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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Assim se prepara uma jovem indiana de casta alta para ser baptizada esta Páscoa: «A minha vida mudou»

As Bem-aventuranças, guia de vida para Pavithra 

Mulheres católicas rezam numa missa da Páscoa na Índia,
onde vivem uns 20 milhões de católicos
Actualizado 31 de Março de 2014

AsiaNews / ReL

Pavithra Subramaniyan, uma jovem de 25 anos da Índia, baptizar-se-á esta Páscoa. Nasceu e cresceu numa família brahman, da casta alta: ela é contabilista, o seu pai é banqueiro e a sua mãe professora universitária de economia.

Pavithra conta a AsiaNews como foi a sua viagem até à fé cristã: num primeiro momento, intrigada numa busca filosófica favorecida pelo facto de que a sua mãe é próxima ao catolicismo; num segundo momento, atraída pela fé do seu namorado e a família dele.

Uma atracção desde a infância

Desde a minha infância sempre senti uma grande atracção pelo cristianismo e Deus chamou-me a Ele. Agora, junto ao meu noivo, posso satisfazer os desejos do meu coração. Jamais teria imaginado como os eventos me mudariam, a mim e há minha vida, desde que disse aos meus pais que queria abraçar a fé católica. Não tiveram objecções, e ambos estarão presentes no meu baptismo, o dia da vigília da Páscoa, para participar da minha alegria.

Numa época atravessei uma fase de busca espiritual e li sobre várias tradições religiosas, incluindo a cristã. Entendi que Deus era uma espécie de figura paterna, mas não sabia que Jesus Cristo fosse Seu Filho, milagrosamente concebido e nascido de uma virgem. Sim sabia que Jesus tinha ressuscitado da morte, depois de ter sido crucificado.

Sem baptizar, à Novena da Virgem
A minha mãe foi educada numa escola católica, crê em Jesus Cristo, e sabe tudo da sua vida e seus ensinamentos.

Levava-me com ela à igreja e à novena de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em Mahin: é dela que aprendi este costume de ir à igreja. Quando entrava nesse lugar sempre sentia paz.

Quase todos os anos celebrava o Natal (eu recebia presentes e roupas novas) organizávamos um grande almoço em casa para a Páscoa.

A mãe do namorado

Depois conheci um rapaz cristão: converteu-se no meu melhor amigo, e agora é meu noivo. A apoiou-me e abraça-me até agora e em cada momento da minha vida, seja triste ou alegre.

A sua mãe explicou-me a importância de Cristo nas nossas vidas. Sem Ele – dizia-me - "não somos nada. Cada coisa que temos chegou através d’Ele, e a razão pela qual estamos vivos é por Ele". A fé dela é realmente forte e levou-me a segui-la.

Decidi seguir Cristo. Em pouco tempo dirigi-me ao centro pastoral diocesano e conheci o padre Terrence. Ele deu-me tempo para reflectir sobre a minha escolha e explicou-me as consequências. De algum modo pensava que isto me teria feito bem, que algo dentro de mim me tinha empurrado a tomar esta decisão, ainda que tivesse encontrado problemas, justo como sucedeu a Moisés ou a Jonas.

Boas catequistas
As obras de Deus são maravilhosas. Ele mandou-me um grupo de anjos (as minhas catequistas Zita, Fátima, Patricia e Rose) que me ensinaram e acompanharam.

Estas pessoas cuidaram em mim a semente da fé que estava em mim e que levarei o resto da minha vida, e depois mais além da morte. O modo no qual me falam do Senhor dá-me vontade de saber sempre mais.

Recordo que chovia muito esse primeiro dia de formação, quando entrei no edifício e encontrei outras pessoas como eu que queriam abraçar a fé católica. Com toda a honestidade, isto sempre me fez sentir segura. Debatemos, fizemos muitas perguntas e recebemos muitas respostas, rezamos juntos. Agora está terminando este curso e sinto-me triste: queria que não terminasse nunca. Gosto de aprender coisas sobre o Senhor da parte das minhas ensinantes e da parte dos meus companheiros. Não posso imaginar que não o farei mais! Converteu-se em parte da minha vida.
Pavithra Subramaniyan baptiza-se
na Páscoa de 2014
Desde o princípio descobri que Jesus é "Deus", antes que "Filho de Deus", é um messias vindo para salvar o mundo, morreu para libertar-nos dos nossos pecados. Um sacrifício imenso por pessoas que vivem no pecado como nós.

O papel de uns padrinhos

Agradeço a Deus também por ter-me feito encontrar a minha madrinha e o meu padrinho, Auxelia e Tony Gonsalves, duas pessoas amorosas que estiveram ao meu lado neste novo percurso da minha vida. Fizeram-me conhecer a paróquia, sentaram-se e rezaram comigo, responderam às minhas dúvidas. Mas, sobretudo, ajudaram-me a construir uma união com Cristo, um amigo que está sempre disposto a escutar e a entender.

Bíblia, missa, Bem-aventuranças
Durante este caminho de conhecimento de Jesus, empreendido para poder-me baptizar na minha paróquia e converter-me, a minha vida mudou. Comecei a ler a Bíblia, a ir à missa de modo regular, a aprender as orações e ler livros sobre a fé.

Mas mais importantes são os efeitos: as Bem-aventuranças começaram a formar parte da minha vida. Comecei a ver Cristo nos outros, e isto mudou muito a minha vida, o meu modo de olhar a vida.

Agora sou consciente que os meus comportamentos têm um efeito e que não devo esquecer que estou abraçando Jesus e os seus ensinamentos. Devo converter-me num exemplo para os outros no modo em que me comporto.

Superei os meus exames, encontrei trabalho 15 dias depois de doutorar-me e encontrei confiança em mim mesma.

Quando fui admitida ao catecumenado senti-me uma privilegiada, porque o pároco, a minha família, os meus pais e os outros fiéis formavam parte do meu caminho. Fizeram-se especiais orações de intercessão por mim e fui recebida na comunidade com grande calor. Recebi também a bênção do bispo. Jamais esquecerei a missa celebrada nesse dia.

Estou-me aproximando do dia no qual me converterei em católica, receberei o Espirito Santo, que me guiará e protegerá para sempre.

Não vejo a hora de receber o corpo e o sangue de Jesus: o dia no qual Jesus viverá em mim, como disse São Paulo, e através desta força, difundir a Boa notícia ao mundo!


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quinta-feira, 3 de abril de 2014

O criador da técnica in vitro, ateu de esquerdas, contra a nova eugenesia e úteros alugados

Jacques Testart disse que «só os católicos me entendem»

Jacques Testart, pioneiro da fecundação in vitro em França,
previne a eugenesia que vem nos países democráticos
Actualizado 31 de Março de 2014

Daniele Zappalà / Avvenire


Biólogo especializado em reprodução humana e animal, anteriormente director do conhecido laboratório transalpino Inserm e também ex-presidente da Comissão francesa para o desenvolvimento sustentado, «ateu e de esquerdas», Jacques Testart saltou para a fama em 1982 como pai científico do primeiro «bebé proveta» da França.

Desde então, ainda que não tenha renegado esse acto técnico que, ao mesmo tempo, não considera «uma grande proeza científica», Testart dedicou muitos livros a denunciar as crescentes derivas da tecnociência no campo da saúde e da reprodução humana.

A maternidade alugada [ventres de aluguer, mulheres que geram filhos de outros, por encargo, nd ReL] é, segundo ele, uma simples prática social equivalente nem mais nem menos que à «escravidão» e as suas críticas da tecnociência no sentido estrela acabam de ser concretizadas e resumidas em Faire des enfants demain («Fazer crianças amanhã», Seuil), um ensaio de grande clareza concebido para despertar do sono dogmático cientificista uma França todavia profundamente influenciada pela ideologia positivista. 

- Você denuncia a difusão de uma «eugenesia democrática». Que quer dizer com isto?
- A respeito da eugenesia histórica, dolorosa e autoritária, hoje em dia difunde-se uma eugenesia consensual, no sentido que são as próprias pessoas as que podem ter uma criança normal, eliminando supostos embriões anormais.

Na Europa, o fenómeno começou com a fecundação in vitro e a escolha do doador de gametas masculinos por parte do médico. Isto apresentava-se como um acto de generosidade, dado que a escolha era conceber crianças sãs e parecidas com o pai. Mas tratava-se já da escolha de um pai sem que os progenitores pudessem intervir e sem que a criança pudesse conhecer um dia ao pai biológico.

No período imediatamente depois da guerra vieram formas de eugenesia também no Extremo Oriente, no Japão e em Singapura: por exemplo, com a oferta de uma casa ou de um carro no caso de matrimónio entre licenciados, segundo a ideia estúpida de que a universidade demonstra a inteligência e que concertar matrimónios entre licenciados beneficia o crescimento do país.

Hoje, o fenómeno estende-se por toda a parte com os bancos de gametas e a selecção de embriões».

- Segundo você corre-se o risco de «modelar outra humanidade». Não é uma previsão demasiado pessimista?
- Por agora, a fecundação in vitro é um processo doloroso para as mulheres. Mas se num futuro estas técnicas simplificaram-se e generalizaram-se, algo que me parece provável, todas os pares pediram o mesmo, quer dizer, uma espécie de criança perfeita segundo os cânones da época que tenderam a impor-se a escala internacional.

Se irá, assim, até uma espécie de clonagem social, sem passar pela clonagem no sentido técnico. Eliminaram-se alguns caracteres da humanidade de hoje, com a ideia de que os novos caracteres são superiores e vantajosos.

- Parece que junto a enormes dilemas éticos, esta normalização dos genomas apresenta já zonas de sombra puramente científicas.
- A maioria dos genes que causam patologias graves protegem também de outras patologias. Em geral, não há um gene totalmente bom ou totalmente mau. Há genes que têm distintas acções que são todavia desconhecidas em grande parte. Não conhecemos a interacção entre genes.

Portanto, convertemo-nos em aprendizes de bruxo quando fazemos crer que sabemos tudo. A maioria dos genes influem em centenas de caracteres, patológicos ou não, de um modo que não sabemos. Além disso, influi-lhes o ambiente com os factores epigenéticos. Não sabemos em absoluto até onde vamos.

Menciono Darwin para recordar que, segundo as leis da evolução, sabemos que nos períodos de crise e de catástrofes uma espécie sobrevive só graças a diferentes genomas. Deste modo, numa população haverá indivíduos que são capazes de resistir. O exemplo mais conhecido é o da peste da Idade Média. Nas aldeias, 30% dos indivíduos conseguiu sobreviver, certamente por razões genéticas que ainda desconhecemos.

Com a mudança climática, poderiam propagar-se muito rápido novas enfermidades que nos achariam não preparados e indefensos. E neste contexto fabricar indivíduos geneticamente similares entre eles é correr o risco de assinar a sentença de morte da espécie no arco de dois ou três séculos.

- Você critica certas tendências da medicina. No campo da procriação, está-se superando o limite da legitimidade?
- De maneira muito clara. Quando, por exemplo, os ginecólogos franceses podem congelar os óvulos das mulheres que não tem nenhum problema, só porque por causa da sua carreira ou outro motivo não querem ter filhos quando são jovens, é evidente que não se trata de um problema médico. É uma questão social. Pode-se, por exemplo, impor ao chefe da empresa que não impeça a ascensão profissional das mulheres com crianças.

Não é competência dos médicos resolver a situação com artifícios deste tipo.

Paralelamente, é também verdade que hoje em França 25% dos pares que solicitam uma fecundação in vitro não a necessitam verdadeiramente. Seria suficiente que esperassem um pouco.

- Estes abusos estão baseados às vezes numa visão discutível ou distorcida da igualdade?
- Certamente. Por exemplo, no caso das mulheres que pedem que se congelem os seus próprios óvulos. Invoca-se uma presumível desigualdade em relação aos homens, que teoricamente são férteis toda a vida. Os ginecólogos pretendem compensar esta desigualdade com a técnica.

- As velhas tentações titânicas humanas associam-se, hoje, a lógicas mercantilistas a grande escala?
- Exactamente. Há uma convergência e muito poucos políticos se dão conta disso. Entre estes, os únicos que entendem o que digo e oferecem um pouco de resistência são os católicos. Pessoalmente, isto aflige-me. Sou um homem de esquerdas e exponho-me às troças dos meus amigos quando digo isto. Nem sequer quer falar disso.

- Entre os pensadores que você cita também há muitos cristãos, como Ivan Illich ou Jacques Ellul…
- A este propósito, digo a mim mesmo que não se pode fugir da própria cultura. Não recebi nenhum tipo de educação religiosa, mas pertenço à cultura judaico-cristã, sem ser directamente judeu-cristão.

Além disso, constato que as grandes religiões não conceberam por casualidade certas propostas comuns pelo bem da humanidade. Este é o modo para conseguir viver em sociedade, se bem historicamente talvez houve nisso algo de oportunismo.

(Tradução de Helena Faccia Serrano, Alcalá de Henares)


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A surpreendente foto falsa de «os três papas» em «The Times» e as suas virais consequências

Wojtyla + Ratzinger + Bergoglio 

Um fake como uma casa que não seria notícia...
Se não tivesse apoiado num erro maiúsculo.
Actualizado 30 de Março de 2014

C.L. / ReL

Seria, desde logo, uma imagem a conservar: João Paulo II, Bento XVI e Francisco juntos numa mesma foto. A câmara que tivesse captado a instantânea teria retractado, sem sabê-lo, quase quarenta anos de história da Igreja com um só flash.

Talvez esse negativo (ou esse arquivo digital) exista, mas desde logo não é o que exibe, desde 15 de Março de 2013, dois dias depois da eleição como Papa do arcebispo de Buenos Aires, um diário tão prestigioso como The Times, que não o modificou desde então.

Aqui vai a captura de ecrã, cuja legenda de foto reza: "Rara foto de João Paulo II com dois homens que o sucederiam como Papa, o cardeal Ratzinger, que se converteria em Bento XVI, e o cardeal Bergoglio".





A foto circulou abundantemente há um ano como autêntica, apesar de que blogues norte-americanos ou polacos, entre outros, denunciaram a falsidade nesse mesmo dia. Não só pelo escasso parecido entre a terceira pessoa e o novo Papa, mas sim pelo seu escasso respeito pela cronologia, com um João Paulo II em todo o seu esplendor físico que situava a instantânea num momento incompatível com a biografia do cardeal Bergoglio.

Com efeito, a foto pode encontrar-se nos arquivos da Associated Press: o seu autor foi Massimo Sambucetti e está tomada em 20 de Dezembro de 1985 durante a felicitação de Natal de João Paulo II aos cardeais na Sala Clementina do Vaticano.

Nessa época, Jorge Mario Bergoglio tinha 49 anos e não era nem bispo (foi consagrado como auxiliar de Buenos Aires em 1992) nem cardeal (foi designado para a púrpura em 2001).

Mas como não há realidade que se resista ao uso do Photoshop nem brincalhões dispostos a tudo, recentemente alguém começou a mover essa mesma foto, mas incorporando um rosto autêntico do novo Papa. É a que encabeça este artigo, e que se fez viral no aniversário do pontífice (comenta Risposte Catholique) quase com tanta rapidez como a falsa notícia do avião estrelado no mar das Canárias.

E quem é a pessoa que aparece na foto junto a João Paulo II e o cardeal Ratzinger?


Trata-se do cardeal Luigi Dadaglio (1914-1990), quem foi núncio em Espanha entre 1967 e 1980 e tinha sido criado cardeal em Maio de 1985.



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Informação do Núcleo Distrital de Beja da EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza 38-2014




João Paulo II: o atleta de Deus que também nos ensinou a morrer

Em livro, o doutor Renato Buzzonetti narra as últimas horas de vida do pontífice que faleceu há exactos 9 anos, em 2 de Abril de 2005


Roma, 02 de Abril de 2014 (Zenit.org) Wlodzimierz Redzioch


Desde que apareceu na janela da Praça de São Pedro com seu sorridente rosto redondo, cheio de energia, o papa que caminhava com passo dinâmico pelas longas escadarias da praça foi chamado de "atleta de Deus". Parecia que aquele homem poderoso e incansável não iria nunca precisar dos médicos, mas tudo mudou num belo dia de primavera de 1981: as balas disparadas pela mão assassina não o mataram, mas minaram seriamente a sua saúde de ferro. Desde então, João Paulo II se tornou também um homem do sofrimento: a doença e a dor se tornaram parte da sua vida e fizeram da Policlínica Gemelli um lugar muito familiar (o papa, aliás, a chamava de "Vaticano III"). Dessa experiência nasceu a carta apostólica "Salvifici doloris", sobre o sentido cristão do sofrimento, além do desejo de ter na cúria um dicastério voltado aos doentes e aos profissionais da saúde: com o motu proprio "Dolentium hominum", João Paulo II estabeleceu o Conselho da Pastoral dos Agentes de Saúde. E foi ele, ainda, que criou a Jornada Mundial dos Enfermos, no dia 11 de Fevereiro, festa de Nossa Senhora de Lourdes.

Pouco a pouco, o Parkinson e os problemas com ossos e articulações o foram imobilizando e aprisionando em seu corpo, mas o papa continuava a sua missão sem esconder as suas dores: não para se exibir, mas para reivindicar o valor e o papel de cada pessoa na sociedade, mesmo se doente ou deficiente. As últimas semanas da vida terrena de João Paulo II foram os seus dias de calvário: o papa que tinha nos ensinado a viver nos ensinava também como enfrentar a morte.
Ao lado de João Paulo II até o instante final esteve sempre o médico pessoal, doutor Renato Buzzonetti. No livro-entrevista “Accanto a Giovanni Paolo II” [Ao lado de João Paulo II, publicado na Itália pela Editora ARES], ele conta os trechos seguintes:

* * *

Foram dias que marcaram profundamente a minha vida, dominados por um gravíssimo compromisso profissional, pela participação dolorosa no drama humano e religioso que estava acontecendo diante dos meus olhos, por uma tensão extrema diante da grande responsabilidade que pesava sobre os meus ombros e, finalmente, por uma oração ininterrupta, em comunhão com o papa que sofria na sua cruz mística.

Na quinta-feira, 31 de Março de 2005, por volta das 11 horas da manhã, enquanto celebrava a missa na capela privada, o Santo Padre sentiu um tremor intenso, seguido por uma séria elevação da temperatura e por um gravíssimo choque séptico. Graças à habilidade dos reanimadores, a situação crítica foi controlada e dominada mais uma vez.

Perto das 17 horas, foi rezada a santa missa ao pé da cama do papa, que aos poucos emergia do choque. Quem celebrou foi o cardeal Jaworski, com mons. Stanislaw, mons. Mietek e dom Rylko. O Santo Padre estava com os olhos semiabertos. O cardeal de Lviv lhe deu a unção dos enfermos. Na consagração, o papa levantou fracamente o braço direito, duas vezes, em direcção ao pão e ao vinho. Tentou bater no peito com a mão direita no momento do Agnus Dei. Depois da missa, a convite de mons. Stanislaw, os presentes beijaram a mão do Santo Padre. Ele chamou as freiras pelo nome e acrescentou: “Pela última vez”. Seu médico, antes de lhe beijar a mão, disse em voz alta: “Santo Padre, nós o amamos e estamos aqui juntos com todo o coração”. Depois, sendo quinta-feira, o Santo Padre quis comemorar a hora de adoração eucarística: leitura, recitação dos salmos, cantos entoados pela irmã Tobiana.

Na sexta-feira, 1º de Abril de 2005, depois da missa concelebrada por ele, o Santo Padre pediu, às 8 horas, para fazer a via-crúcis, fazendo o sinal da cruz em cada uma das 14 estações. Participou da recitação da terceira hora do ofício divino e, às 8h30, pediu para ouvir a leitura de passagens da Sagrada Escritura, lidas pelo padre Tadeusz Styczen. Os cuidados médicos continuaram sem pausas.

No sábado, 2 de Abril de 2005, foi celebrada a santa missa ao pé da cama do Santo Padre. Ele participou com atenção. No final, com palavras arrastadas e quase ininteligíveis, João Paulo II pediu a leitura do evangelho de São João, que o pe. Styczen fez devotadamente, lendo nove capítulos. Homem contemplativo, com a ajuda dos presentes, o papa recitou as orações do dia até o ofício das leituras do domingo iminente.

Por volta das 15h30, o Santo Padre sussurrou para a Irmã Tobiana: "Deixem-me ir para o Senhor...", em polaco. Mons. Stanislaw me referiu essas palavras apenas alguns minutos mais tarde.

Aquele era o seu "consummatum est" (Jo 19, 30).

Não era uma rendição passiva à doença, nem uma fuga do sofrimento, mas a mostra da consciência profunda de uma via-crúcis bravamente aceita até a espoliação de toda coisa terrena e da própria vida, e que agora se aproximava do objectivo final: o encontro com o Senhor. Ele não queria atrasar esse encontro, esperado desde os anos da juventude. Foi para isso que ele tinha vivido. Aquelas palavras eram de expectativa e de esperança, de renovada e definitiva entrega nas mãos do Pai.

Naquelas mesmas horas, eu e meus colegas médicos constatamos que a doença se voltava inexoravelmente para o fim do seu curso. A nossa batalha tinha sido travada com paciência, humildade e prudência; e fora extremamente difícil, porque, intimamente, nós sabíamos que ela terminaria em derrota. A racionalidade técnica, a consciência e a sabedoria dos médicos, o carinho iluminado dos familiares foram guiados constantemente pelo respeito misericordioso e total do homem que sofria. Não houve tratamento agressivo.

Depois das 16 horas, o Santo Padre foi adormecendo e perdendo gradualmente a consciência. Por volta das 19 horas, ele entrou em coma profundo e em agonia. O monitor registava o esgotamento progressivo dos parâmetros vitais.

Às 20 horas, começou a missa celebrada aos pés da cama do pontífice que falecia. Foi celebrada por mons. Dziwisz com o cardeal Jaworski, mons. Mietek e dom Rylko. Cantos polacos se entrelaçavam com os cantares que subiam da Praça de São Pedro, lotada. Uma pequena vela brilhava sobre o criado-mudo, ao lado da cama.

Às 21h37, o Santo Padre morreu.

Depois de poucos minutos de atónita dor, foi entoado o Te Deum em língua polaca e, da praça, de repente, viu-se iluminada a janela do quarto do papa.

* * *

Nesta sexta-feira, 4 de Abril de 2014, a Universidade Europeia de Roma organizará, às 19 horas, o encontro “João XXIII, João Paulo II: dois papas, dois santos”, com testemunhos inéditos sobre a santidade dos dois pontífices prestes a ser canonizados. A entrada será livre.

Quando João XXIII escapava do Vaticano

O ajudante de câmara do papa Roncalli, Guido Gusso, conta algumas peripécias do Papa Buono


Cidade do Vaticano, 02 de Abril de 2014 (Zenit.org) Rocio Lancho García


O desejo de "dar algumas escapadas" do Vaticano parece que fez parte da vida de mais do que um papa! É o que nos conta Guido Gusso, que foi ajudante de câmara de João XXIII e conhecia muito bem o papa Roncalli. Gusso participou da conferência de apresentação do projecto de digitalização dos arquivos da Rádio Vaticano. Ele trabalhou durante cinco anos com Roncalli no patriarcado de Veneza e continuou como auxiliar dele depois que o patriarca foi eleito papa e assumiu o nome de João XXIII.

Certa vez, passeando pelos jardins do Vaticano, o papa Roncalli disse a Gusso: "O passeio é sempre este aqui! Leve-me à fonte do Janículo ou à Villa Borghese". E Gusso respondia: "Santidade, não podemos!". E o papa rebatia: "Mas como é que não? Pegue o carro e vamos". E a cena se repetia quando o papa estava em Castel Gandolfo.

Gusso contou um caso em que eles “escaparam” da vigilância dos gendarmes e guardas suíços, já que o papa não se sentia à vontade com tanto protocolo ao seu redor onde quer que fosse: “Eu contei ao papa que tinha estado em Patroni del Vivaro, perto de Roma, um lugar parecido com Sappada, na nossa região. Ele tinha curiosidade, queria ver. E falou assim: ‘Vamos fazer uma coisa. Tem uma porta perto do cemitério de Albano. Consiga as chaves. Abra e vamos deixar aberto uns dez dias, assim ninguém vai saber o que está acontecendo’. Depois, um dia que estávamos nos jardins, ele me disse: ‘Vamos pegar o carro, damos alguma volta a mais para despistar os gendarmes, você abre a porta e nós vamos lá’. E foi assim que os dois visitaram Vivaro. Quando chegaram ao trevo entre Artena e Frascati, Gusso perguntou ao papa aonde ele queria ir e o papa respondeu: ‘Vamos voltar para casa, porque se não...’. Quando chegaram, os gendarmes já estavam em crise, assim como a polícia italiana. "Vocês tinham que ver a cara dos guardas suíços...", recordou Gusso, divertido.

O antigo ajudante de câmara do “Papa Buono” citou mais duas situações em que João XXIII "escapou" do Vaticano. Em uma delas, ele foi visitar o embaixador inglês que estava hospitalizado. Em outra, visitou um jornalista. Já da residência de Castel Gandolfo, eles “escaparam” para ver os trabalhos das Olimpíadas de Roma, em 1960.

Mas nem tudo eram sustos para os gendarmes. Naquela época, os gendarmes não podiam se casar antes dos 28 anos, explicou Gusso. "Havia um que tinha 24 anos. Ele veio falar comigo e se lamentou porque não tinha dinheiro para se casar. Eu contei ao papa e ele deu um donativo para que o gendarme pudesse comprar os móveis da sala", relatou Guido aos jornalistas.

Outra das lembranças girou em torno do conclave em que Roncalli foi eleito papa. "Ele me pediu para ir à Domus Mariae pegar alguns objectos pessoais. Eu pedi permissão ao cardeal Tisserant (então decano do colégio cardinalício) e o cardeal me respondeu: ‘Ainda estamos em conclave, não podemos sair. Se você sair, eu o excomungo'". Gusso contou o caso a Roncalli, que replicou: “Vá e diga ao cardeal que, se ele excomungar você, eu desexcomungo”.

Depois que a fumaça branca indicou a eleição do sucessor de Pedro, chegaram ao Vaticano, vindas de Bérgamo, algumas caixas com os livros e quadros de Roncalli. O Vaticano se encarregou de colocar os quadros, mas o resultado ficou ruim. O papa João XXIII pediu então que Gusso conseguisse pregos, martelo e escada. E eles mesmos recolocaram os quadros.

Outra história engraçada aconteceu com Cesidio Lolli, então vice-director de L'Osservatore Romano. Ele foi ao encontro de João XXIII para corrigir alguns textos e se ajoelhou diante da sua escrivaninha. "Mas o que é que você está fazendo? Sente-se na cadeira!", disse logo Roncalli, espantado.

Antes das audiências das quartas-feiras, João XXIII lia o evangelho do dia. O papa levava o discurso preparado por escrito e o lia para o público, na Sala das Bênçãos. A Sala Paulo VI não existia ainda. Depois, ele fechava a pasta e dizia para as pessoas: "Terminamos. Agora vamos dizer umas palavras entre nós!". E o ajudante completa que "quando ele falava sem os papéis, suas palavras eram maravilhosas".

Quando trabalhava com Roncalli em Veneza, Gusso pediu certa vez que o patriarca o ajudasse a encontrar outro trabalho, porque queria se casar e estava ganhando pouco. Roncalli respondeu: "Não se preocupe. O seu futuro está seguro, ninguém vai tocar em você". E pediu que ele lesse o evangelho de Mateus. Depois de um ano, Roncalli virou papa e sua vida mudou de um dia para o outro. O papa quis que o ajudante continuasse sempre próximo, em especial quando adoeceu. Naquela época, Gusso lia o Osservatore Romano à noite para o papa enfermo.

O ex-ajudante se lembra também da primeira impressão de Roncalli como papa: "Olhamos para fora e vimos a Praça de São Pedro vazia e escura". Para ele foi uma "decepção", porque estava acostumado com Veneza, onde a Praça de São Marcos estava sempre cheia de música e luzes.

Gusso contou que João XXIII só "lhe puxou as orelhas" uma vez, dois dias antes de morrer. Naqueles dias, seus irmãos e sua irmã foram visitá-lo. Depois, ele conversou com Gusso, que recorda: "Ele me deu um pequeno sermão. O que não tinha me dito em dez anos, ele me disse antes de morrer: pediu que eu recorresse mais aos sacramentos. E falou também: ‘Não se apegue ao dinheiro, porque com o dinheiro você não vai fazer nada na vida’. E disse: ‘Se você precisar, em qualquer momento, me chame, que eu vou responder’. E ele cumpriu, porque em vários problemas da vida eu fui pedir socorro e ele sempre me respondeu".

Ao terminar seu testemunho, Gusso declarou que o papa Francisco se parece muito com João XXIII: "Ele tem a mesma bondade, se preocupa muito com os pobres e com os humildes". E contou que, depois de participar de uma missa com Francisco, foi saudá-lo e lhe disse: "O senhor é quase igual ao papa João". O papa argentino respondeu dando a sua simpática e característica risada.

No matrimónio o amor é mais forte do que as brigas

Durante a Audiência Geral, o Papa Francisco lembra que a união conjugal é um reflexo da aliança entre Deus e o homem


Roma, 02 de Abril de 2014 (Zenit.org) Luca Marcolivio


O sacramento do matrimónio está enraizado na criação do mundo e na aliança entre o homem e Deus (cf. Gn 1,27; 2, 24), foi o que disse o Papa Francisco durante a Audiência Geral desta manhã que termina o ciclo de catequeses sobre os sacramentos.

"Fomos criados para amar, como um reflexo de Deus e do seu amor (disse o Papa). E na união conjugal, o homem e a mulher realizam esta vocação no sinal da reciprocidade e da comunhão de vida plena e definitiva”.

A celebração do matrimónio entre um homem e uma mulher, é algo em que Deus, de alguma forma se “espelha” e imprime nos esposos “os próprios traços e o carácter indelével do seu amor”, explicou o Pontífice.

A imagem de Deus, portanto, não é reflexa no homem e na mulher, cada um diferente do outro, mas na “aliança entre o homem e mulher” que são “criados para amar” e cuja união conjugal realiza tal vocação “no sinal da reciprocidade e da comunhão de vida plena e definitiva”.

Mesmo na Santíssima Trindade, de fato, encontra-se o amor entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo que "vivem desde sempre em uma unidade perfeita”. Da mesma forma o “mistério do Matrimónio” é Deus que faz dos dois esposos “uma só existência” ou, como diz a Bíblia, “uma só carne”.

Centra-se no "mistério” do matrimónio também São Paulo que nos lembra como a relação estabelecida por Cristo com a Igreja seja “delicadamente nupcial” (cf. Ef 5,21-33). Isso significa que o matrimónio "responde a uma vocação específica e deve ser considerado como uma consagração (cf. Gaudium et spes, 48; Familiaris Consortio , 56)", disse o Papa.

A união entre homem e mulher é uma verdadeira "consagração" em nome do “seu amor” e “por amor”. “Os esposos, de fato (acrescentou) em virtude do Sacramento, são investidos por uma verdadeira e própria missão, para que possam tornar visíveis, a partir das coisas simples, ordinárias, o amor com o qual Cristo ama a sua Igreja, continuando a doar a vida por ela, na fidelidade e no serviço”.

No matrimónio “o verdadeiro vínculo é sempre com o Senhor” e este vínculo é fortalecido “quando o esposo ora pela esposa e a esposa ora pelo esposo”. Mesmo com todas as dificuldades que a vida matrimonial traz (dificuldades económicas e laborais, nervosismo, brigas) "não devemos ficar tristes com isso", exortou o Papa Francisco.

"A condição humana é assim. Mas o segredo é que o amor é mais forte do que as brigas. E é por isso que eu conselho aos esposos, sempre, que nunca terminem um dia em que tenham brigado sem fazer as pazes. Sempre!”, concluiu o Santo Padre.

[Trad.TS]

EUA-México: Missa recorda imigrantes mortos na fronteira

Bispos criticam o sistema que "divide as famílias" e nega "protecção básica" aos nossos semelhantes


Washington, 02 de Abril de 2014 (Zenit.org)


Sob a orientação do Cardeal Sean O'Malley, de Boston, membros da Comissão da Conferência Episcopal Americana para Migração viajaram ontem até a fronteira Estados Unidos-México, para celebrar uma missa em memória dos imigrantes que morreram tentando chegar aos Estados Unidos.

A missão incluiu uma cerimónia com oferta de flores e uma caminhada pela fronteira. A iniciativa foi inspirada na visita do Papa Francisco a Lampedusa, na Itália, onde ele rezou para os imigrantes que morreram tentando chegar à Europa de barco.

"Por uma questão moral, a nossa nação não pode mais empregar um sistema de imigração que divide as famílias e nega a protecção básica aos demais seres humanos”, disse o bispo Eusébio Elizondo, Bispo Auxiliar de Seattle e presidente da Comissão Episcopal para Migração.

Os membros da delegação pediram ao Congresso (concretamente a Câmara dos Deputados) que se mobilizem rapidamente para consertar um sistema quebrado. Enquanto o Senado dos EUA aprovou uma reforma migratória integral no ano passado, a Câmara se recusou a ir em frente com a medida ou  a aprovar a sua própria versão da reforma.

"Nossos políticos foram eleitos e enviados para Washington D.C, para tomar decisões e conduzir a nossa nação para frente", disse o bispo John Wester de Salt Lake City, membro da Comissão. "Eles não devem atrasar a acção sobre a questão, que tem o apoio da grande maioria dos americanos".

Durante a missa, o cardeal O'Malley e os bispos colocaram uma coroa de flores no muro da fronteira em Nogales, Arizona, para lembrar aqueles que morreram em ambos os lados, tentando chegar onde estavam seus entes queridos, nos Estados Unidos. Em Lampedusa, o Papa Francisco jogou uma coroa de flores no Mar Mediterrâneo para lembrar os imigrantes que morreram tentando chegar à Europa.

Os bispos também pediram ao governo Obama para usar da autoridade para limitar as deportações de imigrantes "que não representam uma ameaça para a comunidade" e “têm família vivendo nos Estados Unidos e para que se beneficiem de um programa de legalização".

Em 26 de Março, o bispo Elizondo escreveu ao secretário de Segurança Nacional (DHS), Jeh Johnson, para recomendar medidas que poderiam ser tomadas para limitar as deportações.

Mais informações sobre a "Missão para os Migrantes" e a Comissão USCCB para Migração no site: www.usccb.org/about/migration-policy/mass-on-the-border.cfm.

(Trad.:MEM)

"Pregador incansável da Palavra de Deus, Wojtyla fez o bem até através do sofrimento"

No final da Audiência geral, o Papa Francisco recorda João Paulo II por ocasião do nono aniversário da morte e a três semanas da canonização


Roma, 02 de Abril de 2014 (Zenit.org)


No final da sua catequese de hoje, durante a audiência geral de quarta-feira, o Papa Francisco cumprimentou os fiéis polacos presentes na Praça de São Pedro. Com eles, o Papa recordou o nono aniversário da morte de João Paulo II que é hoje, 2 de Abril. E desejou que a espera do evento da canonização de Wojtyla, no dia 27 de Abril, "seja para nós a ocasião para preparar-se espiritualmente e para reavivar o património da fé deixado por ele”

O Papa dirigiu um pensamento pessoal a João Paulo II, cheio de afecto e emoção: "Imitando Cristo (disse ele) foi para o mundo pregador incansável da Palavra de Deus, da verdade e do bem. Ele fez o bem até mesmo com o seu sofrimento”. “Este (concluiu) foi o magistério da sua vida ao qual o Povo de Deus respondeu com grande amor e estima. A sua intercessão reforce em nós a fé, a esperança e o amor.

[Trad.TS]

Pe. Julian Carrón é reeleito presidente de Comunhão e Libertação

O sacerdote espanhol assume seu terceiro mandato, depois de ter sucedido o fundador em Março de 2005


Roma, 02 de Abril de 2014 (Zenit.org) Ivan de Vargas


Pe. Julián Carron foi reeleito sábado passado presidente da Fraternidade de Comunhão e Libertação (CL), com um só voto em branco, para os próximos seis anos. Assim, o sacerdote espanhol assumiu um terceiro mandato de governo. Quem deu a notícia foi o próprio Carrón, com uma carta enviada a todos os membros do movimento.

"No sábado passado, 29 de Março, reuniu-se em Milão a Diaconia da Fraternidade com o objectivo principal de eleger o seu presidente, tendo decorrido os seis anos prescritos pelos estatutos", explica.

"Tinha uma preocupação que expressei rapidamente aos membros da Diaconia: que não fosse uma eleição formal, mas a ocasião para tomar o pulso da situação do movimento, depois dos desafios que enfrentamos ao longo destes anos”, acrescenta.

"Todos tinham visto a rota que eu tinha proposto como resposta a estes desafios, na tentativa de aproveitar tudo o que estava acontecendo para o nosso amadurecimento, seguindo o caminho e o método sugeridos pelo carisma”, continua.

"Da mesma forma, deixei claro que era bem consciente de que eu não sou o depositário do carisma. E o fato de ter sido indicado por Don Giussani para guiar o movimento não é uma aprovação de tudo o que faço. Assim, tendo em frente todo o caminho percorrido, os membros da Diaconia contavam com os elementos para avaliar a pertinência da proposta para as exigências da vida e, ao mesmo tempo, com os dados necessários para julgar a fidelidade da proposta mesma ao carisma recebido”, destaca.

"Para facilitar uma discussão livre, esclareci imediatamente que ninguém tinha que se sentir com dívidas comigo, nem mesmo aqueles que foram indicados por mim para participar na Diaconia. Na hora de procurar a pessoa mais adequada para guiar-nos, a única preocupação tinha que ser o bem do movimento”, assegura.

"A única atitude necessária para executar essa tarefa era obedecer o Mistério na hora de identificar a pessoa mais adequada para levar adiante a nossa história, para que possamos responder de forma cada vez menos inadequada ao pedido do Papa Francisco de ser testemunhas do essencial em todas as periferias existenciais", diz.

"A Diaconia decidiu reeleger-me, o que eu aceitei por gratidão com a história que me gerou e continua gerando-me junto a vós, e pelo desejo de continuar vivendo a apaixonante aventura destes anos”, admite.

"Convido-vos, nesta nova etapa da nossa história, a renovar o desejo de caminhar juntos até o destino, Cristo, que nos conquistou, para chegar a ser, cada vez mais, filhos de Dom Giussani”, conclui o sacerdote espanhol.

A Fraternidade de CL é uma associação universal de fieis reconhecida durante os anos 80: o primeiro reconhecimento oficial data de 11 de Julho de 1980 e tem a assinatura de mons Matronola, abade de Montecassino. Mais tarde chegará o do Conselho Pontifício para os Leigos, no dia 11 de Fevereiro de 1982. Trata-se de adultos que livremente se comprometem a viver o seguimento de Cristo e da Igreja de acordo com o método transmitido pelo fundador, o sacerdote italiano Luigi Giussani.

Presidida pelo Pe. Giussani até a sua morte, a Fraternidade é actualmente dirigida pelo Pe. Julián Carrón, eleito presidente no dia 19 de Março de 2005 pela Diaconia Central como sucessor do fundador; no dia 08 de Março de 2008, tendo chegado ao fim do seu mandato, a Diaconia Central voltou a confirmar a sua nomeação como presidente da Fraternidade para os próximos seis anos, e no passado 29 de Março foi novamente ratificado no cargo.

Hoje, a Fraternidade reúne em seus grupos (espalhados por todos os continentes) cerca de 60.000 adultos, comprometidos no caminho da santidade, reconhecida como fim da existência e da amizade recíproca. A adesão à Fraternidade prevê uma regra essencial de ascese pessoal: momentos diários de oração, a participação nas reuniões de formação espiritual, entre os quais os Exercícios Espirituais, os retiros, e o compromisso do apoio económico, das iniciativas de caridade, missão e cultura promovidas e sustentadas pela mesma Fraternidade.

[Trad.TS]

Dia Mundial do Autismo: "não extinguirem a esperança"

Mensagem do Presidente do Pontifício Conselho da Pastoral para os Agentes de Saúde. Conferência sobre autismo será realizada no Vaticano em Novembro


Roma, 02 de Abril de 2014 (Zenit.org)


Hoje se celebra o Dia Mundial do Autismo, por esta razão, a Igreja deseja expressar “a proximidade e a solicitude para esta realidade que vivem as pessoas afectadas” pelo autismo, e em particular “às famílias que partilham quotidianamente desta experiência” Afirmou Dom  Zygmunt Zimowski, Presidente do Pontifício Conselho da Pastoral para os Agentes de Saúde, durante Congresso realizado hoje no Campidoglio, em Roma, dedicado ao autismo.

Nossa atenção, disse, é para “não extinguirem nelas a esperança, mas apoiá-las para que não se sintam perdidas ou em crise nas suas relações afectivas. Existe uma real dificuldade de integração e de comunicação que passa da pessoa autista a quem entra em contacto com ela”.

Você já deve ter se perguntado "como combater esse estigma", Monsenhor Zimowski observou que para isso é necessário “seguir um caminho de integração na comunidade, rompendo o isolamento e as barreiras impostas pela patologia e pelo preconceito, através do reforço das relações interpessoais”. Além disso, “com o apoio do compromisso social, com acções sinérgicas no âmbito da cura, da informação, da comunicação e da formação, favorecendo de tal modo a mudança para uma verdadeira compreensão e para a aceitação da doença, que nunca nega ou diminui a dignidade de que é revestida cada pessoa”.

Assim, o Dom Zimowski anunciou que a atenção da Igreja neste trabalho de apoio e de esperança renovada no âmbito da patologia do autismo, será manifestada de forma concreta. De 20 a 22 de Novembro, terá lugar no Vaticano o XXXIX Congresso Internacional organizado pelo Pontifício Conselho da Pastoral para os Agentes de Saúde, cujo tema será: “O autismo, doença de muitas faces: gerar a Esperança”. Será uma oportunidade para “a comunidade científica, as famílias e as instituições de formação e de inserção social debaterem e assumirem compromissos”, especificou.

Por fim, citou as palavras do Santo Padre na Exortação Apostólica Evangelii gaudium, onde afirma ser “indispensável prestar atenção para sermos próximos às novas formas de pobreza e de fragilidade nas quais somos chamados a reconhecer Cristo sofredor, mesmo se isto aparentemente não nos traga vantagens tangíveis imediatas”. Portanto, "dessa proximidade, que não exclui ninguém, mas acolhe a todos com respeito, poderá emergir e consolidar-se uma esperança que atenua os momentos de desespero, desconfiança e de rendição”. 
 
(Trad.MEM)

Audiência Geral: A imagem de Deus é o casal matrimonial

Papa concluiu o ciclo de catequeses sobre os sacramentos falando do matrimónio


Cidade do Vaticano, 02 de Abril de 2014 (Zenit.org)


Apresentamos a íntegra da catequese pronunciada pelo Papa Francisco durante a Audiência Geral desta quarta-feira, 02 de Abril.

Hoje concluímos o ciclo de catequeses sobre os sacramentos falando do matrimónio. Este sacramento nos conduz ao coração do desígnio de Deus, que é um desígnio de aliança com o seu povo, com todos nós, um desígnio de comunhão. No início do Livro do Génesis, o primeiro livro da Bíblia, no ápice do relato da criação se diz: “Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e mulher… Por isto o homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne” (Gen 1, 27; 2, 24). A imagem de Deus é o casal matrimonial: o homem e a mulher; não somente o homem, não somente a mulher, mas todos os dois. Esta é a imagem de Deus: o amor, a aliança de Deus connosco é representada naquela aliança entre o homem e a mulher. E isto é muito belo! Fomos criados para amar, como reflexo de Deus e do seu amor. E na união conjugal, o homem e a mulher realizam esta vocação no sinal da reciprocidade e da comunhão de vida plena e definitiva.

1. Quando um homem e uma mulher celebram o sacramento do matrimónio, Deus, por assim dizer, reflecte-se neles, imprime neles seus próprios traços e o carácter indelével do seu amor. O matrimónio é o ícone do amor de Deus por nós. Também Deus, de fato, é comunhão: as três Pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo vivem desde sempre e para sempre em perfeita unidade. E é justamente esse o mistério do matrimónio: Deus faz dois esposos uma só existência. A Bíblia usa uma expressão forte e diz “uma única carne”, tão íntima é a união entre o homem e a mulher no matrimónio. E é justamente esse o mistério do matrimónio: o amor de Deus que se reflecte no casal que decide viver junto. Por isto, o homem deixa a sua casa, a casa dos seus pais e vai viver com sua esposa e se une tão fortemente a ela que os dois se tornam (diz a Bíblia) uma só carne.

Mas vocês, esposos, lembra-se disso? Estão conscientes do grande presente que o Senhor vos deu? O verdadeiro “presente de casamento” é este! Na vossa união há o reflexo da Santíssima Trindade e com a graça de Cristo vocês são um ícone vivo e credível de Deus e do seu amor.

2. São Paulo, na Carta aos Efésios, coloca em destaque que nos esposos cristãos se reflecte um mistério grande: a relação instituída por Cristo com a Igreja, uma relação nupcial (cfr Ef 5, 21-33). A Igreja é a esposa de Cristo. Esta é a relação. Isto significa que o matrimónio responde a uma vocação específica e deve ser considerada como uma consagração (cfr Gaudium et spes, 48; Familiaris consortio, 56). É uma consagração: o homem e a mulher são consagrados em seu amor. Os esposos, de fato, em força do Sacramento, são revestidos de uma verdadeira e própria missão, para que possam tornar visível, a partir de coisas simples, quotidianas, o amor com que Cristo ama a sua Igreja, continuando a doar a vida por ela, na fidelidade e no serviço.

3. É realmente um desígnio maravilhoso aquele que é inerente ao matrimónio! E acontece na simplicidade e também na fragilidade da condição humana. Sabemos bem quantas dificuldades e provações conhecem a vida de dois esposos… O importante é manter viva a ligação com Deus, que está na base da ligação conjugal. E a verdadeira ligação é sempre com o Senhor. Quando a família reza, a ligação se mantém. Quando o esposo reza pela esposa e a esposa reza pelo esposo, aquela ligação se torna forte; um reza pelo outro. É verdade que na vida matrimonial há tantas dificuldades, tantas; seja o trabalho, seja que o dinheiro não basta, seja que as crianças tenham problemas. Tantas dificuldades. E tantas vezes o marido e a mulher se tornam um pouco nervosos e brigam entre si. Brigam, é assim, sempre se briga no matrimónio, algumas vezes voam até os pratos. Mas não devemos ficar tristes por isto, a condição humana é assim. E o segredo é que o amor é mais forte que o momento no qual se briga e por isto eu aconselho aos esposos sempre: não terminem um dia no qual tenham brigado sem fazer as pazes. Sempre! E para fazer as pazes não é necessário chamar as Nações Unidas, que venham para casa fazer a paz. É suficiente um pequeno gesto, um carinho, um olá! E amanhã! E amanhã se começa uma outra vez. E esta é a vida, levá-la adiante assim, levá-la adiante com a coragem de querer vivê-la juntos. E isto é grande, é belo! É algo belíssimo a vida matrimonial e devemos protegê-la sempre, proteger os filhos.

Outras vezes eu disse nesta Praça uma coisa que ajuda tanto a vida matrimonial. São três palavras que devem ser ditas sempre, três palavras que devem estar em casa: com licença, obrigado e desculpa. As três palavras mágicas. “Com licença”: para não ser invasivo na vida dos cônjuges. Com licença, mas o que te parece? Com licença, permito-me. “Obrigado”: agradecer o cônjuge; agradecer por aquilo que fez por mim, agradecer por isto. Aquela beleza de dar graças! E como todos nós erramos, aquela outra palavra que é um pouco difícil de dizê-la, mas é preciso dizê-la: “desculpa”. Com licença, obrigado e desculpa. Com estas três palavras, com a oração do esposo pela esposa e vice-versa, com fazer as pazes sempre antes que termine o dia, o matrimónio seguirá adiante. As três palavras mágicas, a oração e fazer as pazes sempre. Que o Senhor vos abençoe e rezem por mim.

(Trad.:Canção Nova)

Os médicos dispostos a fazer abortos caem em 40% em 30 anos: muitos aprendizes fogem do horror

Actualizado 29 de Março de 2014

C.L. / ReL 

A obrigação de mostrar à mãe
uma ecografia do seu filho já
afundou dezenas de clínicas
abortistas no Texas.
Segundo o Guttmacher Institute, fundado originariamente como ramo de investigação do Planned Parenthood (a maior indústria do aborto nos Estados Unidos), o número de médicos no país dispostos a praticar abortos, que não parou de crescer desde a legalização em 1973 até ao seu pico em 1982 (2908 aborteiros), caiu até 1720 em 2011: isto é, uma queda de 40,85% que alarma o sector. 

A descida vai a par com o número de abortos, situado agora ao mesmo nível que em 1973. E ainda que influam outros factores, como a difusão de métodos anticonceptivos e o final da etapa fértil das mulheres nascidas no baby boom dos sessenta e setenta, uma causa primordial é o estigma social em que caiu o aborto graças à persistência no trabalho dos grupos pró-vida e à ruptura, através da internet, do cerco mediático posto ao tema pelos meios clássicos, mais dependentes dos poderes políticos e económicos.

"Necessitamos médicos desesperadamente"
Susan Hill, presidente da pró-abortista National Women´s Health Foundation [Fundação Nacional para a Saúde das Mulheres], admite o problema que se coloca à indústria do aborto: "Necessitamos médicos jovens, e os necessitamos desesperadamente. A situação é muito grave, realmente séria".

Segundo um artigo publicado em 2011 por Debra Stulberg, investigadora da Universidade de Chicago, só 14% dos ginecologistas praticam abortos, e só 40% dos programas de formação de ginecologistas e obstetras ensinam a fazê-lo, até ao ponto de que o lobby abortista mobilizou associações, como Medical Students for Choice, para captar estudantes de Medicina dispostos a converter-se em aborteiros ao concluir o curso.

Os estudantes não insensibilizados fogem
Mas os programas de formação produzem às vezes o resultado contrário. Brad Mattes conta na LifeNews o caso de Lesley Wojick, uma jovem partidária do aborto que ficou horrorizada ao assistir ao seu primeiro aborto e ficou paralisada ao ver em acção o instrumental. Algo "guinchava" no que ela queria fazer na vida, disse: "Não sei... É algo muito insensível. Tem que haver algo mais que esvaziar o útero com um instrumento como o de um dentista". Nessa primeira carniçaria a que assistiu voluntariamente para formar-se em algo a que pensava dedicar-se, os ouvidos de Lesley se espantaram com os gritos da mãe, a quem doía a intervenção.

O caso é que Lesley continua sendo partidária do aborto, mas depois do que viu naquele dia não se considera "emocionalmente preparada" para praticá-los.

Outros aprendizes de aborteiros sim foram mais longe na sua reflexão sobre o que viram. Brad Mattes cita um, sem revelar o seu nome, que também antes era partidário do aborto e que também queria preparar-se para ganhar assim o pão. Encontrou-se com algo tão "cru" que lhe tirou o sonho: o som do aspirador enchendo-se de sangue, tecido e órgãos do feto, o som que deixa de soar, o vazo do aspirador com o seu macabro conteúdo... "Não pude logo deixar de pensar no que esse menino poderia ter sido. Essas imagens torturam-me... E isso que só fui um espectador. Nunca jamais voltarei a ser partidário do aborto nem apoiarei o assassinato de nenhum ser humano, seja qual seja o estado vital".

Criminosos no banco dos réus
A este problema de carência de novos aborteiros une-se que muitos dos mais veteranos cometem abortos ilegais que os levaram a julgamento. O mais sonoro nos Estados Unidos foi o do infanticida em série Kermit Gosnell, cujo julgamento na Primavera de 2013 mudou a opinião sobre o aborto de vários jornalistas que cobriam o julgamento. Além disso, nos últimos meses vários aborteiros foram denunciados por mulheres por graves lesões causadas por abortos falhados, em particular durante os últimos meses de gestação.

Abortos à distância para não perder mercado
O problema é de tal magnitude, que muitos médicos, ante a impossibilidade de atender todos os casos, estão começando a praticar abortos à distância, sem sequer examinar a mãe. Mediante teleconferência, falam com ela e autorizam o consumo de uma pastilha que induza o aborto. Isso permite-lhes ampliar o "mercado" para manter a rentabilidade do negócio. Dados os perigos que isto implica para a gestante, esta prática proibiu-se no Arizona, Iowa, Kansas, Nebrasca, Carolina do Norte e Wisconsin.

E há estados, como Texas, onde desde que é obrigatório apresentar à mãe uma ecografia do menino que leva dentro as clínicas abortistas fecham uma atrás da outra: a imagem é dissuasória e quase nenhuma mulher que a vê quer seguir com o procedimento.

A incoerência do lobby

Por tudo isso, a Califórnia cedeu à pressão do lobby abortista e autorizou a não médicos a praticar abortos dentro do primeiro trimestre. Se nos anos setenta os abortistas queriam legalizar o aborto para que o praticassem médicos (e assim a vida da madre não corresse perigo enquanto acabava com a do seu filho), agora querem que o aborto o pratique pessoal não médico para poder manter o negócio. Razão: a ausência de profissionais dispostos a fazer face ao estigma social que supõe essa dedicação.


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Condenado em San Quintín por dois assassinatos, converteu-o «a Eucaristia» e acaba de se confirmar

Cadeia perpétua por matar os pais de um amigo 

Kent Wimberly aspira à liberdade condicional: a sua vida mudou para sempre.
Actualizado 29 de Março de 2014

ReL

O passado dia 9 de Março, o arcebispo de São Francisco, Salvatore Cordileone, deslocou-se a uma das prisões mais célebres do mundo, San Quintín, para administrar o sacramento da confirmação a quatro presos. Entre eles, um condenado de dois assassinatos: Kent Wimberly, de 52 anos, sentenciado em 1979 a cadeia perpétua por matar, quando tinha 17, os pais do seu melhor amigo.

Ao longo do processo da sua conversão teve um papel relevante outro recluso, John Grein, de 54 anos, entre barras com a mesma pena e também por assassinato. E os dois, a perguntas do Catholic San Francisco, respondem em uníssono pelas razões da sua mudança: "A Eucaristia".

"Sempre senti que a comunhão era muito mais que um gesto puramente simbólico", confessa Wimberly, que cresceu numa família protestante de San Diego onde se lia habitualmente a Bíblia e se ia ao templo aos domingos. E Grein, educado como católico mas que logo na prisão se fez protestante e trabalhou como pastor, antes de voltar à Igreja em 2004, corrobora esses motivos também no seu caso: "A Eucaristia não representa o corpo e o sangue de Cristo. É o corpo e o sangue de Cristo".

Um retiro interessado
Como chegou Kent a este passo, depois de passar trinta e cinco anos na cadeia?

Tudo começou em 2005, quando já tinha passado mais de um quarto de século desde o dia em que cometeu o seu crime. Queria a todo o custo a liberdade condicional, assim que se inscreveu num retiro da Kairos, uma associação protestante que partilha cursilhos de cristianismo a presos de todo o país e também fora dos Estados Unidos com um lema: mudar corações para transformar vidas.

Naquele momento considerava-se um budista zen, e portanto não acreditava num Deus transcendente. Durante as palestras, sem dúvida, pediu a Deus que, se era "real", se lhe revelasse. E nesse momento, sentado e com os olhos fechados, sentiu uma luz cada vez maior e mais brilhante que o invadia: "Tanto, que literalmente pensei que ia morrer. Foi como uma pincelada do céu. Naquele dia encontrei-me com Cristo".

Pela sua formação fundamentalista, isso para ele traduziu-se sobretudo no estudo da Bíblia: completou os seus cursos de Sagradas Escrituras e logo instruiu nelas outros internos.

Sensação de pertença
Um dia recebeu o convite de assistir na capela católica. Era a sua primeira missa, mas algo se passou: "Senti como que era ali onde devia estar". E quando no ano passado foi transferido para San Quintín, começou a frequentar a companhia do capelão jesuíta, George Williams, que lhe permitiu participar nas actividades do grupo católico ainda sabendo que ele não o era nem tinha intenção clara de sê-lo.

Com o tempo esse contacto levou-o a ler vários catecismos da biblioteca da prisão, até decidir empreender essa via. "Sempre me tinha identificado como protestante", explica, "mas quando terminei de ler o catecismo perguntei-me a mim mesmo: exactamente, de que estou protestando?". Compreendeu que era um "protestante que praticava o catolicismo", assim decidiu transformar o obrar em ser. Pouco depois conheceu John Grein, ele que se converteu em seu guia para o caminho da conversão, que desembocou há duas semanas na sua confirmação por monsenhor Cordileone.

Kent reconhece que, dentro e fora dos muros de San Quintín, muitos duvidam destas conversões, considerando-as interessadas e oportunistas. "Alguns, tanto funcionários como reclusos, riem-se de nós por ter encontrado a Jesus ali. Conheceram na sua vida demasiados aldrabões e farsantes", lamenta. Mas o certo é que, se bem a administração penitenciária californiana informou favoravelmente a sua liberdade condicional o ano passado, o governador do estado rejeitou-a, ainda que ao longo deste ano pode rever a sua decisão.

É o momento que espera Kent para incorporar-se numa comunidade católica e participar activamente nela como parte da vida renovada em Cristo que quer levar 35 anos depois de participar num duplo assassinato.


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