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segunda-feira, 29 de julho de 2013

Francisco, é mais seguido no Twitter depois de Obama

O perfil do Papa Francisco no Twitter
O mais influente e seguido no Twitter
Com 7,2 milhões de seguidores
Redacção, 24 de Julho de 2013 às 15:26

Francisco é o segundo líder mundial mais seguido no Twitter, atrás do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Além disso, é o personagem mais influente da rede social e o mais partilhado, segundo o estudo 'Twiplomacy', publicado esta quarta-feira.

'Twiplomacy' é um estudo que leva a cabo a empresa de relações públicas e comunicação Burson-Marsteller sobre o uso que fazem os líderes mundiais do Twitter. Para este estudo, a empresa fez um seguimento de 505 contas de líderes e instituições mundiais de 153 países diferentes.

Segundo o estudo, Obama é o líder mundial mais seguido, com 33,5 milhões de seguidores, o que converte a sua conta na quarta mais popular do Twitter atrás da cantora estadunidense Lady Gaga, que recentemente decidiu fechá-la de forma temporária.

Sem dúvida, o Governo dos Estados Unidos é o que pior ligado está com outros líderes mundiais. Tendo em conta as contas de Obama, da Casa Branca e do Departamento de Estado, 'Twiplomacy' revela que no total, estas três contas seguem unicamente quatro líderes ou organismos mundiais: o primeiro-ministro russo, Dimitri Medvedev, o Governo do Reino Unido, o primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg, e o presidente do Chile, Sebastián Piñera.


O Papa Francisco é o segundo líder mundial mais seguido com os mais 7,2 milhões de seguidores que somam as nove contas diferentes que tem o Vaticano.

Apesar de não ser o mais seguido, o Papa é a pessoa mais influente do Twitter: cada twit que publica em espanhol é partilhado uma média de 11.116 vezes e cada twit publicado em inglês recebe uma média de 8.219 partilhas, frente às 2.309 partilhas médias que tem por cada twit o presidente estadunidense.

Apesar disso, o twit mais partilhado na história da rede social é um que publicou Obama no dia depois de ganhar as eleições que lhe outorgaram o seu segundo mandato. A publicação rezava "Quatro anos mais" e ia acompanhada de uma foto do mandatário abraçando a sua esposa, Michelle Obama. No total, foi partilhado 810.006 vezes.

(RD/Ep)


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Quando a Nicarágua proibiu todo o aborto em 2005, as mortes maternas começaram a baixar

Actualizado 24 de Julho de 2013

Aci / ReL

Os dados médicos desmentem a
propaganda pró-aborto da
Amnistia Internacional
É necessário o chamado "aborto terapêutico" para melhorar a saúde das grávidas?

As cifras da Nicarágua (como antes já as do Chile) demonstram de forma rotunda que não.

Em 2005, a Nicarágua proibiu todo o aborto, incluindo o chamado aborto por razões "terapêuticas" e o aborto por violação, que desde 1981 se praticavam no país.

Aborto proibido: mais saúde maternal
Desde a proibição total do aborto, a saúde materna não deixou de melhorar, até ao ponto de que a taxa de mortes maternais por cada cem mil nascidos vivos se reduziu a quase metade.

Em 22 de Julho de 2013, o Ministério da Saúde da Nicarágua informou que enquanto em 2005 a taxa de mortes em mulheres era de 86,47 por cada 100 mil nascidos vivos, em 2012 esta cifra se reduziu a 50,6 mulheres por cada 100 mil nascimentos.

O Governo da Nicarágua rejeitou os repetidos intentos do lobby abortista de abrir as portas novamente ao aborto.

Amnistia Internacional, lobby abortista
Em 2011, ante a pressão da ONG abortista Amnistia Internacional, Rosa Murillo, esposa do presidente sandinista Daniel Ortega e mãe dos seus numerosos filhos assinalou que na Nicarágua “lutamos para defender a vida porque é a essência da verdade com a qual Deus criou o mundo”. 


Os dados reais da Nicarágua refutam a
propaganda do lobby abortista Amnistia
Internacional: com o aborto proibido,
melhora a saúde das mulheres
"A posição da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) e do Governo em relação ao aborto (terapêutico) é que nós temos ratificado a nossa proposta que é a favor da vida", assinalou nessa ocasião.

Segundo informou o Ministério da Saúde, os avanços na redução da mortalidade materna devem-se ao seguimento das gravidezes e à atenção pré-natal, assim como ao trabalho de uma centena de Casas Maternas que se repartiram por toda a Nicarágua para atender as áreas rurais, garantindo um parto seguro às mulheres.

Já se viu nos estudos de Elard Koch
Já em Maio de 2012, um estudo dirigido pelo científico chileno Elard Koch demonstrou que um maior acesso ao aborto não produz uma diminuição na taxa de mortalidade materna.

Nessa ocasião, o Dr. Koch sublinhou que é a educação das mulheres o que melhora a sua capacidade "para aceder aos recursos existentes de atenção de saúde, incluindo pessoal qualificado para o parto, e conduz directamente a uma redução no seu risco de morrer durante a gravidez e o parto".

Pelo contrário, o aborto incrementa a taxa de mortalidade materna e danifica a saúde das mulheres, segundo advertiu um grupo de cientistas de diferentes países, reunidos ante a Comissão Jurídica e Social da Mulher da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque (Estados Unidos), em Março deste ano.

Entre esses especialistas figuravam o Dr. Eoghan De Faoite, membro da Junta da Comissão de Excelência na Saúde Materna da Irlanda e a Dra. Donna J. Harrison, Directora de Investigação da Política Pública da Associação Estadunidense de Obstetras e Ginecólogas Provida.


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Putin conta num documentário sobre a perseguição soviética que a sua mãe o baptizou às escondidas

Actualizado 23 de Julho de 2013

ReL

Putin se deixa ver muito em actos
eclesiais, benzendo-se e pondo velas
O presidente russo, Vladímir Putin, confessou num documentário de televisão que foi baptizado às escondidas do seu pai, um membro do Partido Comunista da União Soviética (PCUS).

"A minha mãe baptizou-me às escondidas do meu pai que era membro do Partido Comunista. Ele não era nenhum funcionário, trabalhava na fábrica, mas era um activista de base do partido na organização da fábrica", reconheceu Putin, citado pelas agências locais.

Putin, um crente confesso, acrescentou: "Assim que, isso (o baptismo) me comoveu a mim, pessoalmente, e à nossa família".

Segundo a imprensa local, o líder russo foi baptizado na catedral da Santa Transfiguração de São Petersburgo (então Leningrado) onde nasceu em 1952, um ano antes da morte do dirigente soviético, Iosif Stalin.

Ao crescer, o jovem Putin começou a sua carreira como agente do KGB na República Democrática Alemã, a Alemanha comunista (como assinalam os seus inimigos, dedicava-se a "espiar os nossos aliados").

O chefe do Kremlin recordou as circunstâncias do seu baptismo no documentário "O segundo baptismo da Rússia", que foi transmitido pela televisão pública russa esta segunda-feira 22 de Julho, explicando a perseguição contra os crentes durante a era soviética.

Putin ordenou a devolução à Igreja Ortodoxa de muitas das propriedades confiscadas pelas autoridades soviéticas.

Em Janeiro de 2012 Putin recebeu a bênção do ícone da Virgem de Tíjvin, na região de Leningrado, tal como que todos os czares desde Ivã o Terrível (1530-84), com a excepção do último, Nicolás II, que foi fuzilado pelos bolcheviques em 1918.


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Cracóvia será sede da próxima JMJ

O anúncio foi feito pelo Papa Francisco na manhã deste domingo


Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2013


A próxima Jornada Mundial da Juventude (JMJ) será sediada pela Cracóvia (Polónia), em 2016, cidade natal do beato João Paulo II. O anúncio foi feito pelo Papa Francisco na manhã deste domingo, 28, durante a Missa de Envio da JMJ Rio2013.

Terra natal do beato João Paulo II, Cracóvia é considerada a capital espiritual da Polónia. A vida espiritual da cidade iniciou muito antes de Karol Wojtyła. Já no ano 1000, a diocese de Cracóvia foi criada, e a cidade tornou-se um destino popular para peregrinações cristãs.

O país encontra-se no centro do continente europeu. Perto de Varsóvia é onde se localiza o centro geométrico da Europa, no qual se cruzam as linhas que unem os cabos Nordkinn (a Noruega) com Matapan (o Peloponeso, a Grécia) e o Cabo da Roca (Portugal) com a parte central dos Montes Urais. Pela Polônia passa também a fronteira continental entre a Europa Ocidental e a Europa Oriental.

A nota foi publicada no site da JMJ Rio 2013.


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Quem evangeliza é evangelizado, quem transmite a alegria da fé, recebe alegria

Homilia do Papa Francisco pronunciada na Missa deste domingo na Praia de Copacabana


Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2013


Apresentamos a Homilia do Papa Francisco na Santa Missa pela XXVIII Jornada Mundial da Juventude Rio de Janeiro pronunciada neste Domingo, 28 de Julho de 2013. 

Venerados e amados Irmãos no episcopado e no sacerdócio,
Queridos jovens!

«Ide e fazei discípulos entre todas as nações». Com estas palavras, Jesus se dirige a cada um de vocês, dizendo: «Foi bom participar nesta Jornada Mundial da Juventude, vivenciar a fé junto com jovens vindos dos quatro cantos da terra, mas agora você deve ir e transmitir esta experiência aos demais». Jesus lhe chama a ser um discípulo em missão! Hoje, à luz da Palavra de Deus que acabamos de ouvir, o que nos diz o Senhor? Três palavras: Ide, sem medo, para servir.

1. Ide. Durante estes dias, aqui no Rio, vocês puderam fazer a bela experiência de encontrar Jesus e de encontrá-lo juntos, sentindo a alegria da fé. Mas a experiência deste encontro não pode ficar trancafiada na vida de vocês ou no pequeno grupo da paróquia, do movimento, da comunidade de vocês. Seria como cortar o oxigénio a uma chama que arde. A fé é uma chama que se faz tanto mais viva quanto mais é partilhada, transmitida, para que todos possam conhecer, amar e professar que Jesus Cristo é o Senhor da vida e da história (cf. Rm 10,9).

Mas, atenção! Jesus não disse: se vocês quiserem, se tiverem tempo, mas: «Ide e fazei discípulos entre todas as nações». Partilhar a experiência da fé, testemunhar a fé, anunciar o Evangelho é o mandato que o Senhor confia a toda a Igreja, também a você. É uma ordem sim; mas não nasce da vontade de domínio ou de poder, nasce da força do amor, do fato que Jesus foi quem veio primeiro para junto de nós e nos deu não somente um pouco de Si, mas se deu por inteiro, deu a sua vida para nos salvar e mostrar o amor e a misericórdia de Deus. Jesus não nos trata como escravos, mas como homens livres, amigos, como irmãos; e não somente nos envia, mas nos acompanha, está sempre junto de nós nesta missão de amor.

Para onde Jesus nos manda? Não há fronteiras, não há limites: envia-nos para todas as pessoas. O Evangelho é para todos, e não apenas para alguns. Não é apenas para aqueles que parecem a nós mais próximos, mais abertos, mais acolhedores. É para todas as pessoas. Não tenham medo de ir e levar Cristo para todos os ambientes, até as periferias existenciais, incluindo quem parece mais distante, mais indiferente. O Senhor procura a todos, quer que todos sintam o calor da sua misericórdia e do seu amor.

De forma especial, queria que este mandato de Cristo -”Ide” – ressoasse em vocês, jovens da Igreja na América Latina, comprometidos com a Missão Continental promovida pelos Bispos. O Brasil, a América Latina, o mundo precisa de Cristo! Paulo exclama: «Ai de mim se eu não pregar o evangelho!» (1Co 9,16). Este Continente recebeu o anúncio do Evangelho, que marcou o seu caminho e produziu muito fruto. Agora este anúncio é confiado também a vocês, para que ressoe com uma força renovada. A Igreja precisa de vocês, do entusiasmo, da criatividade e da alegria que lhes caracterizam! Um grande apóstolo do Brasil, o Bem-aventurado José de Anchieta, partiu em missão quando tinha apenas dezanove anos! Sabem qual é o melhor instrumento para evangelizar os jovens? Outro jovem! Este é o caminho a ser percorrido!

2. Sem medo. Alguém poderia pensar: «Eu não tenho nenhuma preparação especial, como é que posso ir e anunciar o Evangelho»? Querido amigo, esse seu temor não é muito diferente do sentimento que teve Jeremias, um jovem como vocês, quando foi chamado por Deus para ser profeta. Acabamos de escutar as suas palavras: «Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, sou muito novo». Deus responde a vocês com as mesmas palavras dirigidas a Jeremias: «Não tenhas medo… pois estou contigo para defender-te» (Jr 1,8). Deus está connosco!

«Não tenham medo!» Quando vamos anunciar Cristo, Ele mesmo vai à nossa frente e nos guia. Ao enviar os seus discípulos em missão, Jesus prometeu: «Eu estou com vocês todos os dias» (Mt 28,20). E isto é verdade também para nós! Jesus não nos deixa sozinhos, nunca lhes deixa sozinhos! Sempre acompanha a vocês!

Além disso, Jesus não disse: «Vai», mas «Ide»: somos enviados em grupo. Queridos jovens, sintam a companhia de toda a Igreja e também a comunhão dos Santos nesta missão. Quando enfrentamos juntos os desafios, então somos fortes, descobrimos recursos que não sabíamos que tínhamos. Jesus não chamou os Apóstolos para viver isolados, chamou-lhes para que formassem um grupo, uma comunidade. Queria dar uma palavra também a vocês, queridos sacerdotes, que concelebram comigo esta Eucaristia: vocês vieram acompanhando os seus jovens, e é uma coisa bela partilhar esta experiência de fé! Mas esta é uma etapa do caminho. Continuem acompanhando os jovens com generosidade e alegria, ajudem-lhes a se comprometer activamente na Igreja; que eles nunca se sintam sozinhos!

3. A última palavra: para servir. No início do salmo proclamado, escutamos estas palavras: «Cantai ao Senhor Deus um canto novo» (Sl 95, 1). Qual é este canto novo? Não são palavras, nem uma melodia, mas é o canto da nossa vida, é deixar que a nossa vida se identifique com a vida de Jesus, é ter os seus sentimentos, os seus pensamentos, as suas acções. E a vida de Jesus é uma vida para os demais. É uma vida de serviço.

São Paulo, na leitura que ouvimos há pouco, dizia: «Eu me tornei escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível» (1 Cor 9, 19). Para anunciar Jesus, Paulo fez-se «escravo de todos». Evangelizar significa testemunhar pessoalmente o amor de Deus, significa superar os nossos egoísmos, significa servir, inclinando-nos para lavar os pés dos nossos irmãos, tal como fez Jesus.

Ide, sem medo, para servir. Seguindo estas três palavras, vocês experimentarão que quem evangeliza é evangelizado, quem transmite a alegria da fé, recebe alegria. Queridos jovens, regressando às suas casas, não tenham medo de ser generosos com Cristo, de testemunhar o seu Evangelho. Na primeira leitura, quando Deus envia o profeta Jeremias, lhe dá o poder de «extirpar e destruir, devastar e derrubar, construir e plantar» (Jr 1,10). E assim é também para vocês. Levar o Evangelho é levar a força de Deus, para extirpar e destruir o mal e a violência; para devastar e derrubar as barreiras do egoísmo, da intolerância e do ódio; para construir um mundo novo. Jesus Cristo conta com vocês! A Igreja conta com vocês! O Papa conta com vocês! Que Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, lhes acompanhe sempre com a sua ternura: «Ide e fazei discípulos entre todas as nações». Amen.



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Vocês são o campo da fé! Vocês são os atletas de Cristo!

Discurso pronunciado pelo Papa Francisco durante a vigília que reuniu 3 milhões de pessoas


Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2013


Apresentamos a seguir o Discurso pronunciado pelo Pontífice durante a vigília que reuniu 3 milhões de pessoas em Copacabana, na noite deste sábado, 27 de Julho.

Olhando para vocês presentes aqui hoje, me vem a mente a história de São Francisco de Assis. Diante do Crucifixo, ele escuta a voz de Jesus que lhe diz: «Francisco, vai e repara a minha casa». E o jovem Francisco responde, com prontidão e generosidade, a esta chamado do Senhor: repara a minha casa. Mas qual casa? Aos poucos, ele percebe que não se tratava fazer de pedreiro para reparar um edifício feito de pedras, mas de dar a sua contribuição para a vida da Igreja; tratava-se de colocar-se ao serviço da Igreja, amando-a e trabalhando para que transparecesse nela sempre mais a Face de Cristo.

Também hoje o Senhor continua precisando de vocês, jovens, para a sua Igreja. Querido jovens, o Senhor necessita de você. Também hoje ele chama a cada um de vocês para segui-lo na sua Igreja, para serem missionários. Queridos jovens, o Senhor hoje os chama. Não a muitos, mas a você, a você, a você, a você… a cada um. Escutem-no no coração.

Penso que podemos aprender com o que aconteceu nesses dias. Como tivemos que cancelar, devido ao mau tempo, a realização desta vigília no Campus Fidei (Campo da Fé), em Guaratiba, não estaria o Senhor querendo dizer-nos que o verdadeiro Campo da Fé, o verdadeira Campus Fidei, não é um lugar geográfico, mas somos nós?

Sim, é verdade. Cada um de nós, cada um de vocês, eu, vocês, todos, que ser discípulos missionários significa reconhecer que somos Campos da Fé de Deus. Por isso, a partir da imagem do Campo da Fé, pensei em três imagens que podem nos ajudar a entender melhor o que significa ser um discípulo missionário: a primeira, o campo como lugar onde se semeia; a segunda, o campo como lugar de treinamento; e a terceira, o campo como canteiro de obras.

1. O campo como lugar onde se semeia. Todos conhecemos a parábola de Jesus sobre um semeador que saiu pelo campo lançando sementes; algumas caem à beira do caminho, em meio às pedras, no meio de espinhos e não conseguem se desenvolver; mas outras caem em terra boa e dão muito fruto (cf. Mt 13,1-9). Jesus mesmo explica o sentido da parábola: a semente é a Palavra de Deus que é lançada nos nossos corações (cf. Mt 13,18-23). Queridos jovens, isso significa que o verdadeiro Campus Fidei é o coração de cada um de vocês, é a vida de vocês. E é na vida de vocês que Jesus pede para entrar com a sua Palavra, com a sua presença. Por favor, deixem que Cristo e a sua Palavra entrem na vida de vocês, e nela possam germinar e crescer.

Jesus nos diz que as sementes, que caíram à beira do caminho, em meio às pedras e em meio aos espinhos não deram fruto. Qual terreno somos ou queremos ser? Quem sabe se, às vezes, somos como o caminho: escutamos o Senhor, mas na vida não muda nada, pois nos deixamos aturdir por tantos apelos superficiais que escutamos; ou como o terreno pedregoso: acolhemos Jesus com entusiasmo, mas somos inconstantes e diante das dificuldades não temos a coragem de ir contra a corrente; ou somos como o terreno com os espinhos: as coisas, as paixões negativas sufocam em nós as palavras do Senhor (cf. Mt 13, 18-22). Mas, hoje, tenho a certeza que a semente está caindo numa terra boa, sei que vocês querem ser um terreno bom, não querem ser cristãos pela metade, nem “engomadinhos”, nem cristãos de fachada, mas sim autênticos. Tenho a certeza que vocês não querem viver na ilusão de uma liberdade que se deixe arrastar pelas modas e as conveniências do momento. Sei que vocês apostam em algo grande, em escolhas definitivas que dêem pleno sentido para a vida. Jesus é capaz de oferecer-lhes isto. Ele é o «caminho, a verdade e a vida» (Jo 14,6)! Confiemos n’Ele. Deixemo-nos guiar por Ele!

2. O campo como lugar de treinamento. Jesus nos pede que o sigamos por toda a vida, pede que sejamos seus discípulos, que “joguemos no seu time”. Acho que a maioria de vocês ama os desportos. E aqui no Brasil, como em outros países, o futebol é uma paixão nacional. Ora bem, o que faz um jogador quando é convocado para jogar em uma equipa? Deve treinar, e muito! Também é assim na nossa vida de discípulos do Senhor. São Paulo nos diz: «Todo atleta se impõe todo tipo de disciplina. Eles assim procedem, para conseguirem uma coroa corruptível. Quanto a nós, buscamos uma coroa incorruptível!» (1Co 9, 25). Jesus nos oferece algo muito superior que a Copa do Mundo! Oferece-nos a possibilidade de uma vida fecunda e feliz e nos oferece também um futuro com Ele que não terá fim: a vida eterna. Jesus, porém, nos pede que treinemos para estar “em forma”, para enfrentar, sem medo, todas as situações da vida, testemunhando a nossa fé. Como? Através do diálogo com Ele: a oração, que é diálogo diário com Deus que sempre nos escuta. através dos sacramentos, que fazem crescer em nós a sua presença e nos conformam com Cristo; através do amor fraterno, do saber escutar, do compreender, do perdoar, do acolher, do ajudar os demais, qualquer pessoa sem excluir nem marginalizar ninguém. Queridos jovens, que vocês sejam verdadeiros “atletas de Cristo”!

3. O campo como canteiro de obras. Quando o nosso coração é uma terra boa que acolhe a Palavra de Deus, quando se “sua a camisa” procurando viver como cristãos, nós experimentamos algo maravilhoso: nunca estamos sozinhos, fazemos parte de uma família de irmãos que percorrem o mesmo caminho; somos parte da Igreja, mais ainda, tornamo-nos construtores da Igreja e protagonistas da história. São Pedro nos diz que somos pedras vivas que formam um edifício espiritual (cf. 1Pe 2,5). E, olhando para este palco, vemos que ele tem a forma de uma igreja, construída com pedras, com tijolos. Na Igreja de Jesus, nós somos as pedras vivas, e Jesus nos pede que construamos a sua Igreja; e não como uma capelinha, onde cabe somente um grupinho de pessoas. Jesus nos pede que a sua Igreja viva seja tão grande que possa acolher toda a humanidade, que seja casa para todos! Ele diz a mim, a você, a cada um: «Ide e fazei discípulos entre todas as nações»! Nesta noite, respondamos-lhe: Sim, também eu quero ser uma pedra viva; juntos queremos edificar a Igreja de Jesus! Digamos juntos: Eu quero ir e ser construtor da Igreja de Cristo!

No coração jovem de vocês, existe o desejo de construir um mundo melhor. Acompanhei atentamente as notícias a respeito de muitos jovens que, em tantas partes do mundo, saíram pelas ruas para expressar o desejo de uma civilização mais justa e fraterna. Mas, fica a pergunta: Por onde começar? Quais são os critérios para a construção de uma sociedade mais justa? Quando perguntaram a Madre Teresa de Calcutá o que devia mudar na Igreja, ela respondeu: você e eu!

Queridos amigos, não se esqueçam: Vocês são o campo da fé! Vocês são os atletas de Cristo! Vocês são os construtores de uma Igreja mais bela e de um mundo melhor. Elevemos o olhar para Nossa Senhora. Ela nos ajuda a seguir Jesus, nos dá o exemplo com o seu “sim” a Deus: «Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra» (Lc 1,38). Também nós o dizemos a Deus, juntos com Maria: faça-se em mim segundo a Tua palavra. Assim seja!



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Missão Continental: património herdado do encontro em Aparecida

Discurso do Papa Francisco aos dirigentes do CELAM


Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2013


Apresentamos o Discurso do Papa Francisco aos dirigentes do CELAM realizado neste domingo, 28 de Julho.

1. Introdução
Agradeço ao Senhor por esta oportunidade de poder falar com vocês, Irmãos Bispos responsáveis do CELAM no quadriénio 2011-2015. Há 57 anos que o CELAM serve as 22 Conferências Episcopais da América Latina e do Caribe, colaborando solidária e subsidiariamente para promover, incentivar e dinamizar a colegialidade episcopal e a comunhão entre as Igrejas da Região e seus Pastores.

Como vocês, também eu sou testemunha do forte impulso do Espírito na V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, em Aparecida no mês de maio de 2007, que continua animando os trabalhos do CELAM para a anelada renovação das Igrejas particulares. Em boa parte delas, essa renovação já está em andamento. Gostaria de centrar esta conversação no património herdado daquele encontro fraterno e que todos baptizamos como Missão Continental.

2. Características peculiares de Aparecida
Existem quatro características típicas da referida V Conferência. Constituem como que quatro colunas do desenvolvimento de Aparecida que lhe dão a sua originalidade.

1) Início sem documento
Medelín, Puebla e Santo Domingo começaram os seus trabalhos com um caminho preparatório que culminou em uma espécie de Instrumentum laboris, com base no qual se desenrolou a discussão, a reflexão e a aprovação do documento final. Em vez disso, Aparecida promoveu a participação das Igrejas particulares como caminho de preparação que culminou em um documento de síntese. Este documento, embora tenha sido ponto de referência durante a V Conferência Geral, não foi assumido como documento de partida. O trabalho inicial foi pôr em comum as preocupações dos Pastores perante a mudança de época e a necessidade de recuperar a vida de discípulo e missionário com que Cristo fundou a Igreja.

2) Ambiente de oração com o Povo de Deus
É importante lembrar o ambiente de oração gerado pela partilha diária da Eucaristia e de outros momentos litúrgicos, tendo sido sempre acompanhados pelo Povo de Deus. Além disso, realizando-se os trabalhos na cripta do Santuário, a “música de fundo” que os acompanhava era constituída pelos cânticos e as orações dos fiéis.

3) Documento que se prolonga em compromisso, com a Missão Continental
Neste contexto de oração e vivência de fé, surgiu o desejo de um novo Pentecostes para a Igreja e o compromisso da Missão Continental. Aparecida não termina com um documento, mas prolonga-se na Missão Continental.

4) A presença de Nossa Senhora, Mãe da América
É a primeira Conferência do Episcopado da América Latina e do Caribe que se realiza em um Santuário mariano.

3. Dimensões da Missão Continental
A Missão Continental está projectada em duas dimensões: programática e paradigmática. A missão programática, como o próprio nome indica, consiste na realização de actos de índole missionária. A missão paradigmática, por sua vez, implica colocar em chave missionária a actividade habitual das Igrejas particulares. Em consequência disso, evidentemente, verifica-se toda uma dinâmica de reforma das estruturas eclesiais. A “mudança de estruturas” (de caducas a novas) não é fruto de um estudo de organização do organograma funcional eclesiástico, de que resultaria uma reorganização estática, mas é consequência da dinâmica da missão. O que derruba as estruturas caducas, o que leva a mudar os corações dos cristãos é justamente a missionariedade. Daqui a importância da missão paradigmática.

A Missão Continental, tanto programática como paradigmática, exige gerar a consciência de uma Igreja que se organiza para servir a todos os baptizados e homens de boa vontade. O discípulo de Cristo não é uma pessoa isolada em uma espiritualidade intimista, mas uma pessoa em comunidade para se dar aos outros. Portanto, a Missão Continental implica pertença eclesial.

Uma posição como esta, que começa pelo discipulado missionário e implica entender a identidade do cristão como pertença eclesial, pede que explicitemos quais são os desafios vigentes da missionariedade discipular. Me limito a assinalar dois: a renovação interna da Igreja e o diálogo com o mundo actual.

Renovação interna da Igreja
Aparecida propôs como necessária a Conversão Pastoral. Esta conversão implica acreditar na Boa Nova, acreditar em Jesus Cristo portador do Reino de Deus, em sua irrupção no mundo, em sua presença vitoriosa sobre o mal; acreditar na assistência e guia do Espírito Santo; acreditar na Igreja, Corpo de Cristo e prolongamento do dinamismo da Encarnação.

Neste sentido, é necessário que nos interroguemos, como Pastores, sobre o andamento das Igrejas a que presidimos. Estas perguntas servem de guia para examinar o estado das dioceses quanto à adopção do espírito de Aparecida, e são perguntas que é conveniente pôr-nos, muitas vezes, como exame de consciência.

1. Procuramos que o nosso trabalho e o de nossos presbíteros seja mais pastoral que administrativo? Quem é o principal beneficiário do trabalho eclesial, a Igreja como organização ou o Povo de Deus na sua totalidade?

2. Superamos a tentação de tratar de forma reactiva os problemas complexos que surgem? Criamos um hábito proactivo? Promovemos espaços e ocasiões para manifestar a misericórdia de Deus? Estamos conscientes da responsabilidade de repensar as atitudes pastorais e o funcionamento das estruturas eclesiais, buscando o bem dos fiéis e da sociedade?

3. Na prática, fazemos os fiéis leigos participantes da Missão? Oferecemos a Palavra de Deus e os Sacramentos com consciência e convicção claras de que o Espírito se manifesta neles?

4. Temos como critério habitual o discernimento pastoral, servindo-nos dos Conselhos Diocesanos? Tanto estes como os Conselhos paroquiais de Pastoral e de Assuntos Económicos são espaços reais para a participação laical na consulta, organização e planeamento pastoral? O bom funcionamento dos Conselhos é determinante. Acho que estamos muito atrasados nisso.

5. Nós, Pastores Bispos e Presbíteros, temos consciência e convicção da missão dos fiéis e lhes damos a liberdade para irem discernindo, de acordo com o seu processo de discípulos, a missão que o Senhor lhes confia? Apoiamo-los e acompanhamos, superando qualquer tentação de manipulação ou indevida submissão? Estamos sempre abertos para nos deixarmos interpelar pela busca do bem da Igreja e da sua Missão no mundo?

6. Os agentes de pastoral e os fiéis em geral sentem-se parte da Igreja, identificam-se com ela e aproximam-na dos baptizados indiferentes e afastados?

Como se pode ver, aqui estão em jogo atitudes. A Conversão Pastoral diz respeito, principalmente, às atitudes e a uma reforma de vida. Uma mudança de atitudes é necessariamente dinâmica: “entra em processo” e só é possível moderá-lo acompanhando-o e discernindo-o. É importante ter sempre presente que a bússola, para não se perder nesse caminho, é a identidade católica concebida como pertença eclesial.

Diálogo com o mundo actual
Faz-nos bem lembrar estas palavras do Concílio Vaticano II: As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens do nosso tempo, sobretudo dos pobres e atribulados, são também alegrias e esperanças, tristezas e angústias dos discípulos de Cristo (cf. GS, 1). Aqui reside o fundamento do diálogo com o mundo actual.

A resposta às questões existenciais do homem de hoje, especialmente das novas gerações, atendendo à sua linguagem, entranha uma mudança fecunda que devemos realizar com a ajuda do Evangelho, do Magistério e da Doutrina Social da Igreja. Os cenários e areópagos são os mais variados. Por exemplo, em uma mesma cidade, existem vários imaginários colectivos que configuram “diferentes cidades”. Se continuarmos apenas com os parâmetros da “cultura de sempre”, fundamentalmente uma cultura de base rural, o resultado acabará anulando a força do Espírito Santo. Deus está em toda a parte: há que saber descobri-lo para poder anunciá-lo no idioma dessa cultura; e cada realidade, cada idioma tem um ritmo diferente.

4. Algumas tentações contra o discipulado missionário
A opção pela missionariedade do discípulo sofrerá tentações. É importante saber por onde entra o espírito mau, para nos ajudar no discernimento. Não se trata de sair à caça de demónios, mas simplesmente de lucidez e prudência evangélicas. Limito-me a mencionar algumas atitudes que configuram uma Igreja “tentada”. Trata-se de conhecer determinadas propostas actuais que podem mimetizar-se em a dinâmica do discipulado missionário e deter, até fazê-lo fracassar, o processo de Conversão Pastoral.

1. A ideologização da mensagem evangélica. É uma tentação que se verificou na Igreja desde o início: procurar uma hermenêutica de interpretação evangélica fora da própria mensagem do Evangelho e fora da Igreja. Um exemplo: a dado momento, Aparecida sofreu essa tentação sob a forma de assepsia. Foi usado, e está bem, o método de “ver, julgar, agir” (cf. n.º 19). A tentação se encontraria em optar por um “ver” totalmente asséptico, um “ver” neutro, o que não é viável. O ver está sempre condicionado pelo olhar. Não há uma hermenêutica asséptica. Então a pergunta era: Com que olhar vamos ver a realidade? Aparecida respondeu: Com o olhar de discípulo. Assim se entendem os números 20 a 32. Existem outras maneiras de ideologização da mensagem e, actualmente, aparecem na América Latina e no Caribe propostas desta índole. Menciono apenas algumas:

a) O reducionismo socializante. É a ideologização mais fácil de descobrir. Em alguns momentos, foi muito forte. Trata-se de uma pretensão interpretativa com base em uma hermenêutica de acordo com as ciências sociais. Engloba os campos mais variados, desde o liberalismo de mercado até à categorização marxista.

b) A ideologização psicológica. Trata-se de uma hermenêutica elitista que, em última análise, reduz o “encontro com Jesus Cristo” e seu sucessivo desenvolvimento a uma dinâmica de auto-conhecimento. Costuma verificar-se principalmente em cursos de espiritualidade, retiros espirituais, etc. Acaba por resultar numa posição imanente auto-referencial. Não tem sabor de transcendência, nem portanto de missionariedade.

c) A proposta gnóstica. Muito ligada à tentação anterior. Costuma ocorrer em grupos de elites com uma proposta de espiritualidade superior, bastante desencarnada, que acaba por desembocar em posições pastorais de “quaestiones disputatae”. Foi o primeiro desvio da comunidade primitiva e reaparece, ao longo da história da Igreja, em edições corrigidas e renovadas. Vulgarmente são denominados “católicos iluminados” (por serem actualmente herdeiros do Iluminismo).

d) A proposta pelagiana. Aparece fundamentalmente sob a forma de restauracionismo. Perante os males da Igreja, busca-se uma solução apenas na disciplina, na restauração de condutas e formas superadas que, mesmo culturalmente, não possuem capacidade significativa. Na América Latina, costuma verificar-se em pequenos grupos, em algumas novas Congregações Religiosas, em tendências para a “segurança” doutrinal ou disciplinar. Fundamentalmente é estática, embora possa prometer uma dinâmica para dentro: regride. Procura “recuperar” o passado perdido.

2. O funcionalismo. A sua acção na Igreja é paralisante. Mais do que com a rota, se entusiasma com o “roteiro”. A concepção funcionalista não tolera o mistério, aposta na eficácia. Reduz a realidade da Igreja à estrutura de uma ONG. O que vale é o resultado palpável e as estatísticas. A partir disso, chega-se a todas as modalidades empresariais de Igreja. Constitui uma espécie de “teologia da prosperidade” no organograma da pastoral.

3. O clericalismo é também uma tentação muito actual na América Latina. Curiosamente, na maioria dos casos, trata-se de uma cumplicidade viciosa: o sacerdote clericaliza e o leigo lhe pede por favor que o clericalize, porque, no fundo, lhe resulta mais cómodo. O fenómeno do clericalismo explica, em grande parte, a falta de maturidade adulta e de liberdade cristã em boa parte do laicato da América Latina: ou não cresce (a maioria), ou se abriga sob coberturas de ideologizações como as indicadas, ou ainda em pertenças parciais e limitadas. Em nossas terras, existe uma forma de liberdade laical através de experiências de povo: o católico como povo. Aqui vê-se uma maior autonomia, geralmente sadia, que se expressa fundamentalmente na piedade popular. O capítulo de Aparecida sobre a piedade popular descreve, em profundidade, essa dimensão. A proposta dos grupos bíblicos, das comunidades eclesiais de base e dos Conselhos pastorais está na linha de superação do clericalismo e de um crescimento da responsabilidade laical.

Poderíamos continuar descrevendo outras tentações contra o discipulado missionário, mas acho que estas são as mais importantes e com maior força neste momento da América Latina e do Caribe.

5. Algumas orientações eclesiológicas
1. O discipulado-missionário que Aparecida propôs às Igrejas da América Latina e do Caribe é o caminho que Deus quer para “hoje”. Toda a projecção utópica (para o futuro) ou restauracionista (para o passado) não é do espírito bom. Deus é real e se manifesta no “hoje”. A sua presença, no passado, se nos oferece como “memória” da saga de salvação realizada quer em seu povo quer em cada um de nós; no futuro, se nos oferece como “promessa” e esperança. No passado, Deus esteve lá e deixou sua marca: a memória nos ajuda encontrá-lo; no futuro, é apenas promessa… e não está nos mil e um “futuríveis”. O “hoje” é o que mais se parece com a eternidade; mais ainda: o “hoje” é uma centelha de eternidade. No “hoje”, se joga a vida eterna.

O discipulado missionário é vocação: chamada e convite. Acontece em um “hoje”, mas “em tensão”. Não existe o discipulado missionário estático. O discípulo missionário não pode possuir-se a si mesmo; a sua imanência está em tensão para a transcendência do discipulado e para a transcendência da missão. Não admite a auto-referencialidade: ou refere-se a Jesus Cristo ou refere-se às pessoas a quem deve levar o anúncio dele. Sujeito que se transcende. Sujeito projectado para o encontro: o encontro com o Mestre (que nos unge discípulos) e o encontro com os homens que esperam o anúncio.

Por isso, gosto de dizer que a posição do discípulo missionário não é uma posição de centro, mas de periferias: vive em tensão para as periferias… incluindo as da eternidade no encontro com Jesus Cristo. No anúncio evangélico, falar de “periferias existenciais” descentraliza e, habitualmente, temos medo de sair do centro. O discípulo-missionário é um descentrado: o centro é Jesus Cristo, que convoca e envia. O discípulo é enviado para as periferias existenciais.

2. A Igreja é instituição, mas, quando se erige em “centro”, se funcionaliza e, pouco a pouco, se transforma em uma ONG. Então, a Igreja pretende ter luz própria e deixa de ser aquele “mysterium lunae” de que nos falavam os Santos Padres. Torna-se cada vez mais auto-referencial, e se enfraquece a sua necessidade de ser missionária. De “Instituição” se transforma em “Obra”. Deixa de ser Esposa, para acabar sendo Administradora; de Servidora se transforma em “Controladora”. Aparecida quer uma Igreja Esposa, Mãe, Servidora, facilitadora da fé e não controladora da fé.

3. Em Aparecida, verificam-se de forma relevante duas categorias pastorais, que surgem da própria originalidade do Evangelho e nos podem também servir de orientação para avaliar o modo como vivemos eclesialmente o discipulado missionário: a proximidade e o encontro. Nenhuma das duas é nova, antes configuram a maneira como Deus se revelou na história. É o “Deus próximo” do seu povo, proximidade que chega ao máximo quando Ele encarna. É o Deus que sai ao encontro do seu povo. Na América Latina e no Caribe, existem pastorais “distantes”, pastorais disciplinares que privilegiam os princípios, as condutas, os procedimentos organizacionais… obviamente sem proximidade, sem ternura, nem carinho. Ignora-se a “revolução da ternura”, que provocou a encarnação do Verbo. Há pastorais posicionadas com tal dose de distância que são incapazes de conseguir o encontro: encontro com Jesus Cristo, encontro com os irmãos. Este tipo de pastoral pode, no máximo, prometer uma dimensão de proselitismo, mas nunca chegam a conseguir inserção nem pertença eclesial. A proximidade cria comunhão e pertença, dá lugar ao encontro. A proximidade toma forma de diálogo e cria uma cultura do encontro. Uma pedra de toque para aferir a proximidade e a capacidade de encontro de uma pastoral é a homilia. Como são as nossas homilias? Estão próximas do exemplo de Nosso Senhor, que “falava como quem tem autoridade”, ou são meramente prescritivas, distantes, abstractas?

4. Quem guia a pastoral, a Missão Continental (seja programática seja paradigmática), é o Bispo. Ele deve guiar, que não é o mesmo que comandar. Além de assinalar as grandes figuras do episcopado latino-americano que todos nós conhecemos, gostaria de acrescentar aqui algumas linhas sobre o perfil do Bispo, que já disse aos Núncios na reunião que tivemos em Roma. Os Bispos devem ser Pastores, próximos das pessoas, pais e irmãos, com grande mansidão: pacientes e misericordiosos. Homens que amem a pobreza, quer a pobreza interior como liberdade diante do Senhor, quer a pobreza exterior como simplicidade e austeridade de vida. Homens que não tenham “psicologia de príncipes”. Homens que não sejam ambiciosos e que sejam esposos de uma Igreja sem viver na expectativa de outra. Homens capazes de vigiar sobre o rebanho que lhes foi confiado e cuidando de tudo aquilo que o mantém unido: vigiar sobre o seu povo, atento a eventuais perigos que o ameacem, mas sobretudo para cuidar da esperança: que haja sol e luz nos corações. Homens capazes de sustentar com amor e paciência os passos de Deus em seu povo. E o lugar onde o Bispo pode estar com o seu povo é triplo: ou à frente para indicar o caminho, ou no meio para mantê-lo unido e neutralizar as debandadas, ou então atrás para evitar que alguém se desgarre mas também, e fundamentalmente, porque o próprio rebanho tem o seu olfacto para encontrar novos caminhos.

Não quero juntar mais detalhes sobre a pessoa do Bispo, mas simplesmente acrescentar, incluindo-me a mim mesmo nesta afirmação, que estamos um pouco atrasados no que a Conversão Pastoral indica. Convém que nos ajudemos um pouco mais a dar os passos que o Senhor quer que cumpramos neste “hoje” da América Latina e do Caribe. E seria bom começar por aqui.

Agradeço-lhes a paciência de me ouvirem. Desculpem a desordem do discurso e lhes peço, por favor, para tomarmos a sério a nossa vocação de servidores do povo santo e fiel de Deus, porque é nisso que se exerce e mostra a autoridade: na capacidade de serviço. Muito obrigado!



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Tenham a coragem de ir contra a corrente. Tenham a coragem de ser felizes!

Encontro do Papa Francisco com os voluntários


Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2013


Apresentamos as palavras do Papa Francisco pronunciadas no Encontro com voluntários que acontece na tarde de hoje, no Riocentro.

Queridos voluntários, boa tarde!

Não podia regressar a Roma sem antes agradecer, de modo pessoal e afectuoso, a cada um de vocês pelo trabalho e dedicação com que acompanharam, ajudaram, serviram aos milhares de jovens peregrinos; pelos inúmeros pequenos detalhes que fizeram desta Jornada Mundial da Juventude uma experiência inesquecível de fé. Com os sorrisos de cada um de vocês, com a gentileza, com a disponibilidade ao serviço, vocês provaram que "há maior alegria em dar do que em receber" (At 20,35).

O serviço que vocês realizaram nestes dias me lembrou da missão de São João Baptista, que preparou o caminho para Jesus. Cada um, a seu modo, foi um instrumento para que milhares de jovens tivessem o “caminho preparado” para encontrar Jesus. E esse é o serviço mais bonito que podemos realizar como discípulos missionários: preparar o caminho para que todos possam conhecer, encontrar e amar o Senhor. A vocês que, neste período, responderam com tanta prontidão e generosidade ao chamado para ser voluntários na Jornada Mundial, queria dizer: sejam sempre generosos com Deus e com os demais. Não se perde nada; ao contrário, é grande a riqueza da vida que se recebe! Deus chama para escolhas definitivas, Ele tem um projecto para cada um: descobri-lo, responder à própria vocação significa caminhar na direcção da realização jubilosa de si mesmo.

A todos Deus nos chama à santidade, a viver a sua vida, mas tem um caminho para cada um. Alguns são chamados a se santificar constituindo uma família através do sacramento do Matrimónio. Há quem diga que hoje o casamento está “fora de moda”; na cultura do provisório, do relativo, muitos pregam que o importante é “curtir” o momento, que não vale a pena comprometer-se por toda a vida, fazer escolhas definitivas, “para sempre”, uma vez que não se sabe o que reserva o amanhã. Em vista disso eu peço que vocês sejam revolucionários, que vão contra a corrente; sim, nisto peço que se rebelem: que se rebelem contra esta cultura do provisório que, no fundo, crê que vocês não são capazes de assumir responsabilidades, que não são capazes de amar de verdade. Eu tenho confiança em vocês, jovens, e rezo por vocês. Tenham a coragem de “ir contra a corrente”. Tenham a coragem de ser felizes!

O Senhor chama alguns ao sacerdócio, a se doar a Ele de modo mais total, para amar a todos com o coração do Bom Pastor. A outros, chama para servir os demais na vida religiosa: nos mosteiros, dedicando-se à oração pelo bem do mundo, nos vários sectores do apostolado, gastando-se por todos, especialmente os mais necessitados. Nunca me esquecerei daquele 21 de Setembro – eu tinha 17 anos – quando, depois de passar pela igreja de San José de Flores para me confessar, senti pela primeira vez que Deus me chamava. Não tenham medo daquilo que Deus lhes pede! Vale a pena dizer “sim” a Deus. N’Ele está a alegria!

Queridos jovens, talvez algum de vocês ainda não veja claramente o que fazer da sua vida. Peça isso ao Senhor; Ele lhe fará entender o caminho. Como fez o jovem Samuel, que ouviu dentro de si a voz insistente do Senhor que o chamava, e não entendia, não sabia o que dizer, mas, com a ajuda do sacerdote Eli, no final respondeu àquela voz: Senhor, fala eu escuto (cf. 1Sm 3,1-10) Peçam vocês também a Jesus: Senhor, o que quereis que eu faça, que caminho devo seguir?

Caros amigos, novamente lhes agradeço por tudo o que fizeram nestes dias. Não se esqueçam de nada do que vocês viveram aqui! Podem contar sempre com minhas orações, e sei que posso contar com as orações de vocês.



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É descendente directo de Maomé e fez-se católico: «Mais tarde ou mais cedo vão-me matar»






domingo, 28 de julho de 2013

Um padre espanhol e 7 leigos formam a comissão de especialistas para simplificar a Cúria vaticana

Actualizado 19 de Julho de 2013

RomeReports

Formado em Astorga, Lucio Ángel
Vallejo é o número 2 da Prefeitura
de Assuntos Económicos
Francisco criou uma Comissão de especialistas para avaliar a estrutura económica e administrativa da Santa Sé.

Está formada por especialistas em matérias jurídicas, económicas, financeiras e eclesiásticas.

O seu principal objectivo é procurar ideias para conseguir a “simplificação” e a “transparência” dos departamentos vaticanos e uma melhor planificação das actividades económicas e administrativas da Santa Sé. A Comissão informará directamente ao Papa.

Em concreto, o Papa Francisco quer que o Vaticano tenha uma estrutura mais simples para evitar gastos desnecessários e que todos os assuntos económicos se façam com a maior transparência.

A Comissão está formada por sete leigos e um só sacerdote, que é espanhol: o "número dois" da Prefeitura de Assuntos Económicos, Lucio Ángel Vallejo Balda.

Formado em Astorga, Lucio Ángel Vallejo é o número 2 da Prefeitura de Assuntos Económicos

O Papa Francisco cria uma nova Comissão Económica...


O Presidente é Joseph Zahra, de Malta. Os franceses Jean-Baptiste de Franssu e Jean-Videlain Sevestre, o espanhol Enrique Llano, o alemão Jochen Messemer e a italiana Francesca Immacolata Chaouqui, formam parte desta Comissão junto a George Yeo, de Singapura, o único membro não europeu.

Esta comissão colaborará com o grupo de oito cardeais encarregados da reforma da Cúria. A sua primeira reunião com o Papa será depois da Jornada Mundial da Juventude de Rio.


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E a cidade mais santa dos EUA – ou, pelo menos, a mais virtuosa – é… Como? Nova Iorque?

Analisando os 7 pecados capitais em cifras objectivas

Via Crucis de Sexta-feira Santa na Ponte de Brooklyn, Nova Iorque
Actualizado 19 de Julho de 2013

J. Ginés/ReL

Movoto.com é uma publicação digital dedicada a comparar cidades dos Estados Unidos, usando dados sociológicos cruzados, e explicar os resultados com um estilo divertido e divulgativo, para ajudar os cidadãos que querem mudar-se, comprar e vender as suas casas e tomar decisões imobiliárias. Em Espanha quase ninguém pensa em ir trabalhar a outra região, inclusive em plena crise, mas nos Estados Unidos é muito frequente mudar-se de cidade e mudar de trabalho, e muita gente viveu e trabalhou em 5 ou 6 cidades diferentes em toda a sua vida, e lêem esta informação com interesse.

Movoto.com quis averiguar que cidades são as mais "santas", ainda que mais concretamente mediram as mais "virtuosas": as que praticam mais e menos os 7 pecados capitais, os clássicos aristotélico-tomistas. Assim, analisaram as 95 cidades mais povoadas, segundo estes critérios:

Luxúria: clubes de alterne e de topless per capita Vaidade: número de cirurgiões cosméticos per capita Ira: crimes violentos ao ano por cada mil residentes Inveja: roubos ao ano por cada mil residentes Avareza: percentagem de rendimentos disponíveis entregues em doações ao ano Gula: percentagem de residentes com obesidade Preguiça: percentagem de residentes fisicamente inactivos

Dando igual importância a cada vício, elaboraram a média. As pontuações num extremo são as mais virtuosas (santas, dizem no relatório) enquanto as cidades no outro extremo são as mais viciosas, ou corruptas.

E o resultado é assombroso: Nova Iorque é a cidade mais santa ou virtuosa dos Estados Unidos. Sim, ali cometem-se 120.000 roubos por ano, mas há que dividi-los entre 8,2 milhões de residentes: são 15 roubos por cada mil habitantes; só em Irvine (Califórnia), com 11 roubos por cada mil residentes, e Glendale (Califórnia), com 13, roubam menos que em Nova Iorque.

A lista das 10 cidades mais virtuosas é:
1. Nova Iorque,
2. Gilbert, Arizona
3. Fremont, Califórnia
4. Glendale, Califórnia
5. Chula Vista, Califórnia
6. Chandler, Arizona
7. Colorado Springs, Colorado
8. Long Beach, Califórnia
9. San Jose, Califórnia
10. Irvine, Califórnia

Quer dizer: 6 cidades médias da Califórnia, 2 do Arizona e uma do Colorado, todas no sudoeste dos Estados Unidos. Só Nova Iorque rompe essa tendência.

Pelo contrário, as 10 cidades mais viciosas são:
1. St. Louis, Missouri
2. Orlando, Flórida
3. Minneapolis, Minnesotta
4. Pittsburgh, Pensilvânia
5. Milwaukee, Wisconsin
6. Cincinnati, Ohio
7. Miami, Flórida
8. Buffalo, Nova Iorque
9. Detroit, Michigan
10. Las Vegas, Nevada

Esta lista ao menos cumpre com o esperado ao incluir Miami (recordada pela série de televisão "Miami Vice") e Las Vegas (ainda que só em décimo lugar). Ficaria por ver se um Eurovegas próximo de Madrid ajudaria a colocar a região nos rankings de vício e corrupção como sucede na sua homóloga de Nevada.

Factor religiosidade? Não se nota

Em Março a casa de estudos Gallup apresentou um estudo que media quanta gente em cada cidade se autodeclarava "muito religiosa": cidades de Utah e Alabama encabeçavam a lista, mas nenhuma do top-ten de "muito religiosas" nem o "low-ten" (as 10 menos religiosas) coincidem com estas 10 cidades viciosas ou virtuosas.

E em Janeiro, a Sociedade Bíblica Americana e a casa de sondagens Barna apresentaram um estudo sobre as cidades onde mais se lê a Bíblia e mais se crê na "exactidão" ["accuracy"] da Bíblia (um foco mais próprio dos evangélicos norte-americanos), para classificar as 10 cidades mais "bíblicas": estão no Alabama, Tennessee... e não coincidem com as cidades virtuosas nem com as viciosas.

A mais generosa... é quase a mais vaidosa
A lista de Movoto oferece resultados curiosos, que parecem demonstrar que o demónio investe em pecados diferentes segundo o talento de uma cidade. Assim, Irvine é a número 1 em generosidade... Mas é quase a que conta com mais cirurgiões plásticos: quanto tem isso que ver com uma cultura da aparência?

E Saint Louis, a cidade mais viciosa dos Estados Unidos, é das mais "castas", quase sem clubes de streap-tease.

A calorosa e sulista Albuquerque (Novo México), que tem entre 40% e 45% de população hispânica, resulta ser a segunda menos "preguiçosa" de todos os Estados Unidos, só atrás de Saint Paul Minnesotta.

A lista e os comentários da análise de Movoto estão em:
http://www.movoto.com/blog/top-ten/saintly-cities/


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Ninguém pode tocar a Cruz de Jesus sem deixar algo de si mesmo nela e sem trazer algo da Cruz de Jesus para sua própria vida

O Santo Padre Francisco participou da Via Sacra com os peregrinos na praia de Copacabana nessa sexta-feira


Rio de Janeiro, 27 de Julho de 2013


Durante a noite de ontem o Santo Padre Francisco presidiu o terceiro grande evento central da Jornada Mundial da Juventude, na Praia de Copacabana: O Via Crucis.

Mais de 1,5 milhões de fieis lotavam a Avenida Atlântica, a praia e ruas vizinhas. O bairro de Copacabana foi totalmente bloqueado para saída e entrada de veículos. Um mar de jovens se podia ver a partir do Pit dos jornalistas, praticamente uma estrutura de três andares localizada diante do palco central dos eventos. Um mar interminável de peregrinos, quase maior do que o próprio oceano atlântico que limitava aquela multidão.

“Ninguém pode tocar a Cruz de Jesus sem deixar algo de si mesmo nela e sem trazer algo da Cruz de Jesus para sua própria vida”, começou dizendo o Papa nas palavras que pronunciou durante o Via Crucis. O pontífice articulou suas Palavras em três perguntas, fazendo referência à cruz peregrina que passou por todas as regiões do País durante esses dois anos prévios da JMJRio 2013: O que vocês terão deixado na cruz?, O que a cruz deixou em vocês?, O que esta cruz ensina para a nossa vida?

O que vocês terão deixado na cruz?
”Uma antiga tradição da Igreja Romana conta que o apóstolo Pedro saindo da cidade para escapar da perseguição de Nero, viu Jesus que ia na direção contrária e em seguida perguntou: ‘Senhor, aonde vais?’ A resposta de Jesus foi: ‘vou a Roma para ser crucificado de novo’”, disse Papa Francisco. Nessa situação Pedro se deu conta de que não podia fugir, “mas entendeu principalmente que nunca estava só no caminho”, porque Jesus “carrega os nossos medos, nossos problemas, nossos sofrimentos, também os mais profundos”.

Com a Cruz Jesus está ao lado de todos os que sofrem, “na cruz, Jesus está junto de tantos que perderam a sua confiança nas instituições políticas porque vêem o egoísmo e corrupção, ou que perderam a sua fé na Igreja, e até em Deus, pela incoerência dos cristãos e dos ministros do Evangelho”, afirmou o Papa.

O que a cruz deixou em vocês?
A cruz nos deixa um bem que ninguém mais pode dar-nos: “a certeza do amor fiel de Deus por nós”. E olhando para os jovens, disse o Papa “Queridos jovens, confiemos em Jesus. Porque Ele nunca defrauda ninguém”. Ele transformou o significado da cruz, “transformou a Cruz de ser um instrumento de ódio, e de derrota, e de morte, em um sinal de amor, de vitória, de triunfo e de vida”

O Pontífice recordou que o primeiro nome do Brasil foi Terra de Santa Cruz. E assim “A cruz de Cristo não foi plantada só na praia há cinco séculos, mas também na história, no coração e na vida do povo brasileiro, e em muitos outros povos”.

O que esta cruz ensina para a nossa vida?
Essa cruz “nos ensina a olhar para o outro com misericórdia e amor, principalmente o que sofre, o que precisa de ajuda, quem espera uma palavra, um gesto”. O Papa recordou que muitos rostos acompanharam Jesus no caminho do Calvário: Pilatos, o Cireneu, Maria, as mulheres...

E interpelando os jovens perguntou-lhes com uma força que ressoou por toda a praia de Copacabana: “Vocês querem ser como quem? Digam-me: vocês são daqueles que lavam as mãos, fingem não ver e olham para o lado, ou são como o Cireneu, que ajuda Jesus a levar aquele pesado madeiro, como Maria e as outras mulheres, que não têm medo de acompanhar Jesus até o final, com amor, com ternura”. Por fim, disse o Papa: “Jesus está olhando para você agora e lhe diz: você quer me ajudar a carregar a cruz? Irmão, irmã, com toda a sua força jovem, o que lhe respondes?”.  


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