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quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Carta de um sacerdote católico ao New York Times

Querido irmão jornalista


Sou um simples sacerdote católico. Sinto-me feliz e orgulhoso de minha vocação. Faz vinte anos que vivo em Angola como missionário.

Vejo em muitos meios de comunicação, sobretudo em vosso jornal a ampliação do tema, de forma maldosa, investigando em detalhes a vida de algum sacerdote pedófilo. Assim, aparece um de uma cidade do USA, na década de 70, outro na Austrália dos anos 80 e assim pela frente, outros casos recentes... Certamente todos condenáveis! Existem apresentações jornalísticas ponderadas e equilibradas, outras amplificadas, cheia de preconceitos e até ódio.

Sinto uma grande dor pelo profundo mal que pessoas, que deveriam ser sinais do amor de Deus, sejam um punhal na vida de inocentes. Não há palavras que justifiquem tais atos. Não há dúvida que a Igreja não possa estar, senão do lado dos frágeis, dos mais indefesos. Portanto, todas as medidas que sejam tomadas para a proteção, prevenção da dignidade das crianças, será sempre uma prioridade absoluta.

Mas, é curiosa a pouca notícia e desinteresse por milhares de sacerdotes que se dedicam por milhares de crianças, pelos adolescentes e pelos mais desfavorecidos nos quatro cantos do mundo! Penso que para vosso jornal não interessa que eu já tive que transportar, por estradas minadas no ano de 2002, a muitas crianças desnutridas desde Cangumbe a Lwena (Angola), pois nem o governo se dispunha a fazê-lo e as ONGs não estavam autorizadas a prestar socorro; que já tive que enterrar dezenas de pequenos mortos entre as vítimas da guerra e também os que haviam retornado; que já havíamos salvado a vida de milhares de pessoas no México diante do único posto médico em 90.000 Km2, assim como a distribuição de alimentos e sementes. Que havíamos dado a oportunidade de educação nestes 10 anos e escolas a mais de 110.000 crianças.

Não é de interesse que com outros sacerdotes tenhamos que socorrer a crise humanitária de cerca de 15.000 pessoas nos acampamentos da guerrilha, depois de sua rendição, porque não chegavam os alimentos do governo e da ONU. Não é noticia que um sacerdote de 75 anos, o Pe. Roberto, durante as noites percorra as ruas da cidade de Luanda curando os homens de rua, levando-os a uma casa de acolhida, para que se desintoxiquem das drogas, que alfabetizem centenas de presos; que outros sacerdotes, como Pe. Stefano tenham casas de passagem para os jovens que são golpeados, maltratados e até violentados e buscam socorro.

Tampouco que Frei Maiato com seus 80 anos, vá de casa em casa confortando os doentes e desesperados. Não é noticia que mais de 60.000 dos 400.000 sacerdotes e religiosos tenham deixado sua terra e sua família para servir a seus irmãos em um leprosário, em hospitais, campos de refugiados, orfanatos para crianças viciadas ou órfãos de pais que faleceram com AIDS, em escolas para os mais pobres, em centros de formação profissional, em centros de atendimento a seropositivos... ou sobretudo, em paróquias e missões dando motivações para as pessoas viver e amar.

Não é noticia que meu amigo, o Pe. Marcos Aurélio, para salvar alguns jovens durante a guerra em Angola, os tenha transportado de Kalulo a Dondo e voltando a sua missão tenha sido metralhado no caminho; que o irmão Francisco, com cinco senhoras catequistas, por ir ajudar nas áreas rurais mais distantes tenham sido mortos em um acidente na rua; que dezenas de missionários em Angola tenham morrido por falta de socorro, por uma simples malária; que outros tenham sido jogados para o alto por causa de uma mina quando visitavam seus parentes. No cemitério de Kalulo estão os túmulos dos primeiros sacerdotes que chegaram nesta região... Nenhum tem mais de 40 anos.

Não é notícia acompanhar a vida de um Sacerdote “normal” em seu dia a dia, em suas dificuldades e alegrias, consumindo sem alarde sua vida em favor da comunidade a que serve.

A verdade é que não procuramos ser noticia, apenas e simplesmente levar a Boa Noticia, essa noticia que sem barulho começou na noite de Páscoa.
Faz mais barulho uma árvore que cai do que um bosque que cresce.

Não pretendo fazer uma apologia da Igreja e dos sacerdotes. O sacerdote não é nem um herói nem um neurótico. É um simples homem, que com sua humanidade busca seguir Jesus e servir seus irmãos. Há muitas misérias, pobrezas e fragilidades como em cada ser humano; e também beleza e bondade como em cada criatura...

Insistir de forma obcecada e perseguidora em um tema perdendo a visão do conjunto cria verdadeiramente caricaturas ofensivas do sacerdócio católico na qual me sinto ofendido.

Só lhe peço amigo jornalista, busque a Verdade, o Bem e a Beleza. Isso o fará nobre em sua profissão.

Em Cristo

Pe. Martín Lasarte sdb
“Meu passado Senhor, o confio a tua Misericórdia; meu presente a teu Amor; meu futuro a tua Providencia”.



Igreja, Família, Matrimónio e Amor Revitalizados em Dublin, Irlanda

Dublin, Irlanda, uma cidade em festa no Encontro Mundial das Famílias que se realizou de 22 a 26 de Agosto de 2018. A Cerimónia de abertura deu-se simultaneamente nas 26 dioceses da Irlanda que foram convidadas a tocar os sinos para marcar o início das atividades.

O tema da 9ª edição do Encontro Mundial das Famílias esteve centrado na exortação apostólica pós-sinodal Amores Laetitia, do Papa Francisco: “O Evangelho da Família, alegria para o mundo”. O tema foi aprofundado ao longo dos três dias de congresso por meio de palestras, debates, testemunhos, além de actividades para crianças e jovens.

Cardeais, teólogos, religiosos e leigos estavam encarregados de conduzir as actividades, que percorreram os mais diversos tópicos do documento papal, abordando desde a preparação para o matrimónio nas paróquias até à espiritualidade da família. Temas actuais como o acolhimento e inclusão de homossexuais nas comunidades e os desafios no âmbito familiar também fizeram parte da programação.

O verão de Dublin neste Agosto de 2018, foi matizado com a festiva mistura de bandeiras e rostos, numa multidão de turistas que se confundiam com numerosos grupos de peregrinos, acompanhados por bispos e sacerdotes. Eram famílias de todo o mundo, num total 37 mil participantes provenientes de 116 países, para testemunharem a sua fé e confiança, animadas pela mesma luz: "A família é o berço da vida e escola de acolhimento e de amor; é uma janela aberta sobre o mistério de Deus ".

Contrariando a "cultura do descarte" foi realçada a beleza do amor sexual recordando a Exortação Apostólica "Amoris Laetitia", onde se sublinha que "a sexualidade não é um meio de gratificação ou entretenimento", mas uma linguagem interpessoal em que o outro é levado a sério, "na sua dignidade sagrada e inviolável". "O amor sexual que leva as pessoas a sair de si mesmos é marcado por uma incomparável dignidade e beleza".

 “Os casais que não têm medo de comunicar explicitamente os seus desejos recíprocos abrem caminho à comunhão". "Na pornografia em vez disso não há comunicação recíproca, nenhum desejo compartilhado e nenhum movimento para a comunhão. As pessoas são levadas a um isolamento opressivo".

As famílias vivem todos os dias mil dificuldades e “nem tudo se transformará magicamente após Dublin 2018, não estaremos isentos dos desafios e dos problemas diários”; mas “se tivermos vivido uma experiência de Igreja, de comunhão, sem preconceitos, em que cada um enriquece o outro com o próprio testemunho de vida, então poderemos levar para casa um método eclesial baseado no viver a comunhão, a partilha, além de alguns instrumentos para ser fiéis à nossa vocação e ser verdadeiramente felizes”.

Num momento em que na Irlanda está muito acesa a luta pelo aborto, na qual embora não fazendo parte do seu programa eleitoral, o primeiro-ministro Leo Varadkar, de origem hindu, está empenhadíssimo na sua legalização a expensas do estado, sem tão pouco admitir a possibilidade da objecção de consciência por parte dos profissionais de saúde.

O Papa Francisco despediu-se da Irlanda no final da tarde de Domingo, dia 26, concluindo assim a 24ª Viagem Apostólica de seu Pontificado, após presidir à Missa conclusiva do IX Encontro Mundial das Famílias, no Phoenix Park, deixando uma mensagem de esperança, encorajando o clero e os leigos irlandeses a comprometerem-se na renovação da sua fé e no compromisso com o Evangelho.

Os Encontros Mundiais das Famílias tiveram início na cidade de Roma, em 1994, por iniciativa do Papa João Paulo II, repetindo-se cada 3 anos. O último tinha sido em Filadélfia, nos EUA e o próximo encontro terá lugar em Roma, em 2021.

Mariano Romero



Como manteiga ao sol…

Em quarto minguante anda há alguns anos a riqueza do vocabulário e o recurso a termos específicos, empregues no deambular de uma conversa ou na elaboração de um texto escrito.

A tendência de apequenar as expressões e o recurso sistemático a monossílabos e palavras de “origem duvidosa”, reduziram de forma “viral” as conversas entre jovens, extensiva a alguns pais e avós que julgam ser “empático” imitar a juventude e falar como eles.
De acordo com alguns pedagogos e linguistas, nos anos 40 e 50 as crianças dominavam cerca de dez mil palavras o que lhes permitia ler poesia, declamar e recorrer com muita frequência aos dicionários, sempre na espectativa de aprenderem mais vocábulos. Nos anos 60 e princípio dos 70, este conhecimento baixou para oito mil, porém não cessou de diminuir atingindo níveis assustadores nos anos 90.
Especialistas referem que o uso da palavra nunca esteve tão empobrecido e que os jovens de hoje têm um reduzidíssimo número de vocábulos para comunicar, consequência também do tempo parado e passado em frente da televisão e do recurso a outros meios de comunicação.
Leem pouco, conversam pouco, ausentes de vocábulos e carentes de ideias em consequência desta pobreza de palavras, também o seu pensamento, a sua capacidade de argumentar, compreender, discernir e decidir fica limitada e parca.
Sem palavras e só com pouco mais de cem palavras, gera-se um pensamento débil, o qual torna possível um termo que, talvez, nem percebam bem o seu significado, mas que se chama R-E-L-A-T-I-V-I-S-M-O, pois em terra de cego quem diz que tem olhos impera. Se o pensamento se estrutura na palavra, o que virá para esta geração cuja brandura de capacidade de discernir se derrete como manteiga ao sol…
Ana Maria d´Oliveira



Sibéria, um local onde a fé não congelou

Pensar em Sibéria implica sentir um gélido frio aliado à recordação dos tenebrosos gulags soviéticos, do exilio forçado em campos de trabalho russos para todos os que eram considerados “personas non gratas” ao regime comunista.

Num horizonte infinito de terras brancas, com um frio tão intenso que chega a atingir os 40% negativos, este é um lugar que ninguém escolhe de livre vontade para viver.

Porém, nem as condições climáticas, nem o ateísmo soviético imposto, extinguiram a fé dos católicos siberianos que mantiveram as suas tradições e orações, graças às pessoas mais velhas, nomeadamente mulheres, que as foram transmitindo de geração em geração, não obstante a clandestinidade ou, talvez, mesmo em consequência desse desterro, viam em Deus a única hipótese de alento e de salvação.

O ardor com que a fé foi mantida, terá sido consequência dum alento e uma necessidade imensa de Deus, aliados a um fervor que os levou a rezar o terço, oração que nunca abandonaram e à qual atribuem a incrível evidência de sobreviverem na clandestinidade sob repressão e todo o tipo de pressão física, psíquica e moral.

Hoje existe ali uma comunidade viva para a qual foi destacado um jovem missionário italiano, Paolo Paganini, que trocou Milão, sua cidade natal, pelas colinas geladas duma igreja de exilados, ciente de que é esta a vontade do Senhor, ajudar a manter a chama viva da Fé, que nem as grandes distâncias, nem os gelos, nem as perseguições conseguiram debelar.

São estas notícias e tantas outras como esta, que nos permitem acreditar que vale a pena, não estamos sós. Se Deus está connosco, quem pode estar contra nós?

Maria d´Oliveira



Su adolescencia la pasó entre drogas y robos, pero en la cárcel encontró a Cristo al confesarse

Jan Krzesz es ahora un apóstol entre el resto de presos como él





Jan llevaba casi dos años en una cárcel polaca esperando condena y no tenía perspectiva alguna para su futuro. Cada día transcurría lento para este joven nacido en Breslavia (Polonia) pensando obsesivamente en su porvenir inmediato, explica la web Camino Católico. Sería una condena a cadena perpetua o al menos 25 años entre rejas en el mejor de los casos. Esto no lograba asimilarlo y siendo de carácter compulsivo, una sola idea ocupaba su mente…
La inocencia perdida
Jan Krzesz (nombre ficticio, para proteger a su familia) reconoce que no hubo durante su infancia o adolescencia experiencias que condicionaran sus conductas posteriores y las consecuencias que lo llevaron a prisión. Habla con nostalgia de la formación católica, hábitos de fe y sana afectividad vivida en el grupo familiar. “Tuve una infancia estupenda: estaba rodeado de amor y de la custodia divina. Nada anunciaba la tragedia que iba a sobrevenirme”, puntualiza.
En el colegio destacaba en los deportes y era hábil en los estudios, siendo reconocido por sus pares que solían nombrarlo delegado de curso. A sus 13 años, comenzó a experimentar algunos cambios propios de la edad y a sentirse muy atraído por todo lo que venía de la Europa Occidental, Estados Unidos y en especial las películas en videocasete. Fue entonces que un hecho significativo desbarató el alma de Jan…
“Satanás me mordió y me contagió con su veneno estando todavía en la escuela. Un día, un compañero de clase me invitó a su casa, bajo secreto total, a ver una película porno. Después de visionarla, en mi vida se metió la impureza, apoderándose de mí de una manera enfermiza. Así fue mi comienzo con el mal”. Recuerda este joven polaco que desde ese momento su vida fue de mal en peor y aunque de vez en cuando tenía momentos de paz, “el conjunto fue un desastre…”.
 
Ni el llanto de su madre lo conmovía
Consumir a diario alcohol, tabaco, drogas e irse de copas por la noche era su agenda cotidiana. Como no trabajaba y necesitaba financiar los vicios, comenzó a robar; primero fue a sus padres, luego las víctimas eran personas del vecindario familiar y de ahí sus fechorías las efectuaba incluso en otras ciudades. “Mi pobre madre estaba siempre en la ventana esperando a ver si yo volvía. Recuerdo su rostro cubierto de lágrimas y de angustia… Pero a mí nada me conmovía, era insensible a cualquier argumento y nada me podía convencer: solamente contaba el dinero… Se me había metido esto en la cabeza: llegar a ser alguien importante en la calle. El trabajo honesto no me interesaba, porque despreciaba a la gente honrada y no contaba con ella para nada”.
Finalmente comenzaron los arrestos, el primero cuando tenía 18 años. Como en muchos lugares del mundo, las prisiones de Polonia no lucen por sus logros en reinserción y para Jan el tiempo preso fue sólo un período de aprendizaje y formar vínculos para nuevos delitos… “Me arrestaban una vez cada varios meses. Yo me creía que era dueño de la situación…”.
Viviendo bajo el código de honor de los delincuentes
Antes de cumplir los 21 años la delincuencia era su única fuente de ingresos, sin importarle cuánto dolor causaba, ni menos las consecuencias en su alma. Con un colega conocido en prisión, lideraban una banda de robos a mayor escala que les financiaban lujos y juerga. Incluso cuando en un atraco –sin intención previa, dice Jan- terminaron con la vida de una víctima, no se detuvo…
“Por desgracia, eso no nos enseñó nada y yo incluso después me metí más de lleno en el mundo de la delincuencia. Me impresionaba su brutalidad y el hecho de que la gente me tuviera miedo. Para mí solamente contaban mis socios y el código de honor de los delincuentes. Iba por la vida sembrando destrucción, llanto, terror e injusticia…
Su carrera delictiva se detuvo tras ser detenido el año 2007. Pensó que era un trámite como en tantas otras ocasiones. Pero esta vez alguien se ocupó de investigar y lograr un acuerdo con el socio de Jan. Su cómplice lo traicionó. “Lo desembuchó casi todo, especialmente los delitos más graves… Me quedé hecho polvo. Yo contaba con que tendría que responder por ello, pero entonces solamente pensaba en suicidarme. Sin embargo, Dios también tenía un plan…”.
En ese plan fueron varios los “socios” que –sin saberlo incluso- sirvieron a Dios para que Jan alcanzara sanación y liberación. El primero fue su compañero de celda: “Un tipo que rezaba y escuchaba la emisora católica Radio María”, recuerda el joven polaco. El golpe maestro del amigo de celda fue invitar a Jan que lo acompañase a ver al cura, quien venía una vez por semana a la cárcel. A regañadientes aceptó, cruzó un par de frases con el sacerdote y dio por concluido el encuentro. Pasaron meses en que no volvió por donde el cura, hasta que su compañero poco a poco, nuevamente logró que le acompañara. Lo que desde ese encuentro ocurrió, lo narra el propio Jan en primera persona:
 
Un 24 de agosto, aniversario de su liberación
“El cura me habló de confesarme, después mi compañero me dijo lo mismo. Pensé: ‘¿Confesarme? ¿Por qué no? Si no es más que una confesión, no me va a pasar nada por hacerlo. He estado en tantos sitios y he visto tantas cosas diferentes que confesarme no es ni un problema ni un reto para mí. Iré, le diré algo y ya está’. ¡No me daba cuenta del poder de este sacramento!
En la charla con el cura recibí un librito sobre el sacramento de la reconciliación. Le dije que me prepararía a conciencia, porque la mía iba a ser una confesión de más de diez años, pero no me preocupé demasiado por eso. Quedé con el cura en que me confesaría dos semanas más tarde. Mientras hojeaba el librito, me dolía un poco la barriga…
Llegó el día 24 de agosto de 2009. Fui a confesarme. No soy capaz de describir lo que me pasó: lágrimas, llanto, sollozos, un dolor que me partía el cuerpo… El Espíritu Santo expulsó de mí todo lo que era malo. ¡Nunca había llorado así, nunca había vivido nada parecido, esa fuerza tan grande! No entendía qué es lo que me estaba pasando. Rompí a llorar, no podía respirar, y el Espíritu Santo llevó a cabo Su gran limpieza, hasta que no me quedó nada dentro… Expulsó de mí todo mal, todas mis aberraciones y me devolvió la vida.
Volví de la confesión cambiado. Había empezado para mí una nueva vida: una vida en Dios y con Dios. Desde el primer día, Dios me mostró Su poder: muchos de mis defectos desaparecieron al instante, otros al cabo de un tiempo. Dios me acompañaba a cada paso y me envolvía con Su protección. Cuando contemplo mi “antigua” vida, no consigo entender cómo he podido vivir tantos años sin Dios… Y ahora Él lo es todo para mí. Estando en la cárcel, tengo la posibilidad de ayunar y rezar. Me he consagrado enteramente a Dios y a Él pertenezco.
Desde mi confesión, todo ha cambiado. Dios es el centro de mi miserable vida y la enriquece con Su presencia. Él ocupa el primer lugar, solo Él cuenta, y todo lo demás pasa a un segundo lugar. Empecé una vida nueva: llevo el escapulario del Carmen; rezo el breviario, el Rosario, la coronilla de la Divina Misericordia y otras muchas oraciones.
Aquí tengo un paraíso maravilloso y estoy rodeado de santos. A veces otros se ríen de mí, pero yo no me desánimo y sigo rezando, también convenzo a otros reclusos para que recen. Incluso hemos llegado a que, para rezar, nos ponemos en círculo y oramos juntos.Al principio, otros presos se burlaban de nosotros, pero ahora de alguna manera nos van aceptando poco a poco. Si alguien quisiera arrebatarme a Dios, ya no quiero vivir sin Él. Lo amo y me entrego con todo mi ser a María y a Jesús, y todo ello en el Espíritu Santo”.

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Iowa, avanza la ley que prohíbe el aborto en fetos a los que se les escucha el latido del corazón




Rebecca Kiessling en la sede de la
Corte de Iowa
El Congreso de Iowa (Estados Unidos) ha aprobado este año un proyecto de ley que prohíbe el aborto después de detectarse el latido del corazón del bebé no nacido. Sin embargo la ley establecería ciertas excepciones cuando se trate de violación e incesto, o cuando se encuentre en riesgo la vida de la madre. Los latidos cardíacos del feto se pueden detectar alrededor de las 6 y 7 semanas de embarazo.
A continuación ofrecemos el testimonio que Rebecca Kiessling, presidenta de la organización provida Salvar El 1, concebida en una violación, ofreció ante la Corte de Iowa explicando que no deben hacerse excepciones ante la defensa de la vida: "Aceptar el aborto en algunos supuestos es discriminatorio y supondría afirmar que yo no debía tener derecho a la vida por el modo en cómo fui concebida", argumentó. Salvar El 1 es una organización conformada por personas concebidas en violación y madres por violación (incesto o tráfico sexual), así como cientos que recibieron un diagnóstico prenatal de "incompatibilidad con la vida". Rebecca fue concebida en una violación y actualmente es abogado pro vida, conferenciante internacional, esposa y madre de 5 hijos.
Nuestros corazones también laten como los de los demás
Muchos de ustedes habrán oído que la Ley del latido fetal de Iowa está siendo objetada por Planned Parenthood en un tribunal estatal y que nuestra organización Salvar El 1 ha presentado una moción para intervenir. Soy la fundadora y presidenta de Salvar El 1, así como uno de sus abogados; soy también conferenciante y escritora pro vida internacional, habiendo sido concebida en violación y casi abortada. Debo mi nacimiento a la ley que me protegió en Michigan, exactamente 4 años antes que Roe vs Wade entrara en vigor. Ahora somos una organización global de más de 600 personas concebidas en violación y madres por violación (incesto o tráfico sexual), así como cientos que recibieron un diagnóstico prenatal de "incompatibilidad con la vida". Nos especializamos en defender los llamados "casos difíciles", que es el motivo por el que nos invitaron a testificar en el proyecto de ley de Iowa así como también en el proyecto ley Vida Desde la Concepción el año pasado.
La ley, si se confirma, protegería a los niños no nacidos que tienen latido cardíaco detectable, excepto "cuando el aborto sea médicamente necesario" y define como "médicamente necesario" a los casos de violación, incesto y anormalidad fetal, por lo que el proveedor del aborto es el único árbitro de estas determinaciones, sin más informes requeridos para el estado. Estas excepciones se agregaron sorprendentemente a última hora, supuestamente porque ciertos legisladores en la Cámara no firmarían la ley sin excepciones. Pero incluyeron una cláusula de separabilidad, que permitiría al tribunal suspender cualquier disposición que se considere inconstitucional, al tiempo que se mantiene el resto de la ley; esta es la razón por la que presentamos nuestra moción para intervenir.
Salvar El 1 busca que se eliminen las disposiciones discriminatorias, con el resto de la ley confirmada. Las excepciones dentro de la ley violan nuestro derecho fundamental a la vida, privándonos del debido proceso y la misma protección bajo las constituciones de Iowa y de los Estados Unidos. Después de todo, nuestros corazones laten igual que los de los demás. Tal vez puedan imaginarse lo horrible que resulta cuando estos políticos sugieren que era "médicamente necesario" que mi madre biológica me matara. De hecho, Planned Parenthood argumentó en su informe que es "humanitario" terminar la vida de personas como nosotros. También sugirieron que solo somos amados por nuestras madres porque eligen la vida. Pero la mía no: eligió el aborto y, sin embargo, hoy ella me ama. Soy tan digna de amor y vida como cualquier otra persona y merecía la protección que recibí antes de Roe v Wade.
Tenemos tres abogados que representan a SalvarEl1: Erin Mersino, abogado pro vida de Derecho Constitucional de Michigan, Eric Borseth, abogado de Iowa y miembro de la junta directiva de Personhood (Personalidad) Iowa, y yo.
 
Como abogado pro-vida, esta es la razón por la que estudié Leyes; de hecho, nací para esto. Lo más egoísta que podría hacer sería, simplemente, vivir mi vida sin preocuparme por los demás que están en una situación similar y con riesgo de ser abortados. Son tan dignos de la vida como yo y tan dignos de protección como cualquier otro corazón latente. Mi vida se salvó por un propósito, y entendí perfectamente la magnitud del momento mientras defendía mi derecho a la vida en la corte el jueves pasado, junto con el resto de mi grupo y los otros casos difíciles que fueron blanco de exterminio por la ley.
Si la corte niega nuestra moción para intervenir, llevaremos el caso a la corte federal que es donde debería llegar de todos modos, porque la Corte Suprema de Iowa recientemente dictaminó a favor del derecho a un aborto a fines de junio bajo el amparo de la constitución del estado de Iowa que es mucho más amplia que bajo el régimen de Roe vs Wade y su progenie. Si se nos concede nuestra moción, intentaremos trasladar todo el caso a la corte federal, que supone la única esperanza de que se respete la Ley de Latidos Fetales de Iowa. Sin nosotros, esta ley está muerta en los tribunales de Iowa.
El juez del condado de Polk quería saber si alguna vez se había presentado antes un caso como éste, ya que Planned Parenthood había dicho repetidas veces que esto no tenía precedentes. Le dije al juez que no había una red de personas como nosotros hasta que fundé Salvar El 1. Y le dije a la corte que, si la excepción hubiera sido en casos de violación bi racial o en casos de bebés negros, la Asociación Nacional para el Progreso de las Personas de Color (la NAACP) sería la que buscaría intervenir en nombre de ellos y habría una protesta nacional contra tal discriminación y odio legalizados. Pero la gente simplemente está acostumbrada a que mi grupo sea el chivo expiatorio y continúan perpetuando el mito de que nuestras madres están mejor con nosotros muertos. Sin embargo, las víctimas de violación tienen cuatro veces más probabilidades de morir durante el siguiente año después del aborto. Los traficantes de sexo, los abusadores de niños y los violadores adoran el aborto y la clínica de abortos es su mejor aliado. Se ha descubierto y hecho público cómo Planned Parenthood encubre la violación, el abuso de menores y el tráfico sexual. Destruyen la evidencia y permiten que estos perpetradores continúen realizando sus crímenes. La verdad es que un bebé no es lo peor que pueda pasarle a una víctima de violación; el aborto sí lo es.
También le describí al juez la eugenesia que existe dentro de la comunidad médica que no solo presiona a los padres a abortar, sino que luego se niega a tratar a estos niños una vez que nacen.
Merecemos nuestra presencia en la corte para mostrar la verdad y se presenten todas estas pruebas.
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XXXII Encontro da Pastoral Social, 4-6 Setembro

Vimos ao seu encontro para o(a) lembrar do XXXII Encontro da Pastoral Social.


As inscrições devem ser submetidas no formulário electrónico,  o pagamento efectuado por transferência bancária para o NIB indicado e o respectivo comprovativo de transferência enviado para o e-mail deste Secretariado Nacional.

Caso deseje ficar alojado no Steyler Fátima Hotel - onde decorrerá o Encontro - aconselhamos a que formalize a inscrição e


solicite reserva de alojamento com a maior brevidade visto que decorrerá em simultâneo o Simpósio do Clero e estão previstas dificuldades na obtenção de alojamento.

Formulário de inscrição: https://goo.gl/forms/xWpQAw6q7VSzV64F3
Programa e 
informações



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Secretariado Nacional da Pastoral Social
Quinta do Bom Pastor 
Estrada da Buraca, 8-12
1549-025 Lisboa


T 218 855 495






El Partido Comunista Chino lo tiene claro: o sus funcionarios abandonan la fe o abandonan el Partido



Quien permanece firme en sus propias creencias religiosas debe dejar el Partido comunista (PCC). Es una de las nuevas reglas sobre el comportamiento de los propios funcionarios: stop a las creencias religiosas y a la difusión de habladurías políticas que puedan “dañar la unidad del Partido”, informa la agencia de noticias AsiaNews.
La Comisión central para la inspección de la disciplina las publicó hace dos días, si bien están en vigor desde el 18 de agosto y representan prácticas ya en acto desde hace tiempo. El castigo por la violación de estos reglamentos es en general la expulsión del PCC; en el caso se hayan violado las leyes, se puede también iniciar un proceso penal.
El texto prevé que los funcionarios con “fuertes creencias religiosas”, deben ser instruidos: “Si ellos no cambian de idea ni siquiera después de la ayuda y la instrucción de la organización del Partido, deberán ser alentados a dejar el Partido”, explica el reglamento comunista.
Un ulterior cláusula prevé la prohibición de “distorsionar” la historia del país. Hasta ahora se hablaba sólo de la historia militar o de la historia del propio PCC.
La nueva normativa disciplinar se coloca en un cuadro de severo control del Partido sobre los propios miembros, a los cuales está prohibido pertenecer a una confesión religiosa incluso después de jubilarse. Según datos de hace 5 años atrás, casi el 25% de los miembros del Partido cree en alguna religión. Desde hace años, el presidente Xi Jinping lleva adelante una campaña de control contra los miembros del PCC, una dura lucha a la corrupción- que a menudo afecta a los adversarios políticos- y contra las religiones. Desde hace meses, el PCC ha iniciado una campaña de “sinización” de las religiones que mira a la asimilación de los fieles a la cultura y a la sociedad china y, sobre todo, la sumisión al Partido.

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De violento pandillero a YouTuber, cantante y sacerdote: Dios tiene un momento para cada uno

Las lágrimas de su madre contribuyeron a su conversión


Rob Galea, el Señor lo rescató de lo más bajo y le llamó al sacerdocio


Se ha hecho habitual que los medios de comunicación informen a diario de hechos que involucran violencia, delitos, drogadicción y corrupción en los cuales son protagonistas jóvenes, adolescentes y niños. Rob Galea era uno de esos adolescentes.
El descalabro de su vida no fue gatillado por la pobreza, el abuso o el historial delictivo de los padres ni del medio social en que había crecido. Al contrario, había tenido una infancia siendo amado, protegido, criado en la fe católica y disfrutando un entorno idílico, de tardes familiares en el mar que rodeaba su hogar, en la isla de Malta.
Consecuencias del acoso escolar (bullying)
Pero no fue capaz de soportar el dolor -explica la web Portaluz-, sumado al abuso de sus pares y se quebró. En un corto período de tiempo habían fallecido dos de sus queridos abuelos. Y para sumar presión emocional, los compañeros de la escuela lo sometían a un acoso constante, burlándose de su apariencia. El estado mental de Rob se alteró al punto de auto-agredirse para no pensar ni sentir dolor. “Mi autoestima fue destrozada. Estaba convencido de que no valía nada”, escribiría años después en su autobiografía Breakthrough: A Journey from Desperation to Hope (Ave Maria Press, 2018).
Luego surgió en él una contra-reacción, agresiva. Así, a los 14 años sintiendo rechazo hacia sus padres gastaba las horas del día y la noche en bares o cualquier lugar donde pudiera evadirse bebiendo, fumando. Para obtener dinero y financiar aquellos excesos se hizo experto en mentir a su familia y luego comenzó a robar tiendas, gozando la adrenalina del momento. El paso siguiente vino tras unirse a una pandilla, descargando su violencia sobre cualquiera y también drogándose. El vértigo de aquellos años tuvo un punto de quiebre cuando por ostentar ante sus pares puso su vida en peligro al filtrar información sobre un traficante de drogas.
 
Rob con su madre
El poder de la oración de una madre
Tenía 17 años, estaba fuera de control, desesperado, consumido por la angustia y la soledad. “…Sólo veía dos maneras de acabar con mi miseria. Uno era que alguien, en algún lugar, se acercara y de alguna manera me salvara, o dos, que acabaran con mi propia vida", confidencia.
Quien jamás bajaría los brazos era Anne, su madre. Aunque sentía que humanamente ya nada podía hacer por su hijo, se aferró con fe a la oración. Sin que Rob lo supiera, ella se paraba afuera de la puerta de su habitación y oraba mientras lo escuchaba sollozar. Rezar era todo lo que podía hacer por su hijo porque él no la dejaba ayudarlo. “¡Dios, tú sabes que seguiré aquí de rodillas hasta que tú salves a mi pequeño angelito!” oraba en silencio su madre, confidencia Rob en diversos registros audiovisuales de su testimonio… “Honestamente, hoy estoy acá gracias a la oración perseverante de mi madre, por sus oraciones de rodillas por mí. Así que les digo a todos ustedes quienes son madres y están orando por sus hijos, pero también a quienes quizás saben que sus madres están orando por ustedes en este momento: No se den por vencidos. Perseveren. Porque Dios es capaz de hacer grandes milagros cuando nosotros oramos, y aún más cuando perseveramos en la oración”.
 
Los frutos de la oración
Pasaron meses, un par de años y esa madre no paró de clamar al cielo. Finalmente, una llamada telefónica de la abuela que aún vivía, invitando a la hermana de Rob, Rachel, a un encuentro de jóvenes católicos, motivó al joven. Le preguntó a su madre si podía ir con su hermana a esa actividad. Dos cosas tocaron el alma de Rob en el encuentro: uno, la alegría de esos jóvenes que expresaban sin temor su amor por Cristo y dos, una frase del sacerdote en la prédica, simple pero significativa para él; y era: 'no teman hablar con Jesús'.
Cuando llegó a casa, estando solo a puerta cerrada en su habitación, tuvo un impulso y lo llevó a cabo. Colocó dos sillas, una frente a la otra y tras sentarse en una de ellas cerró sus ojos y mentalmente invocó a Jesús pidiéndole que se sentara frente a él.
 
Y Dios se hizo presente
Luego, todos los días repetía este acto y comenzó a sincerar su corazón, hablando con Jesús de su vida y temores, orando, imaginando que Cristo estaba allí con él. Hasta que un día al abrir sus ojos, cuenta Rob, la otra silla no estaba vacía. "Algo me hizo esperar aquel día en oración silenciosa durante más tiempo de lo habitual y fue entonces cuando Dios me respondió", detalla Rob Galea en su ya citado libro describiendo así esa extraordinaria revelación:
"Fue como si el Espíritu Santo hubiera escogido ese momento para ayudarme a deshacerme de la furia interior, la soledad y el arrepentimiento que todavía quedaba en mi corazón. Pasé horas quebrantado ante el Señor que me privilegiaba de tal modo y luego mi oración solo fue: «Dios, quiero pasar el resto de mis días viviendo por esto y dando esto que he recibido a otras personas». Experimenté el amor de Dios y ese encuentro me cambió para siempre”
Una Iglesia derretida por Amor de Cristo
Rob Galea hizo un proceso en los meses siguientes de discernimiento y el 5 de noviembre del año 2010 fue ordenado sacerdote en la parroquia St. Julian (Malta). Su particular carisma y testimonio que identifica en particular a los jóvenes le llevó a fundar el movimiento juvenil de formación y acompañamiento Stronger Youth program.

El padre Rob es también un conocido artista discográfico y youtuber cuyos videos son destacados en Portaluz. Cree que “las turbulencias actuales de la Iglesia” son porque “hemos perdido el foco”. Más preciso aún señala: “Perdimos el foco de que todo se centra en Cristo. Todo se trata de comunicar su esperanza, donar el Amor. Si pudiéremos todos, por un instante, contemplar este misterio de Dios nuestra Iglesia estaría derretida por su Amor”. “…Nada me trae más alegría que celebrar a Jesús en la Eucaristía. Por mucho tiempo la misa fue aburrida y no tenía sentido; ahora mi corazón siente que va a explotar de amor cada vez que celebro este increíble milagro”.
A continuación su versión de la coronilla de la Misericordia en inglés:


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I Congresso Internacional: A Morte: Leituras da Humana Condição




Abusos sexuais na Igreja Católica: pequeno guia de uma grande tormenta


segunda-feira, 27 de agosto de 2018




O Papa Francisco respondendo aos jornalistas, Domingo, 
no voo de regresso a Roma (foto reproduzida daqui)

A tormenta não passou, nem passará tão cedo: a crise dos abusos sexuais continua na Igreja Católica, após a viagem do Papa à Irlanda, que deixou um lastro de várias manifestações de crítica à Igreja e a Francisco, que ali esteve para encerrar o Encontro Mundial das Famílias. Depois de, no sábado, ter feito várias declarações e se ter encontrado com várias vítimas de abusos, o Papa foi ontem ainda, Domingo, 26 de Agosto, objecto de uma carta do arcebispo Carlo Maria Viganò, núncio (embaixador) do Vaticano em Washington entre Outubro de 2011 e Janeiro de 2016, denunciando queFrancisco teria conhecimento dos abusos cometidos pelo ex-cardeal Theodore McCarrick, forçado a demitir-se do colégio de cardeais há um mês.

Afinal, Viganò – que foi, ele próprio, acusado de ter encoberto casos de abusos e ordenado a destruição de provas – terá deturpado ou mentido vários factos, como se enumera neste texto do National Catholic Reporter [NCR]. 

Na conferência de imprensa dada a bordo do avião, de regresso a Roma, o Papa pediu que os jornalistas façam o trabalho de casa: respondendo a uma pergunta da jornalista Anna Matranga, da CBS, Francisco disse que o texto da carta “fala por si” e que era importante que os jornalistas o lessem e retirassem as suas conclusões. Quando passar um pouco mais de tempo, acrescentou, poderá voltar ao assunto. (A transcrição da conferência de imprensa está aqui, por enquanto apenas na versão italiana.)

Tal como o National Catholic Reporter, o New York Times já fez o trabalho de casa e escreveu: “As suas [de Viganò] alegações infundadas e os ataques pessoais representaram uma extraordinária declaração pública de guerra contra o papado de Francisco, feitas naquele que é talvez o seu momento mais vulnerável.” (o texto do NYT está disponível aqui, em inglês)

Quer tudo isto dizer que se deve menosprezar ou ignorar a acusação do antigo núncio? Certamente que não, mas ela tem de ser compreendida no contexto da pessoa que a faz, que também foi um dos envolvidos no caso “Vatileaks”, um dos que levou à demissão do Papa Bento XVI. No Crux, John Allen Jr. recorda vários desses episódios e ainda no NCR escreve-se como a carta de Viganò manifesta a conspiração contra o actual Papa. 

Como se tudo isto  não bastasse, uma outra resposta do Papa provocou outra tempestade. Quando questionado sobre o que diria a um pai de um filho/a homossexual, Francisco sugeriu muito diálogo e compreensão: “Sempre houve pessoas com tendências homossexuais... Eu diria a um pai para orar, não para condenar, dialogar, compreender, abrir espaço para o filho e para a filha se expressarem. Em que idade surge essa inquietação? Uma coisa é se ela se manifesta como crianças: há tantas coisas a ver com a psiquiatria, para ver como são as coisas. Outra é quando ela se manifesta depois dos 20 anos. O silêncio não é um remédio : ignorar um filho com tendência homossexual é uma falta de paternidade ou de maternidade.”

Uma citação incompleta da AFP (Agence France-Presse) e comentários de vários ONG francesas de homossexuais condenaram o que o Papa disse – ou não disse, como este texto do DN esclarece e no qual se pode ver o vídeo da conferência de imprensa.  

A Portugal, chegou sobretudo a versão da AFP, de que se pode ler aqui um dos exemplos. Em qualquer caso, o Vaticano corrigiu a declaração do Papa, retirando a referência à psiquiatria, com o argumento de que Francisco não queria que isso gerasse equívocos. 

Por cá, houve já alguns comentários sobre toda esta questão dos abusos, ainda antes da viagem de Francisco à Irlanda. No DN, Anselmo Borges chamou a atenção para a sacralização que o clero se atribuiu. No JN, Fernando Calado Rodrigues defendeu esta segunda-feira que “não se pode passar a ideia que é uma prática generalizada na Igreja o abuso de menores e que nada tem sido feito para o evitar” (texto aqui), depois de, na semana passada, ter defendido que é preciso acabar com os abusos: “Um só caso que aconteça, em qualquer lugar, será sempre motivo de ‘vergonha’ e de ‘dor’ para a Igreja”. 

Na Visão, o pastor protestante José Brissos-Lino referiu-se também à carta do Papa sobre os abusos, falando da luta contra o clericalismo.