D. Samir Nassar, o arcebispo maronita
de Damasco, fez chegar uma carta à Fundação AIS sobre o que classifica
ser “o êxodo dos cristãos do Médio Oriente”
Roma,
04 de Dezembro de 2015
(ZENIT.org)
Na missiva, o prelado faz notar que este fenómeno “tem aumentado”
desde 2003, aquando da Guerra do Iraque, “e especialmente desde 2011”,
por causa da chamada “Primavera Árabe”.
D. Samir - que esteve em Portugal em Dezembro de 2013 a convite da
Fundação AIS, tendo então consagrado o povo sírio a Nossa Senhora de
Fátima -, refere nesta carta que muitos acreditam estar próximo o fim da
presença cristã em muitos locais da região.
“Alguns relatos dão apenas dez anos para que se feche a página do
cristianismo no Médio Oriente”, escreve o arcebispo, acrescentando, no
entanto, considerar esta como uma “visão pessimista”.
Apesar disso, acrescenta, “a experiência mostra uma crescente e
alarmante emigração”. Na referida carta, D. Samir explica que “o tema
das discussões diárias” entre a comunidade cristã “é como sair” do país.
Não importa como. Todos parecem dispostos a “ir para qualquer lugar, de
qualquer maneira, mesmo que isso signifique assumir enormes riscos”.
Esta onda forçada de emigração atinge principalmente os jovens. “Dado
o impasse” desta “guerra absurda que já dura há tempo de mais”, diz o
prelado, “os jovens representam o maior grupo dos que pretendem sair do
país”, fugindo da incorporação militar.
Assim, resta a dúvida: “Qual o futuro de uma igreja sem jovens?”.
Será este “o fim fatal do cristianismo apostólico numa terra
bíblica”, tornando-se “refém da violência e da intolerância em nome de
uma fé radical que nem apoia o pluralismo nem aceita diferenças”? -
pergunta o prelado.
No documento, D. Samir Nassar antecipa alguns dos caminhos que
poderão vir a ser seguidos pela Igreja na Síria: acompanhar os fiéis nos
países da diáspora e ajudá-los a manter a sua fé tradicional, ou,
então, procurar estabelecer alianças com outras comunidades minoritárias
para defender os seus direitos face a um “intolerante” islão.
Na carta enviada à Fundação AIS, D. Samir adianta ainda outros
cenários para a comunidade cristã, que passam por procurar,
eventualmente, garantias de proteção das autoridades governamentais, ou,
então, “aceitar viver sob a sombra do Islão e continuar uma vida cheia
de dificuldades e de desafios”.
Qualquer destas soluções implica, nas suas palavras, um futuro
sombrio. Diz o arcebispo que “os Cristãos do Oriente enfrentam uma
escolha quase suicida”. É, prenuncia, o “crepúsculo” da Igreja na
região.
(04 de Dezembro de 2015) © Innovative Media Inc.
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