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terça-feira, 31 de março de 2026

50 anos da Constituição

Bom dia!

Na Semana Maior, para os cristãos, começo por fazer referência a um “documento maior”, para os portugueses: a Constituição da República Portuguesa. Foi aprovada há 50 anos, no dia 2 de abril de 1976, e os princípios desse documento fundante da democracia estão em sintonia com os princípios da Doutrina Social da Igreja: a dignidade da pessoa humana, o bem comum, a subsidiariedade e a solidariedade. Certezas estudadas por iniciativa da Associação dos Juristas Católicos, primeiro num ciclo de conferências, depois no livro a "Pensar a Constituição à Luz da Doutrina Social da Igreja" e agora também no debate no programa Ecclesia, emitido esta segunda-feira, entre Inês Quadros, professora na Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa e Presidente da Associação dos Juristas Católicos, Sílvia Mangerona, professora universitária e investigadora no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, e José Maria Cortes, docente na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Mas os dias do início da Semana Santa ficam marcados pelas celebrações pascais em Jerusalém: no Domingo de Ramos, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, assumiu que as autoridades policiais pediram ao cardeal Pizzaballa que se “abstivesse de celebrar Missa na Igreja do Santo Sepulcro”. A indignação mundial foi generalizada, condenando o ataque à liberdade religiosa. Esta segunda-feira, as autoridades católicas na Terra Santa confirmaram a resolução do impasse com a Polícia de Israel, garantindo o acesso dos líderes religiosos à Basílica do Santo Sepulcro para as celebrações da Semana Santa.

O tema motivou também o encontro, no Vaticano, do secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, com o embaixador de Israel.

“Durante a conversa, foi expresso pesar pelo ocorrido, sobre o qual foram oferecidos esclarecimentos, e tomou-se nota do acordo alcançado entre o Patriarcado Latino de Jerusalém e as autoridades locais quanto à participação nas liturgias do Tríduo Pascal na Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém”, informa o Vaticano.

Entre as notícias desta segunda-feira, destaque para a atenção que continuamos a dar ao início das Semana Santa, no Domingo de Ramos, nas várias dioceses de Portugal.

. No Algarve, D. Manuel Quintas exortou os fiéis à coerência entre a fé e a vida cristã;
. Em Coimbra, D. Virgílio Antunes lembrou a “humanidade martirizada” pelas “guerras”, “injustiças” e “divisões que matam”, ligando-a à contemplação da “paixão de Cristo”, acontecimento inspirador da renovação do mundo desejada;
. Em Évora, D. Francisco Senra Coelho convidou a arquidiocese a participar nas celebrações da Semana Santa, que convida a fixar o olhar na Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus.
. Em Setúbal, o cardeal D. Américo Aguiar apelou à diocese para dar testemunho da Cruz e de Jesus, lembrando que hoje muitos não sabem quem foi Cristo.
. Em Viana do Castelo, D. João Lavrador apelou à construção de uma sociedade assente na justiça e na fraternidade, alertando para o distanciamento entre os ideais cristãos e a prática quotidiana;

Ao longo desta Semana, vamos continuar a informar sobre as celebrações Maiores, a partir das mensagens que são propostas, em cada diocese.

A terminar, refiro a divulgação dos conteúdos para a Semana de Oração pelas Vocações 2026, pela Comissão Episcopal Vocações e Ministérios (CEVM). Vai decorrer entre 19 e 26 de abril, a partir do lema “Eu estou contigo” (Is 41,10).

Votos de uma ótima jornada!

Paulo Rocha

 


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segunda-feira, 30 de março de 2026

Beja: Bispo apela à contemplação da dor humana e do «silêncio de Deus» na entrada da Semana Santa

«Deus assume verdadeiramente a nossa condição» – D. Fernando Paiva

Foto: Diocese de Beja

Beja, 29 mar 2026 (Ecclesia) – O bispo de Beja presidiu hoje à Missa de Domingo de Ramos, na Sé diocesana, desafiando os fiéis a contemplarem o sofrimento físico e espiritual de Cristo a partir do seu interior.

As palavras: ‘Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?’ exprimem a experiência de quem entra no mais íntimo da dor humana — a sensação de ausência de Deus, que tantos homens e mulheres conhecem e experimentam ao longo da vida”, referiu D. Fernando Paiva, na homilia da celebração, divulgada online.

O responsável católico centrou a sua homilia no grito de Jesus na cruz, descrevendo-o como uma expressão de profunda dor perante a experiência passageira do silêncio divino.

O bispo de Beja recordou que esta provação marcou o percurso de grandes figuras da Igreja, salientando a manutenção da confiança e do diálogo entre Jesus e o Pai mesmo nos momentos de trevas.

“Isto revela-nos o realismo profundo da Encarnação: em Jesus, Deus assume verdadeiramente a nossa condição, inclusive essa experiência de desolação que tantas vezes marca o caminho humano”, indicou.

A reflexão destacou a entrega de Jesus face à humilhação pública, à tortura física e ao afastamento por parte dos seus seguidores mais próximos.

“Porque para obedecer, é preciso ser livre — livre de si mesmo, dos próprios interesses e conveniências”, disse.

O responsável da diocese alentejana evocou as contradições da multidão de Jerusalém, recordadas na procissão iniciada na Igreja do Carmo, para ilustrar as fraquezas diárias dos crentes atuais.

“A multidão que então o aclamou, a multidão que uns dias mais tarde exigiu a sua crucifixão é sinal, é imagem do coração humano, do nosso coração, tantas vezes dividido, que acolhe e segue Jesus, mas também tantas vezes o nega”, referiu.

A Igreja Católica inicia, com o Domingo de Ramos, a Semana Santa, momento central do ano litúrgico, que recorda os dias da prisão, julgamento e execução de Jesus, culminando com a Páscoa, celebração da ressurreição de Cristo.

OC




Convite para participação em Oficina Prática do Conhecimento, com a Dra. Rosário Farmhouse sobre o tema da interculturalidade




O impasse em Jerusalém e os apelos do Papa

Bom dia e boa Semana Santa.

Este Domingo de Ramos ficou marcado por um incidente inédito: a polícia israelita impediu o patriarca latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, e o custódio da Terra Santa de acederem à Basílica do Santo Sepulcro para celebrarem em privado a Missa de Ramos.

Nas catedrais portuguesas, as homilias de Domingo de Ramos traçaram um retrato dos desafios contemporâneos, partindo do relato da Paixão para interpelar a sociedade:

  • O grito pela Paz: em Lisboa, D. Rui Valério alertou para o "Calvário" das vítimas da guerra, pedindo o fim da indiferença; em Viseu, D. António Luciano criticou a falta de diálogo entre as nações e apelou à oração pelo desarmamento.
  • Os perigos do digital: em Braga, D. José Manuel Cordeiro condenou a "cultura do cancelamento" e a polarização nas redes sociais; na mesma linha, na Guarda, D. José Miguel Pereira alertou para uma sociedade marcada pela manipulação dos algoritmos e pela superficialidade.
  • Caminho interior e Igreja: em Beja, D. Fernando Paiva convidou à contemplação da dor humana e do «silêncio de Deus»; no Porto, D. Manuel Linda olhou para a dimensão comunitária, anunciando a abertura oficial do Sínodo Diocesano para o dia de Pentecostes.
  • Desafio aos mais novos: nos Açores (ilha Terceira), na celebração do Dia da Juventude, o bispo de Angra desafiou as novas gerações a rejeitarem ativamente a exclusão e qualquer forma de discriminação.

Sugerimos ainda a leitura e visualização de dois conteúdos marcantes sobre a presença das pessoas com deficiência na Igreja e na sociedade:

Na entrevista Renascença/Ecclesia, Carmo Diniz pede um maior protagonismo para as pessoas com deficiência, sublinhando as propostas do novo relatório sinodal.

A reportagem do programa ‘70x7’ trouxe o testemunho de João Paulo Silva: "É muito difícil passar barreiras, há momentos em que as pessoas se esquecem de ajudar".

Hoje, na RTP2, não perca o Programa ECCLESIA, às 15h00. A assinalar os 50 anos da aprovação da Constituição da República Portuguesa (2 de abril de 1976), juntamos à mesa Inês Quadros (presidente da Associação de Juristas Católicos), Sílvia Mangerona (IEP-UCP) e José Maria Cortes (FD-UL) para debater as pontes entre este documento e os princípios da Doutrina Social da Igreja.

Despeço-me com votos de boas notícias, sempre,

Octávio Carmo

 

 


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domingo, 29 de março de 2026

Dia de Ramos

Hoje o dia remete para uma entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Aclamado por muitos, recorda um fenómeno de popularidade que se revelaria efémero. Dias depois, os ramos de acolhimento deram lugar aos impropérios e a dedos acusadores. Este é um sinal de que os bons raramente geram consenso e despertam invejas com grande facilidade. 
Em Santa Maria da Feira, esta recriação sai esta tarde à rua numa encenação do Grupo Gólgota e iniciativa do município. É pelas 15h30 nas ruas da cidade e a Agência ECCLESIA estará presente em reportagem.

“Que a riqueza seja colocada ao serviço da justiça e da paz…” A intenção partiu do Papa e foi proferida ontem num lugar tipicamente associado ao luxo, às fortunas e a figuras que ali residem em virtude da fiscalidade ser um “paraíso”. Numa visita inédita ao Principado do Mónaco, Leão XIV deixou muitos apelos, mas não esqueceu de mencionar as estruturas que criam desigualdades, pedindo a redistribuição da riqueza.
“Cada talento, oportunidade ou bem colocado nas nossas mãos tem um destino universal, uma exigência intrínseca de não ser retido, mas redistribuído, para que a vida de todos seja melhor”, disse, na saudação inicial dirigida ao povo do Principado.
Para o pontífice, Jesus está presente e abala as configurações injustas do poder, as estruturas de pecado que criam abismos entre ricos e pobres, entre privilegiados e marginalizados, entre amigos e inimigos. Afirmou a partir da própria varanda do príncipe.

Dentro de minutos, pelas 07h30 na RTP2, o programa Ecclesia convida a uma Via Sacra especial, encenada pelos utenes e colaboradores do Centro de Apoio e Reabilitação para pessoas com Deficiência da Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde.

Tenha um grande dia

Henrique Matos

 

 


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