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segunda-feira, 11 de março de 2013

Os cardeais querem um Pontífice que seja «um Jesus Cristo com um máster em direcção de empresas»

A assinatura pendente é o governo da Igreja

Actualizado 11 de Março de 2013

ReL

Depois do triste escândalo do "vatileaks" há um consenso cada vez maior entre os cardeais sobre a necessidade de eleger um Papa com vigor e determinação na hora de governar a Igreja.

Bento XVI já deixou claro na sua renúncia que "para governar a barca de são Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor tanto do corpo como do espírito".

«Os cardeais querem um Jesus Cristo com um máster em direcção de empresas», assim expressava-se, a modo de slogan publicitário, um jesuíta americano, bom conhecedor do sentir de uns quantos cardeais.

Um cardeal italiano sublinhava: "Necessitamos um Evangelizador em Chefe".

Parece claro que os colaboradores mais próximos de Bento XVI em coordenar os assuntos do Governo e moderar a cúria vaticana não estiveram à altura do que se lhes pedia.

Em muitos despachos da Santa Sé havia a impressão de que o Papa marcava uma rota medianamente clara sobre determinados assuntos (a Igreja na China e a sua relação com o Governo comunista; casos de pedofilia; Átrio dos Gentis e Nova Evangelização; trabalho de unidade com as igrejas cristãs...), mas não era convenientemente seguido nem na sua forma, nem no fundo, nem ao ritmo adequado pelos encarregados de executar esse plano traçado.

Uma assinatura pendente...
Modernizar a cúria do Vaticano e adequá-la a uma organização mais eficiente e pequena é uma das prioridades que terá o novo Papa nos primeiros meses de pontificado. Entre os 115 cardeais eleitores há uma firme decisão de que um novo "vatileaks" não pode voltar a ocorrer. O desgaste de imagem pública foi grande.

Um Papa que governe a Igreja

Cormac Murphy-O´Connor, arcebispo emérito de Westminster e ex-presidente da Conferência Episcopal inglesa, dizia há poucos dias que o próximo Papa "antes de mais nada tem de ser um homem santo, alguém de grande espiritualidade, alguém que encarne o espírito dos Evangelhos. Isso tem que ser o primeiro, sem dúvida. Mas, em segundo lugar, creio que é importante que seja alguém capaz de governar a Igreja".

Tem que ser "alguém - assinala Murphy-O´Connor - com a capacidade de actuar, de escolher os colaboradores adequados, de trabalhar em sintonia com eles, de governar a Igreja".


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