Actualizado 13 de Agosto de 2014
Anna Pozzi - Avvenire / ReL
Combate o tráfico de seres humanos e luta a favor da dignidade da mulher desde há mais de vinte anos. Por isto, a irmã Eugenia Bonetti – missionária da Consolata, coordenadora do Gabinete “Tratamento de mulheres e menores” da União das Superioras Maiores de Itália (Usmi) e presidente da associação Slaves no More – recebeu numerosos reconhecimentos: do Departamento de Estado dos Estados Unidos (2004 e 2007), do Observatório permanente da Santa Sé na ONU em 2011, da União Europeia em 2013 e do presidente Giorgio Napolitano no passado dia 8 de Março.
“Desde princípios dos anos 90 – disse irmã Eugenia – e posteriormente com maior eficácia desde o ano 2000, quando se criou o Gabinete para Tratamento de mulheres e menores da Usmi, muitíssimas congregações abriram as portas dos seus conventos para acolher as novas escravas: mulheres com as quais se traficou, às quais se obrigou a prostituir-se, reduzidas a mercadoria, compradas e vendidas por exploradores e clientes”.
- A irmã Eugenia, por fim as Nações Unidas convocaram uma Jornada Internacional contra o tráfico de seres humanos…
É muito importante, porque ajuda a criar uma consciência sobre um fenómeno amplíssimo, que muitos continuam sem querer ver. O tráfico de seres humanos é uma das piores escravidões do nosso século. Uma vergonha para a humanidade. A mesma ONU teria que fazer muito mais, pedindo aos países que estão envolvidos - e que quase todos os estão, por origem, trânsito ou destino - que assinem e respeitem as convenções internacionais, e que aprovem e implementem leis nacionais mais eficazes.
- Em Itália e no mundo, uma rede capilar de congregações religiosas está trabalhando contra esta vergonhosa escravidão. De que maneira?
Junto a muitíssimas outras religiosas em toda a Itália - mas também na Europa e no mundo - tentamos devolver a dignidade e a legalidade a muitas mulheres que foram privadas da sua liberdade e que foram obrigadas a prostituir-se, reduzidas literalmente em escravas. Só em Itália mais de seis mil mulheres foram acolhidas nas nossas comunidades e foram acompanhadas no seu percurso de integração. Além disso, no último ano, graças a uma contribuição da Conferência Episcopal Italiana e à colaboração da Cáritas nacional temos posto em marcha, como Associação Slaves no More, um projecto de repatriação para mulheres nigerianas que querem volver ao seu país de origem. Um desafio novo e árduo que, sem dúvida, demonstra que a viagem da escravidão não tem um único sentido. Também se pode voltar a casa com dignidade.
- Estas intervenções à escala internacional requerem um grande trabalho em rede…
Anna Pozzi - Avvenire / ReL
Combate o tráfico de seres humanos e luta a favor da dignidade da mulher desde há mais de vinte anos. Por isto, a irmã Eugenia Bonetti – missionária da Consolata, coordenadora do Gabinete “Tratamento de mulheres e menores” da União das Superioras Maiores de Itália (Usmi) e presidente da associação Slaves no More – recebeu numerosos reconhecimentos: do Departamento de Estado dos Estados Unidos (2004 e 2007), do Observatório permanente da Santa Sé na ONU em 2011, da União Europeia em 2013 e do presidente Giorgio Napolitano no passado dia 8 de Março.
“Desde princípios dos anos 90 – disse irmã Eugenia – e posteriormente com maior eficácia desde o ano 2000, quando se criou o Gabinete para Tratamento de mulheres e menores da Usmi, muitíssimas congregações abriram as portas dos seus conventos para acolher as novas escravas: mulheres com as quais se traficou, às quais se obrigou a prostituir-se, reduzidas a mercadoria, compradas e vendidas por exploradores e clientes”.
- A irmã Eugenia, por fim as Nações Unidas convocaram uma Jornada Internacional contra o tráfico de seres humanos…
É muito importante, porque ajuda a criar uma consciência sobre um fenómeno amplíssimo, que muitos continuam sem querer ver. O tráfico de seres humanos é uma das piores escravidões do nosso século. Uma vergonha para a humanidade. A mesma ONU teria que fazer muito mais, pedindo aos países que estão envolvidos - e que quase todos os estão, por origem, trânsito ou destino - que assinem e respeitem as convenções internacionais, e que aprovem e implementem leis nacionais mais eficazes.
- Em Itália e no mundo, uma rede capilar de congregações religiosas está trabalhando contra esta vergonhosa escravidão. De que maneira?
Junto a muitíssimas outras religiosas em toda a Itália - mas também na Europa e no mundo - tentamos devolver a dignidade e a legalidade a muitas mulheres que foram privadas da sua liberdade e que foram obrigadas a prostituir-se, reduzidas literalmente em escravas. Só em Itália mais de seis mil mulheres foram acolhidas nas nossas comunidades e foram acompanhadas no seu percurso de integração. Além disso, no último ano, graças a uma contribuição da Conferência Episcopal Italiana e à colaboração da Cáritas nacional temos posto em marcha, como Associação Slaves no More, um projecto de repatriação para mulheres nigerianas que querem volver ao seu país de origem. Um desafio novo e árduo que, sem dúvida, demonstra que a viagem da escravidão não tem um único sentido. Também se pode voltar a casa com dignidade.
- Estas intervenções à escala internacional requerem um grande trabalho em rede…
É o fundamental para não desperdiçar energias e obter resultados. Na Itália, o Gabinete Tratamento da Usmi coordena uma rede de quase 250 religiosas pertencentes a umas setenta congregações que gerem aproximadamente uma centena de casas de acolhimento. Além disso existe uma rede europeia, Renate, e uma internacional, Talita Kum. Mais outros vários grupos e comités que trabalham também a nível da ONU, onde fazem pressão e actuam a nível jurídico. Esta Jornada internacional creio que é também fruto dos seus esforços.
- Além das religiosas, a Igreja está fazendo algo mais contra o tratamento?
- Além das religiosas, a Igreja está fazendo algo mais contra o tratamento?
Às vezes, às nossas próprias realidades de Igreja custa-lhes acolher o grito do Papa Francisco, que em diversas ocasiões falou contra esta nova escravidão. Mas muitas coisas estão-se movendo. Está-se organizando no Vaticano um segundo Simposium que implica ainda mais os jovens. E junto a Talita Kum – que é parte da União Internacional das Superioras Gerais (Uisg) – e a outras organizações estamos trabalhando para chegar a uma Jornada de oração e reflexão contra o tratamento, que se celebrará pela primeira vez em toda a Igreja católica no próximo dia 8 de Fevereiro, festa de Santa Bakhita, a pequena escrava, libertada dos seus verdugos e convertida em santa.
(Tradução de Helena Faccia Serrano, Alcalá de Henares)
(Tradução de Helena Faccia Serrano, Alcalá de Henares)
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