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quinta-feira, 10 de setembro de 2020

É hora do amor social

O apelo do Papa, no Vaticano, foi ontem no sentido de uma justa distribuição das futuras vacinas contra a Covid-19, lamentando os aproveitamentos políticos e económicos da pandemia. “Infelizmente, estamos a testemunhar o surgimento de interesses partidários" disse o Papa, "há quem queira apropriar-se de possíveis soluções, como no caso das vacinas, para depois as vender a outros”, afirmou ontem Francisco, na audiência pública semanal que reuniu centenas de pessoas no Pátio de São Dâmaso. A intervenção do Papa centrou-se no conceito de “amor social” e na importância da ação política na resposta à crise, realçando que o coronavírus mostrou que o “verdadeiro bem para todos é um bem comum”. “É hora de aumentar o nosso amor social”, apelou Francisco na ocasião.


Foto Arlindo Homem/AE

Ao início da noite, chegou ainda a mensagem vídeo do Cardeal D. António Marto na qual manifestava “serenidade, gratidão e confiança para tranquilizar todos os colaboradores e peregrinos” do Santuário de Fátima. Reconhecendo o trabalho importante realizado pelos colaboradores, o bispo da diocese afirmou que “o Santuário tudo fará para ser a solução e nunca um problema”.


Foto: Seminário de Leiria

Agentes da pastoral juvenil, vocacional, universitária e familiar, vão estar reunidos, a partir de hoje, numa ação de formação sobre «planificação pastoral». A iniciativa decorre no Seminário de Leiria e é promovida pela Comissão Episcopal do Laicado e Família. Orientada pelo padre Michal Vojtás, Salesiano eslovaco. A equipa organizadora pertence ao Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, para quem o encontro pretende “projetar uma pastoral transformadora, generativa, sinodal e corresponsável”.

Mais logo, pelas 18h00, no Salão Nobre da Universidade Aberta (Palácio Ceia), em Lisboa, tem lugar uma conferência sobre Edith Stein com tema: “Una buscadora de la verdad en tiempos de confusión en el mundo globalizado”. A iniciativa é do Instituto de Estudos Avançados em Catolicismo e Globalização e a reflexão está a cargo do professor Javier Sancho Fermín, diretor do CITeS (Centro Internacional Teresiano-Sanjuanista Universidad de la Mística). A sessão conta ainda, com o comentário crítico de Guilherme d’Oliveira Martins.

Dentro de instantes, pelas 7h00, pode acompanhar na RTP2 o programa Ecclesia, hoje com o comentário à liturgia do próximo domingo a cargo do Padre João Lourenço.

Mais logo, é na Antena1 que a catequese é o tema central da edição rádio do programa Ecclesia. O padre Luís Rodrigues comenta a abertura do novo diretório da catequese à realidade das famílias.

Tenha um grande dia

Henrique Matos 




quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Sim

Esta a palavra que convém dizer nestes momentos que o mundo atravessa. Tem sido uma palavra esquecida, desprezada até, por estar conectada com a obediência, o compromisso e a fortaleza, conceitos que as ideologias e políticas dos dois últimos séculos nos têm levado a esquecer e abandonar. Venho em sua defesa.

Sim. É chegado o momento de a reabilitar. Esta é uma palavra com futuro. Sempre que a humanidade se enfrenta com uma nova aventura, com um perigo, com uma ... pandemia, é bom dizer sim. Não é obrigatório, que as coisas boas não são obrigatórias, mas os resultados são melhores quando se diz sim.

Também comecei há dias a tomar mais consciência de dizer sim. Comprometi-me a obedecer às orientações dos médicos e das autoridades, sigo as normas de higiene e comportamento aconselhados, mas procuro ir mais além. Aproveito esses momentos para pensar no meu sim e procurar torná-lo mais dinâmico e abrangente. O dinamismo refere-se a mim, é pessoal: devo ir pensando, pondo em prática, exercitando-me e, se der bons resultados, comunicá-lo.

Sim, é uma palavra que se pronuncia para manifestar assentimento ou concordância: é usada para fechar contratos, para afirmar a verdade de algum facto, para concordar com um desejo ou iniciativa, para aceitar uma tarefa ou missão... Contrariamente ao não, que é uma palavra final, isto é, que põe fim às questões, diálogos, relações... o sim é a palavra da continuação, da criatividade, da busca de soluções, do compromisso da entrega, da identidade.

Sim é a palavra mais solene. É aquela que se pronuncia no momento do matrimónio ou de outra vocação. É desse modo, resoluta e firmemente (como é próprio da generosidade da juventude), que desejo afirmar o meu sim, a minha sujeição às normas ditadas para travar o avanço do surto desta devastadora gripe. Não sou a única, mas sou eu. Quero identificar-me, nesta vontade, com os meus concidadãos, com os meus compatriotas, com todos os povos.

O dia 25 de março devia ser chamado o dia do SIM, pois festeja-se o sim mais poderoso jamais proferido por criatura humana. Refiro-me ao momento da Anunciação do Arcanjo S. Gabriel à Virgem Maria. O SIM da Senhora levou-a a integrar o projeto divino de salvar a humanidade do pecado. O seu Sim valorizou-se por ter sido dito e vivido em plena liberdade, como tu e eu, caro leitor desejamos fazer agora, até que este mal passe.

Unimo-nos também em oração por quantos estão infetados ou doentes, e pelas almas daqueles que já sucumbiram. Um Sim não termina com a vida terrena, tem valor de eternidade.

Vale a pena vivermos momentos destes para compreender o valor do SIM.

Isabel Vasco Costa


Fátima sem despedimentos nem insolvência

Olá!

Esta é a primeira newsletter que escrevo depois das férias, tempo de descanso que tentei que fosse revitalizante para todo o ano, um recarregar de baterias... E assim nesta quarta-feira trago-lhe a ordem do dia com o santuário de Fátima a afirmar que não há despedimentos, lamentando a campanha difamatória.

Já os bispos de Portugal, reunidos ontem no conselho permanente em Fátima, descartaram o cenário de despedimentos, manifestando «sintonia» com orientações do Santuário, face à crise provocada pela pandemia. Por ler aqui.

 

Ainda trago como tema de destaque para esta newsletter a mensagem do presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé onde afirmou que a família é o “espaço privilegiado para a educação da fé e reforçando a “esperança e de estímulo” aos educadores.

Quando estiver a ler esta newsletter, provavelmente, já terá sido emitido o Programa ECCLESIA na RTP2 (07h00), que se mantém no horário especial por causa da volta à França em bicicleta mas pode visualizar o programa no portal da Agência ECCLESIA. E mais logo, pelas 22h45, chega à Antena 1 da rádio pública.

Tenha um bom dia e uma vida feliz! 

Sónia Neves

 

Curiosidade do dia: O nono dia do nono mês (09/09) foi escolhido para assinalar o Dia Mundial da Grávida e o Dia Nacional da Natalidade, em alusão aos nove meses da gravidez.  Feliz dia para todas as Grávidas que nos seguem!

 

 


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terça-feira, 8 de setembro de 2020

A herança do ilhéu

O pai morreu. Os filhos foram chegando, de perto e de longe, para dividirem a dor entre eles e a mãe. Após o enterro seguiu-se um almoço familiar com a viúva, os dez irmãos e alguns netos. Eram muitas as suas memórias e cinco irmãos mais velhos voltaram a recordar o dia “importante” em que o pai comprara o grande cofre, “a burra”, como o povo lhe chamava, e lhe ouviram aquela frase que o pai iria repetir todos os anos: “Quando eu morrer, a vossa herança estará dentro deste cofre”. 

Terminado o almoço, o cofre foi aberto com solenidade, pela mãe, na presença dos filhos. Foi simples e rápido: o cofre continha dez grandes sobrescritos com o nome de cada um deles, e outro, menor, dirigido à mulher. Este apenas continha uma carta de agradecimento e despedida, na qual também a incumbia de reter, dar ou distribuir o pouco que juntara, como bem entendesse, mas aconselhava-a a não se desprender de nada do que era seu por direito. Comovidos, os filhos reconheceram que cada um   recebia a “sua herança”, sendo todas elas diferentes e à medida de cada um. Ali estavam todos os recibos do que o pai gastara com os estudos de cada um: as viagens de ida e vinda da ilha para o continente, as propinas da universidade (nem todos ficaram em Lisboa, Porto ou Coimbra), a acomodação e alimentação, o traje académico, livros e material específico de cada curso, a mesada (bem curta) para “alfinetes e algum café, despesas com saúde e algum imprevisto como roupa, transportes, visitas de estudo, etc. Ali estava tudo, a mudança de curso da Adelaide, a operação ao apêndice do Joaquim (que incluiu a deslocação da mãe a Lisboa para o acompanhar até aos primeiros dias de convalescença), o vestido comprido para o baile de fim de curso da Joana... e, claro, as cartas de fim de curso.

Todos sorriram e ficaram enternecidos com tal herança. No total, representava uma quantia avultada, entre escudos e euros, e, sobretudo, muito trabalho do pai e economias da mãe que conseguia disciplinar os caprichos familiares. Uma expressão do Bruno passou a ser popular entre irmãos e irmãs: “O meu novo fato velho”, por vir do pai ou irmão mais velho”, ou “O meu velho fato novo!”, por ter vindo do alfaiate, oferecido pelo padrinho, mas já ter muitos anos de uso. Sim que fatos novos... só os do pai e da mãe, desde que os filhos mais velhos deixaram de usar roupas infantis.

Após a Missa de sétimo dia, a família dirigiu-se à sacristia para cumprimentar e agradecer ao celebrante os cuidados que tivera com o doente e contaram-lhe o “episódio da herança”. O sacerdote sorriu-se e recordou o que ouvira do pai deles a esse propósito, em uma das vezes que o visitara. Tentara imitar o comportamento divino, imaginando Deus como um bom pai, que enviou à terra o seu Filho para ensinar aos homens como se devem comportar para Lhe agradar. Por isso, procurara incutir boas virtudes nos filhos e dar-lhes os estudos necessários à profissão de cada um. Deixara-lhes a herança em vida, com trabalho e bastante sacrifício dele e sua mulher, para que todos os filhos tivessem a liberdade de seguir o caminho que escolhessem, mas morria feliz e orgulhoso dos filhos e da mulher. Ela fora a corajosa companheira dos seus sonhos; eles eram esses sonhos feitos realidade. A generosidade do casal começara por nunca ter fechado a porta da vida aqueles maravilhosos filhos que Deus lhes dera. Era essa a primeira condição para oferecer felicidade, mas só temporal. A felicidade eterna dependeria do modo como eles aproveitassem o que ele, pai António, e Ele, Pai Deus, lhes tinham oferecido. Essa, a herança eterna, seria a verdadeiramente valiosa.

Isabel Vasco Costa


Eram milhares… Muitos milhares mesmo

Olá Bom Dia

A 08 de setembro, a cidade de Lamego recebe milhares de pessoas… Muitos milhares mesmo. Este ano, devido às contingências provocadas por um vírus silencioso, as festas de Nossa Senhora dos Remédios têm moldes diferentes. Os peregrinos que calcorreavam muitos quilómetros até ao pulmão espiritual de Lamego, este ano absorvem a intensidade religiosa no silêncio da memória

A Agência ECCLESIA não se esqueceu de si… Veja a edição do programa 70X7 deste domingo e recorde momentos da ligação da Senhora dos Remédios aos devotos nos últimos anos.

Quando estiver a ler este email, provavelmente, já terá sido emitido o Programa ECCLESIA na RTP2 (07h00), que se mantém no horário especial por causa da volta à França em bicicleta mas pode visualizar o programa no portal da Agência ECCLESIA.

Na Antena 1 da rádio pública, pelas 22h45, continuamos uma série de conversas sobre o novo Diretório para a Catequese, com o padre Luís Rodrigues, da Arquidiocese de Braga.

Tudo o que se passa em Portugal e no mundo a nível eclesial pode ser consultado na Agência ECCLESIA. A distância é curta… Basta clicar e acompanha.

Bom resto de dia

Luis Filipe Santos

 

 

 


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segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Cansados de viver

Em Portugal, está agendada para breve a votação na generalidade de projetos de legalização da eutanásia e do suicídio assistido. Leis que quebram um princípio estruturante da ordem jurídica e da civilização como é o da inviolabilidade da vida humana. Apesar da relevância da questão em jogo, a generalidade dos políticos e da comunicação social parece dar mais relevo a questões conjunturais como a eventual descida de impostos.

Entretanto, na Holanda, que foi o primeiro país a legalizar a eutanásia e o suicídio assistido, inicialmente em situações de doença grave e terminal como as que estão previstas nos projetos em discussão no Parlamento português, está em vias de ser aprovado um projeto de legalização da eutanásia de pessoas com mais de setenta anos que não sofram de qualquer doença, mas que sintam que estão «cansadas de viver» e que a sua vida «se completou». Este projeto, que partiu de uma iniciativa designada “Por sua própria vontade”, já vem sendo objeto de discussão há vários anos, vem recolhendo uma significativa adesão e só não foi aprovado na legislatura anterior porque o governo caiu. Os proponentes até já calcularam o número de pessoas que dele poderão supostamente “beneficiar”. Agora, a aprovação deste projeto ameaça o equilíbrio da coligação partidária que apoia o governo, onde se inclui um partido democrata cristão que a ela se opõe (este será um sinal de que a uma lei com tal relevo, e apesar de tudo, é dada aí mais importância do que a eventuais subidas ou descidas de impostos).

Quem se opõe à proposta de legalização da eutanásia em situações de pessoas «cansadas de viver», salienta como a resposta da sociedade e do Estado à angústia dessas pessoas não poderá ser a de confirmar essa angústia, mas, antes, a de tudo fazer para a eliminar e para devolver a essas pessoas o amor à vida (será esta o imperativo de uma sociedade solidária e fraterna, não o de satisfazer qualquer pedido de morte). Podemos imaginar que mensagem transmitirão o Estado e a sociedade quando legalizarem a eutanásia dessas pessoas: confirmarão que elas teriam razão ao pensar que a sua vida «se completou» e já não teria sentido; e até que teriam razão ao pensar que seriam um peso para a família e para a sociedade. Transmitirão a ideia de que a morte provocada é resposta para a solidão e a angústia dos idosos. Podemos imaginar que efeito terrível terá esta mensagem numa sociedade cada vez mais envelhecida, onde a vida de cada vez mais idosos é marcada pela solidão e onde se multiplicam exponencialmente as despesas com a saúde e cuidado dessa franja da população. Uma tal mensagem não pode senão reforçar a desvalorização e marginalização dos idosos, vítimas da «cultura do descartável».

Dirão que este projeto que se discute na Holanda, de eutanásia de pessoas idosas saudáveis, nada tem a ver com os que estão em discussão no Parlamento português, onde a legalização da eutanásia e do suicídio assistido se restringe a situações de doença grave ou terminal. Mas não é assim. Na Holanda, como noutros países que seguiram a mesma opção, também o âmbito da legalização da eutanásia começou por doenças terminais, depois esse âmbito alargou-se a doenças graves e incuráveis (como já sucede nos projetos em discussão no Parlamento português) e esta será uma terceira etapa. Esta ampliação progressiva (habitualmente caracterizada com a imagem da rampa deslizante) não é fruto do acaso, é uma consequência lógica e previsível.

E é assim a partir do momento em que se quebrou o referido princípio estruturante da ordem jurídica e da civilização: o princípio da inviolabilidade da vida humana. Quando se considera que a autonomia individual prevalece sobre esse princípio, não há motivos para restringir essa prevalência da autonomia individual sobre a inviolabilidade da vida às situações de doença terminal, nem sequer a situações de doença. E, poderemos dizer, nem sequer a pessoas com mais de setenta anos. Justifica-se, em nome dessa prevalência da autonomia individual, a legalização sem restrições do homicídio a pedido e do auxílio ao suicídio, até de jovens.

Este exemplo da Holanda não pode ser esquecido quando se discutir, dentro em breve, no Parlamento português, a legalização da eutanásia e do suicídio assistido. Importa saber até onde nos pode levar a quebra do princípio da inviolabilidade da vida humana. Quando se quebra um princípio estruturante, não basta olhar para consequências imediatas e de curto prazo. Abre-se uma porta que será difícil manter entreaberta e que, mais cedo ou mais tarde, acabará por se abrir de par em par. Não é um fantasma, é uma realidade que está diante dos nossos olhos quando olhamos para o que se passa na Holanda.

Pedro Vaz Patto

Presidente da

Comissão Nacional Justiça e Paz




Tempo de voltar

Bom dia e boa segunda-feira, neste tempo de recomeços.

Volto à sua companhia após um período de férias. As palavras são importantes, mas o silêncio cuida do coração. Espero que haja sempre espaço para ele.

Silêncio e oração foram, aliás, o conselho do Papa para as situações em que a correção fraterna falha. Uma proposta de Jesus, alternativa ao “ir contar aos outros”, a “bilhardice”, como se diz na minha Madeira, quando se identifica algo de mal no próximo. Fica a frase marcante do ângelus deste domingo: “Façamos um esforço para não falar mal dos outros, a maledicência é uma peste pior do que a Covid”.

Quando estiver a ler este email, provavelmente, já terá sido emitido o Programa ECCLESIA na RTP2 (07h00), que se mantém no horário especial por causa do ‘Tour’, apesar de hoje ser dia de folga na Volta à França em bicicleta. Na Antena 1 da rádio pública, pelas 22h45, damos início a uma série de conversas sobre o novo Diretório para a Catequese, com o padre Luís Rodrigues, da Arquidiocese de Braga.

Este domingo, os programas 70x7 (RTP2) e Ecclesia (Antena 1) olharam para a história das Festas em honra de Nossa Senhora do Remédios, em Lamego, que este ano, pela segunda vez - a primeira foi em 1899 – decorre sem a tradicional manifestação exterior pela cidade. A novena decorre até hoje e a Missa da solenidade, a 8 de setembro, está marcada para as 10h00, com número “muito limitado” de lugares disponíveis, devido à pandemia de Covid-19.

Despeço-me com votos de boas notícias, sempre.

Octávio Carmo

 

 


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domingo, 6 de setembro de 2020

Dons da natureza

Lembram-se? Alguns de nós estudamos três “reinos” na natureza: o mineral, o vegetal e o animal. Todos com um dom comum, mas, dentro de cada reino, observamos dons próprios.

O primeiro dom é o da existência, comum a todo o universo. Os minerais não possuem vida, mas existem e têm características que os distinguem. Por exemplo, a pedra-pomes é menos densa que o basalto, e o quartzo cristaliza no sistema hexagonal enquanto a pirite cristaliza no sistema cúbico. Os outros dois reinos já possuem algo muito superior: a vida. É costume chamar “alma”, a este dom, usando-se a palavra seguida de um adjetivo: alma vegetativa, alma animal e alma espiritual. O homem é o único animal que possui alma espiritual e, por isso, é considerado o rei da criação.    Diz-se que algo tem vida se pode alimentar-se, crescer e reproduzir-se; é o caso das plantas e animais. É evidente que a vida, ou alma, dos animais é mais rica; eles possuem instinto de sobrevivência: o próprio e o da espécie. Sobrevivem porque buscam alimento e se defendem dos perigos; mantêm a espécie ao reproduzir-se. Nas espécies superiores, como os mamíferos, a reprodução parece ultrapassar o mero instinto sexual, com manifestações de carinho pelas suas crias indefesas e carentes, contrariamente aos peixes que se reproduzem aos milhões e logo abandonam as “nuvens” de filhos ao seu destino. Por vezes, impressionados com tais comportamentos “afetivos”, mais comuns nos cães e cavalos, quase os consideramos inteligentes. É uma compreensão equivocada da sua natureza pois, falta-lhes a “criatividade” para serem inteligentes. Têm sensibilidade física (sentem fome e dor) e instintiva (medo e afeto), mas as colmeias, as teias de aranha, os formigueiros, os ninhos... seguem sempre o modelo da espécie, não o do indivíduo. Só encontramos criatividade no Homem, esse ser criado por Deus com dons superiores.

O Homem tem uma “alma espiritual” com três dons que o capacitam para igual número de fins. São eles: 1º) a inteligência para a verdade; 2º) a vontade para o bem; 3º) a liberdade para o amor. O homem não tem qualquer mérito por possuir estes dons, visto que lhe são dados pelo Criador do modo e na quantidade que entender, mas compete-lhe agradecê-los, desenvolvendo-os em si (mediante o estudo, a investigação, o pedido de conselho), e nos outros (filhos, alunos...) mediante o ensino e transmissão de experiência.

A inteligência enriquece-se com a humildade; ao descobrir os “segredos” da natureza, deve estar capaz de aceitar as suas leis e acreditar que “é assim que isto funciona”. A “inteligência humilde” faz-se acompanhar do segundo dom, a vontade, para oferecer a sua ciência e experiência à humanidade.

A vontade proporciona-nos domínio sobre os instintos e sentimentos para servir o bem. Pode ser desenvolvida como todos os dons, e educa-se com treino, exigência e obediência. Atrevo-me a sugerir, com “auto-controle” e sob a orientação de um educador experiente e compreensivo. Se o desportista necessita de um treinador conhecedor de anatomia e  psicologia, a pessoa necessita de um formador conhecedor das grandezas da alma e das limitações do corpo. Os pais são as pessoas naturalmente mais bem preparadas para iniciarem os filhos na educação da vontade, sobretudo se a sua união é fruto do terceiro dom: a liberdade.

O fim da liberdade é o amor. Se o homem se deixa enganar por mentiras, perde liberdade, pois não alcançará o seu objetivo. Se a sua vontade for frouxa,  será incapaz de superar as dificuldades e alcançar o bem. Mas sempre que o homem usa a inteligência para possuir a Verdade e a vontade para realizar o bem, torna-se num homem livre de ataduras e capaz para o Amor. É o conjunto dos três dons e dos seus três objetos que fazem de cada pessoa um Homem de bem. As coisas boas não são obrigatórias; fazem-se por amor, gratuitamente. E estas são as de maior valor, as que nos libertam do mal e do ódio e nos levam a esperar um mundo melhor.

Há muito mais a dizer. Fiquemos com o resumo do que ouvi hoje de pessoa amiga, e já acima foi referido. Repito-o aqui para facilitar a memorização: “Inteligência para a verdade; vontade para o bem; liberdade para o amor”.

Isabel Vasco Costa




«Fratelli tutti»

Este é o nome original do documento que com certeza deverá marcar o agir da Igreja nos próximos tempos. A encíclica que o Papa Francisco irá assinar, de forma simbólica, em Assis, no próximo dia 3 de outubro, prevê-se venha condensar a sua reflexão sobre a humanidade e o agir cristão no pós-pandemia. Será com certeza um momento a acompanhar e uma leitura a fazer!

Mas este fim-de-semana é marcado ainda pelo retomar, de forma pública, o que tem sido o trabalho da equipa organizadora das Jornadas Mundiais da Juventude Lisboa 2023, tarefas que têm sido acompanhadas de forma “direta” e “animada” pelo Papa Francisco.

Isso mesmo foi assegurado por D. Américo Aguiar, que esteve recentemente com o Papa, no Vaticano, à equipa “mais definida”, presente na reunião, no arranque do ano pastoral.

“Esta foi a primeira reunião deste grupo mais definido. Estamos a falar de sete direcções, de diferentes áreas, com um leigo como responsável e um sacerdote como assistente eclesiástico, e também um jovem que será o secretário executivo e fará concretizar de forma harmoniosa o que é preciso fazer”, explicou.

No portal da Agência Ecclesia já se pode inscrever para as Jornadas Nacionais da Comunicação Social, marcadas para 24 e 25, este ano de forma on line. Fique por dentro das informações necessárias para fazer já a sua inscrição.

On line vai ser também o encontro «Economia de Francisco». Adiado em março para novembro, este encontro que quer refletir em novas formas de organização económica, tornando os mercados mais justos e humanos, sabemos agora que será em formato digital, com a presença do Papa Francisco. A organização quer, no entanto, fazer um encontro “físico” no outono de 2021.

Mas temos mais para si por portal de noticias da Agência Ecclesia. Encontramo-nos lá?

Tenha um excelente domingo e inicie o seu novo ano com renovados propósitos!

Lígia Silveira

 

 


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sábado, 5 de setembro de 2020

Escondido na terra, mas face a Deus no Céu


Franz Jägerstätter (1907-1943), camponês austríaco, casado com Franziska e pai de três filhas, tendo sido recrutado pelo exército do Terceiro Reich, aquando da segunda guerra mundial, ousou desafiar Hitler, opondo-se ao nazismo e recusou prestar-lhe fidelidade, por coerência com a sua fé em Jesus Cristo. Franz Jägerstätter foi julgada pelo tribunal marcial de Berlim, condenado à morte a 6 de Julho de 1943 e decapitado a 9 de agosto de 1943, na prisão de 'Brandeburg an der Havel', em Berlim.

Após ter sido considerado mártir, foi beatificado em cerimónia presidida em nome do Papa Bento XVI, pelo Cardeal José Saraiva Martins, CMF, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, na Catedral da Diocese de Linz, sua terra natal, na Áustria no dia 21 de Maio de 2007, com a presença da sua viúva e das três filhas.

Um exemplo de coerência, de integridade e de fé, assumido e vivido na certeza de ser mais importante obedecer a Deus antes que aos homens.

“Uma Vida Escondida”, um filme que interpela, que nos obriga a pensar se o “politicamente correcto”, o caminho do fácil, não será um engodo, uma falta de coerência, um facilitismo, uma fraqueza de coragem para dizer NÃO e seguir contra-corrente, de consciência tranquila, na certeza do cumprimento do dever supremo, não obstante toda a instigação e sedução de seguir o oposto.

“Mais vale mais sofrer uma injustiça do que cometê-la”, foi a máxima socrática que norteou a opção do jovem austríaco, dela não se terá arrependido e hoje desfrutará os esplendores da luz perpétua.

Maria Susana Mexia