A maturidade é um estado de
conhecimento, juízo, prudência e saber que se alcança e que possibilita
orientar a própria psicologia de maneira positiva, permitindo-nos organizar a
nossa vida pessoal de modo a que produza os resultados adequados.
Os anos cronológicos, não
garantem, por si sós, a maturidade psicológica, porque esta requer um extenso
processo de formação, que nem sempre chega a um fim feliz.
Assim, devemos apontar, como
primeiro elemento indicativo de maturidade, a unificação, que consiste na
organização da vida de acordo com motivos transcendentes. Isto significa capacidade
para harmonizar as diversas componentes da personalidade e para integrar tendências
e valores, de modo que todas as dimensões da pessoa se unifiquem à volta de um
ideal determinado.
Nesta perspetiva, o conhecimento
próprio e a autocrítica são imprescindíveis para superar atitudes e
circunstâncias que são causa de frequentes frustrações e que tornam mais
difícil a relação com os outros. Conseguir a maturidade supõe ter adotado a
medida certa da vida dando às coisas a importância relativa que elas têm: nem
mais nem menos.
A pessoa madura tem, por si
própria normalmente, uma natural estima e respeito, sem precisar de grandes
títulos externos. É a maturidade que dá à pessoa o peso necessário para a
auto-estima. É o seu substrato prévio, porque a maturidade integra muitas
virtudes: realismo, moderação, equilíbrio, objetividade, serenidade, prudência,
responsabilidade, capacidade de análise, reflexão, controle da emotividade,
capacidade de decisão, segurança, desprendimento, em suma, uma personalidade
madura.
Mas, para além da relação inter –
pessoal, o homem é um ser social, sociável, aberto aos demais. Daí que,
qualquer pessoa, os outros, são parte importante da sua vida. A sua realização
plena como pessoa está, necessariamente, ligada aos outros, uma vez que a felicidade
depende, em grande medida, da qualidade da nossa relação com as pessoas do
nosso âmbito familiar, profissional, social, etc. Felicidade – maturidade,
constituem um binómio, dificilmente separável.
Mas não se pode perder de vista
que cada pessoa não se relaciona apenas com os outros, mas também consigo
mesma: mantém uma conversa frequente na sua própria interioridade, um diálogo
espontâneo, ocasionado por vivências e reflexões pessoais que cada um faz
continuamente.
Esse diálogo interior pode ser
estéril ou fecundo, destrutivo ou construtivo; obsessivo ou sereno. Depende do
modo como é estabelecido e do tipo de pessoa de que se trata. Se possui um
mundo interior sadio e bem cultivado, esse diálogo será esclarecedor, porque
proporcionará a luz necessária para interpretar a realidade, proporcionando
oportunidades de considerações muito valiosas.
A relação consigo mesmo, melhora
ao ritmo do grau de maturidade alcançado por cada pessoa. As avaliações que
cada pessoa madura faz acerca de si própria, e da realidade alheia, costumam
ser classificações realistas, porque aprendeu a não cair facilmente nessas
idealizações ingénuas que, ao não serem concretizadas, produzem desencanto.
A pessoa madura sabe não
dramatizar perante os obstáculos, encontrados na concretização dos projectos
que se propõe. Dialoga no seu interior de forma serena e objetiva, de modo que
nem ela, nem os demais, se surpreenderão com os resultados. Mantém uma relação
consigo própria simultaneamente cordial e exigente. Raramente cria conflitos
interiores, porque sabe ultrapassar as suas preocupações, procurando a solução
adequada. Possui autoconfiança e se alguma vez se engana não perde o equilíbrio
interior.
Nas pessoas imaturas, ao
contrário, esse diálogo interior de que vimos falando, costuma converter-se
numa fonte de problemas: o não valorizar as coisas na sua justa medida, faz com
que, com frequência os seus pensamentos criem falsas expetativas que, ao não se
realizarem, provocam conflitos interiores e dificuldades de relacionamento com
os demais.
Uma pessoa madura e equilibrada
tende a ver sempre com afeto a própria vida e a dos outros. Contempla toda a
realidade circundante com desejo de enriquecimento interior, porque quem vê com
carinho, descobre sempre algo bom no objeto da sua visão. E ao dilatar e
enriquecer o seu interior dessa maneira, dilata e enriquece o seu amor e o seu
conhecimento, torna-se mais otimista, mais alegre, mais humana, mais próxima da
realidade dos homens e das coisas.
Esta sabedoria de viver com
raízes na educação clássica greco-romana, foi imensamente enriquecida com a
revelação cristã, que trouxe, além de profundos conhecimentos sobre o ser
humano, um novo modelo – Jesus Cristo – e as forças necessárias para viver de
acordo com o Modelo proposto.
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Maria Helena Marques
Prof.ª Ensino Secundário
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