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O apelo do Papa, no Vaticano,
foi ontem no sentido de uma justa distribuição das futuras vacinas contra a
Covid-19, lamentando os aproveitamentos políticos e económicos da pandemia.
“Infelizmente, estamos a testemunhar o surgimento de interesses
partidários" disse o Papa, "há quem queira apropriar-se de
possíveis soluções, como no caso das vacinas, para depois as vender a
outros”, afirmou ontem Francisco, na audiência
pública semanal que reuniu centenas de pessoas no Pátio de São Dâmaso. A
intervenção do Papa centrou-se no conceito de “amor social” e na importância
da ação política na resposta à crise, realçando que o coronavírus mostrou que
o “verdadeiro bem para todos é um bem comum”. “É hora de aumentar o nosso
amor social”, apelou Francisco na ocasião.
Ao início da noite, chegou
ainda a mensagem
vídeo
do Cardeal D. António Marto na qual manifestava “serenidade, gratidão e
confiança para tranquilizar todos os colaboradores e peregrinos” do Santuário
de Fátima. Reconhecendo o trabalho importante realizado pelos colaboradores,
o bispo da diocese afirmou que “o Santuário tudo fará para ser a solução e
nunca um problema”.
Agentes da pastoral juvenil,
vocacional, universitária e familiar, vão estar reunidos, a partir de hoje,
numa ação
de formação sobre «planificação pastoral». A iniciativa decorre no
Seminário de Leiria e é promovida pela Comissão Episcopal do Laicado e
Família. Orientada pelo padre Michal Vojtás, Salesiano eslovaco. A equipa
organizadora pertence ao Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, para quem
o encontro pretende “projetar uma pastoral transformadora, generativa,
sinodal e corresponsável”. Mais logo, pelas 18h00, no
Salão Nobre da Universidade Aberta (Palácio Ceia), em Lisboa, tem lugar uma conferência
sobre Edith Stein com tema: “Una buscadora de la verdad en tiempos de
confusión en el mundo globalizado”. A iniciativa é do Instituto de Estudos
Avançados em Catolicismo e Globalização e a reflexão está a cargo do
professor Javier Sancho Fermín, diretor do CITeS (Centro Internacional Teresiano-Sanjuanista
Universidad de la Mística). A sessão conta ainda, com o comentário crítico de
Guilherme d’Oliveira Martins. Dentro de instantes,
pelas 7h00, pode acompanhar na RTP2 o programa Ecclesia, hoje com o
comentário à liturgia do próximo domingo a cargo do Padre João Lourenço. Mais logo, é na
Antena1 que a catequese é o tema central da edição rádio do programa
Ecclesia. O padre Luís Rodrigues comenta a abertura do novo diretório da
catequese à realidade das famílias. Tenha um grande dia Henrique Matos |
quinta-feira, 10 de setembro de 2020
É hora do amor social
quarta-feira, 9 de setembro de 2020
Sim
Sim. É chegado o momento de a
reabilitar. Esta é uma palavra com futuro. Sempre que a humanidade se enfrenta
com uma nova aventura, com um perigo, com uma ... pandemia, é bom dizer sim.
Não é obrigatório, que as coisas boas não são obrigatórias, mas os resultados são
melhores quando se diz sim.
Também comecei há dias a tomar mais
consciência de dizer sim. Comprometi-me a obedecer às orientações dos médicos e
das autoridades, sigo as normas de higiene e comportamento aconselhados, mas
procuro ir mais além. Aproveito esses momentos para pensar no meu sim e
procurar torná-lo mais dinâmico e abrangente. O dinamismo refere-se a mim, é
pessoal: devo ir pensando, pondo em prática, exercitando-me e, se der bons
resultados, comunicá-lo.
Sim, é uma palavra que se pronuncia
para manifestar assentimento ou concordância: é usada para fechar contratos,
para afirmar a verdade de algum facto, para concordar com um desejo ou iniciativa,
para aceitar uma tarefa ou missão... Contrariamente ao não, que é uma palavra
final, isto é, que põe fim às questões, diálogos, relações... o sim é a palavra
da continuação, da criatividade, da busca de soluções, do compromisso da
entrega, da identidade.
Sim é a palavra mais solene. É aquela
que se pronuncia no momento do matrimónio ou de outra vocação. É desse modo,
resoluta e firmemente (como é próprio da generosidade da juventude), que desejo
afirmar o meu sim, a minha sujeição às normas ditadas para travar o avanço do
surto desta devastadora gripe. Não sou a única, mas sou eu. Quero identificar-me,
nesta vontade, com os meus concidadãos, com os meus compatriotas, com todos os
povos.
O dia 25 de março devia ser chamado
o dia do SIM, pois festeja-se o sim mais poderoso jamais proferido por criatura
humana. Refiro-me ao momento da Anunciação do Arcanjo S. Gabriel à Virgem
Maria. O SIM da Senhora levou-a a integrar o projeto divino de salvar a
humanidade do pecado. O seu Sim valorizou-se por ter sido dito e vivido em
plena liberdade, como tu e eu, caro leitor desejamos fazer agora, até que este
mal passe.
Unimo-nos também em oração por
quantos estão infetados ou doentes, e pelas almas daqueles que já sucumbiram.
Um Sim não termina com a vida terrena, tem valor de eternidade.
Vale a pena vivermos momentos destes para compreender o valor do SIM.
Isabel Vasco Costa
Fátima sem despedimentos nem insolvência
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Olá! Esta é a
primeira newsletter que escrevo depois das férias, tempo de descanso que
tentei que fosse revitalizante para todo o ano, um recarregar de
baterias... E assim nesta quarta-feira trago-lhe a ordem do dia com o
santuário de Fátima a afirmar
que não há despedimentos, lamentando a campanha difamatória. Já os bispos
de Portugal, reunidos ontem no conselho permanente em Fátima, descartaram o
cenário de despedimentos, manifestando «sintonia» com orientações do Santuário, face à
crise provocada pela pandemia. Por ler aqui. Ainda trago como tema
de destaque para esta newsletter a mensagem
do presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé
onde afirmou que a família é o “espaço privilegiado para a educação da fé e
reforçando a “esperança e de estímulo” aos educadores. Quando estiver a ler
esta newsletter, provavelmente, já terá sido emitido o Programa ECCLESIA na
RTP2 (07h00), que se mantém no horário especial por causa da volta à França
em bicicleta mas pode visualizar o programa no portal
da Agência ECCLESIA. E mais logo, pelas 22h45, chega à Antena 1 da rádio
pública. Tenha um bom dia e
uma vida feliz! Curiosidade do dia: O
nono dia do nono mês (09/09) foi escolhido para assinalar o Dia Mundial da
Grávida e o Dia Nacional da Natalidade, em alusão aos nove meses da
gravidez. Feliz dia para todas as Grávidas que nos seguem! |
terça-feira, 8 de setembro de 2020
A herança do ilhéu
Terminado o almoço, o cofre foi aberto com solenidade, pela mãe, na presença dos filhos. Foi simples e rápido: o cofre continha dez grandes sobrescritos com o nome de cada um deles, e outro, menor, dirigido à mulher. Este apenas continha uma carta de agradecimento e despedida, na qual também a incumbia de reter, dar ou distribuir o pouco que juntara, como bem entendesse, mas aconselhava-a a não se desprender de nada do que era seu por direito. Comovidos, os filhos reconheceram que cada um recebia a “sua herança”, sendo todas elas diferentes e à medida de cada um. Ali estavam todos os recibos do que o pai gastara com os estudos de cada um: as viagens de ida e vinda da ilha para o continente, as propinas da universidade (nem todos ficaram em Lisboa, Porto ou Coimbra), a acomodação e alimentação, o traje académico, livros e material específico de cada curso, a mesada (bem curta) para “alfinetes e algum café, despesas com saúde e algum imprevisto como roupa, transportes, visitas de estudo, etc. Ali estava tudo, a mudança de curso da Adelaide, a operação ao apêndice do Joaquim (que incluiu a deslocação da mãe a Lisboa para o acompanhar até aos primeiros dias de convalescença), o vestido comprido para o baile de fim de curso da Joana... e, claro, as cartas de fim de curso.
Todos sorriram e ficaram
enternecidos com tal herança. No total, representava uma quantia avultada,
entre escudos e euros, e, sobretudo, muito trabalho do pai e economias da mãe
que conseguia disciplinar os caprichos familiares. Uma expressão do Bruno
passou a ser popular entre irmãos e irmãs: “O meu novo fato velho”, por vir do
pai ou irmão mais velho”, ou “O meu velho fato novo!”, por ter vindo do
alfaiate, oferecido pelo padrinho, mas já ter muitos anos de uso. Sim que fatos
novos... só os do pai e da mãe, desde que os filhos mais velhos deixaram de
usar roupas infantis.
Após a Missa de sétimo dia, a família dirigiu-se à sacristia para cumprimentar e agradecer ao celebrante os cuidados que tivera com o doente e contaram-lhe o “episódio da herança”. O sacerdote sorriu-se e recordou o que ouvira do pai deles a esse propósito, em uma das vezes que o visitara. Tentara imitar o comportamento divino, imaginando Deus como um bom pai, que enviou à terra o seu Filho para ensinar aos homens como se devem comportar para Lhe agradar. Por isso, procurara incutir boas virtudes nos filhos e dar-lhes os estudos necessários à profissão de cada um. Deixara-lhes a herança em vida, com trabalho e bastante sacrifício dele e sua mulher, para que todos os filhos tivessem a liberdade de seguir o caminho que escolhessem, mas morria feliz e orgulhoso dos filhos e da mulher. Ela fora a corajosa companheira dos seus sonhos; eles eram esses sonhos feitos realidade. A generosidade do casal começara por nunca ter fechado a porta da vida aqueles maravilhosos filhos que Deus lhes dera. Era essa a primeira condição para oferecer felicidade, mas só temporal. A felicidade eterna dependeria do modo como eles aproveitassem o que ele, pai António, e Ele, Pai Deus, lhes tinham oferecido. Essa, a herança eterna, seria a verdadeiramente valiosa.
Isabel Vasco Costa
Eram milhares… Muitos milhares mesmo
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Olá Bom Dia A 08 de setembro, a
cidade de Lamego recebe milhares de pessoas… Muitos milhares mesmo. Este ano,
devido às contingências provocadas por um vírus silencioso, as festas de
Nossa Senhora dos Remédios têm moldes diferentes. Os peregrinos que
calcorreavam muitos quilómetros até ao pulmão espiritual de Lamego, este ano
absorvem a intensidade religiosa no silêncio da memória A Agência ECCLESIA
não se esqueceu de si… Veja a
edição do programa 70X7 deste domingo e recorde
momentos da ligação da Senhora dos Remédios aos devotos nos últimos anos. Quando estiver a ler
este email, provavelmente, já terá sido emitido o Programa ECCLESIA na RTP2
(07h00), que se mantém no horário especial por causa da volta à França em
bicicleta mas pode visualizar o programa no portal da Agência ECCLESIA. Na Antena 1 da rádio
pública, pelas 22h45, continuamos uma série de conversas sobre o novo
Diretório para a Catequese, com o padre Luís Rodrigues, da Arquidiocese de
Braga. Tudo o que se passa
em Portugal e no mundo a nível eclesial pode ser consultado na Agência
ECCLESIA. A distância é curta… Basta clicar e acompanha. Bom resto de dia Luis Filipe Santos |
segunda-feira, 7 de setembro de 2020
Cansados de viver
Em Portugal, está agendada para breve a votação na generalidade de projetos de legalização da eutanásia e do suicídio assistido. Leis que quebram um princípio estruturante da ordem jurídica e da civilização como é o da inviolabilidade da vida humana. Apesar da relevância da questão em jogo, a generalidade dos políticos e da comunicação social parece dar mais relevo a questões conjunturais como a eventual descida de impostos.
Entretanto, na Holanda, que foi o primeiro país a legalizar a eutanásia e o suicídio assistido, inicialmente em situações de doença grave e terminal como as que estão previstas nos projetos em discussão no Parlamento português, está em vias de ser aprovado um projeto de legalização da eutanásia de pessoas com mais de setenta anos que não sofram de qualquer doença, mas que sintam que estão «cansadas de viver» e que a sua vida «se completou». Este projeto, que partiu de uma iniciativa designada “Por sua própria vontade”, já vem sendo objeto de discussão há vários anos, vem recolhendo uma significativa adesão e só não foi aprovado na legislatura anterior porque o governo caiu. Os proponentes até já calcularam o número de pessoas que dele poderão supostamente “beneficiar”. Agora, a aprovação deste projeto ameaça o equilíbrio da coligação partidária que apoia o governo, onde se inclui um partido democrata cristão que a ela se opõe (este será um sinal de que a uma lei com tal relevo, e apesar de tudo, é dada aí mais importância do que a eventuais subidas ou descidas de impostos).
Quem se opõe à proposta de legalização da eutanásia em situações de pessoas «cansadas de viver», salienta como a resposta da sociedade e do Estado à angústia dessas pessoas não poderá ser a de confirmar essa angústia, mas, antes, a de tudo fazer para a eliminar e para devolver a essas pessoas o amor à vida (será esta o imperativo de uma sociedade solidária e fraterna, não o de satisfazer qualquer pedido de morte). Podemos imaginar que mensagem transmitirão o Estado e a sociedade quando legalizarem a eutanásia dessas pessoas: confirmarão que elas teriam razão ao pensar que a sua vida «se completou» e já não teria sentido; e até que teriam razão ao pensar que seriam um peso para a família e para a sociedade. Transmitirão a ideia de que a morte provocada é resposta para a solidão e a angústia dos idosos. Podemos imaginar que efeito terrível terá esta mensagem numa sociedade cada vez mais envelhecida, onde a vida de cada vez mais idosos é marcada pela solidão e onde se multiplicam exponencialmente as despesas com a saúde e cuidado dessa franja da população. Uma tal mensagem não pode senão reforçar a desvalorização e marginalização dos idosos, vítimas da «cultura do descartável».
Dirão que este projeto que se discute na Holanda, de eutanásia de pessoas idosas saudáveis, nada tem a ver com os que estão em discussão no Parlamento português, onde a legalização da eutanásia e do suicídio assistido se restringe a situações de doença grave ou terminal. Mas não é assim. Na Holanda, como noutros países que seguiram a mesma opção, também o âmbito da legalização da eutanásia começou por doenças terminais, depois esse âmbito alargou-se a doenças graves e incuráveis (como já sucede nos projetos em discussão no Parlamento português) e esta será uma terceira etapa. Esta ampliação progressiva (habitualmente caracterizada com a imagem da rampa deslizante) não é fruto do acaso, é uma consequência lógica e previsível.
E é assim a partir do momento em que se quebrou o referido princípio estruturante da ordem jurídica e da civilização: o princípio da inviolabilidade da vida humana. Quando se considera que a autonomia individual prevalece sobre esse princípio, não há motivos para restringir essa prevalência da autonomia individual sobre a inviolabilidade da vida às situações de doença terminal, nem sequer a situações de doença. E, poderemos dizer, nem sequer a pessoas com mais de setenta anos. Justifica-se, em nome dessa prevalência da autonomia individual, a legalização sem restrições do homicídio a pedido e do auxílio ao suicídio, até de jovens.
Este exemplo da Holanda não pode ser esquecido quando se discutir, dentro em breve, no Parlamento português, a legalização da eutanásia e do suicídio assistido. Importa saber até onde nos pode levar a quebra do princípio da inviolabilidade da vida humana. Quando se quebra um princípio estruturante, não basta olhar para consequências imediatas e de curto prazo. Abre-se uma porta que será difícil manter entreaberta e que, mais cedo ou mais tarde, acabará por se abrir de par em par. Não é um fantasma, é uma realidade que está diante dos nossos olhos quando olhamos para o que se passa na Holanda.
Pedro Vaz Patto
Presidente da
Comissão Nacional Justiça e Paz
Tempo de voltar
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Bom dia e boa
segunda-feira, neste tempo de recomeços. Volto à sua companhia
após um período de férias. As palavras são importantes, mas o silêncio cuida
do coração. Espero que haja sempre espaço para ele. Silêncio e oração
foram, aliás, o conselho do Papa para as situações em que a correção fraterna
falha. Uma proposta de Jesus, alternativa ao “ir contar aos outros”, a
“bilhardice”, como se diz na minha Madeira, quando se identifica algo de mal
no próximo. Fica a frase marcante do ângelus
deste domingo: “Façamos um esforço para não falar mal dos outros, a
maledicência é uma peste pior do que a Covid”. Quando estiver a ler este email, provavelmente, já terá sido emitido o Programa ECCLESIA na RTP2 (07h00), que se mantém no horário especial por causa do ‘Tour’, apesar de hoje ser dia de folga na Volta à França em bicicleta. Na Antena 1 da rádio pública, pelas 22h45, damos início a uma série de conversas sobre o novo Diretório para a Catequese, com o padre Luís Rodrigues, da Arquidiocese de Braga.
Despeço-me com votos
de boas notícias, sempre. Octávio Carmo |
domingo, 6 de setembro de 2020
Dons da natureza
O primeiro dom é o da existência, comum a todo o universo. Os minerais não possuem vida, mas existem e têm características que os distinguem. Por exemplo, a pedra-pomes é menos densa que o basalto, e o quartzo cristaliza no sistema hexagonal enquanto a pirite cristaliza no sistema cúbico. Os outros dois reinos já possuem algo muito superior: a vida. É costume chamar “alma”, a este dom, usando-se a palavra seguida de um adjetivo: alma vegetativa, alma animal e alma espiritual. O homem é o único animal que possui alma espiritual e, por isso, é considerado o rei da criação. Diz-se que algo tem vida se pode alimentar-se, crescer e reproduzir-se; é o caso das plantas e animais. É evidente que a vida, ou alma, dos animais é mais rica; eles possuem instinto de sobrevivência: o próprio e o da espécie. Sobrevivem porque buscam alimento e se defendem dos perigos; mantêm a espécie ao reproduzir-se. Nas espécies superiores, como os mamíferos, a reprodução parece ultrapassar o mero instinto sexual, com manifestações de carinho pelas suas crias indefesas e carentes, contrariamente aos peixes que se reproduzem aos milhões e logo abandonam as “nuvens” de filhos ao seu destino. Por vezes, impressionados com tais comportamentos “afetivos”, mais comuns nos cães e cavalos, quase os consideramos inteligentes. É uma compreensão equivocada da sua natureza pois, falta-lhes a “criatividade” para serem inteligentes. Têm sensibilidade física (sentem fome e dor) e instintiva (medo e afeto), mas as colmeias, as teias de aranha, os formigueiros, os ninhos... seguem sempre o modelo da espécie, não o do indivíduo. Só encontramos criatividade no Homem, esse ser criado por Deus com dons superiores.
O
Homem tem uma “alma espiritual” com três dons que o capacitam para igual número
de fins. São eles: 1º) a inteligência para a verdade; 2º) a vontade para o bem;
3º) a liberdade para o amor. O homem não tem qualquer mérito por possuir estes
dons, visto que lhe são dados pelo Criador do modo e na quantidade que entender,
mas compete-lhe agradecê-los, desenvolvendo-os em si (mediante o estudo, a
investigação, o pedido de conselho), e nos outros (filhos, alunos...) mediante
o ensino e transmissão de experiência.
A
inteligência enriquece-se com a humildade; ao descobrir os “segredos” da
natureza, deve estar capaz de aceitar as suas leis e acreditar que “é assim que
isto funciona”. A “inteligência humilde” faz-se acompanhar do segundo
dom, a vontade, para oferecer a sua ciência e experiência à humanidade.
A
vontade proporciona-nos domínio sobre os instintos e sentimentos para servir o
bem. Pode ser desenvolvida como todos os dons, e educa-se com treino, exigência
e obediência. Atrevo-me a sugerir, com “auto-controle” e sob a orientação de um
educador experiente e compreensivo. Se o desportista necessita de um treinador conhecedor
de anatomia e psicologia, a pessoa
necessita de um formador conhecedor das grandezas da alma e das limitações do
corpo. Os pais são as pessoas naturalmente mais bem preparadas para iniciarem
os filhos na educação da vontade, sobretudo se a sua união é fruto do terceiro
dom: a liberdade.
O
fim da liberdade é o amor. Se o homem se deixa enganar por mentiras, perde
liberdade, pois não alcançará o seu objetivo. Se a sua vontade for frouxa, será incapaz de superar as dificuldades e
alcançar o bem. Mas sempre que o homem usa a inteligência para possuir a
Verdade e a vontade para realizar o bem, torna-se num homem livre de ataduras e
capaz para o Amor. É o conjunto dos três dons e dos seus três objetos que fazem
de cada pessoa um Homem de bem. As coisas boas não são obrigatórias; fazem-se
por amor, gratuitamente. E estas são as de maior valor, as que nos libertam do
mal e do ódio e nos levam a esperar um mundo melhor.
Há muito mais a dizer. Fiquemos com o resumo do que ouvi hoje de pessoa amiga, e já acima foi referido. Repito-o aqui para facilitar a memorização: “Inteligência para a verdade; vontade para o bem; liberdade para o amor”.
Isabel Vasco Costa
«Fratelli tutti»
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Este é o nome original do documento
que com certeza deverá marcar o agir da Igreja nos próximos tempos. A
encíclica que o Papa Francisco irá assinar, de forma simbólica, em Assis, no
próximo dia 3 de outubro, prevê-se venha condensar a sua reflexão sobre a
humanidade e o agir cristão no pós-pandemia. Será com certeza um momento a
acompanhar e uma leitura a fazer! Mas este
fim-de-semana é marcado ainda pelo retomar, de forma pública, o que tem sido
o trabalho da equipa organizadora das Jornadas Mundiais da Juventude Lisboa
2023, tarefas que têm sido acompanhadas de forma “direta” e “animada” pelo Papa
Francisco. Isso mesmo foi
assegurado por D. Américo Aguiar, que esteve recentemente com o Papa, no
Vaticano, à equipa “mais definida”, presente na reunião, no arranque do ano
pastoral. “Esta foi a primeira
reunião deste grupo mais definido. Estamos a falar de sete direcções, de
diferentes áreas, com um leigo como responsável e um sacerdote como
assistente eclesiástico, e também um jovem que será o secretário executivo e
fará concretizar de forma harmoniosa o que é preciso fazer”, explicou. No portal da Agência Ecclesia já se pode
inscrever para as Jornadas
Nacionais da Comunicação Social, marcadas para 24 e 25, este ano de forma
on line. Fique por dentro das informações necessárias para fazer já a sua
inscrição. On line vai ser
também o encontro «Economia
de Francisco». Adiado em março para novembro, este encontro que quer
refletir em novas formas de organização económica, tornando os mercados mais
justos e humanos, sabemos agora que será em formato digital, com a presença
do Papa Francisco. A organização quer, no entanto, fazer um encontro “físico”
no outono de 2021. Mas temos mais para
si por portal de noticias da Agência Ecclesia. Encontramo-nos lá? Tenha um excelente
domingo e inicie o seu novo ano com renovados propósitos! |
sábado, 5 de setembro de 2020
Escondido na terra, mas face a Deus no Céu
Um exemplo de coerência, de
integridade e de fé, assumido e vivido na certeza de ser mais importante obedecer
a Deus antes que aos homens.
“Uma Vida Escondida”, um filme que
interpela, que nos obriga a pensar se o “politicamente correcto”, o caminho do
fácil, não será um engodo, uma falta de coerência, um facilitismo, uma fraqueza
de coragem para dizer NÃO e seguir contra-corrente, de consciência tranquila,
na certeza do cumprimento do dever supremo, não obstante toda a instigação e
sedução de seguir o oposto.
“Mais vale mais sofrer uma injustiça do que cometê-la”, foi a máxima socrática que norteou a opção do jovem austríaco, dela não se terá arrependido e hoje desfrutará os esplendores da luz perpétua.
Maria Susana Mexia





