Todos os membros da Pontifícia Comissão para a tutela de menores se reúnem em Roma pela primeira vez na próxima semana
Roma, 05 de Fevereiro de 2015 (Zenit.org) Rocio Lancho García
"As famílias devem saber que a Igreja não está poupando
esforços para proteger seus filhos e têm o direito de dirigir-se a ela
com plena confiança, porque é uma casa segura. Portanto, não se pode dar
prioridade a qualquer outro tipo de consideração, de qualquer natureza,
como, por exemplo, o desejo de evitar o escândalo, porque não há
absolutamente nenhum lugar no ministério para aqueles que abusam de
crianças".
Claro como a água, assim se expressou o Papa Francisco em uma carta
publicada hoje, enviada aos presidentes das Conferências Episcopais e
aos Superiores dos Institutos de Vida Consagrada e das Sociedades de
Vida Apostólica sobre a Pontifícia Comissão para a tutela dos menores.
O Pontífice explica na carta que, em Março do ano passado instituiu
esta comissão, anunciada já em Dezembro de 2013, “com o fim de oferecer
propostas e iniciativas orientadas a melhorar as normas e os
procedimentos para a protecção de todos os menores e adultos
vulneráveis”, e por isso, chamou para formar parte de tal Comissão
“pessoas altamente qualificadas e conhecidas pelos seus esforços neste
campo”.
Também indicou que no mês de Julho, na reunião que teve com algumas
pessoas que foram abusadas sexualmente por sacerdotes, sentiu-se
“comovido e impressionado pela intensidade do seu sofrimento e a firmeza
da sua fé". Além do mais, indica que isso confirmou mais uma vez “minha
convicção de que é preciso continuar fazendo todo o possível para
erradicar o flagelo do abuso sexual de menores e adultos vulneráveis, e
abrir um caminho de reconciliação e cura para quem sofreu abusos”.
Por estas razões, o Papa explica que em Dezembro passado adicionou
novos membros na Comissão, "representando as igrejas particulares de
todo o mundo". E lembra também que daqui a poucos dias, “todos estes
membros se reunirão em Roma pela primeira vez”.
O Papa Francisco considera que esta comissão "será uma nova, válida e
eficaz ferramenta para ajudar-me a incentivar e promover o compromisso
de toda a Igreja em seus diversos âmbitos” para por em prática “as
práticas necessárias para garantir a protecção dos menores e adultos
vulneráveis, e dar respostas de justiça e misericórdia”.
Por outro lado, pede para que se vigie atentamente “o cumprimento da
carta circular emitida pela Congregação para a Doutrina da Fé, no dia 3
de maio de 2011, para ajudar as Conferências Episcopais na preparação
das linhas mestras para tratar os casos de abuso sexual de menores por
parte de clérigos”. É importante (observa o Papa) que as conferências
episcopais adoptem um instrumento para revisar periodicamente as normas e
comprovar o seu cumprimento.
Aliás, diz o Papa que "é responsabilidade do bispo diocesano e dos
Superiores Maiores a tarefa de verificar que nas paróquias e em outras
instituições da Igreja se garanta a segurança dos menores e dos adultos
vulneráveis”. Além disso, "pede-se que as dioceses e os Institutos de
Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica estabeleçam programas
de atenção pastoral, que poderão contar com o apoio de serviços
psicológicos e espirituais”.
Por fim, o Papa pede aos destinatários da carta a sua "colaboração
total e cuidadosa com a Comissão para a protecção dos menores". A tarefa
confiada à Comissão "inclui a assistência a vós e às vossas
Conferências, por meio de uma troca mútua de “práxis virtuosas” e de
programas de educação, formação e instrução no que se refere à resposta
que se deve dar aos abusos sexuais”, explica o Bispo de Roma na carta.
Em conclusão, Francisco pede ao Senhor Jesus para "incutir em cada um
de nós, ministros da Igreja, esse amor e essa predilecção pelos pequenos
que caracterizou a sua presença entre os homens, e que se traduz em uma
responsabilidade especial pelo bem dos menores e adultos vulneráveis”.
(05 de Fevereiro de 2015) © Innovative Media Inc.
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