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domingo, 12 de maio de 2019

Prémio Árvore da Vida para José Mattoso: O “governo do povo” favorece quem já tem o poder

José Mattoso: “É para mim muito grato poder representar nele a importância do estudo do passado humano e da transmissão da memória através do tempo.” Foto © António José Paulino

O historiador José Mattoso foi distinguido com o Prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes 2019, atribuído pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC), da Igreja Católica, noticiou o SNPC na sua página na internet (onde também pode ser visto um vídeo em que José Mattoso fala sobre a sabedoria).
A distinção, que pretende destacar percursos ou obras que, além do nível de conhecimento ou criatividade estética, reflictam o humanismo e a experiência cristã, sublinha neste caso o valor científico da investigação historiográfica de José Mattoso, o seu pensamento sobre a identidade nacional portuguesa e a sua trajectória espiritual, de acordo com a decisão do júri.
Foi a primeira vez que, nas suas 15 edições, o Prémio Árvore da Vida distinguiu um historiador, facto que levou José Mattoso a declarar-se “muito honrado”: “Como ainda não há no vosso grupo [de premiados] nenhum representante do estudo da História, é para mim muito grato poder representar nele a importância do estudo do passado humano e da transmissão da memória através do tempo.”
Sobre a figura do padre jesuíta Manuel Antunes (1918-1985), que dá nome ao Prémio, José Mattoso diz que o considera “um dos mais importantes agentes da renovação intelectual cristã em Portugal” e que, “com exemplar serenidade lutou contra o obscurantismo clerical e soube conciliar a fé com a razão”, constituindo-se um “modelo de um cristianismo lúcido e exigente, sem triunfalismos nem concessões”.

Entrevista

O “governo do povo” favorece quem já tem o poder

A propósito desta distinção, reproduz-se a seguir uma entrevista que fiz a José Mattoso, a propósito do seu livro Levantar o Céu. Os Labirintos da Sabedoria  (ed. Temas e Debates/Círculo de Leitores), publicada há exactamente sete anos, em 29 de Abril de 2012, no PúblicoNessa entrevista, reproduzida igualmente no livro Diálogos com Deus Em Fundo (ed. Gradiva), além dos problemas políticos e financeiros que se têm vivido, Mattoso fala também da crise do catolicismo e do seu modo de olhar o momento actual da Igreja (nessa altura vivia-se já o último ano do pontificado de Bento XVI). Reflexões que têm uma relação directa com o Prémio que agora lhe foi atribuído e que será entregue dia 1 de Junho, em Fátima, por ocasião da jornada nacional da Pastoral da Cultura que será dedicada ao tema da mulher na sociedade e na Igreja.

José Mattoso manifesta a esperança na bondade humana e diz que a vocação monástica continua a ser o seu mais forte apelo interior. José Mattoso acaba de publicar um livro de ensaios cívicos, criticando a acção política e o poder financeiro. No livro Levantar o Céu. Os Labirintos da Sabedoria, recolhe textos de intervenção cívica e espiritual. É como que uma síntese da vida do historiador que não desiste de um olhar lúcido sobre a contemporaneidade. Pretexto para esta entrevista.
P. – No seu livro, confessa o seu cepticismo perante a realidade, relacionando-o também com a desilusão que sobreveio às esperanças da década de 1960. A posição céptica é a mais saudável hoje em dia?
JOSÉ MATTOSO (J.M.) – Não, de todo. A posição céptica é resultado de um certo realismo e lucidez. Quando se vêem as estatísticas, o aumento do lixo nuclear, das consequências dos aditivos na indústria alimentar, tudo o que preocupa um cidadão normal, não se vê como se possa sair daí. As coisas têm repercussões tais que só a reunião de poderes universais pode alterar a direcção em que se vai. As estatísticas são implacáveis e seria cegueira não ver isso.
Não encarar essa realidade…
J.M. – Sim, mas esse é um ponto de vista racional. Do ponto de vista da fé, nada disso é fatal. Podemos ter uma atitude política, tentar intervir na realidade. Mas, se não formos conduzidos pela fé, o realismo leva-nos a desistir. O cristão tem possibilidade de se livrar dessa fatalidade na sua relação com o céu. Na metáfora que utilizo, levantar o céu, é trazer a terra ao encontro do céu.

Aí, não estamos sós. Temos a intervenção de Deus, temos a fé na redenção, no perdão dos pecados, no valor do sofrimento, na abnegação, na bondade… Temos também a fé na cultura, na inspiração extraordinária dos grandes artistas, que alcançam níveis fantásticos de captação da bondade, da beleza do mundo. E temos a renovação constante da vida: se há um incêndio numa mata, vemos daí a pouco aparecerem as flores, as ervas. A vida não desiste de se reproduzir, de envolver a realidade.
Fala da atitude política, mas hoje ela está subjugada ao financeiro. Estamos perante uma usurpação da democracia?
J.M. – Não domino suficientemente a terminologia política para poder dizer se se trata de uma usurpação. Sei que o Estado tem mostrado a sua impotência perante os abusos do poder financeiro e que o sistema democrático não resolve os problemas actuais. Ninguém acredita no discurso político, nem mesmo quem o pronuncia. Os interesses corporativos viciam a democracia. O “governo do povo” não defende os direitos dos pobres e excluídos. Favorece quem já tem poder.
Impressiona a evocação que faz da tragédia ambiental. Está ameaçada a relação da humanidade com a natureza?
J.M. – Creio que sim. A escassez de petróleo e de água, de todas as fontes de energia, mostra que é preciso um investimento enorme. A grande ameaça é a confiança que o homem põe na técnica. A ciência dá um poder enorme sobre a realidade. Uma parte dos cientistas atribui uma grande capacidade de resolução dos problemas à técnica. Mas esta, muitas vezes, adopta soluções que depois se revelam extremamente dispendiosas. Somos incapazes de imaginar o mundo sem energia, sem movimento, sem Internet. As comunicações tornaram-se indispensáveis. Mas quais são os subprodutos?… A técnica não dá o poder de resolver os efeitos secundários.
Há anos, Lourdes Pintasilgo presidiu a uma comissão que elaborou o relatório Cuidar o Futuro. Estamos a pôr em causa as futuras gerações?
J.M. – Sim, é de tal modo uma evidência que espanta que não se veja isso. Todavia, o imediatismo na resolução dos problemas não deixa adoptar soluções de longo prazo. Não há nenhum político que se atreva a propor que se deixe de ter electricidade uma hora ou duas por dia, porque perderia as eleições…
José Mattoso: “Tenho pouca confiança nas ideologias, nos ideais sim. Os ideais são indispensáveis para o homem melhorar a sociedade em que vive.” Foto © António José Paulino

É preciso recuperar as ideologias e os ideais, perdidos nas últimas décadas?
J.M. – Tenho pouca confiança nas ideologias, nos ideais sim. Os ideais propõem-nos um horizonte que nunca conseguiremos alcançar: o ideal da pureza, da beleza, da abnegação – nunca lá chegaremos suficientemente. Jesus Cristo utiliza expressões extremas, porque são ideais: se te baterem numa face, dá a outra; devemos fazer o bem aos nossos inimigos. Isso é um ideal, ninguém chegará lá, porque é um horizonte sem fim, de tal modo exigente, que há sempre uma aproximação e a esperança de fazer mais.
E as ideologias?
J.M. – Os ideais são indispensáveis para o homem melhorar a sociedade em que vive. As ideologias, não sei de nenhuma que tivesse resolvido os problemas da humanidade a uma escala suficiente: marxista, socialista, conservadora… Até as próprias religiões, como sistemas de organização da vida. Elas traçam uma série de regras e, se as regras são absolutas, tornam-se como o homem que se submete [à lei e não a lei] para o homem; e se são instituições permissivas, não atingem os objectivos.
Apareceu um abaixo-assinado de 400 padres na Áustria. Há ali uma série de problemas concretos que a instituição-Igreja não aceita e, todavia, do ponto de vista evangélico, seria natural haver uma certa maleabilidade. Na Idade Média havia um subentendimento de outra forma de organizar a vida humana do ponto de vista moral e espiritual: as regras fundamentais eram apresentadas em toda a sua exigência, mas a prática era muito mais maleável e não considerava que houvesse casos sem solução.
É nesse sentido que devemos ler a metáfora “levantar o céu”?
J.M. – Não tanto. Quando falo em levantar o céu, é todo o universo, são realidades espirituais, a arte, mesmo a que não tem nada que ver com a religião, porque representa uma forma de melhorar o ser. O ser é sempre parcialmente realizado. Ao falar na beleza, não se pressupõe que ela não possa conter também alguma coisa de fealdade. Os antagonismos, fundamento do pensamento ocidental, em que se baseia a visão da realidade, são muitas vezes parciais.
Por isso vai ao Oriente buscar a ideia da harmonização dos contrários?
J.M. – Exactamente. O Ocidente precisava de mais maleabilidade e da consciência de que a realização do ser é tão pluriforme que ninguém pode abarcar essa totalidade. Não é por processos de oposição que caminharemos para o pleno do ser humano.
Há toda uma tradição da cultura ocidental, em que predomina a racionalização, os opostos: preto e branco, bem e mal… Na Idade Média, aparentemente, também prevalece esse tom radical nos grandes pregadores. A mulher, para São Pedro Damião, é a encarnação do demónio. O leitor deixa-se enganar por essa aparência de intolerância mas, se estudar o que aconteceu na realidade, verifica que há uma concepção pragmática da realidade, muito diferente da doutrina.
Constrói o seu livro à base do triângulo sabedoria, razão e fé. É possível a coexistência destes três vértices?
J.M. – Creio que sim, contanto que a razão não prevaleça sobre a sabedoria e a fé. Mas a razão é fundamental. A formulação teológica do século XII, de São Tomás de Aquino e da teologia escolástica, é a demonstração mais categórica da capacidade de conciliar a fé com a razão. Isso representa um progresso enorme na compreensão da mensagem evangélica. Portanto, não há uma oposição inconciliável. O pietismo, uma devoção sentimental que é por vezes a expressão de um culto popular, precisa da reflexão racional para se tornar aceitável.

Em Portugal, não se cultivou suficientemente a teologia, na sua expressão plena. Não há uma tradição de estudos teológicos suficientemente válidos do ponto de vista racional, para poder responder a um anticlericalismo primário e cego que existiu em Portugal no século XIX e grande parte do século XX.
Já referiu a bondade e escreve que enquanto homens e mulheres se amarem, ainda há um resto de esperança. A bondade é a sua esperança?
J.M. – Não só. Radica nela, na medida em que esse é um efeito de Jesus Cristo ter assumido a natureza humana e representar no mundo a bondade de Deus. Ele é o redentor, o salvador. Mas eu não queria insistir no aspecto dogmático, antes na forma prática como Jesus Cristo mostra o que deve ser o homem na sua expressão mais profunda.

A bondade pode ser praticada numa concepção laical, laicista mesmo. Não precisa de ter nenhum sobrenatural por trás. Mas o cristão tem essa propensão, se a cultivar. E tem o exemplo de Jesus Cristo que leva isso a um extremo que o homem, só por si, não alcança.
A bondade pode ser uma chave de uma ética comum entre crentes e não-crentes?
J.M. – Sim. Pode haver colaboração entre um crente e um não-crente na vivência da bondade.
José Mattoso: “Para o homem de fé, é preciso aprofundar a noção da sabedoria, que se baseia numa experiência vivida e na meditação da palavra como fundadora da própria realidade, de autenticidade dos conceitos e dos valores.” Foto © António José Paulino 

Temos dificuldades com a supressão do tempo, porque ele traz o envelhecimento e a morte, e da liberdade, porque ela nos permite escolher entre o bem e a violência?
J.M. – Quando falamos do ser, pensamos em qualquer coisa fora do tempo. Mas a realização do ser é no tempo, não pode ser toda de uma vez e tem que ser com todos os indivíduos que constituem a humanidade. A realização do ser homem faz-se na totalidade da vivência humana no tempo.
E implica aceitar o sofrimento e a morte?
J.M. – Sim, e também a consideração entre o bem e o mal.
Que é a questão da liberdade.
J.M. – Sim. A realidade do ser humano implica o bem e o mal, como se conciliam, como entram em relação um com o outro… Os livros que têm aparecido a negar a existência de Deus dizem que, se Deus existisse, teria que intervir para que a maldade humana não prevalecesse. A oposição inconciliável entre o bem e o mal leva a negar a existência de Deus.
Qualquer pessoa que considere as coisas em termos de justiça e verifique o que se passa no mundo ou a crueldade no Holocausto, diz: como é que Deus permite isto, como é que estes homens fazem isto e quem sofre são as vítimas?
Para mim também é difícil aceitar esta realidade. Talvez seja numa visão de totalidade, em que o bem não pode existir sem o mal, que se pode aceitar e encontrar uma relação com o ser do homem. O ser implica também o ser mau.
A dificuldade maior das nossas sociedades é enfrentar o envelhecimento e a morte?
J.M. – Sim, mas no envelhecimento há qualquer coisa mais própria da nossa época do que de outras. Não havia os progressos da medicina que permitem retardar o envelhecimento. Também há toda uma cultura da juventude que desvaloriza a velhice e as incapacidades que ela traz. Todavia, de um ponto de vista estatístico, a diminuição da natalidade não traz senão uma percentagem cada vez maior de velhos e doentes. Como se resolve tudo isso? O pensamento oriental se calhar é mais sábio, porque tem consciência do papel do velho…
Tal como o africano…
J.M. – … talvez porque a percentagem de velhos é menor do que no Ocidente. Para o homem de fé, é preciso aprofundar esta noção da sabedoria, que se baseia numa experiência vivida e na meditação da palavra como fundadora da própria realidade, de autenticidade dos conceitos e dos valores.
Não se zanga quando ouve, na praça pública, referências à Idade Média como a idade das trevas? Mesmo quando várias das tragédias evocadas, como a Inquisição, são posteriores…
J.M. – Não acho que seja precisa uma atitude apologética, explicando que esse é um conceito primário e redutor. Foi refutado já tantas vezes e de forma tão clara que não vejo nisso grande problema. Pode acontecer é que seja apenas expressão de um primarismo cultural que é lamentável. Mas há mais qualquer coisa: o Liberalismo e, sobretudo, o Iluminismo é muito responsável pela inferiorização da Idade Média, por causa da noção de progresso. O Iluminismo procura a racionalização e o progresso e desvaloriza tudo o que seja intuitivo, tudo o que seja [do domínio do] jogo…
Dizia que a Idade Média era muito mais tolerante e diversificada,que o clero não era tão dogmático como mais tarde alguns missionários…
J.M. – Não diria “muito mais” tolerante. Diria mais tolerante e menos dogmático. Isso resulta sobretudo da prática das instituições. A Igreja quis formatar o homem de uma certa maneira, impor-lhe um modo de comportamento demasiado rígido. Por exemplo, a confissão sacramental, que aparece no Concílio de Latrão em 1215, ou a regra de ir à missa uma vez por semana ou o matrimónio como sacramento… O clero começou a pensar que eram objectivos. Mas não são senão meios pedagógicos.
É verdade que a sociedade ocidental ganhou, do ponto de vista moral, com o matrimónio monogâmico. Mas, na prática, o concubinato era extremamente difundido. A Igreja conviveu com isso. Era preferível ter sido um pouco mais tolerante. A prática das visitas canónicas na região de Coimbra no século XVI era uma autêntica espionagem da vida privada das pessoas que levava a uma hipocrisia que não trouxe vantagem nenhuma em relação a uma certa tolerância medieval.
Tem evocado a sua convicção cristã, mas também expressa reservas em relação a aspectos institucionais do catolicismo. Como vê a Igreja institucional?
J.M. – Poderia dizer, de forma quase brutal, que não me importaria de assinar a carta dos 400 padres austríacos [a pedir reformas na Igreja e o fim do celibato obrigatório, entre outras coisas]. Mas não quero ser provocador. Relaciono isso com a sondagem que diz que há menos católicos e uma proliferação cada vez maior de grupos religiosos ou pseudo-religiosos. A evolução social é implacável. Que estratégia a Igreja deveria seguir, para não perder o lugar que chegou a alcançar? Penso que é sobretudo na vivência do Evangelho, na autenticidade da vida cristã. Não de uma forma pietista, mas de forma autêntica, vivencial e esclarecida. Há uma grande quantidade de questões que resultam da ignorância teológica pura e simples.

É uma atitude exemplar, a de frei Bento Domingues, seguro nas suas posições doutrinais e todavia extremamente maleável na sua apreciação da realidade actual.
Quando ganhou o Prémio Pessoa, estava numa aldeia em Arganil. Agora vive no interior do distrito de Aveiro. Já passou por uma aldeia no Alentejo, por Timor… A vocação de monge continua a tentá-lo?
J.M. – Não diria a tentar-me, diria a manifestar-se. Diria quase: a protestar contra todas as tarefas que tenho aceitado e das quais não me arrependo porque me parecia que era isso que eu devia fazer, na ocasião em que me foram propostas. Mas o meu apelo interior vai por aí, é um apelo primeiro, que permanece.
Agora queria que me deixassem em paz. Se calhar já é tarde. Os cartuxos só admitem vocações até aos 40 anos, já tenho o dobro, não sei se tenho capacidades de viver sozinho. Mas pelo menos queria, com a liberdade pessoal suficiente e sem imposição de tempo, dedicar-me à oração. Mais do que isso: dedicar-me a descobrir o valor da palavra, o autêntico significado da palavra, no sentido de linguagem, de expressão da realidade, no sentido de logos. Encontrar-me na meditação da palavra como expressão do mundo, da existência, da história, e descobrir-lhe um sentido.
Sente esse apelo mas, no livro, fala da cidade como símbolo da humanidade solidária. Na Idade Média, a cidade era o sítio onde as pessoas se protegiam da agressão do campo e hoje a cidade é a selva urbana…
J.M. – Não oporia uma coisa e outra. Há uma tradição cristã que vê a cidade com uma dupla face: a Babilónia, o orgulho, o querer afrontar Deus na realização técnica. A outra metáfora é A Cidade de Deus, de Santo Agostinho, a sociedade ordenada, com uma capacidade de organização que valorize o homem e permita a sua realização, a solidariedade, a conjugação das tarefas. Essa dupla face da cidade mantém-se toda a Idade Média.
Na actualidade, poderíamos também ter as duas metáforas como modelo: Corbusier e outros arquitectos que pensaram as coisas em termos urbanísticos quereriam dar realidade à concepção de Santo Agostinho. Mas o que a realidade nos mostra é a megapolis, as cidades desenvolvidas quase sem limites, como São Paulo, Bombaim ou outras. E o homem perde o domínio, a sua capacidade de construir um lugar onde possa viver em toda as suas virtualidades, na solidariedade.


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Digitalização do trabalho ou do trabalhador?

Bom dia!
Foi um feriado cheio de sol e descanso? Por certo que sim! E na defesa dos trabalhadores e do trabalho, um direito dos cidadãos que tem de ser cada vez mais cuidado por todos, empregados e empregadores! Sobretudo nas novas circunstâncias em que acontece!...
Neste 1º de maio, a Agência ECCLESIA quis prestar atenção às novas formas de trabalho, aquele que dispensa uma estrutura empresarial que gere recursos, necessidades, bens e serviços e coloca o prestador de um serviço em contacto direto com a pessoa que dele precisa. Tanto quando procura um transporte para o bairro vizinho como uma viagem intercontinental, um arranjo doméstico ou uma pizza. É o trabalho 4.0, que dispensa um entreposto comercial para se servir, de forma fácil e rápida, a partir de uma aplicação, de um toque num ecrã... Basta um clique!
Uma maravilha? Sim, há maravilhas, muitas maravilhas! Mas há também questões a cuidar nesse novo mundo do trabalho, como a proteção social do trabalhador, o descanso, as férias, o cuidado pessoal e familiar em caso de doença.... A LOC/MMTC e a JOC alertam para essa justiça laboral  e a ACEGE lembra outras respostas a dar diante da emergência de um novo enquadramento laboral: a conciliação família/trabalho.
No Vaticano, o Papa lembrou também o 1º de maio, dia de São José Operário, e denunciou a "tragédia mundial do desemprego".
Por cá, foi notícia, esta quarta-feira, a nomeação do historiador José Mattoso para o Prémio Árvore da Vida - Padre Manuel Antunes, da Igreja Católica em Portugal, reconhecendo um “pensador original da construção da identidade nacional, insigne professor universitário, diretor de altas instituições de arquivo e pesquisa, irradiante homem de espiritualidade cristã e de ação cívico-cultural - de algum modo culminante na publicação do seu fascinante livro Levantar o Céu".
Obrigado professor José Mattoso pela luz com que vai iluminando a sociedade portuguesa!
Acontecimentos destes dias, que acompanhamos permanentemente no portal da Agência ECCLESIA.
Desejo-lhe uma ótima jornada!
Paulo Rocha  

Le aconsejaron abortar cuando le diagnosticaron un cáncer porque la niña moriría: hoy tiene 10 años

Sarah acababa de convertirse y su fe le ayudó a afrontar la enfermedad


Sarah con su pequeño. La detección del cáncer le llegó al año siguiente de su conversión, y la fe fue determinante para las decisiones que tuvo que tomar.




La facilidad con la que algunos médicos aconsejan a una madre que aborte en caso de un diagnóstico de cáncer choca una y otra vez con la abundancia de errores en la previsión: niños que, o bien nacen sanos tras haberse presionado para que fuesen abortados por supuestas enfermedades; niños que nacen efectivamente enfermos pero se convierten en la alegría y razón de vivir de sus padres y no en la anunciada carga imposible de sobrellevar; o, como en el caso de Sarah Wickline Hull, niños que debían morir para que se le aplicase a su madre un tratamiento teóricamente incompatible con la supervivencia del bebé.
Lo cuenta Diego López Marina en ACI Prensa tras hablar con la protagonista de los hechos, que tiene hoy 40 años y vive en Luisiana (Estados Unidos) junto a su marido Patrick y sus dos hijas. La mayor, la co-protagonista de la historia.
Dos propuestas de aborto
En 2008, a Sarah le diagnosticaron un “linfoma de células grandes anaplásico” poco frecuente y agresivo: "Yo estaba embarazada y no podía respirar. Se pensó que era bronquitis o neumonía, pero terminó siendo un linfoma no Hodgkin. No podía creerlo porque era mi primer hijo. Estaba muy asustada, por mí y por mi bebé”.
Sarah se había convertido al catolicismo en 2007 y cuenta que su fe la ayudó a salir adelante y afrontar los momentos más difíciles: “Si no hubiera tenido fe no sé cómo hubiera logrado atravesar todo esto, especialmente por la enseñanza de la Iglesia sobre el sufrimiento: el saber ofrecerlo por otros”.
Dio a conocer esta historia una década después a raíz de aprobarse en el estado de Nueva York el aborto hasta el día antes del nacimiento. En su perfil de Facebook, Sarah ofrecía una foto suya con su hija recién nacida (ver abajo), y una clara toma de posición: "Se está hablando de la necesidad médica del aborto para salvar la vida de la madre. Yo fui una de esas madres".
En efecto, como cuenta a ACI Prensa, había luchado contra la infertilidad durante años, por fin había logrado quedarse embarazada, y el cáncer le fue diagnosticado en la vigésima semana de gestación
“Nunca olvidaré cuando el primer médico, un oncólogo, mencionó el aborto”, que habría sido un aborto denominado tardío. Ella rechazó la idea: "Preferiría morir y dar a luz”. Un segundo médico le insistió en considerar el aborto tras enumerar los problemas que podría tener su bebé: “Me mantuve firme y me negué. Él dijo: ‘Eso está bien. El bebé probablemente será abortado espontáneamente de todos modos'”.
Tratamiento compatible
Por fin, una tercera opinión médica fue la de un doctor que conocía casos similares y le explicó el alto índice de bebés que sobreviven a tratamientos de quimioterapia: “Fue difícil conseguir un médico obstetra debido a mi enfermedad y el embarazo. Pero encontré a uno que había visto un caso similar al mío. Pasé a través de diferentes retos, pero Dios puso a las personas correctas en el momento preciso”.
Definieron un tratamiento de quimioterapia seleccionando los medicamentos compatibles con la vida del bebé: “Cada vez que tenía una quimio oraba a Nuestra Señora de Guadalupe, ante su imagen. Pedía que tome a mi bebé y la proteja”. Su esposo la acompañaba en las quimioterapias y su madre la atendía a tiempo completo.
A las 34 semanas de gestación nació la niña. Ella necesitó un año para reponerse del todo: "Aún sigo enferma. Mi sistema inmune no funciona correctamente y no puedo salir mucho, pero, al final, el cáncer fue una bendición. Cambió mis prioridades, mis pensamientos y ahora sé que lo más importante que les puedo dar a mis hijos es la fe y estoy agradecida por todo el tiempo que tenga para cumplir con eso”.
Hope for Two
“Si más doctores fueran preparados para saber que es posible que un bebé esté bien inclusive en terribles enfermedades como el cáncer, más gente lo intentaría. Hay muchas mujeres con las que he estado en contacto y hay una organización maravillosa de ayuda y sin fines de lucro llamada Hope for Two [Esperanza para los dos]”, explicó Sarah a ACI Prensa.
Hope for Two fue fundada en 1997 por tres mujeres que habían pasado la experiencia de un embarazo unido al cáncer. Se define como una red para brindar "apoyo y esperanza" a madres a quienes se les diagnostica la enfermedad durante la gestación.
En febrero de 2012, la revista médica The Lancet publicó una serie de artículos con estudios que avalan la compatibilidad de algunos tratamientos de quimioterapia con la vida del feto después del primer trimestre. En la misma línea aportó otros datos un artículo de noviembre de 2015 en The New England Journal of Medicine.


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De familia atea, viviendo con su novio ateo, amigos sin fe... ella se ha hecho católica esta Pascua

Kirsten Braidwood estudia Historia Medieval en la universidad en Escocia


Kirsten Braidwood en 2016, cuando ya se planteaba el llamado de la fe católica




Kirsten Braidwood es una joven estudiante de Historia Medieval en St Andrews University , la universidad más antigua de Escocia, fundada en 1413, por el Papa Benedicto XIII, es decir, el aragonés Pedro Martínez de Luna, el "Papa Luna", cerca de la ciudad de Dundee. Kirsten se ha hecho católica esta Pascua de 2019 después de pensárselo unos años.
No ha sido fácil para ella: viene de una familia atea, convivía con su novio y tuvo que mudarse a otro espacio, y los amigos y compañeros de la universidad no entienden su opción. Pero ella siente que así debía ser.
"Fui educada en una familia atea"
"Me bautizaron en la Iglesia Anglicana pero fui educada en una familia atea", explica en el Scottish Catholic Observer. A los 19 años, en un grupo femenino al que acudía estaban explorando un texto muy especial: el capítulo 16 del Evangelio de Juan. En él, Jesús promete que habrá persecución ("cualquiera que os mate, pensará que rinde servicio a Dios, porque no conocen al Padre ni a mí") pero también promete que el Espíritu Santo dará guía y consuelo a los perseguidos.
"Cuando escuché las palabras fue como si algo empujara mi corazón", explica.
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Kirsten, en un cuidado selfie en Facebook
Comparando diversas iglesias
En St Andrews hay muchas iglesias de denominaciones distintas y estilos distintos. Kirsten visitó unas cuantas y exploró las distintas ofertas. "No tenían mucha reverencia ni santidad en su culto, ni ponían énfasis en la Eucaristía", señala.
Cuando se mudó a la cercana ciudad de Dundee, encontró cerca dos iglesias: ambas eran reverentes, agradables y católicas. Se parecían más a lo que ella había conocido en entornos anglicanos (que en Escocia son muy minoritarios, ya que es un país de tradición mayoritaria presbiteriana desde el siglo XVI).
"Ahí podía ver que había un culto real, no solo una adoración simbólica. Tenía esa sensación de que hay una razón para que sea así. Le pedí a Dios que no detuviera ese deseo en mí, y que si Él lo deseaba, yo me haría católica. Y él avivó ese deseo en mí. ¡Sólo podía pensar en eso, era todo lo que pensaba!", recuerda.
Después pudo hablar con el capellán católico de la universidad y confirmar así su decisión.
Cohabitar con el novio, y ateo... no ayuda
Había complicaciones. La familia de Kirsten era atea. Y ahora ella se había ido a vivir con su novio también ateo. La cohabitación extramatrimonial no es la forma católica de hacer las cosas. El capellán de la universidad, el padre Michael John, sabía el ambiente del que ella llegaba y no le metió prisas.
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El padre Michael John Galbraith es capellán de la universidad de Saint Andrews, donde los católicos son minoría y de muy diversos orígenes



"Él sabía de mis relaciones, cómo fui educada... eso ayudó. Yo sabía que tenía que cambiar mis actos, pero todo esto lo vivía conviviendo con un ateo. Al final me dije: ¿vale la pena no hacer lo que sí quiero? Y dejé Dundee y mi apartamento. Fue un poco caótico, pero sabía que Dios me ayudaría".
Kirsten explica que su mentalidad ya había cambiado. "Ahora creía en un Dios que creó al hombre y la mujer. Ya no puede ser que las cosas no me importen. Tengo la obligación de decir que no puedo simplemente hacer lo que me viene en gana".
Amigos en la universidad que no lo entienden
"Todavía tengo alrededor gente en la universidad que me discute estas cosas y no me siento muy capaz de expresar mi opinión en voz alta. La universidad la presentan como ese lugar donde haces lo que quieres, donde vas a lo loco con sexo y drogas y todo eso", lamenta Kirsten. Dos amistades suyas que han acudido a los ritos de acogida en la Iglesia "tienen una cisión muy secularizada de las cosas, vienen de una cultura muy contraria" a lo religioso, explica.
De octubre a Navidad acudió al grupo de preparación para entrar en la Iglesia, con los vídeos del obispo Robert Barron sobre la fe católica y la presentación de diversos temas. En enero hubo un mes de descanso y reflexión y de abril a mayo estudiaron con más detenimiento el Catecismo y mejoraron sus lazos como grupo.
A Kirsten le sorprendió la variedad de personas que acudían al grupo. "Había una chica de Hong Kong que no tenía ningún trasfondo cristiano. Otra que tenía un origen ateo. Y tres madres con niños que llevaban un tiempo educando a sus hijos ya como católicos. Yo les tenía algo de celos: eran gente que sabían dónde pertenecen". Toda la gente en los entornos católicos que ha conocido, en el grupo, las parroquias y en la capellanía católica de la universidad era amable y acogedora.
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Kirsten se hace un selfie con su crucecita
Las ventajas del Rosario
También le gusta el Rosario, un tipo de oración estable y repetitiva y que ayuda a la relación con María y con Dios. "Siento que puedes sentirte cercano a María, que sufrió mucho y sabe lo que es ser santo. Puedes pedir a María, como tu madre, que te acerque a su Hijo. Estuve en varios grupos de oración en diversas iglesias y tenías que componer tus propias oraciones, hablar en voz alta de cómo te sientes, pero eso no siempre funciona bien si tienes sequía espiritual o simplemente no sabes qué decir. Es genial que la Iglesia Católica tenga cosas como el Rosario para ayudar".
Como católica novata tiene claro que "a misa traes tus cargas, y las presentas en oración; si entiendes eso, creo, es muy útil".


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quarta-feira, 8 de maio de 2019

Beja: Diocese acolhe quatro diáconos permanentes no dia do seu padroeiro

Celebração acontece na catedral alentejana, sob a presidência de D. João Marcos
Beja, 01 mai 2019 (Ecclesia) – O bispo de Beja vai presidir hoje à Missa com ordenação de quarto diáconos permanentes que vão enriquecer o trabalho pastoral das suas comunidades cristãs de origem.
A celebração decorre na Sé de Beja, pelas 11h30 na Eucaristia do dia do padroeiro da diocese, S. José Operário.
Os novos diáconos são António Coelho, casado, pertence à Paróquia de S. João Baptista de Beja; Carlos Prazeres, solteiro, residente em Cuba; Fernando Guerreiro, casado e membro da Paróquia de Santa Clara-a-Nova, Almodôvar; Manuel França, casado, que vive em Moura.
O ministério do diácono permanente, na Igreja Católica, está particularmente destinado às atividades caritativas, a anunciar a Bíblia e a exercer funções litúrgicas, bem como assistir o bispo e o padre nas missas, administrar o Batismo, presidir a casamentos e exéquias, entre outras funções.
No caso dos candidatos ao diaconado permanente, esta é uma missão para toda a vida, a que podem aceder homens, incluindo os casados, com mais de 35 anos.
O padre António Cartageno, da Paróquia de S. João Baptista, na cidade de Beja, sublinha o percurso de vida cristã de António Coelho, um dos novos diáconos, que se “batizou já adolescente e estudou música, ingressando no Coro do Carmo”.
“Neste momento é ministro da Comunhão e tem colaborado na animação litúrgica e na formação dos acólitos”, refere o sacerdote, em declarações à Agência ECCLESIA.
O novo diácono integra também o Secretariado Diocesano de Liturgia e, nas palavras do padre Cartageno “é uma pessoa que se tem preocupado em aprofundar conhecimentos participando nos encontros nacionais de Pastoral Litúrgica”.
Outro diácono que será ordenado por D. João Marcos, pertence à Paróquia de Santa Clara-a-Nova; Fernando Guerreiro já assume responsabilidades nesta comunidade cristã, nomeadamente no seu Centro Social Paroquial.
Para o pároco, padre Felicianus Kanisius Sila, este é um momento importante para os cristãos de Almodôvar, uma vez que o novo diácono “irá assumir responsabilidades também noutras paróquias, sendo sinal de uma revitalização da ação pastoral”.
O Motu Proprio ‘Sacrum Diaconatus Ordinem’ (18 de junho de 1967), do Papa Paulo VI, promulgou a restauração do diaconado permanente na Igreja Latina, segundo decisão tomada no Concílio Vaticano II (1962-1965).
HM/OC


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domingo, 5 de maio de 2019

Cardeal Gianfranco Ravasi em Braga no dia 7: diálogo entre diferentes e sucesso

Gianfranco Ravasi, fotografado em Roma, no seu gabinete do Conselho Pontifício para a Cultura, no passado dia 15 de Abril. Foto © Ana Baião/Expresso
O presidente do Conselho Pontifício para a Cultura (CPC), cardeal Gianfranco Ravasi, estará em Braga na noite de 7 de Maio, para falar sobre “o papel do pensamento crente na construção de pontes entre os diferentes”, numa iniciativa com o título Sucess FullPensamento, que pretende “homenagear actividades e personagens que se destacam no serviço do bem comum”, segundo os organizadores.
A propósito da iniciativa o cardeal Ravasi concedeu uma entrevista que será publicada no Expresso do próximo sábado, dia 4 de Maio, e depois também no 7MARGENS.
A decorrer no Altice Forum de Braga, entre as 21h30 e as 23h30, a iniciativa é de entrada livre. Estão previstas duas curtas intervenções do presidente da Câmara de Braga, Ricardo Rio, e da reitora da Universidade Católica Portuguesa, Isabel Capeloa Gil, e ainda um vídeo sobre “A fé pensada pelas crianças”, realizado pelos alunos do Colégio das Caldinhas, antes da conferência do cardeal Ravasi.
Manuel Andrade, criador do Success Full, terá depois uma curta conversa com Gianfranco Ravasi sobre o pensamento como ponte possível entre religiões, culturas e povos. Outro conjunto de perguntas ao cardeal virá, depois, de um conjunto de “agitadores”, entre os quais alunos das Caldinhas, um psiquiatra espanhol, uma italiana investigadora em Engenharia do Solo e do Ambiente Construído, uma doutoranda brasileira em Ciências da Comunicação, um compositor grego, uma senegalesa que tem trabalhado na criação de pontes entre africanos e portugueses, um empresário venezuelano e uma polaca especialista em comércio externo. Um momento musical encerrará a noite.
Gianfranco Ravasi, com 76 anos, ordenado padre na diocese de Milão, é presidente do CPC desde 2007 e cardeal desde 2010, nomeado em ambos os casos por Bento XVI.


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