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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Projecto de morte

O suicídio assistido – vulgo eutanásia – não é mais do que uma alternativa barata a cuidados paliativos de qualidade e em quantidade.
 
Não fazer dano é um dos princípios da ética médica, e quem tenta suicidar-se deve ser assistido com compaixão e ajuda.
 
«O suicídio não é algo que deva ser promovido, nem muito menos assistido. Legalizar a ajuda ao suicídio em certas circunstâncias é ir contra esse princípio e minar os valores da vida, que são de sempre.»
 
«As leis são muito mais do que simples instrumentos reguladores. Elas transmitem importantes mensagens éticas. Quando algo é legalizado num parlamento significa que deve ser aprovado pela sociedade, logo uma lei de morte assistida envia ao país e aos doentes terminais a mensagem de que suicidar-se é uma opção que pode e deve ter em conta, considerando-a legitimamente promovida e legalizada.»
 
Duma forma asséptica o lobby pró-eutanásia não pede aos médicos que se pronunciem em favor do suicídio assistido, mas simplesmente que se mantenham neutrais, o que é altamente vexante, pois a neutralidade nesta área exclui a possibilidade de debaterem um assunto que afecta a profissão médica em toda a sua genuína essência.
 
Todavia, debruçando-se sobre este tema, a Associação dos Médicos Católicos em Portugal reiterou o seu Não à eutanásia, acrescentando que «É inconcebível que possa ser considerado um acto médico, matar alguém», e lamenta que haja na sociedade actual uma perspectiva em que «o homem se coloca a si próprio no lugar de Deus.»
 
Reafirmou a urgência de um debate esclarecedor e ainda a necessidade de implementar em Portugal «uma rede de cuidados paliativos satisfatórios».
 
Também a Associação dos Juristas Católicos do nosso país, relativamente à eutanásia, considera que «É muito diferente matar e aceitar a morte.»
 
«A Eutanásia desrespeita o momento natural da morte, porque o antecipa…».
 
«É uma patente violação do quinto Mandamento da Lei de Deus - não matar - e a sua legalização põe também em causa, o princípio da dignidade irrepetível, da pessoa humana, que é o primeiro direito fundamental consagrado na Constituição da República».
 
«Perverte o sentido da arte médica, que é sempre o de proteger a vida e a saúde; a morte não elimina o sofrimento, apenas elimina a pessoa que sofre».
 
A Associação dos Juristas Católicos conclui com um apelo à «consciência» de todos os portugueses para a «salvaguarda do bem inestimável», que é a vida humana em todas as suas fases, «especialmente nas de maior fragilidade».  
 
Os médicos formam-se para salvar vidas ou aliviar o sofrimento dos doentes através da prática clínica e não para tirarem vidas, por isso não é de estranhar que a maioria dos médicos se oponha a esta lei.
 
«Repare-se que a falta de informação não parece afligir, nem o cidadão, nem os políticos em acção. Em relação a estes, a tendência de instrumentalizar a ética por razões político-ideológicas parece irresistível. (…) Não é aliás possível excluir que activistas políticos, alguns de flagrante imaturidade, venham usar o facto de a declaração antecipada da vontade ter sido finalmente a consagração jurídica que era razoável receber como alavanca para entreabrir uma porta para a legitimação da eutanásia.» Prof. João Lobo Antunes, in Ouvir com Outros Olhos.
Não há nada no ser humano que seja só dele ou esteja isolado, mesmo o que se passa no nosso íntimo não se reporta só a si, mas repercute-se com maior ou menor veemência, com mais ou menos dano em toda a estrutura social, em toda a família humana.

Maria Susana Mexia












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