Bom dia e um bom sábado
para si, que nos acompanha hoje.
No seu primeiro
encontro de Ano Novo com o Corpo Diplomático, esta sexta-feira, Leão XIV
traçou um retrato severo da atualidade internacional. Perante embaixadores de
mais de 180 países, Leão XIV não poupou nas palavras: denunciou o
"orgulho" na origem das guerras, alertou para os perigos das novas
ideologias e exigiu paz para os conflitos que sangram o mundo. Perante
embaixadores de mais de 180 países, o Papa denunciou um
"curto-circuito" nos direitos humanos e uma crise no sistema internacional.
Destacamos seis eixos fundamentais deste discurso programático:
Defesa da Vida: Uma condenação clara do aborto, da eutanásia e da
gestação de substituição, alertando que a criança não pode ser reduzida
a um "produto". Ler mais
Liberdade Religiosa: O alerta para a perseguição a 380 milhões de
cristãos e a crítica à "nova linguagem" no Ocidente que exclui
em nome da inclusão. Ler mais
Guerra e Paz:
A exigência de um cessar-fogo na Ucrânia e a defesa da solução de
"dois Estados" para Israel e Palestina. Ler mais
Venezuela e ONU: O apelo ao respeito pela vontade do povo venezuelano
e as críticas à crise do multilateralismo. Ler mais
Crises Esquecidas: O pedido para não ignorar o sofrimento no Haiti,
Mianmar e África, defendendo a dignidade dos migrantes. Ler mais
Memória e Esperança: A homenagem a Francisco e o balanço do Jubileu de
2025. Ler mais
Catequese: Das «feijoadas» à prevenção da
violência
O Secretariado
Nacional da Educação Cristã reuniu em Fátima os responsáveis diocesanos. O
retrato que sai deste encontro é o de um país multicultural onde a catequese
procura ser um "porto seguro":
No Terreno:
Em Viseu partilham-se feijoadas brasileiras; em Beja superam-se
barreiras linguísticas com comunidades asiáticas. Ler reportagem
A Voz da Igreja: D. António Augusto Azevedo afasta "lentes
ideológicas" e pede o acolhimento de pessoas concretas, muitas
vezes marcadas por traumas. Ler mais
Os Especialistas: Como detetar sinais de violência doméstica numa
criança? E como vencer o racismo interior? As respostas da Irmã Júlia
Bacelar e de Eugénia Quaresma. Ler mais
II Encontro Sinodal Nacional
A Conferência
Episcopal Portuguesa promove este sábado, em Fátima, um momento de debate
para avaliar o último ano de escuta e definir as próximas implicações
pastorais.
Antes de me despedir,
recordo que a Liturgia evoca hoje o Beato Gonçalo de Amarante, conhecido
popularmente por São Gonçalo e mesmo “São Gonçalinho”. Durante 14 anos
peregrinou na Terra Santa e em Roma, antes de regressar a Portugal, onde se
dedicou à vida eremítica. Mais tarde, entrou na Ordem dos Pregadores
(Dominicanos) e exerceu o ministério da pregação. Morreu por volta do ano
1260.
Responsáveis locais de Viseu e Beja partilharam, em Fátima, como a integração de migrantes está a transformar as paróquias, derrubando barreiras linguísticas e culturais
Foto: Agência ECCLESIA/LJ
Fátima, 09 jan 2026 (Ecclesia) – O acolhimento de famílias migrantes está a mudar o rosto das paróquias em Portugal, passando da coexistência para a partilha cultural, como relataram hoje catequistas de Viseu e Beja, num encontro nacional de responsáveis diocesanos de Catequese.
“A sociedade, mesmo na escola, já está habituada a eles. Portanto, na catequese também os acolhem com toda a facilidade. Estão sempre a chegar, é verdade”, afirmou Laura Maurício, do Secretariado da Educação Cristã de Viseu.
A catequista na paróquia do Coração de Jesus destacou à Agência ECCLESIA a facilidade com que as crianças se integram, dando o exemplo de uma iniciativa recente que uniu a comunidade local e a brasileira.
“Fizemos uma ceia de Natal e resolvemos integrá-los também. A forma que arranjámos foi eles fazerem o prato típico do Brasil. Eles fizeram a sua feijoada brasileira, que estava muito boa, e nós fizemos o nosso prato típico, o bacalhau”, relatou Laura Maurício, sublinhando que esta comunidade é atualmente a mais expressiva e ativa, com membros a preparar-se inclusivamente para o diaconado permanente.
Foto: Agência ECCLESIA/LJ
Maria Clara Rodrigues, coordenadora do Departamento de Catequese da Infância e da Adolescência na Diocese de Beja, traçou por sua vez a evolução de uma diocese que passou do acolhimento de famílias militares e dos PALOP para uma nova vaga de migração asiática.
“Neste momento, os maiores desafios prendem-se com estas novas migrações, principalmente ligadas à Índia e ao Paquistão, que são grupos essencialmente masculinos”, explicou a catequista, apontando a barreira da língua e a diferença religiosa como obstáculos a superar.
Embora a comunidade brasileira e os timorenses (pela matriz católica) se integrem facilmente, Maria Clara Rodrigues nota que ainda há “um trabalho de acolhimento” a fazer junto da população local mais idosa para vencer “algumas inseguranças”.
“Talvez um dos maiores desafios seja esse, também de preparar os outros para acolher quem vem de fora”, admitiu a responsável de Beja, defendendo uma catequese em que todos se enriquecem “uns aos outros”.
O Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC) promoveu um encontro de responsáveis diocesanos de catequese, no Centro Catequético de Fátima, para refletirem sobre “migrações” e “prevenção da violência” em contexto eclesial, reunindo cerca de 45 participantes.
Responsável da Comissão Sinodal assume que território está empenhado, em mudanças operacionalizadas a partir dos conselhos pastorais, e «entusiasmados» com a dinâmica do bispo diocesano
Foto: Ricardo Perna
Beja, 09 jan 2026 (Ecclesia) – Clara Palma, da Comissão sinodal da Diocese de Beja, indicou a necessidade de passar do verbo “escutar” para outros – “agir, atuar, andar” – e convidou à implementação da sinodalidade nas periferias internas da Igreja.
“Nós temos periferias dentro da Igreja. Pessoas de missa dominical, pessoas que participam de corpo presente nos sacramentos, mas que não se envolvem. É preciso contagiar as pessoas para que deixem de ser consumidores de serviços, dos produtos que a Igreja tem à disposição e possam ser participantes. A Igreja é mais do que uma hierarquia; são todos os batizados”, reconhece à Agência ECCLESIA.
“Há que passar deste escutar para outros verbos – agir, atuar”, sublinhou.
Clara Palma integrou a comissão diocesana desde o início, em 2021, quando o processo sinodal foi lançado pelo Papa Francisco, e assumiu a liderança da equipa em 2024, por nomeação do bispo de Beja, D. Fernando Paiva.
A responsável adianta que toda a diocese reconhece um “grande empenho” episcopal no território e acrescenta que a “a introdução do Plano pastoral diocesano”, que foi trabalhado por toda a diocese, sublinha essa intenção: “Implementar o caminho sinodal é, pois, um processo de conversão pastoral e espiritual que atinge todas as dimensões da vida eclesial”.
“Esta frase é mesmo importante e é isto que nós temos que procurar levar a todas as pessoas e eu acho que a palavra-chave é contágio. Temos que contagiar as pessoas”, resume.
Indicando o documento final do processo sinodal, publicado em outubro de 2024, como “fantástico” e “de leitura obrigatória”, Clara Palma explica que a comissão diocesana tem procurado a sua divulgação e apostado na disponibilidade para ir ao encontro de todos no vasto território.
“Temos escassez de clero mas temos muitos leigos. Se houver uma estrutura, uma equipe de pessoas que coloquem os seus dons ao serviço, os padres serão os dinamizadores das comunidades mas não têm de fazer tudo e poderão ficar disponíveis para o que lhes é próprio”, indica.
A responsável adianta que as pessoas têm reconhecido “falta de espiritualidade, de crescimento na fé”, pedem maior “aprofundamento e formação”, “envolvimento das famílias e dos jovens”, “maior acolhimento nas comunidades e atenção ao próximo”.
Esta semana teve início a Escola de Cultura Teológica, “uma novidade que quer responder às solicitações das pessoas para aprofundar mais a fé”.
Clara Palma adianta que as mudanças estão a acontecer também através da “revitalização” dos conselhos pastorais, cuja existência não é nova mas com “nova dinâmica” se podem tornar espaços de escuta, partilha e mudança.
A Comissão sinodal de Beja vai participar no II Encontro nacional Sinodal, dando continuidade à sua presença em janeiro de 2025, e a responsável dá conta de uma “oportunidade maravilhosa de partilha e encontro”.
“Há muitos temas que são transversais e é bom sentir que estamos todos a caminhar na sinodalidade como Igreja em Portugal. O intercâmbio é maravilhoso”, traduz.
O processo sinodal e o II Encontro Nacional Sinodal, a partir do trabalho que a diocese de Beja está a realizar, são temas a conduzir o programa ECCLESIA, emitido sábado na Antena 1, pelas 06h00.
“Para o Natal, o meu
presente, eu quero que seja, a minha Agenda, a minha Agenda...” – Começo com
um clássico, ainda neste tempo litúrgico do Natal, antes de ir ao
Consistório. Quem nos lê nesta manhã, e tem mais alguma idade, certamente
ainda se lembra da música do projeto ‘A Minha Agenda’. Talvez tenha tido uma,
ou até ofereceu.
“Não estamos aqui
para promover agendas, pessoais ou de grupo, mas para confiar os nossos
projetos e inspirações ao juízo de um discernimento que nos ultrapassa” -
Leão XIV
Os cardeais
escolheram a sinodalidade e evangelização, de quatro temas, como prioridades
para o primeiro Consistório de Leão XIV. O Papa presidiu à Missa deste Consistório extraordinário, no
Altar da Cátedra, na Basílica de São Pedro, e assinalou que o Colégio
Cardinalício, rico em competências, “não é chamado a ser, em primeiro lugar,
uma equipa de especialistas, mas uma comunidade de fé”.
Participaram cerca de
170 cardeais, dos quais quatro portugueses: D. Manuel Clemente, patriarca
emérito de Lisboa; D. António Marto, bispo emérito de Leiria-Fátima; D. José
Tolentino Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação; e D.
Américo Aguiar, bispo de Setúbal.
Ao concluir a
terceira e última sessão de trabalhos deste primeiro consistório
extraordinário do seu pontificado, esta quinta-feira, o Papa anunciou a intenção de reunir o Colégio Cardinalício com
uma periodicidade anual.
O próximo consistório
terá também a duração de dois dias já no próximo mês de junho, junto à
solenidade dos Santos Pedro e Paulo (29 de junho).
A Família Franciscana
continua a viver em jubileu, este ano pelos 800 anos da morte de São
Francisco de Assis. O ‘Poverello’ nasceu na cidade italiana de Assis em 1881,
e morreu em 1226.
“Eu acho que uma das
grandes interpelações ao mundo de hoje é todas as problemáticas relacionadas
com a paz. Nós vivemos num mundo cada vez mais polarizado, em que parece que
as diferenças se acentuam cada vez mais. Francisco é um homem de
reconciliação, é um homem de paz, é um homem de perdão”, destacou frei Hermínio Araújo, da Ordem dos Frades
Menores (OFM), no Programa ECCLESIA (RTP2).
Os restos mortais de
São Francisco de Assis vão poder ser venerados na sua basílica em Assis,
entre 22 de fevereiro e 22 de março.
Da agenda
(calendário) desta sexta-feira destaco dois encontros em Fátima, onde vai
estar a reportagem da Agência ECCLESIA. Por isso, depois, vai poder ler mais
sobre a reunião de responsáveis diocesanos de catequese, que vão aprofundar
‘o papel do catequista na prevenção da violência’, e os ‘desafios das
migrações’.
Já a Comissão
Nacional da Pastoral da Saúde vai reunir com as comissões diocesanas deste setor, e o
diretor nacional da Pastoral da Saúde é o convidado do Programa ECCLESIA, na
RTP2. A entrevista ao padre José Pinheiro passa pelas 14h59.
Recomendo ainda a entrevista ao frei Mário Rui Marçal, frade dominicano,
que passou no Programa ECCLESIA na rádio Antena 1 da emissora pública, e
disponível no podcast «Alarga
a tua tenda».