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quarta-feira, 1 de abril de 2026

Abril e os sacerdotes em crise

Bom dia!

Inicia-se hoje o mês de abril e com ele chega uma nova intenção de oração do Papa, dedicada aos sacerdotes em crise. No vídeo divulgado na tarde de ontem, Leão XIV sublinha a necessidade de cuidar, escutar e acompanhar os membros do clero.

“Hoje colocamos nas tuas mãos todos os sacerdotes, especialmente os que atravessam momentos de crise, quando a solidão pesa, as dúvidas obscurecem o coração e o cansaço parece mais forte do que a esperança”, referiu. Segundo o pontífice, os padres “não são funcionários nem heróis solitários, mas filhos amados, discípulos humildes e queridos, e pastores sustentados pela oração de seu povo”.

Depois do bloqueio policial ao patriarca latino no acesso à Basílica do Santo Sepulcro, no domingo, o Vaticano convocou o embaixador de Israel para abordar a situação, que considerou um “lamentável acidente”. A Santa Sé informa que, durante a conversa, na segunda-feira, foi expresso pesar pelo ocorrido, sobre o qual foram oferecidos esclarecimentos, e tomou-se nota do acordo alcançado entre o Patriarcado Latino de Jerusalém e as autoridades locais quanto à participação nas liturgias do Tríduo Pascal na Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém.

É já amanhã que se iniciam as celebrações do Tríduo Pascal, ciclo central do calendário católico ligado à morte e ressurreição de Jesus Cristo. Na Sexta-feira Santa, no Coliseu de Roma, o Papa Leão XIV vai levar a Cruz em todas as estações da Via-Sacra. De acordo com a Sala de Imprensa da Santa Sé, as meditações das 14 estações foram escritas, este ano, pelo franciscano Francesco Patton, que foi custódio da Terra Santa entre 2016 e 2025.

Ontem, o núncio apostólico em Portugal presidiu à Missa Crismal da Diocese das Forças Armadas e de Segurança, na igreja da Memória, em Lisboa, e desejou que a celebração “reacenda em todos — pastores e fiéis — o ardor” de serem “todos enviados numa missão”. Em Angra do Heroísmo, na Sé, o bispo diocesano afirmou que é necessário pedir “seriamente pela paz”, dom que “só Deus pode dar aos homens”.

No plano internacional, o arcebispo de Teerão apelou ao fim da guerra no Golfo e da lógica de retaliação, numa vigília de oração pela paz na cidade de Roma, esta segunda-feira. “Nunca mais a guerra, aventura sem retorno; nunca mais a guerra, espiral de lutos e violências”, afirmou o cardeal Dominique Mathieu, numa intervenção citada pelo portal ‘Vatican News’. O responsável católico foi forçado a abandonar a capital iraniana no dia 8 de março, devido à guerra no Médio Oriente.

Hoje convido-o a assistir à emissão do Programa Ecclesia, na RTP2, pelas 15h02, com destaque para o livro “A estrela e o espelho. Compreender hoje os pecados capitais”, da autoria do padre Mário Rui de Oliveira. 

Desejo-lhe uma ótima quarta-feira,

Leonor João

 

 


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terça-feira, 31 de março de 2026

Informação Partilhada do Núcleo Distrital de Beja da EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza 27-2026





50 anos da Constituição

Bom dia!

Na Semana Maior, para os cristãos, começo por fazer referência a um “documento maior”, para os portugueses: a Constituição da República Portuguesa. Foi aprovada há 50 anos, no dia 2 de abril de 1976, e os princípios desse documento fundante da democracia estão em sintonia com os princípios da Doutrina Social da Igreja: a dignidade da pessoa humana, o bem comum, a subsidiariedade e a solidariedade. Certezas estudadas por iniciativa da Associação dos Juristas Católicos, primeiro num ciclo de conferências, depois no livro a "Pensar a Constituição à Luz da Doutrina Social da Igreja" e agora também no debate no programa Ecclesia, emitido esta segunda-feira, entre Inês Quadros, professora na Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa e Presidente da Associação dos Juristas Católicos, Sílvia Mangerona, professora universitária e investigadora no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, e José Maria Cortes, docente na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Mas os dias do início da Semana Santa ficam marcados pelas celebrações pascais em Jerusalém: no Domingo de Ramos, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, assumiu que as autoridades policiais pediram ao cardeal Pizzaballa que se “abstivesse de celebrar Missa na Igreja do Santo Sepulcro”. A indignação mundial foi generalizada, condenando o ataque à liberdade religiosa. Esta segunda-feira, as autoridades católicas na Terra Santa confirmaram a resolução do impasse com a Polícia de Israel, garantindo o acesso dos líderes religiosos à Basílica do Santo Sepulcro para as celebrações da Semana Santa.

O tema motivou também o encontro, no Vaticano, do secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, com o embaixador de Israel.

“Durante a conversa, foi expresso pesar pelo ocorrido, sobre o qual foram oferecidos esclarecimentos, e tomou-se nota do acordo alcançado entre o Patriarcado Latino de Jerusalém e as autoridades locais quanto à participação nas liturgias do Tríduo Pascal na Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém”, informa o Vaticano.

Entre as notícias desta segunda-feira, destaque para a atenção que continuamos a dar ao início das Semana Santa, no Domingo de Ramos, nas várias dioceses de Portugal.

. No Algarve, D. Manuel Quintas exortou os fiéis à coerência entre a fé e a vida cristã;
. Em Coimbra, D. Virgílio Antunes lembrou a “humanidade martirizada” pelas “guerras”, “injustiças” e “divisões que matam”, ligando-a à contemplação da “paixão de Cristo”, acontecimento inspirador da renovação do mundo desejada;
. Em Évora, D. Francisco Senra Coelho convidou a arquidiocese a participar nas celebrações da Semana Santa, que convida a fixar o olhar na Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus.
. Em Setúbal, o cardeal D. Américo Aguiar apelou à diocese para dar testemunho da Cruz e de Jesus, lembrando que hoje muitos não sabem quem foi Cristo.
. Em Viana do Castelo, D. João Lavrador apelou à construção de uma sociedade assente na justiça e na fraternidade, alertando para o distanciamento entre os ideais cristãos e a prática quotidiana;

Ao longo desta Semana, vamos continuar a informar sobre as celebrações Maiores, a partir das mensagens que são propostas, em cada diocese.

A terminar, refiro a divulgação dos conteúdos para a Semana de Oração pelas Vocações 2026, pela Comissão Episcopal Vocações e Ministérios (CEVM). Vai decorrer entre 19 e 26 de abril, a partir do lema “Eu estou contigo” (Is 41,10).

Votos de uma ótima jornada!

Paulo Rocha

 


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segunda-feira, 30 de março de 2026

Beja: Bispo apela à contemplação da dor humana e do «silêncio de Deus» na entrada da Semana Santa

«Deus assume verdadeiramente a nossa condição» – D. Fernando Paiva

Foto: Diocese de Beja

Beja, 29 mar 2026 (Ecclesia) – O bispo de Beja presidiu hoje à Missa de Domingo de Ramos, na Sé diocesana, desafiando os fiéis a contemplarem o sofrimento físico e espiritual de Cristo a partir do seu interior.

As palavras: ‘Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?’ exprimem a experiência de quem entra no mais íntimo da dor humana — a sensação de ausência de Deus, que tantos homens e mulheres conhecem e experimentam ao longo da vida”, referiu D. Fernando Paiva, na homilia da celebração, divulgada online.

O responsável católico centrou a sua homilia no grito de Jesus na cruz, descrevendo-o como uma expressão de profunda dor perante a experiência passageira do silêncio divino.

O bispo de Beja recordou que esta provação marcou o percurso de grandes figuras da Igreja, salientando a manutenção da confiança e do diálogo entre Jesus e o Pai mesmo nos momentos de trevas.

“Isto revela-nos o realismo profundo da Encarnação: em Jesus, Deus assume verdadeiramente a nossa condição, inclusive essa experiência de desolação que tantas vezes marca o caminho humano”, indicou.

A reflexão destacou a entrega de Jesus face à humilhação pública, à tortura física e ao afastamento por parte dos seus seguidores mais próximos.

“Porque para obedecer, é preciso ser livre — livre de si mesmo, dos próprios interesses e conveniências”, disse.

O responsável da diocese alentejana evocou as contradições da multidão de Jerusalém, recordadas na procissão iniciada na Igreja do Carmo, para ilustrar as fraquezas diárias dos crentes atuais.

“A multidão que então o aclamou, a multidão que uns dias mais tarde exigiu a sua crucifixão é sinal, é imagem do coração humano, do nosso coração, tantas vezes dividido, que acolhe e segue Jesus, mas também tantas vezes o nega”, referiu.

A Igreja Católica inicia, com o Domingo de Ramos, a Semana Santa, momento central do ano litúrgico, que recorda os dias da prisão, julgamento e execução de Jesus, culminando com a Páscoa, celebração da ressurreição de Cristo.

OC




Convite para participação em Oficina Prática do Conhecimento, com a Dra. Rosário Farmhouse sobre o tema da interculturalidade




O impasse em Jerusalém e os apelos do Papa

Bom dia e boa Semana Santa.

Este Domingo de Ramos ficou marcado por um incidente inédito: a polícia israelita impediu o patriarca latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, e o custódio da Terra Santa de acederem à Basílica do Santo Sepulcro para celebrarem em privado a Missa de Ramos.

Nas catedrais portuguesas, as homilias de Domingo de Ramos traçaram um retrato dos desafios contemporâneos, partindo do relato da Paixão para interpelar a sociedade:

  • O grito pela Paz: em Lisboa, D. Rui Valério alertou para o "Calvário" das vítimas da guerra, pedindo o fim da indiferença; em Viseu, D. António Luciano criticou a falta de diálogo entre as nações e apelou à oração pelo desarmamento.
  • Os perigos do digital: em Braga, D. José Manuel Cordeiro condenou a "cultura do cancelamento" e a polarização nas redes sociais; na mesma linha, na Guarda, D. José Miguel Pereira alertou para uma sociedade marcada pela manipulação dos algoritmos e pela superficialidade.
  • Caminho interior e Igreja: em Beja, D. Fernando Paiva convidou à contemplação da dor humana e do «silêncio de Deus»; no Porto, D. Manuel Linda olhou para a dimensão comunitária, anunciando a abertura oficial do Sínodo Diocesano para o dia de Pentecostes.
  • Desafio aos mais novos: nos Açores (ilha Terceira), na celebração do Dia da Juventude, o bispo de Angra desafiou as novas gerações a rejeitarem ativamente a exclusão e qualquer forma de discriminação.

Sugerimos ainda a leitura e visualização de dois conteúdos marcantes sobre a presença das pessoas com deficiência na Igreja e na sociedade:

Na entrevista Renascença/Ecclesia, Carmo Diniz pede um maior protagonismo para as pessoas com deficiência, sublinhando as propostas do novo relatório sinodal.

A reportagem do programa ‘70x7’ trouxe o testemunho de João Paulo Silva: "É muito difícil passar barreiras, há momentos em que as pessoas se esquecem de ajudar".

Hoje, na RTP2, não perca o Programa ECCLESIA, às 15h00. A assinalar os 50 anos da aprovação da Constituição da República Portuguesa (2 de abril de 1976), juntamos à mesa Inês Quadros (presidente da Associação de Juristas Católicos), Sílvia Mangerona (IEP-UCP) e José Maria Cortes (FD-UL) para debater as pontes entre este documento e os princípios da Doutrina Social da Igreja.

Despeço-me com votos de boas notícias, sempre,

Octávio Carmo

 

 


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