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Olá Bom Dia A pandemia alterou os
ritmos, rotinas e hábitos de muitos cidadãos. O lado digital ganhou um espaço
inimaginável nas comunicações entre as pessoas. A Igreja também se adaptou à
nova realidade e modificou as suas formas de fazer pastoral. O Secretariado das
Comunicações Sociais da Diocese do Algarve promove, hoje e amanhã, uma ação
de formação sobre o uso dos meios digitais no trabalho pastoral para as
paróquias da Vigararia de Tavira. A iniciativa,
intitulada «O Digital nas Paróquias», realiza-se no Centro Pastoral de Tavira
– Santa Luzia e prolongar-se-á na manhã do dia seguinte. A formação, que terá
transmissão online na página da rede social Facebook da vigararia de Tavira,
começa por enquadrar a vida cristã no ambiente digital e incidirá sobre o
trabalho com utilização das redes sociais e recurso às plataformas de videoconferência.
“Há pessoas que rezam
baixando os olhos, escondendo nas mãos o rosto, voltando-se para dentro. Há
outras, porém, que abrem esforçadamente os olhos ao rezar, numa tentativa de
observar a vida no seu espanto. Quer umas, quer outras – estão certas”. A obra foi pensada
não como um livro sobre a oração, mas como um caderno de práticas da oração,
reunindo um conjunto de textos que José Tolentino Mendonça escreveu ao longo
do tempo, muitos deles no contexto da atividade pastoral, para serem
utilizados por comunidades ou, simplesmente, para serem lidos e escutados em
silêncio. Propostas para hoje…
No entanto não esqueça de ver o programa ECCLESIA na RTP2, pelas 15h00, e
escutar na Antena 1, pelas 22h45. Já sabe que pode acompanhar toda a atualidade religiosa, em Portugal e no mundo, no site https://agencia.ecclesia.pt/portal/ Cumprimentos Luis Filipe Santos |
sexta-feira, 13 de novembro de 2020
Um trabalho pastoral cada vez mais digital
quinta-feira, 12 de novembro de 2020
Uma sombra luminosa cobriu o mundo no século XX - Primeira parte
A crença na Conceição Imaculada da Virgem Maria perde-se no tempo. No ano 656, no X Concílio de Trento, foi fixado o dia 8 de Dezembro como festa principal da Imaculada, sendo comemorada na Igreja Oriental, na Península Ibéria, na Irlanda e em Inglaterra.
Portugal nasceu sob o signo de Deus e o Milagre de Ourique. O nosso primeiro Rei, D. Afonso Henriques foi um grande devoto de Nossa Senhora e desde os primeiros alvores da nacionalidade, a Virgem Santíssima conquistou com esse título o coração dos portugueses e por todo o reino se foram erguendo muitos templos em Sua honra.
Conta-se que, um pouco antes da Batalha de Ourique, D. Afonso Henriques foi visitado por um velho homem, que o rei acreditava já ter visto em sonhos. O homem fez-lhe uma revelação profética da vitória. Disse-lhe também para, na noite seguinte, sair do acampamento sozinho, logo que ouvisse a sineta da ermida onde o velho vivia. O rei assim fez. Foi então que um raio de luz iluminou tudo em seu redor, deixando-o distinguir, aos poucos, o Sinal da Cruz e Jesus Cristo crucificado. Emocionado, ajoelhou-se e ouviu a voz do Senhor, que lhe prometeu a vitória naquela e noutras contendas. No dia seguinte, D. Afonso Henriques venceu a batalha.
Em homenagem a este milagre decidiu que a bandeira portuguesa passaria a ter cinco escudos ou quinas, em cruz, representando os cinco reis vencidos e as cinco chagas de cristo.
Luís de Camões faz referência a esta Batalha várias vezes em «Os Lusíadas», canto III, estâncias 42-53.
Anos mais tarde, quando naquele longínquo mês de Maio de 1147, o nosso primeiro Rei meditava no plano da reconquista de Lisboa aos mouros, eis que do mar imenso surge o auxílio necessário: a Virgem Maria! Uma Sua imagem, lindíssima, vem na primeira linha da luzida Armada de Cruzados, composta por cerca de 13 mil homens distribuídos por 200 navios, provenientes da Alemanha, da Flandres, da Normandia e, maioritariamente, da Inglaterra. Havia partido do porto inglês de Dartmouth e dirigia-se à Terra Santa para resgatar aos infiéis os Lugares de Jesus.
Sabendo o nosso piedoso monarca qual o destino dos Cruzados, pede-lhes ajuda na conquista de Lisboa, argumentando que muito agradaria a Deus que nesta terra mais ocidental da Europa, aonde havia chegado o Apóstolo São Tiago Maior, se consolidasse a fé cristã. Depois de terem estado vários dias aportados no Porto onde decorreram as negociações sob a mediação do Bispo do Porto, D. Pedro de Pitões, fundeiam no Tejo a 29 de Junho de 1147. A tomada de Lisboa irá demorar 4 meses!
O Rei fez um voto que de imediato cumpriu quando as portas da cidade se abriram, em 25 de Outubro de 1147, quatro dias após a rendição do governador muçulmano: edificar em honra da Santíssima Virgem um templo onde o povo de Lisboa pudesse venerar aquela sagrada imagem e que permanecesse como memória, para os vindouros, da protecção prestada pela soberana Rainha àqueles valentes soldados que, movidos pela fé cristã, animados pela esperança e abrasados pela caridade, de forma humanamente inexplicável, dado o poderio das forças infiéis, dilataram o reinado de Cristo e conquistaram a cidade de Lisboa.
Nesse local, a 21 de Novembro do ano da conquista, D. Afonso Henriques lançou a primeira pedra da Igreja para onde foi trasladada a sagrada imagem da Virgem Maria que o povo começou a invocar como a Nossa Senhora dos Mártires, em honra dos seus mártires. Pela sua importância religiosa e pastoral nos finais do século XIV, o Papa Urbano XIV elevou a Igreja de Nossa Senhora dos Mártires à dignidade de Basílica. A Liturgia assinala a 13 de Outubro o aniversário da dedicação de Nossa Senhora dos Mártires.
Assim foi, anos a fio, até que a comemoração do início das aparições de Nossa Senhora em Fátima, na Cova da Iria, foi elevada à categoria de Festa, a Festa de Nossa Senhora do Rosário de Fátima. Coincidência significativa, como relatam os jornais da época, quando naquele Domingo, 13 de Maio de 1917, ao meio dia, a Senhora mais brilhante que o sol, apareceu a Lúcia, Francisco e Jacinta, na Basílica dos Mártires, a abarrotar de fiéis, celebrava-se um solene Te Deum em honra da Padroeira.
Em meados do século XIX, como consequência do anticlericalismo radical de alguns historiadores, nomeadamente, Alexandre Herculano, foram retirados estes episódios da História de Portugal, passando alguns a ser considerados meras lendas. Não obstante a intenção de apagar da memória do nosso povo todas as marcas religiosas que fazem parte duma cultura assente na fé, vivida e praticada ao longo de séculos, somos confrontados com um crescente inimaginável de devoção e de adoração a Nossa Senhora do Rosário de Fátima, com consequente aproximação e praticas religiosas plenas de fervor, vindas não só do nosso povo, mas também de todo o mundo, como nos é dado presenciar em Fátima, aquando da vinda do Papa Francisco como peregrino, em Maio, mas também em muitas outras ocasiões em que se veem peregrinos de todas as nações, raças e línguas.
Perante os dramas da humanidade, no turbulento ano de 1917, em plena Primeira Guerra Mundial e no contexto da Revolução de Bolchevique, Nossa Senhora desceu à terra, ao seio do povo de quem era a Padroeira, para nos desafiar, convocar e comprometer com a grande Missão de que era portadora: O triunfo do Seu Imaculado Coração como garantia do dom da paz para o mundo.
A sombra luminosa de Fátima cobriu o mundo do século XX, o século mais terrível e sangrento de toda a história mundial, a Virgem desceu do Céu e veio junto do povo que, ao longo da sua existência como nação, sempre A teve a seu lado como Nobre Padroeira e Mãe Santíssima.
A pandemia, a Igreja e a sociedade
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Bom dia e paz e bem! O presidente da
Conferência Episcopal Portuguesa, D. José Ornelas, disse que a pandemia
“requer atitudes e medidas de caráter sanitário, social, económico, cultural
e espiritual”, na abertura da Assembleia Plenária que, pela primeira vez,
decorre num regime presencial e online, por causa do coronavírus Covid-19. “Precisamos
urgentemente de vacinas e de tratamentos eficazes, mas não somos apenas
organismos doentes do coronavírus. Somos pessoas que precisam de integrar o
sofrimento, os esforços e sacrifícios e a beleza dramática da solidariedade
num sentido de viver e num caminho de futuro”, referiu. Em Fátima, o
presidente da Conferência Episcopal Portuguesa também afirmou que a legalização da eutanásia é contrária a uma
“sociedade mais humana”, defendendo como alternativa a oferta de “condições e
razões para viver”. “Não encontro lógica
no facto de se escolher precisamente este momento para dizer aos que tocam o
mais fundo da dor e do abandono: ‘tem coragem, ajudamos-te a morrer; estamos
a caminho de aprovar uma opção que aceita a tua eutanásia’” “As diferentes
medidas impostas pelos Estados para combater a pandemia da COVID-19 têm tido
consequências profundas na liberdade de manifestar a própria religião ou
crença e têm limitado as atividades religiosas, educacionais e caritativas
das comunidades religiosas”, alertou monsenhor Janusz Urbańczyk, observador permanente
da Santa Sé junto à Organização para a Segurança e Cooperação na Europa
(OSCE). O arcebispo de Évora
determinou a suspensão de “toda a atividade pastoral nas tardes” nos
dias 14-15 e 21-22 de novembro em sete concelhos da arquidiocese, numa nota a
respeito do novo estado de emergência. Em declarações à
Agência ECCLESIA, o pároco de Nossa Senhora da Hora, na Diocese do Porto, salientou que as alterações provocadas pela pandemia
ajudaram as comunidades católicas a ter “predisposição para a mudança”. No setor social, o presidente
da União das Misericórdias Portuguesas disse que já estão a receber os chamados “internamentos
sociais” para disponibilizar vagas de internamento em hospitais do Porto e
Braga. E o vice-presidente
da Associação de Médicos Católicos Portugueses explicou que o atual cenário de pandemia pode obrigar a
uma “escolha terrível” sobre os doentes a tratar, defendendo que a decisão
cabe a quem cuida das pessoas. A Igreja está a viver
um ano especial dedicado à encíclica ‘Laudato si’, pelos cinco anos da sua
publicação (2015), e o documento do Papa Francisco, em Portugal, motivou o
nascimento da rede Cuidar da Casa Comum. A Agência ECCLESIA
foi conhecer as comunidades do Vale de Chelas e Alfragide, no
Patriarcado de Lisboa. O programa ECCLESIA
na RTP2, começa pelas 15h00, e na Antena 1, pelas 22h45. Às 17h00 chegam as
‘Conversas do Silêncio’ à rede social Facebook e todas as informações são
atualizadas em www.agencia.ecclesia.pt Cumprimentos e votos
de uma boa quinta-feira, |
quarta-feira, 11 de novembro de 2020
Turquia afirma que o reconhecimento do “genocídio arménio” pelos EUA “não tem valor”
Guilherme Lopes | 1 Nov 19

Médicos arménios enforcados por soldados otomanos em 1916
O Presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, afirmou não reconhecer a decisão dos EUA em declararem como genocídio a morte em massa de pelo menos um milhão de arménios entre 1915 e 1923. Num discurso perante membros do seu partido em Ancara, capital da Turquia, Erdoğan disse: “Dirijo-me ao público norte-americano e ao resto do mundo: essa medida não tem valor, nós não a reconhecemos.” Citado pela Renascença, esta foi a forma que o Presidente turco escolhgeu para responder à Câmara dos Representantes dos EUA, que declarou terça-feira, 29 de Outubro, o reconhecimento do “genocídio arménio” cometido pelo Império Otomano, antecessor da Turquia.
A câmara baixa do Congresso dos Estados Unidos aprovou um texto, por maioria, no qual se diz que devem ser rejeitadas as tentativas “de associar o Governo dos Estados Unidos à negação do genocídio arménio” e que as pessoas devem ser informadas sobre esses acontecimentos do final e pós-I Guerra Mundial.
O “genocídio arménio” (ou Medz Yeghern, grande crime, provocou a morte de pelo menos 800 mil pessoas, nos cálculos mais baixos, mas pode ter chegado a 1,5 milhões, assassinadas por tropas do Império Otomano, na altura aliado da Alemanha e da Áustria-Hungria. O genocídio já foi recinhecido como tal por 30 países.
A Turquia recusa o uso do termo “genocídio”, defendendo-se com massacres recíprocos durante a guerra e a fome que se lhe sucedeu e que provocaram centenas de milhares de mortos em ambos os lados. Na sequência do reconhecimento da Câmara dos Representantes dos EUA, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Turquia reagiu negativamente na noite da própria terça-feira, “condenando veementemente” um “ato político sem sentido”, tendo como “únicos destinatários o lobby arménio e grupos anti-turcos”.
Na quarta-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco convocou o embaixador dos Estados Unidos em Ancara para protestar contra a decisão “desprovida de base jurídica ou histórica tomada pela Câmara dos Representantes”.
Aprender com os gregos
Porque estudamos os gregos e não estudamos tanto outros povos da Antiguidade? Porque tem tanta importância a cultura grega para a nossa cultura actual?
Perguntas
como estas são feitas por Ricardo Moreno, autor de um livro muito sugestivo: “Los
griegos y nosotros: De cómo el desprecio por la Antigüedad destruye la
educación”.
É verdade
que na Grécia Antiga se fizeram coisas muito belas. Mas também é verdade que se
fizeram coisas lindíssimas tanto no Egipto como na Babilónia. No entanto, os
gregos não só fizeram coisas belas, mas reflectiram a fundo sobre o que
significa a beleza.
Também
desenvolveram a matemática, como o fizeram de um modo parecido no Egipto e na
Babilónia. Mas os gregos, além disso, reflectiram sobre a natureza dos conceitos
matemáticos. De igual modo reflectiram sobre o amor e a amizade, a paz e a
guerra, o heroísmo e a covardia.
Eles não só
produziam coisas, mas reflectiam sobre aquilo que faziam. Ou seja, os gregos
filosofavam.
E ao reflectirem com calma davam-se conta de que nem
sempre a técnica (por muito maravilhosa e inovadora que ela seja) está ao
serviço do bem integral do ser humano.
É uma
ingenuidade perigosa pensar que a técnica por si mesma significa um progresso
do mundo actual. Para que isso seja assim, ela deve estar acompanhada por uma
reflexão que marque os seus limites éticos e explore as suas possibilidades
mais humanas.
A mesma
energia atómica pode servir para curar doenças ou para dizimar populações
inteiras.
Duas grandes lições nos ensinaram os gregos: o saber que reflexiona sobre si mesmo (filosofia) e o saber que é um valor em si mesmo à margem da sua utilidade (cultura).
Pe. Rodrigo Lynce de Faria
Readaptação
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Num tempo em que todos nos estamos a adaptar às novas
restrições, também as comunidades paroquiais e as normais atividades na dinâmica
pastoral estão a procurar soluções
para combater a pandemia mas manter o contacto que tantos sentiram a falta,
nos meses de confinamento. A Ecclesia foi ouvir três sacerdotes,
de diferentes pontos do país, afetados pelas novas regras de combate à
pandemia da Covid-19. Readaptação
é a palavra de ordem na vontade de manter os encontros e as dinâmicas
comunitárias que são essenciais ao bem estar físico mas também psicológico
das comunidades. Os bispos diocesanos vão reagindo
e pedindo às suas comunidades reorganização mas proximidade com as
populações: foi o caso do bispo de Viseu
que pediu o acolhimento das regras da Direção Geral de Saúde nas comunidades
diocesanas ou de Braga
que cancelou as atividades pastorais ao domingo. Aproximamo-nos do Dia Mundial dos Pobres, que a Igreja
assinala no próximo domingo. “Fala-se de pobreza, esse
substantivo abstrato, mas nós falamos de pobres, atender pobres nas suas
casas, chamando os nomes e conhecendo a história de vida, numa relação tu a
tu, conhecer as famílias carenciadas, com problemas de desemprego, drogas,
doenças e visitá-las”, refere a irmã Fátima Magalhães, da Companhia de Santa
Teresa Jesus. A coordenadora
do Movimento Teresiano de Apostolado gere oito projetos sociais em Elvas,
aponta que o pobre tem de ser visto como irmão, “não é um coitadinho, mas
alguém que está na beira da nossa estrada”. A Agência Ecclesia deu ainda conta da publicação do relatório relativo ao processo que envolveu o antigo cardeal McCarrick, arcebispo emérito de Washington, acusado de abusos sexuais, admitindo erros na gestão do caso.
O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, fala num trabalho
de dois anos que exigiu o “exame cuidadoso de toda a documentação relevante
dos arquivos da Santa Sé, da Nunciatura em Washington e das dioceses dos
Estados Unidos envolvidas” neste caso. Mas há mais para ver, ler e ouvir
no portal de informação da Agência Ecclesia. Encontramo-nos lá? Tenha um excelente dia! |
terça-feira, 10 de novembro de 2020
“Sou de Jesus”
Tenho andado muito atarefada nos últimos dias com o início das aulas da minha neta, a preparação da primeira comunhão em que se torna necessário levar à catequese, preparar o seu dia de festa em que recebe pela primeira vez a comunhão eucarística, entre os afazeres normais do dia-a-dia. Entretanto tive um contratempo que me incomodou e que passo a referir.
Vinha a atravessar a estrada
quando alguém acenou efusivamente como se me conhecesse muito bem. Entretanto
parou o carro questionando se não o reconhecia. Olhei admirada já que não me
lembrava de todo de o conhecer. “Sou o filho da Maria!” Santo Deus, quantas
Marias há por esse mundo fora, pensei interiormente um pouco desassossegada. Ia
acompanhado. Apresentou-o como médico. Desconfiei uma vez que me estendeu a mão
no período em que nos encontramos de contingência. Fiquei algo ansiosa e
retirei da carteira o álcool-gel. Penso que se foram apercebendo que não me
encontrava muito confortável.
Avaliei a situação. Não havia
ninguém por perto. Como é que tinha caído numa situação destas? O senhor em
causa pediu-me um cartão com a morada. Disse-lhe que não tinha trazido. Mas
descontraidamente, pedi-lhe o número do seu telemóvel para lhe dar um toque.
Não me facultou, mas pediu o meu número. Estava com o telemóvel na mão.
Angustiada, senti-me sem argumentos e acabei por dar, referindo que já estava
atrasada para um compromisso, tendo começado a andar. “Espere”, referiu o
senhor em causa. Graças a Deus já tinha conseguido dar uns passos. Agora, se necessário
fosse, tinha alguma distância, o que me permitiria tentar fugir. Mostrou-me
seguidamente dois relógios, referindo que os ia oferecer, mas que mos podia
ceder muito barato. “Não, muito obrigada, não estou interessada, tenho muitas
despesas agora tenho a primeira comunhão da minha neta”. Retorquiu,
pressionando-me, que poderia oferecer ou a outra pessoa. Agradeci, reiterando
que não estava interessada, afastando-me aproveitando algum movimento que
entretanto surgiu, graças a Deus.
Afastei-me a passos largo, com
receio de que me seguissem. Sabia que havia um polícia num espaço que se
situava perto. Quando aí cheguei havia dois polícias à porta do
estabelecimento, que ao tomarem conhecimento do ocorrido tranquilizaram-me,
referindo que o perigo já tinha passado e que felizmente não tinha facultado a
morada. Ainda em estado de choque continuei o meu percurso. Telefonei a um dos
meus filhos que me recomendou que não falasse com desconhecidos novamente. “Eu
sei filho, respondi, mas parecia que me conhecia e eu não tinha os óculos
graduados colocados”. O local onde tinha sido abordada era perigoso e podiam
ter-me metido no carro. Tinha tido sorte. Depois veio ao meu encontro,
preocupado, para se assegurar que me encontrava em segurança e mais calma.
Às vezes surgem situações que nos
entristecem um pouco. Esta particularmente mexeu comigo, uma vez que já possuo
um largo histórico de assaltos. Porém, custa-me a admitir que vou sempre
acreditar nos outros e deparar-me com situações complicadas. É um dado adquirido
e incontornável. Uma amiga, desconhecendo a situação que tinha vivenciado,
enviou-me uma frase do Papa Francisco que refere: “A tristeza é uma das piores
doenças do ser humano. Ela corrói o coração, opaca a alma e consome as nossas
energias. Nunca percas a fé e a esperança. Quanto mais longe, achas que Deus
está de ti, mais perto estará, carregando-te nos Seus braços. Ânimo! Que hoje
possas sentir o Amor que Deus tem por ti e que ele cure qualquer ferida que
esteja a causar-te tristeza no teu interior”. Na realidade, tinha perdido
momentaneamente o entusiasmo, a motivação, mesmo o sentido da vida, face ao
constrangimento vivenciado. As palavras do Santo Padre, trouxeram-me ao momento
presente.
Recordei a enorme alegria que
constituía preparar a Primeira Comunhão da minha neta e reunir a família
possível neste tempo de pandemia. Só seriam cinco convidados por criança. Os
pais, a avó, o tio e o padrinho. Mas não faltaria a alegria. Temos de nos
adequar aos novos tempos e agradecer a graça de a minha neta poder fazer a
Primeira Comunhão. A cerimónia foi linda e ela estava muito feliz. De vez em
quando acenava-nos e fazia um coração com as suas mãos. No final tirou
fotografias com as catequistas e as colegas todas de branco. Que maravilha,
quanta inocência. Recebeu o certificado e uma prenda. Também distribuiu pagelas
que me tinham causado uma enorme satisfação conceber para oferecer à família e
amigos. Utilizei as imagens de duas pagelas com mais de cem anos da comunhão da
minha avó Isabel. No interior coloquei uma fotografia esbatida da minha neta
referindo a data, o local e a seguinte frase que ela aprovou: “Meu Jesus, creio
em Vós, espero em Vós, amo-vos de todo o coração”.
O almoço foi no restaurante que frequentava desde que praticamente nasceu. Como estava feliz ao sentar-se e ao pedir “o costume”. Também por todos a cumprimentarem, tirarem fotografias, felicitarem-na. Sentia-se em casa e acarinhada por todos, fazendo esquecer que só eramos, cinco convidados. E todos lhe ofereceram uma recordação. Um terço, medalhas alusivas à Primeira Comunhão, gravadas com o seu nome e a data, pagelas, uma pulseira…Como ficou contente por mais tarde poder recordar este dia feliz. Dizia alegremente, virando-se para nós: “Sou de Jesus”. Fiquei muito comovida. Que frase linda, que espelha o momento que acabou de viver. Na verdade a vida é composta por alegrias e tristezas que nos impelem a lutar diariamente para levar a vida em frente. Até no meio de uma pandemia é possível experienciar momentos felizes afastando a tristeza e o desalento de outros. Santa Maria Rainha da Esperança, intercedei por todos nós para que a mesma nunca nos falte.
| Maria Helena Paes |









