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domingo, 29 de novembro de 2015

"À República Centro-Africana, o papa levará razões para viver numa sociedade tolerante"

Dom Juan José Aguirre, bispo de Bangassou: "Rezemos para que o medo não seja mais forte que a esperança"

Roma, 27 de Novembro de 2015 (ZENIT.org) Rocío Lancho García 

Nas últimas semanas, uma rápida escalada de violência na República Centro-Africana deixou em risco a última etapa da viagem do papa Francisco à África.

Dom Juan José Aguirre, bispo de Bangassou, contou a ZENIT que a sua diocese, localizada naquele país, tem se preparado para a visita do Santo Padre com a oração, pedindo a Deus que o medo não seja mais forte que a esperança. O prelado expressou o desejo de que a visita do papa ajude o país a sair do abismo em que caiu.

Zenit: Excelência, faltando pouco para a chegada do papa, como o país está vivendo essa espera?
Dom Juan José: Com grande fervor e alegria! Em primeiro lugar, quando o papa anunciou a sua visita em resposta aos bispos que o convidaram durante a visita ad limina de maio passado, houve surpresa e alegria sem fim. Quando se soube que Francisco passaria a noite em Bangui, o entusiasmo foi exuberante! Para todos, o papa ia santificar esta terra com a sua presença. Quando a violência deixou a situação mais escura, começamos a orar. Vieram as dúvidas e o nervosismo. No fim, apesar da violência e do risco de ataques, o papa Francisco confirmou que vem. Toda a sociedade, incluindo o governo, está feliz. Agora a preparação é frenética e as expectativas de que tudo vá bem são enormes. Todos acreditam que o papa vai trazer boas razões para se recomeçar a viver numa sociedade tolerante, sem vingança e cheio de futuro.

Zenit: Quais são as expectativas das pessoas em termos de frutos desta viagem?
Dom Juan José: A violência que persiste na África Central há três anos levou a um beco sem saída. Assassinatos e vingança: desde o surgimento da Seleka, em março de 2013, não houve outra coisa. Com a chegada do anti-Balaka, em 5 de dezembro de 2013, as coisas pioraram, os assassinatos aumentaram, a violência se aprofundou, as cidades estão divididas entre muçulmanos e não muçulmanos e há uma espiral de violência até hoje. No último mês foram centenas de mortos e feridos em várias cidades. Com as eleições em dezembro comprometidas por causa da violência, todos acreditamos que, se esta situação não for resolvida pelo Santo Padre, não vai ser resolvida por ninguém. Esta é agora a esperança do povo. Todos esperam que, com as palavras e ações do papa e com sua maneira de tratar a todos, a sociedade se acalme e trace um caminho para a busca da paz.

Zenit: Não há dúvida de que a viagem do papa dará visibilidade a uma nação "esquecida" pelos meios de comunicação e ajudará a comunidade internacional a reagir. Qual é a necessidade mais urgente da República Centro-Africana?  
Dom Juan José: Que as pessoas tenham a paz, o pão de cada dia, que as várias comunidades étnicas vivam juntas em paz. Seria a melhor coisa para a África Central. Sem paz nem pão, tudo fica muito complicado.

Zenit: O papa vai passar menos de 48 horas na República Centro-Africana, mas terá uma série de encontros importantes: campo de refugiados, comunidade muçulmana... Qual vai ser o momento mais significativo da viagem?
Dom Juan José: Tudo vai ser significativo! A visita de um papa não deixa ninguém indiferente, mesmo que fosse apenas um passeio pela nunciatura. Eu acredito que a abertura da Porta Santa do Jubileu da Misericórdia numa cidade ferida e torturada como Bangui é muito significativa. O encontro na mesquita será uma experiência única para a comunidade muçulmana em Bangui. O encontro ecumênico na escola de teologia evangélica é outro ponto forte. A visita ao campo de refugiados internos é outro toque maravilhoso de fraternidade e empatia com os pobres. A missa final no estádio de futebol, com todas as religiões juntas vai ser um impulso para uma Igreja africana que já vive de maneira diferente o Evangelho, que tem muitos mártires e muitas vocações, que está crescendo e será a mais dinâmica do mundo em poucas décadas, e que, um dia, se Deus quiser, vai nos dar um papa africano.

Zenit: O exército francês fala de "alto risco" para a visita do papa a este país. Do seu ponto de vista, qual é a situação atual?  
Dom Juan José: Se o Ministério da Defesa da França diz isso, ele tem suas razões. Pelas mesmas razões, foram cancelados jogos de futebol importantes na Europa. Mas os africanos são diferentes. Em vários bairros de Bangui, na área da paróquia de Fátima, guiada pelos missionários combonianos, a situação é muito tensa, a paróquia está de pé graças ao apoio de três padres, com 3.800 refugiados e tudo ao seu redor queimado, sem vida, destruído. A comitiva do papa não vai entrar nesses bairros para não pôr em risco os fiéis que vão segui-lo aonde quer que ele vá. Bangui é um ninho de vespas. Podem jogar uma granada na multidão, como fizeram no dia 4 de novembro numa reunião universitária. Daquela vez, não explodiu. Era de fabricação chinesa. Mas quem sabe o que vai acontecer depois? Em Bangassou nós passamos uma semana junto com 69 delegados de paróquias para nos prepararmos para esta visita com a oração. O medo não é mais forte do que a nossa esperança. A esperança paira no ar. Mas também há um respeito temeroso, porque a capital vive há um mês uma espiral de violência que os 12.000 soldados da ONU e os 900 soldados franceses da Sangaris não conseguiram parar. O alto risco denunciado pelos franceses não baixou. A África Central se decompôs em três anos. As linhas vermelhas apareceram em todos os lugares, dividindo muçulmanos e não muçulmanos, fragmentando a capital. Há uma epidemia de violência que causa um cheiro de sociedade podre e tensa. A visita do papa Francisco é vista como um processo. Foram 120 mortos e 300 feridos nas últimas semanas. A presença dele pode parar toda essa insensatez criminosa. A fórmula é coragem com cautela.

Zenit: Como transmitir o Evangelho da vida num país que sofre diariamente as consequências da violência? 
Dom Juan José: Com a esperança! Quando tantos outros estão em clima de violência, a Igreja é a última a desligar a luz! Estamos aqui para fazer causa comum com os pobres. Em Bangassou acompanhamos mais de mil órfãos, temos um centro para doentes terminais de aids, 4 lares para idosos acusados ​​de feitiçaria, temos pediatria, maternidade, 20 escolas, centros de saúde... Tudo isso, na minha opinião, é uma injeção de esperança para um povo torturado pela violência de poucos. Aqui nós dizemos que, até quando você perde a esperança, você tem a esperança de recuperar a esperança.

Zenit: O senhor está na República Centro-Africana há 35 anos: como a situação mudou ao longo desse tempo?  
Dom Juan José: Hoje eu acho que estamos pior do que há três anos, quando formos pisoteados por aquela "coligação Seleka". Hoje somos pisados por outros, com nomes diferentes. E eu acho que a África Central está hoje pior do que há 35 anos, quando eu cheguei. A quantidade de sofrimento do povo parece interminável. Os países vizinhos pensam na República Centro-Africana de hoje como verdadeiros predadores. Eles não estão interessados nas pessoas, mas no ouro, petróleo e matérias-primas. As multinacionais e os países que as controlam, mais ainda. A ONU enviou forças de paz marroquinas, congolesas, ruandesas. Eles dizem que não vieram aqui para morrer. Quando estão em apuros, eles tentam salvar a própria pele. Além disso, eu já vi de perto a vergonha das forças de paz da ONU comprando sexo de meninas menores de idade em troca de conservas enlatadas. No início, eles levaram segurança para áreas povoadas, mas agora eles mesmos se perguntam por que estão aqui. Atualmente nós vivemos debaixo de forças que nos levam para onde não queremos, governos que nos obrigam a ficar na corda bamba, violentos que apoiam a guerra e não querem a paz. Eu acho que os que têm tudo a perder são na maioria os muçulmanos moderados, atacados hoje por todos os lados. Esperamos que, com a visita do papa, Deus nos mostre o caminho para sair deste abismo, porque, se continuarmos assim, a força dos violentos vai continuar caindo em cima dos de sempre: os pobres e pacíficos, os que nunca disseram nada, sejam muçulmanos ou não, os que não governam nada, os engolem todos os sapos da história, mesmo não tendo alimentado sapo nenhum.

(27 de Novembro de 2015) © Innovative Media Inc.
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Nossa Senhora da Medalha Milagrosa

Esta devoção que surgiu após as aparições de Nossa Senhora a Santa Catarina Labouré não cessa de derramar bênçãos, como ela disse que aconteceria com todos os que levassem com confiança a medalha no pescoço

Madrid, 27 de Novembro de 2015 (ZENIT.org) Dra. Isabel Orellana Vilches

Pela segunda vez esta seção de ZENIT dedica um espaço exclusivo a Maria. Nesta ocasião para exaltar a Medalha Milagrosa, no dia de sua festa, que desperta tanta devoção em todo o mundo. Como é bem conhecida, sua origem se deu nas aparições de Nossa Senhora a Santa Catarina Labouré, e nas instruções que ela lhe deu. O bem reportado desde que começou a ser difundida é imensurável, levou a numerosas conversões.

Eventos extraordinários aconteceram na capela da casa mãe em Paris das Filhas da Caridade, Comunidade a qual Catarina pertencia, localizada na rue du Bac 140, e na qual ela ingressou em 21 de Abril 1830. Neste mesmo ano começou a receber as graças de Maria, era uma noviça feliz, que teve a graça de participar da solene trasladação das relíquias de seu fundador, São Vicente de Paulo, que se encontravam em Notre Dame e foram recebidas pelos Padres Vicentinos na capela da rua Sèvres. Ele, em um sonho, ajudou Catarina a esclarecer a sua vocação num momento incerto sobre a ordem em que deveria entrar, embora nunca tivesse visto sua efígie.

Já nos primeiros meses de noviciado, suas superioras apreciaram sua piedade que sobressaia em meio a uma inteligência não particularmente brilhante, fazendo-a passar despercebida. À sua prudência e discrição acompanhavam muitos traços de virtude, aliados ao desejo de cumprir a vontade de Nossa Senhora que não queria que a notícia de suas aparições fosse revelada naquele momento. Catarina confidenciou apenas ao seu confessor, o Padre Aladel. A primeira ocorreu em 18 de Julho de 1830, enquanto a comunidade rezava, e foi narrada pela religiosa quando o sacerdote faleceu, muitos anos depois. Ela também sobreviveu apenas alguns meses.

Antes que as aparições ocorressem, Catarina já tinha sido agraciada com diferentes aparições, além de ver o seu fundador, viu Cristo presente no Santíssimo Sacramento e como "Rei crucificado". Mas ela ansiava viver a graça da aparição de Maria, que tinha solicitado por meio de seu fundador. Então, em 1830, quase meia-noite, enquanto estava em sua cama ouviu alguém chamando seu nome. Era uma criança vestida de branco, quatro ou cinco anos, que lhe disse que a Virgem estava esperando por ela na capela. Ao entrar, ouviu o barulho de um tecido delicado. A criança misteriosa fez a apresentação: "Eis a Virgem Santíssima", ela acolheu com certo espanto, de modo que a criança teve que repetir essas palavras.

Sem deixar o espanto, a jovem correu para dobrar os joelhos diante da Virgem que a aguardava sentada em uma poltrona ao lado do altar. Ela teve a imensa graça de descansar as mãos no colo da Mãe do céu e de passar o que ela chamou de momento mais feliz de sua vida: "Seria impossível dizer o que eu experimentei. A Virgem disse-me como devo me comportar com meu confessor e várias outras coisas”. Maria avisou que Deus confiaria a ela uma missão que iria causar problemas, embora fosse para a glória do Altíssimo. Nessa primeira aparição confiou-lhe a fundação da fraternidade das Filhas de Maria, solicitação cumprida pelo Padre Aladel em 1840.

Em 27 de novembro do mesmo ano, 1830, às 17:30 h, ela estava em oração na capela, e novamente viu a Virgem Maria vestida de branco em duas cenas interligadas. Em uma delas, a contemplou em um globo dourado encimado com uma cruz; sob seus pés uma cobra esmagada. Ela disse: "Este círculo representa o mundo todo, a França e cada pessoa em particular". Na segunda, Catarina observou que das suas mãos abertas, cujos dedos carregavam anéis revestidos de belíssimas pedras preciosas, eram lançados raios brilhantes de que se espalhavam por toda parte. A Virgem disse: "Estes raios simbolizam as graças que eu derramo sobre as pessoas". Em seguida, Catarina viu surgir um quadro em torno de Maria, um pouco oval, com a seguinte inscrição em letras douradas: "Oh Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!". Uma voz se fez ouvir: “fazei cunhar uma medalha neste modelo. Todos os que a usarem, trazendo-a ao pescoço, receberão grandes graças”.

Ao contemplar o reverso da medalha de Nossa Senhora, percebeu o monograma composto por uma cruz sobre a letra "M", inicial de Maria; em baixo, dois corações, um coroado de espinhos e outro trespassado por um gládio, símbolo dos Sagrados Corações de Jesus e Maria. Em dezembro do mesmo ano, novamente enquanto rezava, mas desta vez atrás do altar, viu o quadro da medalha. Foi a última vez que houve essa aparição: "Estes raios simbolizam as graças que a Santíssima Virgem derramará sobre as pessoas que pedirem... De agora em diante não me verá novamente".

Como previsto por Maria, as provas chegaram rapidamente. Seu confessor, o Padre Aladel, foi o primeiro a não acreditar nela aconselhando-a a esquecer. Mas o tempo passou e o clamor interno para que o pedido fosse cumprido persistia. O arcebispo de Paris, Dom Quélen, acompanhou o processo e reconheceu a autenticidade dos fatos. Padre Aladel cunhou a medalha, embora faltando alguns detalhes. Na epidemia de cólera em 1832 a propagação da mesma realizou muitos milagres e conversões. Em 1846 o Papa Gregório XVI confirmou a veracidade das aparições. Catarina morreu no dia 31 de dezembro de 1876.

(27 de Novembro de 2015) © Innovative Media Inc.
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Combonianos na Uganda: “Demos testemunho com a caridade de Jesus”

Entrevista ao sacerdote missionário Torquato Paolucci. "Hoje, o problema é a corrupção"

Roma, 27 de Novembro de 2015 (ZENIT.org) Sergio Mora

O Papa Francisco chega hoje, sexta-feira, na Uganda, e permanecerá lá até o domingo 29. Será o segundo país da África que visita nesta viagem apostólica que começou na quarta-feira passada, 25, no Quénia e que termina na segunda-feira, 30 na República Centro Africana.

O padre Torquato Paolucci, missionário comboniano, italiano de Urbania, trabalhou de 1972 a 2010 em Uganda. Entrevistado pela ZENIT comentou alguns detalhes que nos ajudarão a entender melhor a viagem do Papa Francisco a este país. Compartilhamos com os nossos leitores.

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ZENIT: Hoje, qual é o principal problema da Uganda?
Padre Torquato: É a luta contra a corrupção. Este governo, no começo, realizou muitas coisas, até mesmo boas, mas depois pensou somente em enriquecer-se. Portanto, existe uma classe muito rica e uma maioria de gente muito pobre.

ZENIT: Com relação ao passado, qual é a situação atual?
Padre Torquato: Tem havido um progresso geral, mais estradas, mais liberdade. Este governo tem feito muito relação ao passado, mas o grupo dirigente é como uma máfia e, portanto, tudo é manipulado. Também as eleições que se realizaram quando eu estive lá há alguns anos atrás. Rodava dinheiro, urnas cheias de votos desapareciam. Existe muita traição. Somente pensam em realizar negócios importantes e que não sejam apanhados . Em fevereiro próximo haverá eleições políticas e muitos temem que se repita a fara das outras vezes.

ZENIT: Na sua opinião qual é a saída para esta situação e como pode influenciar a visita do Papa?
Padre Torquato: O tema principal é o de conseguir mais honestidade, mais atenção aos pobres e doentes. As pessoas estão muito feliz com este encontro que terão com o Papa Francisco que veio celebrar os 50 anos da canonização dos mártires da Uganda.

ZENIT: Qual é a mensagem destes 22 mártires?
Padre Torquato: Eles se converteram ao catolicismo graças aos missionários da África, do Cardeal Charles Lavigerie, dos Padres Brancos. E foram mortos entre 1885 e 1887, por serem cristãos. Os Mártires de Uganda eram todos leigos e os leigos estão muito comprometidos com associações e iniciativas católicas.

ZENIT: Quantos católicos há no país?
Padre Torquato: Um 45% por cento da população é católica, o 25% protestante e 10% são muçulmanos, o resto são animistas e de outras religiões.

ZENIT: E o diálogo inter-religioso funciona?
Padre Torquato: No passado, na relação entre católicos e protestantes houve uma grande tensão. Além do mais porque na política os protestantes tinham o apoio da Inglaterra e tentaram marginalizar os católicos sempre. Mas, como estes últimos eram a grande maioria, chegou um ponto em que não conseguiram fazê-lo. Depois, com o passar dos anos, começou um processo de maior colaboração no campo social. Não tanto desde o ponto de vista doutrinário, mas sim houve alguns encontros. A convivência na maior parte da Uganda é boa e existe colaboração, embora em algumas regiões permaneçam as tensões do passado.

ZENIT: Qual é a situação com os muçulmanos?
Padre Torquato: Eles estão, principalmente, nas cidades e no comércio. Com os muçulmanos não encontrei tensões nos anos em que trabalhei lá. Houve um bom relacionamento com eles e realizamos com eles muitos trabalhos. Também colocamos nossos hospitais e escolas à disposição. E em algumas ocasiões ajudei a alguns jovens muçulmanos a ir à escola e até à universidade, porque não iam. Existia uma relação discreta, falo de cinco anos atrás. Não sei se hoje existirão infiltrações dos fundamentalistas.

ZENIT: Poderia resumir-me o trabalho dos Combonianos na Uganda?
Padre Torquato: Os Missionários Combonianos chegaram à Uganda em 1910, e trabalharam principalmente no norte, em direção à fronteira com o Sudão. Para o sul, no entanto, com os Padres Brancos. Para alcançar o coração das pessoas fizemos muitas obras sociais. A grande maioria das escolas surgem do trabalho da Igreja. Também a saúde derivada do trabalho dos Missionários Combonianos. Ainda hoje o 65% das estruturas médicas são administradas pela Igreja, graças a voluntários. Assim, ao dar testemunho com a caridade de Jesus, muitos viram na caridade cristã a mensagem de esperança e de salvação.

Nesse último período, quando aconteceram as guerras com fundo tribal pelo poder, mais de 20 anos de guerra, destruição e massacres, os missionários Combonianos foram os únicos brancos que permaneceram no território, embora 13 deles foram mortos.  Isto tem ajudado mais às pessoas a acreditarem em Jesus. Não se sentiram abandonados e nos tornamos sinais de esperança para muitos.

Hoje, a Igreja em Uganda tem grande vitalidade e vocações ao ponto de que quase todas as nossas estruturas foram entregues às Igrejas locais, e por tanto, estamos saindo deste país. Um pouco porque estamos mais velhos e outro pouco porque Uganda não precisa de missionários, porque contam com suficiente pessoal para fazer o trabalho da Igreja e para ir como missionários em outros países. Atualmente, neste país, há 130 missionários combonianos. 

(27 de Novembro de 2015) © Innovative Media Inc.
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"É incrível a devoção aos mártires não só em Uganda, mas em outros países da África"

Entrevista com Antonia Sanchez Morocho, missionária comboniana em Uganda

Roma, 27 de Novembro de 2015 (ZENIT.org) Rocío Lancho García

O Papa Francisco desembarcou nesta sexta-feira em Uganda, segundo país da sua viagem pela África. Não será a primeira vez que este país recebe a visita de um Pontífice. Já Paulo VI o visitou em 1969 e São João Paulo II em 1993. E agora o pontífice argentino também se dirige a este país como "mensageiro de paz", como ele próprio anunciou dias antes da viagem.

Antonia Sanchez Morocho, missionária comboniana neste país conta a ZENIT o entusiasmo pela chegada do Santo Padre, e analisa os desafios sociais, políticos e da Igreja na Uganda. Também explica o significado dos mártires da Uganda e como este país se recuperou e continua recuperando-se das marcas que deixou a  violência da guerra civil de 1981 a 1986.

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ZENIT: Como estão vivendo este tempo de preparação para a chegada do Santo Padre? Quais são as esperanças do povo da Uganda com a visita do Papa Francisco?
Antonio: Estamos vivendo com grande entusiasmo, especialmente a comunidade católica. Acho que a esperança é a de ser confirmados na maturidade de sua fé e em uma pertença plena à Igreja Católica.

ZENIT: Quais são os principais desafios da Igreja neste país?
Antonia: Em minha opinião, o maior desafio é a formação do clero local. Há sacerdotes fantásticos, totalmente dedicados ao seu ministério e a serviço do povo, enquanto que em outros casos existem certas carências.

ZENIT: E do ponto de vista social e político?
Antonia: Poderia ser fortalecer a educação dos jovens em alguns valores tradicionais como a solidariedade, o bem comum, a hospitalidade, etc. A globalização está "impondo" o individualismo e a idolatria do dinheiro, entre outras coisas.

ZENIT: Qual é o seu trabalho em sua missão na Uganda?
Antonia: Amanhã, se Deus quiser, faço 75 anos. Isso significa que sou aposentada duas vezes, mas como as missionárias, e acho que as religiosas no geral, não podemos aposentar-nos nunca enquanto for possível fazer algo. Por isso eu, já faz uns meses, estou na nossa casa central aqui na Uganda ajudando na administração. Ocasionalmente e continuo dando exercícios espirituais e alguma oficina de formação no nosso Centro de Espiritualidade em Namugongo que coordenei até recentemente.

ZENIT: Uma das chaves da visita papal a este país será o 50º aniversário da canonização dos 22 mártires ugandeses. Como o exemplo destes mártires continua influenciando o povo da Uganda?
Antonia: É impressionante a devoção aos mártires não só na Uganda, mas também em outros países da África. Há peregrinações constantes ao longo do ano. Para a festa dos mártires, no dia 3 de junho, o afluxo de peregrinos é enorme. Semanas antes já tem pessoas dormindo em esteiras ao redor do santuário, chuva ou faça frio, eles estão lá. Se você perguntar porque vieram tão cedo para passar frio e dormir no chão, a resposta é: “os mártires sofreram mais pela sua fé”.

ZENIT: O Santo Padre disse viaja para a África como um mensageiro de paz, uma mensagem importante e cheia de esperança para estes países. Como é que se transmite o evangelho da paz e do perdão nestas populações onde as consequências da violência são tão palpáveis?
Antonia: Acho que há uma única maneira de transmitir o Evangelho da paz e do perdão, que é a de Jesus e que Francisco prega aos quatro ventos. "Perdoe seus inimigos e orai pelos que vos perseguem..." Um exemplo: Em meus anos de atividade missionária o primeiro que fiz foi dar aulas de educação religiosa em um instituto feminino de Gulu, norte da Uganda. Algum tempo após o fim da guerra voltei a esta escola. A atual diretora (uma antiga aluna minha) me explicou como conviviam as alunas que, na sua maioria, tinham sido sequestradas pelos guerrilheiros e tinham provado todo tipo de abusos e até torturas. Me disse que era muito difícil, as meninas tinham se tornado agressivas e com frequência brigavam. E assim tinham criado “The reconciliation Room”, a sala da reconciliação. Lá as meninas encontram sempre alguém que as escuta e as guia no processo de perdoar-se. Permanecem na sala até que conseguem reconciliar-se, às vezes ficam horas, dizia-me a diretora, mas conseguem.

(27 de Novembro de 2015) © Innovative Media Inc.
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Papa Francisco: "O dinheiro roubado, quando você morrer, vai deixa-lo aqui e outro o usará. Mas deixará aqui também as feridas causadas nas pessoas"

Apaixonado discurso do Papa no Estádio Kasarani: 70 mil jovens unidos contra o tribalismo, em seguida, a denúncia à corrupção que “também existe no Vaticano” e  a esperança para aqueles que são vítimas de recrutamento

Roma, 27 de Novembro de 2015 (ZENIT.org) Salvatore Cernuzio

Para entender a atmosfera que antecedeu a chegada do Papa no Estádio Kasarani, onde teve um encontro com os jovens de Nairobi, bastava ver um único quadro: um longo trem dançante liderado pelo próprio presidente, Uhuru Kenyatta, seguido por animadores e por quinze bispos que não resistiram ao ritmo da música. Cantos, músicas de grupo, flash mobs e execuções musicais, no típico estilo "efervescente" da juventude africana, caracterizou todo o evento da última etapa da visita de Francisco no Quénia.

Os mais de 60 mil jovens lotaram as arquibancadas desde as primeiras horas da madrugada. Para eles hoje é feriado: as escolas estão fechadas e quem trabalha está de descanso. A espera pelo Sucessor de Pedro é muito forte. Francisco chega pontual por volta das 8h30 e dá a volta com o Papa-móvel, enquanto as pessoas gritam, cantam, tiram foto, fazem ‘olas’, agitam os braços, bandeiras e banners. O Papa cumprimenta os bispos ‘bailarinos’ que, depois, encontra em uma sala privada do Estádio e uma vez no palco permanece quase de boca aberta ao ver a acolhida que recebeu; depois abençoa três plantas levadas pelos jovens e recebe uma placa que indica o número de terços rezados nestes meses pelas suas intenções.

A alegria efusiva cobre-se rapidamente com um véu de emoção no momento dos dois testemunhos de dois jovens. O primeiro é Manuel que narra a sua juventude conturbada: sequestrado por guerrilheiros no norte, preso, torturado, forçado a testemunhar a morte de seus amigos. Depois, Linette que expressa ao Papa a sua preocupação com os casos de droga, violência e tribalismo que os jovens quenianos são obrigados a suportar. Depoimentos demasiado fortes para responder com um texto pré-escrito: Bergoglio, de fato, joga no lixo o discurso preparado, e se lança em um apaixonado discurso improvisado, em espanhol, no qual estigmatiza os males do tribalismo e da corrupção e dá uma esperança para os jovens vítimas de recrutamento, de desemprego ou de abandono por parte das suas próprias famílias.

A vida é cheia de dificuldades e convites para o mal. Mas os jovens podem escolher
"Por que acontecem a divisão, a luta, a guerra, a morte, o fanatismo, a destruição entre os jovens? Por que existe esse desejo de auto-destruir-se?", é a pergunta crucial que serpenteia a reflexão do Papa. Que se inspira nas primeiras páginas da Bíblia, na qual “no meio de todas as maravilhas que Deus fez, um irmão mata outro irmão, e o espírito do mal leva à destruição”. É este espírito do mal que “nos leva à desunião, ao tribalismo, à corrupção, à dependência de drogas", diz o Papa.

Como fazer, então, para que “um fanatismo ideológico não nos roube um irmão, um amigo?”, perguntava Manuel. “Existe uma palavra que pode soar estranha, mas não quero evita-la”, responde Francisco: rezar. “Um homem perde o melhor do seu ser humano quando se esquece de rezar porque sente-se onipotente, porque não sente a necessidade de pedir ajuda perante tantas tragédias”. E a vida, a terra, está cheia destas tragédias, cheia de “dificuldades” e também de “convites para desviar-se para o mal”.

Mas existem, no entanto, duas maneiras de enfrenta-lo: “Ou se olha para isso como algo que te para, te destrói, te mantém preso, ou se olha como uma oportunidade. Vocês, jovens, devem escolher. Para mim uma dificuldade é um caminho de destruição ou é uma oportunidade para superar toda a situação minha, da minha família, das minhas comunidades, do meu país?”. Portanto, a liberdade de perguntar-se: “Qual caminho quero escolher? Qual destas duas coisas quero escolher? Deixar-me vencer pela dificuldade ou considerar a dificuldade como uma oportunidade que eu posso vencer?”. “Vocês – insiste o Papa – querem superar estes desafios ou deixar-vos vencer pelos desafios? Vocês são como os atletas que quando vêem jogar aqui no estádio querem vencer ou são como aqueles que já venderam a vitória para os outros e colocaram a vitória no bolso? Vocês é que decidem”.

Todos unidos contra o tribalismo: "Ele destrói as nações"
Falando de desafios, um enorme na África - observou o Papa - é o do tribalismo. Ele, afirma, "destrói uma nação. O tribalismo significa manter as mãos escondidas atrás de nós e ter uma pedra em cada mão para jogá-la contra o outro". O tribalismo "se vence só com a escuta”: primeiro “com os ouvidos” perguntando: “Qual é a tua cultura? Por que você é assim? Por que a tua tribo tem este hábito, este costume? A tua tribo se sente superior ou inferior?”. Depois “com o coração”, abrindo-o, e, por fim, “com a mão” estendendo-a para continuar o diálogo. “Se vocês não dialogarem e não se ouvirem, então, sempre haverá o tribalismo como um verme que corrói a sociedade”, adverte o Papa, e convida os milhares de presentes, a pegarem nas mãos, de pé, “como sinal contra o tribalismo”. “Todos somos uma única nação. We are all a nation”, grita o Papa, enquanto no estádio uma sugestiva rede de mãos e de braços se tece para mostrar o desejo de derrotar este flagelo para a África.

A corrupção: um açúcar que envenena. “E também existe no Vaticano”
No entanto, há um outro flagelo na África: a corrupção. "É possível justificar a corrupção? Como podemos ser cristãos e lutar contra o flagelo da corrupção?", Pergunta o Papa. Conta, então, a anedota de um jovem de vinte anos argentino que “queria dedicar-se à política, estudava, estava entusiasmado, ia de um lado para outro, e encontrou trabalho em um ministério. Um dia teve que decidir o que tinha que comprar. E então pediu três orçamentos, examinou-os e escolheu o mais barato, o mais conveniente. Depois foi para o escritório do chefe para que assinasse. ‘Por que escolheu este?’. ‘Porque precisa escolher o mais conveniente para a finança do país’. ‘Não! Deve escolher o que te coloca mais dinheiro no bolso!’. O jovem respondeu ao chefe: ‘Eu vim fazer política para ajudar a pátria, fazê-la maior’. E o chefe lhe respondeu: ‘Eu faço política para roubar’”.

É só um exemplo de corrupção, mas "isso se encontra não só na política, mas em todas as instituições, até mesmo no Vaticano”, observa Francisco, e compara o mal da corrupção com o “açúcar”, que “gostamos, é fácil”, mas que depois nos faz ter “um triste final”. "Em vez de tanto açúcar fácil, terminamos diabéticos ou o nosso país termina doente por diabete. Cada vez que aceitamos um suborno, que aceitamos um aliciamento e o colocamos no bolso, destruímos o nosso coração, a nossa personalidade, a nossa pátria. Por favor, não tenham prazer com esse açúcar que se chama corrupção”, adverte o Santo Padre. Como combater, então, este açúcar venenoso? “Como em todas as coisas temos que começar; se vocês não querem a corrupção no coração de vocês, na vida de vocês, na pátria de vocês, então comece com você! Se você não começar então nem o seu vizinho vai começar”.

O dinheiro roubado, quando você morrer, vai deixa-lo aqui e outro o usará. Mas deixará aqui também as feridas causadas nas pessoas.
Além do mais, a corrupção “nos rouba a alegria, nos rouba a paz. A pessoa corrupta não vive em paz”, comenta o Pontífice. E diz outro "fato histórico" de um homem tão corrupto que fez uma senhora exclamar, durante o seu funeral: “Não conseguíamos fechar o caixão porque queria levar consigo todo o dinheiro que tinha roubado”. Aqui está, diz Francisco, “o que vocês roubam com a corrupção, vai ficar aqui e outro o usará, mas também vão ficar – e isso devemos, realmente, gravar no coração – tantos homens e mulheres que ficaram feridos pelo seu exemplo de corrupção. Ficará a falta de bem que você poderia ter realizado e não realizou. Ficará nos jovens doentes, famintos, porque o dinheiro que era para eles, por causa da sua corrupção, ficou com você. Jovens e moças, a corrupção não é um caminho de vida, é um caminho de morte”.

O sorriso é um meio de comunicação contagioso, mais do que a TV
Diante destas coisas feias da vida, o Papa convida a usar os meios de comunicação: mas não a tv, internet e rádio, mas sim a palavra, o gesto, o sorriso. “O primeiro gesto de comunicação é a proximidade, é buscar a amizade”, diz, “falar bem entre vocês, sorrir, aproximar-se dos irmãos, estar perto um dos outros, até mesmo se forem de tribos diferentes, também eles precisam, os abandonados, os anciãos, que ninguém visita, que vocês estejam perto deles, estes gestos de comunicação são mais contagiosos do que qualquer rede de televisão”.

Recrutamento de jovens: "Se um jovem não trabalha cai na delinquência!"
Em seguida, enfrenta outro assunto espinhoso que marca a juventude africana: o recrutamento de muitas crianças em grupos de células terroristas. Como evitar esse fluxo? O que fazer para trazer de volta para casa estes jovens? Para responder temos que dar um passo para trás, explica o Papa, e compreender “por que um jovem cheio de ilusões se deixa recrutar, ou vai em busca de ser recrutado, se distancia da sua família, dos seus amigos, da sua tribo, da sua pátria, se afasta da vida porque aprende a matar”.

Esta pergunta Bergoglio a passa para as autoridades: “Se um jovem, um rapaz ou uma moça, não tem trabalho, não pode estudar, o que vai fazer? Pode cair na delinquência ou em uma forma de vício, ou até cometer suicídio. Ou ainda juntar-se a alguma atividade que demonstre uma finalidade na vida e que talvez o seduziu ou enganou”. O primeiro antídoto é, portanto, a educação “também de emergência, de pequenos cargos”, depois o trabalho, porque “se um jovem não tem trabalho, qual futuro fica para ele?”. Justo ali está o perigo, “um perigo social que vai além de nós, do país, porque depende de um sistema internacional que é injusto, que tem a economia no centro, não a pessoa, mas o deus dinheiro”. Também, observa o Pontífice, precisamos orar, “mas forte” porque “Deus é mais forte do que qualquer recrutamento”. E é preciso falar com estes jovens “com afeto, com simpatia, com amor e com paciência”, convidá-los, talvez “a ver um jogo de futebol, a fazer um passeio, a participar do vosso grupo, não deixa-los sozinhos”.

Com o rosário e a a Via Sacra sempre no bolso...
Um último problema a resolver é o seguinte: "Como podemos ver a mão de Deus nas tragédias da vida?". Não há uma resposta, diz Papa Francisco, “por mais que alguém se esforce pensando, não consegue encontrar uma explicação”. Não existe uma resposta, mas “existe um caminho” e é olhar para Jesus Cristo que Deus “entregou para salvar a todos nós”. “Deus mesmo se fez tragédia, Deus mesmo se deixou destruir na cruz e quando existe um momento que não entende, quando estiver desesperado e o mundo cair encima, olhem para a cruz. Lá está o fracasso de Deus, a destruição de Deus, mas lá está também um desafio à nossa fé: a esperança porque a história não acabou naquele fracasso, mas houve a ressurreição que renovou tudo”. Justamente por isso o Santo Padre admite que sempre leva consigo, no bolso, duas coisas: um terço para rezar e uma pequena via sacra, a “história do fracasso de Deus”. Com estes dois eu me viro como posso... E não perco a esperança”, explica.

Vocês nunca receberam afeto? Amar os outros! A carne se cura com a carne
Termina com um convite à esperança por todas aquelas pessoas abandonadas no nascimento ou pelos pais, ou que não sentem o afeto da família. Mas, também, por todos os anciãos “que estão sozinhos, sem que ninguém os visite, e que ninguém quer bem”. “Há um só remédio para sair destas experiências negativas de distância e falta de amor – destaca o Papa - : fazer o que eu não recebi. Se vocês não receberam compreensão, sejam compreensivos com os demais; se vocês não receberam amor, amem os outros; se vocês sentiram a dor da solidão, aproximem-se daqueles que estão sozinhos, a carne se cura com a carne e Deus se fez carne para curar-nos. Portanto, também nós devemos fazer o mesmo com os demais”.

Deus tem apenas um defeito: não pode deixar de ser Pai
"Antes do árbitro apitar o fim", o Papa Bergoglio concluiu o encontro com um sincero "obrigado": "Por terem vindo, por terem permitido que falasse na minha língua materna, por terem rezado tantos terços por mim. Continuem a rezar por mim, porque também eu preciso e muito”. Depois convida a todos a ficarem de pé, e com as mãos dadas, rezar isso “Pai do Céu que tem um só defeito: não pode deixar de ser Pai”.

(27 de Novembro de 2015) © Innovative Media Inc.
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O Papa visita uma favela de Nairobi e fala sobre a "sabedoria das favelas"

Roma, 27 de Novembro de 2015 (ZENIT.org) Thácio Siqueira

Francisco começou o dia de hoje falando sobre a "sabedoria das favelas", dos "valores evangélicos que a sociedade opulenta, entorpecida pelo consumo desenfreado, parecia ter esquecido".

Com cerca de 250 mil habitantes, a favela de Kangemi, no território de Nairobi, recebeu a visita do Papa Francisco hoje pela manhã. No coração de tanta miséria o pontífice encontrou-se com a paróquia São José Trabalhador, administrada por uma comunidade de jesuítas, cujo pároco é Pe. Pascal Mwijage.

Depois de assinar o livro de visitas, o Papa foi recebido pelo Superior provincial dos Jesuítas para a África Oriental, Pe. Joseph Oduor Afulo, pelo arcebispo de Mombasa e presidente da Caritas Quénia, mons. Martin Musonde Kivuva e outras personalidades.

Ao pontífice foi passado um vídeo de 5 minutos que mostra o verdadeiro rosto daquele aglomerado humano e urbano. Logo após escutou o testemunho de Kibera, que mora em outra favela, com mais problemas e mais perigos, com cerca de 2 milhões de pessoas, vivendo em extrema condições de miséria e pobreza.

O primeiro que destacou o Papa, foi a "sabedoria dos bairros populares", que brota da «obstinada resistência daquilo que é autêntico», de valores evangélicos que a sociedade opulenta, entorpecida pelo consumo desenfreado, parecia ter esquecido. Vós sois capazes de «tecer laços de pertença e convivência que transformam a superlotação numa experiência comunitária, onde se derrubam os muros do eu e superam as barreiras do egoísmo»"

Tais valores, segundo o Pontífice, são a "solidariedade, dar a vida pelo outro, preferir o nascimento à morte, dar sepultura cristã aos seus mortos; oferecer um lugar para os doentes na própria casa, partilhar o pão com o faminto: “onde comem 10, comem 12”; a paciência e a fortaleza nas grandes adversidades, etc», valores que, enfim, são "baseados nisto: cada ser humano é mais importante do que o deus dinheiro. Obrigado por nos lembrardes que há outro tipo de cultura possível".

"O caminho de Jesus começou na periferia, vai dos pobres e com os pobres para todos", disse Francisco, abordando também um dos principais problemas que estas populações sofrem: a falta de água. "Este mundo tem uma grave dívida social para com os pobres que não têm acesso à água potável, porque isto é negar-lhes o direito à vida radicado na sua dignidade inalienável». Negar a água a uma família, sob qualquer pretexto burocrático, é uma grande injustiça, sobretudo quando se lucra com essa necessidade".

Toda essa miséria, porém, verifica o Papa, é causa de violência. "Este contexto de indiferença e hostilidade, de que sofrem os bairros populares, agrava-se quando a violência se espalha e as organizações criminosas, ao serviço de interesses económicos ou políticos, utilizam crianças e jovens como «carne de canhão» para os seus negócios ensanguentados". 

"Estas realidades, que enumerei, não são uma combinação casual de problemas isolados. São, antes, uma consequência de novas formas de colonialismo que pretendem que os países africanos sejam «peças de um mecanismo, partes de uma engrenagem gigantesca», afirmou o Papa.

Portanto, o pontífice propõe, "neste sentido, que se retome a ideia duma respeitosa integração urbana. Nem erradicação nem paternalismo, nem indiferença nem mero confinamento. Precisamos de cidades integradas e para todos".

Enfim, o pontífice apela a todos "os cristãos, especialmente aos Pastores, para que renovem o impulso missionário, tomem iniciativa contra tantas injustiças, envolvam-se nos problemas dos vizinhos".

Acompanhe abaixo o texto na íntegra:

***

Obrigado por me terdes acolhido no vosso bairro. Obrigado ao Senhor Arcebispo Kivuva e ao Padre Pascal pelas suas palavras. Na realidade, sinto-me em casa partilhando este momento com irmãos e irmãs que ocupam – não tenho vergonha de o dizer – um lugar especial na minha vida e nas minhas opções. Estou aqui, porque quero que saibais que as vossas alegrias e esperanças, as vossas angústias e sofrimentos não me são indiferentes. Conheço as dificuldades que enfrentais dia a dia! Como não denunciar as injustiças que sofreis?

Antes de mais nada, queria deter-me num aspecto que os discursos de exclusão não conseguem reconhecer ou parecem ignorar. Refiro-me à sabedoria dos bairros populares. Uma sabedoria que brota da «obstinada resistência daquilo que é autêntico» (Laudato si’, 112), de valores evangélicos que a sociedade opulenta, entorpecida pelo consumo desenfreado, parecia ter esquecido. Vós sois capazes de «tecer laços de pertença e convivência que transformam a superlotação numa experiência comunitária, onde se derrubam os muros do eu e superam as barreiras do egoísmo» (ibid., 149).

A cultura dos bairros populares, permeada por esta sabedoria particular, «tem características muito positivas, que são uma contribuição para o tempo em que vivemos, exprime-se em valores como a solidariedade, dar a vida pelo outro, preferir o nascimento à morte, dar sepultura cristã aos seus mortos; oferecer um lugar para os doentes na própria casa, partilhar o pão com o faminto: “onde comem 10, comem 12”; a paciência e a fortaleza nas grandes adversidades, etc» (Equipa de Sacerdotes para as «Villas de Emergência»  (Argentina), Reflexiones sobre la urbanización y la cultura villera, 2010). Valores baseados nisto: cada ser humano é mais importante do que o deus dinheiro. Obrigado por nos lembrardes que há outro tipo de cultura possível.

Queria começar por reivindicar estes valores que vós praticais, valores que não aparecem cotados na Bolsa, valores que não são objecto de especulação nem têm preço de mercado. Congratulo-me convosco, acompanho-vos e quero que saibais que o Senhor nunca Se esquece de vós. O caminho de Jesus começou na periferia, vai dos pobres e com os pobres para todos.

Reconhecer estas manifestações de vida boa que crescem diariamente entre vós não significa, de forma alguma, ignorar a terrível injustiça da marginalização urbana. São as feridas provocadas pelas minorias que concentram o poder, a riqueza e esbanjam egoisticamente enquanto a crescente maioria deve refugiar-se em periferias abandonadas, contaminadas, descartadas.

Isto agrava-se quando se vê a injusta distribuição do terreno (talvez não neste bairro, mas noutros) que, em muitos casos, leva famílias inteiras a pagarem alugueres abusivos por habitações em condições imobiliárias completamente inadequadas. Sei também do grave problema da sonegação de terras por «empresários privados» sem rosto, que pretendem apropriar-se até do pátio da escola dos próprios filhos. Sucede isto porque se esquece que «Deus deu a terra a todo o género humano, para que ela sustente todos os seus membros sem excluir nem privilegiar ninguém» (João Paulo II, Centesimus annus, 31).

Nesta linha, um grave problema é a falta de acesso às infra-estruturas e serviços básicos. Refiro-me a balneários, fossas, esgotos, recolha de lixo, energia eléctrica, estradas, mas também escolas, hospitais, centros recreativos e desportivos, ateliês artísticos. Mas de modo particular refiro-me à água potável. «O acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos. Este mundo tem uma grave dívida social para com os pobres que não têm acesso à água potável, porque isto é negar-lhes o direito à vida radicado na sua dignidade inalienável» (Laudato si’, 30). Negar a água a uma família, sob qualquer pretexto burocrático, é uma grande injustiça, sobretudo quando se lucra com essa necessidade.

Este contexto de indiferença e hostilidade, de que sofrem os bairros populares, agrava-se quando a violência se espalha e as organizações criminosas, ao serviço de interesses económicos ou políticos, utilizam crianças e jovens como «carne de canhão» para os seus negócios ensanguentados. Conheço também os sofrimentos das mulheres que lutam heroicamente para proteger os seus filhos e filhas destes perigos. Peço a Deus que as autoridades assumam juntamente convosco o caminho da inclusão social, da educação, do desporto, da acção comunitária e da tutela das famílias, porque esta é a única garantia duma paz justa, verdadeira e duradoura.

Estas realidades, que enumerei, não são uma combinação casual de problemas isolados. São, antes, uma consequência de novas formas de colonialismo que pretendem que os países africanos sejam «peças de um mecanismo, partes de uma engrenagem gigantesca» (João Paulo II, Ecclesia in Africa, 52). Na realidade, não faltam pressões para que se adoptem políticas de descarte, como a da redução da natalidade que pretende «legitimar o modelo distributivo actual, no qual uma minoria se julga com o direito de consumir numa proporção que seria impossível generalizar» (Laudato si’, 50).

Neste sentido, proponho que se retome a ideia duma respeitosa integração urbana. Nem erradicação nem paternalismo, nem indiferença nem mero confinamento. Precisamos de cidades integradas e para todos. Precisamos de ir além da mera proclamação de direitos que, na prática, não são respeitados, e promover acções sistemáticas que melhorem o habitat popular e projectar novas urbanizações de qualidade para acolher as futuras gerações. A dívida social, a dívida ambiental para com os pobres das cidades paga-se tornando efectivo o direito sagrado aos «três T»: terra, tecto e trabalho. Isto não é filantropia, é um dever moral de todos.

Quero apelar a todos os cristãos, especialmente aos Pastores, para que renovem o impulso missionário, tomem iniciativa contra tantas injustiças, envolvam-se nos problemas dos vizinhos, acompanhem-nos nas suas lutas, salvaguardem os frutos do seu trabalho comunitário e celebrem juntos cada vitória pequena ou grande. Sei que já fazeis muito, mas peço-vos para recordardes que não é uma tarefa mais, mas é talvez a mais importante, porque «os pobres são os destinatários privilegiados do Evangelho» (Bento XVI, Encontro com o Episcopado Brasileiro, Catedral de São Paulo/Brasil, 11 de Maio de 2007, 3).

Queridos vizinhos, queridos irmãos! Rezemos, trabalhemos, comprometamo-nos juntos para que cada família tenha um tecto digno, tenha acesso a água potável, tenha um banheiro, tenha energia segura para iluminar, cozinhar e melhorar as suas casas... para que todo o bairro tenha estradas, praças, escolas, hospitais, espaços desportivos, recreativos e artísticos; para que os serviços básicos cheguem a cada um de vós; para que sejam ouvidas as vossas reclamações e o vosso grito por melhores oportunidades; para que todos possais gozar da paz e segurança que mereceis de acordo com a vossa dignidade humana infinita.

Mungu awabariki[Deus vos abençoe].

E peço, por favor, que não vos esqueçais de rezar por mim.

[Texto original em espanhol. Tradução © Copyright - Libreria Editrice Vaticana]

(27 de Novembro de 2015) © Innovative Media Inc.
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sábado, 28 de novembro de 2015

Porque se faz tarde…

Volvidos mais de dois mil anos sobre o seu nascimento, hoje ainda são muitos os que não ouviram falar de Cristo. A missão de O dar a conhecer – diz-nos S. João Paulo II – não é exclusiva dos ministros sagrados ou do mundo religioso, mas deve abarcar o âmbito dos leigos, da família e da escola. Todo o cristão deve participar na tarefa da formação cristã e deve sentir a urgência de evangelizar. Mas para isso tem de se olhar bem para Cristo, conseguir vencer a preguiça, o comodismo e sair da sua torre de marfim que cada um tende a construir à sua volta.
 
Jesus espera-nos e continua a falar a cada um de nós, pessoalmente, na intimidade da oração, e de uma maneira ainda mais palpável quando lemos o Evangelho. Temos que aprender a fazê-lo projectando os seus ensinamentos e apelos sobre o pano de fundo do nosso quotidiano.
 
“Quando abrires o Santo Evangelho, pensa que não só deves saber, mas viver o que ali se narra, foi registado, detalhe por detalhe, para que o encares nas circunstâncias concretas da tua existência”. Lê-lo diariamente foi o percurso dos santos”.
 
As palavras de Jesus encerram uma sabedoria infinita, pois fala das coisas mais sublimes com as palavras mais simples, a sua doutrina é compreendida por todos está ao alcance de qualquer homem, não obstante a sua cultura, raça, formação ou idade.
 
Toda a vida do Senhor foi um ensinamento contínuo: o seu silêncio, os seus milagres, os seus gestos, a sua oração, o seu amor pelo ser humano, a sua predilecção pelos mais pequenos, pelos doentes e pelos pobres. Cristo revelou Deus aos homens e o homem a si mesmo, na medida em que falou como um Mestre que salva, santifica, guia e continua connosco a caminhar em todos os dias da nossa vida para nos salvar.
 
Na leitura do Santo Evangelho, encontramos o próprio Cristo que nos fala, ensina e consola. Com Ele aprendemos a conhecê-Lo cada vez melhor, a imitar a Sua vida, a amá-Lo e a tirar ensinamentos para o nosso dia.
 
Passamos a ser mais uma personagem das Sagradas Escrituras, caminhamos com Cristo na estrada da nossa existência e seria muito bom detê-Lo junto de nós – fica connosco Senhor, dizia o discípulo de Emaús, porque se faz tarde e o dia está a chegar ao fim.
 
Não ponhamos limites ao Senhor, tal como Pedro não os pôs. “Se és homem do mar alto, agarra com firmeza o teu leme. Se te dás a Deus, dá-te como os santos se deram. Que nada prenda a tua atenção e te desvie da marcha que empreendeste: és de Deus. Se te dás, dá-te para a eternidade. Nem as vagas, nem a ressaca abalarão os teus alicerces. Deus apoia-se em ti; mete também ombros ao trabalho, e navega contra a corrente. Duc in Altum! Lança-te às águas com a audácia dos ébrios de Deus”. 

Maria d´Oliveira





¿Milagro eucarístico en Utah con una hostia que sangra? La diócesis lo está investigando en firme

Omar Aguilar / Aleteia  27 noviembre 2015

Colin Circumshaw es el administrador
apostólico de Salt Lake a espera del nuevo
obispo, y ha ordenado la investigación
Según diversos reportes en medios de comunicación locales, la diócesis de Salt Lake City, Utah (EE.UU.) está investigando un posible milagro eucarístico ocurrido en la parroquia de Saint Francis Xavier en la localidad de Kearns, Utah, a trece millas al sur de la capital del estado.

Como han publicado medios locales, la hostia Consagrada, el Cuerpo de Cristo fue recibido por un niño que al parecer no había hecho su Primera Comunión. Al darse cuenta de esto, un familiar del menor regresó el Cuerpo de Cristo al sacerdote, el cual colocó la Hostia Consagrada en un vaso de agua para que se disolviera. Normalmente, en casos así, la Hostia Consagrada se disuelve en minutos.

Tres dias después la Hostia Consagrada no solo seguía flotando, ahora presentaba unas pequeñas manchas como de sangre, como si estuviera sangrando. Los parroquianos, al saber del hecho, se han acercado a verlo y a rezar frente a la Hostia Sangrante.

Esta es la imagen que ha difundido la prensa local
La diócesis local ha establecido un comité para investigar el posible milagro Eucaristico. Un comité formado por dos sacerdotes, un diácono y un laico, junto con un profesor en Neurobiología.

La diócesis ha tomado custodia de la Hostia Sangrante y no será expuesta para adoración publica hasta concluidas las investigaciones correspondientes.

Monseñor Francis Manion, presidente del Comité investigador, afirmó: “Recientemente, ha circulado reportes en la Diócesis acerca de una Hostia sangrando en la iglesia de St. Francis Xavier en Kearns. Monseñor Colin F. Bircumshaw, Administrador Diocesano, ha nombrado a un comité ad hoc de individuos con diversos antecedentes para investigar el asunto. El trabajo de la comisión ya está en marcha. Los resultados se harán públicos. La Hostia esta ahora bajo la custodia del Administrador Diocesano. Contrariamente a los rumores, no hay planes por el momento para su exposición pública o adoración”.

Terminó agregando monseñor Manion: “Cualquiera que sea el resultado de la investigación, podemos aprovechar este tiempo para renovar nuestra fe y devoción en el milagro más grande – la presencia real de Jesucristo, que se lleva a cabo en cada misa”.


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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Los comunistas mataron a 7 obispos grecocatólicos: perseguidos, ordenaron a 200 curas clandestinos

Cada celda, una capilla: los católicos bizantinos de Rumanía

El cardenal Sandri visita en 2010 la cárcel-memorial de Sighet, con fotos de los represaliados y la frase Conoceréis la Verdad y la Verdad os hará Libres
P.J. Ginés / ReL  27 noviembre 2015

Que los comunistas mataron a los 7 obispo greco-católicos de Rumanía en los años 50 es cosa segura, pero 60 años después aún no se han encontrado algunos de sus cadáveres. Las autoridades actuales tampoco buscan con entusiasmo.

El historiador e investigador Gheorghe Petrov explica en el interesante y terrible libro La tortura del silencio (de Guido Barella, en español en Rialp) que “no se sabe el lugar exacto de la sepultura de tres de ellos; se sabe sólo que sus cuerpos fueron enterrados en lo que se llamaba el Cementerio de los pobres de Sighet, pero el sitio sigue siendo desconocido”.


Una iglesia pujante que los comunistas atacaron
Al acabar la Segunda Guerra Mundial, los católicos de rito griego o bizantino de Rumanía eran quizá un millón y medio, organizados en cinco diócesis, con unos 1.600 curas –la mayoría casados y con hijos, conforme a la costumbre oriental- y 1.700 parroquias. Era una Iglesia viva y pujante, plenamente unida a Roma desde 1698.


“En octubre de 1948, las autoridades de la Rumanía comunista, junto con la jerarquía ortodoxa, terminaron con la existencia jurídica de la Iglesia greco-católica. Fue una decisión tomada siguiendo órdenes de Moscú, en función de un proyecto minucioso que tenía como objetivo separar del Vaticano a todos los países que, tras la guerra, quedaban bajo la influencia de la URSS”, explica Petrov.


Los comunistas utilizaron a la Iglesia ortodoxa local como una herramienta. El primer paso, en 1948, fue animar a los sacerdotes grecocatólicos a pasarse a la Iglesia ortodoxa: lo hicieron tan sólo 38.


Después, ese mismo año, la Iglesia Ortodoxa declaró disuelta a la Iglesia greco-católica y lo celebró con una gran misa “de reunificación”, todo auspiciado por las autoridades comunistas. A continuación, los comunistas repartieron los edificios y bienes grecocatólicos: parte para el Estado comunista, parte para la dócil y amedrentada Iglesia Ortodoxa local.


Sala 13 del memorial en Sighet, la antigua cárcel comunista; en esta sala se explica la persecución comunista contra los cristianos

De confiscar a encarcelar y matar
Tras las confiscaciones, llegó la persecución física ese mismo año de 1948: cientos de clérigos grecocatólicos fueron detenidos. Les presionaron para que se hicieran ortodoxos, pero casi ninguno cedió.


Primero los encerraron en monasterios ortodoxos bajo vigilancia, como “huéspedes”. Ya en 1950 pasaron a los obispos a la horrenda prisión de Sighet.


Con los obispos encarcelados, la Nunciatura vaticana en Bucarest procedió a ordenar rápidamente a 6 nuevos obispos: Alexandru Todea, Titu Liviu Chinezu, Ioan Chertes, Juliu Hirtea, Ioan Ploscaru y Ioan Dragomir. Las autoridades comunistas los localizaron pronto y los encarcelaron. Pero algunos de estos obispos más jóvenes sobrevivieron a su encarcelamiento y, una vez fuera de prisión, formaron una eficaz red clandestina de sacerdotes grecocatólicos.

Lista de víctimas en la cárcel de Sighet: de 200 internos, murieron 54; se cerró en 1955 porque Rumanía entraba en la ONU y se necesitaba un lavado de cara

El obispo Suciu que no se escondía
En ese año de presiones de 1948, el obispo grecocatólico de Alba Julia, Ioan Suciu, predicaba así, en público, en su catedral de Braj: “Nos someteremos a las leyes pero no haremos nada contra nuestra fe. Y si nos preguntan: ¿de qué parte estáis, de parte del pueblo o de parte del Papa?, responderemos: de parte de Dios, para que ayude a este pueblo”.


Los historiadores hoy tienen numerosos informes de la inteligencia del régimen comunista, la temida Securitate, detallando cada homilía o discurso del obispo Suciu. En Pascua de 1948, por ejemplo, predicaba: “Una larga vida y la misma libertad no tienen significado cuando el número de cadáveres crece cada día y las cárceles y los campos de concentración están llenos de presos políticos”.


También tenemos acceso a las transcripciones de los interrogatorios a los que fue sometido por la Securitate. “¿Agitador? Sí, yo agito las conciencias para ponerlas en orden con Dios. No he predicado ni prediaré contra las autoridades, pero defenderé siempre a la Iglesia y la doctrina católica”, declaró en una de esas sesiones.


Lo detuvieron el 28 de octubre de 1948, reteniéndole primero en un monasterio ortodoxo y luego en la cárcel de Sighet. Murió a causa de las repetidas torturas físicas, en la celda número 44, el 26 de junio de 1953, después de 5 años de calvario. Se dice que murió en brazos del obispo Juliu Hussu y que los carceleros arrastraban su cadáver por las escaleras para que todos oyeran el truculento golpear.


Obispos en la fosa común
Este obispo Juliu Hussu también fue arrestado en 1948, enviado a un monasterio y luego a la cárcel de Sighet. Al cabo de unos años lo dejaron marchar, pero como organizó una misa solemne en la plaza de la Universidad de Cluj lo volvieron a encarcelar en 1956. Pablo VI lo nombró cardenal “in pectore” (en secreto) en 1969, algo que se supo sólo tras su muerte en 1973.


El obispo grecocatólico de Oradea, Valeriu Traian Frentiu, fue encarcelado en Sighet en 1950 y murió allí en 1952. Su cuerpo sin ataúd fue arrojado anónimo a la fosa común del Cementerio de los pobres.


A la misma fosa común fue arrojado el obispo Titu Liviu Chinezu, que de hecho había sido consagrado obispo en la mismísima cárcel de Sighet, a escondidas, por otro obispo allí detenido, el pastor de Lugoj, Ioan Balan.


Se sabe que Chinezu, cada vez que recibía presiones de las autoridades comunistas para que se pasase a la Iglesia Ortodoxa (donde estaría siempre vigilado, dócil y controlado por la Securitate) respondía con humor: “No entiendo cómo el gobierno de Bucarest, que hace profesión de ateísmo, es tan misionero de la Iglesia Ortodoxa”.


En enero de 1955 lo pusieron en una gélida celda sin ventanas, cuando la temperatura exterior era de 20 grados bajo cero. Murió el 15 de enero, probablemente de congelación.


Sighet: diseñada para matar de hambre
Conocemos muchos datos de la vida en Sighet por el obispo Ioan Ploscaru, que pasó 15 años en cárceles del régimen (4 en aislamiento) pero sobrevivió a todo y murió anciano, en 1998, con 87 años, y explicando los hechos con detalle en sus memorias “Cadenas y terror”.


“El mayor suplicio de la cárcel de Sighet era el hambre. La dieta alimenticia de esta prisión estaba calculada con mucho cuidado para que el detenido no muriese rápidamente sino gradualmente por el hambre. Los alimentos eran pocos y podridos”, escribió.


Sighet cerró como cárcel política en 1955: de los 200 reclusos que albergó en apenas 8 años, 54 murieron allí. Sighet cerró y hubo presos amnistiados porque ese año de 1955 la Rumanía comunista entraba en la ONU y le interesaba fingir un lavado de cara. 

Hoy una Fundación con pocos fondos intenta convertir Sighet en un “lugar de la memoria”, con apoyo del Consejo de Europa, que la clasifica junto al Memorial de Auschwitz y el Memorial de la Paz en Francia como un espacio de conservación de “memoria del siglo XX”. Su web-memorial es www.memorialsighet.ro .
Obispos católicos latinos y orientales en el espacio de reflexión y oración que hoy está ubicado en el Memorial de Sighet

Torturado en el Ministerio de Interior
Otros obispos fueron asesinados en otros espacios. El vicario general de Bucarest, Vasile Aftenie (que desde 1940 era también obispo auxiliar de Alba Julia) fue arrestado en 1948, pasó por un campo de concentración, luego un monasterio y, como se negaba a hacerse ortodoxo, en mayo de 1949 lo torturaron en los sótanos del Ministerio del Interior. “Ni mi fe ni mi nación están en venta”, dijo a sus torturadores.


Murió en mayo de 1950, pero logró al menos un funeral católico y una tumba en el cementerio católico de Belu, en Bucarest.


La celda negra: desnudo, encadenado en la oscuridad
Alexandru Rusu, el obispo de Maramures, murió en la cárcel de Gherla, cerca de Cluj, en Transilvania. Arrestado en 1948, pasó primero por Sighet donde pasó mucho tiempo en la terrible “celda negra”, desnudo, encadenado de pie y en oscuridad absoluta.


No solo sobrevivió, sino que en 1956 firmó con los obispos Ioan Balan y Ioan Hussu un documento en defensa de los derechos religiosos de los grecocatólicos.


El régimen le castigó condenándole a 25 años de trabajos forzados, alojado en una celda subterránea en Gherla. Los documentos dicen que se le enterró en el cementerio de presos políticos de la cárcel… un lugar que luego las autoridades comunistas araron para no dejar vestigios de las tumbas.

Todea: 13 años de cárcel, 27 de arresto domiciliario
Otro caso es el de Alexandru Todea, que cuando los comunistas disolvieron la Iglesia grecocatólica en 1948 era un simple sacerdote. Lo consagraron obispo en secreto en 1950. Lo encarcelaron de 1951 a 1964. Pero esos 13 años no lo hundieron: al salir reorganizó la Iglesia grecocatólica a pesar de que oficialmente lo sometieron a 27 años de arresto domiciliario. Cuando cayó el comunismo fue nombrado arzobispo y luego cardenal con Juan Pablo II.


Todea, en 1990, al caer el Muro de Berlín, habló así en un sínodo de obispos en Roma: “Hablo de una iglesia mártir, que ha vivido 16 años en prisión. Durante este periodo, de los doce obispos que tenía, cinco han muerto en prisión, dos en los monasterios ortodoxos como presos y dos después de la liberación con la salud maltrecha. Hablo en nombre de una Iglesia que ha perdido las iglesias pero ha transformado las celdas de las cárceles en otras tantas capillas y ha abierto seminarios en las catacumbas rumanas del vigésimo siglo. Durante el tiempo de la persecución fueron ordenados cerca de doscientos sacerdotes”, explicó. 
El comunismo en Rumanía fue peculiarmente extenso, brutal e insistente... La Tortura del Silencio detalla por qué sus atrocidades aún no salen a la luz y recoge testimonios de fe
La Congregación para la Causa de los Santos en Roma hace tiempo que tiene el dossier de los 7 obispos grecocatólicos mártires, pero el proceso avanza con lentitud. Encontrar sus cadáveres y tumbas es una tarea compleja en la que intenta trabajar Gheorghe Petrov. Él denuncia reticencias no sólo por parte de algunas autoridades estatales sino por parte de algunos clérigos grecocatólicos actuales. Y, sin embargo, la historia de fe y coraje de los obispos grecocatólicos de los años 50 merece ser contada.

(Más sobre la persecución comunista en Rumanía y las trabas a estudiarla en la actualidad en La tortura del silencio, de Guido Barella, Rialp, 14 euros)

En el vídeo, una visita a las cárceles comunistas alemanas de los últimos años, crueles pero mucho menos perversas que Sighet

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