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sábado, 5 de abril de 2014

É possíver ter Jesus como amigo porque, tendo ressuscitado, ele está vivo, está ao meu lado

Na quarta pregação da Quaresma Pe. Cantalamessa fala do dogma cristológico e do desejo de Jesus de ser nosso amigo


Roma, 04 de Abril de 2014 (Zenit.org) Laura Guadalupe


Existem várias vias de acesso ao mistério de Cristo. Padre Raniero Cantalamessa, na sua quarta pregação de Quaresma, continua o caminho traçado da Tradição da Igreja: o “dogma cristológico”, compreendido como “as verdades fundamentais sobre Cristo, definidos nos primeiros concílios ecuménicos, especialmente no de Calcedónia”. Em definitiva tais verdades, continua o Capuchinho, “se reduzem aos seguintes três pilares: Jesus Cristo é verdadeiro homem, é verdadeiro Deus, é uma só pessoa”.

O pregador da Casa Pontifícia escolhe São Leão Magno para entrar nas profundezas do mistério cristológico. De fato, ele foi o papa reinante no momento em que a teologia latina e aquela grega se encontraram. São Leão Magno não se limitou a transmitir a fórmula de Tertulliano, que tinha escrito: “Vemos duas naturezas, não confusas, mas unidas em uma pessoa, Jesus Cristo, Deus e homem”. Foi mais longe, adaptando a fórmula “aos problemas que surgiram nesse meio tempo, entre o concílio de Éfeso do 431 àquele de Calcedónia do 451”.

Padre Cantalamessa observa que o pensamento cristológico do Papa Leão, exposto no Tomus ad Flavianum, encontra-se no cerne da definição de Calcedónia. Cita, portanto, o ponto em que se declara: "Ensinamos por unanimidade que deve-se reconhecer o único e mesmo Filho Senhor nosso Jesus Cristo, perfeito na divindade e sempre o mesmo perfeito na humanidade, verdadeiro Deus e verdadeiro homem [...], gerado antes dos séculos pelo Pai segundo a divindade e nos últimos tempos, por nós homens e para a nossa salvação, gerado por Maria Virgem segundo a humanidade; subsistente nas duas naturezas de modo inconfuso, imutável, indivisível, inseparável, não sendo de forma alguma suprimida a diferença das naturezas por causa da união, pelo contrário, permanecendo preservada a propriedade tanto de uma quanto da outra natureza, elas combinam para formar uma só pessoa e hipóstase”

Na fórmula de Calcedónia, diz o capuchinho, "repousa toda a doutrina cristã da salvação”. De facto, "só se Cristo é homem como nós, o que ele faz, nos representa e nos pertence, e somente se ele mesmo é Deus, aquilo que faz tem um valor infinito e universal”, tanto que, como se canta no Adoro te devote, “somente uma gota do sangue que derramou salva o mundo todo do pecado”. É este um tema sobre o qual o oriente e o ocidente são unânimes.

Santo Anselmo, entre os latinos, e Cabasilas, entre os ortodoxos, apresentam poucas diferenças entre eles quando escrevem que, antes de Cristo, o homem tinha contraído uma dívida infinita com o pecado. Tinha que lutar contra satanás para livrar-se, mas não podia porque era escravo exactamente daquele que deveria vencer. Por outro lado Deus podia expiar o pecado e vencer, mas não tinha que fazê-lo porque não era ele o devedor. Portanto, continua padre Cantalamessa, “era preciso que se encontrassem unidos na mesma pessoa aquele que tinha que lutar e aquele que podia vencer”, e é isso que aconteceu com Jesus, “verdadeiro Deus e verdadeiro homem, em uma pessoa”.

Estas certezas a respeito de Cristo, no entanto, ao longo dos últimos dois séculos foram colocadas em discussões por estudiosos que, a partir de Strauss, procuraram classifica-las como “puras invenções dos teólogos”, com a finalidade de levar adiante uma tese que separava o Cristo do dogma do Jesus de Nazaré da história. Eles diziam que “para conhecer o verdadeiro Jesus da história” era preciso “prescindir da fé nele posterior à Páscoa”.

O pregador da Casa Pontifícia fala das "reconstruções imaginativas" sobre a figura de Jesus proliferadas em um contexto semelhante e adverte: “Não é possível mais em boa fé escrever “pesquisas sobre Jesus” que pretendem ser ‘históricas’, mas prescindem, ou melhor, excluem do do ponto de partida, a fé nele”. De tal forma, continua o capuchinho, há uma mudança em ato que leva o nome de James D.G. Dunn, um dos maiores estudiosos vivos do Novo Testamento. No livro intitulado “Mudar perspectiva sobre Jesus”, Dunn erradica os pressupostos daquela tese que contrapõe o Cristo da fé e o Jesus histórico, citando, entre as várias argumentações, o fato de que “a fé começou antes da Páscoa”, quando os discípulos começaram a seguir a Jesus porque acreditavam nele. Embora imperfeita, se tratava ainda sempre de fé.

Cristo é a base de tudo no Cristianismo, então Pe. Cantalamessa se pergunta: "Se não se tem ideias claras sobre quem é Jesus, que força terá a nossa evangelização?”. Nem a história nem muito menos o dogma conseguem dar-nos o Cristo da realidade, porque a história, transmitida pelos evangelhos, leva a um Jesus “lembrado”, ou até mesmo mediado pela memória dos discípulos, enquanto que o dogma pode levar a uma Jesus “definido”, “formulado”, que difere da fórmula de Calcedónia como a água que bebemos difere da fórmula química H2O.

Como chegar, então, ao “Jesus real” que está “além da história e por trás da definição”? Por meio do Espírito Santo que, lembra o pregador pontifício, permite um conhecimento “imediato” de Cristo e é “a única mediação não mediata’ entre nós e Jesus, no sentido de que não age como um véu, não constitui um diafragma ou um trâmite, sendo ele o Espírito de Jesus, o seu “alter ego”, da sua mesma natureza”. E, continua, “é a Escritura mesma que nos fala deste papel do Espírito Santo com o propósito de conhecer o verdadeiro Jesus. A vinda do Espírito Santo em Pentecostes resulta em uma iluminação repentina de todo o trabalho e pessoa de Cristo".

Padre Cantalamessa apela, portanto, à ajuda do Espírito Santo para “despertar” o dogma. Do triângulo de São Leão Magno e Calcedónia, pelo qual Jesus Cristo é “uma pessoa em duas naturezas”, o capuchinho toma em consideração o terceiro elemento. O uso moderno do conceito de “pessoa” atribuiu à palavra de origem latina um significado subjectivo e relacional, pelo qual indica “o ser humano em quanto capaz de relação, de estar como um eu diante de um tu”. A fórmula latina “uma pessoa” apareceu portanto, mais fecunda com relação à correspondente grega “uma hipóstase”, porque esta última pode dizer-se de cada objeto existente, enquanto que “pessoa” pode referir-se somente a um ser humano e, por analogia, divino.

Aplicando o discurso para o relacionamento com Cristo, padre Cantalamessa explica que “dizer que Jesus é ‘uma pessoa’ significa também dizer que ressuscitou, que vive, que está diante de mim, que posso tratar-lhe com intimidade como ele a mim. É preciso passar continuamente, no nosso coração e na nossa mente, do Jesus personagem ao Jesus pessoa. A personagem é alguém de quem se pode falar e escrever o que quiser, mas a quem e com quem, no geral, não é possível conversar”. O pregador da Casa Pontifícia introduz portanto um elemento essencial no seu discurso, e afirma que “é possível ter Jesus por amigo, porque, tendo ressuscitado, ele está vivo, está do meu lado, posso relacionar-me com ele como dois seres vivos o fazem, um presente a um presente. Não com o meu corpo e nem mesmo somente com a fantasia, mas ‘no Espírito’ que é também infinitamente mais íntimo e real do que ambos”.

Infelizmente, considera o capuchinho, é raro pensar em Jesus nestes termos, ou seja, como um amigo, um confidente. Esquecemos que, sendo “verdadeiro homem”, Ele “possui em sumo grau o sentimento da amizade que é uma das qualidades mais nobres do ser humano. É Jesus que deseja um tal relacionamento connosco”, não chamando-nos mais servos, mas amigos (cf. Jo 15, 15).

Na sua vida terrena, Cristo estabeleceu relações de verdadeira amizade somente com alguns, embora amasse a todos indistintamente. Agora, como ressuscitado, “não está mais sujeito às limitações da carne” mas, continua padre Cantalamessa, “oferece a cada homem e a cada mulher a possibilidade de tê-lo como amigo, no sentido mais pleno da palavra”. A quarta pregação da Quaresma conclui, portanto, com o desejo de que o Espírito Santo “nos ajude a acolher com maravilha e alegria esta possibilidade que preenche a vida”.

[Trad.TS]

Encontro Internacional no Vaticano aborda o tráfico de seres humanos

Representantes da Santa Sé e autoridades policiais de todo o mundo se reúnem para discutir um crime que afecta hoje mais de 2 milhões de pessoas


Cidade do Vaticano, 04 de Abril de 2014 (Zenit.org)


Uma "abominação" à qual não podemos ficar indiferentes: foi assim que o papa Francisco definiu o fenómeno terrível do tráfico de seres humanos, crime que, actualmente, afecta mais de dois milhões e meio de pessoas, de acordo com estimativas recentes da Organização Internacional do Trabalho, e que movimenta 32 mil milhões de dólares por ano.

A convite do papa, a Santa Sé vai a campo e organiza na próxima quarta-feira, 9 de Abril, e na quinta-feira, 10 de Abril, o grande evento internacional “Combater o tráfico de seres humanos: uma parceria entre a Igreja e o respeito pela lei”. O encontro internacional é o segundo promovido pela Conferência Episcopal da Inglaterra e do País de Gales e acontece na “Casina Pio IV”, sede da Pontifícia Academia de Ciências, no Vaticano.

O porta-voz da Santa Sé, pe. Federico Lombardi, explicou hoje que os dois dias de estudo e reflexão pretendem divulgar "o modelo de boa colaboração entre o Vaticano e a polícia para combater o tráfico de seres humanos".

O evento contará com a presença de chefes da polícia dos seguintes países: Itália, EUA, Reino Unido, Brasil, Argentina, Canadá, Albânia, Austrália, Alemanha, Gana, Índia, Irlanda, Lituânia, Nigéria, Filipinas, Polónia, Roménia, Escócia, Irlanda do Norte, Espanha, Eslováquia e Tailândia. Como convidados especiais, participarão também responsáveis da Europol e da Interpol.

Representam a Igreja, por sua vez, os cardeais Vincent Gerard Nichols, arcebispo de Westminster, no Reino Unido, e John Olorunfemi Onaiyekan, arcebispo de Abuja, na Nigéria, que farão seus pronunciamentos durante o encontro.

Participam ainda algumas vítimas do tráfico humano e religiosas que trabalham e ajudam na recuperação de quem sofreu os traumas deste crime abominável.

Ângelus do próximo domingo: o papa Francisco distribuirá milhares de evangelhos de bolso aos fiéis

Iniciativa, do próprio papa, conta com a parceria da Esmolaria Apostólica e da Tipografia Vaticana


Cidade do Vaticano, 04 de Abril de 2014 (Zenit.org)


Milhares de evangelhos em formato de bolso serão distribuídos gratuitamente na Praça de São Pedro durante o ângelus deste domingo, 6 de Abril, como presente especial do papa Francisco aos fiéis. Os volumes contêm, na verdade, tanto os quatro evangelhos quanto o livro dos Actos dos Apóstolos.

De acordo com a assessoria de imprensa do Vaticano, a iniciativa, do próprio papa, reforça o convite que Francisco fez várias vezes aos fiéis para manterem sempre consigo uma pequena edição de bolso dos evangelhos, a fim de ler e meditar sobre as palavras e acções de Jesus, especialmente as mencionadas na liturgia do dia. Francisco mesmo desenvolve frequentemente as suas reflexões com base nas leituras litúrgicas diárias.

A distribuição dos evangelhos está a cargo da Esmolaria Apostólica, com a colaboração de grande número de voluntários, entre os quais 150 escoteiros, os seminaristas do Seminário Romano, as irmãs da congregação da Madre Teresa e outros grupos de religiosas.

O evangelho de bolso é impresso pela Tipografia Vaticana, em edição especial para esta ocasião. Os exemplares não serão vendidos.

Cada edição traz no início uma citação do papa Francisco na exortação apostólica Evangelii Gaudium: "A alegria do evangelho enche o coração e a vida inteira de quem se encontra com Jesus".

A capa apresenta detalhes dos frescos de Giusto de Menabuoi no Batistério da Catedral de Pádua. Os frescos são do século XIV. Na parte interna, a edição traz as instruções para se rezar o "Terço da Misericórdia". A terceira página de capa oferece a oração do beato cardeal John H. Newman, "Querido Jesus", cuja recitação diária a beata Madre Teresa de Calcutá recomendava às suas Irmãs da Caridade.

Universidade Europeia de Roma: documentário denuncia tráfico de mulheres

Neste domingo, exibição de "Nefarious" traz à tona a cruel realidade deste flagelo social


Roma, 04 de Abril de 2014 (Zenit.org)


Neste domingo, 6 de Abril, a Universidade Europeia de Roma (Via degli Aldobrandeschi, 190) projecta o documentário norte-americano “Nefarious, o Mercador de Almas”, dirigido e produzido por Benjamin Nolot. A universidade é parceira oficial desta iniciativa de informação.

O documentário ilustra a dramática propagação internacional do tráfico de mulheres por todos os continentes. Entrevistas e histórias de vida tiram as máscaras de sorrisos e rímel, sob as quais pode ser encontrada apenas a solidão de cada mulher explorada e esquecida por uma insensibilidade social incapaz de dar fim à escravidão.

Para despertar a nossa atenção e questionar os métodos e teorias capazes de resolver esse trágico problema social, o director enfatiza o fenómeno da prostituição, a origem geográfica e social das mulheres traficadas e a estrutura do intrincado sistema criminoso por trás de cada garota de programa que se vende nas ruas ou em apartamentos do mundo inteiro.

A exibição gratuita é patrocinada pelo Rotaract Clube Roma EUR, em parceria com a Associação Schiavitù Mai Più. A iniciativa conta ainda com a colaboração de várias associações juvenis e instituições sensíveis a este drama.

Após a projecção do documentário, o público ouvirá os testemunhos de Gaetano Maruccia, comandante da polícia italiana e especialista na investigação do tráfico de mulheres; do bispo Lorenzo Leuzzi; da assessora de políticas sociais de Roma, Rita Cutini; de Katia Pacelli, do Projeto Salvamamme, e de Sarah Bennetch, da Associação Schiavitù Mai Più.

Homilia do papa na Casa Santa Marta: O profeta luta contra quem engaiola o Espírito Santo

Francisco nos lembra que anunciar o Evangelho acarreta perseguições e incompreensões


Cidade do Vaticano, 04 de Abril de 2014 (Zenit.org)


Quando anunciamos o Evangelho, enfrentamos a perseguição, recordou o papa Francisco na homilia da missa desta manhã, celebrada na capela da Casa Santa Marta. O pontífice reiterou que há hoje mais mártires do que nos primeiros tempos da Igreja e instou os fiéis a não terem medo das incompreensões nem das perseguições.

O Santo Padre desenvolveu a homilia com base na primeira leitura da missa, uma passagem do livro da Sabedoria. Ele destacou que os inimigos de Jesus preparam armadilhas, trabalham "com calúnias, matam a boa fama". É como se eles preparassem "o caldo para destruir o Justo", que se opõe às suas acções. Ao longo da história da salvação, observou Francisco, "os profetas sempre foram perseguidos" e o próprio Jesus o declara aos fariseus. Sempre, "na história da salvação, no tempo de Israel, inclusive na Igreja, os profetas foram perseguidos". Perseguidos porque dizem: "Vocês erraram de caminho! Voltem para os caminhos de Deus!". E isto "desagrada às pessoas que têm o poder do mau caminho".

"O Evangelho de hoje é claro, não é? Jesus se escondia, nos últimos dias, porque ainda não tinha chegado a sua hora. Mas Ele sabia qual ia ser o seu fim, como ia ser o seu fim. E Jesus é perseguido desde o princípio: recordamos que, no início da sua pregação, ele volta para a sua cidade, vai à sinagoga e prega; imediatamente, depois de uma grande admiração, eles começam: 'Mas este nós sabemos de onde veio. Ele é um dos nossos. Com que autoridade ele vem nos ensinar? Onde é que ele estudou?'. Tentam desqualificá-lo! É sempre o mesmo discurso, não é? 'Mas este nós sabemos de onde é!’ Só que Cristo, quando vier, ninguém saberá de onde é! Eles tentam desqualificar o Senhor, desqualificar o profeta para minar a sua autoridade!".

Tentam desqualificá-lo "porque Jesus saía e fazia os outros saírem daquele ambiente religioso fechado, daquela gaiola". O profeta "luta contra as pessoas que engaiolam o Espírito Santo. E é por isso que ele é perseguido: sempre!". Os profetas "são todos perseguidos ou incompreendidos, deixados de lado. Não se reconhece o lugar deles! Esta situação não terminou com a morte e ressurreição de Jesus: ela continua na Igreja! Perseguidos fora e perseguidos dentro!". Quando lemos as vidas dos santos, afirmou o papa, vemos "quantas incompreensões, quantas perseguições os santos sofreram", "porque eram profetas!".

"Muitos pensadores na Igreja também foram perseguidos. Penso em um deles, agora, neste momento, não muito distante de nós. Um homem de boa vontade, um verdadeiro profeta, que, com seus livros, repreendia a Igreja porque ela se afastava do caminho do Senhor. Eles rapidamente o chamaram. Seus livros acabaram no Index. Tiraram as suas cátedras. E este homem termina assim a vida. Não faz muito tempo. O tempo passou e hoje ele é beato! Como é possível que ontem ele fosse um herege e hoje seja um beato? É que, ontem, quem tinha o poder queria silenciá-lo, porque não gostava do que ele dizia. Hoje, a Igreja, que graças a Deus sabe se arrepender, diz: 'Não, este homem é bom!'. Mais ainda, ele está no caminho da santidade: é um beato!"

"Todas as pessoas que o Espírito Santo escolhe para dizer a verdade ao povo de Deus sofrem perseguições". E Jesus "é precisamente o modelo, o ícone". Nosso Senhor tomou sobre Ele "todas as perseguições do seu povo". E ainda hoje "os cristãos são perseguidos", denunciou o papa. "Eu me atrevo a dizer que há o mesmo número ou mais mártires agora do que nos primeiros tempos, porque, diante desta sociedade mundana, diante desta sociedade um tanto acomodada, que não quer problemas, eles dizem a verdade, eles anunciam Jesus Cristo".

"E, hoje, existe a pena de morte e a prisão para quem tem o Evangelho em casa, para quem ensina o catecismo em muitos países! Um católico de um desses países me dizia que eles não podem rezar juntos! É proibido! Só podem rezar sozinhos e escondidos. E quem quer celebrar a Eucaristia? Eles fazem uma festa de aniversário, simulam uma festa de aniversário, e lá celebram a Eucaristia, antes da festa. E, isto já aconteceu, quando eles vêem que a polícia está chegando, escondem tudo às pressas e ‘Parabéns, parabéns. Muitas felicidades’, e continuam a festa. Depois, quando a polícia vai embora, eles terminam a missa. É assim que eles precisam fazer, porque é proibido rezar juntos. Hoje!".

E esta história de perseguições, destacou Francisco, "é o caminho do Senhor, é o caminho dos que seguem o Senhor”. Mas, "no final, tudo sempre termina como terminou com nosso Senhor: com a ressurreição, mas passando pela cruz!".

Francisco recordou o padre Mateus Ricci, evangelizador na China, que "não foi entendido. Mas ele obedeceu, como Jesus!". Sempre, voltou a insistir o papa, "existirão as perseguições, as incompreensões! Mas Jesus é o Senhor e este é o desafio e a cruz da nossa fé!" Que nosso Senhor "nos dê a graça de seguir o seu caminho e, se acontecer, também de carregar a cruz das perseguições".

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Da oficina de mecânico ao seminário: «Disse a Cristo, “se estás vivo e podes mudar a minha vida, fá-lo”»







Informação do Núcleo Distrital de Beja da EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza 39-2014










 

Uma Quaresma sem Páscoa faz sentido?

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Canonização de JPII e JXXIII: Roma está pronta para receber os peregrinos

Horário dos transportes públicos será prolongado, 4 milhões de garrafas de água serão distribuídos e serviços médicos instalados


Roma, 03 de Abril de 2014 (Zenit.org) Rocio Lancho García


A cidade eterna se prepara para receber milhares de peregrinos que participarão desse grande momento da história da Igreja. Em 27 de Abril, na Praça de São Pedro, cairá o manto que descobrirá os rostos de dois novos santos, papas João XXIII e João Paulo II.

Para este grande evento, Roma está preparando um dispositivo para facilitar e tornar mais confortável a estadia dos peregrinos, como indicado pelo prefeito Ignazio Marino.

Foi preparado um plano especial de transporte para os dias 26 e 27 de Abril. Ao anoitecer do sábado, 26 de Abril, acontecerá a "noite branca" de oração. O serviço funcionará das 14:00 as 24:00, a fim de assegurar o fluxo gradual para o centro da cidade. As 14 linhas de ónibus que circulam na região da Praça de São Pedro e na parte antiga da cidade adaptaram o horário de trabalho, bem como as 6 linhas de metro e tram bus. O metro terá horário non-stop até às 4. Para domingo (27), dia da canonização, as 57 linhas da região funcionarão na escala de sábado, bem como a rede de tram bus e grande parte dos trens.

Além disso, o serviço de informação turística e cultural PIT (Ponto de Informação Turística) da Roma Capital será reforçado para garantir o melhor acolhimento aos visitantes. De 26 a 28 de Abril três pontos estarão abertos de 8:00 às 22:00 (Esquilino, Piazza del Popolo e Piazza Risorgimento).

Cerca de 200 trabalhadores estarão encarregados da limpeza. Dedicados exclusivamente ao evento. Também serão instalados mais de 980 banheiros químicos, dos quais 147 para pessoas com deficiência.

Do ponto de vista do atendimento e segurança, os peregrinos poderão contar com a ajuda de 630 voluntários em dois turnos de 12 horas. Está previsto a distribuição de 4 milhões de garrafas de água. A UNITALSI garantirá o acesso aos serviços religiosos e o serviço de acompanhantes para as pessoas com deficiência. Serão instalados 13 pontos de socorro avançado, 5 pontos de reanimação, 42 prontos socorros, 64 pontos de atendimento básico, 81 equipes de resgate, 5 pontos para amamentação, 2  pontos de carros para coordenação, 4 carros com equipamentos médicos.

Para os peregrinos que não conseguirem entrar na Praça de São Pedro, haverá ecrãs gigantes em diferentes partes da cidade.

Já está disponível o "Roma Pass 48". O cartão inclui entrada para alguns museus e preço reduzido para entradas em outros locais, bem como o uso de transporte público. 

(Trad.:MEM)

Crise na Venezuela: os bispos destacam que a repressão não é o caminho

A Conferência Episcopal da Venezuela considera valioso o papel de mediação da Santa Sé


Roma, 03 de Abril de 2014 (Zenit.org) Ivan de Vargas


A Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) divulgou um comunicado nesta quarta-feira, (2), com treze pontos sobre a situação de "extrema gravidade" que o país enfrenta. Para os bispos, a causa fundamental da actual crise “é a pretensão do partido oficial e das autoridades da República de implantar o chamado “Plano da Pátria”, por trás do qual se esconde a promoção de um sistema de governo totalitário, que coloca em dúvida o seu perfil democrático”.

Em uma aparição perante os meios de comunicação, o arcebispo de Cumaná e presidente da CEV, monsenhor Diego Padrón destacou também outros motivos da crise política que desde meados de Fevereiro deixa a Venezuela em um interrogante: “as restrições às liberdades civis, especialmente da informação e opinião; a falta de políticas públicas adequadas para enfrentar a insegurança jurídica e cidadã; os ataques à produção nacional, que levou nosso país hoje a importar toda espécie de produtos; a brutal repressão da dissidência política; a tentativa de “pacificação” ou de apaziguamento através da ameaça, da violência verbal e da repressão física”.

"Nós lamentamos as mortes de civis e de Guardas Nacionais ocorridas nas manifestações. (...)Da mesma forma rejeitamos a criminalização do protesto cidadão e a negação prática dos direitos humanos no tratamento dos manifestantes”, afirmou o prelado. “Denunciamos a repressão abusiva e excessiva contra eles, as torturas a que foram submetidos muitos dos detidos e a repressão judicial aos prefeitos e Deputados contrários ao oficialismo”, acrescentou durante a leitura do documento.

Diante desses fatos, mons. Padrón destacou que “o Governo erra ao querer resolver a crise por meio da força. A repressão não é o caminho. Com ela não pôde evitar as manifestações de protestos nem dar resposta ao descontentamento e rebelião das pessoas".

"O caminho para sair da crise é claro: o diálogo sincero do Governo com todos os sectores do país, com uma agenda prévia e condições de igualdade, e com gestos concretos, mensuráveis ​​no tempo, como sinais da necessária rectificação", considera o episcopado em sua nota.

Por este motivo, assegura a presidência da CEV, “consideramos oportuna e de grande valor a participação da Santa Sé no diálogo entre o Governo e a oposição. O povo venezuelano apreciará muito tal participação e saberá reconhecer a valiosa contribuição da Igreja”.

Além disso, os bispos fazem uma chamada “a todos os venezuelanos, especialmente aos dirigentes do Governo e da oposição, para considerar a extrema gravidade do momento presente, e a evitar que o país continue sangrando e entre em colapso pela violência”.

Mais ainda, “os exortamos ao diálogo e a colocar todo o seu esforço para construir novas relações baseadas no mútuo reconhecimento, a reconciliação e a busca da normalização da situação nacional".

Caracas e várias cidades do país atravessam uma onda de protestos que já duram várias semanas. As manifestações começaram no Estado Táchira e depois se espalharam por todo o país.

O incêndio começou no dia 12 de Fevereiro quando dezenas de milhares de estudantes venezuelanos aproveitaram o Dia da Juventude para protestar contra as políticas do Governo de Nicolás Maduro.

As manifestações contra o regime demonstraram não somente a crise que se vive nas ruas, mas também os excessos das forças de segurança pública para reprimir os protestos, que deixaram pelo menos 39 mortos e centenas de feridos.

[Trad.TS]

Terra Santa: o Papa abençoará o tabernáculo do Centro Magdala

Será durante uma cerimónia breve e privada, na capela do Pontifício Instituto Notre Dame de Jerusalém, onde Francisco almoçará com seu séquito


Roma, 03 de Abril de 2014 (Zenit.org) Ivan de Vargas


O papa Francisco visitará o Pontifício Instituto Notre Dame de Jerusalém, onde almoçará com o seu séquito, no próximo 26 de maio. Neste contexto, durante uma cerimónia breve e privada na Capela de Notre Dame, o Santo Padre abençoará o tabernáculo do Centro Magdala.

"Foi um grande privilégio e distinção, que no único dia em que estará o Papa em Jerusalém, tenha se dignado conceder-nos este dom”, assegura o padre Juan María Solana, LC, no último boletim informativo deste novo centro.

"Por outro lado, para os crentes em Jesus, não poderia ser um presente melhor: o Tabernáculo, a presença viva de Jesus em Magdala, gozará desta especial bênção do Vigário de Cristo”, explica o actual directo do Notre Dame Center.

"Obrigado, Santo Padre! O esperamos em Jerusalém como mensageiro da Paz e portador de bênçãos do céu!”, conclui o fundador desta importante iniciativa no povoado natal de Maria Madalena.

Dois dias depois da visita do Pontífice argentino, o patriarca latino de Jerusalém, Sua Beatitude Fouad Twal presidirá a cerimónia de dedicação do "Duc in Altum", do Centro de Espiritualidade Magdala.

No âmbito da peregrinação que Bento XVI realizou na Terra Santa em 2009, o actual Papa emérito abençoou a primeira pedra do Centro Magdala, uma obra dos Legionários de Cristo a serviço da Igreja universal que se soma ao enorme trabalho que os freis franciscanos vêm realizando na Custodia com a atenção dos peregrinos.

Este centro está localizado na costa do Mar da Galiléia, a seis quilómetros de Cafarnaum e do Monte das Bem-Aventuranças, e pretende responder as necessidades dos fieis cristãos que visitam os Santos Lugares e precisam de alojamento, bem como de espaços de oração, informação e aprendizagem cultural.

[Trad.TS]

Ruanda: A reconciliação é um dom que Cristo pode dar, diz o Papa

O papa Francisco recebeu nesta quinta-feira no Vaticano os bispos da Conferência Episcopal de Ruanda, que estão em Roma em visita ad limina.


Roma, 03 de Abril de 2014 (Zenit.org) Sergio Mora


O papa Francisco recebeu nesta quinta-feira no Vaticano os bispos da Conferência Episcopal de Ruanda, que estão em Roma em ‘visita ad limina’.

O Santo Padre, depois de ter recordado que "Ruanda comemorara em poucos dias o vigésimo aniversário do começo do terrível genocídio que causou tanto sofrimento e as feridas que ainda estão longe de curar-se”, indicou que se une “com todo o meu coração em luto e lhes asseguro a minha oração por vocês, suas comunidades muitas vezes amarguradas, por todas as vítimas e seus familiares, por todos os ruandeses, independentemente da sua religião, opção étnica ou política”.

O Papa convidou à reconciliação e a cura de tantas feridas que sem dúvida continuam sendo a prioridade da Igreja em Ruanda. “Encorajo-os a perseverar neste compromisso, e lutar por muitas iniciativas”, disse.

Neste país localizado na África Central, com cerca de 12 milhões de habitantes, depois da dominação belga que permitia a educação somente à etnia tutsi, subiu ao poder o rei Mutara II da etnia hutu e que reinou por quase trinta anos. Depois da sua morte em 1959, os tutsi recuperaram o poder. Em 1961, com o apoio dos colonos belgas, a maioria hutu voltou ao poder e declarou a independência e aboliu a monarquia tutsi. O ódio entre as etnias foi crescendo e com a sucessão dos diversos eventos começou uma escalada de violência que, em 1994 causou o genocídio mais sangrento da história em proporção à sua duração. Em só 100 dias cometeram mais de 800 mil assassinatos e houve deslocamentos, como de cerca de dois milhões de hutus para os países vizinhos.
Um período da reconciliação começou por volta do ano 2000 com a criação do Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR) e a reintrodução de Gacaca, uma justiça tradicional popular de aldeia.

O Papa indicou aos bispos da Ruanda a necessidade do “perdão dos pecados e da reconciliação verdadeira, que pode parecer impossível aos olhos humanos, depois de tanto sofrimento”. Entretanto, destacou que a reconciliação “é um dom possível que Cristo pode dar, através da fé e a oração, mesmo se o caminho for cumprido e precise de diálogo recíproco”.

Lembrou que, portanto, a Igreja tem o seu lugar na reconstrução da sociedade ruandesa reconciliada "com toda a força de sua fé e da esperança cristã" e que, no contexto da reconciliação nacional é também necessário reforçar as relações de confiança entre a Igreja e o Estado, por meio de um diálogo genuíno e construtivo com as autoridades para reconstruir a sociedade "sobre os valores da dignidade humana, da justiça e da paz".

O Papa concluiu agradecendo "o trabalho perseverante dos institutos religiosos que, com tantas pessoas de boa vontade, estão dedicados a todas aquelas vítimas da guerra, na alma ou no corpo, especialmente das viúvas e dos órfãos, e também dos anciãos, os enfermos e as crianças”.

Porque "a vida religiosa por meio da oferta de adoração e oração, torna credível o testemunho que a Igreja dá de Cristo ressuscitado e do seu amor para todas as pessoas, especialmente os mais pobres”. E convidou a dirigir-se a ‘Nossa Senhora das Dores’ para que conceda o dom da reconciliação e da paz.

[Trad.TS]

Ex-Presidente do IOR: "Quantas coisas poderiam ter sido evitadas se eles não me tivessem demitido"

Gotti Tedeschi fala sobre a sua saída do IOR e os começos da reforma, quando Bento XVI dizia que 'tínhamos que ser exemplares'


Roma, 03 de Abril de 2014 (Zenit.org)


Ettore Gotti Tedeschi foi o encarregado de realizar a reforma inicial do Instituto para as Obras de Religião (IOR), que presidiu desde 2009, cargo que ocupou até maio de 2012, quando foi demitido pelo Conselho de Superintendência do IOR. Tedeschi foi acusado de irregularidades na sua gestão, mas na semana passada a justiça italiana declarou a sua inocência.

O ex-presidente concedeu uma entrevista para a revista Vida Nueva, adiantada por Europa Press, na qual explica que se sente “amargurado” porque “foi a justiça italiana que esclareceu a verdade sobre o que aconteceu, enquanto que dentro da Igreja, pelo contrário, parece prevalecer até agora a posição daqueles que me queriam marginalizar”.

Tedeschi explica que "quem impediu minha reabilitação prejudicou muito a Igreja. Conseguiram impedir que não fosse interrogado, que não se escute a minha versão e nem a minha verdade sobre os fatos mais importantes destes últimos anos. Também sofro com todos os danos relacionados com este assunto que, como consequência, sofreu a Igreja, e agora Francisco. Quantas coisas teriam sido evitadas se não tivessem me demitido”.

Da mesma forma expressou que espera que a decisão do judiciário mude a atitude de uma parte da hierarquia eclesiástica com ele, e afirma que “ao lado do Papa trabalham muitas pessoas santas, mas também estão aqueles que não querem que saia a luz a verdade. Não desejam que seja reabilitado porque minha reabilitação implicaria a acusação implícita de outras pessoas".

Sobre o fato de ter guarda-costas, Tesdechi esclarece que nunca os teve, embora reconheça que “houve um momento de fortíssima tensão, ligado a acontecimentos anteriores à demissão”. E lembra o episódio do documento que deixou à sua secretária. “Decidi então escrever uma breve síntese para a minha secretária, que intitulei “Em caso de acidente”. Disse-lhe que, se me acontecesse algo, o documento tinha que ser enviado a três pessoas. Se não acontecesse nada, o documento e as suas conclusões não tinham sentido. Quando esses documentos acabaram, não sei como, nas mãos dos meios de comunicação, se considerou como uma demonstração do meu medo ao perigo”.

Mas esclarece que em determinados momentos "é a prudência, mais do que o medo, o que leva a elaborar uma documentação do que se está vivendo, de modo que se acontecesse um acidente, os que ficassem, soubessem as razões da minha prudência”. Graças a Deus e à magistratura italiana, não aconteceu nenhum acidente, destaca o ex-presidente do IOR.

Por outro lado, explica que o Santo Padre deu-lhe a tarefa de fazer uma serie de coisas que poderiam levar a Santa Sé a "uma disponibilidade adequada para a transparência que os mercados financeiros internacionais e os bancos centrais exigiam depois do 11 -S". Observa que as dificuldades surgiram porque a Santa Sé não funciona como um banco para terceiros, mas apoia obras religiosas. “Concentrei-me em realizar determinados projectos para que não houvesse perda de confiança nem de credibilidade com relação ao Santo Padre e à Igreja. A Igreja é a maior autoridade moral no mundo e o Santo Padre é o seu mais alto responsável. A ideia chave era de que essa autoridade moral fosse apreciada pelo modo em que continuava esta nova disciplina financeira, garantindo ao mesmo tempo a discrição das operações relacionadas com a sua actividade”, indica na entrevista.

Gotti Tedeschi lembra que houve factos históricos que tinham colocado em causa a credibilidade do IOR e que "não só me foi pedido que conseguisse transparência e defendesse com discrição, mas também que a Santa Sé fosse exemplar. Bento XVI dizia que tínhamos que ser exemplares”. Depois menciona que "as leis contra a lavagem de dinheiro sujo que propusemos estavam supervisionadas pela Autoridade de Informação Financeira (AIF), que é um órgão interno da Igreja e cuja presidência recaía então em um importantíssimo cardeal, Attilio Nicora” e que “garantia que a aplicação da lei e dos procedimentos fosse supervisionada por uma organismo da Igreja, não por um ente externo”. Dessa forma especifica que “em caso de problemas, uma entidade externa tinha que referir a uma autoridade interna da Igreja, o AIF. Garantia assim a absoluta independência e autonomia. Também o direito a discrição”.

Também lembra que o Moneyval (entidade de controle do Conselho de Europa) visitou-os em Novembro de 2011, disse-lhes que tinham realizado “um trabalho excelente", e que, embora tivessem que realizar algumas correcções, se continuassem assim, poderiam entrar na White List. Mas, observa Tedeschini, a ênfase que o cardeal Nicora e ele deram aos controles internos, “não encontrou consenso por parte de muitos” e mudaram a lei, levando-a a uma insatisfação da Moneyval. "Mudaram, especialmente, o papel do AIF, que tinha que ser um organismo independente, mas passou a depender da Secretaria de Estado. É como fazer que o Banco da Itália dependa do Ministério do Tesouro. Moneyval o considerou intolerável”, destaca o ex-presidente do IOR.

Ainda assim afirma que gostaria de falar com o Papa Francisco ou com um emissário seu porque  “ninguém nunca” lhe perguntou, embora o tenha pedido “inúmeras” de vezes.

“Mentiram publicamente” ao Papa Bento XVI, revela. "Dizia-se que o Papa sabia de tudo e era ele que tinha querido tudo dessa forma”, e assim confirma como verdade o que disse o secretario pessoal de Bento XVI, mons. Georg Gänswein, em entrevista ao jornal italiano 'Il Messaggero' sobre que Ratzinger ficou surpreso com a demissão de Tedeschi.

Por fim, ressaltou que "o pior é que hoje se reconhece que tinha razão em tudo. De fato, teve-se que voltar às origens, aos procedimentos de então. Tiveram até que voltar a colocar o AIF na posição que pretendíamos. A magistratura falou que eu tinha actuado bem e que outros actuaram mal. O final do escândalo Vatileaks demonstrou que não filtrei nenhum documento. Mas ninguém abriu uma investigação”.

[Trad.TS]

Homilia de Francisco: temos que rezar como quem fala com um amigo

O Santo Padre convida-nos a rezar como Moisés, falando cara a cara com Deus, e nos lembra que a oração muda o nosso coração


Cidade do Vaticano, 03 de Abril de 2014 (Zenit.org)


A oração é uma luta com Deus, travada com liberdade e insistência, como um diálogo sincero com um amigo. Este é o tipo de oração que muda o nosso coração, porque nos faz saber melhor como Deus é realmente. Esta foi a ideia central do Santo Padre na homilia desta quinta-feira, na missa celebrada na Casa Santa Marta.

Francisco recordou o diálogo de Moisés no monte Sinai, quando Deus quis castigar o seu povo por ter criado um ídolo: o bezerro de ouro. E Moisés rezou com força para que o Senhor “repensasse”. "Esta oração é uma verdadeira luta com Deus. E Moisés fala livremente diante do Senhor e nos ensina como rezar, sem medo, livremente, e com insistência. Moisés insiste. É valente. A oração também tem que ser um 'negociar com Deus', com 'argumentações'", afirmou o papa. Moisés acaba convencendo Deus: a leitura nos diz que "o Senhor se arrependeu do mal com que tinha ameaçado o seu povo". Mas, perguntou o Santo Padre, "quem foi que mudou mesmo? Nosso Senhor mudou? Eu acho que não".

Francisco explicou: "Quem mudou foi Moisés, porque Moisés achava que Deus ia fazer aquilo, que Deus ia destruir o seu povo, e ele procura, na sua memória, a lembrança do quanto Deus tinha sido bom com o seu povo, como o tinha livrado da escravidão no Egipto e levado para uma terra prometida. E, com esses argumentos, ele tenta ‘convencer’ a Deus, mas, neste processo de reflexão, é ele quem reencontra a memória do seu povo, é ele quem encontra a misericórdia de Deus. E Moisés, que tinha medo, medo que Deus fizesse aquilo, no fim desce do monte com algo grandioso no coração: nosso Deus é misericordioso! Deus sabe perdoar. Deus pode ‘voltar atrás’ nas suas decisões. É um Pai".

Francisco observou que Moisés sabia de tudo isso, "mas sabia mais ou menos obscuramente; e na oração, ele reencontra [essa sabedoria]. É isto o que a oração faz em nós: ela muda o nosso coração".

O Santo Padre completou: "A oração muda o nosso coração. Ela nos faz entender melhor como é o nosso Deus. Mas por isso é importante falar com Ele não com palavras vazias; Jesus diz: 'não como fazem os pagãos'. Não, não. Falar com a realidade: 'Olha, Senhor, eu tenho este problema, na família, com o meu filho, com isso, com aquilo... O que é que eu posso fazer? Mas olha, você não pode me deixar assim'! Isto é oração! Mas essa oração exige muito tempo! Sim, ela exige tempo".

Ela exige o tempo de que se precisa para conhecer melhor a Deus, o tempo necessário para conhecer melhor um amigo. E a bíblia nos diz que Moisés rezava a Deus do jeito que um amigo fala com outro. "A bíblia diz que Moisés falava com o Senhor cara a cara, como um amigo. É assim que a oração tem que ser: livre, insistente, com argumentações. E também repreendendo um pouco a Deus: 'Mas você me prometeu isto, Senhor, e isto você não fez...'. Desse jeito mesmo, do jeito que se fala com um amigo. Abrir o coração nessa oração. Moisés desceu do monte revigorado. 'Eu conheci melhor o Senhor', e, com essa força que a oração tinha lhe dado, ele retoma o seu trabalho de levar o povo rumo à terra prometida. Porque a oração revigora, revigora. Nosso Senhor dá a graça para todos, porque rezar é uma graça".

Para terminar, o papa disse que em cada oração está presente o Espírito Santo: não podemos rezar sem Ele, porque é Ele quem reza em nós, é Ele quem nos ensina a dizer “Deus Pai”. Por isso, o papa Francisco nos convidou a pedir ao Espírito Santo que "Ele nos ensine a rezar, assim como Moisés rezou: a negociar com Deus, com liberdade de espírito e coragem. Que o Espírito Santo, que está sempre presente em nossa oração, nos conduza por esse caminho".

A rainha da Inglaterra e o príncipe consorte visitam hoje o papa Francisco

É o quarto pontífice que Elizabeth II encontra, depois de João XXIII, João Paulo II e Bento XVI


Madrid, 03 de Abril de 2014 (Zenit.org) Ivan de Vargas


A rainha Elizabeth II e o Duque de Edimburgo visitaram o papa Francisco no Vaticano na tarde desta quinta-feira. A audiência privada com o Santo Padre aconteceu na Casa Santa Marta, actual residência do pontífice argentino.

Em comunicado, a Casa Real informou que "a rainha, acompanhada pelo Duque de Edimburgo, visitará Roma no dia 3 de Abril. Sua Majestade e Sua Alteza Real viajam a convite do presidente da Itália, Giorgio Napolitano. A Rainha e o Duque de Edimburgo visitarão o palácio presidencial, onde participarão de um almoço privado oferecido pelo presidente. Depois, manterão uma audiência com Sua Santidade, o papa Francisco, no Vaticano".

Alguns meses atrás, o Palácio de Buckingham anunciou que a rainha visitaria o Santo Padre no ano de 2013, mas a viagem foi adiada, por motivos de saúde, a uma data prévia ao dia 21 de Abril de 2014, quando a soberana inglesa completa 88 anos de idade.

As fontes do palácio explicaram à rede britânica BBC que Elizabeth II não vestirá roupas pretas nem usará véu, como fez nas suas três visitas anteriores ao Vaticano, tal como indica a tradição romana. Em seus encontros com João XXIII em 1961 e com João Paulo II em 1980, a soberana usava roupas pretas e um véu preso por uma tiara. No segundo encontro com Karol Wojtyla, no ano 2000, a rainha vestia preto e um chapéu com véu. Francisco será o quarto papa que a soberana encontra, depois de se reunir com João XXIII, João Paulo II e Bento XVI.

O último encontro entre um pontífice e a rainha da Inglaterra aconteceu em 16 de Setembro de 2010, durante a viagem de Bento XVI ao Reino Unido. Lá, o papa Ratzinger se reuniu com a soberana no palácio real de Holyroodhouse, na Escócia, depois da chegada ao aeroporto de Edimburgo.

O antecessor do papa Francisco fez um discurso na Universidade de Oxford e celebrou em Coventry a beatificação do cardeal John Henry Newman, o mais famoso dos anglicanos convertidos ao catolicismo.

João Paulo II tinha viajado ao Reino Unido em 1982, em visita pastoral.

A visita de Elizabeth II ao Vaticano desperta especial atenção porque a monarca é a cabeça da Igreja anglicana, fundada pelo rei Henrique VIII em 1534, depois que o papa Clemente VII se recusou a anular seu casamento com a rainha Catarina de Aragão.

É importante recordar ainda que, em Janeiro de 2011, a Santa Sé criou o primeiro ordinariato anglicano, uma estrutura voltada a acolher os membros do anglicanismo que aceitam a plena comunhão com Roma. Desde então, vem acontecendo de maneira paulatina a incorporação à Igreja católica de grupos de fiéis e paróquias inteiras da Igreja anglicana.

A Igreja anglicana reiterou, em 13 de Fevereiro passado, que, de acordo com "a compreensão e a doutrina cristã", o matrimónio "é a união, para toda a vida, entre um homem e uma mulher", e que, apesar das mudanças nas legislações nacionais no tocante às uniões entre parceiros do mesmo sexo, a doutrina sobre o matrimónio "permanece invariável".

Diversos meios de comunicação destacaram que será um papa argentino quem receberá a rainha da Inglaterra, justamente um dia depois do aniversário de 32 anos do início do conflito das ilhas Malvinas.

O Santo Padre se solidariza com as vítimas do terremoto no Chile

Os fortes tremores provocaram seis mortes e grandes danos materiais


Cidade do Vaticano, 03 de Abril de 2014 (Zenit.org) Rocio Lancho García


O Santo Padre se manifestou solidário às vítimas do terremoto de 8,2 graus na Escala Richter, que aconteceu nesta quarta-feira, 1º de Abril, no norte do Chile. O sismo provocou a morte de seis pessoas, grandes danos materiais e a evacuação de milhares de cidadãos devido ao risco de tsunami. O papa Francisco enviou um telegrama ao cardeal Ricardo Ezzati, arcebispo de Santiago e presidente da Conferência Episcopal Chilena.

O pontífice se mostra “profundamente sentido ao receber a notícia do sismo que deixou vítimas e feridos, assim como danos materiais e muitos desabrigados nesse amado país”. Prossegue Francisco: “Por seu meio, desejo fazer chegar a todos os chilenos a minha solidariedade e o meu profundo afecto”. O papa pede "que Deus conceda o eterno descanso aos falecidos, console os afectados por tão lamentável desgraça e inspire, em todos, sentimentos de esperança para enfrentar esta adversidade".

O Santo Padre roga ainda, "encarecidamente, às comunidades cristãs, instituições civis e pessoas de boa vontade que, nestes tristes momentos, prestem uma ajuda eficaz aos danificados, com espírito generoso e fraterna caridade". Ao terminar, Francisco invoca “a amorosa protecção de Nossa Senhora do Carmo” e concede a sua bênção “como sinal de cordial apreço pelo nobre povo chileno, tão presente em meu coração”.

Dom Guillermo Vera, recém-empossado bispo de Iquique, a cidade mais próxima do epicentro do terremoto, passou a madrugada acompanhando as pessoas evacuadas da área costeira. "As pessoas, templos vivos de Deus, são a nossa primeira prioridade neste momento", afirmou o bispo, respondendo sobre a situação da diocese depois do abalo sísmico.

Após evacuar a própria residência, dom Vera "passou grande parte da madrugada acompanhando as pessoas nesta situação de aflição e visitou o hospital local", informa a Conferência Episcopal.

Durante a quarta-feira, o bispo percorreu as paróquias da cidade junto com seus colaboradores e, através das comunidades paroquiais e colégios da Igreja, fez um diagnóstico da situação das pessoas e das comunidades para identificar as principais necessidades e demandas. Às 20 horas, dom Vera presidiu a concelebração eucarística na catedral de Iquique pelo eterno descanso das vítimas.

Uma réplica de magnitude 7,6 voltou a sacudir o Chile na quarta-feira à noite. O forte tremor levou novamente as pessoas para as ruas, incluindo a presidente chilena Michelle Bachelet e alguns de seus ministros, que estavam num hotel de Iquique. Horas antes, a presidente tinha percorrido a região para avaliar os danos provocados pelo terremoto.