Os actos de vandalismo não representam nem o sentimento da maioria das pessoas, nem a posição do Governo
Roma, 14 de Maio de 2014 (Zenit.org) Sergio Mora
"Há muito entusiasmo e expectativa em Israel. Todos os
israelitas, muito além da sua filiação religiosa, estamos preparando as
boas-vindas ao Papa Francisco e à sua delegação, com o coração aberto e
muita cordialidade”, foi o que disse ontem, o embaixador de Israel
junto à Santa Sé, Zion Evrony, num café da manhã de trabalho com os
embaixadores e jornalistas em Roma, no NH Giustiniani.
"Ele será recebido como um irmão do povo judeu, a sua visita será
um evento importante", acrescentou. E considerou que "quando o papa
Francisco chegar a Israel poderá ver a realização da profecia bíblica
de Isaías e Jeremias . Ele encontrará um país com mais de 8 milhões de
pessoas, dos quais 1,5 milhões de muçulmanos e 157 mil cristãos”. Um
país, disse ele, em que "os cristãos têm os mesmos direitos e com uma
presença no parlamento de Israel e em todas as profissões. Eles têm a
garantia da liberdade religiosa e do trabalho”.
Acrescentou que "Israel é o único país no Oriente Médio com uma
população cristã em crescimento. Em 1948 era de 34.000 e hoje são
157.000. E isso em gritante contraste com as condições das comunidades
cristãs em vários lugares do Oriente Médio, onde estão sob ataque
constante, perseguidos e inseguros”, disse.
Sobre os actos de vandalismo contra lugares cristãos acontecidos
recentemente em Israel, como frases pintadas em lugares de instituições
católicas, considerou que “são actos de extremistas que não representam a
política do Governo nem o sentimento da maioria de Israel".
Acrescentou que os mesmos “foram condenados pelos líderes políticos e
religiosos. E as forças da ordem estão fazendo um esforço para
encontrar os responsáveis, e acho que serão encontrados e punidos".
O embaixador também negou os boatos que corriam em Israel, segundo os
quais Israel transferiria a soberania das tumbas de David e do Cenáculo
ao Vaticano.
"O Papa Francisco caminhará - disse o embaixador Evony - pelos mesmos
lugares onde, segundo a tradição cristã, Jesus e Maria andaram, e que,
de acordo com a tradição judaica, reis e profetas viveram. Este é o
lugar onde tudo começou".
E destacando o papel do Oriente Médio na história das religiões
contou uma ideia engraçada: embora com Deus pode-se falar de qualquer
lugar do mundo, em Israel a chamada é local”.
Além do mais fez uma reflexão histórica, desde quando se apresentou a
São Pio X uma rejeitada proposta sobre a criação do Estado de Israel,
na primeira viagem de Paulo VI que nunca mencionou a palavra Estado de
Israel, e depois João Paulo II, Bento XVI e agora Francisco. E como o
documento conciliar Nostra Aetate marcou uma mudança fundamental.
"Muitas vezes penso no longo caminho que percorremos, cristãos e
judeus nos últimos 2000 anos. Desde a rejeição e menosprezo, até mais de
cem anos atrás, até o reconhecimento, diálogo e amizade agora".
E lembrou a amizade com que foi recebido pelo Papa Francisco quando
apresentou as suas credenciais e o Santo Padre cumprimentou-o com a
palavra "Shalom", e que, nessa ocasião, ele o convidou a viajar para
Israel.
Recordou também que há 20 anos, a Santa Sé assinou um tratado
estabelecendo relações diplomáticas e troca de embaixadores. E que já se
avançou muito na realização de um tratado económico e financeiro, que
abordará assuntos como a dupla tributação.
Para o futuro considerou que as relações poderão melhorar ainda mais,
com mais importantes políticas de diálogo em assuntos como as minorias
no Oriente Médio, o aumento dos radicais islâmicos e o caso da Síria.
Também com uma cooperação maior no combate ao anti-semitismo, com
programas educacionais apoiados pelas comunidades judaica e católica,
explicando a abordagem da Nosta Aetate, e a importância da existência do
Estado de Israel na identidade judaica.
Lembrou também que o papa Francisco proferiu palavras fortes contra o
anti-semitismo, como: "devido às nossas raízes comuns um cristão não
pode ser anti- semita" e que é preciso educar as novas gerações do povo
judeu nesta nova relação com a Igreja Católica.
(Trad.TS)
(14 de Maio de 2014) © Innovative Media Inc.
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