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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Papa reitera: tolerância zero na Igreja, com os abusos de crianças

Todos os membros da Pontifícia Comissão para a tutela de menores se reúnem em Roma pela primeira vez na próxima semana


Roma, 05 de Fevereiro de 2015 (Zenit.org) Rocio Lancho García


"As famílias devem saber que a Igreja não está poupando esforços para proteger seus filhos e têm o direito de dirigir-se a ela com plena confiança, porque é uma casa segura. Portanto, não se pode dar prioridade a qualquer outro tipo de consideração, de qualquer natureza, como, por exemplo, o desejo de evitar o escândalo, porque não há absolutamente nenhum lugar no ministério para aqueles que abusam de crianças".

Claro como a água, assim se expressou o Papa Francisco em uma carta publicada hoje, enviada aos presidentes das Conferências Episcopais e aos Superiores dos Institutos de Vida Consagrada e das Sociedades de Vida Apostólica sobre a Pontifícia Comissão para a tutela dos menores.

O Pontífice explica na carta que, em Março do ano passado instituiu esta comissão, anunciada já em Dezembro de 2013, “com o fim de oferecer propostas e iniciativas orientadas a melhorar as normas e os procedimentos para a protecção de todos os menores e adultos vulneráveis”, e por isso, chamou para formar parte de tal Comissão “pessoas altamente qualificadas e conhecidas pelos seus esforços neste campo”.

Também indicou que no mês de Julho, na reunião que teve com algumas pessoas que foram abusadas sexualmente por sacerdotes, sentiu-se “comovido e impressionado pela intensidade do seu sofrimento e a firmeza da sua fé". Além do mais, indica que isso confirmou mais uma vez “minha convicção de que é preciso continuar fazendo todo o possível para erradicar o flagelo do abuso sexual de menores e adultos vulneráveis, e abrir um caminho de reconciliação e cura para quem sofreu abusos”.

Por estas razões, o Papa explica que em Dezembro passado adicionou novos membros na Comissão, "representando as igrejas particulares de todo o mundo". E lembra também que daqui a poucos dias, “todos estes membros se reunirão em Roma pela primeira vez”.

O Papa Francisco considera que esta comissão "será uma nova, válida e eficaz ferramenta para ajudar-me a incentivar e promover o compromisso de toda a Igreja em seus diversos âmbitos” para por em prática “as práticas necessárias para garantir a protecção dos menores e adultos vulneráveis, e dar respostas de justiça e misericórdia”.

Por outro lado, pede para que se vigie atentamente “o cumprimento da carta circular emitida pela Congregação para a Doutrina da Fé, no dia 3 de maio de 2011, para ajudar as Conferências Episcopais na preparação das linhas mestras para tratar os casos de abuso sexual de menores por parte de clérigos”. É importante (observa o Papa) que as conferências episcopais adoptem um instrumento para revisar periodicamente as normas e comprovar o seu cumprimento.

Aliás, diz o Papa que "é responsabilidade do bispo diocesano e dos Superiores Maiores a tarefa de verificar que nas paróquias e em outras instituições da Igreja se garanta a segurança dos menores e dos adultos vulneráveis”. Além disso, "pede-se que as dioceses e os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica estabeleçam programas de atenção pastoral, que poderão contar com o apoio de serviços psicológicos e espirituais”.

Por fim, o Papa pede aos destinatários da carta a sua "colaboração total e cuidadosa com a Comissão para a protecção dos menores". A tarefa confiada à Comissão "inclui a assistência a vós e às vossas Conferências, por meio de uma troca mútua de “práxis virtuosas” e de programas de educação, formação e instrução no que se refere à resposta que se deve dar aos abusos sexuais”, explica o Bispo de Roma na carta.

Em conclusão, Francisco pede ao Senhor Jesus para "incutir em cada um de nós, ministros da Igreja, esse amor e essa predilecção pelos pequenos que caracterizou a sua presença entre os homens, e que se traduz em uma responsabilidade especial pelo bem dos menores e adultos vulneráveis”.

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