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quinta-feira, 18 de novembro de 2021

A Boa Nova para a Vila de Mafra

Coroação Pontifícia de Nossa Senhora da Soledade

O Natal aproxima-se a passos largos. Este ano a reunião familiar será em minha casa face à doença Sars-Cov-2 e às suas restrições. Pela minha mente passaram os bons momentos vivenciados na belíssima Vila de Mafra nesta época natalícia. Não me canso de admirar a beleza da basílica de Nossa Senhora e de santo António inserida no Real Palácio Nacional de Mafra, as suas magníficas obras de arte, todo o seu vastíssimo património histórico-cultural. O Real Convento da Ordem de S. Francisco, a biblioteca, o Paço, os famosos carrilhões da Basílica recentemente restaurados, as procissões com andores alusivos a diferentes momentos da vida de Jesus levadas a cabo com a ajuda da Real Irmandade do Santíssimo Sacramento de Mafra que, com muito empenho e dedicação, se esforça por conservar e promover o património que lhes foi confiado.

Sou testemunha dessa dedicação uma vez que já me foi dado observar e narrar através de diferentes artigos sobre vários eventos que promoveram. Irei também para contemplar o presépio da Basílica, do Palácio e da Vila, bem como a Árvore de Natal, colocada em frente à Basílica. Um verdadeiro sinal de esperança para os mafrenses e para todos que os forem admirar ajudando a recriar um ambiente de Natal, conjuntamente, com as projeções luminosas promovidas pela Câmara Municipal, que dão cor ao Real Edifício de Mafra.

Recordo que o Papa Francisco afirmou que a festa de Natal nos lembra que Jesus é a nossa paz, a nossa alegria, a nossa força, o nosso conforto. Para acolher estes dons da graça, precisamos de nos sentir pequenos, pobres e humildes como as personagens do presépio. “Também neste Natal, no meio do sofrimento da pandemia, Jesus, pequeno e indefeso, é o “Sinal” que Deus doa ao mundo. Sinal admirável, como indicia a Carta Apostólica Admirabile signum, que o Santo Padre aconselha a ler nestes dias, sobre o Presépio, representando o acontecimento da natividade de Jesus, anunciando com simplicidade e alegria o mistério da encarnação do Filho de Deus.

Armar o Presépio ajuda-nos a reviver a história sucedida em Belém… ajuda a estimular os afetos, convida a sentir-nos envolvidos na história da salvação, contemporâneos daquele evento que se torna vivo e atual nos mais variados contextos históricos e culturais. Desde a sua origem franciscana, o Presépio é um convite a “sentir” e “tocar” a pobreza que escolheu o Filho de Deus na sua encarnação, tornando-se assim, implicitamente um apelo para O seguirmos pelo caminho da humildade, da pobreza, do despojamento, que parte da manjedoura em Belém e leva até à Cruz, e um apelo ainda a encontrá-Lo e servi-Lo com misericórdia nos irmãos e irmãs mais necessitados.

E precisamente no terceiro domingo do Advento, domingo da Alegria, Gaudete: “Alegrai-vos sempre no Senhor”, Exultai de Alegria: o Senhor está perto”, eis chega uma BOA NOVA para a Basílica de Nossa Senhora e de Santo António que certamente dará muita alegria não só aos mafrenses bem como a todos os portugueses e aos que muito contribuíram para que se tornasse uma realidade, em particular a Real Irmandade do Santíssimo Sacramento de Mafra que, com júbilo, comunicou, a concessão da sublime graça da Coroação Pontifícia de Nossa Senhora da Soledade custodiada por esta Irmandade.

Sua Santidade o Papa Francisco concedeu a sublime graça da Coroação Pontifícia da Veneranda Imagem de Nossa Senhora da Soledade da Real Basília de Mafra. Este reconhecimento, por parte da Santa Sé, da devoção à Santíssima Virgem presente na veneranda imagem da Soledade da Real Basílica de Mafra, com o propósito de estender a todo o orbe católico a importância deste título mariano e o seu culto, fortalecendo assim a piedade cristã. O ato de coroar Nossa Senhora é o de reconhecer que Ela é rainha da Igreja, de Portugal, das nossas vidas. Assim se ligam ainda mais dois motivos tão essenciais da Basílica – a devoção mariana e a fidelidade ao Sucessor de Pedro“. (Mensagem do Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa).

É um acontecimento memorável para Portugal e para Mafra. A partir de agora passam a existir em Portugal três imagens de Nossa Senhora coroadas canonicamente “em nome e com autoridade do Sumo Pontífice”, Nossa Senhora do Sameiro em Braga, Nossa Senhora de Fátima e agora a Nossa Senhora da Soledade em Mafra. Constitui um verdadeiro sinal da realeza de Nossa Senhora nesta hora difícil que vivenciamos no nosso país, que desde a sua fundação é chamado “terra de Santa Maria” em que a mais bela das coroas que se pode oferecer à Virgem é que os seus filhos, assumidos como tal no Calvário, meditem na solidão da dor de Mãe aos pés da Cruz do Redentor crucificado, amando-a e imitando-a.

Para a Real e Venerável Irmandade do Santíssimo Sacramento de Mafra a receção desta graça constitui certamente um renovado incentivo no caminho a percorrer até à data da Coroação de Nossa Senhora da Soledade, bem como no incremento do culto da Santíssima Virgem a quem a Real Basílica de Mafra foi dedicada no ano 1730.

Senti-me muito feliz e emocionada. Tinha tido oportunidade de participar na cerimónia em que se deu a conhecer o novo e belo vestido de Nossa Senhora da Soledade, e de escrever sobre ela. Felicito do fundo do coração a Real Irmandade do Santíssimo Sacramento de Mafra, a Paróquia onde está sediada e todos os mafrenses. Que seja um verdadeiro contributo para levar luz, esperança, bem como a Palavra que salva, ilumina e reconforta os nossos corações.

Nossa Senhora da Soledade da Real Basílica de Mafra, rogai por todos nós especialmente nestes tempos conturbados!

Maria Helena Paes







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