas e estatutos sociais. Foi essa a mensagem que levei da visita a Fátima.”

 

Um mosteiro nacionalizado

Blogue do arcebispo Ignatius Ayau Kaigama com o texto sobre o encontro de 2023.


No seu texto, Kaigama falava ainda do lugar do encontro: “O Penha Longa Resort, local da conferência, alberga atualmente o que foi o mosteiro dos Frades Menores Capuchinhos no século XIV.” E descrevia factos da história do país: “Os mosteiros foram nacionalizados em Portugal, o que significa que as terras e os bens de mais de 500 mosteiros passaram a ser propriedade do governo, por decreto de 28 de maio de 1834, promulgado por Joaquim António de Aguiar no final da Guerra Civil Portuguesa. Assim se explica que os edifícios do mosteiro, incluindo uma belíssima igreja (onde celebrámos as nossas missas), tenham passado a ser propriedade do hotel, que utiliza para actividades seculares os salões e quartos da clausura monástica, onde outrora os monges viviam e assaltavam os céus com as suas orações, numa vida de solidão e devoção a Deus.”

O ambiente no encontro, acrescentava o arcebispo de Abuja, foi de “grande fraternidade, amizade e convívio entre os bispos que passaram quatro dias agradáveis de interação, discussão, orações e encontros fraternos”.

Desde 1997 que o Acton organiza encontros como os da Penha Longa. Primeiro eram destinados apenas a bispos do México, para ajudar à formação permanente, como explicou há cinco anos um dos interlocutores do 7MARGENS. Depois, foram alargados a toda a América Latina e, finalmente, a todo o mundo.

Apresentando-se como pretendendo promover “uma sociedade virtuosa e livre, caracterizada pela liberdade individual e sustentada por princípios religiosos”, o Acton define-se ainda como “uma organização de investigação ecuménica sem fins lucrativos que procura demonstrar os benefícios da livre iniciativa a comunidades religiosas, empresários, estudantes e educadores”.

 

Este texto teve o contributo do jornalista Hendro Munsterman, em Roma. 

(Foto de destaque: à direita, o bispo Sebastian Shaw, de Lahore (Paquistão), removido do cargo em Agosto último, depois de acusações de abusos e fraude, durante a participação num dos encontros do Acton Institute, em Sintra.)



«Não se perturbe o vosso coração» - A Missão País 2025 está ai...


Assim gritam os jovens por estes dias em mais uma nova edição da «Missão País» presente em 73 localidades de Portugal que levam jovens universitários, durante uma semana, a fazer missão durante a pausa letiva.

Quatro mil e 200 participantes, de 60 faculdades, em dias de fé, serviço e caridade, este ano com mais quatro lugares de missionação.

“Há sempre mais missões a abrir, este ano foram quatro e esperamos continuar a crescer para que mais pessoas possam missionar e também para que mais localidades possam ser missionadas”, afirmou António Líbano Monteiro, um dos chefes nacionais da Missão País 2025, acompanhado por Madalena Marques Videira, em entrevista ao Programa ECCLESIA, onde apresentam a edição onde a cor lilás toma conta do cartaz que representa o caminho, a inquietação e a transformação.

No rescaldo do Conselho Nacional da Pastoral Juvenil que esteve reunido em Aveiro, nos dias 31 de janeiro e 01 de fevereiro, o presidente da Comissão Episcopal Laicado e Família, considera que existe um “oceano imenso de desafios” na pastoral juvenil e que Jornada Mundial da Juventude tornou-se “património da humanidade”.

D. Nuno Almeida esclareceu ainda o trabalho que estão a realizar para criar um “quadro de referência”, que estabelece as linhas, os valores, os princípios, dar “vitalidade” à pastoral juvenil, “apontar caminhos concretos e decisões”, conciliando carismas e propostas pedagógicas “diversificados”, o documento, indica o responsável, “não vai ser nenhuma imposição”, mas pretende dar este testemunho “para fora, para a sociedade”.

O diretor do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil considera que a comitiva portuguesa na peregrinação dos jovens a Roma, no Jubileu da Esperança, que decorre este ano, vai “ser uma agradável surpresa” e está “muito entusiasmado” com o trabalho feito “nas dioceses, movimentos e congregações”.

Pedro Carvalho adianta que no dia 31 de março irão revelar o número de jovens portugueses que irão a Roma, participar no Jubileu, entre os dias 25 de julho e 5 de agosto.

No Vaticano, Francisco discursou na abertura da Cimeira Internacional sobre os Direitos da Criança, intitulada ‘Amemos e protejamos as crianças’, e afirmou que matar os mais pequenos significa negar o futuro”.

“A infância negada é um grito silencioso que denuncia a iniquidade do sistema económico, a criminalidade das guerras, a falta de assistência médica e de educação escolar. A soma destas injustiças pesa especialmente sobre os mais pequenos e os mais fracos. Dentro das organizações internacionais, isto é chamado de ‘crise moral global’.”

Em agencia.ecclesia.pt encontra mais notícias para ler, ver e ouvir.

Tenha um excelente dia!

Lígia Silveira




segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

El Papa denuncia la «práctica asesina del aborto», en la Cumbre Mundial de los Derechos de los Niños

Señaló que la infancia se ha convertido en «periferia de la existencia»

El Papa Francisco con los niños poco antes de la apertura de la Cumbre.

REL  03.02.2025 | 12:12Actualizado: 

Francisco inauguró este lunes la Cumbre Mundial sobre los Derechos de los Niños. En sus palabras, el Papa habló de la infancia que se ha convertido en "periferia de la existencia" y denunció el aborto que "suprime la vida" y "corta la esperanza de la sociedad".

“No es aceptable lo que lamentablemente hemos visto casi a diario en los últimos tiempos, a saber, niños que mueren bajo las bombas, sacrificados a los ídolos del poder, de la ideología y de los intereses nacionalistas. En realidad, nada vale la vida de un niño. Matar a los pequeños es negar el futuro”, dijo el Papa. 

En el acto de apertura de la Cumbre, los propios niños entregaron al Papa dibujos de colores y un mensaje agradeciéndole que escuchara sus preguntas.

El encuentro lo presentó el padre Enzo Fortunato, presidente del Comité Pontificio para la Jornada Mundial de la Infancia: "Estamos todos con usted – dijo dirigiéndose al Santo Padre – para salvaguardar la más importante reserva de amor, esperanza y vida".

A continuación, en inglés, el vicepresidente del Comité Pontificio, Aldo Cagnoli, señaló que vivimos tiempos de gran agitación, especialmente a causa de las guerras que ven a los niños como víctimas.

En su discurso, Francisco dirigió su mirada a las "periferias difíciles, donde los más pequeños son a menudo víctimas de fragilidades y problemas que no podemos subestimar". Periferias marcadas "por la pobreza, la guerra, la falta de escuela, la injusticia y la explotación. Periferias que no son sólo las polvorientas de una favela o un barrio marginal, sino también las periferias de los países ricos, donde el mundo no es inmune a la injusticia".

“Las escuelas y los servicios sanitarios tienen que vérselas con niños ya probados por tantas dificultades, con jóvenes ansiosos o deprimidos, con adolescentes que toman el camino de la agresividad o la autolesión. Además, según la cultura eficientista, la propia infancia, como la vejez, es una ‘periferia’ de la existencia", dijo Francisco.

Triste y preocupante, dijo el Papa, es la forma en que los jóvenes, "que son signos de esperanza en la sociedad", miran al mañana, abrumados por la falta de trabajo y de oportunidades que aniquilan los sueños. Pero, también, "matar a los pequeños significa negar el futuro" y a menudo se ven obligados a hacerlo jóvenes bajo los efectos de la droga, rehenes de bandas criminales.

"A veces – añadió Francisco – son maltratados o incluso reprimidos por quienes deberían protegerlos y cuidarlos; son víctimas de peleas, de angustias sociales o mentales y de las adicciones de sus padres".

Otra grave injusticia es la de los aproximadamente 150 millones de niños "invisibles" que no tienen existencia legal ni acceso a la educación o la atención sanitaria, por lo que se vuelven aún más vulnerables y pueden caer en la trata de seres humanos y ser vendidos como esclavos.

“Recordemos a los pequeños rohinyás, que a menudo luchan por ser empadronados, a los niños indocumentados en la frontera estadounidense, a las primeras víctimas de ese éxodo de desesperación y esperanza de miles de personas que suben del Sur a Estados Unidos, y a muchos otros”.

El Papa animó a escuchar también a los que no tienen derecho a hablar, como los niños suprimidos por el aborto, "una práctica asesina que corta la fuente de esperanza de toda la sociedad".

"Es importante escuchar: debemos darnos cuenta de que los niños pequeños observan, comprenden y recuerdan. Y con sus miradas y sus silencios nos hablan. ¡Escuchémoslos!".



Informação Partilhada do Núcleo Distrital de Beja da EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza 16-2025




Um dia para as crianças

Bom dia e boa semana para si que nos acompanha, 


O Vaticano acolhe hoje uma cimeira inédita, com responsáveis religiosos, políticos e da sociedade civil, para debater os problemas das crianças no mundo, ouvir também a sua voz e procurar soluções inspiradoras. O encontro foi recordado pelo Papa na recitação do ângelus, este domingo, numa intervenção em que reforçou o seu apelo a uma cessar-fogo global, por ocasião do Jubileu 2025, evocando as vítimas das guerras, como a que afeta a Ucrânia.

Por cá, o Patriarcado de Lisboa celebrou o percurso de serviço episcopal de D. Joaquim Mendes, na celebração do Jubileu dos Consagrados. Em Setúbal, D. Américo Aguiar anunciou novidades sobre a formação de leigos e a Diocese de Portalegre-Castelo Branco apontou às opções pastorais do futuro. A partir de hoje, o Porto acolhe as Jornadas de Teologia, dedicadas aos desafios da inteligência artificial.

A nossa programação de domingo contou com um olhar sobre a crise em Moçambique, na entrevista semanal Ecclesia/Renascença, e sobre a atualidade da Universidade Católica Portuguesa, numa conversa com a reitora da instituição, no Programa 70x7.

O Programa ECCLESIA volta à sua companhia, pelas 17h00, para lhe falar dos 4200 jovens universitários da Missão País, representando 60 faculdades, que chegam a 73 missões nos lugares mais diversos de Portugal.

Despeço-me com votos de boas notícias, sempre, 

Octávio Carmo



domingo, 2 de fevereiro de 2025

Coincidência Feliz

No dia 2 deste mês celebrámos a Apresentação de Nosso Senhor no Templo e a purificação de Maria Santíssima, coincidentemente dá se início aos Sete Domingos de S. José. Esta devoção aparece com o Papa Gregório XVI, concedendo múltiplas indulgências. O Santo Padre Pio IX deu-lhe um carácter perene como intercessor da Igreja universal.

Nestes dois acontecimentos ressalta a humildade de Maria e do Seu esposo. Aliás a Nossa Senhora no Magnificat afirma “… porque olhou para a humildade da sua serva…” Maria vai purificar-se apesar de ser a Imaculada, como não tinham nenhuma disposição para proceder de modo diferente, obedeceram a lei prescrita no A.T.. Por outro lado, Jesus vem ter com o Seu povo pela primeira vez. O verdadeiro templo faz-se presente naquele que seria destruído em breve. Ninguém dá por nada a não ser dois anciãos que profetizam quem é esse Menino e qual a Sua missão. José fica consciente de que Maria terá de sofrer muito e que ele não estará com ela para a consolar! Sofre, mas sofre calado, aguenta firme, no entanto, tem a alegria de ouvir que a salvação está prestes a ocorrer. Após estas notícias o que faz o casal, apregoa por toda a parte? Não remete-se ao silêncio, tendo uma vida com sobressaltos e alegrias como qualquer conterrâneo. Nada fazia suspeitar que nessa família estava presente o Filho de Deus e a mais prefeita de todas as criaturas, por isso trinta anos mais tarde vamos escutar: “Não é Este o Filho de José o carpinteiro?”

Nestas semanas que medeiam até 19 de Março será uma óptima ocasião para refletirmos sobre este silêncio tão eloquente!

Maria Guimarães

Corrida Miúdos e Graúdos




Dias: da UCP e da Vida Consagrada

Bom dia, paz e bem!!


Anualmente, o primeiro domingo de fevereiro é o Dia da Universidade Católica Portuguesa (UCP), este ano a celebração tem por tema ‘Saber como esperança’.

“Não são só os jovens, mas há toda uma área de inovação em pessoas que vão iniciar uma segunda ou terceira fase da sua vida, em que nós queremos também estar presentes” - Isabel Capeloa Gil

A entrevista à reitora da UCP é emitida dentro de momentos, pelas 07h30, no Programa 70×7, na RTP2.


As Comissões Diocesanas e Castrense de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis reuniram-se em Fátima, este sábado, no seu 4º encontro nacional. A reportagem da Agência ECCLESIA ouviu o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. José Ornelas, e a presidente da equipa de coordenação nacional das Comissões Diocesanas, Carla Rodrigues.

“Os nossos objetivos são primeiro tratar das pessoas que foram verdadeiramente afetadas por situações destas, segundo prevenir e tentar evitar o mais possível que isto aconteça, e estudar, isto é aquilo que neste momento eu acho algo de interessante e positivo” - D. José Ornelas

E esteve presente na parte aberta dos trabalhos, as conferências ‘ultrapassar a ponta do iceberg: abusos de poder e de consciência’, da irmã Ianire Angulo Ordorika, professora de Teologia, e ‘Abusos em contexto de Igreja e comunicação social’, um testemunho do jornalista João Luís Gomes”.


Hoje, 2 de fevereiro, é o dia da festa da Apresentação do Senhor no Templo e Dia Mundial da Vida Consagrada, o Papa, na celebração das primeiras vésperas, convidou os consagrados a meditar sobre o modo como, “através dos votos de pobreza, castidade e obediência”, podem “ser portadores de luz para as mulheres e homens do nosso tempo”.

Em Portugal existem 94 institutos femininos e 38 masculinos; o número de religiosas ronda as três mil e os religiosos serão cerca de 900.

O padre Adelino Ascenso, presidente da Conferência de Institutos Religiosos de Portugal (CIRP) disse que, na celebração do Jubileu, os homens e mulheres religiosos “devem ir ao encontro dos buscadores”, sem deixar de se reconhecer “também eles, buscadores”.

No primeiro dia de cada mês, a comissão coordenadora da tradução da Bíblia, da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), publica um novo texto. Neste dia 1 de fevereiro, chegou a segunda versão do livro dos Atos dos Apóstolos, revisto com os contributos dos leitores.

“Procurou-se, por outro lado, chegar a um texto que, continuando a ser o mais possível fiel ao original, evitasse literalismos duros e apresentasse um português mais escorreito (tendo em conta a finalidade litúrgica da Bíblia da CEP)”, explica.

Não se esqueça que pode ler e enviar os seus contributos – “achegas e comentários” – para o email biblia.cep@gmail.com

E hoje, como é domingo, estamos em dose dupla na rádio: No Programa Ecclesia, na Antena 1 da emissora pública, a partir das 06h00, e, a meio da manhã, a entrevista semanal conjunta Ecclesia/Renascença foi até Moçambique e conversou com o padre Kwiriwi Fonseca, missionário passionista e investigador sociopolítico. Mas pode ler pelas 09h30 em www.agencia.ecclesia.pt.

Votos de um bom domingo e peregrinação jubilar,
Carlos Borges




sábado, 1 de fevereiro de 2025

Convite para apresentação de livro



Nicarágua: noite de terror para 30 freiras clarissas

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Repressão sem tréguas

 | 31/01/2025

A feroz repressão que o regime de Daniel Ortega desencadeou há mais de seis anos contra a Igreja Católica na Nicarágua conheceu na madrugada de 29 de janeiro mais um episódio violento com a expulsão de 30 irmãs clarissas dos seus mosteiros em Manágua, Matagalpa e Chinandega. As religiosas, a maioria das quais é nicaraguense, foram levadas para paradeiro desconhecido, e não se sabe “se deixaram o país”, noticia a agência católica Gaudium Press de 30 de janeiro.

“Noite de terror para as religiosas: a ditadura sandinista notifica as religiosas clarissas para abandonarem de imediato as suas propriedades. Só permitiram que levassem alguns poucos pertences, apenas o que conseguiam transportar em mão” – escreveu na sua rede social Martha Patricia Molina, uma advogada nicaraguense exilada no Texas que acompanha de perto a perseguição à Igreja no seu país.

No mesmo dia 29 de janeiro, o Governo da Nicarágua cancelou, segundo noticia a Vatican News, o estatuto legal de mais 10 associações que operavam como organizações sem fins lucrativos, elevando o número total de ONG’s proibidas desde dezembro de 2018 para mais de 5.600, número que mostra à evidência a ferocidade do regime de Ortega contra toda e qualquer organização suspeita de não tecer loas aos seu Governo.

Recorde-se que a escalada repressiva do Governo de Daniel Ortega e de sua mulher, a vice-presidente Rosario Murillo, tem sido acompanhada pela aprovação de leis que, entre outras, obrigam todas as freiras a deixarem o país até ao final do ano passado. Com o objetivo de conferir uma fachada legal à repressão dos últimos anos, no final de 2024 foi aprovada uma reforma constitucional que entrará em vigor no próximo mês de fevereiro e que dá poder absoluto ao Presidente, para garantir que o Estado “monitorará” a Imprensa e a Igreja para as impedir de defenderem “interesses estrangeiros”.

Daniel Ortega foi reeleito, em novembro de 2021, para um quinto mandato presidencial, o quarto consecutivo, em eleições largamente contestadas.

(Foto de destaque © Martha Patricia M/ X/ Gaudium Press.)