Para o presidente da Academia da Ciência da Nicarágua, há improvisação no projecto
Roma, 14 de Janeiro de 2015 (Zenit.org)
“Improvisado” e “sem verificações técnicas”: o presidente da
Academia da Ciência da Nicarágua, Manuel Ortega Hegg, definiu assim a
mudança no traçado do Canal Interoceânico entre o Pacífico e o
Atlântico, anunciado em 10 de Janeiro pelo porta-voz da Comissão do
Grande Canal, Telémaco Talavera. Segundo o porta-voz, o canal não
passará mais pela região de El Tule, cuja população tinha protestado
energicamente.
Para Ortega Hegg, “as mudanças precisam se basear em estudos
ambientais, sociais e de engenharia. Esta mudança demonstra que, de
alguma forma, há improvisação no projecto e que as coisas não estão sendo
feitas com a seriedade necessária”.
Segundo a nota enviada à agência Fides por uma fonte local, Talavera
respondeu dizendo que “é precisamente porque existe seriedade e
responsabilidade que nós informamos sobre as mudanças, a fim de reduzir o
impacto ambiental e social”. Alguns políticos também expressaram
preocupação com a mudança da rota do canal feita em apenas dois dias,
levantando suspeitas de que a medida sirva só para acalmar os protestos
da população.
O bispo de Matagalpa, dom Rolando Alvarez, declarou esperar que o
governo defina uma rota definitiva para a construção do Grande Canal:
“Estamos à espera do traçado definitivo do canal para que a questão
fique clara para todos”.
A Conferência Episcopal da Nicarágua (CEN) ouviu na Academia de
Ciências do país as explicações dos peritos sobre o impacto da
construção do canal. Dom Silvio Báez, bispo auxiliar de Manágua,
publicou no Twitter que “não nos opomos ao canal, mas, se ele for feito
do jeito que está projectado agora, será um desastre”.
(14 de Janeiro de 2015) © Innovative Media Inc.
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