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quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Substituir Deus pelo demónio

O livro “Igreja e Maçonaria”, do professor universitário Alberto de la Bárcena, expõe as profundas diferenças entre a fé católica e a prática maçónica. Entre os rituais deste grupo, aponta o autor, há consagrações ao demónio, assim como a explícita renúncia do Cristianismo pisando uma cruz.

 

Neste livro, reitera o seu autor, não há rumores nem juízos de valor, porque contém “documentos pontifícios, encíclicas, pronunciamentos dos Papas”. “Todas as frases estão documentadas”, lamentando que este “é um tema do qual não se fala e, muitas vezes, os próprios cristãos estão confusos”.“Queria que este livro mostrasse a verdade da doutrina em relação à maçonaria”.

 

Além disso, insiste que “a posição da Igreja não mudou em nada desde a primeira condenação em 1738, embora alguns quisessem difundir a opinião de que é possível pertencer a uma loja e a uma Igreja. Mas não é assim”, e as condenações dos Papas não foram genéricas ou superficiais, mas claras e detalhadas, explicando por que foram excomungados os maçons.

Três séculos após a fundação da primeira Grande Loja Maçónica, os princípios dessa instituição continuam frontalmente incompatíveis com a doutrina católica. O antagonismo recíproco entre a Igreja Católica e a Maçonaria está bem confirmado e é de longa data, as duas instituições têm sido reconhecidas, mesmo pela mentalidade secular, como implacavelmente opostas uma à outra. Aparentemente, a Maçonaria pode parecer não passar de um clube esotérico, mas ela já foi, e continua sendo, um movimento filosófico altamente influente com grande impacto, ainda que subtil, na sociedade e na política moderna.

Entre o Papa Clemente XII, em 1738, e a promulgação do primeiro Código de Direito Canónico, em 1917, oito papas ao todo escreveram condenações explícitas à Franco-maçonaria. Todas previam a mais estrita pena eclesiástica para quem se associasse: excomunhão automática reservada à Sé Apostólica. O que Clemente XII denunciou originalmente, não era uma sociedade republicana revolucionária, mas um grupo que propagava o indiferentismo religioso: a ideia de que todas as religiões (e nenhuma delas) têm igual validade, e que na Maçonaria estão todas unidas para servirem a um entendimento comum e mais elevado da virtude. Desde o princípio, a preocupação primária da Igreja foi a de que a Maçonaria submete a fé de um católico à da loja, obrigando-o a colocar uma fraternidade secularista fundamental acima da comunhão com a Igreja. 

A Igreja Católica nunca aceitou que os seus fiéis fossem da maçonaria e historicamente já se opôs radicalmente a esta sociedade secreta, devido aos seus princípios anticristãos, em especial os deístas, libertários e humanistas ou iluministas.

A longa história de condenação pública começou quando o Cardeal André Hercule de Fleury, primeiro-ministro de Luís XV, a 14 de Setembro de 1737, proibia todas as reuniões secretas e, especialmente, a formação de associações qualquer que fosse o pretexto e qualquer que fosse a denominação.

Depois foi a vez do Papa Clemente XII, a 28 de Abril de 1738, que proibiu os católicos de se tornarem membros de lojas maçónicas, através da bula In eminenti apostolatus specula.

A Igreja Católica assinalava assim a incompatibilidade entre o juramento e o segredo das obediências maçónicas e a condição de cristão integrado na Igreja Católica Romana. Após essa primeira condenação, surgiram mais de vinte outras.

Entre elas, que fazem referências desfavoráveis à maçonaria além da referida, enumeram-se as seguintes: Providas Romanorum, de Bento XIV (1751); Ecclesiam a Jesu Christo, de Pio VII (1821); Quo Gravioria Mala, de Leão XII (1825); Traditi Humilitati (1829), Litteris Altero (1830), Pio VIII; Mirari Vos (1832), Gregório XVI; Qui Pluribus (1846), Quibus Quantisque Malis (1849), Quanta Cura (1864), Multiplices Inter (1865), Apostolicae Sedis Moderatoni (1869), Etsi Multa (1873), Etsi Nos (1882), de Pio IX; Humanum Genus (1884), Officio Sanctissimo (1887), Dall’Alto Dell’Apostolico Seggio (1890), Inimica Vis (1892), Custodi di quella fede (1892), Praeclara (1894), Annum ingressi (1902), de Leão XIII.

O último documento oficial de referência é a Declaração sobre a maçonaria, assinado pelo então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cardeal Joseph Ratzinger, depois Papa Bento XVI, em 26 de Novembro de 1983. O texto afirma que permanece imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçónicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçónicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão.

Até 1983, a pena para Católicos que se associassem a essa sociedade era de excomunhão. Desde então, a pena é um interdito, afastando o fiel da recepção dos Sacramentos (principalmente Confissão e Eucaristia).

Mais recentemente, o Papa Francisco tem mostrado a  sua grande preocupação com uma infiltração maçónica na Cúria e noutras organizações católicas.

Foi e é um desejo maçónico tirar da Igreja qualquer forma de controlo ou influência sobre escolas, hospitais, instituições de caridade públicas, universidades e qualquer outra associação que sirva ao bem comum, como o de reduzir o matrimónio a um mero contrato civil, promover o divórcio e apoiar a legalização do aborto.

É praticamente impossível saber destas intenções e não reconhecer nelas a base de quase todo o discurso político contemporâneo e constatar o sucesso deste processo de secularismo.


Artur Pereira dos Santos 


quarta-feira, 19 de agosto de 2020

O que faço versus o que gostaria de fazer

A eterna dualidade. O sentimento de que não nos encontramos, na maioria dos casos, a fazer o que gostamos de realizar habitualmente. Torna-se necessário optar. Na semana passada foi dia dos avós, dia de Santa Ana e de São Joaquim, pais de Maria, mãe de Jesus, padroeiros dos avós. Estava com a minha neta de férias escolares há já algumas semanas. Muito viva e ativa, toda a atenção que lhe dedico é pouca. Logo, tive de deixar de parte algumas atividades do dia-a-dia que gosto de concretizar, entre elas a Escrita, as longas caminhadas… Mas tudo tem o reverso da medalha. Usufrui da sua companhia: visitei museus, vi filmes infantis, li histórias, isto é, vi o mundo sob uma perspetiva diferente. Acompanhou-me à missa. Colocou-me tantas questões que fiquei admirada com o seu poder de observação. Interiorizava cada momento que vivenciava. Ainda assim, ontem já me sentia esgotada, confesso. Sentia imensa falta da escrita. Mas também uma alegria imensa por ter usufruído da sua doce e às vezes “birrenta” companhia. Reconheço que se torna muito difícil educar, ser firme, mas é necessário. Quantas vezes tive necessidade de me impor, com o coração apertado. Era para o seu bem. Quem será mesmo que disse que os avós não têm de educar? Na realidade eu já o disse, mas é quando vem de visita… Apesar de tudo, quando partiu com o pai, fiquei com a sensação de ninho vazio. Mas também, algum descanso para poder retomar as minhas atividades normais. Ainda não consegui, de modo algum, o almejado equilíbrio, talvez devido a alguma falta temporária de energia, que seja suficiente para ser avó e realizar as tarefas habituais. Mas tudo tem o seu tempo. Agora tornava-se prioritário usufruir em pleno da sua presença. Como tinha crescido! Achei imensa graça, quando foi reclamar junto do pai: “a vovó dá-me uma pasta dentífrica dos 2 aos 6 anos e eu já tenho 8”. E era mesmo verdade. Tinha pedido na farmácia uma pasta infantil com sabor a morango. Contudo, não reparei na idade. Sempre atenta. Como cresceu. Ainda há pouco tempo era uma bebé! Numa das suas “chamadas de atenção”, recuei muitos anos atrás, recordando ter vivenciado uma situação semelhante com um dos meus filhos. Os anos passaram e a situação vivenciada com o meu filho repete-se agora com a minha neta, a genética a funcionar, noutra geração. Hoje de manhã referiu: “É o dia dos avós. Quero ir almoçar contigo”. Mas seria jantar, com presença do pai num restaurante escolhido por ela, “fast-food”, porque oferecia um colchão de praia. Bem, não teve importância. O melhor mesmo era a sua companhia neste dia especial. Comentei com o meu filho, que o hambúrguer que ele tinha escolhido, era o que eu costumava pedir em Nova Iorque, há muitos anos atrás. Ainda o provei e reconheci o mesmo sabor. No entanto, agora tinha mais cuidado com a alimentação. E partiu feliz, não sem antes insistir com o pai que queria ficar comigo porque era ainda dia dos avós. E senti a mesma dualidade. Queria ficar comigo, mas também ir para casa ver um filme na companhia do pai. Acabei por a incentivar para que fosse com o pai. Já tinha sido muito bom. Recordei o que o Papa Francisco tinha referido relativamente à festa de Santa Ana e de São Joaquim, enfatizando a importância dos avós na transmissão da fé e da humanidade, o precioso papel dos avós na família e na sociedade. Quão importantes são eles na vida de família para comunicar o património de humanidade e de fé, que é essencial para qualquer sociedade. Na verdade, as crianças absorvem os valores que a família lhes transmite.

Bem, já sem a companhia da minha neta resolvi ir ao cinema. Havia um filme que queria muito ver Pavarotti. Graças a Deus ainda se encontrava em exibição. Marcaram-me as palavras “a dureza do mundo não nos impeça de darmos o melhor que temos”. Depois a voz deste tenor lírico, sobejamente conhecido, é simplesmente sublime. Foi excelente ouvir inúmeros excertos de operas, agora contextualizados, conhecer pormenores da sua vida pessoal que desconhecia, o seu interesse e apoio a crianças em sofrimento por diferentes motivos. Uma vida cheia, de alguém que, com origens modestas, lutou e fez render os seus talentos, tornando-se um dos maiores tenores mundiais, que muito ajudou a difundir a ópera. Vieram-me as lágrimas aos olhos quando ouvi magistralmente cantada a ária “Riti Pagliaccio”: “Ria Palhaço…” transforma em risos os espasmos e o choro… Ria Palhaço no seu amor aos pedaços, ria da dor que lhe envenena o coração”. Foi indescritível assistir à primeira atuação de “Os 3 Tenores”, (Pavarotti, Plácido Domingo e José Carreras), nas Termas de Caracala em Roma. Nessum Dorma, da ópera Turandot, entre muitas outras árias de óperas cantadas em diferentes palcos, os melhores a nível mundial, tais como no Metropolitan em Nova Iorque, no Staats Oper em Viena… tantos locais que se torna impossível enunciar. O seu sofrimento e pobreza na infância, durante a guerra, fizeram-me recordar que “A pobreza e a guerra não se encontram escritas nas estrelas, não são fruto de um qualquer desígnio de Deus, mas sim do homem”. Mais rica culturalmente, feliz, deixei a sala de cinema ainda debaixo do efeito de tudo o que me tinha sido dado a observar e ainda com o som da música da voz magnífica deste tenor. Liguei o telemóvel. A minha neta trouxe-me à realidade com um telefonema via Whatsapp a questionar se tinha gostado do filme, dando ênfase de que tinha sido muito longo. Sentia saudades da vovó. E eu dela!

E assim nesta dualidade entre “O Que Faço versus O Que Gostaria de Fazer”, que dá o título a este artigo, terminou a minha tarde “sob um manto de estrelas…” ao som da música “Chitarra Romana”, cantada por Pavarotti, “que me acompanha em silêncio”. Na realidade a ópera, enquanto expressão de arte e de cultura é uma maravilha, faz mesmo milagres. Termino este artigo no dia em que se celebra a festa de Nossa Senhora da Paz, a quem recorremos, no sentido de rogar pela Paz que o Mundo procura sem encontrar. Que o Seu auxílio maternal nos faça valentes, pacientes e eficazes, no sentido de nos comprometermos a trabalhar pela justiça, fundamento da paz de que carecemos. 

Maria Helena Paes






terça-feira, 18 de agosto de 2020

Santa Helena e o Pedido de Uma Amiga

Há alguns dias uma amiga sugeriu-me que escrevesse um artigo sobre Santa Helena, a santo do meu nome, talvez por isso mesmo, por ser portadora do seu nome. Recuei à minha infância. Recordei a minha avó Isabel, que sugeria o nome que os seus netos deveriam ter, sempre antecedido de Maria. Eu era a mais velha das quatro raparigas, pelo que acredito que deveria ser a santa da sua devoção. Muitas vezes referia que era “a santa da cruz”. Na verdade, a avó Isabel, teria uma grande influência na minha vida. Creio que gostava muito de mim. Um dos episódios que mais me marcaram, foi um dia ter-me oferecido um vestido muito bonito, referindo para eu ter cuidado em não o sujar. Mas não resisti: entrei num carro de brincar e sujei o vestido com óleo. Recordo o ar desolado da avó Isabel e a minha tristeza quando me repreendeu. Não queria de todo que tivesse acontecido (desculpa avó, era uma má aprendiz, não era como a Santa Helena). Outro episódio que recordo era o missal da avó, que hoje conservo em meu poder. Dizia-me que era da sua mãe, de origem francesa. Ficava admirada por ter tantas pagelas de santos. Talvez por sua influência, vivíamos então em Espanha na cidade de Huelva, tinha 11 anos, preocupava-me por a minha irmã mais nova com cerca de um ano não ser batizada. Um dia resolvi ir à Igreja, perto da casa onde residíamos, falar com o sacerdote, manifestar a minha preocupação pelo facto de a minha irmã Isabel não ser batizada e pedir para o fazer, acrescentando ainda que queria ser a madrinha. O sacerdote admirado anuiu. Pediu para levar os pais para combinar a data da cerimónia. Foi com surpresa que a família recebeu a notícia. Pouco depois, a minha irmã Isabel seria batizada. Da cerimónia recordo o sacerdote a consolar-me por não ser possível, eu ser a madrinha, face à minha pouca idade. Seria substituída pela avó Isabel nas assinaturas. Contudo seria eu sempre a sua madrinha de coração. Muitos anos mais tarde, seria eu a também a levar-lhe o sacerdote para receber a Unção dos Doentes, estando ela com enfermidade muito grave. Mas voltemos à avó Isabel, que se preocupava com a minha educação. Não devia ser fácil, reconheço hoje, já que me corrigia constantemente: “Senta-te corretamente, Maria Helena. Não podes cruzar as pernas”. Um dia confidenciei-lhe que queria ser princesa, também santa, ou freira ou ainda arqueóloga. Bem depressa mudei de ideias, tendo começado a referir que queria tirar o “brevet”. Gostaria de pilotar aviões. Anos mais tarde dirigi-me à Escola de Pilotagem de Tires, para saber o que seria necessário para tornar este meu sonho uma realidade. Cheguei mesmo a fazer um voo experimental. Mas a vida levar-me-ia por outros caminhos. Na verdade, o ideal mesmo seria dar testemunho de Jesus através da Sua Palavra e da minha atividade profissional. Mas como S. Paulo referiu sabiamente: “Vejo o bem que quero fazer, mas esse, nem sempre o faço”. Já o Papa Francisco escreveu: “A fé é um dom que mantém viva uma certeza profunda e bela: somos filhos amados de Deus”. Interiormente, pensei que Deus, um Pai misericordioso, tem um plano para a nossa vida, que nos ama, independentemente daquilo que sejamos, dos erros que cometemos. Basta olharmos para a história da humanidade. Tantas coisas boas feitas, mas infelizmente, o homem também faz o mal. Logo, precisamos de pessoas com fé, de oração, com um espírito de entrega aos outros. Os santos são a prova viva disso mesmo. Pessoas normais que também erraram, mas souberam pedir perdão, corrigiram os seus erros e hoje são santos de altar contribuindo através do seu exemplo para se promover o bem.

Mas voltemos a Santa Helena. Possuo uma pagela antiga, da minha avó Isabel, desta Santa com a Cruz, com que mandei fazer um registo muito bonito há largos anos para perpetuar não só a memória da minha avó mas também para recordar a Santa que me deu o nome, Santa Helena de Constantinopla, que foi mãe do imperador Constantino. Nasceu no seio de uma família modesta em Depranon, na Bitínia, Ásia Menor, no ano 250. Inteligente e bonita, acabaria por se casar com um oficial romano Constâncio Cloro, de quem teria um filho, Constantino. O marido viria a repudiá-la 20 anos após o casamento quando recebeu o título de “augusto” e se tornou imperador. Este casamento não seria reconhecido pela lei romana por se tratar de um patrício e de uma plebeia. Constantino, depois da morte do pai, gostando muito da mãe, corrigiu esta situação concedendo-lhe o título de “augusta” ou seja, “rainha-mãe”. Santa Helena tinha-se convertido ao cristianismo, (acredita-se que terá acontecido durante os seus primeiros anos de casamento), tendo conduzido igualmente o seu filho ao cristianismo. Já com outra disponibilidade, ajudava os pobres, as obras de beneficência, e a construção de igrejas e mosteiros na Terra Santa e em Roma. Embora de idade avançada, acompanhou pessoalmente as escavações iniciadas pelo bispo São Macário que conduziram à descoberta emocionante no ano 326, do túmulo de Cristo escavado na rocha, da Cruz de Cristo e das dois ladrões. A Cruz de Cristo Santa Helena dividiu em 3 partes. Uma para o Bispo São Macário, para que a entronizasse na Igreja de Jerusalém. Uma segunda parte para a Igreja de Constantinopla. A terceira parte para Roma, para a Basília da santa Cruz de Jerusalém. No local da Crucificação de Jesus, seria posteriormente construída a Basílica do Santo Sepulcro. Ainda segundo uma tradição, foi Santa Helena que explorou e encontrou a gruta onde Jesus nasceu em Belém, o local onde Jesus esteve com os discípulos no Monte das Oliveiras, antes da Ascensão, tendo sido aqui construída a Basílica de Santa Helena. Faleceria por volta do ano 330, nos braços do seu filho. A sua festa litúrgica tem lugar no dia 18 de Agosto

Muito mais se poderia contar sobre Santa Helena, padroeira, entre outros, dos arqueólogos. Algumas das suas relíquias encontram-se em Roma na Capela que lhe foi dedicada. No Museu Pio-Clementino, no Vaticano, encontra-se o sarcófago de Santa Helena. Pela minha mente surgiu uma visita feita a Roma há alguns anos atrás ao Santuário da Scala Santa, (Escada Santa), com 28 degraus, mandada transferir por Santa Helena, no ano 326. Estas escadas, que muitas vezes são subidas de joelhos, com muita emoção pelos crentes, levavam até ao alto do pretório de Pôncio Pilatos em Jerusalém. Foram subidas por Jesus antes da Sua condenação à morte. Situado como ponto final, encontra-se o Sancta Sanctorum onde se conserva uma antiquíssima imagem “arquetípica” de Jesus Redentor.

Possuo uma enorme admiração por Santa Helena, a Santa representada com uma Cruz. Novamente veio ao pensamento uma situação vivenciada há alguns anos. Fui visitar o Pelourinho em S. Salvador da Baía, no Brasil. Estava na companhia dos meus filhos. Tirámos uma fotografia no centro da Praça. Mais tarde ao mostrá-la a um sacerdote amigo, ele referiu gracejando, que atrás de mim se encontrava uma Cruz, tal como Santa Helena. Achei imensa graça porque não tinha reparado no pormenor. Obrigada, amiga, pelo pedido que me trouxe boas recordações. Santa Maria, Esperança Nossa, Rainha da Família, intercede por todas as Famílias, em particular pelas que sofrem por algum motivo.


Maria Helena Paes



segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Música na Igreja - Novas datas




Actos 601

 





"La rosa enflorece" Ladino (Sephardi Jewish) לאדינו. Júlia Coelho (arr.,voice, psaltery, percussion)





A geração das flores

Foi há cinquenta anos, que no dia 15 de agosto de 1969, começou ao norte de Nova York um festival de rock, no qual participaram mais de quatrocentos mil jovens, ouvindo música, comendo, bebendo, dormindo e praticando a novidade do amor livre e ao ar livre, consumindo drogas.

Muita e boa música, muito rock, muita chuva, muito amor e muita paz. Foi o início de uma nova era que com este evento entrou para a história como auge da geração hippie. Para alguns um mito, para outros o desabar dum mundo, para todos uma mudança radical de comportamentos, gostos e modas.

Nos anos sessenta e setenta, aqui no nosso epicentro lusitano, só muito lentamente tomávamos conhecimento de tão rápidas e profundas mudanças, tudo parecendo um filme e um devaneio ocorrido lá muito longe. De facto para alguns foi uma vertigem passageira, para muitos foi um pesadelo e para outros tornou-se numa militante forma de vida.  

Tudo ficou mais colorido, mais rebelde, mais desanuviado, mais vertiginoso e ao mesmo tempo mais encantador. Foram mudanças impensáveis, quem viveu nestes tempos sabe bem o que representava ouvir música rock, dançar, conversar e, sobretudo, poder sonhar com um mundo maior e melhor. Era o encantamento de quem estava longe da efervescência deste processo, das influências negativas ou prejudiciais e ouvia contar, tocar e cantar numa miragem de paraíso ou éden, porém bebendo limonadas, groselha e capilé, pirolito, laranjinha C, a Coca-Cola era uma bebida que fazia parte do nosso imaginário, por ainda não ser comercializada no nosso país.

Em 1969, após a grande euforia da rebelião de estudantes de Paris, Berlim e Berkeley, de 1968, a estratégia de preparação e instigação para estes movimentos contra a cultura dominante, continuou, agora na América, espaço mais amplo em temos físicos, económicos e mais permissivo em comportamentos morais, psíquicos e religiosos.

Em meados dos anos 60, a Califórnia era agitada por uma revolução cultural, de que os hippies foram os representantes mais radicais. O movimento contracultural rejeitava os principais aspectos da modernidade, da sociedade de consumo. Ao modelo de vida burguesa mesquinha, substituía-se o modelo de um eu capaz de viver experiências de fusão, como aquando da espectacular manifestação de Woodstock, em agosto de 1969.

Por outro lado, a revolução cultural era animada por uma profunda procura mística. No momento em que a civilização racionalista técnica estava no seu apogeu, assistia-se às primeiras manifestações do retorno ao religioso, que é uma das fortes tendências das sociedades do final do século XX. Retorno ao religioso, mas não aos dogmas: a contracultura reivindicava uma total liberdade neste domínio, o que se traduz por uma certa tendência ao ecletismo. Assim, a Jesus Revolution foi, na maior parte das vezes, animada por gurus orientalistas. Finalmente, é impossível deixar passar em branco o papel desempenhado pela droga nesta contracultura. Pretendia-se explorar estados psíquicos limites, desenvolver a criatividade, explorar a realidade através de novos paradigmas. Um dos pensadores do movimento estudantil chamava-se Timothy Leary, promotor do ácido lisérgico (LSD). Este professor de Psicologia de Harvard incitava os seus alunos a consumirem droga, à guisa de rito de iniciação abrindo as portas do amor divino e dos estados místicos”. (A Ideologia do New Age, de Michel Lacroix)

Se o Woodstock representa o fim do auge e início do crepúsculo do movimento hippie, é um facto que está na origem do movimento da Nova Era ou New Age, com uma visão globalizante do mundo, uma necessidade de transformação da personalidade, cuja evolução leva alguns pensadores a concluir que poderão ser o emergir duma ideologia totalitária, num mundo vazio, despido de sentido e de esperança num Deus que aos poucos lhe foi sendo tirado pelas correntes de pensamento ateias, agnósticas, materialistas e consumistas, em estados laicos senão mesmo, em alguns casos, laicistas.

Tempos incertos num mundo ávido de paz, de segurança, de tranquilidade e silêncio. Desafios novos na constante e permanente busca da felicidade, numa vida que se esvai em cada momento da história do mundo e do homem, qual marionete nas mãos de predadores, para quem o poder é o limite e para o qual não olham a meios para atingir os seus intentos, sem ignorar a infelicidade, a desilusão na deterioração que provocam na humanidade.

É o poder pelo poder e se “o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente”. (Lord Acton)

Maria Susana Mexia



domingo, 16 de agosto de 2020

Un desafío de 21 días para desengancharse de la pornografía: es psicológico y espiritual, y funciona


Cuarenta diócesis de Estados Unidos están ya promoviendo Strive


 

Uno de los primeros pasos de la desintoxicación es reconocer que existe.
Uno de los primeros pasos de la desintoxicación es reconocer que existe.

ReL

El psiquiatra Enrique Rojas afirma que "la adicción a la pornografía con más o menos intensidad y frecuencia se ha convertido en una epidemia mundial". Todos los estudios estadísticos realizados al respecto desde diversos ángulos "nos ponen frente a esta realidad", añade, aunque baste un dato por todos los demás: el 80% de los jóvenes ven a diario pornografía de uno u otro tipo.

En los últimos años se han publicado en español varios libros consagrados a este mal, entre los que destaca Pornografía. Comprender y afrontar el problema, del psicólogo Peter C. Kleponis, quien, por su parte, confirma que "debido a que ver pornografía es algo tan común entre la gente, muchos son adictos sin darse cuenta", víctimas de la quíntuple A que la caracteriza en la era de internet: Asequible, Accesible, Anónima, Aceptada y Agresiva.

Pincha aquí para adquirir ahora Pornografía. Comprender y afrontar el problema, de Peter C. Kleponis.

En la lucha contra esta epidemia, Aciprensa informa de un programa on line que está teniendo éxito en la desintoxiación de pornoadictos y que numerosas diócesis estadounidenses están contribuyendo a difundir. Lo reproducimos a continuación:

Chris Cope es el propietario y director creativo de Cardinal Studios, creadores del programa STRIVE.

Un nuevo programa on line creado para poner fin a la adicción a la pornografía propone un proceso de desintoxicación de 21 días, que está disponible tanto en inglés como en español y de forma gratuita por un tiempo limitado.

Se trata de Strive [en inglés, esfuérzate, lucha], un programa creado por Cardinal Studios que, según anuncia su sitio web, ya ha ayudado a cerca de seis mil hombres a transformar sus vidas “de formas que nunca creyeron posibles”, logrando salir de la pornografía, calificada como una “epidemia silenciosa que está destrozando familias”.

Los creadores de Strive, Chris Cope, propietario y director creativo de Cardinal Studios, y Matt Fradd, un autor y orador católico que logró liberarse de la pornografía, presentan el programa con una serie de vídeos, contenido escrito y hojas de trabajo “que ayuda a los hombres a entender por qué van al porno en primer lugar, por qué deberían liberarse y cómo hacerlo”.

“No es una bala de plata, sino un recurso altamente efectivo que equipa a los hombres con el conocimiento, las herramientas y la responsabilidad necesarios para dejar la pornografía y comenzar a vivir la vida a la que Dios los está llamando”, indica el programa.

Chris Cope dijo al National Catholic Register que desde el lanzamiento del programa en marzo del 2019 se inscriben aproximadamente cien personas a diario.

Además, comentó que alrededor de 40 archidiócesis y diócesis de Estados Unidos han ordenado más de 125 mil tarjetas con la información de Strive, para que los sacerdotes se las confieran a penitentes durante la confesión o para hombres que reciben asesoramiento matrimonial.

“Los sacerdotes están muy entusiasmados con esto porque realmente pueden conocer a los muchachos y brindarles un plan que pueden comenzar ese día y así emprender el camino hacia la recuperación”, dijo Cope.

Matt Fradd, autor de The Porn Myth. Exposing the Reality Behind the Fantasy of Pornography [El mito del porno. La realidad que hay detrás de la fantasía de la pornografía], dijo que el programa adopta un enfoque de “cuerpo y alma” que incorpora lo emocional, psicológico, neurológico y espiritual.

“Ninguno de estos se opone el uno al otro. A menudo, los hombres intentan recuperarse enfocándose en lo psicológico o en lo espiritual. Quizás solo intentan rezar más fuerte o algo así. Es una buena idea orar, pero se requieren varias cosas aquí”, dijo Fradd.

Cope, por su parte, dice que Strive ayuda a los hombres a comprender cuáles son los desencadenantes emocionales que conducen a la pornografía y qué hacer con los dispositivos tecnológicos.

Como parte del programa, se aconseja a los participantes que coloquen un filtro en sus dispositivos. Se les ofrece una prueba gratuita de Covenant Eyes, un servicio de Internet que monitorea, analiza y procesa la actividad de la pantalla y envía un informe al usuario y a un aliado dispuesto a ayudarlo en el proceso.

Los participantes en el programa pueden permanecer en el anonimato cuando interactúan en la comunidad en línea, pero se recomienda a cada uno establecer una relación con un socio confiable y que se responsabilice por él.

Matt Fradd, ex adicto, autor del libro El mito del porno y orador católico.

“Matt dice en el programa muy claramente que si no estás dispuesto a revelar esto a otra persona, vas a fracasar. La mayoría de los hombres eligen a alguien en sus vidas con quien pueden compartir sus luchas, como un amigo, sacerdote o director espiritual, pero si no tienen a nadie a quien puedan preguntar pueden emparejarse con alguien de la comunidad en línea”, dijo Cope.

Para cada uno de los 21 días, los participantes de Strive ven un vídeo corto que les brinda un desafío particular. Entre los vídeos hay uno en el que una ex actriz de cine pornográfico cuenta cómo fue atraída por la industria sin darse cuenta y luego quedó atrapada durante 10 años.

Cope dijo que se eligieron 21 días para la duración del programa porque proporcionó suficiente tiempo para cubrir los temas principales y para que los participantes se concentren y vean un cambio sustancial. Además, dijo, “sentimos que 21 días es un buen período de tiempo en el que los hombres se comprometerían, pero no es abrumador”.

Desde el lanzamiento de Strive, los participantes han publicado más de 14.000 comentarios en la comunidad on line del programa.

“De manera abrumadora, los muchachos dicen: ‘Esto es exactamente lo que necesitaba’”, dijo Cope.

Fradd dijo que después de una charla que dio recientemente a jóvenes adultos en la archidiócesis de Nueva York, varios hombres se le acercaron para decirle que habían tomado el curso y habían sacado mucho provecho de este.

“Algunos dijeron que no habían visto pornografía desde que comenzaron Strive. Otros lo han hecho, pero dijeron que sienten un nuevo tipo de coraje sabiendo que no tienen que ser esclavizados por esta”, indicó.

Una de esas personas, llamada Max, dijo que el programa reordenó la forma en que veía su adicción.

“En realidad, me ayudó a tener menos vergüenza y a reconocer que hay más hombres que luchan con eso de lo que me di cuenta, y también me ayudó a ver que muchos de los deseos naturales relacionados con eso no son malos. Me ayudó a tener un plan”, dijo al Register.

Finalmente, dijo que ha visto una gran reducción en la cantidad de veces que lucha contra la pornografía y también ha experimentado menos tentación.

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Las renuncias de la vida cristiana tienen sentido «a la luz del gozo del encuentro con Jesucristo»


Francisco, en la homilía dominical de su segundo día en Madagascar


 

Cientos de miles de personas celebraron este domingo en Antananarivo la presencia del Papa en Madagascar.
Cientos de miles de personas celebraron este domingo en Antananarivo la presencia del Papa en Madagascar.

ReL

Francisco celebró misa este domingo por la mañana en el campo diocesano de Soamandrakizay, en Antananarivo, al inicio de su segundo y último día de visita apostólica a Madagascar. Cientos de miles de personas siguieron la celebración, en cuya homilía el Papa desgranó, tomando como motivo los sacrificios realizados por muchos de los presentes para poder estar allí, las exigencias del compromiso cristiano, que tienen una razón de ser: "Toda renuncia cristiana tiene sentido a la luz del gozo y la fiesta del encuentro con Jesucristo".

Una primera exigencia del compromiso cristiano es entender que la promesa que envuelve no se circunscribe al ámbito de nuestros más próximos, sino que es universal: "La vida nueva que el Señor nos propone resulta incómoda y se transforma en sinrazón escandalosa para aquellos que creen que el acceso al Reino de los Cielos sólo puede limitarse o reducirse a los vínculos de sangre, a la pertenencia a determinado grupo, clan o cultura particular". Es justo al contrario: "Su amor y entrega es una oferta gratuita por todos y para todos". Cuando esto no se entiende surge una cultura "de los privilegios y la exclusión", con "favoritismos, amiguismos y, por tanto, corrupción".

Una segunda exigencia consiste en no caer en reduccionismos en la vida de fe: es muy difícil el seguimiento del Señor "cuando se quiere identificar el Reino de los Cielos con los propios intereses personales o con la fascinación por alguna ideología que termina por instrumentalizar el nombre de Dios o la religión para justificar actos de violencia, segregación e incluso homicidio, exilio, terrorismo y marginación". Jesús nos pide, dice el Papa, construir la historia "en fraternidad y solidaridad", "no cediendo a la tentación de ciertas doctrinas incapaces de ver crecer juntos el trigo y la cizaña". Francisco citó como apoyo la llamada al diálogo, la colaboración y el conocimiento recíproco presentes en el conocido como Documento sobre la fraternidad humana o documento de Abu Dabi, que firmó el 4 de febrero juto al imán de Al Azhar.

La tercera y última exigencia del compromiso cristiano es pensar que podemos "justificarnos a nosotros mismos, creyendo que todo proviene exclusivamente de nuestras fuerzas y de aquello que poseemos". En un sentido diametralmente opuesto, "la exigencia del Maestro es una invitación a recuperar la memoria agradecida y reconocer que, más bien que una victoria personal, nuestra vida y nuestras capacidades son fruto de un regalo tejido entre Dios y tantas manos silenciosas de personas de las cuales sólo llegaremos a conocer sus nombres en la manifestación del Reino de los Cielos".

Con estas tres exigencias, dijo Francisco, Dios quiere prepararnos a la "irrupción del Reino de Dios" liberándonos de "una de las peores esclavitudes: el vivir para sí".

"Es la tentación", añadió, "de encerrarse en pequeños mundos que terminan dejando poco espacio para los demás: ya no entran los pobres, ya no se escucha la voz de Dios, ya no se goza la dulce alegría de su amor, ya no palpita el entusiasmo por hacer el bien. Muchos, al encerrarse, pueden sentirse 'aparentemente' seguros, pero terminan por convertirse en personas resentidas, quejosas, sin vida. Esa no es la opción de una vida digna y plena, ese no es el deseo de Dios para nosotros, esa no es la vida en el Espíritu que brota del corazón de Cristo resucitado".

Solo Dios, proclamó Francisco, puede ser "centro y eje de nuestra vida", y su Palabra "nos invita a reanudar el camino y a atrevernos a dar ese salto cualitativo y adoptar esta sabiduría del desprendimiento personal como la base para la justicia y para la vida de cada uno de nosotros: porque juntos podemos darle batalla a todas esas idolatrías que llevan a poner el centro de nuestra atención en las seguridades engañosas del poder, de la carrera y del dinero y en la búsqueda patológica de glorias humanas".

Después de la misa, el Papa rezó el Angelus, agradeciendo previamente al gobierno su colaboración en la visita apostólica, y encomendando la protección del pueblo malgache a la intercesión de dos de sus santos, el Beato Rafael Luis Rafiringa (1856-1919), sobre cuyas reliquias en el altar se había celebrado la misa, y de la Beata Victoria Rasoamanarivo (1848-1894).



Partilhar Felicidade versus Os Nossos Irmãos à Procura da Felicidade

Há alguns dias recebi uma mensagem com esta frase “Os Nossos irmãos Mortos à Procura da Felicidade”, depois de ter colocado algumas notícias do dia, entre elas, uma imagem de um naufrágio de um barco com migrantes que procuravam refúgio. Fiquei pensativa. A mensagem era sentida. Depois referia “os nossos”, logo, era como se fosse família direta. Entretanto tive acesso a um Tweet do “Papa Francisco@Pontifex.pt”, que referia: “A todos nós, o Senhor dá uma vocação para nos fazer descobrir os talentos e as capacidades que possuímos a fim de os colocar ao serviço dos outros”. Na verdade, posso pelo menos alertar, ainda que seja do conhecimento de todos, a situação de guerra e de miséria que se vivencia a nível mundial. Há acontecimentos que não controlamos, mas que podemos dar o nosso contributo, ainda que modesto, para ajudar a melhorar a vida dos nossos irmãos. Quantas carências e vicissitudes terão passado para tomarem a decisão de partir sós ou com a sua família em busca de uma vida melhor. Ou talvez não. Mas tornava-se necessário, ainda assim, arriscar tudo em situação de desespero, em prol da defesa da família, já que se encontravam privados da sua dignidade e da sua liberdade. Na verdade, a vida constitui-se atravessando toda uma série de barreiras. Uns nascem em berço de ouro. Outros, nascem no meio de guerras, de tormentas, de miséria, de conflitos, ou seja, tanta desigualdade! Na vida, será necessário travar uma luta acrescida no sentido de conseguirem alcançar o bem-estar. Mas tudo é relativo. Há quem nasça pobre e seja feliz, que nasça rico e seja infeliz. A cada um, a sua luta e a sua preocupação. Não se encontra escrito nas estrelas, que todos alcançaremos a almejada felicidade na Terra. Também existem as diferentes raças. Mas todos possuímos o sangue da mesma cor. Temos de aceitar as diferenças e respeitá-las. Tinha um colega de raça negra, com um tom de pele bem escuro. Mas era feliz, estava sempre bem-disposto, com uma graça para dizer, no sentido de tornar os outros alegres, de aliviar o ambiente quando este se tornava pesado por qualquer motivo. Tinha orgulho na sua raça. Um dia, encontrávamo-nos em grupo num café para tomar o pequeno-almoço. Pediu um café com leite. O funcionário perguntou se era claro ou escuro. Ele retorquiu a sorrir: “Precisamente, no tom da minha pele, bem escuro”. Levava a vida na desportiva, feliz, bem-humorado. Questionei se era sempre assim, com tão boa disposição. Respondeu que gostava de partilhar felicidade, ainda que pudesse encontrar-se a chorar interiormente. Pensei que era, na verdade, um carisma que possuía. Nem todos, possuímos essa capacidade, ainda que queiramos.

Hoje, recordo tantas atrocidades que se cometeram ao longo da história da humanidade. O conhecimento e o contexto eram então outros, ainda que nada justifique. A evolução dos tempos, faz-nos mudar o nosso modo de pensar, de estar, há novos estilos de vida, para o melhor e para o pior... Penalizamo-nos pelos factos ocorridos antigamente. Contudo, pela mão do homem, continuam, infelizmente, a existir hoje em dia, a cada momento, novas atrocidades, com enorme gravidade e com novas realidades inerentes à época que vivenciamos. Possuímos a prova viva destes acontecimentos, que assistimos nos meios de comunicação social, às vezes quase em direto. Uma amiga comentou a este propósito que tinha lido algures: “A história é um profeta com o olhar voltado para trás: Pelo que foi, contra o que foi, anunciando o que será”. Há alguns dias, através de um canal de televisão, ouvi o testemunho impressionante de um refugiado que, finalmente, tinha conseguido iniciar o seu processo de integração num país de acolhimento europeu. Referiu que tinha deixado para trás o seu país em guerra, na companhia do seu irmão que pouco depois seria morto durante a fuga. Mais tarde, depois de atravessar o deserto seria apanhado e vendido. Posteriormente, iria parar a um centro de acolhimento que mais parecia a jaula de uma prisão. Conseguiu fugir, tentar atravessar o Mar Mediterrâneo. Sofreu um naufrágio. Conseguiu nadar e ser acolhido por um navio humanitário. Ainda assim, não foi fácil todo o processo até ser acolhido e integrado. Contei de um modo resumido, unicamente a título de exemplo. Quantos casos idênticos, ou mesmo piores, existem hoje em dia, alguns com crianças? Até quando? A minha amiga, também comentou: “cada ato de destruição, encontra a sua resposta, mais cedo ou mais tarde, através de um ato de criação”. Em Deuteronómio 15:11, está escrito: “Nunca deixará de haver pobres na terra, é por esse motivo que te ordeno: abre a mão em favor do teu irmão, tanto para o pobre, como para o necessitado da tua terra”. A caridade é a maior das virtudes existentes. Há situações que não podemos mudar ou controlar, mas podemos dar sempre o nosso contributo no sentido de minimizar os seus efeitos. E há tantos exemplos positivos por esse mundo fora!

O Papa Francisco referiu: “Rezemos para que o Senhor liberte as vítimas do tráfico e nos ajude a responder ativamente ao grito de tantos irmãos e irmãs, privados da sua dignidade e liberdade”.

Santa Maria, rainha da paz, da esperança, ajuda-nos a encontrar soluções que vão de encontro às necessidades sentidas, em particular, neste mês de Agosto em que o Santo Padre tem como intenção as famílias, para que tudo as favoreça, enquanto verdadeiras escolas do amanhã e laboratórios de humanização.

Maria Helena Paes