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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

O que querem os jovens dos bispos reunidos em Roma



quinta-feira, 4 de outubro de 2018



Texto de António Marujo

Assembleia do Sínodo dos Bispos começou ontem e prolonga-se até dia 28

Tomás Virtuoso, Rui Teixeira e Joana Serôdio em Março, no Vaticano, 
com o cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário-geral do Sínodo dos Bispos

Sentiram-se escutados, mas querem fazer a experiência mais vezes: “Estes processos de auscultação têm de ser mais frequentes”, diz Rui Teixeira, 31 anos, escuteiro. Pensam que há um claro problema na forma de a hierarquia católica lidar e comunicar com os jovens: “O problema não é alterar tudo o que se diz, mas dizê-lo com uma linguagem acolhedora, não como uma imposição que exclui”, afirma Joana Serôdio, 30 anos, que integra a equipa do Departamento Nacional de Pastoral Juvenil (DNPJ). E recordam que o Papa Francisco marcou decisivamente a reflexão quando lhes pediu que falassem “sem filtros” e fossem “exigentes”, não querendo receber o “nobel da prudência”. “É um erro quando a Igreja se quer pensar a si mesma e o faz para dentro”, acrescenta Tomás Virtuoso, 24 anos, das Equipas de Jovens de Nossa Senhora (EJNS). 

Rui, Joana e Tomás foram os três portugueses que estiveram na assembleia que, de 19 a 24 de Março, em Roma, reuniu 300 jovens de todo o mundo como preparação do Sínodo dos Bispos sobre Os Jovens, a Fé e o Discernimento Vocacionalque esta quarta-feira, dia 3, se iniciou em Roma. 

A abertura da reunião foi assinalada por uma missa presidida pelo Papa. Na sua homilia, Francisco afirmou: “Sabemos que os nossos jovens serão capazes de profecia e visão, na medida em que nós, adultos ou já idosos, formos capazes de sonhar e assim contagiar e partilhar os sonhos e as esperanças que trazemos no coração.”

Os participantes na reunião pré-sinodal eram quase todos católicos. Mas, por vontade do Papa Francisco, também foram convidados jovens de outros credos (muçulmanos, protestantes de diferentes confissões, sikhs,...) e mesmo alguns não-crentes. Se Joana foi como representante portuguesa, Tomás e Rui (que tinha 30 anos na altura do encontro) estiveram em representação dos seus movimentos a nível internacional. 

“Era uma espécie de parlamento de jovens do mundo inteiro, de jovens líderes católicos, com a consciência de saber discutir com profundidade os temas propostos”, diz Tomás, que está a fazer tese em Economia Política Europeia, depois de ter concluído o curso de economia na Universidade Católica Portuguesa. E acrescenta o membro do secretariado internacional das EJNS: “Foi uma experiência incrível. Para nós era uma coisa inédita, porque nunca se deu esta importância aos jovens. As Jornadas Mundiais da Juventude são um produto ‘acabado’ que se oferece aos jovens para participarem num programa. Ali, éramos nós a construir a reflexão.”

Vindo da área que vem, Tomás já fez contas para confirmar que a reunião pré-sínodo (RP) foi importante para a preparação do Sínodo: no Instrumentum Laboris, ouDocumento de Trabalhoque os bispos têm para debater nas duas primeiras semanas, odocumento final da RP é citado 75 vezes; o documento seguinte mais citado é a exortação do Papa, A Alegria do Evangelho, mas apenas por 20 vezes. 

Papel da mulher não é só “enfeitar” as igrejas

Joana Serôdio, bioquímica de formação, a trabalhar num centro de investigação em biotecnologia em Beja, também recorda fortemente as palavras do Papa, no primeiro dia de trabalhos: “Já pensava que o encontro com o Papa iria marcar o ritmo dos trabalhos. Ele disse-nos para não termos vergonha, falar sem filtros, para sermos humildes na escuta mesmo de quem pensa diferente de nós. E foi empático, acolhedor, divertido e assertivo connosco.” Porque ficaram todos tão marcados com a ideia de falar sem filtros? “Porque há muitos filtros em relação aos jovens. Como há muitos filtros para os mais novos, os mais velhos e para quem é diferente da norma.”



Ou para a questão do lugar da mulher na sociedade e na Igreja, um dos temas “muito discutidos” e que aparece muito no documento final da RP. “Não foi um tema forçado por ninguém. Aconteceu pelo facto de haver muitas mulheres, incluindo africanas ou muçulmanas”, recorda Joana. “Uma das africanas, no início, fez uma pergunta ao Papa. Muitos aproveitaram essa coragem para falar sobre o tema. Precisamos mesmo de perceber e definir melhor o papel da mulher na Igreja, que vá para além do saber enfeitar as igrejas.”

Para que não se pense que por detrás está já alguma reivindicação, Joana acrescenta: “Não tem se ser nenhuma questão de género, mas debater o papel de qualquer leigos, mas a possibilidade de ser voz activa no interior da comunidade.”

Há uma crise de confiança de muitos jovens em relação à Igreja, verifica o documento final da RP. Mas eles não devem ser excluídos só por causa disso, acrescenta o texto, antes devem sentir-se aceites. “Isso acontece também quando buscamos promover a dignidade das mulheres, tanto na Igreja quanto nos contextos sociais mais amplos. 

Actualmente, a falta de igualdade entre homens e mulheres é um problema difuso na sociedade. Isso acontece também na Igreja”, lê-se no texto, no parágrafo sobre “a busca de sentido de vida”. “Existem grandes exemplos de mulheres que realizam um serviço em comunidades religiosas, consagradas, tendo papel de grande responsabilidade na vida dos leigos. No entanto, para algumas jovens esses exemplos não são sempre visíveis. Uma pergunta-chave surge destas reflexões: ‘quais os lugares em que as mulheres podem prosperar dentro da Igreja e da sociedade?’.”

Não alterar a doutrina, mas manifestar o acolhimento

As questões da moral individual apareceram também no debate, com frequência – e estão plasmadas no documento de trabalho dos bispos. Tomás Virtuoso recorda que, em relação a temas como o aborto, a eutanásia ou a prostituição as opiniões eram mais consensuais, no sentido da condenação do princípio, mas já sobre a homossexualidade as águas “separavam-se mais”. 

Tomás Virtuoso

Há necessidade de um “grande equilíbrio”, nota o dirigente das EJNS, “entre um relativismo em que vale tudo e o absolutismo de regras impostas às pessoas”. E, acrescenta, “se há uma mensagem fundamental” que tenha saído da RP, é que a Igreja deve procurar clareza nas ideias, mas que isso não se pode transformar em “falta de sensibilidade para com as pessoas”. O que abre espaço ao acompanhamento pessoal e a enfrentar os desafios da linguagem, diz. 

Rui Teixeira, médico interno de reumatologia no Hospital de Santa Maria e docente na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, também pensa que uma das conclusões mais importantes que saiu da reunião é a necessidade de os jovens “serem bem acompanhados”. E diz igualmente que há um problema sério de linguagem: “Não se trata de mudar o conteúdo, mas de adaptar a linguagem.” Dá o exemplo da sua própria acção no Corpo Nacional de Escutas, onde trabalha como formador: “Para quê ter os miúdos sentados numa sala de formação se posso ensinar-lhes a mesma coisa através de um jogo de pista?”

O acolhimento, diziam os jovens no texto final da reunião de Março, deve ser também pró-activo: “A Igreja deve buscar formas novas e criativas de encontrar as pessoas exatamente onde elas vivem, em lugares onde socializam naturalmente: bares, cafés, parques, academias, estádios e outros centros culturais populares. (...) De igual modo, nós precisamos da luz da fé em lugares mais desafiantes como orfanatos, hospitais, bairros marginalizados, regiões devastadas pela guerra, prisões, centros de reabilitação e zonas de prostituição.”

A credibilidade e a conversa “inevitável” sobre a pedofilia

Ligado à linguagem, está o problema da credibilidade. A pergunta é ainda do jovem médico, referindo o escândalo dos abusos sexuais de membros do clero, que afecta a imagem do catolicismo entre tantos jovens: “Como é que a Igreja propõe uma coisa, explica outra, consente diferente e, no caso de alguns dos seus responsáveis, ainda vive uma outra?...”

“É inevitável que apareça a conversa sobre a pedofilia”, acrescenta Tomás Virtuoso, recordando que o tema ficou também plasmado no documento final, com palavras, aliás, nada meigas: “Alguns jovens pensam que a Igreja desenvolveu uma cultura na qual se presta mais atenção às instituições do que à pessoa de Cristo.” Diz o jovem doutorando de economia: “Talvez este Sínodo possa renovar e tornar a Igreja mais transparente. É preciso debater qual é a cultura de poder dentro da Igreja. A questão é saber o que se deve mudar para tornar a Igreja mais confiável.”

“Precisamos encontrar modelos atraentes, coerentes e autênticos”, disseram os jovens participantes, no documento final da RP. “Precisamos de explicações racionais e críticas às questões complexas – as respostas simplistas não são suficientes. (...) Precisamos de uma Igreja acolhedora e misericordiosa, que tem apreço pelas suas raízes e seus valores, amando a todos, até mesmo aqueles que não seguem o que acreditamos ser a fé ‘padrão’”.

No grupo em que participou, em que havia vários latino-americanos (incluindo uma pastora luterana do Paraguai), Joana Serôdio diz que todos falaram da “discórdia” de muitos jovens em relação a vários aspectos da doutrina da Igreja. E isso origina a “incompreensão de muitos católicos em relação aos jovens, por causa das opções que eles tomam”. É difícil, acrescenta, explicar aos jovens que a Igreja “diz que acolhe mas depois, na prática, marginaliza”. 

Joana Serôdio

O mais evidente das reflexões dos jovens na RP “não era alterar tudo o que a Igreja diz ou faz, sobre questões como a contracepção ou as relações pré-matrimoniais”. As opiniões “estão distantes do que a Igreja diz sobre alguns desses temas, mas não se trata de mudar completamente” mas, antes, de alterar a linguagem, de modo a manifestar sobretudo o acolhimento. 

Todos coincidem em outra observação: além dos 300 participantes na assembleia pré-sinodal, havia mais 15 mil jovens de todo o mundo a participar, através de debates e comentários nas redes sociais. E, aqui, mobilizaram-se vários grupos que se opõem a qualquer mudança na doutrina e no modo de abordar estes temas, dizem os três portugueses, e apareciam, além de comentários de apoio, também muitos outros a criticar as reflexões da RP. 

A pessoa no centro da política e da economia

No documento final da RP, há uma afirmação que pode parecer estranha: “Ainda não há um consenso unânime em relação à questão dos imigrantes e dos refugiados e muito menos sobre as problemáticas que causam este fenómeno – tudo isso somado ao reconhecimento do dever universal de tutelar a dignidade de cada pessoa humana.”

Não se pode ignorar que houve divergências também sobre este tema, recorda Rui Teixeira. “Para alguns, a dimensão social não é tão importante” e referiam algumas reservas em relação ao tema dos refugiados. Também havia muito quem citasse o Papa, mas por vezes era só porque isso é convencional...

No documento final da RP, ficou registada a lista de preocupações dos jovens: “Queremos um mundo de paz, com uma ecologia integral unida à uma economia global sustentável. Para os jovens que vivem em regiões instáveis e vulneráveis, existe a esperança e uma expectativa de ações concretas da parte dos governos e da sociedade: acabar com os conflitos, com a corrupção; ter atenção às mudanças climáticas, às desigualdades sociais e à segurança. É importante saber que, independentemente do contexto, todos compartilham a mesma aspiração inata por ideais nobres: paz, amor, confiança, igualdade, liberdade e justiça.”

Para Tomás, é evidente que a Igreja deve reflectir sobre a influência da tecnologia nos jovens – outro tema referido no texto final da RP –, tal como a ideia de que a fé deve influenciar intervenção política: “É a pessoa que deve estar no fim da decisão política ou da economia. Isso deve levar-nos a perguntar se somos capazes de explicar que cada pessoa tem uma dignidade própria ou se um gestor católico despede como os outros ou se tem uma relação diferente com o meio ambiente Se não é diferente, isso tem de ser repensado...” Tomás acrescenta que se um jovem católico não tem capacidade de influência política e de participação cívica a partir da sua fé, “então a fé não serve para nada”. 

Joana dá o exemplo do que está a passar-se no Brasil, por causa do fenómeno da corrupção: “Temos de nos envolver cada vez mais em tudo o que diz respeito à sociedade”. 

“Há muito trabalho a fazer e tão pouco tempo...”

Nas expectativas em relação ao Sínodo cujos debates em assembleia começam nesta quinta-feira, dia 4, os três portugueses que participaram na RP coincidem também numa outra coisa: “A necessidade de os jovens quererem ser bem acompanhados e muitas vezes não terem quem”, como define Rui Teixeira. “O Papa também já terá alguma coisa pensada e não é no dia seguinte que as coisas mudarão, mas é importante capacitar agentes para o acompanhamento, responsabilizar a hierarquia no sentido da autenticidade e manter o espírito de auscultação que experimentámos na reunião pré-sinodal.”

Rui Teixeira

Essa escuta deve entender também outra mudança: “Vários jovens, perdendo a confiança nas instituições, não se reconhecem mais nas religiões tradicionais e não se definem mais como ‘religiosos’. Porém, os jovens são abertos à espiritualidade”, verifica o documento final da RP.

O pedido do documento final vai mais longe: “A Igreja deve envolver jovens em seus processos de tomadas de decisão e oferecer-lhes mais funções de liderança. Essas funções devem ser na paróquia, diocese, a nível nacional e internacional, e até em comissões do Vaticano.”

Joana espera muito que os dois bispos portugueses participantes – Joaquim Mendes, auxiliar de Lisboa, e António Augusto Azevedo, auxiliar do Porto – levam “muito entusiasmo e partilha”. Os resultados da assembleia de Roma (na qual participam cerca de 270 bispos de todo o mundo e da Cúria Romana, mais uns 130 auditores, convidados, secretários e delegados de outras confissões cristãs) passam também por uma “maior abertura dos bispos aos jovens”, acrescenta, pois para vários deles “ainda é difícil saber como é que a hierarquia deve trabalhar com os jovens”. 

Em Portugal, pelos menos duas dioceses, acrescenta Joana, irão dinamizar assembleia de jovens durante este mês de Outubro, como forma de tornar presente o debate de Roma. “Há muito trabalho a fazer e tão pouco tempo...”, desabafa. “Não estou à espera de uma revolução, é prematuro desejar muitas mudanças, mas sinto que há muita vontade dos jovens em que a Igreja mude. É preciso que os bispos queiram caminhar juntos connosco...”

Até dia 28, cabe aos bispos dizer se essa é também a sua vontade. 




A realidade humana é o lugar teológico mais importante



quinta-feira, 4 de outubro de 2018



Nota de Agenda + Entrevista de António Marujo


Luciano Manicardi no final de 2012, em Lisboa
(foto © António Marujo)

Um livro, uma conferência sobre a mística do quotidiano e um encontro temático de dois dias sobre o seguimento de Jesus. Luciano Manicardi, prior da comunidade monástica de Bose (norte de Itália) e autor de A Caridade dá Que Fazere de vários outros livros, estará a partir desta sexta-feira, 5 de Outubro, em Lisboa, para várias actividades públicas que incluem a apresentação de um novo livro, Comentário à liturgia dominical e festiva – Ano C(ed. Paulinas). 

Sexta, dia 5, às 21h, Manicardi fará uma conferência sobre O quotidiano – lugar de revelação antropológica (entrada livre), no Centro Cultural Franciscano

(Largo da Luz, em Carnide. Sábado e domingo, dias 6 e 7, Manicardi, que junta à investigação bíblica o olhar da antropologia e da psicologia, animará um encontro (sujeito a inscriçõessobre o tema No seguimento de Jesus. Será no Mosteiro das Monjas Dominicanas, do Lumiar (Quinta do Frade, à Praça Rainha D. Filipa), também em Lisboa. 

No livro Comentário à liturgia dominical e festiva – Ano C, Manicardi aborda os textos da liturgia católica do próximo ano litúrgico (que se inicia no final de Novembro). “No Ano C da liturgia dominical, a Igreja propõe o Evangelho segundo Lucas à escuta e meditação por parte dos crentes. É um Evangelho com características muito especiais, como nos mostra frei Luciano Manicardi: ‘o Evangelho torna-se literatura’”, diz a editora, a propósito do livro. Na mesma nota, lê-se ainda que o evangelista Lucas se revela “um homem de Igreja inteligente e avisado, guiado por sentido pastoral evangélico e por um profundo sentido de humanidade”.

A estrutura da obra lucana “é muito simples: funda-se num plano geográfico e tem, no caminho de Jesus rumo a Jerusalém, ou antes, rumo ao Pai, o seu eixo condutor; a atenção prestada ao tempo leva Lucas a abordar o problema de como viver o Evangelho no dia a dia, com temáticas que têm levado várias pessoas a falar de ‘Evangelho social’ a propósito do terceiro Evangelho; do quotidiano, enfim, faz parte a relação interpessoal, a relação com o outro, e a confiança no amor misericordioso do Pai.”

Estas indicações darão o mote também para a conferência de sexta à noite. Nas suas obras, o prior de Bose (uma comunidade ecuménica de monges, que inclui homens e mulheres) confirma, como diz a editora, a “densidade humana e espiritual invulgares”, bem como o “aprofundado conhecimento” e a grande “sabedoria” na abordagem de questões de “grande relevância para a reflexão sobre a sociedade e a vivência cristã”. (Aqui podem ver-se outros elementos sobre os restantes títulos de Manicardi publicados em Portugal: Viver uma Fé Adulta – Itinerário para um Cristianismo credível, Memória do limite – A condição humana na sociedade pós-mortal, Ao Lado do Doente – O sentido da doença e o acompanhamento dos doentes Comentário à liturgia dominical e festiva – Ano B.)

Manicardi esteve já em Portugal por várias vezes, quer a convite da editora, quer da Fundação Betânia (entidades que o convidam de novo desta vez) quer, também, pela organização da Semana Social. Há seis anos, no Porto, Manicardi fez uma das intervenções de fundo da Semana Social desse ano, comentando a encíclica Deus Caritas Est, de Bento XVI.

Em Fevereiro de 2013, publiquei na revista Mensageiro de Santo António uma entrevista com Luciano Manicardi, a propósito dos seus livros A Caridade dá Que Fazer Viver uma Fé Adulta. É esse diálogo que a seguir se reproduz. 

A realidade humana é o lugar teológico mais importante

Diz que a tradição sapiencial bíblica nos ensina a fazer do cristianismo uma arte de viver o eros, a sofrimento, o trabalho ou a família. Luciano Manicardi, [prior] da comunidade monástica de Bose (norte de Itália), que reúne homens e mulheres, esteve em Portugal por ocasião da recente Semana Social da Igreja e da apresentação de dois livros seus. 

P. – No seu livro A Caridade dá Que Fazer, propõe reaprender a “gramática da caridade”. Esta necessidade é hoje mais urgente?

R. – Sim, porque há cada vez mais famílias e pessoas empobrecidas, com necessidade de assistência e sustento elementar. O meu receio é que, na actual crise, principalmente económica e financeira, os nossos governos intervenham com receitas muito técnicas, mas esqueçam a problemática social e familiar das pessoas. A justiça, que é a forma social da caridade, deve ter isto em conta. 

As comunidades cristãs deveriam mobilizar-se, mais que nunca neste momento, para ajudar, criar uma rede, um tecido humano que mude o modo de as pessoas viverem juntas. De outro modo, não creio que, apenas com medidas económicas, a situação mude. 

Diz que a atenção ao outro e ao corpo do outro é essencial para o exercício da caridade. Isto é muito mais que os índices económicos. 

– Claro. Uma leitura atenta da Escritura, em particular das leis do Antigo Testamento [AT] que podem parecer longe da nossa situação, mostra-nos elementos perenes que são importantes ainda hoje. 

Há uma lei do AT que diz: “Não oprimirás um estrangeiro (...) vós conheceis a respiração do estrangeiro residente, porque fostes estrangeiros residentes na terra do Egipto” [Éxodo 23, 9] – são os emigrantes têm que fazer os trabalhos mais pesados e difíceis. E outra que diz: “Não imporás juros (...) Se penhorares o manto do teu próximo, devolver-lho-ás até ao pôr-do-sol, porque a capa é tudo o que ele tem para cobrir a nudez do seu corpo; com que é que ele se deitaria?” [Êx. 22, 24-25]

Isto significa que uma lei não é feita apenas para governar melhor as relações sociais, mas deve também humanizar, ter em conta a humanidade do outro.

Quando diz que devemos valorizar a tradição sapiencial bíblica, o que podemos aprender de livros como Job, Cântico dos Cânticos, Qohélet, Provérbios...?

– A tradição sapiencial ensina-nos a tomar a sério a realidade, a experiência. Devia impedir-nos de fazer afirmações teológicas e espirituais que entrem em conflito com a realidade. A experiência deve estar presente para falar de Deus. O livro de Job ensina que não basta estar junto de um infeliz para se estar próximo dele. É preciso muito mais. Afinal, foi Job que disse de Deus as coisas mais correctas. Os seus amigos fizeram um discurso teológico irrepreensível, respeitador de todos os cânones. No entanto, Job, com a sua quase blasfémia, consegue dizer de Deus coisas mais certas, porque partem da realidade humana.

A tradição sapiencial ensina-nos a fazer do cristianismo uma arte de viver, com uma gramática própria do humano, a nível do eros (o Cântico dos Cânticos), do sofrimento, da doença e do luto (Job) ou de tantas situações perante as quais o livro de Qohélet [Eclesiastes] nos coloca. Devemos tomar seriamente o que é humano – o trabalho, a família, o social – como o lugar onde podemos viver o seguimento de Cristo, o lugar teológico por excelência. 

É esse o modelo da santidade para os nossos tempos: tomar a sério a humanidade?

– A santidade está sempre plasmada pela acção do Espírito Santo na liberdade. Mas é verdade que, hoje, precisamos de recuperar uma santidade que seja profundamente humana. É importante, num tempo em que o transcendente custa a impor-se, podermos encontrar outro nível de eloquência da fé, que parta do humano. A partir de Jesus de Nazaré, a santidade que evangeliza é a que nasce da pessoa que enxerta a sua humanidade na humanidade de Cristo. 

A santidade é identificada com a santidade individual. Os cristãos estão desafiados a propor modelos operativos de santidade comunitária?

– Estou convencido que sim. É um empobrecimento a redução, no Ocidente, da santidade a um modelo sobretudo individual. A santidade é pessoal e isso é irrefutável. A pessoa, singular, é chamada a tornar-se santa. Mas uma pessoa vive de relações, ninguém existe por si próprio, antes existe num contexto comunitário, eclesial, social... Trata-se de encontrar a maneira de tornar a santidade eloquente comunitariamente. 

No Novo Testamento, o corpo é individual mas também é eclesial, composto de diversos membros – dos quais Paulo diz que os mais fracos são os mais importantes. Significa criar pequenas comunidades em que se vive a atenção ao pobre, com valores esquecidos ou menosprezados na nossa sociedade: a paciência, o perdão, a autoridade como serviço, a partilha de bens são maneiras de tornar eloquente o evangelho e narrar a santidade de Deus. 

No livro Viver Uma Fé Adulta, diz que uma Igreja adulta é aquela onde as pessoas contam mais que as estruturas. Cinquenta anos depois do Concílio Vaticano II, o que se deve fazer para ter esta realidade mais presente?

– Devemos ter a coragem de regressar ao Evangelho, à centralidade de Cristo, para descobrir que a Igreja é um corpo, não uma máquina. Numa máquina, há peças substituíveis. Se na Igreja uma pessoa vale pela função que desempenha, então não é importante por si. A Igreja deve, por isso, saber dizer uma palavra e colocar em prática uma outra forma de fazer as coisas. 

Cinquenta anos depois do Vaticano II, a prática sinodal – que deveria ser o método com que a Igreja caminha, vive e toma decisões, para fazer as escolhas que sejam o mais próximo possível do Evangelho – deveria ser revigorada e colocada em prática. 

Não está dito que um processo sinodal consiga resultados melhores que uma decisão tomada com autoridade. Mas o caminho é diferente: um caminho em que se escuta, em que a palavra do outro é importante e todos se sentem parte de uma comunidade de irmãos. A sinodalidade é caridade em acto, que faz com que as decisões sejam verdadeiramente fruto de “nós e o Espírito Santo” e não apenas de um ou de uma facção contra a outra. 




Hasta 10.000 refugiados y 600 bebés nacidos...: día a día del Seminario de Bangui, en Centroáfrica




El rector del seminario atiende a las miles de
familias que están refugiadas en el seminario
de San Marcos
La Iglesia Católica es el gran refugio para decenas de miles de personas que huyen de la violencia. Y protege tanto a los cristianos perseguidos como a los propios musulmanes. El obispo de Bangassou, el español Juan José Aguirre, ha explicado en varias ocasiones la situación extrema que se vive en el país y cómo miles de refugiados han tenido que ser acogidos en el seminario o el propio obispado.
Lo mismo ocurre en Bangui, capital del país. El rector del seminario, el padre Edouard Tsimba, relata a Ayuda a la Iglesia Necesitada las necesidades que tienen y cómo han logrado albergar en el centro hasta a 10.000 personas que buscaban refugio.
Actualmente hay 5.000 personas  desplazadas -han llegado a tener hasta 10.000-. Este religioso cuenta que algunos alumnos tienen a sus padres en este recinto como desplazados, que han nacido 600 bebés… Las ONG solamente ayudan a corto plazo. Desde enero pasado, éstas han decidido no ayudar y ver si la gente se marcha de los campos… No ha funcionado. La Iglesia es la única que tiene proyectos a largo plazo.
La necesidad de ayudar al necesitado
El padre Tsimba, rector del seminario y coordinador de la ayuda a los desplazados, narra cómo llegaron tantas personas allí en busca de auxilio, cómo comenzó todo: “Desde el domingo de Ramos de 2013, empezamos a notar algo en el ambiente de la ciudad de Bangui. Antes de eso, fuera de Bangui, ya sabíamos que algo no funcionaba bien. Había grupos armados, bandas que estaban realizando barbaridades. Lo seguíamos de lejos hasta que un día, el domingo de Ramos, una banda armada, los Seleka, entraron en Bangui. Ese día llegaron hasta aquí: hasta el Seminario Mayor de Bangui. Se llevaron el coche, saquearon mi despacho y mi habitación.”
“La gente del barrio me pidió que dejara el seminario y que me quedara con ellos, en la casa que está enfrente del seminario –continua contando el sacerdote-. Fui allí con un sacerdote francés aunque no abandonamos del todo el seminario… Nos dijimos que esa gente se había llevado el coche y dinero, pero que volverían… Durante cuatro días estuvimos sin dormir, estábamos de pie o sentados, había disparos por todas partes. Hicimos la reflexión de que teníamos que estar en casa, teníamos que volver: “Si nos tiene que pasar algo, que sea en casa”. 
Cada vez que llegaban bandas armadas, cogían lo que quedaba en la casa y lo tiraban al techo, lo rompían todo. Fueron unos días tensos. Después pasó todo. Fue como un movimiento de masas.
seminario-bangui
Algunas ONG han ayudado a los refugiados del seminario, pero al final es la Iglesia la que lleva el gran peso de atención a estas miles de personas
Los acontecimientos se precipitaron cuando los grupos Anti-Balaka, milicias armadas en respuesta a la violencia de la guerrilla islamista Seleka, comenzaron a ensañarse contra la población musulmana y la violencia rebrotó con fuerza. Era finales de diciembre de 2013, el padre Tsimba recuerda bien la fecha: “Era un jueves y nos estábamos preparando para ir a clase. “¿Qué pasa?”, nos preguntábamos".
El seminario ha llegado a acoger a 10.000 refugiados
"El primer día, recuerdo que había entre 300 y 400 personas y luego fue aumentando a 1.000, 2.000, 5.000, 8.000 hasta casi 10.000. No fue solamente en nuestra casa, también en parroquias de la ciudad e incluso en el arzobispado. Lo mismo en las parroquias del interior del país. Como cristianos, como personas, no podíamos dejar de acoger a nadie. Todas esas personas venían buscando seguridad.”
El seminario dispuso todas las aulas, comedor y más tarde capillas, para acoger a tantos desplazados. La estación lluviosa estaba a punto de comenzar y no podían estar en el jardín, o en unos simples plásticos en el suelo. Después de unos meses, recibieron tiendas de campaña de varias ONG, pero las clases tuvieron que ser canceladas por la atención a los desplazados: “Comíamos una vez al día con ellos. Conseguimos que unas personas comprasen arroz para todos e hicimos arroz con leche. Solíamos cenar con ellos. Por la mañana, comprábamos, por ejemplo, 400 barras de pan. Las cortábamos en 4 trozos y los repartíamos, sobre todo entre los niños.”
Muchas congregaciones misioneras no han dejado el país, se han quedado. La población lo ha agradecido mucho, agradecen que no se les abandone cuando las cosas van mal, que se queden con ellos.  El padre Tsimba recuerda cómo su misión como sacerdote se multiplicó: “Compartimos lo poco que tenemos con ellos. De hecho, como sacerdotes, hacemos un poco de todo: nos convertimos en enfermos y curamos heridas, o en psicólogos y escuchamos a la gente. En definitiva, conceder tiempo a la gente para que hablen, para escuchar su sufrimiento aunque no siempre tenemos respuesta".
600 bebés han nacido en el seminario en este tiempo
Los momentos más difíciles fueron y son cuando fallece alguien, y la familia entera se encuentra desesperanzada. También el seminario ha sido un hospital improvisado: “Aquí han nacido 600 bebés. Uno de ellos murió en el momento del parto. No había posibilidad de que viniera una ambulancia y hubo que enterrar al bebé aquí, muy pocos de nosotros sabemos dónde. Lo enterramos iluminando con el faro de una moto (por la noche). Cuando pienso en esto, me duele, fue muy doloroso…un ser humano que muere porque no podemos ir al hospital, simplemente. Aquí ha habido hasta colegios: primaria y escuela de alfabetización para los adultos, para que la gente no estuviera sin hacer nada".
Si quiere ayudar a Ayuda a la Iglesia Necesitada y sus proyectos en República Centroafricana pinche AQUÍ

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Rescata «niños soldado» y va en su búsqueda hasta los poblados de las milicias: así lleva casi 8.000

«Si me llega el martirio, que me pille haciendo el bien», afirma el padre Arsene Masumbuko


Niños soldados ya rescatados por el padre Arsene, y con la ayuda recibida por parte de la ong española Rescate




Congo ha sido y es uno de los grandes conflictos olvidados. Millones de personas han muerto en las guerras que han asolado este enorme país africano, y en que la violencia se ha intensificado en los últimos años. Una parte importante de este recrudecimiento se debe al coltán, un mineral imprescindible para la fabricación de teléfonos de última generación. Y el 80% de las reservas mundiales de este preciado material se encuentra precisamente en Congo.
Es conocido como un “mineral de sangre” porque está dejando en su camino miles de muertos. Numerosos grupos armados se financian con la extracción ilegal de coltán y con este dinero compran las armas con las que están causando el terror en el país.
Como pasa en buena parte de estos conflictos, los niños son las principales víctimas. En el caso del Congo, estos pequeños sufren tanto el conflicto armado como la explotación indiscriminada por el coltán. Miles de ellos han sido arrancados de sus familias y convertidos en niños soldado. Otros muchos son además esclavizados y mueren en las minas.
Devolver la infancia robada
Esta es la situación a la que lleva años enfrentándose el padre Arsene Masumbuko, sacerdote congoleño que jugándose la vida en repetidas ocasiones ha rescatado a casi 8.000 niños soldado, niñas utilizadas como esclavas sexuales y ahora también pequeños procedentes de las minas de coltán. Debido a su enorme labor social y espiritual es querido por el pueblo y respetado por estos grupos armados.
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El padre Arsene ha estado en España para conseguir ayuda para sus proyectos en Congo
Gracias a la ayuda internacional, gran parte procedente de España a través de la ONG Rescate, este sacerdote ha logrado crear de la nada hospitales que han salvado ya la vida de numerosas mujeres jóvenes y sus bebés reduciendo la mortalidad materna casi a cero, colegios y dispensarios. Aunque su gran obra ha sido el empeño de rescatar y devolver su infancia a los niños soldado, pudiéndolos reinsertar en la sociedad tras un duro proceso de lavado de cerebro por parte de los grupos armados.
Su profunda y curiosa relación con España
En una entrevista con Religión en Libertad, este sacerdote que habla perfectamente castellano tras haber logrado su doctorado en España cuenta que desde que era niño tenía claro que quería dedicar su vida a ayudar a los demás. Pero la vida religiosa no era una opción para él.
De hecho, aspiraba a ser médico e incluso tenía ya preparada la solicitud para la universidad. “Yo estaba en Goma, y vivía con los Padres Blancos en una casa que tenían para los estudiantes que veníamos del interior del país. Viviendo con ellos era monaguillo. Ahí vi algo, pero mi plan seguía siendo ser médico. Pero al final estando con los misioneros, rezando con ellos y yendo a sus retiros surgió en mí la vocación. En mi zona no había sacerdotes locales y me pregunté por qué no hacerlo. Así fue como dejé todos los planes de la universidad y me fui al Seminario”, cuenta.
Dios le tenía reservada una grata sorpresa puesto que Arsene fue ordenado sacerdote por el Papa San Juan Pablo II en 1990 en su visita a la vecina Ruanda. Antes de ser sacerdote ya tenía esa inquietud por mejorar las condiciones de su pueblo, sueño que pudo cumplir tras su estancia en España.
En España preparó un proyecto para construir un hospital en Congo, pero le faltaba conseguir el dinero. Una religiosa le presentó al entonces alcalde de Madrid José María Álvarez del Manzano, y más tarde en un funeral conoció a la que era ministra Esperanza Aguirre. Tras ir de despacho en despacho durante un tiempo, finalmente consiguió que a través de la ONG Rescate le financiaran el proyecto del hospital. Este fue el primero de los muchos que ha podido desarrollar en Congo gracias a esta ayuda española.
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Nombrado administrador de Cáritas en su diócesis conoció todavía mejor el drama generado con los niños soldado. Las milicias llegaban a los pueblos y se llevaban a los niños y las niñas, unos para que mataran y otras para que sirvieran como esclavas de todo tipo.
Desde que se decidió a enfrentarse de lleno a este problema su éxito ha sido tremendo. “Hay que tener coraje, voluntad y empatía. Hay que saber cómo sufren, entrar en su sufrimiento para así poder ayudarles. No me gusta cruzar los brazos, por eso cuando llegue con el proyecto del hospital, después hicimos otro centro, escuelas, y nos encargamos de las víctimas”.
Hasta la ONU le ha pedido ayuda
A partir de ese momento el nombre de Arsene Masumbuko empezó a ser conocido en la zona, también por los líderes de las milicias armadas, que querían saber quien era aquel “Abbé Arsene”.
Jugándose la vida en numerosas ocasiones se iba a los propios poblados en los que estaban estos grupos armados para negociar cara a cara con ellos. Les pedía que le devolviera a los niños, o que soltasen algún rehén. Incluso iba como pacificador para que perdonasen a los miembros de otro grupo y no hubiera más derramamiento de sangre.
El padre Arsene logró un gran éxito en todas estas gestiones. Su fama seguía aumentando y su influencia era cada vez mayor. Tanto que la propia ONU le pidió ayuda para que lograse el rescate de un piloto indio que había sido secuestrado. En dos horas logró que uno de los jefes de las milicias más duros y violentos le entregase a este cautivo.
Casi 8.000 niños rescatados
Desde 2004 ha podido focalizar mejor el rescate de estos niños soldados a través de una serie de centros en el que los menores están un tiempo hasta que logran volver a integrarlos en la sociedad. La ayuda española proveniente de Rescate les da los medios para poder volver a la sociedad para que no vuelvan a la calle o a estos grupos armados. En total, ha rescatado a 7.861 niños.
Masumbuko cuenta las situaciones de extrema dureza que viven estos niños. “La niña cuando vuelve de la selva, con 14 o 15 años, la han violado repetidas veces, algunas están embarazadas. La familia no las recoge bien, tampoco la sociedad. Hay que atenderlas”, cuenta.
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Miles de niños son utilizados por grupos armados en las minas de coltán
"¡El jefe me dijo que matara y he matado!"
Sobre los niños soldado, explica que muchos vuelven habiendo matado. “Los drogan, y además los niños son más peligrosos. A los mayores puedes explicarles cosas, a los niños si les mandan matar, matan. O si le dicen que haga tal cosa a una niña, lo hacen. Muchos niños me dicen: ‘el jefe me dijo que matara y he matado’”.
El lavado de cerebro es total aunque este sacerdote asegura que logran recuperarse, pero reconoce que “no es nada fácil sacar todo esto de sus cabezas, son niños que han matado, que han abusado de otra niña. No es fácil, hay que llevarlos con mucha sensibilidad y mucho cuidado”. Al final bastantes de los que han sido rescatados logran estudiar y conseguir un trabajo. Son niños que realmente han nacido de nuevo.
Pese a las vidas que ha salvado afirma no ser un héroe. “Intento hacer lo que hizo Jesús: estar cerca de los que sufren, de los que viven la injusticia. Jesús siempre se puso de lado de los sufrientes. Es el Evangelio en estado puro, es hacer de Buen Samaritano”, afirma.
"Si me llega el martirio que me pille haciendo el bien"
No puede quedarse de brazos cruzados ante tantos sufrimientos. Arsene tiene claro que “la Iglesia tiene que evangelizar, dar a conocer a Dios, pero no es un Dios extraterrestre, es un Dios vivo, y hay que estar ahí con la gente para que puedan vivir y conocerle”.
El sufrimiento y el tremendo dolor que ha presenciado tampoco le han hecho tambalear su fe. “Al contrario, –agrega- esto refuerza mi fe. No hay otro remedio, es la fe. Sin ella no puedo hacer nada”. Hay muchas personas que hacen el bien pero el cristiano va más allá y Arsene habla de las Bienaventuranzas. Se trata por tanto de esta vida, pero también de la vida eterna.
“Con la fe lo veo todo de otra manera, viendo más allá de que lo que estoy haciendo. Esto me impulsa a hacer más cosas, hasta la muerte incluso. No quiero ser mártir, pero si llega que llegue. Eso sí, que me pille haciendo el bien”, sentencia este religioso congoleño.

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A agenda da reunião de 267 pessoas no Vaticano

Bom dia
Começou esta quarta-feira o Sínodo dos Bispos. Uma reunião entre 267 representantes dos bispos católicos de todo o mundo, onde se contam 34 jovens, entre 18 e 29 anos, além de especialista, convidados e colaboradores, num total de mais de 400 pessoas. 
E qual a agenda para esta reunião? Na sessão de abertura foram avançados temas relacionados com as inquietações dos jovens, mesmo quando colocam em causa a práxis da Igreja: a vivacidade da liturgia, o papel da mulher, a afetividade, a sexualidade, a cultura digital e muitos mais.
Para o Papa, o síndo deve apresentar um novo discurso em relação aos jovens e ao futuro, com atenção à realidade concreta, para superar “estereótipos”, e a Igreja tem de falar aos jovens sem barreiras nem preconceitos.
Entretanto,  a Rede Mundial de Oração do Papa lançou uma campanha de oração pela Igreja, coma pediu o Papa, através da aplicação ‘Click To Pray’.
A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) convidou crianças de 83 países para rezar a oração do Terço pela paz mundial, no dia 18 de outubro. Em Fátima, o cardeal D. António Marto vai presidir.
No início do mais uma jornada, paritlho também uma opinião sobre reuniões e debates em torno dos jovens, tanto no Vaticano como no Campo Grande.
Votos de um ótimo dia!
Paulo Rocha


Aniversário do Seminário de Beja




Grupos armados asaltan y agreden a las monjas de tres conventos de una misma diócesis en el Congo




En apenas un mes tres conventos de la misma
diócesis han sido asaltados por grupos
armados en el Congo
Durante el pasado mes de septiembre tres conventos de religiosas de la ciudad de Kananga en el Congo, poniéndose en evidencia la situación de violencia e inseguridad que se vive en este país africano.
La Comisión de Justicia y Paz de la Diócesis ha condenado estos hechos y ha informado que “los matones atacaron a las monjas y las amenazaron de muerte, antes de quitarles su dinero" y otros bienes destinados al trabajo de las hermanas en la comunidad.
Los asaltantes armados no han sido identificados, y en su asalto agredieron a las religiosas y las amenazaron de muerte además de robarlas sus pertenencias.  “El convento de religiosas de San José de Tarbes, en Bena Mukangala, fue atacado la noche del 6 de septiembre, el de Kambote y Malole, pertenecientes a las Hermanas de la Caridad de Jesús y María, fueron blanco de los ataques de los bandidos, los días 14 y el 19 de septiembre”, explican.
Caos y violencia en el Congo
La comisión Justicia y Paz ha recordado a la población que estas hermanas dedican sus vidas al servicio de la Iglesia y del Congo: “Entre ellos, hay misioneros que vienen de países lejanos y brindan servicios sociales a la población, especialmente en las áreas de salud, educación, atención de enfermos y ancianos, asistencia a vulnerables, así como el cuidado de viudas y huérfanos”.
Estos grupos armados campan a sus anchas por la zona y miles de mujeres han sido ya violadas por miembros de estas milicias. Además, varios sacerdotes han sido secuestrados, mientras que iglesias, conventos y escuelas católicas han sido igualmente atacadas en este tiempo.

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La Santa Sede denuncia en la ONU la ideología abortista y eugenésica que promueve este organismo




El secretario de Relaciones con los Estados de
la Santa Sede habló muy claro en
Naciones Unidas
En el marco de la 73 Asamblea Plenaria de Naciones Unidas el Vaticano denunció la promoción y adopción por parte de la ONU de ideologías que atentan contra los más débiles considerándolos "prescindibles", contradiciendo así la Declaración Universal de Derechos Humanos, de la que se cumplen igualmente 70 años el próximo mes de diciembre.
En su discurso ante los distintos delegados, el arzobispo Paul Gallagher, jefe de la delegación vaticana y secretario para las Relaciones con los Estados de la Santa Sede, se refería así al aborto o la eutanasia.
“La Santa Sede está especialmente preocupada por la interpretación cada vez más limitada del derecho a la vida, tanto a nivel nacional como en los tratados y mecanismos en defensa de los derechos humanos”, afirmaba el representante vaticano.
Una eugenesia encubierta
De este modo, monseñor Gallagher denunció que “esta tendencia se evidencia de forma particular en la corriente del discurso de derechos humanos que se niega a reconocer el valor inherente y dignidad de la vida humana en todas las etapas, en su inicio, desarrollo y fin”.
En su opinión, “ese enfoque busca crear una jerarquía de derechos humanos, relativizando la dignidad humana, asignando un valor mayor e incluso más derechos a los fuertes y sanos, mientras que se descarta a los débiles”. Con esta enfermedad ponía de manifiesto la mentalidad eugenésica que se ha instalado en los organismos de la ONU, pero también en numerosos países.
Esta ideología –añadió Paul Gallagher-  está presente “desafortundamente, en varios de los organismos del entramado de derechos humanos de la ONU, conduce a graves desigualdades e injusticias, a menudo ignorando a los niños que se encuentran en el útero y tratando de las vidas de las personas mayores y con discapacidades como si fueran prescindibles, o como una carga para la sociedad”.
El valor de la persona
Por ello, recordó a Naciones Unidas, donde la Santa Sede tiene estatus de observador, que los cimientos en los que se cimentó dicho organismo se basaban en el “reconocimiento de la dignidad inherente a todos los seres humanos”.
Esta dignidad humana justo cuando se cumplen setenta años de la Declaración Universal de Derechos Humanos es para el arzobispo británico “reafirmar la centralidad y el valor intrínseco de la persona humana, y reafirmar los derechos inherentes compartidos por todos los hombres y mujeres”.
“El mundo necesita recuperar una visión global de la persona humana, la dignidad humana y los derechos humanos, ya que cualquier visión reduccionista de la persona humana inevitablemente deshumaniza y excluye de forma efectiva a determinadas personas de su permanencia a la raza humana, abriendo así caminos a la desigualdad, a la injusticia y al daño”, sentenció.
Gallagher igualmete denunció lo “escandaloso” que es “comprobar que los derechos humanos continúan violándose hoy, siete décadas después de la adopción de la Declaración Universal de Derechos Humanos”.
Puede leer aquí la intervención íntegra en la ONU del arzobispo Paul Gallagher (en inglés)

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