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quarta-feira, 2 de abril de 2014

Homilia do papa na Casa Santa Marta: Queres a cura?

Nesta terça-feira, Francisco comentou a parábola do paralítico e dos fariseus e nos alertou contra o formalismo e a inércia dos cristãos


Cidade do Vaticano, 01 de Abril de 2014 (Zenit.org) Sergio Mora


Os “cristãos anestesiados” fazem mal à Igreja com os seus formalismos; é necessário vencer a inércia espiritual e se arriscar, em primeira pessoa, para anunciar o evangelho. Esta foi a proposta do papa Francisco na missa rezada hoje na Casa Santa Marta.

A homilia se baseou no evangelho, que narra o encontro de Jesus com um homem que, havia 38 anos, estava paralítico. O homem não encontrava ninguém que o submergisse nas águas; alguém sempre lhe passava na frente. Jesus então lhe ordenou levantar-se. O milagre despertou as críticas dos fariseus, por ter sido feito em um sábado, dia de descanso obrigatório.

O pontífice declarou que encontramos aqui duas doenças espirituais sérias. Por um lado, a resignação do enfermo, que, triste, apenas se lamentava. O papa enfatizou: “Penso em tantos cristãos, tantos católicos, que, sim, são católicos, mas sem entusiasmo, tristes. Que dizem: 'É a vida, é assim... Vou à missa todos os domingos, mas é melhor não me meter com a fé dos outros; eu mantenho a minha fé por motivos de saúde e não tenho necessidade de transmiti-la para os outros... É melhor cada um na sua casa, tranquilo da vida... Além disso, se você faz alguma coisa, corre o risco de ser criticado. Não, é melhor não arriscar...'”.

Esta é a doença da indolência, da indiferença dos cristãos. Esta atitude paralisa o zelo apostólico. “São pessoas anestesiadas. São cristãos tristes, pessoas não luminosas, pessoas negativas. E esta é uma enfermidade dos cristãos. Vamos à missa todos os domingos, mas dizemos: ‘Por favor, não nos incomodem’. Esses cristãos sem zelo apostólico não fazem bem à Igreja. Há muitos cristãos que são egoístas, só para eles mesmos. O pecado da indiferença é contrário ao zelo apostólico, de transmitir a novidade que Jesus nos trouxe, que eu recebi de graça”.

Nesta passagem do evangelho, explicou o papa, encontramos também outro pecado, quando vemos que Jesus é criticado porque realizou uma cura em dia de sábado. É o pecado do formalismo. “Cristãos que não abrem espaço para a graça de Deus. E a vida cristã, para essa gente, é ter todos os documentos em ordem, todos os certificados (...) Os cristãos hipócritas, como eles, se interessam só pelas formalidades. Era sábado? Então não pode fazer milagre. A graça de Deus não pode agir no sábado. E então eles fecham a porta para a graça de Deus”.

“Temos tantos assim na Igreja, tantos! É outro pecado. Primeiro, os que não têm zelo apostólico, porque decidiram ficar parados neles mesmos, nas suas tristezas, ressentimentos. E esses outros que não são capazes de transmitir a salvação porque fecham a porta para ela”.

Para eles, só contam as formalidades. E nós? “Tantas vezes fomos apáticos ou hipócritas como os fariseus. São tentações, e temos que conhecê-las para nos defender delas (...) Jesus se aproxima e pergunta apenas: ‘Queres a cura?’ E dá a graça. E depois, quando encontra o paralítico de novo, Ele só diz: 'Não peques mais'”.

“As duas palavras cristãs são estas: ‘Queres a cura?’ e ‘Não peques mais’. Mas primeiro Jesus cura e depois diz para não pecarmos mais. Palavras de ternura e de amor. E este é o caminho cristão, o caminho do zelo apostólico: ir em busca de tantas pessoas feridas, neste hospital de campo [que é a vida], e tantas vezes feridas por homens da Igreja! É uma palavra de irmão e de irmã: queres a cura? E depois Ele diz: 'Não peques mais, porque não te faz bem'. É muito melhor assim. As duas palavras de Jesus são mais bonitas do que a atitude da indiferença e da hipocrisia”.

O Papa Francisco em conversa com três jovens belgas flamengos

O Papa gravou ontem uma conversa com os três jovens que lhe foram apresentados por Mons. Van Looy, sobre a pastoral da juventude e os desafios das novas gerações


Roma, 01 de Abril de 2014 (Zenit.org)


O Papa Francisco teve uma conversa gravada com três jovens belgas flamengos, apresentados por mons. Lucas Van Looy, Bispo de Gent. A conversa do Papa com os jovens (relata o Sismografo, site actualizado em tempo real sobre as actividades da Santa Sé) teve relação com a pastoral da juventude na diocese de Gent (Gant) e na Igreja em geral.

Trata-se de uma entrevista dirigida a um grupo específico de fiéis, por ocasião de um determinado evento, bem como, há muito tempo, o Papa fez com os fiéis de uma "villa miséria", de Buenos Aires através das ondas de rádio Bajo Flores.

É provável (diz o site) que o conteúdo da conversa dos jovens com o Papa seja difundido nas proximidades do Domingo de Ramos, quando as dioceses do mundo celebram o Dia Mundial da Juventude.

[Trad.TS]

A canonização dos dois Papas em 3D e Alta Definição

Acordo entre CTV, Sony e Sky para transmitir o evento ao vivo no dia 27 de Abril em 20 países, em 500 cinemas de todo o mundo


Roma, 01 de Abril de 2014 (Zenit.org)


A canonização de João Paulo II e do Papa João XXIII será um evento também em 3D. Para todos os fiéis que não poderão estar fisicamente presentes na Praça de São Pedro, no próximo dia 27 de Abril, o Centro Televisivo Vaticano, em colaboração com Sky e Sony, lançou um projecto que permitirá ver em alta definição e 3D a cerimónia em cerca de 20 países. O evento será transmitido ao vivo, de graça, em 500 cinemas em todo o mundo, 120 na Itália, graças também ao trabalho de Nexco Digital.

A iniciativa foi apresentada ontem, durante uma conferência de imprensa na Sala Paulo VI, no Vaticano, por Mons. Dario Viganò, director do CTV, que explicou que o ambicioso evento ao vivo terá um "desdobramento de forças maiores do que as Olimpíadas" e representará um "documento histórico". O compromisso da DBW Communication nas tomas em 4k, a mais recente tecnologia para as tomadas, consentirá, de fato, arquivar imagens extremamente nítidas, a ser preservadas para o futuro. "Sentimos a responsabilidade de preservar a história e por isso experimentamos a tecnologia 4K que hoje é a fronteira mais eficaz", disse Viganó.

O 3D, então (disse Andrea Zappia, administrador delegado de Sky Itália) consentirá "uma visão altamente moderna e inovadora que permitirá compreender como as tecnologias actuais, que muitas vezes nascem por motivos comerciais, podem ter, na verdade, um valor informativo, social, espiritual particularmente elevado".

Ok, sobre este ponto, Mons. Celli, presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais , que recordou as infinitas possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias, que (segundo ele) "são um desafio, mas também uma grande oportunidade de relação, conhecimento e participação”, “uma oportunidade de viver a história”.

"Por si só, no entanto, (disse David Bush, o director de marketing da Sony Europa) a tecnologia de ponta não é suficiente para transmitir uma emoção". "É uma ferramenta que permite um olhar ainda mais próximo sobre a realidade e o ‘onde’ se torna menos importante".

O objectivo da tecnologia é, portanto, "tentar replicar a experiência real de estar aqui na Praça de São Pedro", disse Bush. E reiterou a esperança de que o projecto possa ajudar a "espalhar a emoção do evento para todas aquelas milhares de pessoas ao redor do mundo que querem estar lá fisicamente".

Para fornecer áudio, finalmente confirmou o padre Federico Lombardi, director da emissora e da Sala de Imprensa da Santa Sé, será, como de costume, a Rádio Vaticano.

(Editado por Salvatore Cernuzio/Trad.TS)

Em um 2 de Abril como este falecia João Paulo II

Sua morte chocou o mundo. Milhares se reuniram para orar e dar-lhe um último adeus


Roma, 01 de Abril de 2014 (Zenit.org) Sergio Mora


Um dia como hoje, há nove anos atrás, morria o Papa João Paulo II. Enquanto em uma praça de São Pedro e por cadeia televisiva milhares ou milhões rezavam o santo terço por ele, era ele quem passava a interceder por aqueles que estavam rezando. As manifestações de fé foram impressionantes, todos lembram as imagens das milhares de pessoas que se reuniram e fizeram filas intermináveis na ​​via de la Conciliazione para um último adeus e os cartazes e coros "Santo já”. Bento XVI disse que não tinha dúvidas sobre o 'santo já', embora houvesse algumas etapas canónicas que eram necessárias seguir. No dia 28 de abril seguinte, Bento XVI concedeu a dispensa do prazo de cinco anos de espera depois da morte exigida pelo direito canónico para começar o processo de beatificação.

Em 2 de Abril de 2007, dois anos após sua morte, concluiu a fase diocesana do processo de beatificação, e no dia 1 de Maio de 2011 foi declarado Beato. Neste próximo 27 de Abril conclui o processo de canonização de João Paulo II com uma cerimónia na Praça de São Pedro, presidida pelo Papa Francisco que declarará santo também João XXIII.

A seguir algumas breves frases das notícias dessa noite.

CIDADE DO VATICANO, sábado, 2 de Abril de 2005 (ZENIT.org). Na noite deste sábado, o director da Sala de Imprensa da Santa, Joaquin Navarro-Valls, emitiu esta declaração, depois que o arcebispo Leonardo Sandri, anunciou na Praça de São Pedro, a morte de João Paulo II.

"O Santo Padre morreu esta noite às 21,37 horas em seu apartamento privado. Já se deu início a todos os procedimentos previstos na Constituição Apostólica "Universi Dominici Gregis" promulgada por João Paulo II em 22 de Fevereiro de 1996" .

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CIDADE DO VATICANO, sábado, 2 de Abril de 2005 (ZENIT.org). Publicamos uma segunda declaração emitida por Joaquín Navarro-Valls, depois da morte de João Paulo II.

"O Santo Padre morreu esta noite às 21,37 horas em seu apartamento privado. Às 20,00 tinha começado a celebração da Santa Missa da Festa da Divina Misericórdia, no quarto do Santo Padre, presidida pelo arcebispo Dom Stanislaw Dziwisz com a participação do cardeal Marian Jaworski, do arcebispo Stanislaw Rylko e de Monsenhor Mieczyslaw Mokrzycki.

Durante a santa missa foi administrado a João Paulo II o Santo Viático e, mais uma vez, o Sacramento da Unção dos Enfermos.

As últimas horas do Santo Padre foram marcadas pela constante oração de todos os que o assistiram no piedoso trânsito e pela participação na oração de milhares de fieis reunidos, a algumas horas, na Praça de São Pedro".

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CIDADE DO VATICANO, sábado, 2 de Abril de 2005 (ZENIT.org). A morte de João Paulo II às 21,37 horas deste sábado coincidiu com a festa litúrgica da Divina Misericórdia, proclamada por ele mesmo há cinco anos.

De acordo com a liturgia, uma festa começa após a recitação das Vésperas do dia anterior, de modo que a morte do Santo Padre aconteceu quando a Igreja em Roma já celebrava o domingo.

Foi também o primeiro sábado do mês, dia em que a mensagem deixada por Nossa Senhora em Fátima pedia para consagrar o mundo ao Coração Imaculado de Maria. E Karol Wojtyla consagrou todo o seu pontificado à Mãe de Jesus com o lema "Totus Tuus" ("Todo seu").

[Trad.TS]

Viva como se fosse morrer mártir hoje

Palavras escritas com o sangue dos mártires do século XX e XXI


Roma, 01 de Abril de 2014 (Zenit.org) Robert Cheaib


As palavras do título são da luminosa figura do século XX, o irmão universal, Charles de Foucauld, que foi morto pelos muçulmanos aos quais se dedicou com heróica generosidade de presença. Isso mostra que o seu martírio, provavelmente um erro humano, não o pegou desprevenido! Ele escreveu: “Que nosso único tesouro seja Deus, que nosso coração pertença completamente a Deus, tudo em Deus, tudo por Deus! Somente Ele! Sejamos vazios de tudo, tudo quanto foi criado, desapegados mesmo dos bens espirituais, mesmo das graças de Deus, vazios de tudo para poder sermos inteiramente repletos de Deus”. As palavras do Irmão Charles nos mostra o verdadeiro significado do martírio, não como um momento trágico, mas como existência ‘Teodramática’ , como único verdadeiro caso real e sério.

Pensamento semelhante é o de Abraham Joshua Heschel: "Há apenas um problema real e sério, o do martírio. Trata-se da questão: existe algo tão valioso pelo qual vale a pena viver, algo grande o suficiente pelo qual  vale a pena morrer? Podemos viver a verdade apenas se tivermos a força para morrer por ela".  Estas palavras não nascem em um momento de retórica inflamada, que o pregador sente nas veias de vez em quando. Surgem a partir da experiência de um grande homem, um rabino que foi deportado para um campo de concentração dentro de um vagão de gado.

Vale a pena viver por algo que vale a pena morrer. Palavras fortes, exigentes, que talvez tenha o direito de dizer apenas aqueles que se encontram realmente diante de uma única opção e a escolhe com coragem. E quantos cristãos, de todas as denominações, viveram a verdade dessa afirmação no século XX (século em que morreram mais cristãos do que nos 19 precedentes)? O sangue dos mártires é a semente de cristãos. O Papa João Paulo II nos faz recordar que as chamadas “concessões" do Imperador Constantino garantiram o desenvolvimento da Igreja, mas foram as “sementes plantadas pelos mártires e o património de santidade" que marcaram as primeiras gerações de cristãos”.

E mesmo assim, sobre o martírio sempre ocorre alguns “clichês”, fomentados pela última onda de Kamikaze do islamismo fundamentalista. O martírio cristão é outra coisa. Não é uma escolha de morte, mas uma escolha de vida, da Vida. Não é uma escolha contra, mas uma escolha por algo. Nos recorda o biblista Bruno Maggioni: "o mártir não escolhe a morte, mas um modo de viver, o de Jesus".

Na mesma linha, o génio literário de T.S. Eliot fala do conceito cristão do martírio de Dom Thomas Becket, em sua última homilia antes de seu martírio: "Um mártir, um santo, é constituído por um desenho de Deus, de seu amor pelos homens, para alertá-los e guia-los, para reconduzi-los para o seu caminho. O martírio nunca é o desenho de um homem; porque o verdadeiro mártir é aquele que se tornou um instrumento de Deus, que perdeu a sua vontade na vontade de Deus: não perdida, mas encontrada, pois encontrou a liberdade na submissão a Deus. O mártir já não deseja nada para si, nem mesmo a glória do martírio".

O martírio é o caso que nos lembra  que não existe  fé "low cost" (Papa Francisco), exprime uma conformação a Cristo na vida e na morte. Nem sempre a morte é a morte do corpo. Às vezes, é o martírio das circunstâncias, o martírio de uma doença, da solidão vivida com e por amor. O mártir de hoje também pode ser, como bem explica Timothy Radcliffe, "um professor que fica acordado até tarde para preparar a aula do dia seguinte, ou apenas alguém que se preocupa em sorrir para quem está cansado, exausto. Pode ser  dizer com sinceridade o que pensa, mesmo que isso possa arruinar sua carreira ou fazer perder o trabalho".

O livro de Gerolamo Fazzini, em italiano,  Scritte com il Sangue. Vita e parole di testimoni dela fede del XX e XXI secolo, reúne testemunhos, em primeira pessoa, de mais de 100 testemunhas, a maioria católicos, mas não apenas, porque o martírio é uma das dimensões do ecumenismo espiritual doada pelo Espírito a todos os cristãos. Não faltam exemplos de figuras não-cristãs, como a do hindu Gandhi, a judia Etty Hillesum e o muçulmano argelino Said Mekbel.

(Trad.:MEM)

Rádio Vaticano digitaliza as vozes dos papas

Projecto inclui 8.000 fitas com as gravações originais das actividades dos pontífices


Cidade do Vaticano, 01 de Abril de 2014 (Zenit.org) Rocio Lancho García


"As vozes dos papas" é o nome dado pela Rádio Vaticano ao projecto de digitalização dos seus arquivos. Desde 1931, a emissora do Vaticano capta as vozes dos pontífices, desde Pio XI até o actual sucessor de Pedro, o papa Francisco. A digitalização tem enorme importância histórica e documental.

Os registos das vozes dos papas estavam guardados em 8.000 fitas e suportes originais, com um total de 23.207 eventos transformados em 37 mil arquivos.

Na colectiva de apresentação do projecto, participaram o padre Federico Lombardi, director geral da Rádio Vaticano; o cardeal Giovanni Battista Re, colaborador de João Paulo II; o vaticanista Gian Franco Svidercoschi, que cobriu o pontificado dos dois papas que serão canonizados neste mês; o ajudante de João XXIII e João Paulo II, Guido Gusso, e o director técnico da Rádio Vaticano, Sandro Piervenanzi.

O cardeal Re falou das suas lembranças de João Paulo II, “um homem de certezas e de profundidade de pensamento”. Mas "o que mais me impressionou sempre foi a intensidade da sua oração", disse o cardeal, afirmando que João Paulo II se recolhia sempre em oração profunda e submergia tanto nela que "não se dava conta do tempo passando enquanto rezava". Antes de tomar decisões importantes, o pontífice dizia sempre: "Quero reflectir". E rezava. Ele disse a Gorbachov, por exemplo: "Eu rezei por você e por este encontro".

Para o cardeal, o papa polaco "era um místico com os pés na terra, atento às pessoas. Posso testemunhar que todas as iniciativas, inclusive as que tinham consequências sociais e políticas, eram inspiradas por um motivo religioso; o motivo de toda a sua actividade era religioso, era ajudar a humanidade a se aproximar de Deus".

O cardeal também falou de João XXIII, destacando a sua grande bondade, que vinha do seu carácter feliz, optimista, sereno e positivo. Essa bondade "era acompanhada de uma grande inteligência, que enxergava longe". O Concílio Vaticano II foi uma ponte que João XXIII estendeu à humanidade, observou Re.

O padre Lombardi destacou que "as vozes dos papas são o tesouro da Rádio Vaticano. Ele corresponde à missão da rádio, que é precisamente a de difundir e conservar a voz dos papas, como na ocasião destas duas canonizações, mostrando que a voz dos papas, cuja santidade é agora proclamada, está à disposição de quem quiser escutar também o tom original da sua personalidade e do seu serviço à Igreja".

Por sua vez, Piervenanzi explicou como se desenvolveu o processo técnico da digitalização.

Catacumbas: onde os mártires repousam

Fabrizio Bisconti, director da Pontifícia Comissão de Arqueologia Sacra para as Catacumbas, fala sobre os originais cemitérios cristãos


Roma, 01 de Abril de 2014 (Zenit.org) Laura Guadalupe


Nas entranhas da Cidade Eterna, protegidos do caos que fere os ouvidos, há lugares em que só o silêncio fala. Ele fala com toda a sua força ensurdecedora, especialmente quando se dirige ao coração e conta histórias de homem e mulheres que deram a vida para defender a própria fé. É o mundo subterrâneo das catacumbas, onde foram sepultados alguns pontífices e os primeiros cristãos.

ZENIT conversou a respeito com Fabrizio Bisconti, director da Pontifícia Comissão de Arqueologia Sacra para as Catacumbas.

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Quais são as origens das catacumbas?
Bisconti: As catacumbas, entendidas como cemitérios cristãos, hipogeus, nasceram em Roma entre o fim do século II e o início do III, durante o pontificado de Zeferino (199-217), que encarregou o diácono Calisto, depois eleito papa (217-222), de supervisionar o cemitério da Via Ápia. Lá foram sepultados alguns pontífices do século III, entre os quais Sisto II, assassinado durante a perseguição de Valeriano, em 6 de Agosto de 258. As catacumbas são o começo de um sistema funerário original: são cemitérios exclusivos, onde eram sepultados os fiéis pertencentes à comunidade cristã, como num abraço fraterno.

Como elas mudaram de função ao longo do tempo?
Bisconti: Como sepultura dos mártires, as catacumbas mantiveram a função funerária, mas assumiram também um papel devocional, porque os peregrinos iam venerar as sepulturas santas no dies natalis (dia da morte) do mártir, para rezar e comer uma refeição simbólica fúnebre (refrigerium). Na Alta Idade Média, as catacumbas perdem a função funerária e mantêm só a de veneração.

Quantos mártires cristãos foram sepultados nelas durante as perseguições?
Bisconti: Os mártires romanos de que temos notícia pelas fontes e testemunhos arqueológicos são cerca de uma centena. Mas muitos deles não foram registados pelas fontes nem pela memória devocional.

Há muitos mártires dos quais não se sabe nada, mas, de muitos outros, temos informações sobre o nome, a história. São Sebastião e Santa Inês, por exemplo. Na sua opinião, qual é a catacumba mais cheia de fascínio, seja por conter os restos de um santo ilustre, seja pelas inumeráveis relíquias de desconhecidos?
Bisconti: O complexo mais interessante, sem dúvida, é o de São Calixto, que tem mártires ilustres como Sisto II, já mencionado, mas que tem relação também com mártires imersos na fabulação legendária, e mesmo assim muito amados pelos fiéis, como Santa Cecília e São Tarcísio.

Só em Roma há cerca de sessenta catacumbas. Quais são as mais visitadas e as mais antigas? E no resto da Itália?
Bisconti: As catacumbas romanas mais visitadas e abertas ao público são as de São Calixto e São Sebastião, na Via Ápia; de Domitila, na Via Ardeatina; de Santa Inês, na Via Nomentana; de Priscila, na Via Salária. As catacumbas mais antigas são as de Sebastião, Calixto, Domitila, Priscila, Calepódio, Pretextato, Novaciano, dos Santos Pedro e Marcelino e de Santa Inês. Na Itália temos que recordar também as catacumbas de São Genaro, em Nápoles, de São João, em Siracusa, de Santo Antíoco, na Sardenha, de Santa Catarina e São Mustiola em Chiusi, de São Senador, em Albano, e de Santa Cristina, em Bolsena.

Esses cemitérios se caracterizam também pela presença de uma arte pictórica narrativa e simbólica. Por exemplo, nas catacumbas de Priscila, em Roma, é conservada a imagem mais antiga de Maria. De quando é exactamente esse afresco? Quais são as particularidades dele?
Bisconti: A “Madonna” de Priscila é de 230-240. A pintura representa Maria com o Menino (Virgo Lactans), com o profeta Balaão apontando as estrelas, para anunciar a chegada do Messias.

Houve outras descobertas de antiguidade parecida?
Bisconti: Sim. Por exemplo, no cemitério de Pretextato, também na primeira metade do século III, podemos encontrar um afresco que representa a cena mais antiga da coroação de espinhos.

Vaticano apresenta o programa para Canonização de João Paulo II e João XXIII

Porta-voz esclarece dúvidas sobre o número de participantes. Há espaço para aqueles que querem vir. Não haverá bilhetes para entrada


Roma, 01 de Abril de 2014 (Zenit.org) Rocio Lancho García


Falta menos de um mês para que o Santo Padre canonize dois de seus antecessores. João Paulo II e João XXIII serão proclamados santos dia 27 de Abril, em uma cerimónia na Praça de São Pedro onde milhares de pessoas serão testemunhas deste momento tão importante para a Igreja.

Padre Federico Lombardi garantiu que o Vaticano não fez provisões do número de  fiéis que estarão em  Roma para o evento, mas disse que "a praça de São Pedro, mais a Via da Conciliação podem conter , no máximo, 250 - 300 mil pessoas. A cidade de Roma tem uma população de 3,7 milhões de habitantes e nos ónibus cabem 50 pessoas". Com esses dados ele deixou a entender a desproporção das previsões de alguns meios de comunicação que falam de até 5 milhões de peregrinos.

O porta-voz do Vaticano também lembrou que não serão distribuídos  bilhetes de entrada, ou seja, os peregrinos que chegarem primeiro acompanharão a cerimonia no espaço preparado para a canonização. "Podem vir a Roma todos os que desejarem, há espaço para todos", afirmou. Por outro lado, em resposta à pergunta de um jornalista, Lombardi observou que a possibilidade de que o Papa emérito esteja presente na canonização está em aberto, nada é certo ainda.

Em conferência de imprensa realizada nesta segunda-feira, 31 de Março, foram divulgados alguns detalhes sobre o desenvolvimento e os eventos planeados por ocasião da canonização. Estavam presentes o cardeal Agostino Vallini, vigário para a diocese de Roma, dom Giulio Dellavite, secretário-geral da Cúria diocesana de Bergamo e dom Walter Insero, responsável pelo Escritório de Comunicação do Vicariato de Roma.

Cardeal Vallini destacou que 27 de Abril será uma celebração de natureza espiritual, ou seja, não se trata de transmitir uma mensagem de carácter humano ou uma festa qualquer. “É algo espiritual, é a festa da santidade”.

Além disso, o cardeal lembrou o grande trabalho que os dois pontífices realizaram na diocese como "bispos de Roma". E comentou  que, se há um fio de ligação entre João Paulo II e João XXIII, este é a fé. “A mensagem que deve chegar a todos é que, à luz da fé viveram e alcançaram esta meta”.

Vallini destacou que a diocese convida a viver uma experiência espiritual e esclareceu que por esta  razão não foram organizadas actividades "que fizessem perder de vista o centro fundamental que é a Graça de Deus".

Por outro lado, dom Insero mostrou a parte mais técnica sobre os preparativos para o dia da canonização.

Na terça-feira, 22 de Abril, às 20h30, a Basílica de São João de Latrão vai acolher um encontro para jovens presidido pelo Cardeal Vallini. Contará com a participação dos dois postuladores: monsenhor Slawomir Oder (da causa de João Paulo II) e padre Giovangiuseppe Califano (da causa de João XXIII). O encontro termina com uma catequese de Don Fabio Rosini, director do serviço de vocações para o vicariato de Roma.

No sábado (26), às 21:00 acontecerá a “noite branca de oração”. As igrejas no centro de Roma estarão abertas para oração e confissão. Para esta vigília foram preparadas passagens bíblicas e textos dos dois papas a ser meditado em oração. 11 igrejas estarão abertas e a animação litúrgica será realizada em diferentes idiomas.

Dom Insero indicou os meios de comunicação destinados a divulgar e difundir as informações sobre a canonização.  Foi desenvolvida uma plataforma digital "com objectivo de oferecer aos peregrinos e fiéis a oportunidade de obter notícias e informações úteis sobre as celebrações e também reflexões espirituais sobre a vida e os ensinamentos dos dois papas".

O site oficial é www.2papisanti.org, disponível em cinco línguas (italiano, Inglês, francês, espanhol e polaco) onde você pode aceder a notícias, eventos, informações para a imprensa, contactos, fotos e vídeos, bem como documentos biográficos e espirituais, “que permitem uma melhor compreensão do caminho da santidade de João XXIII e João Paulo II".

Foi disponibilizado também um aplicativo gratuito chamado "Santo Subito", disponível nos próximos dias, tanto para Android como IOS  (Italiano, Inglês, Espanhol e Polaco).

A canonização também está nas redes sociais:

Outro projecto que nasceu graças à colaboração com uma turma de alunos da LUMSA , é chamado #2POPESAINTS . Dom Insero disse que após a selecção de inúmeras propostas, fizeram um planeamento de media social para mostrar aos jovens, os ensinamentos e o testemunho de fé desses dois novos santos. A partir de 06 de Abril até a data da canonização, será proposto um tema por dia, que tem a ver com dois papas, para ser comentado nas redes sociais. Além disso, haverá um Hangout no twitter para seguir os briefings do dia, na semana que antecede a canonização.

(Trad.:MEM)

FÁTIMA | Cinema no Museu: "O MEU BAIRRO"

A Liga dos Amigos do Museu de Arte Sacra e Etnologia (LAMASE) e o MASE irão promover no dia 11 de Abril, sexta-feira, pelas 21h30, mais uma edição do “Cinema no Museu”.

Nesta noite será apresentada a versão completa do documentário «O MEU BAIRRO» de autoria das irmãs Inês e Daniela Leitão. Este trabalho debruça-se sobre o bairro do Zambujal, um dos bairros mais problemáticos da zona periférica de Lisboa, onde  padres e irmãs Missionários da Consolata vivem há 10 anos, combatendo diariamente problemas sociais e culturais, sendo acarinhados por todos os membros desta comunidade.

Enviado o documentário ao Papa Francisco, as irmãs foram convidadas por este a se deslocarem a Roma onde puderam entregar pessoalmente “O MEU BAIRRO” ao Santo Padre.

As autoras estarão presentes na sessão, seguindo-se depois um momento de tertúlia sobre a sua experiência no bairro, bem como a viagem até Roma.    

O museu abrirá as suas portas pelas 21h00 para quem deseje visitá-lo. Entrada Livre. 




Vida e esperança

1. Vida sem esperança
Ouve-se muitas vezes dizer, sobretudo a médicos e amigos no caso de doença grave, que enquanto há vida há esperança, pois esta é a última coisa a morrer. Mas também constato que há muita gente a viver sem esperança. São mortos vivos. Por isso não apenas se diz que a esperança é a última  coisa a morrer, mas também a primeira a nascer. Ainda há pouco, numa terra da nossa diocese, aconteceu que, não aparecendo o coveiro no momento de enterrar um defunto, foram encontrá-lo enforcado. No contexto da actual crise económica há muita gente a perder a esperança e alguns não aguentam a pressão, pondo termo à vida. O padre António Moreira, falecido há poucos dias de um cancro no pâncreas, durante os dois anos de doença dizia-me sempre que estava curado e podia retomar o trabalho, ao que eu respondia para se confiar a Deus e aos médicos, deixando as preocupações pelo trabalho ao bispo. Foi um exemplo de esperança para todos.

Como fortalecer a esperança nas situações de doença, de crises afectivas, familiares, sociais e económicas. Esta é a principal missão da Igreja e dos discípulos de Jesus Cristo, enviados a curar os enfermos, consolar os tristes e anunciar a boa nova. Por isso o Papa Francisco repete muitas vezes: não vos deixeis roubar a esperança. E espero que não estejamos sós nesta tarefa de incutir esperança ao nosso povo. Mas espero também que os cristãos não deixem sós os profissionais do acompanhamento psicológico, pois há causas que transcendem o nível psicológico. Sem fé em Deus será difícil manter e animar a esperança em muitas situações graves da vida.

Estes pensamentos surgiram-me ao ler os textos que a liturgia da Igreja propõe para o quinto domingo da Quaresma. No evangelho fala-se da morte e reanimação de um amigo de Jesus, Lázaro. No diálogo de consolação de Jesus com as duas irmãs do morto, Marta e Maria, lemos: «Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá. Acreditas nisto?» Disse-Lhe Marta: «Acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo». O que significa isto neste contexto de alguém perseguido, Jesus, a quem procuram para fazer desaparecer e que perde um amigo, cuja perda o comove e faz chorar, mas que deseja consolar quem também sofre muito com isso, as suas irmãs Marta e Maria?

2. Refazer as fontes da esperança

Perante este e outros casos semelhantes, que amiúde nos afectam e fazem parte da vida e missão da Igreja, clero e fiéis, temos que, em primeiro lugar, fazer o problema e a tristeza dos outros a nossa. Comover-nos e até chorar perante a dor de quem sofre, como Jesus. Sem esta empatia serão fúteis todas as outras palavras e gestos que possamos pronunciar ou ter. Até mesmo as frases piedosas soam a oco e revoltam quem sofre. O ministério da consolação passa pelo silêncio, emoção e lágrimas de solidariedade.

Mas quem tem fé, quem acredita, não pode permanecer numa tristeza sem esperança. A interrogação de Jesus às suas amigas Marta e Maria é o início do reacender da chama da esperança. No fundo de elas mesmas são desafiadas a responder, a reagir entre acreditar no sentido da existência ou no absurdo perante a morte absoluta, biológica e pessoal, sem possibilidade de qualquer relação no futuro. Quem acredita em Deus, mesmo que tenha morrido, vive. E quem vive e acredita em Deus, nunca morrerá. Como será isso possível? Parece um contra-senso, algo contraditório e impossível. Mas a pergunta faz ecoar e vibrar as fibras profundas da fé ou até mesmo despertar a fé e uma nova maneira de ver e reagir perante o sofrimento e a morte. Mais palavras e razões são inúteis nessa situação ou até serão ofensivas de quem sofre.

A terceira atitude de quem quer consolar é acompanhar as pessoas ao local da dor, ao sepulcro. Em silêncio, quando muito num gemido orante, encarar com as pessoas as causas do sofrimento, como fez Jesus, indo com as pessoas até ao túmulo de Lázaro. No evangelho diz-se que houve o milagre da ressurreição de Lázaro. Eu diria que se tratou de uma reanimação, dum voltar ao convívio dos amigos. Mas não sabemos por quanto tempo. Penso que aí aconteceu também a ressurreição das pessoas enlutadas. A reanimação da sua fé em Deus e no sentido da vida.

Esta é a ressurreição que o evangelho quer operar em nós, que por vezes parecemos mortos vivos, corpos que se movem, mas sem fé, sem alma, sem a crença de Marta, que, perante a pergunta de Jesus, afirma: Eu creio, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo.

Sem pretender tirar todas as ilações da liturgia deste quinto domingo da Quaresma, penso que a oração da Igreja nos quer ajudar a reanimar a nossa fé e abrir à confissão da fé aqueles que se preparam para ser admitidos ao baptismo na noite de Páscoa. As comunidades crentes devem ajudar as pessoas que procuram Deus na sua vida e se confrontam com muitas situações de sofrimento e de dor, a abrir-se à pessoa de Jesus, suas palavras, gestos e atitudes, a fim de descobrir aí uma nova possibilidade de relação para além do sofrimento e da morte. A morte do Justo e dos crentes abre-nos um caminho de esperança, que desejamos reanimar e fortalecer na nossa caminhada quaresmal, para que ninguém no-la roube. É esta esperança que nos leva para o campo de missão, para a semear no coração e na vida dos Alentejanos, dispersos e isolados, que clamam pela nossa proximidade. Sem este percurso de proximidade não poderemos cantar o cântico novo do aleluia pascal.

† António Vitalino, Bispo de Beja

Nota semanal em áudio:



terça-feira, 1 de abril de 2014

Homilia do papa: Francisco alerta sobre os cristãos errantes

O Santo Padre nos pede confiar nas promessas de Deus


Cidade do Vaticano, 31 de Março de 2014 (Zenit.org)


Não vagar sem rumo pela vida, nem sequer pela vida do espírito: caminhar rumo à meta de um cristão significa seguir as promessas de Deus, que nunca nos decepcionam. Este foi o ensinamento que o papa Francisco extraiu das leituras da missa de hoje e apresentou em sua homilia na capela da Casa Santa Marta.

Há cristãos que confiam nas promessas de Deus e as seguem ao longo da vida. Há outros cuja vida de fé fica estancada. Outros ainda têm a certeza de estar progredindo, mas, na verdade, só fazem “turismo existencial”. O papa distinguiu três tipos de crentes, que têm como comum denominador o fato de saberem que a vida cristã é um percurso, mas que divergem no modo de segui-lo ou que não o seguem de forma nenhuma.

Inspirando-se na passagem de Isaías, da primeira leitura, Francisco explicou que Deus sempre “promete antes de pedir”. E acrescentou que a promessa de Deus é a de uma vida nova, de uma vida de alegria. Este é “o fundamento principal da virtude da esperança: confiar nas promessas de Deus”, sabendo que Ele jamais “decepciona”, já que a essência da vida cristã é “caminhar rumo às promessas”.

Há também os cristãos que sofrem “a tentação de parar”: “Há tantos cristãos parados! Tantos que têm uma esperança frágil! Eles acreditam, sim, que existe o céu e que tudo vai dar certo. É bom que eles acreditem, mas eles não vão atrás! Cumprem os mandamentos, os preceitos: tudo, tudo… Mas ficam parados. Nosso Senhor não pode transformá-los em fermento no povo, porque eles não caminham. E isto é um problema: os cristãos parados. Depois, há outros que erram de caminho: todos nós, de vez em quanto, erramos de caminho, já sabemos disso. O problema não é errar de caminho; o problema é não voltar atrás quando nos damos conta”.

O modelo de quem crê e segue o que a fé indica é o funcionário do rei descrito no Evangelho, que pede a Jesus a cura de um filho doente e não duvida nem mesmo por um instante em ir para casa quando o Mestre lhe assegura que o pedido já está atendido. Oposto a esse homem, afirmou o Santo Padre, temos o grupo “talvez mais perigoso”, o daqueles que “enganam a si mesmos: os que caminham, mas não seguem o caminho”.

“São os cristãos errantes: eles dão voltas e mais voltas, como se a vida fosse um turismo existencial, sem meta, sem levar as promessas a sério. Aqueles que dão voltas e se enganam, porque dizem: ‘Eu estou caminhando!’. Não, você não está caminhando: você está só dando voltas. Os errantes… Nosso Senhor nos pede para não parar, para não errar de caminho e não ficar dando voltas pela vida. Dar voltas pela vida... Ele nos pede para olhar para as promessas, para irmos em frente como aquele homem: aquele homem acreditou na palavra de Jesus! A fé nos coloca no caminho das promessas. A fé nas promessas de Deus”.

“Nossa condição de pecadores nos faz errar de caminho”, reconheceu o pontífice, que, porém, assegurou que “nosso Senhor sempre nos dá a graça de voltar”.

“A quaresma é um tempo bonito para pensar se eu estou no caminho ou se eu estou quieto demais. Converta-se! Ou se errei de caminho. Mas vá se confessar e retome o caminho. Ou se eu sou um turista teologal, que passeia pela vida, mas nunca dá um passo para frente. E peço ao Senhor a graça de retomar o caminho, de me colocar a caminho, rumo às promessas”.

Biblioteca digital da nova evangelização

Leitor, sua sugestão é muito importante para nossa equipe. Projeto de livros digitais.


Roma, 31 de Março de 2014 (Zenit.org)


Leitor(a), pedimos sua sugestão sobre qual temática, dentre as várias já publicadas em nosso site você acharia mais relevante para se ter em formato de livro em sua biblioteca digital. Você pode votar nesses temas abaixo ou dar a sua sugestão de tema:

Tema 1 - O Papa Francisco - Um ano de Pontificado
Tema 2 - Catequese para Crianças
Tema 3 - Preparação ao Matrimónio
Tema 4 - A Defesa da Vida no Mundo
Tema 5 - Vocação e vida religiosa
Tema 6 - Entrevistas temáticas
Tema 7 - Outro: Qual sua sugestão? 

Sua sugestão é parte de um novo projecto que ZENIT vai apresentar-lhe em breve. Por isso, para enviar sua sugestão e solicitar maiores informações deste novo projecto envie um email para: thacio.siqueira@zenitteam.org, colocando no Assunto da mensagem as palavras: Livros Digitais. 

Vários leitores já enviaram sugestões! Participe você também!

Para que os governantes promovam o respeito pela criação e uma justa distribuição dos bens e dos recursos naturais

Intenções de oração do Santo Padre Francisco para o mês de abril confiadas ao Apostolado da Oração


Roma, 31 de Março de 2014 (Zenit.org)


Apresentamos as intenções de oração do Santo Padre Francisco para o mês de Abril confiadas ao Apostolado da Oração.

Intenção geral ou universal: Ecologia e Justiça

Para que os governantes promovam o respeito pela criação e uma justa distribuição dos bens e dos recursos naturais.

Intenção missionária ou pela evangelização: Esperança para quem sofre

Para que o Senhor Ressuscitado encha de esperança o coração daqueles que experimentam a dor e a doença.

O Apostolado da Oração é uma obra confiada pela Santa Sé à Companhia de Jesus, que tem como missão principal a formação de cristãos atentos e comprometidos com as necessidades da Igreja e do Mundo. Actualmente, mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo unem-se para rezar pelas intenções que o Santo Padre pede à Igreja.

(MEM)

Guarda de Finanças italiana e Gendarmeria Vaticana descobre tentativa de fraude contra o IOR

Apreendidos títulos de crédito falsificados por milhões de euros. Um dos dois denunciados foi encontrado em posse de três passaportes


Roma, 31 de Março de 2014 (Zenit.org)


Descoberta uma mega fraude contra o IOR, o Instituto para as Obras de Religião, graças à colaboração entre a Gendarmeria Vaticana e a Guarda de Finanças italiana. Dois homens, um holandês e um americano, se apresentaram na Porta Santa Ana na tentativa de entrar em território vaticano. A desculpa era que eles estavam sendo esperados no IOR.

Os dois estranhos carregavam uma maleta contendo títulos falsos avaliados em milhões de euros. O serviço de segurança, no entanto, deteve os homens no controle de entrada do Estado da Cidade do Vaticano.

Com base nos acordos em vigor entre os dois Estados, os supostos defraudadores foram entregues à Guarda de Finança italiana que, com uma investigação mais aprofundada, encontrou no hotel onde eles estavam outras falsificações de títulos, documentos e carimbos. Um dos homens foi encontrado em posse de três passaportes. Durante a investigação também foi apreendido um computador cujo conteúdo será analisado.

(Trad.:MEM)

No Evangelho, colherão sempre a luz e a inspiração para enfrentar as vicissitudes quotidianas

Mensagem do Papa Francisco aos bispos da Bolívia reunidos em Assembleia


Roma, 31 de Março de 2014 (Zenit.org)


“No Evangelho, colherão sempre a luz e a inspiração para enfrentar as vicissitudes quotidianas com fé e caridade, para edificar uma sociedade cada vez mais fraterna e justa, mais confiante e solidária”. Augúrio do Papa Francisco aos bispos da Bolívia reunidos até o dia 01 de Abril, em Cochabamba, para a 97ª Assembleia Plenária.

Na mensagem assinada pelo secretário de estado do Vaticano Pietro Parolin, publicado pela Conferência Episcopal boliviana, Bergoglio cordialmente agradece ao presidente dos bispos, Dom Oscar Aparicio Céspedesper. Na saudação extensiva a todos os bispos, o Pontífice também se dirige a todos os fiéis da América do Sul assegurando a sua proximidade e oração.

Angelus: Papa Francisco alerta sobre o perigo da cegueira interior

Antes de rezar o Angelus com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, o Papa comentou o Evangelho do dia 


Cidade do Vaticano, 31 de Março de 2014 (Zenit.org)


Antes de rezar a oração do Angelus com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro neste domingo, 30 de Março, o Papa Francisco falou da passagem evangélica que retrata a cura, realizada por Jesus,  do homem cego. Eis o texto na íntegra:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia

O Evangelho de hoje nos apresenta o episódio do homem cego de nascença, ao qual Jesus doa a visão. A longa história começa com um cego que começa a ver e se fecha (é curioso isto) com as supostas pessoas que vêem que continuam a permanecer cegas na alma. O milagre é narrado por João em apenas dois versículos, porque o evangelista quer atrair a atenção não sobre o milagre, mas sobre o que acontece depois, sobre as discussões que suscita; também sobre os mexericos, tantas vezes uma obra boa, uma obra de caridade suscita mexericos e discussões, porque há alguns que não querem ver a verdade. O evangelista João quer atrair a atenção sobre isso que acontece também nos nossos dias quando se faz uma obra boa. O cego curado primeiro é interrogado pela multidão atónita (viram o milagre e o interrogam) depois pelos doutores da lei; e estes interrogam também seus pais. Ao final, o cego curado  chega à fé, e esta é a maior graça que lhe é feita por Jesus: não somente de ver, mas de conhecê-Lo, vê-Lo como “luz do mundo” (Jo 9, 5).

Enquanto o cego se aproximava gradualmente da luz, os doutores da lei, ao contrário, caíam sempre mais em sua cegueira interior. Fechados em suas presunções, acreditam já ter a luz; e por isso não se abrem à verdade de Jesus. Fizeram de tudo para negar a evidência. Colocaram em dúvida a identidade do homem curado; depois negaram a acção de Deus na cura, adoptando como desculpa que Deus não age de sábado; chegaram até a duvidar que aquele homem tivesse nascido cego. O seu fechamento à luz torna-se agressivo e acaba na expulsão do homem curado do templo.

O caminho do cego, em vez disso, é um percurso de etapas, que parte do conhecimento do nome de Jesus. Não conhece outro além Dele; de fato diz: “Aquele homem que se chama Jesus fez lodo, ungiu-me os olhos” (v. 11). Seguindo as insistentes perguntas dos doutores da lei, considera-O antes de tudo um profeta (v. 17) e depois um homem próximo a Deus (v. 31). Depois que se afastou do templo, excluído da sociedade, Jesus encontra-o de novo e lhe “abre os olhos” pela segunda vez, revelando-lhe a própria identidade: “Eu sou o Messias”, assim lhe diz. Neste momento, aquele que estava cego exclama: “Creio, Senhor!” (v. 38), e se prostra diante de Jesus. Este é um trecho do Evangelho que faz ver o drama da cegueira interior de tanta gente, também a nossa, porque nós, algumas vezes, temos momentos de cegueira interior.

A nossa vida às vezes é similar àquela do cego que se abriu à luz, que se abriu a Deus, que se abriu à sua graça. Às vezes, infelizmente, é um pouco como a dos doutores da lei: do alto do nosso orgulho, julgamos os outros, e até mesmo o Senhor! Hoje somos convidados a nos abrirmos à luz de Cristo para levar frutos à nossa vida, para eliminar os comportamentos que não são cristãos; todos nós somos cristãos, mas todos nós, algumas vezes, temos comportamentos não cristãos, comportamentos que são pecados. Devemos nos arrepender disso, eliminar estes comportamentos para caminhar decididamente no caminho da santidade. Esse tem a sua origem no Baptismo. Também nós, de fato, fomos “iluminados” por Cristo no Baptismo, a fim de que, como nos recorda São Paulo, possamos nos comportar como “filhos da luz” (Ef 5, 8), com humildade, paciência, misericórdia. Estes doutores da lei não tinham nem humildade, nem paciência, nem misericórdia!

Eu sugiro a vocês, hoje, quando voltarem para casa, peguem o Evangelho de João e leiam este trecho do capítulo 9. Fará bem a vocês, porque assim vocês verão este caminho da cegueira à luz e o outro caminho mal rumo a uma mais profunda cegueira. Perguntemo-nos: como está o nosso coração? Tenho um coração aberto ou um coração fechado? Aberto ou fechado para Deus? Aberto ou fechado para o próximo? Sempre temos em nós algum fechamento nascido do pecado, dos erros. Não devemos ter medo! Abramo-nos à luz do Senhor, Ele nos espera sempre para nos fazer ver melhor, para nos dar mais luz, para nos perdoar. Não esqueçamos isto! À Virgem Maria confiemos o caminho quaresmal, para que também nós, como o cego curado, com a graça de Cristo, possamos ‘seguir rumo à luz’, andar mais adiante rumo à luz e renascer para uma vida nova.

(Trad.: Canção Nova)

Informação do Núcleo Distrital de Beja da EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza 37-2014