Obra do diretor James Vanderbilt aborda um caso jornalístico americano como de 'Rathergate'
Roma,
19 de Outubro de 2015
(ZENIT.org)
Gianluca Badii
O Festival de Cinema de Roma começa na linha americana. O novo
diretor artístico do festival Antonio Monda, siciliano, mas americano
por adoção, escolheu como filme de abertura a obra do diretor James
Vanderbilt.
O filme gira em torno de um dos casos mais intrincados dos EUA, que
envolve a CBS News numa investigação em 2004 sobre o presidente George
W. Bush e seu absentismo durante a Guerra do Vietname.
A produtora e jornalista investigativa Mary Mapes, juntamente com sua equipa de 60 Minutes
e a famosa voz da notícia dos Estados Unidos Dan Rather, levantaram uma
denúncia jornalística contra o presidente americano, pouco antes de sua
segunda eleição. O centro da investigação é a teoria de que Bush,
através de favoritismo e jogos políticos, conseguiu uma atribuição da
Guarda Nacional, podendo assim ignorar a convocação para a Guerra do Vietname. Lutando contra as dificuldades e o ostracismo dos poderes, a
investigação foi publicada e poderia afundar o líder político. Mas a
alegria durou pouco tempo. Logo foram propagadas na rede algumas teorias
de que os documentos seriam falsos. As consequências para os
jornalistas da CBS News foram desastrosas: após uma investigação interna
Mary Mapes foi demitida e Dan Rather pediu demissão, depois de mais de
quarenta anos de serviço para a emissora.
O roteiro de Vanderbilt (Amazing Spiderman 1 e 2, Zodiac) emerge
fortemente no filme, que faz do rigor formal e da atenção aos detalhes
dois fortes pilares.
Inspirado no livro da própria Mapes "Truth and Duty: The Press, The
President and The Privilege of Power", o filme gira em torno do conceito
de verdade. Uma verdade que por várias razões, parece impossível de ser
encontrada devido a infiltração de poderes políticos e a transição dos
sistemas de comunicação tradicionais para a media agressiva da rede. O
filme em si, mesmo promovendo a busca da verdade, escolhe não fornecer a
própria perspectiva sobre isso. Como dito pelo diretor durante uma
conferência de imprensa, o objetivo do filme é questionar e, em seguida,
deixar livre o espectador para encontrar as respostas. A dúvida é o que
torna “Truth” fascinante: depois de terminar a sessão, são necessários
alguns minutos para refletir, não é possível determinar se você está
lidando com um caso de maquinação política ou uma superficialidade
jornalística, se você está diante das vítimas ou do "inconsciente"
responsável.
Para agigantar a obra estão presentes os premiados Cate Blanchett e
Robert Redford, capazes de mudanças físicas e psicológicas
extraordinárias.
A única certeza que emerge do filme é o amor pela profissão dos
protagonistas e o medo de perder a figura do repórter investigativo,
capaz de lutar contra o sistema e as restrições políticas e económicas.
Por isso, o forte apelo do diretor relatado aos próprios jornalistas
presentes na conferência: "Os jornalistas são heróis, é uma profissão
muito importante, não devem ser subestimados, temos que continuar
questionando quem está no poder. Admiro os jornalistas que o fazem e que
resistem, afirmando suas opiniões”.
Outro destaque do dia foi o encontro com o público de Joel Coen e Frances McDormand, um dos casais mais duradouros de Hollywood.
Ele cineasta e ela atriz, contaram sua história, incluindo a vida
familiar. Desde o primeiro encontro até as diferenças entre o cinema e a
televisão, os dois vencedores do Oscar contaram o segredo dessa união:
"Ter histórias para contar. Por isso, às vezes é melhor não trabalhar
juntos. Quando não se vê, sempre há coisas novas a dizer, e isso é bom
para o diálogo familiar".
(19 de Outubro de 2015) © Innovative Media Inc.
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