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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Sínodo: Diocese de Beja quer passar do verbo «escutar» para os verbos «agir, atuar, andar»

Responsável da Comissão Sinodal assume que território está empenhado, em mudanças operacionalizadas a partir dos conselhos pastorais, e «entusiasmados» com a dinâmica do bispo diocesano

Foto: Ricardo Perna

Beja, 09 jan 2026 (Ecclesia) – Clara Palma, da Comissão sinodal da Diocese de Beja, indicou a necessidade de passar do verbo “escutar” para outros – “agir, atuar, andar” – e convidou à implementação da sinodalidade nas periferias internas da Igreja.

“Nós temos periferias dentro da Igreja. Pessoas de missa dominical, pessoas que participam de corpo presente nos sacramentos, mas que não se envolvem. É preciso contagiar as pessoas para que deixem de ser consumidores de serviços, dos produtos que a Igreja tem à disposição e possam ser participantes. A Igreja é mais do que uma hierarquia; são todos os batizados”, reconhece à Agência ECCLESIA.

“Há que passar deste escutar para outros verbos – agir, atuar”, sublinhou.

Clara Palma integrou a comissão diocesana desde o início, em 2021, quando o processo sinodal foi lançado pelo Papa Francisco, e assumiu a liderança da equipa em 2024, por nomeação do bispo de Beja, D. Fernando Paiva.

A responsável adianta que toda a diocese reconhece um “grande empenho” episcopal no território e acrescenta que a “a introdução do Plano pastoral diocesano”, que foi trabalhado por toda a diocese, sublinha essa intenção: “Implementar o caminho sinodal é, pois, um processo de conversão pastoral e espiritual que atinge todas as dimensões da vida eclesial”.

“Esta frase é mesmo importante e é isto que nós temos que procurar levar a todas as pessoas e eu acho que a palavra-chave é contágio. Temos que contagiar as pessoas”, resume.

Indicando o documento final do processo sinodal, publicado em outubro de 2024, como “fantástico” e “de leitura obrigatória”, Clara Palma explica que a comissão diocesana tem procurado a sua divulgação e apostado na disponibilidade para ir ao encontro de todos no vasto território.

“Temos escassez de clero mas temos muitos leigos. Se houver uma estrutura, uma equipe de pessoas que coloquem os seus dons ao serviço, os padres serão os dinamizadores das comunidades mas não têm de fazer tudo e poderão ficar disponíveis para o que lhes é próprio”, indica.

A responsável adianta que as pessoas têm reconhecido “falta de espiritualidade, de crescimento na fé”, pedem maior “aprofundamento e formação”, “envolvimento das famílias e dos jovens”, “maior acolhimento nas comunidades e atenção ao próximo”.

Esta semana teve início a Escola de Cultura Teológica, “uma novidade que quer responder às solicitações das pessoas para aprofundar mais a fé”.

Clara Palma adianta que as mudanças estão a acontecer também através da “revitalização” dos conselhos pastorais, cuja existência não é nova mas com “nova dinâmica” se podem tornar espaços de escuta, partilha e mudança.

A Comissão sinodal de Beja vai participar no II Encontro nacional Sinodal, dando continuidade à sua presença em janeiro de 2025, e a responsável dá conta de uma “oportunidade maravilhosa de partilha e encontro”.

“Há muitos temas que são transversais e é bom sentir que estamos todos a caminhar na sinodalidade como Igreja em Portugal. O intercâmbio é maravilhoso”, traduz.

O processo sinodal e o II Encontro Nacional Sinodal, a partir do trabalho que a diocese de Beja está a realizar, são temas a conduzir o programa ECCLESIA, emitido sábado na Antena 1, pelas 06h00.

LS







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