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quinta-feira, 15 de maio de 2014

Em Nagasaki, um museu para celebrar os "cristãos escondidos" durante as perseguições

A inauguração será em Janeiro de 2015, e comemora a reinserção da comunidade católica subterrânea depois de mais de dois séculos de clandestinidade


Roma, 14 de Maio de 2014 (Zenit.org)


Será inaugurado em Janeiro, em Nagasaki, no Japão, um museu para celebrar o "Kakure Kirishitan": cristãos que permaneceram durante dois séculos fiéis a Cristo e à Igreja, apesar da forte perseguição e da total ausência de liberdade e de prática religiosa.

A iniciativa (conforme informações da agência Asia News) que celebra o 150º aniversário do "reinserção" da "Kakure Kirishitan", nasce da colaboração entre uma editora e a arquidiocese católica. Incentivado por Chiyoko Iwanami, 66 anos, de Tóquio, que quis homenagear o testemunho dos cristãos perseguidos durante o shogunato Tokugawa do período Edo (1603-1867).

O museu será aberto na região de  Heiwamachi em Nagasaki, não muito longe da Catedral Urakami e do Museu do bombardeio que lembra a destruição ocorrida após o lançamento de bombas atómicas sobre o Japão em 1945.

De acordo com Iwanami, esta tragédia influenciou a escolha: "Muitos católicos – afirma à Asia News - morreram durante o bombardeio. Quero mostrar às pessoas o quão difícil é proteger a fé se não há liberdade religiosa".

A estrutura cobrirá 140 metros quadrados do primeiro andar de um edifício de propriedade de Iwanami, que publicou várias obras sobre a perseguição anti- cristã e sobre história de Nagasaki. A Arquidiocese de Nagasaki vai cuidar dos objectos em exposição, medalhas religiosas e ícones presentes hoje no Museu Nacional de Tóquio.

Os "Kakure Kirishitan" convertidos no século XVI mantiveram-se fiéis à Igreja, apesar da ausência total de missionários, sacerdotes, da liberdade e da prática religiosa. Depois de quase dois séculos de clandestinidade, a comunidade cristã subterrânea do Japão "saiu" da obscuridade após a inauguração da igreja de Oura (perto de Nagasaki ), que o governo de Tóquio concedeu aos missionários franceses.

Enquanto rezava na igreja, em 17 de Março de 1865, Pe. Petitjean (missionário do Mep, que mais tarde tornou-se o primeiro bispo de Nagasaki) foi abordado por um pequeno grupo de agricultores locais que lhe perguntou se "era possível saudar Jesus e Maria". Após um momento de estupor, o padre soube da história: uma grande comunidade cristã e ainda fiel a Roma estava presente no país desde a perseguição de 1500.

(Trad.MEM)

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