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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Será o Rosário a arma que salvará os adolescentes, crianças de uma sociedade ruidosa e imediatista?

Os adolescentes podem encontrar em Rosário um porto seguro em meio a uma sociedade turbulenta.

Os adolescentes podem encontrar no Rosário um porto seguro no meio de uma sociedade turbulenta.

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    No Ocidente, os sinais de inquietação entre os jovens são mais fortes do que nunca. Adolescentes marcham, gritam, publicam nas redes sociais, protestam; em suma, estão em busca de significado, identidade e propósito nas suas vidas. Por trás de todo esse ativismo e de todo esse ruído, reside uma persistente inquietação, uma raiva não resolvida, uma ansiedade que não desaparece e uma agitação que parece crescer incessantemente. Essa reflexão é de John Melnikov, professor de religião do ensino médio, que se baseia na sua vasta experiência docente, num artigo para o Catholic Exchange.

    Os jovens são frequentemente incentivados a confrontar o mundo e protestar contra o mundo que herdaram, mas questiona-se se lhes foi ensinado como encontrar a solidão. E se a resposta à inquietação e à angústia dos jovens não fosse ecoar os seus clamores, mas sim contrabalançá-los com a paz da oração sussurrada? Melnikov levanta esta questão e aponta o Rosário como a resposta de que talvez os jovens de hoje necessitem.

    O ativismo da alma

    Os adolescentes querem lutar por algo significativo. Nos seus corações reside um desejo inato de encontrar o seu lugar na sociedade, mas esse desejo muitas vezes é canalizado numa direção incerta, onde a raiva ou a confusão prevalecem em vez da tranquilidade.

    Dessa forma, os pais podem atender ao desejo dos filhos de encontrar sentido na vida por meio do ativismo, enfatizando, antes de tudo, que o verdadeiro ativismo brota da alma e não é meramente um exercício externo. Introspecção e autorreflexão honesta, juntamente com um pedido fervoroso pela orientação do Espírito Santo, devem ser os primeiros passos dados por qualquer pessoa que se sinta chamada a se envolver.

    Embora o ativismo cultural atraia os jovens que buscam deixar a sua marca no mundo, o ativismo espiritual é a maneira mais eficaz de gerar mudanças positivas nas suas comunidades. Essa compreensão deve ser transmitida a eles por aqueles que lhes são mais próximos: os seus pais e parentes adultos.

    E é aí que o Rosário surge como uma ferramenta formidável. Este professor indica que ele possui um poder divino quase inimaginável. As famílias podem ensinar seus filhos adolescentes a rezar o Rosário como um meio de gerar mudanças significativas no mundo, invocando o divino por meio da intercessão da mulher a quem Nosso Senhor nada negaria.

    O Rosário transforma o caos em ordem e repetição. Ele aquieta o ruído ao apresentar a beleza da oração. A resistência de alguns adolescentes é, infelizmente, natural, dada a natureza dinâmica das suas vidas. Com o ritmo frenético com que consomem mídia e informação, a arte de praticar a paciência parece estar desaparecendo cada vez mais rapidamente. A objeção mais comum contra a oração diária ou regular do Rosário é que ela se torna repetitiva e, portanto, entediante.

    A importância do treinamento

    Na opinião dele, a melhor maneira de combater isso é enfatizando a importância e a eficácia do treinamento e da prática regulares nos desportos e nas artes. Ninguém jamais passou de tocar numa bola uma vez a ganhar a Liga dos Campeões, nem ninguém jamais abriu uma caixa de aguarelas e viu a sua primeira obra de arte imediatamente exposta no Museu do Prado.

    A repetição, portanto, é como nós, como espécie, aprimoramos as nossas habilidades. É assim que aprendemos idiomas, matemática e muitas outras disciplinas que exigem esforço individual para alcançar a maestria. Ao apresentar essa verdade aos adolescentes, mostramos a eles que tudo, inclusive a consciência e o compromisso social, requer prática. Ao centrar isso no Rosário, introduzimos a ideia de reflexão e discernimento em oração sobre o que nos interessa, no que estamos envolvidos e as nossas motivações.

    Ensinar os adolescentes a serem autênticos consigo mesmos através da sua fé em Cristo, em vez de aderirem a um movimento social, é essencial. O Rosário oferece a oração e as meditações necessárias não só para ensinar a autenticidade, mas também para proporcionar um meio sólido e comprovado de introspecção. O amor transcendente de Deus pelo seu povo e a fé inspiradora da Virgem Maria são belamente revelados nos mistérios do Rosário. A repetição do Rosário traz uma beleza e uma paz que nenhum protesto, manifestação ou marcha jamais poderá proporcionar.

    Como professor e pai, ele afirma que as crianças não assimilam ensinamentos que não veem refletidos no exemplo de seus professores ou pais. Pais e famílias não devem impor a recitação do Rosário aos filhos, mas sim convidá-los a participar dessa prática espiritual, começando pelo exemplo de oração e pela conduta que desejam que os seus filhos ou alunos adotem.

    O centro da família

    É importante começar aos poucos. Se os adolescentes nunca rezaram o Rosário antes, ou se já faz muito tempo desde a última vez, é melhor começar com mistérios individuais. Esperar que os adolescentes abracem completamente a devoção ao Rosário e a adotem automaticamente só levará à frustração.

    Por fim, ele destaca que o Rosário pode ser apresentado a eles como uma forma de ativismo silencioso e oração, o que pode ser uma maneira poderosa de engajar os adolescentes. Ele conta que diz aos seus alunos que, quando se reúnem na capela da escola para rezar o Rosário, estão se unindo para protestar contra a raiva, o estresse, a confusão e a ansiedade. Ao apresentar a oração como uma ferramenta poderosa para cidadãos socialmente conscientes, mostramos a eles a realidade de que são, antes de tudo, homens e mulheres de Cristo que oram e são chamados a apontar para Ele num mundo conturbado e violento.

    A verdade é que, se queremos filhos pacíficos, precisamos criar famílias que rezam. A igreja doméstica é a primeira linha de defesa contra a sedução do secularismo e a rejeição do divino por parte de nossos filhos. O Rosário oferece mistérios, não marchas. As Escrituras oferecem a verdade, não slogans. A oração oferece diálogo com o divino e um chamado à conversão, não à exclusão e à desumanização.


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