quarta-feira, 25 de abril de 2018

A última mãe

Tive tanta pena dele. Quando Zenão perdeu a mãe (era assim que se exprimia) ficou inconsolável. Gostava muito dela e acompanhou-a muito no final da vida, procurando proporcionar-lhe todas as alegrias do mundo. Mal sabia ele que ela oferecia todas as dores, insónias e incomodidades sempre com o seu nome nos lábios. “Por Zenão, meu Deus. Que seja pela conversão deste meu filho”, repetia ela incessantemente. Quando o vi sair para o enterro, partilhando o peso do caixão com seus filhos e genros, recordei-me da figura de Camila, a sua mãe. Creio que sempre reterei a sua visão como a de uma mãe: filhos ao colo, filhos que batizava, filhos pela mão, filhos aos quais dava de comer, filhos que ensinava a rezar, filhos que levava à escola, filhos que ajudava a descansar cuidando dos netos, filhos que recebia em sua casa em animadas reuniões familiares, filhos cujas faltas esquecia, filhos que gostava de ver em harmonia... filhos, filhos, filhos.

Também eu a visitava com frequência desde a minha juventude; e quase a vi morrer. De certa maneira Camila também era minha mãe. Estive presente no momento em que recebeu a unção dos enfermos e admirei-me quando aquela senhora tão doente e quase sem forças, transbordante de alegria, pronunciou, claramente, a frase “gratias tibi Deus, gratias tibi” (graças a ti Senhor, graças a ti).

Não, Zenão, não perdeste a tua mãe, nem eu perdi esta amiga. Agora, sim, que ganhamos, tu e eu, uma mãe. Dizes-me, ainda com os olhos brilhantes, que já não há mães assim que aguentavam ao lado dos seus maridos todas as venturas e desventuras da vida familiar até que a morte os separava. Mas Camila pensava que a separação era temporária que era impossível “perderem-se” uns dos outros, porque a sua vida foi uma permanente busca de encontros e reencontros reforçados pelo seu carinho. 

Ah! Se Zenão acreditasse em mim! Se eu lhe pudesse dizer em confidência, a sós, que a sua não foi a última mãe à face da terra; que neste mês de Maio, o mês das mães, há muitas mulheres que estão a  pedir à Virgem Maria, a Mãe das mães, que as ensine a cuidar dos seus filhos como ela cuidou de Jesus... Então, talvez ele compreendesse que não perdeu a última mãe, antes ganhou a Mãe, a verdadeira Mãe, aquela que agora cuida de Camila e de todos os seus filhos para sempre.

Tive tanta pena dele. Quando Zenão perdeu a mãe (era assim que se exprimia) ficou inconsolável. Gostava muito dela e acompanhou-a muito no final da vida, procurando proporcionar-lhe todas as alegrias do mundo. Mal sabia ele que ela oferecia todas as dores, insónias e incomodidades sempre com o seu nome nos lábios. “Por Zenão, meu Deus. Que seja pela conversão deste meu filho”, repetia ela incessantemente. Quando o vi sair para o enterro, partilhando o peso do caixão com seus filhos e genros, recordei-me da figura de Camila, a sua mãe. Creio que sempre reterei a sua visão como a de uma mãe: filhos ao colo, filhos que batizava, filhos pela mão, filhos aos quais dava de comer, filhos que ensinava a rezar, filhos que levava à escola, filhos que ajudava a descansar cuidando dos netos, filhos que recebia em sua casa em animadas reuniões familiares, filhos cujas faltas esquecia, filhos que gostava de ver em harmonia... filhos, filhos, filhos.

Também eu a visitava com frequência desde a minha juventude; e quase a vi morrer. De certa maneira Camila também era minha mãe. Estive presente no momento em que recebeu a unção dos enfermos e admirei-me quando aquela senhora tão doente e quase sem forças, transbordante de alegria, pronunciou, claramente, a frase “gratias tibi Deus, gratias tibi” (graças a ti Senhor, graças a ti).

Não, Zenão, não perdeste a tua mãe, nem eu perdi esta amiga. Agora, sim, que ganhamos, tu e eu, uma mãe. Dizes-me, ainda com os olhos brilhantes, que já não há mães assim que aguentavam ao lado dos seus maridos todas as venturas e desventuras da vida familiar até que a morte os separava. Mas Camila pensava que a separação era temporária que era impossível “perderem-se” uns dos outros, porque a sua vida foi uma permanente busca de encontros e reencontros reforçados pelo seu carinho. 

Ah! Se Zenão acreditasse em mim! Se eu lhe pudesse dizer em confidência, a sós, que a sua não foi a última mãe à face da terra; que neste mês de Maio, o mês das mães, há muitas mulheres que estão a  pedir à Virgem Maria, a Mãe das mães, que as ensine a cuidar dos seus filhos como ela cuidou de Jesus... Então, talvez ele compreendesse que não perdeu a última mãe, antes ganhou a Mãe, a verdadeira Mãe, aquela que agora cuida de Camila e de todos os seus filhos para sempre.

Isabel Vasco Costa



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