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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

"Truth" abre a décima edição do Festival de Cinema de Roma

Obra do diretor James Vanderbilt aborda um caso jornalístico americano como de 'Rathergate'

Roma, 19 de Outubro de 2015 (ZENIT.org) Gianluca Badii

O Festival de Cinema de Roma começa na linha americana. O novo diretor artístico do festival Antonio Monda, siciliano, mas americano por adoção, escolheu como filme de abertura a obra do diretor James Vanderbilt.

O filme gira em torno de um dos casos mais intrincados dos EUA, que envolve a CBS News numa investigação em 2004 sobre o presidente George W. Bush e seu absentismo durante a Guerra do Vietname.

A produtora e jornalista investigativa Mary Mapes, juntamente com sua equipa de 60 Minutes e a famosa voz da notícia dos Estados Unidos Dan Rather, levantaram uma denúncia jornalística contra o presidente americano, pouco antes de sua segunda eleição. O centro da investigação é a teoria de que Bush, através de favoritismo e jogos políticos, conseguiu uma atribuição da Guarda Nacional, podendo assim ignorar a convocação para a Guerra do Vietname. Lutando contra as dificuldades e o ostracismo dos poderes, a investigação foi publicada e poderia afundar o líder político. Mas a alegria durou pouco tempo. Logo foram propagadas na rede algumas teorias de que os documentos seriam falsos. As consequências para os jornalistas da CBS News foram desastrosas: após uma investigação interna Mary Mapes foi demitida e Dan Rather pediu demissão, depois de mais de quarenta anos de serviço para a emissora.

O roteiro de Vanderbilt (Amazing Spiderman 1 e 2, Zodiac) emerge fortemente no filme, que faz do rigor formal e da atenção aos detalhes dois fortes pilares.

Inspirado no livro da própria Mapes "Truth and Duty: The Press, The President and The Privilege of Power", o filme gira em torno do conceito de verdade. Uma verdade que por várias razões, parece impossível de ser encontrada devido a infiltração de poderes políticos e a transição dos sistemas de comunicação tradicionais para a media agressiva da rede. O filme em si, mesmo promovendo a busca da verdade, escolhe não fornecer a própria perspectiva sobre isso. Como dito pelo diretor durante uma conferência de imprensa, o objetivo do filme é questionar e, em seguida, deixar livre o espectador para encontrar as respostas. A dúvida é o que torna “Truth” fascinante: depois de terminar a sessão, são necessários alguns minutos para refletir, não é possível determinar se você está lidando com um caso de maquinação política ou uma superficialidade jornalística, se você está diante das vítimas ou do "inconsciente" responsável.

Para agigantar a obra estão presentes os premiados Cate Blanchett e Robert Redford, capazes de mudanças físicas e psicológicas extraordinárias.

A única certeza que emerge do filme é o amor pela profissão dos protagonistas e o medo de perder a figura do repórter investigativo, capaz de lutar contra o sistema e as restrições políticas e económicas. Por isso, o forte apelo do diretor relatado aos próprios jornalistas presentes na conferência: "Os jornalistas são heróis, é uma profissão muito importante, não devem ser subestimados, temos que continuar questionando quem está no poder. Admiro os jornalistas que o fazem e que resistem, afirmando suas opiniões”.

Outro destaque do dia foi o encontro com o público de Joel Coen e Frances McDormand, um dos casais mais duradouros de Hollywood.

Ele cineasta e ela atriz, contaram sua história, incluindo a vida familiar. Desde o primeiro encontro até as diferenças entre o cinema e a televisão, os dois vencedores do Oscar contaram o segredo dessa união: "Ter histórias para contar. Por isso, às vezes é melhor não trabalhar juntos. Quando não se vê, sempre há coisas novas a dizer, e isso é bom para o diálogo familiar".

(19 de Outubro de 2015) © Innovative Media Inc.
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