"Ali, os artistas, sem se darem conta, encontram Jesus na Eucaristia", explica o fundador.

"Atlantic City fica nos confins da Terra. É um lugar esquecido, dominado pelo vício. É aqui que Cristo é mais necessário", diz seu criador.
Em Atlantic City, Nova Jersey (EUA), um convento abandonado que parecia destinado à demolição renasceu como um espaço para criação e oração.
O edifício, restaurado e transformado no Cappella Studio, tornou-se um farol de esperança numa cidade marcada pelo jogo, vícios e pobreza. O National Catholic Register fez uma reportagem sobre este projeto.
Um convento à beira do esquecimento
O convento, construído na década de 1930 em forma de navio em homenagem a Nossa Senhora Estrela do Mar, estava em ruínas há anos. As paredes estavam rachadas, as janelas quebradas e a lâmpada do santuário estava apagada há uma década. Para muitos, o destino do edifício era claro: venda e demolição.
Mas Jim Dessicino, escultor e fundador do Cappella Studio, viu outra possibilidade. "Quando entrei naquela capela pela primeira vez, soube que tinha a oportunidade de emular São Francisco em San Damiano", explicou. Ele lembrou como o santo ouviu a voz de Deus pedindo-lhe que reconstruísse a sua igreja em ruínas.

Um dos quartos dos artistas.
Convencido de que Atlantic City precisava de um espaço de beleza e fé, Dessicino decidiu resgatar o convento. "Atlantic City fica nos confins da Terra. É um lugar esquecido, dominado pelo vício. É aqui que Cristo é mais necessário", afirmou.
O seu projeto não buscava apenas restaurar um edifício, mas também oferecer um espaço onde a arte católica pudesse florescer e servir como ferramenta de evangelização .
"Convidamos artistas e a comunidade para um terceiro espaço. Aqueles que não se sentem à vontade para entrar numa igreja podem vir a um atelier de arte. E lá, sem perceber, encontram Jesus na Eucaristia", explicou ele.
O Cappella Studio oferece aulas de desenho, pintura e escultura, além de retiros espirituais e residências artísticas. As oficinas atraem participantes de todo o país. A primeira, intitulada "Esculpa um Crucifixo com Rick Casali", teve lotação esgotada e reuniu artistas da Califórnia, Flórida e Connecticut.
O estúdio também oferece acomodações para artistas visitantes e espaços comunitários, como clubes de leitura. "Nós diferenciamo-nos de outros estúdios porque oferecemos a oportunidade de encontrar Jesus face a face na Eucaristia", enfatizou Dessicino.
O padre Robert Hughes, pároco envolvido no projeto, enfatizou que o primeiro passo foi a reabertura da capela de adoração. "Demos um voto de confiança, convidando os paroquianos a rezarem pela nossa paróquia, pela nossa cidade e pelo sucesso do Cappella Studio", explicou.
A capela, aberta diariamente das 9h às 16h, tem tido uma boa frequência. "A Eucaristia é a fonte e o centro da nossa vida cristã, e assim deve ser também para o Cappella Studio", acrescentou Hughes.
O convento, projetado em formato de navio, tornou-se um símbolo da cidade litoral. "É quase fácil demais perceber como o Cappella Studio será um farol para Atlantic City", disse Dessicino. "Estamos ligados à Igreja Estrela do Mar; o nosso prédio tem o formato de um navio e, dentro desse navio, as pessoas serão treinadas para difundir o Evangelho."
Dessicino insiste que a arte católica não possui um estilo único, mas sim uma missão: ser clara, instrutiva e acessível. "As obras devem ser compreensíveis para o paroquiano comum, mesmo que possam ter múltiplos significados, como uma peça de Shakespeare", explicou ele.
A sua experiência como catequista mostrou-lhe que é mais fácil atrair bons artistas para a fé do que formar uma geração de artistas sacros do zero. "Deus é o mestre artista e chama os artistas para colaborarem com Ele no serviço à oração e à adoração por meio de obras dignas de contemplação", acrescentou Hughes.
O que antes parecia um convento destinado à ruína foi transformado num espaço vibrante para a arte e a fé. O Cappella Studio não apenas embeleza Atlantic City, mas também oferece um local de encontro espiritual no meio de uma cidade marcada pela pobreza.


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