Desconhecidos incendeiam templo emblemático da Semana Santa de Sevilha. Edifícios da Igreja são pintados com ameaças. Arcebispo e Conselho de Irmandades condenam ataques
Madrid, 08 de Janeiro de 2014 (Zenit.org)
A arquidiocese espanhola de Sevilha condenou energicamente o
incêndio provocado no último domingo na igreja de Santa Marina e
informou que não houve danos pessoais nem prejuízos graves.
O ataque aconteceu na madrugada de 5 de Janeiro, quando "dois
recipientes com líquido inflamável foram arremessados contra as portas
do templo e ocasionaram as chamas nas cortinas que havia por dentro", de
acordo com a polícia. Os bombeiros, avisados pela vizinhança, agiram
rápido e garantiram que o susto se limitasse a danos materiais leves.
Em comunicado, a arquidiocese recrimina quem "se atreve a cometer
esses gestos de vileza, que ofendem a Deus, os fiéis católicos e muitas
pessoas de boa vontade e que são expressão de um ódio estéril que só
gera exaltação e medo e não contribui para a convivência pacífica e
justa".
O Conselho Geral de Irmandades e Confrarias de Sevilha manifestou
“consternação” e “enérgico repúdio” ao “atentado sofrido por este
emblemático templo”, sede da Irmandade da Sagrada Ressurreição. Em
comunicado, o conselho afirma que o atentado “é contra os sentimentos
religiosos e contra os bens patrimoniais religiosos custodiados pelos
templos e pelas irmandades", o que demonstra o "desprezo mais absoluto
pela liberdade humana e pelos valores da convivência cívica".
O texto afirma ainda que as irmandades e confrarias de Sevilha
representam um "valioso meio de expressão" da fé católica e dos
sentimentos religiosos de "milhares de sevilhanos" e exigem de todos os
cidadãos e dos poderes públicos o "respeito escrupuloso da liberdade
religiosa e de culto público, elementos essenciais para a convivência
cidadã".
A igreja de arquitetura gótica mudéjar, sede canónica da irmandade
que encerra a Semana Santa de Sevilha, é um dos templos mais antigos da
cidade, construído por volta de 1265.
A tentativa de incêndio foi precedida por pinturas em defesa do
aborto, feitas algumas noites antes em diversas outras igrejas. Numa das
fachadas da capela das Dores, da Irmandade dos Servitas, uma pintura
ameaçou durante vários dias: "Pelos nossos mortos, fogo!!!". Na véspera
de Natal, outra pintura, no convento de Santa Paula, dizia: "Meu corpo,
minha decisão. Aborto livre", além de "Solidariedade anarquistas
presos".
Na mesma noite do incêndio provocado, a igreja de São Marcos também
apareceu pintada com as palavras "aborto livre". Mais pinturas em
defesa do aborto surgiram na localidade de Dos Hermanas, nas paredes de
um colégio religioso e na sede de uma irmandade.
(08 de Janeiro de 2014) © Innovative Media Inc.
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