Sri Lanka: o Santo Padre canoniza José Vaz, primeiro santo do país, sacerdote e missionário
Roma, 14 de Janeiro de 2015 (Zenit.org) Rocio Lancho García
O verdadeiro culto a Deus não leva à discriminação, ao ódio e
à violência, mas ao respeito pela sacralidade da vida e pela dignidade e
liberdade dos outros, bem como ao compromisso amoroso por todos. É o
que afirmou o papa Francisco na homilia da canonização de São José Vaz,
celebrada nesta manhã em Colombo e na qual o papa falou novamente da
liberdade religiosa e do respeito pelas diversas crenças. Francisco
chegou nesta terça-feira ao Sri Lanka, primeira etapa da sua sétima
viagem internacional que depois o levará às Filipinas.
A segunda jornada no Sri Lanka começou com a missa de canonização
do beato José Vaz (1651-1711), primeiro santo do país, beatificado em 21
de Janeiro de 1995 pelo papa João Paulo II, também em Colombo.
Francisco partiu da nunciatura apostólica para o centro Galle Face
Green, onde, apesar de o Sri Lanka ser um país de maioria budista,
milhares de pessoas o esperavam para participar da celebração.
O papa fez um percurso entre os fiéis a bordo do papa-móvel aberto e
foi saudado pelo prefeito de Colombo, que lhe entregou as chaves da
cidade. Após o rito de canonização, o Santo Padre falou, durante a
homilia, da vida deste “grande missionário do Evangelho” que “respondeu
ao mandado do Senhor ressuscitado de fazer discípulos em todas as
nações”.
Junto ao mar, muitos deles protegidos do sol com sombrinhas e
guarda-chuvas, os 500 mil fiéis presentes escutaram o papa explicar em
inglês que São José Vaz é “um estímulo para perseverarmos no caminho do
Evangelho”, para “crescer em santidade” e para “dar testemunho da
mensagem evangélica da reconciliação, à qual ele dedicou a vida”.
Sacerdote do Oratório em sua Goa natal, São José Vaz chegou ao Sri
Lanka “animado pelo zelo missionário e pelo grande amor às suas gentes”.
Devido à perseguição religiosa, ele se vestia como mendigo e exercia as
suas funções sacerdotais nos encontros secretos dos fiéis. “Seus
desvelos deram força espiritual e moral à atribulada população
católica”, disse o papa. São José Vaz se entregou especialmente ao
serviço dos enfermos.
Em seguida, o Santo Padre citou três razões principais que fazem de São José Vaz um modelo e um mestre.
Primeiro, ele foi um sacerdote exemplar. Ele nos ensina a sair para
as periferias, destacou o papa, a fim de que Jesus Cristo seja conhecido
e amado em toda parte. Vaz é “um exemplo de sofrimento paciente por
causa do Evangelho, de obediência aos superiores, de solicitude amorosa
pela Igreja de Deus”.
Em segundo lugar, ele “nos mostra a importância de ir além das
divisões religiosas no serviço da paz”. O pontífice assegurou que o amor
indiviso de Vaz por Deus o abriu ao amor do próximo, o que faz com que
“o seu exemplo continue sendo hoje uma fonte de inspiração para a
Igreja no Sri Lanka”, servindo com generosidade a todos os membros da
sociedade. A Igreja “não faz distinção de raça, credo, tribo, condição
social ou religião no serviço que oferece através das suas escolas,
hospitais, clínicas e muitas outras obras de caridade”, afirmou o
papa. Em troca, ela só pede liberdade para realizar a sua missão. “A
liberdade religiosa é um direito humano fundamental”, reforçou o
pontífice, afirmando que toda pessoa deve ser livre “para buscar a
verdade e expressar abertamente as suas convicções religiosas, livre de
intimidações e coações externas (...) O verdadeiro culto a Deus não leva
à discriminação, ao ódio e à violência, mas ao respeito pela
sacralidade da vida, ao respeito pela dignidade e pela liberdade dos
outros e ao compromisso amoroso por todos”.
Por último, o papa observou que o novo santo nos dá um exemplo de
zelo missionário. “Apesar de ter chegado ao antigo Ceilão para ajudar e
apoiar a comunidade católica, ele chegou a todos com a sua caridade
evangélica”, recordou Francisco, destacando que São José Vaz “sabia
como apresentar a verdade e a beleza do Evangelho em um contexto
plurirreligioso, com respeito, dedicação, perseverança e humildade”. Por
isso, também hoje, “somos chamados a ter o mesmo zelo”, mas “com a sua
sensibilidade, seu respeito pelos outros, seu desejo de compartilhar
com eles essa palavra de graça que tem o poder de edificá-los”.
Ao terminar a homilia, o papa pediu a Deus que os cristãos desse
país se mantenham firmes na fé e contribuam cada vez mais com a paz, a
justiça e a reconciliação na sociedade do Sri Lanka.
Com quase duas horas de duração e animada por música tradicional, a
celebração eucarística foi finalizada com algumas palavras do cardeal
Malcolm Ranjith, arcebispo de Colombo. Ele agradeceu pela presença do
Santo Padre e pela canonização de José Vaz e entregou 70.000 dólares
para a caridade do papa, como presente dos fiéis do Sri Lanka.
(14 de Janeiro de 2015) © Innovative Media Inc.
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