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quarta-feira, 13 de março de 2019

Uma Semana da Fraternidade judaico-cristã contra o anti-semitismo


A realização da Semana da Fraternidade, uma iniciativa da Sociedade para a Cooperação Judaico-Cristã da Alemanha que tem como objectivos a promoção do diálogo entre judeus e cristãos, a colaboração na luta contra toda a forma de anti-judaísmo e anti-semitismo e a cultura da memória das vítimas do Holocausto, coincide este ano com um contexto de crescente anti-semitismo na Alemanha como também em toda a Europa e mesmo em outros continentes.
A “Semana da Fraternidade” é uma iniciativa já com grande tradição. Desde 1952 que se celebra na Alemanha e os seus objectivos iniciais continuam a manter a validade.  A abertura da semana deste ano teve lugar no dia 10, domingo, em Nuremberga, com a presença do Presidente da República, que é também tradicionalmente o patrocinador.
Setenta anos após o final da II Guerra Mundial, com a vitória sobre o regime nazi responsável pelo Holocausto, volta a viver-se nas comunidades judaicas um clima de insegurança e de medo. Repetem-se os atentados e actos de violência contra pessoas e de vandalismo contra bens culturais do judaismo. O número dos judeus que emigram para Israel ou  se confrontam com essa ideia aumenta constantemente. 
Pormenor do cartaz da Semana de Fraternidade 2019, com a medalha de mérito Buber-Rosenzweig
Numa declaração do Conselho Internacional de Cristãos e Judeus, datada do passado  dia 28 de Fevereiro e publicada em Heppenheim, no centro da  Alemanha, cidade onde viveu Martin Buber, considera-se que este retorno do anti-semitismo deve constituir um sinal de alarme, e que é preciso estar atento a todas as formas de racismo, xenofobia, islamofobia. Ou seja, toda a forma de menosprezo por todas as pessoas que, de um modo ou outro, são diferentes da maioria. A medalha de mérito Buber-Rosenzweig, com o nome de duas grandes figuras do judaísmo alemão, e que é atribuída anualmente por ocasião da Semana, foi entregue este ano a duas iniciativas de base empenhadas na promoção de uma cultura de tolerância e de coragem civil.
A Conferência Episcopal Alemã publicou também uma longa declaração, no sentido de sublinhar a proximidade teológica entre judeus e cristãos. A Igreja reconhece, de forma oficial pelo menos desde o Concílio Vaticano II (na Declaração Nostra aetate), que “Deus continua a agir no Povo da Velha Aliança”. Citando o Papa Francisco, os bispos reafirmam que “a Igreja vê no Povo da Aliança e na sua fé as raízes sagradas da  identidade cristã”. Debruçando-se sobre um documento intitulado Entre Jerusalém e Roma(“Between Jerusalem and Rome”), com que os representantes do judaísmo ortodoxo quiseram assinalar os 50 anos do Concílio Vaticano II, a Conferência Episcopal regozija-se com esta nova abertura ao diálogo com o catolicismo por parte do judaísmo.
Embora este documento date já de 2017 a Conferência Episcopal Alemã é a primeira a nível mundial a reagir a esse documento. Pela primeira vez na história, a ortodoxia judaica, representada por um número considerável de rabinos e associações de Israel, Europa e América,  vê nos cristãos e de forma especial nos católicos “parceiros, estreitos aliados e irmãos”.  Os bispos alemães alegram-se com esta evolução nas relações judaico-cristãs e prometem comprometer-se ao lado das comunidades judaicas na luta contra todas as formas de anti-semitismo, ao mesmo tempo que manifestam a sua satisfação pelo facto de que também os rabinos ortodoxos revelem sensibilidade para com a situação dos cristãos na Terra Santa.
A Semana da Fraternidade 2019 sob o tema Ser humano, onde estás? Juntos contra o anti-judaísmo, com uma série de actividades a nível nacional e um considerável eco nos meios de comunicação, não irá resolver o problema do anti-semitismo. Mas é mais um alerta e uma boa ocasião para tomadas de posição que parecem urgentes.
(Foto da página de abertura: Monumento às Vítimas do Nazismo, em Berlim)


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