O embaixador do México junto à Santa Sé, Mariano Palacios Alcocer,
salienta que Francisco tem sido altamente esperado em seu país por ter
sido o primeiro papa latino-americano
O embaixador do México junto à Santa Sé, Mariano Palacios Alcocer; a
jornalista Valentina Alazraki; e o reitor do colégio mexicano, Armando
Flores Navarro
Diante da iminente visita do Papa Francisco ao México, o embaixador
do México junto à Santa Sé, Mariano Palacios Alcocer; a jornalista
vaticanista de Televisa Tv México, Valentina Alazraki; e o reitor do
Pontifício Colégio Mexicano, Armando Flores Navarro, expressaram os seus
pontos de vista em um café da manhã de trabalho em Roma, no Hotel NH
Giustiniani, organizado por Mediatrends América, a Fundação Promoção
Social da Cultura e o Instituto Cervantes de Roma.
O embaixador do país azteca recordou que é a sétima viagem de um Papa
ao México, seis de João Paulo II e uma de Bento VI; embora esta de
Francisco tem sido muito esperada, em particular porque trata-se de um
Pontífice latino-americano. Acrescentou que quando Francisco começou o
seu pontificado, foi a primeira vez que um presidente mexicano, Enrique
Peña Nieto, participou na cerimónia que o convidou. Embora recordou que o
primeiro problema que surgia para uma visita do Santo Padre era que
Bento VI tinha estado recentemente, em Março de 2012.
Garantiu que “a mensagem que leva o Papa é de esperança e de
reconciliação”, em uma “viagem durante a qual encontrará as autoridades,
mas que principalmente será pastoral”.
Recordou que na missa do 12 de Dezembro de 2014 na Basílica de São
Pedro, em honra à Nossa Senhora de Guadalupe, Francisco disse que iria
ao México e destacou a coincidência de que isso aconteça agora durante o
Jubileu da Misericórdia. “Além do mais é uma viagem para encontrar um
continente”, que nem todos podem vir a Roma para vê-lo.
O embaixador também disse que “é uma viagem exclusiva para o nosso
país e a primeira em que um Pontífice será recebido no Palácio
Nacional”. Assim, percorrendo as relações entre a Igreja e o Estado
ilustrou que “nos séculos XIX e XX não foram lineares, e tiveram altos e
baixos e momentos obscuros. Por não falar do impasse de 25 anos com a
cristiada e de momento radicais e jacobinos”.
O diplomata ressaltou que no México é evidente a existência de uma
cultura católica e profundamente popular, que é muito importante nesta
viagem, bem como a posição geográfica e geopolítica do seu país. Neste
sentido tem muito peso a emigração de tantos cidadãos mexicanos rumo aos
Estados Unidos, devido à diferença de retribuições salariais, embora
indicou que durante a presidência de Obama mais de 2 milhões de
imigrantes do seu país foram repatriados. Acrescente-se a isso um fluxo
constante “dos irmãos de Honduras, Nicarágua e El Salvador”.
O embaixador acrescentou que em cada um dos encontros, a mensagem do
Santo Padre permitirá fazer público os problemas, embora destacou que
México as dificuldades já são de conhecimento público, como a violência
no país, e embora “todos os índices estatísticos vão para baixo”
garantiu que “a percepção é que a violência continua aumentando”. Entre
os dados positivos destacou também que os actuais índices de desemprego
são os mais baixos dos últimos anos, a ponto que se conseguiu reabsorver
aqueles que foram repatriados dos EUA.
O diplomata mexicano também confidenciou que, quando ele convidou o
Papa para ir ao México, no início do pontificado, Francisco lhe disse:
“Antes eu tenho que ir à África e Ásia”, continuando com os compromissos
do pontificado de Bento XVI.
Durante o café da manhã de trabalho destacou-se que o Papa escolheu
pessoalmente o itinerário que queria realizar, embora as autoridades
tenham preferido outro itinerário. O embaixador Palacios Alcocer
considerou que mais do que proibições houve sobreposição de petições,
porque até foi convidado pelo Congresso, onde o Santo Padre não irá.
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