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segunda-feira, 11 de março de 2013

O cardeal que deixou surpreendidos a todos ao chegar em bicicleta ao pré-Conclave

A naturalidade ao poder

Actualizado 10 de Março de 2013

Jorge E. Mújica, LC / ReL

Desde a segunda-feira 4 de Março dezenas de jornalistas se aglomeraram à entrada do Vaticano que dá à Aula Paulo VI, onde se encontra a Aula do Sínodo. A razão era compreensível: dado que começavam as congregações gerais dos cardeais, o pré-Conclave, todos os príncipes da Igreja deviam passar por ali. A ideia de arrancar uma declaração - ou alguma indiscrição - de algum dos cardeais era o sonho acariciado.

A maioria dos cardeais chegou de carro, os bispos estadunidenses num pequeno autocarro do Pontifício Colégio Norte-americano, outros mais a pé. Ninguém esperava outro meio de transporte. A surpresa a deu o arcebispo de Lyon, França, Cardeal Philippe Barbarin, que na quarta-feira 6 de Março quase passa despercebido. É que ninguém esperava vê-lo chegar de bicicleta.

No princípio se pensou em mais uma brincadeira: um dia antes um falso «bispo» havia tratado de colar-se com o Cardeal Velasio De Paolis a uma das congregações gerais, pelo que ver um homem de negro, com boina e uma mochila às costas (onde guardava a sotaina episcopal), montado numa bicicleta e com a clara intenção de cruzar a fronteira do Vaticano deixou surpreendidos inclusive aos Guardas Suíços. Mas não era uma brincadeira: o homem que montava a bicicleta era um sucessor dos apóstolos, um cardeal com já um Conclave de experiência, pois o Cardeal Barbarin participou no de 2005, o que elegeu Bento XVI.

Logo os jornalistas perceberam que aquele ciclista não era um qualquer ciclista. E ainda que tentassem arrancar declarações, o arcebispo de Lyon, um dos bispos que se manifestaram pela família em Paris no mês de Janeiro de 2013, soube guardar o silêncio e a compostura. E nos dias seguintes continuou utilizando o mesmo meio de transporte para chegar e regressar à sua casa temporária em Roma. Curiosamente, as fotos mais bem pouco usuais de um cardeal em bicicleta apenas receberam atenção mediática. Talvez porque mostram a simplicidade de um homem que poderia ser Papa. E não vai ser que a imprensa contribua a mostrar que, apesar de muito, os cardeais são homens normais e que continuam existindo «papáveis» com um alto sentido da naturalidade.



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